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terça-feira, 25 de julho de 2017

AS “CALÇAS NOVAS DE SAVIMBI” ESTÃO A SER VESTIDAS, FORA DE ÉPOCA, NA UNIÃO EUROPEIA…



“SABEMOS, POR EXPERIÊNCIA PRÓPRIA, QUÃO DOLOROSOS SÃO OS EFEITOS DA GUERRA E QUAIS OS VALORES QUE A PAZ PROPICIA E ENCERRA”, Presidente José Eduardo dos Santos.

Martinho Júnior | Luanda  

Pois vem aí a “libertação” de Angola, com uma mensagem que está a ser difundida à boca cheia e bem provida de fundos, pela tão “solidária” Europa, habituada que ela está, com as pompas, as circunstâncias e as fanfarras dos salões feudais do costume, séculos após séculos, às “solidarices”típicas dum “tragamouros” que dá pelo rótulo de “civilização judaico-cristã ocidental” …

… Umas “calças novas”, que convencem a quem as veste que será tudo um conflito de gerações, de forma alguma uma batalha de ideias, filtradas pelas práticas no terreno, provavelmente por que na Europa das “solidarices” julgam que por África só há idiotas “formatados”, uns em parceiros-pródigos dum capitalismo selvagem levado a cabo por condutas neoliberais de ocasião e os outros, os restantes, os “acéfalos” que não passam dum despojo transformado num “corpo inerte”, estão pacientemente à espera da “libertação” por via duma qualquer pretensa “revolução colorida”, ou“primavera árabe”, que afinal, com toda a “energia jovem” de que se alimenta, só têm propiciado caos, terrorismo, ou desagregação, conformes às cartilhas que têm sido explicitamente dominantes, no âmbito da ressonância da voz do dono da hegemonia unipolar!...

O das “calças novas” esquece até que o choque neoliberal da “somalização de Angola”, lhe retirou todo o espaço de mobilização humana para uma ensanguentada “revolução colorida”, ou“primavera árabe”!...

Além do mais na Europa, essas “correntes desenfreadas de libertação de salão” que querem programar as ruas que pertencem ao futuro, “armadas” por esplêndidas “caixas de ressonância” ao nível das propiciadas pelo Bilderberg, não percebem que além do mais estão fora de época, pois o sustentáculo dos “Democratas” que era estendido do outro lado do Atlântico (com o sopro da“Killary”, manipuladora até do tão “versátil” quão oblíquo Obama), vai dando sinais de se ir esvaindo e nem os falcões vão chegando para as encomendas perante as emergentes evidências que se levantam!...

Na Síria, Trump viu-se obrigado a banir o papel da CIA, agarrando-se agora em desespero de causa ao sobrevivente papel do Pentágono, num terreno de areias movediças e por caminhos ilegais e ilegítimos, indiciadores dos modernos Vietnames onde se meteram por vontade própria os Estados Unidos (Síria, Iraque, Afeganistão, Arábia Saudita, Isarel, Ucrânia, Polónia e o que mais adiante se seguirá), mas os das “calças novas” agarram-se como ostras aos salões da Europa,“prontos” para virem “libertar África”!...

De acefalia em acefalia, agora vão metendo todas as sensibilidades sócio-políticas angolanas no mesmo saco, repare-se no que diz o “porta-voz” das “calças novas” que vai desfilando tal & qual misse em salões de moda europeus:

“Primeiro o angolano, segundo o angolano e terceiro as eleições”...

... “Para qualquer entendedor é evidente que estamos diante de uma camarilha de indivíduos que sempre soube da fraca simpatia do eleitorado e mesmo da sua classe militante, face à desgraça a que remeteu esta terra. Fred Bridgland (in Savimbi, uma chave para África) escreve (e cita fontes) sobre as condições de conflito em que os partidos independentistas entraram para a independência unilateral a que Angola foi subsequentemente sujeita. Tudo aponta para rivalidades intrapartidárias, conflitos pessoais e interpartidários, mas um aspecto que chama a atenção é que era evidente o desinteresse do partido MPLA por eleições pré-independência porque, diz-se, estava ciente do pouco apoio que tinha entre a maioria da população”...

