domingo, 18 de março de 2018

Venezuela | MANANCIAL HUMANO PARA UM LONGO RESGATE

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Martinho Júnior | Luanda  

Na ampla bacia do vale do pequeno rio Guaire (com apenas 72 km), onde se inscreve Caracas, a capital da Venezuela Bolivariana, a pobreza que em abruptos socalcos se expande pelas colinas próximas mais elevadas, (população de outras regiões atraída à capital) perscruta a riqueza a partir de cima, irremediavelmente na vertical, altaneira e desafiadora, mas agora com toda a coerência que a visão socialista lhe propicia.

Do alto dessas colinas decerto que não se vê o vale eriçado de modernos edifícios com arrogância, nem com desprezo, nem com cobiça, nem sequer com rancor… mas com um sentimento de legítima esperança e de sadia espectativa, eivado da consistência dum inalienável direito conquistado com o Comandante Hugo Chavez: o da premente necessidade civilizacional de justiça social, que começa desde logo pelo direito a uma condigna habitação.

Poucas serão as grandes cidades capitais em que tanta pobreza herdada do passado é capaz de olhar de cima, de modo tão fortalecido, os sinais de riqueza inculcados na profundidade dum vale como o do Guaire em Caracas.

Imaginem quais as mensagens que daí se expandem por todo o país e as potenciais energias dessas mensagens!

Esse manancial sensorial e psicológico é por si um incentivo para um poderoso resgate face ao subdesenvolvimento que subsiste de forma crónica desde o passado de trevas coloniais na Pátria Grande.

É também motivo para o início dum novo conceito geoestratégico para todo o território venezuelano, ainda por realizar, que abandone em nome da independência e da soberania, o arcaico conceito geoestratégico colonial de penetração continental a partir do Mar das Caraíbas.

É ainda um enorme potencial de mobilização disponível, de incalculáveis energias, em reforços da vanguarda progressista que é o Partido Socialista Unido da Venezuela, se atendermos a uma das bem sucedidas missões em curso, a “Grande Missão Vivenda Venezuela”, que se abeira dos dois milhões de habitações já edificadas!

Este é um dos eixos de paz e civilização em prol da construção duma Venezuela Bolivariana capaz de Pátria Grande, por que se está a tornar num incontornável exemplo para todos os estados, nações e povos do mundo do espaço da “Tricontinental”!

Quando a mancha de pobreza que paulatinamente irá desaparecer das colinas altaneiras de Caracas, olha de cima-abaixo a expressão estrutural da riqueza instalada no vale do Guaire, fá-lo com o sentido e o sentimento adequado de equilíbrio e responsabilidade, nos termos duma democracia que se abre cada vez mais à participação.

Em menos de vinte anos, a Venezuela Bolivariana já desencadeou vinte e cinco actos eleitorais e ninguém de bom senso poderá alguma vez deixar de levar isso em consideração, por que é por via democrática que se está a fazer a incessante (e morosa) busca de resgate do subdesenvolvimento, pela justiça social.

Do alto dessas colinas espreitam a riqueza olhos ávidos das mais legítimas aspirações, por via de amplas práticas democráticas, cada vez mais participativas!

É assim que os (ainda) enormes resíduos de pobreza de Caracas, encaram o vale a seus pés e projectam sua ânsia de futuro em direcção ao sul despovoado e assimétrico, enquanto manancial para uma Pátria Grande de justa e humana coragem.

Martinho Júnior - Luanda, 15 de Março de 2018

Imagens:
1 e 2 - os bairros pobres expandem-se pelas colinas mais elevadas de Caracas;
3 - o pequeno rio Guaire percorre os pontos menos elevados do amplo vale;
4 - Caracas vista do nó dos Andes que compõe o cerro do Parque Nacional de Ávila (a norte da capital);
 5 - o centro de Caracas com toda sua imponência e símbolos de riqueza.
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