terça-feira, 13 de novembro de 2018

ZELAR PELOS NOSSOS RIOS, É ZELAR PELA VIDA!


EM SAUDAÇÃO AO 43º ANIVERSÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA


1- A 1ª fase da Operação Transparência, que terá sob o ponto de vista humano profundas implicações sobretudo no triângulo norte do território angolano, desde as fronteiras com a RDC, até à REGIÃO CENTRAL DAS GRANDES NASCENTES, estará em curso até 2020, altura em que Angola completará 45 anos de independência.

De entre as muitas acções urgentes que há a desencadear com a reorganização dos diamantes explorados nas bacias hidrográficas do país e em particular nesse triângulo norte, estão as que se inscrevem nas medidas ambientais.

Isso é tão mais importante quanto o Ministério do Ambiente, não se ouve, não se vê, nem se sente em relação à Operação Transparência… quando a transparência tem tanto a ver com a água.

De facto ao mesmo tempo que de aldeia em aldeia, de comuna a comuna, de município a município, se desenrola a Operação Transparência, que neste momento decorre em 11 das 18 províncias do país, seria necessário um inventário ambiental fazendo a leitura dos prejuízos decorrentes nas bacias hidrográficas mais afectadas pelas explorações selvagens de diamantes aluviais, as do Cuanza, do Cuango e do Cassai.

Essa leitura além do mais é crítica também em relação às implicações do Cuango e do Cassai no espaço nacional da República Democrática do Congo, tendo em conta que a bacia do Cassai é das mais importantes na afluência ao maior pulmão tropical de África e o segundo maior do globo!

2- Tirando partido das acções do âmbito do exercício de soberania das Forças Armadas Angolanas implicadas na Operação Transparência e em tempo de paz, equipas adstritas sob orientação do Ministério do Ambiente deveriam estar aptas a fazer esse inventário, desde as nascentes de cada curso de água, até aos percursos hidrográficos e leitos dos rios afectados, pois a reorganização da exploração e comércio de diamantes aluviais não pode excluir o conhecimento adquirido a partir desse inventário, por que em nome da civilização não se pode voltar a incorrer no bárbaro desnorte das últimas décadas!

Por um lado as FAA deveriam estar a criar unidades de fuzileiros aptas ao reconhecimento e controlo dos rios angolanos, algo que já propus citando o exemplo das iniciativas da Venezuela Socialista e Bolivariana, particularmente no Orinoco (“Vencer assimetrias”)…

Por outro, as universidades e institutos superiores angolanos, deveriam actuar de forma conjugada com as unidades policiais e militares, no inventário dos prejuízos, pois são elas que devem levar a cabo as imensas tarefas de resgate do conhecimento cientificado que há a realizar em relação à água interior do país, em benefício da independência, da soberania, da segurança e dum futuro de desenvolvimento sustentável para as gerações que se nos seguem!

Essa seria a fórmula mais coerente de mobilizar a juventude angolana que, ao invés de andar distraída com tanta alienação que nos chega por via das novas tecnologias a partir do exterior, tem assim bastos motivos patrióticos para, conhecendo profundamente o seu próprio país, o seu próprio território e as questões mais marcantes de sua própria natureza, se afirmar e projectar em direcção ao futuro!

Essa plataforma de acção deveria estar nos caboucos duma cultura nacional patriótica, indexada a uma GEOESTRATÉGIA PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, capaz de potenciar as profundas medidas que, no âmbito da independência e da soberania, impactem sob os pontos de vista infraestrutural e estrutural, sobre o que nesse aspecto advém do longo processo colonial.

3- Angola, 43 anos depois da independência de bandeira, continua encalhada numa visão colonial de implantação infraestrutural, estrutural e de “pólos de desenvolvimento”, como se um Diogo Cão invisível abordasse hoje a costa, com todas as velas pandas, vindo do norte pelo mar.

A partir do desencadear da Operação Transparência, há a oportunidade e a possibilidade de começar a alterar essas tendências que, advindo do passado, têm tantas implicações nas assimetrias do país!

É evidente que essa questão prende-se não só à gestação coerente da identidade nacional, mas também com a gestação dos programas de desenvolvimento sustentável e amigo do ambiente, de forma a garantir que os cursos de nossos rios, que tanto têm a ver com a vida em todo o território angolano, estejam saudavelmente disponíveis em benefício das futuras gerações e com horizontes a muito longo prazo, ao longo dos próximos séculos!

Lutar de forma inteligente e patriótica contra o subdesenvolvimento, passa pela formulação da GEOESTRATÉGIA PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL que faça a densa leitura antropológica irradiando na e a partir da REGIÃO CENTRAL DAS GRANDES NASCENTES e sobre a imensidão que há a descobrir na e com a ROSA DOS RIOS angolana!

De que se está à espera para dar à ignição essa tão legítima quão vital aspiração?

Zelar pelos nossos rios, é zelar pela vida, zelar acima de tudo, pela vida das futuras gerações!

Martinho Júnior - Luanda, 7 de Novembro de 2018

Base de consulta:
GEOESTRATÉGIA PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL –   http://paginaglobal.blogspot.pt/2016/01/geoestrategia-para-um-desenvolvimento.html

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