domingo, 24 de maio de 2020

REFLEXOS SUPER CONDICIONADOS!...

COM O DEDO NA FERIDA

Martinho Júnior, Luanda  

Dizia eu há um ano:

A guerra psicológica da NATO contra Angola ao serviço dos interesses de exclusividade da hegemonia unipolar, explora vários conteúdos, recorrendo a expedientes próprios, incluindo os de índole ideológica, com vista a fazer reflectir manipulações que conduzem aos fins em vista: no seu horizonte enquanto objectivo, estão os parâmetros dum modelo condicionado de democracia que pretendem induzir no país alvo que é Angola, com recurso a ingredientes de ordem económica, financeira, jurídico-institucional e até administrativa trabalhados a partir da conexão portuguesa explorando os fenómenos da lusofonia e da CPLP… (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/02/angola-na-ala-dos-namorados.html).

Um dos mais persistentes exemplos dessa guerra psicológica é a avassaladora campanha que sistematicamente tira partido dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 em Angola com intensa emissão de continuados sinais mensageiros em Portugal! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/06/a-guerra-psicologica-do-imperio-da.html).

De facto há um na sabia que essa “campanha” em “soft power” iria inexoravelmente continuar, por que ao império da hegemonia unipolar interessa continuar esse lastro com as ementas “transversais” que não se tinham esgotado, apesar da criatividade estratégica estar em falência…



1- A campanha mediática utilizando os acontecimentos sobre o 27 de Maio de 1977 em Angola, tem um lastro bastante alargado com raízes elásticas que exploram na origem, todos os “afins” dos processos dominantes que na época afrontavam as bases cívico-militares e o início da implementação do Programa Maior do MPLA!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2017/09/um-longo-caminho-para-paz.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/reflexos-condicionados.html).

Na época Henry Kissinger perdeu no terreno militar a guerra de “A CIA contra Angola” (conforme John Stockwell – “Secret Wars of the CIA” –  https://www.youtube.com/watch?v=bmYZ_kWHk3Qhttp://www.addictedtowar.com/docs/stockwell.htm), mas o que foi perdido no campo militar, condicionado ao espectro da derrota dos Estados Unidos no Vietname, (algo que é preciso sempre lembrar – https://www.commondreams.org/views/2017/10/09/why-us-lost-vietnam-war), não foi perdido no campo da luta inteligente, até por que os contenciosos “stay behind” da NATO evidenciados por via do “Le Cercle”, do Exercício Alcora, das capacidades inerentes ao golpe do 25 de Novembro de 1975 em Portugal e do êxito da “glasnost global”, permitiram ir baralhando as cartas e sucessivamente dar de novo, num jogo que, se não conseguiu evitar o êxito do Programa Mínimo do MPLA, a longo prazo tudo tem feito para moldar o seu Programa Maior em conformidade com um “processo democrático representativo” de sua inteira feição!... (“Angola, 1975 to 1980s: The Great Powers Poker Game” – William Blum – Killing Hope – https://williamblum.org/chapters/killing-hope/angola).

Cabe aos “soldados do MPLA”, colocar “o dedo nesta ferida”, alertando os actuais militantes e simpatizantes, até por que há que em termos de raiz levar em linha de conta quem um dia fez juramento em situação decisiva de guerra e quem jamais o fez, fosse em que circunstância fosse!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2019/11/angola-11-de-novembro-de-2019-martinho.html;  https://paginaglobal.blogspot.com/2016/03/marcos-dum-caminho-longo-em-comum.htmlhttp://aveiro123.blogspot.com/2017/02/angola-provas-de-vida-nao-reconhecidas.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.pt/2017/11/cultura-indigena-no-mpla.html).

De “transversalidade” em “transversalidade”, a campanha que condiciona a história do 27 de Maio de 2977 tem garantido sua intensidade em geometria variável, com intervenções públicas concertadas e em tempos escolhidos segundo um programa de oportunidades, sabendo de antemão que havia que garantir que não houvessem contraditórios: banir contraditórios do espectro do “afrontamento” faz parte do “segredo do negócio” e nesse aspecto, conseguiu-se até fazer silenciar o MPLA que deu sequência ao Partido do Trabalho, cada vez mais próximo da “glasnost global” e por isso “transversalmente” mais moldável!... (http://paginaglobal.blogspot.pt/2017/03/angola-uma-constante-luta-pela-vida.htmlhttp://paginaglobal.blogspot.com/2012/09/eleicoes-em-angola-2012-ii.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2019/05/angola-bicesse-e-paz-que-estamos-com.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2020/03/a-paz-impoe-outra-percepcao-sobre.html).

