sábado, 30 de novembro de 2019

Protestos pedem mais ações para conter mudanças climáticas


Nova mobilização do movimento Greve pelo Futuro reuniu milhares de pessoas em Berlim, Varsóvia, Lisboa, Tóquio e Johanesburgo. Na França, manifestantes tentaram bloquear depósito do site Amazon.

Milhares de manifestantes pelo mundo saíram às ruas nesta sexta-feira (29/11) para exigir que líderes políticos adotem medidas concretas para combater o aquecimento global. O movimento ocorre três dias antes do início da Conferência sobre as Mudanças Climática (COP25) em Madri.  A mobilização mundial foi iniciada pelo movimento Greve pelo Futuro (Fridays for Future) e, segundo os organizadores, ocorreu em 2.400 cidades em 157 países.

Na Alemanha, o movimento levou às ruas habitantes de 500 cidades. Os organizadores calcularam que 100 mil pessoas aderiram aos protestos. Dezenas de milhares de estudantes concentraram-se em frente do Portão de Brandemburgo, em Berlim.

Ainda na capital alemã, cerca de duas dúzias de ativistas ambientais saltaram para as águas geladas do rio Spree em frente à sede do Bundestag (Câmara baixa do Parlamento) para protestar contra o pacote climático do governo alemão. Eles afirmaram que o conjunto de medidas não é suficiente para reduzir os gases que provocam o efeito de estufa no país. Parte do pacote foi bloqueado hoje pelo Bundesrat (Câmara alta do parlamento), que representa os 16 estados do país, por divergências sobre quem vai financiar algumas das medidas.




Os primeiros protestos do dia foram registrados na Austrália, onde pessoas afetadas recentemente pelos devastadores incêndios florestais que atingiram o país se juntaram a grupos de ambientalistas para protestar contra o governo, que é acusado de favorecer a energia fóssil.

A jovem ativista Greta Thunberg, que deu início ao movimento em 2018, não participou diretamente hoje. Ela ainda está atravessando o Atlântico num veleiro para participar da Conferência em Madri. A COP25 estava prevista para ocorrer originalmente no Chile, mas foi transferidapara a Espanha depois da eclosão de protestos no país sul-americano. Ela esperava chegar a tempo de participar dos protestos em Lisboa, mas a viagem foi atrasada pelo mau tempo no oceano.

À distância, Greta publicou uma mensagem de apoio aos manifestantes. "Todos são necessários. Todos são bem-vindos. Junte-se a nós", escreveu no Twitter.

Outras manifestações foram registradas na Coreia do Sul, na Polônia, na Inglaterra, na Turquia, na Itália, na Espanha, na França e em Portugal. Na África do Sul, manifestantes empunharam cartazes a com frases como "parem a poluição agora" em frente à bolsa de valores Johanesburgo.

No Japão, centenas de pessoas protestaram no distrito de Shinjuku, em Tóquio, para demonstrar seu apoio ao movimento. Em Varsóvia, na Polônia, ativistas, alguns usando máscaras de gás, estenderam faixas com os dizeres: "Salve nosso planeta" e "Polônia sem carvão em 2030".

Já na França, ativistas protestaram em sedes da empresa Amazon para protestar contra o mega evento anual de compras da Black Friday, que foi acusado de agravar o consumismo desenfreado e aumentar a pressão sobre os recursos do planeta.

Algumas dezenas de manifestantes fizeram uma manifestação ao amanhecer em frente a um prédio administrativo da Amazon em Paris, segurando placas como "Não à Amazon e ao seu mundo". Outros ativistas em Lyon foram mais longe e tentaram bloquear o acesso a um centro de logística da empresa nos arredores da cidade. A polícia agarrou e arrastou vários manifestantes para liberar o acesso.

Na Nigéria, vários jovens marcharam em Lagos com mensagens como "Não há Planeta B" e "Parem de negar que a Terra está morrendo" enquanto veículos que passavam buzinavam, em apoio.

JPS/lusa/ap/dpa

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