terça-feira, 1 de abril de 2025

DIA DAS MENTIRAS? MAS ISSO NÃO ESTÁ A SER TODOS OS DIAS? HEIN?!

Mário Motta, Lisboa >

Bom dia, apesar de os ponteiros dos relógios já passarem das 13 horas. Chegamos mais tardiamente que noutros dias. Desculpem qualquer coisinha.

Dizem que hoje é o Dia das Mentiras, 1 de Abril... Mas que grande mentira! Dia das mentiras são todos os dias em Portugal e no mundo, principalmente no que desfrutamos das declarações dos políticos. Uns mais que outros, o que vai dar no mesmo. 

Atualmente o campeoníssimo das mentiras e das ocultações que manda às urtigas a ética e transparência é Luís Montenegro e os seus correligionários do PSD/CDS. O estado de espírito dos portugueses, mesmo que essa corja fale algumas verdades nunca confia a cem por cento, bem a 30 por cento. Desconfiamos quase sempre, e com razões para isso. Cala-te Montenegro! É a exclamação dos portugueses que estão fartos de aturar um grande artífice da mentira e da arte de iludir por conveniências próprias, político-partidárias e intrinsecamente pessoais. O que prova que talvez a maioria dos portugueses não confia naquele sujeito que enriquece a olhos vistos mesmo que não fale verdade, mesmo que não seja transparente, mesmo que nos ande a ludibriar conforme o demonstrado quando era primeiro-ministro de pleno direito. Que agora que é somente um ex-primeiro-ministro de gestão que concorre nas eleições marcadas para 18 de Maio. 

Diz-se em bom português que quando um perito de mentiras fala 'entra mosca ou sai asneira, sai mentira'... É esse o estágio de Luís Montenegro por entre milhões de portugueses. Esses milhões não confiam nele, convencidos que estão a ser justos e usando o adágio que afirma que 'quem cabritos vende e cabras não tem de algum lado lhe vem'. Para esses milhões está tudo dito. Desconfiar de Luís Montenegro sempre, sempre. Poderá até vir a ser eleito para o cargo de primeiro-ministro por resultado nas próximos eleições legislativas de 18 de Maio próximo por uns quantos milhões de portugueses masoquistas, mas também será certo que em Portugal a grande maioria dos portugueses ainda não esclarecidos sobre as eventuais falcatruas que permitiram compras a pronto pagamento de prédios e andares de luxo não estão explicadas devidamente e de modo entendível. Por isso as dúvidas que recaem sobre o agora novamente candidato a primeiro-ministro da AD/PSD/CDS são enormes e fazem com que quando ele fala sejam todos os dias o 'Dia das Mentiras', infelizmente já uma vulgaridade. É a tal situação de Pedro e o lobo... 

É lamentável que a situação se encontre neste impasse. Quer para os portugueses quer para Montenegro... Sendo o que se nos depara quotidianamente perante toda esta escabrosa situação, que vai perseguir-nos, assim como a Montenegro.

Não. Milhões de portugueses não confiam em Luís Montenegro e em seus correligionários!

Vamos longos nesta antecedência do Expresso Curto. Não é o que queremos mas foi o que aconteceu. Desculpem qualquer coisinha. Passem uns bons Dias das Mentiras - este e os seguintes. Esforcemo-nos por rebuscar a Verdade. Tarefa ingrata de que não podemos nem devemos desistir. Não sejamos masoquistas, nem parvos.

Bom dia. Eis o Curto do Expresso a seguir. Lamentavelmente com o português de Portugal avacalhado. Triste para o Expresso que praticava tão bom português de Portugal. Sim. estes são mesmo tempos de mentiras em que temos de sobreviver.

Saravá!... Hein?

Verás que os amigos não morrem, os filhos não nos abandonam e as mulheres não se vão embora

Pedro Cordeiro, editor da secção internacional | Expresso (curto)

Bom dia!

Em Dia das Mentiras, nada como começar por recomendar-vos este trabalho da Cristina Pombo, que está em Seul a participar numa importante conferência internacional de jornalistas. A verdade é o valor máximo deste ofício, pelo que “promover a transparência e regulamentar a inteligência artificial” se tornam prioridades num tempo em que está sob ataque.

Se houve tempo em que os jornais se divertiam a lançar uma ou outra mentira nas suas edições de 1 de abril (então só impressas), a ver que leitor as apanhava, hoje proponho-me elencar informações que quase parecem mentira, complicando o trabalho aos humoristas. São das tais que levam o Paulo Baldaia a perguntar se “já não se leva nada a sério”.

Coisa diferente são mentiras piedosas, como as que um pai conta a um filho na maravilhosa canção “Les mensonges d’un père à son fils”, com letra deliciosa de Jean-Loup Dabadie (a cujo refrão surripiei o título deste Curto) e música de Jacques Datin. Cantava-a o prodigioso Serge Reggiani, interpelando o filho Simon. Não deixem de ouvir. E tentem ser verdadeiros com a prole, já agora, ensinando-a a ler tudo com espírito crítico e a destrinçar a realidade da patranha…

“Quer um furo jornalístico? Não há problema. O governo de Trump irá convidá-lo para uma reunião onde lhe dará todos os detalhes necessários sem necessidade de abandonar o conforto da secretária”, afirma uma fonte ouvida pelo Ricardo Lourenço, nosso correspondente nos Estados Unidos, a propósito de uma Administração formada com base no critério da lealdade canina ao Presidente. “Eles querem poder controlar o que o resto das pessoas lê”, remata outra voz, escutada pela Ana Rita Guerra para um trabalho sobre a proibição de livros em curso na outrora conhecida como “the land of the free and the home of the brave”.

