sexta-feira, 25 de novembro de 2016

GERINGONÇA E COMANDOS À MISTURA COM O MANGALHO. E O RESTO É CURTO



Bom dia (á tarde). Ora viva e sorva com lassidão este Expresso Curto com abertura quase clandestina de alguém do PG. Para além da chávena, o pires, a colher e o açúcar (ai que vão estragar o café) este Curto vem equipado com uma geringonça e os comandos militares de triste memória. Foi aquilo que inspirou o autor, do Expresso para dar início ao trabalho deste dia. Ainda com ramelas ou sem ramelas o certo é que o jornalista e mais uns pós na nomenclatura do pasquim do tio Balsemão começou a martelar no teclado com inspiração para a abertura dos dois já referidos temas. Geringonça: o governo, a aliança, o acordo que assegura a maioria parlamentar que sustenta o governo PS. Os comandos: aqueles que ficam em sentido nem que lhes passe um mangalho pela boca. Pois. É que há coisas nos militares que são danadinhas para exagerar e querer fabricar super-homens. Ora, sabemos, isso é coisa que não existe na espécie humana, super-homens. Existem de facto uns mais capacitados que outros nisto ou naquilo mas… Superes não há. Avisem as chefias militares. Coitadas, nem sabem que não sabem. A função é admirável mas há naquela espécie de seres humanos certas e incertas “coisas” que nada têm de humanas, de civilizadas, de reconhecimento das limitações dos que chefiam. Por certo que até querem ignorar que uns são capacitados para isto e outros para aquilo. Vai daí decidem mal e depois dão bronca. Quando a bronca causa mortes e põe a vida em risco de subordinados ou outros… Isso é que está muito mal. Se na realidade consideram que os seus militarismos vão ao extremo de ficarem hirtamente em sentido quando lhes passam um mangalho pela boca é lá com eles. Não queiram é que outros aceitem o mesmo trato e se comportem do mesmo modo. Cá por mim usava a baioneta e decepava esse tal mangalho. Ai! Adiante.

Da geringonça - o termo pegou, ou não viesse do erudito ressabiado das letras… Não me lembro do nome. Sim, mas é aquele que tal. Aquele que nasceu com o traseiro virado para a lua. Cheio de sorte.

A coisa, o governo, vai bem e recomenda-se. Portugal está melhor. Ah pois está! Os portugueses mais carenciados estão ainda muito enrascados, contudo estão mais confiantes no futuro, justificadamente. A reversão de políticas e medidas tomadas pelos neoliberais-fascistas Passos-Portas-Cavaco, os estafermos do governo e da Presidência da República anteriores… Dizia, a reversão de políticas e medidas ditadas por esses trastes está a acontecer. Os indicadores estatísticos são perentórios a comprovar isso mesmo. Assim sendo, a coisa vai. Verdade que Costa e Centeno geraram uma grande noia com aquela “coisa” da Caixa Geral de Depósitos. Gestores que resistem a mostrar o que lhes pertence até parece que andaram a adquirir para suas propriedades matérias e eteceteras que não deviam, que não são legais… Tipas e tipas opacos é o que não interessa por lá nem ao país, naqueles cargos de quero, posso e mando. Gestores, administradores, banqueiros e afins… Está provado que não dá para confiar neles. Quem o fizer é trouxa. Olho vivo nos gajos e nas gajas (se houver).

E pronto. Já está. Bom fim-de-semana. Oxalá tenham dinheiro para pagarem as contas de mais gastos no gás e na eletricidade e assim manterem as casas mais quentes. O frio já ataca. Brrrrr.

Fiquem com o escrever de Miguel Cadete, no Expresso dito Curto. Vale o tempo que vão ganhar a ler.

MM / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Miguel Cadete – Expresso

A sexta-feira negra, os Comandos e a geringonça

Termina hoje o 127º curso dos Comandos, o mesmo que vai ficar para a história pela morte de dois instruendos. O balanço, se é possível fazer já um balanço, não é glorioso – lê-se no Expresso Diário, em notícia assinada por Hugo Franco, que terminam o curso “23 instruendos dos 67 iniciais. Até à última semana tinha desistido 26 militares e 16 foram eliminados por incapacidade ou lesão. Dois morreram logo no início do curso.”

