segunda-feira, 15 de maio de 2017

PORTUGAL ESTÁ NA MÓ DE CIMA E BRILHA!

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Se é bom dia para uns para outros não é nem será. Para os azarados, os infelizes, resta dizer que melhores dias virão. Persistência é o que precisamos nas ondas de azar. Por aqui no Expresso Curto que temos a mania de trazer para o PG – com todo o respeito pela propriedade intelectual dos que ali são autores – falam em “Um país muito feliz”. Nicolau Santos, hoje autor daquele naco de prosa parece que assim considera. Sabemos a razão de assim considerar. Para já deve ser do Benfica, mas se não é pelo menos sabe que quase dois terços dos milhões de portugueses são benfiquistas e o restante terço é simpatizante. Exceptuamos aqui, pela evidência, que nem Pinto da Costa, nem Bruno de Carvalho são benfiquistas ou somente simpatizantes. Não, esses são antagónicos e devem estar a roer já os coutos dos pulsos porque unhas, dedos e mãos já foram roídos. Vão passar a manetas que é por causa… do Benfica. Pau-pau. Toma e vai-te curar: tetracampeões, finalmente. Para o ano que vem há mais. Por isso, estimados antagonistas, não roam os braços, porque se não para o ano que vem, na próxima época, não têm o que roer – a não ser as unhas dos pés e por aí a cima… Adiante, que o vermelho é esperança.

E depois um Salvador chegou ao Festival de Eurovisão e venceu aquela coisa. Finalmente. O Costa deve ter ido fazer alguma bruxaria positiva na Índia ou coisa que o valha. Este país, Portugal, está a andar na estrada do sucesso. Bem, se calhar nem é uma questão de bruxaria positiva. Provavelmente, por durante quatro anos anteriores terem estado três mixordeiros nos poderes máximos – Portas, Passos e Cavaco – o país quase se afogou no negativismo tétrico, reacionário e esbulhador dos plebeus, em benefício dos amigos e gajos conhecidos por ladrões, banqueiros, grandes empresários (em alguns casos leia-se grandes ladrões) e etc. dessa escumalha exploradora, gananciosa e salafrária que nos trama a vida sistematicamente. E então tudo nos parecia negro naqueles quatro anos. Parecia e foi de uma negritude apavorante. Aliás, olhem para o semblante de Cavaco e percebem que ali e dali só pode vir desgraça. Felizmente que há “geringonça” e que Passos e Cavaco morreram politicamente. Quanto a Portas lá voltará daqui por uns tempos à liderança do CDS, quando a Cristas ou outros fizerem baixar as cotas de votos nas eleições. É cá um palpite. Basta de taró deste e de palha. Adiante.

E o papa Francisco veio cá, foi lá a Fátima. Santificou os visionários, uns putos plebeus que disseram que viam coisas em branco. Ainda bem que não eram cheques, mas sim, segundo dizem, uma senhora. Talvez. Pena que as largas dezenas do gentio que foi lá para ver se viam alguma coisa não viram patavina – a não ser o sol a rodopiar… Ora, ora, estavam mas é todos encandeados. Então não sabem, que é prejudicial olhar fixamente para o sol?!

Em toda esta mística o que vale é a espetacular crença e felicidade das pessoas. Para aí 660 mil que lá foram, a Fátima, para além dos milhões que estiveram lá em espírito. Admiração e respeito por todos vós. Bem o merecem. Este foi, é, até ver, um país feliz. Sim, senhores(as). Portugal está na mó de cima!

Este pedaço prosaico para fazer a abertura anterior ao Expresso Curto faz lembrar as conversas de comadres, daquelas muito mázinhas e estúpidas. Basta. Senhor Nicolau Santos, clarividente, tem a palavra.

MM | PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Nicolau Santos | Expresso

Bom dia, este é o seu Expresso Curto de um país cada vez mais feliz e em estado de graça: o Papa visitou-nos, santificou dois pastorinhos, o Benfica foi tetracampeão (e há pelo menos seis milhões de portugueses eufóricos), Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão, feito que nunca tinha acontecido em 49 anos de participações, e o INE deverá anunciar hoje o melhor trimestre de crescimento da economia portuguesa em quase sete anos.

