quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Trump continua a ser uma ameaça para a democracia nos EUA, diz Pelosi


O Presidente dos EUA continua a ser "uma ameaça para a democracia norte-americana", afirmou na quarta-feira a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, ao criticar a absolvição de Donald Trump pelo Senado.

"O presidente e os republicanos do Senado banalizaram a ilegalidade e rejeitaram o sistema de freios e contrapesos da Constituição" dos EUA, acusou Pelosi em comunicado, qualificando o republicano Trump e o chefe dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, como uns "velhacos".

Depois de criticar McConnell, por "de forma cobarde ter abandonado o seu dever de defender a Constituição", Pelosi salientou que se registou pela primeira vez um voto bipartidário no Senado para a destituição de um presidente, aludindo ao voto de Mitt Romney, que alinhou com os democratas.

Antecipando declarações de Trump, Pelosi rejeitou que a votação dos senadores corresponda a uma absolvição do Presidente norte-americano, uma vez que "não houve julgamento".

E não houve julgamento, desenvolveu Pelosi, "porque não há julgamento sem testemunhas, documentos e provas".

Para a líder democrata, "ao suprimirem as provas e rejeitarem os elementos mais básicos de um processo judicial justo, os republicanos do Senado tornaram-se cúmplices (da operação) de encobrimento do Presidente".

Contudo, mesmo sem estes recursos, Pelosi considerou que, durante o processo no Senado, os democratas "expuseram um caso esmagador, poderoso e incriminatório sobre o esquema do presidente Trump para corromper as eleições de 2020 e provar a sua culpa".


A defesa de Trump, acusou, foi incapaz de rejeitar os argumentos dos democratas, contrapondo que Trump "pensa que a sua reeleição é boa para o país, (pelo que) pode usar todos os meios necessários para vencer, sem responsabilidade, nem consequências".

Por fim, Pelosi escreveu que, "devido à traição dos senadores republicanos à Constituição", Trump "continua a ser uma ameaça para a democracia norte-americana, com a sua insistência de que está acima da lei e que pode corromper as eleições se quiser".

O Senado dos EUA, dominado pelos republicanos que têm 53 senadores, votou na quarta-feira o processo de destituição de Donald Trump, com base em dois artigos, aprovados na Câmara dos Representantes.

Em relação ao primeiro, que acusava Trump de abuso de poder, 52 senadores votaram "inocente" e 48 votaram "culpado".

O senador republicano Mitt Romney, eleito pelo estado do Utah, votou a favor da destituição de Trump neste artigo.

Já em relação ao segundo artigo, referente à obstrução ao Congresso por Trump, os 53 republicanos votaram "inocente".

Após a votação, Trump colocou um vídeo na sua conta na rede social Twitter replicando uma capa da revista Time para sugerir que concorrerá às presidenciais de forma ilimitada.

Notícias ao Minuto | Lusa | Imagem: © Lusa

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