sábado, 20 de outubro de 2018

É a vida. Militares ianques levaram imensas crianças dos Açores

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Ao sábado também há Expresso Curto, fique sabendo. O de hoje vem carregado de interesse no ato final de quem o escreveu via extremidades dos dedos, aquilo a que chamam “cabeças” dos ditos. João Vieira Pereira fê-lo com cabeça e com “cabeças”. Boa. No final dispõe da ligação que permite subscrever a peça e as peças futuras, basta mencionar o seu email.

O Curto com imagens, por lá. À cabeça o trato é sobre as crianças açorianas que foram levadas para os EUA por militares americanos que  usavam – e usam – a base norte-americana naquele arquipélago. Elas lá estão, nos EUA, são cidadãos dos EUA de pleno direito, pese embora os errados preceitos como os levaram para muito longe dos pais, dos irmãos, das famílias, das ilhas e do país que os viu nascer. Eram portugueses, já não são. São adultos e ianques. E por lá “safam-se”? Estão bem, com boas vidas? Oxalá que sim. Ao menos isso.

“Sorte deles”, alguns disseram e dirão. Talvez. Mas sem sabermos tudo-tudo, de fio a pavio, nunca poderemos ter a certeza. Talvez isso seja o que mais incomoda as mentes e os laços partidos que de um lado e de outro devem existir. O remate com o dito “é a vida” vem mesmo a calhar. Não vem? Pois. Mas nada disso é bem assim. Façamos o que devemos fazer: siga-se o rasto daquelas crianças que hoje são adultos e nasceram açorianos antes de os levarem para as terras do tal Tio Sam.

Tem muito mais no Curto de hoje. Interessa. Se possível desfrute de um bom fim de semana, mesmo que seja a trabalhar e a ser explorado até à medula para pagar os vícios dos seus patrões, das mulheres deles e dos filhos. Ah, e não esqueça que até tem de lhes pagar as toneladas de água (e etc.) para lhes encher as piscinas de que todos eles e elas gostam muito de desfrutar lá em casa. E você a barafustar porque o seu filho ou filha leva muito tempo com o chuveiro a debitar gasto de gás (eletricidade) e água… É a vida. (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

João Vieira Pereira | Expresso

No rasto das crianças açorianas levadas por militares americanos

NO RASTO DAS CRIANÇAS AÇORIANAS 

O seu jornal está nas bancas. Em alternativa também o pode ler em versão digital, mas para mim nunca será a mesma coisa. Nesta edição tem o melhor exemplo disso. A E, a revista do Expresso, tem as honras de abertura deste Expresso Curto.

Há histórias que depois de contadas têm de ser lidas pelo folhear de páginas impressas. Só assim conseguirá absorver toda a extensão e impacto das palavras e imagens. Esta é uma delas.

Durante anos, entre a década de 40 e os primeiros anos da década de 80, centenas de crianças foram levadas da ilha Terceira por militares americanos. A base da Lajes chegou a ter seis mil efetivos que com eles traziam mais do que dólares. Nas malas carregavam esperança e o sonho de uma vida melhor. Entre as histórias que contamos no Expresso não há uma igual mas todas partiam da mesma pobreza que atirava crianças para os braços de outra mãe ou o colo de outro pai. Eram tempos diferentes, com leis escassas e incapazes de proteger estas situações. A grande maioria das crianças saiu sem papéis legais de adoção, em aviões militares, num anonimato quebrado apenas por fotografias a preto branco que muitas carregam ainda hoje como tesouros. Décadas depois há alguns reencontros, possíveis pela coragem e empenho de um polícia da Terceira (Paulo Ormonde), e muitas lágrimas. Iguais às que não vai conseguir conter ao ler este trabalho fantástico publicado pelo Expresso.

Mas há mais para ler no Expresso.

SHAKESPEARE E A ECONOMIA 

Ainda na E não perca um texto fantástico de João Duque. O professor de Economia explica como é possível estudar finanças com base na peça “O Mercador de Veneza”, de William Shakespeare. Delicioso.

KERSHAW EM ENTREVISTA 

O historiador inglês e biógrafo de Hitler, Ian Kershaw, fala sobre o passado e o futuro da Europa. Deixo como degustação duas perguntas e respetivas respostas. 

“P: Acha que o ‘Brexit’ vai mesmo acontecer? 

R: Acho que sim, infelizmente. Lamento imenso esta decisão de 2016. Quem me dera que fosse possível manter o Reino Unido dentro da União Europeia. Mas a inversão do processo do referendo abriria a porta a inúmeros problemas políticos.

P: A repetição do referendo seria, sobretudo, uma atitude muito pouco britânica, não acha? 

R: Concordo consigo. Mas se não podemos ficar na União, espero que ao menos a solução passe por um modelo próximo dos [modelos] da Noruega ou da Suíça. Manteríamos os benefícios do acesso ao mercado comum. Na década de 80, curiosamente, o Reino Unido lutou imenso pela criação do mercado único. No famoso (ou tristemente célebre) discurso de Bruges, em 1988, a primeira-ministra Thatcher diz, no fundo, que o nosso futuro é na Europa.”

CENTENO DESILUDE 

Para fechar as minhas sugestões da E, um texto sobre o “Ronaldo das Finanças”, que desde que assumiu a presidência do Eurogrupo tem defraudado as expectativas e está longe de brilhar. Ou como diz o correspondente do "El Mundo" em Bruxelas: “Tenho a impressão de que ele nunca diz o que pensa sobre tema nenhum.”

