segunda-feira, 28 de maio de 2012

São Tomé e Príncipe: Estratégia nacional de redução da pobreza falhou -- Governo



MYB - Lusa

São Tomé, 28 mai (Lusa) - O governo de São Tomé e Príncipe considerou hoje que a estratégia nacional de redução da pobreza 2002/2015 "falhou" e que mais de 81 mil pessoas vivem com menos de um euro por dia.

"A estratégia falhou em termos de eficácia, eficiência, impacto e visibilidade. Falhou o processo de apropriação, de coordenação e de implementação por parte dos governos e dos sectores técnicos", reconheceu o ministro são-tomense do Plano e Desenvolvimento, Agostinho Fernandes, durante a apresentação de uma nova estratégia para 2012/2016.

Agostinho Fernandes atribuiu o falhanço da estratégia a "frequente instabilidade governativa registada", bem como a deficiências no "processo de mobilização de recursos para sustentar as ações prioritárias estabelecidas no âmbito da estratégia".

"Se as percentagens dizem pouco e por vezes escondem o verdadeiro drama das pessoas, saibam de estamos a falar de cerca de 81 mil são-tomense que em 2010 ainda enfrentavam sérios problemas para satisfazer as suas necessidades alimentares básicas, porque impossibilitados de assumir uma despesa diária de 30 mil dobras (pouco mais de um euro)", lembrou o ministro.

"Não conseguimos reduzir consideravelmente as diferenças sociais e de género entre os distritos e entre esses e a região autónoma do Príncipe, nem tão pouco entre a população urbana e rural", acrescentou o governante para quem, passados 10 anos desde a aprovação da antiga estratégia, São Tomé e Príncipe "continua muito aquém da anunciada pretensão da redução para metade até 2010, dos 53,8% da população que em 2001 vivia abaixo da pobreza".

Feito o diagnóstico, o governo decidiu elaborar uma nova estratégia, para o período 2012-2016, financiada pelo Programa das Nações Unidade para o Desenvolvimento (PNUD), que considera que o sucesso deste novo programa passa pela parceria mais ativa com o sector privado.

O PNUD constatou que durante os últimos 10 anos houve "uma ligeira diminuição da incidência da pobreza na ordem de 4,2 por cento", mas apesar disso, dois em cada três são-tomenses vivem abaixo do limiar da pobreza.

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