 

2- Este ano e sempre com a ausência de Moscovo, outro livro vai ser lançado numa Lisboa que jamais deixou de comprovar ser vassala nos termos não mais dum “arco de governação” que já fez época (em relação a Angola esse processo teve sua “coroa de glória” com o 31 de Maio de 1991 em Bicesse), mas duma “geringonça” tisnada por um “esquerdismo” canino, fiável à “voz do dono”, que agora é capaz de recuperar (assimilação quantas pontes socioculturais e sociopolíticas ela propicia) até os filhos d’algo do tempo colonial, os meninos da pequena e média burguesia colonial que a partir da Universidade de Luanda polvilharam todos os “esquerdismos radicais” que procuravam minar o MPLA segundo as conveniências confessas ou não de Washington ainda que a coberto de rótulos “maoistas” ou outros (como o do tão oportuno Enver Hoxha, ou até do que subvertia o pensamento de Amílcar Cabral, desligando-o de sua acção e do seu contexto)!... (https://pt.wikipedia.org/wiki/Enver_Hoxhahttps://www.publico.pt/2000/02/05/jornal/angola-a-extremaesquerda-ha-25-anos-139607http://paginaglobal.blogspot.com/2017/01/programa-soft-power-da-cia-contra.html).

Os filhos d’algo “esquerdistas radicais” é claro que quer com o “arco de governação”, quer especialmente com a “geringonça”, tiveram sempre refúgio, apoio e incentivo em Lisboa (a versão do papel de Moscovo é para o cada vez mais isolado e desacreditado José Milhazes, homem-de-mão da “glasnost global”). (https://www.youtube.com/watch?v=EqmHI0lGc6U).

A “transversalidade” segundo a linha de José Milhazes tem pernas curtas e começa a estar “queimada”, pois em Moscovo as pistas humanas, se as houver, circunscrevem-se praticamente à época e pouco mais e, para alimentar a campanha, é necessário um programa para se irem lançando as correntes humanas “afins” ao 27 de Maio de 1977 em Angola, sempre com a garantia de jamais se socorrerem de contraditórios. (https://librairie-portugaise.com/product/o-fim-da-extrema-esquerda-em-angola-como-o-mpla-dizimou-os-comites-amilcar-cabral-e-a-oca-1974-1980/).

Para Milhazes, Angola foi “o princípio do fim para a URSS” (https://www.wook.pt/livro/angola-o-principio-do-fim-da-uniao-sovietica-jose-milhazes/2843196), tal como para o Durão Barroso foi em Angola que se começou a derrubar o muro de Berlim… algo que não é mera coincidência: foram escolhidos a dedo e têm na SIC muitos pontos em comum! (https://www.voaportugues.com/a/a-38-2009-10-08-voa7-92247579/1256482.htmlhttps://www.wook.pt/autor/jose-milhazes/1102589https://reencontros-dinamc.blogspot.com/2012/12/durao-barroso-na-sic.html).

Os “esquerdismos radicais” do âmbito da “glasnost global” são comprovadamente engenhosos, até por razões de sobrevivência das épocas de antagonismos de grande intensidade, mas no espectro duma IIIª Guerra Mundial tão geo estrategicamente movediça, acabam por encontrar inusitados amparos que se adequam até ao seu estro: neste caso concreto uma “cordial geringonça”, pródiga de “brandos costumes”, ávida de expedientes de assimilação de natureza “transversal”, ou seja, aberta aos “segredos do negócio” que suas escritas tão oportunamente garantem se utilizados em programadas campanhas “democráticas” a fim de moldar a história às conveniências dos processos dominantes, elitistas e exclusivistas. (https://www.dw.com/pt-002/27-de-maio-de-1977-e-nito-alves-o-tabu-da-hist%C3%B3ria-de-angola/a-15925292https://www.esquerda.net/topics/dossier-270-o-27-de-maio-de-1977-em-angola).

Esse tipo de manancial humano, jamais parou de escrever, desde os tempos em que para minar o MPLA, procuravam-no fazer recorrendo aos muito poucos “stencils” que havia em Luanda que o MPLA à época estava longe de deter, até por que outras preocupações se levantavam obrigando à acção operativa incessante e intensa… (http://novojornal.co.ao/opiniao/interior/as-malhas-que-a-revolucao-teceu-68034.html).


3- Em 2020 pelos vistos continuam a escrever ou a intervir de forma engenhosa, encaixando-se versão a versão na campanha, que tantas caixas de ressonância tem! (https://www.voaportugues.com/a/angola-fala-s%C3%B3---carlos-pacheco-os-desaparecidos-do-27-de-maio-n%C3%A3o-t%C3%AAm-rosto-/4410079.html;  https://www.dw.com/pt-002/27-de-maio-agostinho-neto-foi-o-grande-comandante-da-repress%C3%A3o/a-38949097).

