domingo, 7 de julho de 2019

Moçambique | Membro do MDM é atacado por homens armados na Zambézia


André Txetema, vice-presidente da Assembleia Autárquica de Alto Molocué, foi fortemente golpeado em sua residência por um grupo de homens armados. Delegado provincial do MDM acredita que houve motivação política.

O vice-presidente da Assembleia Autárquica de Alto Molocué, na província da Zambézia, centro de Moçambique, e membro do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a terceira força política do país, foi fortemente golpeado na madrugada de sexta-feira (05.07) na sua residência por um grupo de homens armados.

André Txetema escapou da morte por pouco, informou a comissão provincial do MDM numa conferência de imprensa realizada este sábado (06.07) em Quelimane.

"Antes de entrar na residência da vítima, o grupo primeiro cortou os cabos de transporte da corrente elétrica que garantem a iluminação da casa da vítima. De seguida, entraram na residência e começaram a torturá-lo. Por um pouco empedaçavam a cabeça dele", afirmou o delegado político provincial do MDM, Rogério Warro Warro.

"Nós queremos que os órgãos da Justiça apareçam e que nos digam quem são e onde esses meliantes se encontram. Advertimos aos órgãos de direito a investigar e a trazer à tona os resultados que pretendemos. A vítima já está fora de perigo e encontra-se internada no Hospital Central de Nampula. Não conseguimos entrar em contato com ele, mas os nossos companheiros de Nampula estiveram no hospital e disseram-nos que ele está fora de perigo neste momento", acrescentou.

Motivação política

Andre Txetema já foi cabeça de lista do MDM naquela vila autárquica nas eleições autárquicas realizadas em Moçambique em outubro de 2018 e não conseguiu vencer a corrida eleitoral, ficando na terceira posição, atrás da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder, e o segundo mais votado, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição.

A vítima salvou-se por um lado graças a vizinhos que tentavam se aproximar por causa de gritos. "Houve muitos gritos, porque na casa havia familiares da vítima que gritavam e pediam socorro. Quando os bandidos se aperceberam que os vizinhos acordaram, eles dispararam alguns tiros para o ar para afugentar os moradores que se aproximavam para saber o que se passava", disse o delegado do MDM.

Rogério Warro Warro diz que a delegação do MDM veio sempre registando denúncias de tentativas de sequestros, torturas e ameaças de morte contra os seus membros em vários distritos da província da Zambézia. O delegado acredita que o ataque contra André Txetema tem motivação politica.

"Tem motivações políticas, sim, porque sabemos que estamos na fase de pré-campanha para as eleições [gerais de 15 de outubro] e esta é uma maneira de nos intimidar", sublinhou.

Alguns membros do MDM que não quiseram se identificar temem que o pior aconteça, uma vez que o período eleitoral derradeiro se avizinha com o início da campanha eleitoral marcada para setembro próximo.

Josefa Marcolino, uma residente em Alto Molocué, disse que a população está triste com este acontecimento. "Isso lembra-me depois da contagem de votos no ano passado em que as crianças não passeavam, as ruas deixaram de ser movimentadas devido aos disparos e gritos por todos lados da vila e as manifestações contra resultados eleitorais", lamenta.

Marcelino Mueia (Quelimane) | Deutsche Welle

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