Do lado de cá do charco, é uma correligionária do chefe americano que faz as manchetes. Marine Le Pen está, para já, barrada de concorrer às presidenciais de 2027, por ter sido condenada num processo por desvio de fundos do Parlamento Europeu, como contou o Hélder Gomes. Um terramoto político em França, um tsunami na extrema-direita europeia, como ouvimos no podcast “Expresso da Manhã”.

O que adorávamos que fosse mentira é a guerra. Todas as guerras, nomeadamente a que assola o Médio Oriente, e de que os mais fartos são, sem surpresa, os palestinianos da Faixa de Gaza, que saem à rua em protesto. Contra as ações de Israel, que os chacina sem perdão, mas também para gritar “Hamas, fora!”, conta a Margarida Mota.

Olhando para o nosso país, também encontramos factos que antes não o fossem. Como a violação mais repugnante do que todas elas são, por definição, esta por ter sido filmada pelos seus três alegados autores influencers, que a partilharam. As imagens foram vistas por milhares de pessoas que nada fizeram para denunciar o crime, o que motiva um manifesto subscrito por 1500 pessoas e mais de 40 organizações, informa a Raquel Moleiro.

Também é inacreditável que, em nome da saúde, se pratiquem atos bárbaros desnecessários contra mulheres. É bom, pois, ler pela pluma da Rita Ferreira que, doravante, serão castigados os médicos que cortem tecidos vaginais por rotina, durante partos, sem justificação clínica. Vale a pena transcrever, para esclarecimento, o que é o conceito de violência obstétrica: “ação física e verbal exercida pelos profissionais de saúde sobre o corpo e os procedimentos na área reprodutiva das mulheres ou de outras pessoas gestantes, que se expressa num tratamento desumanizado, num abuso da medicalização ou na patologização dos processos naturais, desrespeitando o regime de proteção na preconceção, na procriação medicamente assistida, na gravidez, no parto, no nascimento e no puerpério”. Realidade com gravosas consequências que grassa em Portugal.

Para concluir esta parte do Curto numa nota mais ligeira, pergunto: foi um dos muitos que ontem se fez transmutar em imagem ao estilo do nipónico estúdio Ghibli? Alerta o Gonçalo Almeida que os respetivos autores não gostam da brincadeira, por motivos ligados a direitos de autor (o ChatGPT imita em segundos o que levou muitos anos a criar, mas também se levantam questões de segurança.

Outras notícias

DEBATER Após discussões aturadas e controvérsias sobre quem foge ao confronto, está fixado o calendário dos frente a frente para as legislativas de 18 de maio. Vai ser mais de um mês, com arranque na próxima segunda-feira e conclusão a 8 do mês que vem, resume a Eunice Lourenço. Consulte tudo aqui.

CONCEDER Os bancos dão crédito à habitação com prazos acima do devido, alerta o Banco de Portugal, aqui citado pelo Diogo Cavaleiro, que explica as desvantagens de a maturidade dos empréstimos se estender para lá dos 30 anos.

CONTROLAR Na vizinha Espanha, decorre feroz batalha pelo controlo da Prisa, grupo editorial que é dono, entre outros, do emblemático jornal “El País”. A pugna é entre o empresário franco-arménio que preside à corporação e um grupo de acionistas próximo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, relata o nosso correspondente em Madrid, Ángel Luis de la Calle. Há até uma tentação de usar a Telefónica para controlar um órgão de comunicação. Lembra-lhe alguma coisa?

PROMETER Num mundo que envelhece depressa, a demografia faz da Nigéria uma nação com enorme potencial, lemos neste artigo da Catarina Maldonado Vasconcelos. O país africano terá mais de 400 milhões em 2050, e 80% das suas exportações são petróleo. Que lhe falta para ser uma superpotência?

VENCER O checo Jakub Mansik negou a Novak Djokovic o 100.º título da sua carreira, no recente Masters de Miami, escreve o Diogo Pombo. E pensar que só a intervenção de um fisioterapeuta na hora prévia ao seu primeiro jogo o impediu de desistir do torneio… parece mentira!

TEMER “Sou um homem homossexual e eles querem acabar com o meu casamento. Talvez um dia queiram também acabar comigo”. Quem o reconhece é o músico americano Mark Eitzel, de volta aos palcos após pausa imposta por doença. A Lia Pereira entrevistou o artista, que atua amanhã em Lisboa, sexta-feira em Espinho e sábado em Braga).

