domingo, 31 de dezembro de 2017

Angolanos iniciam 2018 em clima de incerteza


Mudanças promovidas pelo Presidente João Lourenço, em 2017, geraram otimismo e expetativas entre os cidadãos. Mas, para economista Josué Chilundulo, não garantem melhoria de vida para as famílias.

O ano de 2017 não foi fácil para muitos angolanos, por causa da crise económica e financeira que continua a assolar o país. Muitas empresas fecharam as portas e centenas de cidadãos caíram no mundo do desemprego. Nascimento Alberto Correia é um destes desempregados.

"Já estou há seis meses desempregado. Este período todo, ficamos sem trabalhar e temos que desenrrascar a vida. Agora, vamos ver como será o próximo ano com esse novo Presidente, o novo líder que temos agora. Estamos a ver que está a mudar um pouco", diz.

João Lourenço tomou posse como Presidente da República de Angola, a 26 de setembro de 2017, na sequência das eleições gerais de 23 de agosto - ganhas pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

No seu discurso de fim de ano, garantiu que 2018 será melhor para os angolanos.

Tomás Alberto Badila é lavador de automóveis numa das ruas do município de Viana, em Luanda. Está otimista.

"Eu espero que o Governo melhore tudo de bom que está a prometer para  juventude. A juventude tem uma força, tem uma boa força", avalia.

Heranças de 2017

Desde que se tornou chefe de Estado, João Lourenço efetuou várias exonerações. Uma das mudanças aplaudidas pelos cidadãos foi a retirada de Isabel dos Santos, filha do Presidente cessante, do cargo de Presidente do Conselho de Administração da Sonangol - principal fonte de receitas do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Mas será que, com todas essas mudanças, o bolso dos angolanos também sairá beneficiado? Ou o cinto vai apertar ainda mais?

"Por conceito, as exonerações e nomeações não têm uma relação objetiva com a mudança ou, se quisermos, com a melhoria do bem-estar das famílias em Angola. A razão de ser delas, pelo menos é isso que se transparece, é a questão da busca da eficiência governativa. Isso é igual a termos um Governo mais pragmático, mais próximo dos cidadãos e um Governo mais sensível", responde o economista angolano Josué Chilundulo.

Muitos angolanos entram com incertezas em 2018, apesar do renascimento da esperança - fruto dos sinais que estão a ser dados pelo novo Governo. Josué Chilundulo diz que espera sentir as mudanças na prática.

"O que nós temos estado a perceber é que, do ponto de vista prático, as intenções na generalidade estão descritas. Mas a dinâmica como estas políticas públicas vão ser transformadas é que deixam algunspontos de interrogação", considera o economista.

Momento ainda é de crise

O mercado cambial angolano debate-se com a escassez de divisas.

Uma das saídas apontadas por alguns especialistas é a desvalorização do kwanza, a moeda nacional.

Para o Josué Chilundulo, "qualquer implementação deste processo nos próximos seis meses implicaria o sacrifício das famílias angolanas".

"Estamos com a inflação acumulada muito acima dos 40%. Temos um índice de desemprego muito elevado. A pobreza agudizou-se. Somos uma economia que depende, exclusivamente, da importação. Temos baixo nível de rentabilização das famílias. Mais grave do que tudo isso é que, por enquanto, tudo que se produz neste país depende também de importações", explica.

O economista aponta alguns passos que devem ser dados para se melhorar a economia angolana em 2018.

"Primeiro passo é qualidade do gasto público. É o Estado direcionar o seu gasto, a ponto de provocar um efeito multiplicador sobre as empresas prestadoras de serviço ao Estado. Segundo aspecto é o Estado desenvolver uma política protetora aos pequenos pontos de produção que existem", conclui.

Manuel Luamba (Luanda) | Deutsche Welle

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