O jornalista teve acesso ao despacho da juíza de instrução do processo, Cláudia Pina, que lavrou o seguinte sobre o médico do 127º curso dos Comandos, Miguel Domingues: “não assegurou a Hugo Abreu e Dylan Silva [nome dos instruendos que faleceram] os cuidados médicos que o seu estado de saúde exigia”. E acrescenta: além disso “não prestou atenção ao seu agravamento e desinteressou-se do seu destino, ausentando-se do local vindo o ofendido a morrer 15 minutos depois”. Mais: “permitiu que o resultado morte se viesse a produzir”.

Este despacho da juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa considera algumas acusações do Ministério Público infundadas, não aceitando a tese do “ódio irracional” anteriormente subscrita pela procuradora Cândida Vilar. Ou seja, não põe em causa o “dogma” militar de um curso destinado a preparar os seus instruendos para situações extremas e a escolher os melhores para operações especiais. Operações como as que Portugal realiza, por exemplo, no âmbito da NATO, seja lá o que a NATO é hoje ou possa vir a ser.

Mas não será a morte dos instruendos um limite inultrapassável por mais exigentes que estas provas sejam?

Onde ainda não há vítimas é na Fnac, que ontem se enganou ao enviar uma mensagem aos portadores do seu cartão aderente com um link que os conduzia para a concorrência, ou seja, para a Worten. O caso sucedeu no meio da loucura do Black Friday, uma celebração comercial importada, como outras, dos nossos maiores parceiros na NATO, isto é, os Estados Unidos da Améria.

No pós-Dia de Ação de Graças, o erro podia ser visto como uma desgraça mas a notícia do “Público” cita fonte oficial da Fnac que revela que o episódio foi encarado com “humor” no seu quartel-general.

Nada capaz de esvanecer a alegria consumista que percorre as mais remotas localidades do país e enche as nossas caixas de e-mail. É provável que alguns centros comerciais sejam, hoje e durante o fim de semana, o centro da vida pátria.

Mas não se espera violência como a que ocorre lá do outro lado do Atlântico, onde por estes dias comprar nas lojas da Walmart pode ser mais difícil do que uma exigente prova militar. A loucura está aqui, num vídeo que reúne alguns dos mais épicos confrontos registados no pós-Ação de Graças.

Em Portugal há muitas lojas e muitos shopping centers a oferecer descontos fantásticos: conheça alguns bons negócios que pode fazer aqui, mas tenha cuidado com as fraudes e preste atenção aos alertas da Deco. Nem tudo o que luz é ouro; mas acredite se vir uma vaca a voar.

É que amanhã passam 365 dias sobre a fundação da geringonça: o governo que alia o PS ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português completa um ano de existência no sábado. “Até as vacas podem voar” disse o primeiro-ministro António Costa, em Maio, durante a apresentação do Simplex. O céu é o limite para uma coligação inédita, que muitos julgavam frágil e que quase todos juravam que iria cair.

Não caiu. E cada um dos ministros é avaliado num exame exigente pelos jornalistas do Expresso, num longo trabalho publicado no Diário. Conheças as forças e fraquezas, os ditos e dichotes, os desafios e as marcas de todos e de cada um dos membros deste governo.

Ricardo Costa explica este fenómeno de longevidade. Que vai durar. E porque o Presidente da República (ainda) é o maior aliado do Governo e mantém o PSD em banho maria.

OUTRAS NOTÍCIAS

Começa hoje o festival Vodafone Mexefest, aquele que faz o espectador percorrer várias salas do eixo da Avenida da Liberdade, num corrupio inusitado. Desta vez, há que contar com mais um espaço, o Teatro Capitólio, no Parque Mayer. Eu voto em Talib Kweli, nos Digable Planets (como esquecer “Cool Like Dat”?) e Jagwar Ma. Não ponha as fichas todas em Elza Soares e aposte nos concertos-surpresa de artistas portugueses que serão revelados hoje e amanhã. Na BLITZ encontra tudo o que precisar saber sobre esta edição do Vodafone Mexefest. A SIC Notícias vai transmitir vários momentos em direto.

Há quem considere Justin Bieber uma brincadeira de crianças. Mas pode estar bem enganado. Depois das primeiras 50 datas desta digressão que o traz a Portugal, Bieber, 22 anos, tinha arrecado 70 milhões de euros. Completa hoje, na Meo Arena, em Lisboa, um total de 114 concertos. Claro que por estes dias dá mais pinta passear na Avenida da Liberdade. Mas já há quem desde segunda-feira dorme nas imediações do Pavilhão Atlântico[MC1] à espera do rapaz que já não é rapaz. Em Espanha, ele mostrou que é um duro e espetou um murro num fã. Veja aqui o vídeo.