Frases

“Pois, ele tomou outra atitude que não era preciso tomar… Desapareceram aquelas dedicatórias lindíssimas — quem tiver a primeira edição vê”
Isabel da Nóbrega, escritora portuguesa a quem o companheiro sentimental José Saramago dedicou muitos dos seus romances, e que a apagou do mapa depois de se terem separado. Recorde-a neste extraordinário trabalho da Christiana Martins

“Num discurso que oscila entre a autocomiseração e a superioridade intelectual, Boaventura não se limita a declarar-se inocente. Reclama o direito de interpretar, de categorizar, de diagnosticar até as mulheres que o acusam. Diz que não as odeia. Que são vítimas — mas não dele, do neoliberalismo. Que são incoerentes, ingratas, produtos de uma lógica de mercado que as ensina a culpar para não assumir responsabilidades. Diz que, se fossem verdadeiramente vítimas, estariam caladas. Diz que o assédio não é o que elas dizem ter vivido. Só é assédio se ele o reconhecer como tal.”
Maria Castello Branco, colunista do Expresso, sobre recente entrevista do sociólogo acusado de assédio sexual

“Esperemos que os tribunais demonstrem uma visão de cidade do futuro que o presidente não possui: o lilás dos jacarandás em flor é uma cor associada à espiritualidade, introspeção e transformação, em colisão com o mercantilismo e com o embaraço que os movimentos de cidadãos ainda representam para o poder”
Marta Leandro, do Conselho do Gabinete Europeu de Ambiente (EEB), a propósito da atual controvérsia na capital e das contradições do executivo municipal; há sessão pública amanhã às 18h30 no Fórum Lisboa, para a qual pode inscrever-se aqui

Podcasts a não perder

A prisão de Ekrem Imamoglu, presidente da Câmara de Istambul e principal adversário do Presidente Recep Tayyip Erdogan, levou milhares de turcos às ruas em protesto. O autarca é acusado de corrupção e suborno, mas a oposição considera que há motivações políticas para a detenção. No mais recente episódio de O Mundo A Seus Pés, a Mara Tribuna entrevista o investigador José Pedro Teixeira Fernandes.

Em cinco episódios gravados na Biblioteca Nacional, As Origens Intelectuais da Revolução Portuguesa evoca as obras literárias que abriram caminho ao 25 de Abril de 1974. O primeiro capítulo evoca obras como “Portugal Amordaçado”, “Na Hora da Verdade”, “Católicos e Política”, “Rumo à Vitória”, “Portugal e o Futuro” e “As conversas de Marcello Caetano”.

Com inteligência artificial, impressão 3D e outras inovações, a cirurgia plástica vive uma revolução. A realidade aumentada já permite simular o resultado final antes da operação, revela o episódio desta semana de O Futuro do Futuro, no qual João Miguel Salvador conversa com o cirurgião João Nunes Pombo.

O que ando a ler, ouvir e ver

Nota prévia: é dia de ir à FNAC Colombo, pelas 18h30, ao lançamento do livro “A mais breve História do Líbano”, da camarada Catarina Maldonado Vasconcelos, membro da equipa de internacional do Expresso. A obra será apresentada por Germano Almeida.

Para não destoar do mote deste curto, ocupou-me nos últimos dias um breve livro que, de certa forma, nos leva a um mundo que parece mentira. “Orbital”, da inglesa Samantha Harvey, transporta o leitor até à estação espacial internacional, onde seis astronautas em missão refletem numa escala que vai da imensidão do Universo ao mais comezinho das suas vidas, assoberbados pela beleza do Cosmos. A obra, lançada em português pela editora Particular, venceu o Booker Prize em 2024. O artista Edmund de Waal, presidente do júri, louvou-a por fazer do nosso planeta “algo para contemplar, algo profundamente ressonante”. Aqui no Expresso, o crítico José Mário Silva considerou que “mais do que contar uma história, ou um mosaico de histórias, Harvey quer colocar-nos, a nós leitores, no centro de uma experiência que nunca poderemos ter: a de viver sem gravidade, na fronteira da esfera terrestre, pairando sobre a beleza avassaladora do nosso planeta”. Nota ainda que naquele ambiente, “tudo flui em harmonia, sem rivalidades nem acrimónia, numa espécie de utópico reverso das polarizações e hostilidades entre aqueles que detêm o poder nos seus lugares de origem” e, mais notável, a escrita da autora torna tudo isso plausível.

Na música, gostei de “Glory”, o mais recente trabalho de Perfume Genius, que deu uma entrevista ao José Mário Silva para a “Blitz”. Na cena lusa, destaco “Dissidente”, de Tó Trips, que teve esta bela conversa com o Rui Miguel Abreu. Ao vivo, espera-me uma maratona: quinta-feira, Benjamim no B.Leza; sexta, Sérgio Godinho na Culturgest; sábado, na Gulbenkian, na pele de amante de world music, os sons búlgaros do Quarteto Nedyalkov.

A rematar, o teatro. Na agenda: “Festa de Aniversário”, de Harold Pinter, no Teatro do Bairro; e “Babel”, de Leonor Buescu, no Teatro Meridional.

O Curto (só de nome) fica por aqui, acompanhe toda a atualidade com o Expresso. Até breve e até sempre!

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