Pequim, 10 nov
(Lusa) -- Partidários do ex-ministro chinês do Comércio Bo Xilai, condenado a
prisão perpétua por corrupção, criaram um novo partido político na China que
nomeia presidente vitalício o antigo político.
O novo partido é
também um claro desafio à autoridade do Partido Comunista que proíbe, "de
facto", a criação de grupos políticos contrários à sua gestão.
De acordo com a
edição de hoje do diário South China Morning Post, de língua inglesa que se
publica em Hong Kong, o Partido "Zhi Xian", que significa que a
"Constituição é a autoridade suprema", foi formado quarta-feira, três
dias antes do início da reunião política mais importante do ano que irá definir
as próximas reformas económicas e sociais no país.
A nova formação
nomeia "presidente vitalício" Bo Xilai, que foi um dos políticos com
maior projeção na China e representante da corrente 'neomaoísta' do Partido,
explicou ao diário uma das fundadoras, Wang Zheng.
Professora de
comércio internacional no Instituto de Economia e Gestão de Pequim, Wang Zheng defendeu
que a criação do "não é ilegal sob a lei chinesa".
"É legal e
razoável", disse.
Numa carta aberta
publicada na Internet um dia depois da formação do novo partido, Wang Zheng
explicava que é uma professora comum, que nunca conheceu pessoalmente Bo Xilai,
mas que a sua figura a inspirou, tal como ficou impressionada com a sua atitude
combativa em tribunal.
Wang Zheng disse
também que não teve qualquer problema com as autoridades e que a criação do
novo partido, permitido por lei, mas impedido na prática pela política do
Partido Comunista, não foi pensada para qualquer data coincidente com a reunião
que decorre em Pequim.
Os responsáveis do
novo partido garantem ainda terem informado as autoridades chinesas da criação
do "Zhi Xian", bem como dizem que o diretor da prisão onde está
detido Bo Xilai lhe disse que este tinha sido nomeado presidente vitalício, mas
desconhecem qual a resposta do antigo dirigente.
Bo Xilai, que
defendeu e implementou na cidade de Chongqing, centro do país, práticas
populistas da era maoísta era um dos líderes de maior projeção no país antes de
ser envolvido num escândalo de corrupção que levou á cadeia também a sua mulher
e vários homens da sua confiança.
JCS // JCS - Lusa
Sem comentários:
Enviar um comentário