Mas como diz o ditado, não há bela sem senão. Infelizmente, de fora chegam-nos grandes preocupações. O ciberataque desencadeado na sexta-feira passada deve ter alcançado pelo menos 150 países e feito mais de 200 mil vítimas. E o grande problema é que esta manhã as coisas podem piorar, segundo o diretor da polícia europeia Europol, Rob Wainwright, em declarações à estação de televisão ITV. “Neste momento, enfrentamos uma ameaça crescente. (...) Os números estão a subir, estou preocupado sobre se os números continuarão a aumentar quando as pessoas voltarem ao trabalho e ligarem os seus computadores na segunda-feira de manhã," afirmou, citado pela Reuters.

O ataque informático, que agora se sabe ter sido generalizado, afetou organismos e empresas como bancos na Rússia, hospitais no Reino Unido e a operadora de telecomunicações espanhola Telefónica, obrigando em Portugal empresas como a EDP a cortar o acesso dos seus serviços à internet. O ataque consistiu na codificação dos ficheiros levada a cabo por um software malicioso ("malware"), deixando sistemas informáticos inacessíveis. Para inverter a situação e descodificar os ficheiros, os autores exigem o pagamento de um resgate. A ficção tornou-se realidade.

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu ontem o endurecimento de sanções contra a Coreia do Norte no seguimento do disparo de um míssil balístico no sábado, que caiu a 500 quilómetros da fronteira russa. "Que esta nova provocação seja um apelo a todas as nações para implementar sanções mais fortes contra a Coreia do Norte", lê-se num comunicado de imprensa divulgado pela Casa Branca. A União Europeia considerou que o disparo é "uma ameaça à paz e segurança internacional" e representa uma escalada da tensão na região. Também a China e a Rússia reagiram, mostrando-se "preocupadas com a escalada de tensão" na península coreana. A situação está a ficar tão dramática que Estados Unidos e Japão pediram uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se vai realizar amanhã.

Alheio a estas minudências, o povo português deslocou-se ontem à tarde ao aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para proporcionar um merecido banho de multidão a Salvador Sobral, que conseguiu o feito histórico de ganhar o Festival da Eurovisão em nome de Portugal. É a primeira vez que tal acontece em 49 anos de participações. Mas Salvador não quer ser o nosso Luke Skywalker. “Não sou herói nacional. Esse papel é do Ronaldo e espero que assim continue”. O segredo para a vitória: uma canção que não foi feita para ganhar o festival e uma enorme interpretação de Salvador Sobral.

Em género banho de multidão, mas bastante maior, foi também a festa por todo o país dos adeptos do Benfica pelo tetracampeonato, a primeira vez que na sua história o Benfica consegue tal proeza, igualando Sporting e FC Porto. Mas, claro, o epicentro dos festejos foi na Praça do Marquês de Pombal, em Lisboa, com mais de 200 mil adeptos em euforia.

Sem banho de multidão mas com a vida a correr-lhe bem está António Costa. Depois de assistir ao vivo, juntamente com o ministro das Finanças, Mário Centeno, à conquista da tetracampeonato no Estádio da Luz e de ter felicitado Salvador Sobral (o Presidente da República fez o mesmo), o primeiro-ministro ficará hoje a saber, segundo ontem revelou na SIC Luís Marques Mendes, o mais influente áugure da pantalha nacional, que a economia terá crescido no primeiro trimestre deste ano mais de 2,4%, o valor mais elevado desde há sete anos. Pecado: foi à boleia das exportações e do investimento, uma “estratégia de crescimento correta”, embora “contrária" à que o Governo defendia, que era crescer na base do consumo”. Realmente, é um aborrecimento.