... “Nisto, não terão os Angolanos aprendido em 40 anos? A moral da história deveria ser que ao invés de se forçar eleições a um povo que, mesmo com a sua particularidade, tem demonstrado não validar tais eleições, a oposição política e outras forças nacionais interessadas deveriam congregar esforços e concentrar-se em forçar um processo eleitoral verdadeiramente transparente e igual. Isto, claro, sob a crença de que eleições podem de facto trazer mudança à Angola, um assunto que talvez mereça debate por si só. O não respeito por este processo pelo partido da situação deveria levar ao boicote do exercício e a demonstrações de descontentamento generalizado, até que o processo seja trazido à normalidade”...

Eliminando conforme o “mestre” Francis Fukuyama toda a história decorrente do Movimento de Libertação em África, o das “calças novas” que desfila nos “salões”  europeus do Bilderberg, atasca-se nesta irredutível e “brilhante conclusão”:

... “A liberdade e o progresso de Angola está nas mãos dos filhos da terra. Não está na mão de político nenhum da oposição e certamente nunca esteve nas mãos do MPLA”.

De facto o “globetroter europeu” das “calças novas” parece nem estar em paz consigo mesmo e quer que todos os outros, os angolanos, também não o estejam... como se não tivessem mais que fazer!...

... É que se os da oposição se desenvencilharam das contradições savimbiescas, os do MPLA até aprenderam e muito, assumindo no tempo e no espaço próprio a antítese a essas mesmas contradições, para que no presente e no futuro sejam possíveis novas sínteses!

Martinho Júnior | Luanda, 25 de Julho de 2017

Primeiro o angolano, segundo o angolano e terceiro as eleições

Posted: July 7, 2017

A medida que se aproxima mais um exercício de legitimação do regime do MPLA, é mais uma vez evidente a perpetuação do status-quo na arena política angolana e com isso, mais distante a libertação de Angola da situação triste em que se encontra há mais de 40 anos. Argumente-se que, sem rodopios, só é tolo aquele que acredita que em condições actuais as eleições seriam a verdadeira expressão da vontade do povo. Tentando evitar ao máximo repetir o que já tem sido dito, analisemos alguns factos e aspectos característicos da actualidade socio-política angolana e que provam que NUNCA, em condições como as actuais (e de 2008, e de 2012 e quiçá, num futuro a curto e médio prazo), Angola terá eleições livres e justas.

Não obstante o tempo de antena de campanha eleitoral sobre o qual se choraminga tanto, passa-se a impressão de que é um acontecimento inédito e exclusivo às eleições. Sabe-se que o regime do MPLA tem levado campanha política desde mesmo antes das eleições de 1992 que, aliás, segundo relatos e algum material documentado, quiçá foram a únicas eleições sem as escalas astronómicas de fraude que embelezaram as subsequentes. A campanha política do MPLA através da imprensa pública mesmo em período não-eleitoral (durante “mandatos”) é tão bem sucedida ao ponto de ser normalizada no consciente e subconsciente dos Angolanos. Há alguns anos, Roberto de Almeida, vestido da arrogância que caracteriza a sua camarilha política, afirmou em bom tom na TPA que “é normal que mais tempo (leia-se ‘tempo excessivo’) de antena seja dedicado ao partido que lidera/compõe o governo”. O excelentíssimo, ainda ao longo da mesma entrevista, adicionou que é “muito normal que o partido ou qualquer entidade governativa se rodeie de pessoas em quem confie”, expondo e com todo o orgulho a prática do compadrio e a partidarização de órgãos do estado. Nisto, conclui-se que os partidos políticos e todas outras forças e entidades que se incomodem com o tempo de antena de campanha eleitoral, devem engajar-se na correcção do problema apartir da raíz, significando que a “luta” deve ser constante, eficiente e também levada a cabo durante legislações e não reduzida a choramingos de seis ou oito meses. Com tanto MPLA tanto tempo na televisão e por tantos anos, fica difícil reconhecer outras combinações de cores do espectro luminoso no boletim de voto; é psicológico.