AFINAL HAVIA MESMO UM MEMORANDO 

Tancos faz manchete do seu jornal neste sábado. O Expresso revela em exclusivo o memorando que prova que o Ministério da Defesa foi de facto informado da operação de encobrimento para a recuperação das armas roubadas. Os documentos que o ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes entregou há uma semana no Ministério Público coincidem com os que foram apresentados na terça-feira pelo major Vasco Brazão ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal e que relatam a operação clandestina montada pela Polícia Judiciária Militar (PJM) em torno do resgate das armas roubadas em Tancos. Assim, o tenente-general Martins Pereira corrobora a versão do ex-porta voz da PJM.

ANTÓNIO ARROIO EM PERIGO (escola)

Um relatório da Proteção Civil sobre o plano de evacuação da António Arroio, estabelecimento de ensino frequentado por mais de 1200 alunos, concluiu que “na situação atual existem grandes probabilidades de acidentes graves na escola”. O mesmo documento defende “não estarem garantidas as condições de segurança para os utilizadores do espaço” e pedia “urgentemente medidas de prevenção e proteção para a segurança das pessoas”. Mesmo assim a Parque Escolar garante que “estão reunidas as condições de segurança necessárias ao funcionamento da escola”.

ADEUS AO BOTÂNICO 

A tempestade "Leslie" levou as árvores do Jardim Botânico de Coimbra. Árvores centenárias e 40% da Mata do Choupal desapareceram. “Perdeu-se a memória de árvores centenárias”, garante o diretor António Gouveia. A estufa alberga “um enorme e régio nenúfar” que escapou incólume, mas o mesmo “não sucedeu na casa dos narcisos”, que foi arrasada pelos ventos. Os danos severos no jardim obrigaram ao encerramento do espaço e ditam agora um lento processo de recuperação.

BOLSONARO SOMA 

Nem tudo é tão óbvio quanto parece na onda de extrema-direita que toma conta do Brasil. O apoio à candidatura do capitão reformado Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), atinge todas as classes sociais, abrangendo eleitores que não comungam necessariamente do seu discurso homofóbico, racista e de apologia da violência. “O crescimento de Bolsonaro tem muito de espontâneo. Vem do esgotamento da política, dos escândalos de corrupção e de uma soma muito grande de fatores que, por algum motivo, ele conseguiu vocalizar”, descreve o economista Samuel Pessoa.

BRASILEIROS EM FUGA 

O cônsul-geral de Portugal em São Paulo decidiu encerrar a receção de pedidos de nacionalidade portuguesa até 2 de janeiro de 2019 devido à elevada procura de vistos para viajar para Portugal por parte de cidadãos brasileiros.

O CRIME HEDIONDO SOBRE A LIBERDADE 

“Só há um país árabe considerado livre: a Tunísia. Jordânia, Marrocos e Kuwait estão numa segunda categoria, quase livre. O resto são países sem liberdade”, escreveu Jamal Khashoggi na sua última coluna para “The Washington Post”. Khashoggi era uma voz cada vez mais incómoda num regime saudita que só é reformista na aparência.

A 'GERINGONÇA' ABRIU OS BOLSOS 

Esta foi a semana de Orçamento do Estado. Tal como o algodão, os números não enganam. Nos primeiros anos de governação, o volume de medidas restritivas foi superior ao das expansionistas. Ou seja, Centeno apertou ainda mais o cinto. Mas isso tem vindo a esbater-se, principalmente com o Orçamento do Estado para 2019. O Expresso fez as contas entre o saldo de medidas ‘boas’ (que aliviam a pressão sobre famílias e empresas) e ‘más’ (que agravam impostos ou cortam benefícios). Em 2019, este vai atingir os €1068 milhões. Eleitoralismo ou coincidência? Você decide.

OLHE QUE NÃO, OLHE QUE NÃO 

António Mendonça Mendes é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e, em entrevista ao Expresso, garante que esta proposta não pensa em eleições mas no país, e que o Governo não cairá na tentação de manipular as taxas de retenção na fonte de IRS em 2019 para dar mais dinheiro às famílias em ano eleitoral.

PORTUGAL É PARAÍSO PARA FUTEBOLISTAS 

Se Cristiano Ronaldo quiser terminar a carreira no Sporting, se Nemanja Matic resolver regressar ao Benfica ou se Ricardo Quaresma voltar a integrar o plantel do Porto, poderão vir a ter grandes borlas fiscais à sua espera. Trata-se do “Programa Regressar”, o novo regime para seduzir os ex-residentes e que, se for aprovado tal como está proposto, transformará Portugal num paraíso fiscal para futebolistas (e não só).

ISRAELITAS NO PORTO 

Elad Dror é israelita e, em 2010, decidiu vir viver para o Porto. A empresa que fundou, a Fortera, vai investir no Grande Porto um mínimo de €200 milhões nos próximos cinco anos em habitação e hotelaria. “As coisas estão a andar muito depressa aqui e temos de aproveitar agora porque este ritmo não vai durar sempre, só mais uns três ou quatro anos e depois estabiliza. Hoje são 13 projetos, mas amanhã já podem ser 15. Queremos comprar mais edifícios e temos acesso a capital”, avisa.

O LOCAL NÃO VOLTA A SER O MESMO 

As alterações ao Alojamento Local entram em vigor na próxima semana. O Expresso conta-lhe tudo o que muda a partir de dia 23 de outubro. As maiores alterações serão aplicáveis nos estabelecimentos que se instalem após esta data. Para os que já existem, há menos mudanças.

Este Expresso Curto fica por aqui. Tenha um ótimo fim de semana.
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