OUTRAS NOTÍCIAS

Emmanuel Macron tomou ontem posse como oitavo Presidente da V República de França, tornando-se, com 39 anos, o mais jovem chefe de Estado do país. No seu primeiro discurso como Presidente francês, Macron disse que "o mundo e a Europa necessitam hoje, mais do que nunca, de uma França forte e segura do seu destino", que traga a voz da liberdade, que saiba inventar o futuro. Hoje, começa a política pura e dura: Macron anuncia quem é seu primeiro-ministro e vai reunir-se com Angela Merkel.

Desde ontem que o Presidente chinês, Xi Jinping, está a receber em Pequim mais de vinte líderes mundiais, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, ou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para explicar o seu plano multimilionário, no total de 124 mil milhões de dólares, para desenvolver infraestruturas em mais de 60 países da Ásia Central e de África. Em traços muito gerais, os planos de Xi resumem-se a estabelecer rotas comerciais que liguem a China, a Ásia Central, a Europa e ainda a África, num total de mais de 60 países, onde mora 60% da população mundial e cujas economias correspondem a um terço do PIB mundial. São as novas Rotas da Seda.

A CDU da chanceler Angela Merkel venceu as eleições no estado federado da Renânia do Norte-Vestefália, com 34,5% dos votos contra 30,5% do SPD (resultados preliminares). A vitória clara dos conservadores é um rude golpe para os sociais-democratas, que perdem um importante bastião, onde governaram durante a maior parte do tempo do pós-guerra. Hannelore Kraft, que era vista como uma estrela do SPD, anunciou imediatamente a demissão dos seus cargos no partido. Este eleição assumia uma importância especial por ser a última num estado federado antes da eleição nacional. É ainda a terceira vitória da CDU em eleições num Land este ano, depois de se ter conseguido manter no poder no Sarre, e de derrotar o SPD em Schleswig-Holstein. Martin Schulz bem se pode ir preparando para continuar líder da oposição mais quatro anos…

A McDonald’s teve em 2016 o seu melhor ano em Portugal: um aumento de vendas de 10,8% (que alcançaram os €338 milhões) e uma distinção da casa-mãe como a operação internacional com melhor desempenho global. Sai mais um hambúrguer para a mesa do canto.

E por falar em comida, hoje é dia de greve nas cantinas em todo o país, o que pode levar ao fecho de escolas e deixar hospitais, empresas e organismos públicos sem refeições. Como se dizia antigamente, quem não trabuca não manduca. Ou vice-versa. Em causa está a proposta de aumento salarial de 2% e de alterações ao contrato coletivo que prejudicam os trabalhadores, diz o Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria, Turismo e Restaurantes do Norte.

Enfim, sempre é possível aproveitar o bom tempo se houver algum encerramento destes organismos: é que as temperaturas vão subir entre 3 a 7 graus no Continente, prevendo-se máximas superiores a 30º em algumas regiões, segundo o Instituto do Mar e da Atmosfera.

Quanto a dinheiro, se tem acções da EDP, CTT, Sonae e Altri, vai ter uma semana simpática. É que estas quatro empresas cotadas vão distribuir quase 900 milhões de euros em dividendos, com a elétrica a assegurar a fatia de leão.

No futebol europeu, dois ex-treinadores do Sporting tiveram sortes diferentes. O Mónaco de Leonardo Jardim, Bernardo Silva e João Moutinho pode encomendar as faixas e festejar antecipadamente o título francês. O triunfo ontem sobre o Lille (4-0, bis de Falcão, Bernardo Silva e autogolo de Alonso) deixou o clube virtualmente campeão, pois tem mais três pontos do que o PSG , mais dois jogos para disputar (os parisienses apenas um) e uma larga vantagem no saldo de golos - caso os dois clubes terminem empatados (seria preciso os monegascos perderem os dois jogos), o primeiro critério de desempate são precisamente os golos... e o Mónaco tem mais 18 do que o PSG, o que torna impossível a missão de Di María, Cavani e companhia.>

Quem está inconsolável é Marco Silva. O Hull City foi goleado ontem por 4-0 pelo Crystal Palace e não evitou a descida de divisão, o grande objetivo do antigo treinador do Sporting, quando tomou conta da equipa na primeira semana de janeiro e esta estava em último lugar.