A arrogância, natureza de medo e paranoia do partido da situação fazem com que as conhecidas práticas de fraude eleitoral e repressão política, até mesmo em altura de eleições (ou sobretudo em altura de eleições), não sejam novidade. Contudo, é preciso ter presente que há alguns anos que o MPLA tem tentado adicionar à sua política de repressão brutal, campanhas musculadas e bem calculadas de manipulação psicológica, desinformação e repressão institucional e constitucional. Um exemplo é a expansão (em Luanda) da imprensa privada que,com uma ou duas excepções, tenta fazer-se passar por imparcial e alternativa. A mais bem sucedida destas campanhas talvez seja a introdução e promoção compulsiva detudólogos na imprensa pública. Estes hoje em dia, com o medo crescente de perderem credibilidade pública perante a mínima suspeita de lealdade ao EME, escondem-se atrás de diplomas universitários, dados incompletos ou não-credíveis e, muito comummente, pseudo-intelectualismos e memorizações (e deturpações) de leis e decretos, muitos destes propositadamente curvos e ambíguos. No contexto actual de campanha eleitoral, estes fazedores de (des)opinião pública (o favorito do povo sendo João Paulo Ganga – o nosso “jéi-pi”) têm-nos impingido a aceitação de que JLo será o vencedor de mais uma farsa eleitoral. Só aí e sem esforço nenhum, o partido do regime já ganhou.

No campo institucional e constitucional, a humilhação a que os partidos políticos se submetem é ainda mais evidente. Numa entrevista ao “imparcial” – em padrões Angolanos – militante ou membro do MPLA e conceituado economista Lago de Carvalho, este lamentou não ter conhecimento de nenhuma proposta de governo da oposição, com excepção do manifesto da UNITA que mesmo demonstrado ter dado pouca atenção (de certeza que “leu de raspão”), qualificou de vago e irrealista. Em conversas em círculos de amigos ou familiares, é comum a ideia de que as campanhas eleitorais da oposição de modo geral têm pouca visibilidade e impacto e nisto, as suas propostas de governo nunca são conhecidas pelo público em geral. Naturalmente, aponta-se o dedo somente aos partidos políticos questionando-se a sua capacidade de mobilização e organização, tornando-os, evidentemente, os menos favoritos nos boletins de voto. Em Luanda por exemplo, os comícios da oposição geralmente resumem-se em algumas dezenas ou poucas centenas de pessoas com camisetas estampadas com o rosto do candidato, umas colunas alugadas do salão da tia Mizé, cartazes A4 imprimidos na Konica do chinês/vietnamita Djony e colados num camião chinês Landwind do ti Zé que faz umas poucas paradas ao longo do percurso nos musseques ou mesmo na cidade. No outro lado do espectro, a milhares de anos-luz, o material de campanha do MPLA é importado, incluindo, entre as mais bizarras exibições umas (estimadas, no mínimo) duzentas viaturas Toyota Hilux ao preço de marcado superior aos AKZ15 milhões. O seu candidato desfila e perfila usando meios do estado, sendo recebido em instituições de estado por entidades governamentais e estatais em serviço, associa com a maior naturalidade actividades de estado às de campanha política, entre outros inúmeros atropelos e desrespeito às leis e ao bom senso de qualquer humano. Só aí, o EME já ganhou. Bem calculadamente, o partido do regime aprova legislação e orçamentos eleitorais que atribuem verbas míseras aos partidos concorrentes. Tendo um “modelo económico” que promove a politização da economia e força a formação de elites (todas ligadas ao partido do regime) por via do saque, o MPLA consegue deliberadamente e sem esforço nenhum boicotar qualquer campanha política. Mesmo com uma imprensa pública (utopicamente) justa e imparcial, nenhum partido em Angola estaria capacitado para fazer frente à campanha musculada e esplendorosa do EME, nas condições actuais. Campanha esta que nada mais oferece ao eleitorado do que míseros “bens de primeira necessidade”, medicamentos aqui e acolá, bebetonas, exibições de luxo e ilusões, como é o exemplo das viaturas Hilux, num país em que nos hospitais públicos não se fala em ambulâncias que sirvam de facto. O processo judicial Brasileiro Lava Jato revelou recentemente que na campanha eleitoral de 2012 o EME gastou até (ou pelo menos) USD50 milhões, USD20 milhões destes financiados pela Odebrecht num esquema de corrupção e que viola a legislação eleitoral Angolana – e só se pode imaginar quantos milhões estão a ser gastos na campanha actual. De volta ao outro lado do espectro, os partidos políticos tiveram que se contentar com míseros milhõezinhos que não lhes permitem mais de um Landwind segunda-mão de cada vez. Nestas condições, que visibilidade e efectividade se espera da oposição? Até mesmo boa organização, exige dinheiro. Só aí, o regime já ganhou.

