quinta-feira, 17 de maio de 2018

O "FURO" EM ALJEZUR E OS NEGÓCIOS À VISTA - já esfregam as mãos?

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Antes, disse Raul Solnado, "Há Petróleo no Beato". Não havia nem há, felizmente. Era só a definição de uma peça de teatro. Atualmente dizem que há petróleo no Algarve e em mais locais da costa portuguesa. Por azar, ao que parece, até há. Pelo menos haverá o que justifique exploração no Mar de Aljezur, paredes-meias com a Costa Alentejana. 

Querem agora fazer um furo exploratório frente a Aljezur, no mar além a cerca de 45 quilómetros. A Galp e a ENI são o consórcio exploratório. Há dias a APA, Agência Portuguesa do Ambiente, foi a favor e dispensou um estudo de impacto ambiental. Como quem diz: "Furem e depois logo se vê". Não se sabe que por debaixo da mesa corre mais alguma coisa a não ser petróleo. Mas é de desconfiar, de tão "queimados" que os portugueses estão.

Mas então fazem um "furo" assim, sem mais nem menos, e antes não é preciso saber sobre os riscos nocivos para o ambiente? E essa tal APA (estamos a pagar essa coisa, não é?) toma o partido dos interesses das petrolíferas em vez dos interesses do ambiente e das populações? Estranho. Até parece que "corre" por debaixo da mesa alguma coisa para além de prospeção de petróleo. Português desconfia e tem toda a razão. E se não fôr isso? Pois então será desleixo, desprezo pelo ambiente, pelas populações, desprezo pela transparência... Até parece uma "encomenda" dos da GALP/ENI e de futuros benefícios para uns quantos. O que dá para os portugueses desconfiarem. Quem nos garante que daqui por uns tempos alguém dessa dita agência pseudo defensora do ambiente não passa a viver à grande e à custa do ouro negro que afinal é parte integrante de Portugal? Pois se há petróleo, gás, ouro, prata ou mijo, deixem-no lá. 

As populações não querem o tal "furo", não querem ali exploração de petróleo, não querem desgraça associada ao petróleo como é comum noutros locais, noutros países. O Golfo do México ficou às costas com um desastre ambiental gigantesco - ainda existe hoje - por causa de um "furo". Ora vão furar para outro lado, dizem as populações que temem e se opõem justificadamente. E os governos? Quem dos governos, atualmente deste do PS, mas de futuros governos, está de mãos estendida para a GALP e para a ENI? Estamos muito fartos de ver isso. Ministros e das suas ilhargas que depois vão para grandes empresas a quem "facilitaram" isto e aquilo... Pois. Então agora, neste caso quem são os que estão a projetar vir a beneficiar com o tal "furo" e provável exploração petrolífera? E quando acontecer o desastre ambiental quem paga? O povo local e os contribuintes a nível nacional? Tudo por causa do "furo" em Aljezur e os negócios à vista e o esfregar de mãos, à espera dos cifrões que em nada beneficiarão os portugueses nem Portugal. Antes pelo contrário.

Deixem-se de "ouro negro". Deixem-se de ser chicos-espertos e tão sacanas.

Palavra que isto até parece um filme de mafiosos. (MM | PG)

Ambientalistas revoltados e incrédulos com decisão sobre furo em Aljezur

Plataforma Algarve Livre de Petróleo condena a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente de dispensar de estudo de impacto ambiental a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) considerou ser desnecessária a Avaliação de Impacto Ambiental do furo de prospeção de petróleo ao largo de Aljezur. Uma decisão "vergonhosa e injustificada", diz a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP).

A PALP pede aos cidadãos que se manifestem contra a decisão da APA e defendam o património ambiental, social e económico português.

A organização, que agrega várias associações ambientalistas, diz-se incrédula e revoltada perante a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente de não sujeitar o furo de prospeção de petróleo de Aljezur a Avaliação de Impacte Ambiental." As pessoas que vivem nesta zona vivem da pesca e do turismo. Como é que quer que as pessoas não se revoltem?",pergunta Ana Matias, da PALP.

Esta ambientalista lembra que os argumentos da APA caem por terra dando o exemplo do que aconteceu no Golfe do México, onde foi na fase de prospecção que se deu o enorme derramamento cujos efeitos devastadores ainda persistem."Se a APA existe para defender o ambiente e os cidadãos o que é que se está a passar?" ." Obviamente, vamos impugnar o parecer da APA".

A Plataforma Algarve livre de Petróleo acusa a Agência Portuguesa do Ambiente de ignorar a vontade de milhares de cidadãos na Consulta Pública e o governo de estar conivente com as petrolíferas e defender o interesse privado em detrimento do público.

Maria Augusta Casaca | TSF
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