O Governo estendeu o acordo de comodato com a Fundação Berardo por mais seis anos. A coleção fica pelo CCB durante esse tempo e Elísio Summavielle, em entrevista a Luciana Leiderfarb, diz que não foi para a presidência do Centro Cultural de Belém para alimentar polémicas. E avisa que quer construir o hotel que falta naquele complexo.

Pensões não vão aumentar dez euros. Pelo menos todas as pensões. A proposta do PCP para aumentar todas as pensões em dez euros foi chumbada pelos votos do PS, PSD e CDS. O aumento extraordinário vai suceder apenas para as pensões abaixo dos 628 euros que não foram aumentadas nos últimos anos.

Um terço da população tem ansiedade ou depressão. É a manchete do “Público” que assegura valores surpreendentes. Em 2008, menos de 20% da população tinha problemas de saúde mental. Hoje são (somos!) mais de 30%. O estudo a que se refere a notícia será apresentado hoje por José Caldas de Almeida, presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health.

António Guterres com Vladimir Putin. O futuro secretário-geral da ONU esteve ontem em Moscovo com o Presidente da Rússia. No Kremlin, Putin assegurou que espera manter “o mesmo diálogo construtivo” que definia as suas relações com Ban Ki Moon. Guterres segue para Pequim.

Duarte Lima vai ser julgado em Lisboa pelo homicídio de Rosalina Ribeiro. É a manchete do “i” que assinala uma mudança na estratégia do ex-deputado que agora vem dizer que Portugal lhe dá menos garantias de um julgamento justo do que o Brasil.

François Fillon vence Alain Juppé. Os dois candidatos e rivais nas primárias da direita francesa defrontaram-se ontem num debate televisivo onde trataram de vários assuntos ao longo de duas horas, desde o aborto à crise da economia. Fillon foi considerado o vencedor. As eleições têm lugar no domingo.

FRASES

“Vamos ser capazes de convencer Santana”. Carlos Carreiras, sobre a candidatura do PSD à Câmara Municipal de Lisboa

“Hoje eu valia €100 milhões”. Ricardo Quaresma, jogador de futebol

“Não, a França não é uma nação multicultural”. François Fillon, candidato a Presidente, ontem, no debate com Juppé

“O modelo social francês existe e eu quero consolidá-lo”. Alain Juppé, ontem, no debate com Fillon

“As notícias da atuação de Elton John na tomada de posse de Donald Trump não são verdadeiras”. Porta-voz do cantor e compositor inglês

O QUE ANDO A LER

Ossos do ofício: a próxima Revista do Expresso já está fechada. Na capa está Mário Centeno, ministro das Finanças, por conta de um perfil que é escrito por Nicolau Santos. Ou como um técnico, especialista em contas e muito hábil com os números (e pós-graduado em Matemáticas Aplicadas) se tem transformado num político seguro numa geringonça que abana muito para o seu lado (conferir em CGD).

Ana França e Helena Bento contam o que vai pelas Filipinas, descrevendo com minúcia o regime de terrorismo oficial imposto por Rodrigo Duterte. São histórias que metem realmente medo.

Ricardo Marques foi à Suíça saber de uma guerra antiga entre a Organização Mundial de Saúde e as tabaqueiras. As restrições para os fumadores são cada vez maiores. Mas também há formas de tornar o negócio mais saudável.

Júlio Isidro ou Júlio Exílio? Bernardo Mendonça falou com o senhor televisão, o homem que descobriu mais talentos em Portugal. Tudo porque Júlio publicou por estes dias um autobiografia generosa.

Não consta que Isidro tenha descoberto Charles Aznavour. Neste caso foi o correspondente do Expresso em Paris, Daniel Ribeiro, que deu com ele e o entrevistou longamente a propósito do concerto que aos 92 anos traz a Lisboa no dia 2 de dezembro. Com alguma pena, ele confirma que o seu amor por Amália – para quem escreveu uma canção – nunca foi consumado. E critica Calouste Gulbenkian, arménio tal como ele, por ter preferido Lisboa para os seus investimentos.

Por hoje é tudo. Não se perca na Sexta-Feira Negra, no festival Mexefest ou no concerto de Justin Bieber. Amanhã sai mais uma edição semanal do Expresso. Tenha um excelente fim de semana.

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