terça-feira, 9 de agosto de 2016

Portugal. ONDE ANDA A MINISTRA DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA?



O homem não pode ir de férias. Costa viveu a semana horribilis do seu governo no Algarve.

Ana Sá Lopes – jornal i, opinião

Com o primeiro--ministro de férias, o seu íntimo delfim Rocha Andrade, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, foi protagonista de dois erros políticos que dificilmente vão ser esquecidos: primeiro, lançou alterações no imposto sobre os imóveis pela calada - independentemente da sua justeza - e, com coisas como impostos, nenhum governo pode atuar de forma displicente ou arrogante. 

O segundo erro político é mais grave e, por muito que o povo português seja pródigo em esquecimentos, é provável que o assunto “bilhetes oferecidos pela Galp para ir ao futebol” demore tempo a ser digerido. O código de conduta, anunciado pelo ministro Santos Silva, deverá desautorizar os secretários de Estado que foram obrigados a devolver o valor das viagens, proibindo-as expressamente. (Se é verdade que a aceitação do bilhete de avião jamais devia ter acontecido, a leveza com que Paulo Portas transitou de ministro das empresas para funcionário das empresas que andou a vender pelo mundo inteiro é um caso chocante que teve metade do impacto político.) 

Mas as férias de António Costa ameaçam transformar-se num desastre político. Ele, que foi ministro da Administração Interna, devia saber que um ministro desta pasta não desaparece na época dos fogos. Ontem, a aldeia do Soajo, em Arcos de Valdevez, foi evacuada. O país está em choque com a repetição das tragédias de verão e não tem um membro do governo a lembrar-se disso. Onde anda a ministra da Administração Interna? De férias noutro fuso horário? Ninguém a substitui? No tempo em que era ministro da Administração Interna, Costa era mais expedito. Agora, a dormitar no Algarve, deixou um grupo de não políticos à solta. 

Antes da época de incêndios, Constança Urbano de Sousa foi ver o “dispositivo”, que considerou “cada vez [mais bem] preparado tecnicamente”. O dispositivo político, esse, está muito mal preparado.

1 comentário:

Ismael Guimarães AJ disse...

Excelente considerações porém o correto é não haver incêndios e sim férias no verão. Se há incêndios, quem não pode ir de férias são os bombeiros voluntários, os quais no meu entender já não deveriam ser voluntários mas sim pessoal com vínculo público - há diversas áreas onde se poderiam integrar.

Penso nos bombeiros como funcionários das autarquias, nomeadamente responsáveis pelos serviços de limpeza do mato que cresce nas bermas e bordas das estradas, nos montes públicos ou de outras entidades empresariais - estas pagariam um valor à Autarquia para realizar esse serviço de limpeza - e, também, os proprietários não empresariais quando estes não fazem a limpeza dos mesmos.

O custo da ação para este último tipo de proprietários seria analisado caso a caso. Há muitas vezes donos que não têm capacidade financeira para fazer esse asseio e por isso a autarquia deve comparticipar esse asseio. Por outro lado, aqueles que tiverem condições mas não o fizerem e forem denunciados para esse facto, então devem pagar multas elevadas pois podem por em perigo terceiros.