Mas mesmo com esta investida toda, por que tem o EME tanto medo da transparência? Para quê tanta intolerância política e repressão? Para quê essa batota extra, mesmo competindo com tanta desigualdade? Para qualquer entendedor é evidente que estamos diante de uma camarilha de indivíduos que sempre soube da fraca simpatia do eleitorado e mesmo da sua classe militante, face à desgraça a que remeteu esta terra. Fred Bridgland (in Savimbi, uma chave para África) escreve (e cita fontes) sobre as condições de conflito em que os partidos independentistas entraram para a independência unilateral a que Angola foi subsequentemente sujeita. Tudo aponta para rivalidades intrapartidárias, conflitos pessoais e interpartidários, mas um aspecto que chama a atenção é que era evidente o desinteresse do partido MPLA por eleições pré-independência porque, diz-se, estava ciente do pouco apoio que tinha entre a maioria da população. Dados pouco publicados apontam para uma repetição similar deste cenário em 1992, até mesmo por uma matéria no Jornal de Angola em que se anunciava que Jonas Savimbi aceitara uma segunda volta, quando a propaganda que se fazia é que a UNITA retomou à guerra porque recusou os resultados da primeira volta. Este e outros acontecimentos pouco documentados ou pouco revelados pelos conhecedores e presentes na altura, claramente põem em questão a transparência das eleições levadas a cabo pelo MPLA, enquanto partido-estado. De lá para cá, embora noutro contexto, os pleitos eleitorais de 2008, 2012 e actualmente de 2017 têm sido manchados por demonstrações bizarras de fraude e intolerância política, entre outros episódios e tecnicidades descritos acima e não só.

Nisto, não terão os Angolanos aprendido em 40 anos? A moral da história deveria ser que ao invés de se forçar eleições a um povo que, mesmo com a sua particularidade, tem demonstrado não validar tais eleições, a oposição política e outras forças nacionais interessadas deveriam congregar esforços e concentrar-se em forçar um processo eleitoral verdadeiramente transparente e igual. Isto, claro, sob a crença de que eleições podem de facto trazer mudança à Angola, um assunto que talvez mereça debate por si só. O não respeito por este processo pelo partido da situação deveria levar ao boicote do exercício e a demonstrações de descontentamento generalizado, até que o processo seja trazido à normalidade. Contudo, esta tarefa difícil não é nada facilitada num contexto em que o trauma da guerra ainda paira entre gerações que a vivenciaram, e num continente em que a manutenção de ditaduras não só apoiada, como perpetuada das mais variadas formas. Nisto, exige-se coragem de todos os filhos da terra que tenham algum sentido patriótico. É importante que o cidadão Angolano acorde para a realidade de que os partidos da oposição estão mais comprometidos com as regalias que o “poder legislativo” lhes encobre, do que com a verdadeira mudança. Prova disto tem sido que apesar de sempre reconhecerem fraude e disputar os resultados eleitorais, nunca nenhum destes partidos teve a coragem de rejeitar as legislaturas subsequentes (2008, 2012 e de certeza 2017). É importante continuarmos a rejeitar o registo eleitoral obrigatório, é necessário continuarmos a elevar as taxas de abstenção, é necessário que tenhamos coragem para negarmo-nos à “obrigatoriedade” de assisitir bebícios do EME, é necessário que continuemos a falar mais e mais e a mostrar que não vamos dar credibilidade à eleições nestas condições.


in : https://centralangola7311.net/2017/07/07/primeiro-o-angolano-segundo-o-angolano-e-terceiro-as-eleicoes/

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