Por falar no clube de Alvalade, no meio da desgraça que foi esta época, há excelentes notícias. Na Holanda, o Feyenoord foi campeão, após 18 anos de seca. Coragem, sportinguistas como eu: ainda só vamos em 16 anos sem ganhar o campeonato…

Ainda futebol: Cristiano Ronaldo ultrapassou, este domingo, a marca dos 400 golos com a camisola do Real Madrid. Na receção ao Sevilha, no Santiago Bernabéu, que os merengues venceram por 4-1, o português marcou dois, um deles um golaço só ao alcance dos grandes jogadores.

FRASES

“Não há soberania sem ciência”. Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Pois, a avaliar pelos orçamentos de sucessivos Governos para a Ciência, a nossa soberania deve ser uma coisa em forma de assim, como diria o O’Neill.

“Deixo a França num estado bem melhor do que aquele em que a encontrei”. François Hollande, presidente da França, que ontem abandonou o Eliseu. Só tu, François, para nos fazer rir logo de manhã. Deve ser por isso que foste o único presidente francês que não se recandidatou ao cargo e que o Partido Socialista francês teve o pior resultado de sempre (6,4%) numas eleições presidenciais. Tótó até ao fim.

“Namorem com quem quiserem mas casem com os ‘nerds’”. Sheryl Sandberg, COO do Facebook. Excelente conselho, Sheryl. Esqueceste-te foi de dizer que o nerd com que tu casaste era o presidente da Yahoo, David Goldberg.

“Quando o touro se vira para nós não há nada a fazer”. Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP, comparando o desafio que lhe foi feito para liderar a CAP com a experiência de enfrentar gado bravo. Imaginamo-lo a gritar do meio da praça: “É CAP linda!”

O QUE ANDO A LER. E A OUVIR

Por gentileza do distinto autor, meu camarada no Grupo Impresa, ando a ler “O pianista de hotel”, de Rodrigo Guedes de Carvalho, edições Dom Quixote. Nunca tinha lido nada do Rodrigo, embora ele já ande nestas lides há algum tempo, tendo escrito “Daqui a nada”, “A casa quieta”, “Mulher em branco” e “O canário”. Mas estou a gostar muito porque este pianista – embora eu ainda vá a meio – é seguramente uma história bem contada, que vai prendendo e enredando o leitor à espera do próximo capítulo. Ou seja, recomendo vivamente.

Quanto a música, duas sugestões. O último de Diana Krall, “Turn up the quiet”, é outra vez muito bom. No seu registo normal, intimista, quente, jazzístico, Krall dá-nos mais um disco que nos põe de bem com a vida e que nos dá vontade de o (a) ouvir em boa companhia, com uma taça de champanhe na mão e um quadrado de chocolate com flor de sal. É muito, muito bom.

Para quem aprecia outros ritmos, outros sabores, outros embalos, recomendo vivamente Mário Lúcio, um nome consagrado de Cabo Verde, que eu desconhecia. Contudo, na minha última passagem pelas ilhas, comprei um CD e a mão amiga do Nuno Sardinha, da RDP África, fez-me chegar outro. O primeiro é o “Kreol” e é imprescindível para quem gosta de música africana. Mário Lúcio faz duetos com Cesária, Milton Nascimento, Harry Belafonte, Teresa Salgueiro e grandes músicos africanos. O segundo, “Funanight”, muito recente, é um estudo aprofundado sobre o funaná, um dos ritmos caboverdianos mais alegres e que mais puxam o pé para a dança. Os dois valem muito a pena.

E pronto, estas são as notícias deste país feliz. Servido o Expresso Curto por este seu criado, amanhã cá estará outro garboso escriba para fazer o mesmo. Até lá, vá seguindo o fluxo informativo com o Expresso online, enquanto espera pelo Expresso Diário, que lhe será colocado na bandeja, ou melhor, no ecrã do computador ou do telemóvel exatamente às seis em ponto, com a precisão suíça garantida pelo meu camarada José Cardoso. Até lá, tenha um excelente dia. E como dizia o Raul Solnado, faça-me o favor de ser feliz.

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