A opção agora é atacar as intervenções do Presidente Agostinho Neto os primeiros anos da tumultuosa independência, tal como aliás fizeram “no terreno” os fraccionstas na preparação do 27 de Maio de 1977, a quente e à sua maneira sangrenta (compreende-se que eles agiam sob pressão e até escolheram um número aziago para as suas “teses” fabricadas em sua “defesa”, o “13”)!... (https://www.rtp.pt/noticias/mundo/sobreviventes-dos-acontecimentos-de-27-de-maio-de-77-ainda-procuram-explicacoes_n137179).

Já Carlos Pacheco o tinha feito, mas Carlos Pacheco ao fazê-lo, com a sua “caixa de pandora” em aberto identificou-se por completo com a trilha fascista-colonial ao nível da PIDE-DGS, pelo que jogou a sua cartada em tempo oportuno, de maneira a abrir caminho a outra fase do programa da campanha, até por que “os extremos tocam-se”, lembram-se?! (https://www.bertrand.pt/livro/agostinho-neto-o-perfil-de-um-ditador-carlos-pacheco/18348420).

Numa época pródiga de subversão da história ao jeito ou próximo da tese de Francis Fukuyama (que diz que com o neoliberalismo a história chegou ao seu fim – http://www.periodicos.udesc.br/index.php/percursos/article/viewFile/1451/1224https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/2516/1/AVMehl.pdf) por que necessário se tornou às conveniências globais da aristocracia financeira mundial fomentadora de hegemonia unipolar “contar a história à sua maneira”, (à maneira da guerra psicológica que move as correntes “soft power” desta IIIª Guerra Mundial) as “transversalidades” podem-se ir sucedendo umas às outras “democraticamente”, sabendo de antemão, neste caso, que até em Angola se podem ir buscar aqueles que como Durão Barroso (um “esquerdista radical” que até foi do MRPP em Portugal e agora, “no fim da picada”, pertence ao Goldman Sachs e é candidato ao lugar do “bilderberger” Francisco Pinto Balsemão – https://diganaoainercia.blogspot.com/2016/07/durao-barroso-e-premiscuidade-com-o.htmlhttps://observador.pt/seccao/pais/durao-barroso/https://ovoodocorvo.blogspot.com/2016/07/durao-barroso-o-peixe-graudo-que.html), é capaz de vir a Angola em tempo de Conferência de História, para afirmar sob aplausos e a pés juntos, que o “muro de Berlim” começou a ser derrubado em África (aludindo a Angola)!... (http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/as-relacoes-entre-ex-colonizador-e-ex-colonizados-nunca-sao-faceishttp://tpa.sapo.ao/noticias/politica/durao-barroso-destaca-papel-de-angola-na-africa-austral).

Em pleno século XXI, na IIIª Guerra Mundial todos esses servilismos são úteis para se “lavar a história” (passo a redundância), “transversalmente”, versão após versão, de forma brutal ou refinada, fascista, colonial ou num arroto de “esquerda radical”, com ou sem interstícios religiosos e outros condimentos à mistura (é para isso que servem também as Universidades, particularmente aquelas com correntes afectas a “modelos” como o “Le Cercle”), em nome duma objectividade que a aristocracia financeira mundial impõe hoje, uma objectividade que procura publicamente julgar, também com os olhos “democráticos” do “esquerdismo radical” que afinal é de todos os tempos duma época de há 45 anos atrás! (https://www.youtube.com/watch?v=qhPocUS_mJs).

Julgar a história para depois colocar o fim definitivo do maquiavélico Francis Fukuyama a ela, é deveras extraordinariamente oportuno para as campanhas de conveniência, que até dão lucro a quem se propõe a um exercício enquanto tal!...

4- De tão distraídos que andam no seu afã de manipular com dedos sujos as feridas que advêm do passado, por que a aristocracia financeira mundial quer que o Programa Maior do MPLA seja sua exclusiva “cosa nostra”, que se continuam deliberadamente a esquecer que muitos dos testemunhos na 1ª pessoa desse e de outros acontecimentos ainda estão vivos e disponíveis ao contraditório que jamais foi feito pelo próprio MPLA… mas se houver esse contraditório, em Lisboa provavelmente não haverá lucros versão a versão, distribuídos tão “transversal” como “democraticamente” (é evidente que pretendem apagar os acontecimentos vistos pelos participantes do lado de Agostinho Neto na 1ª pessoa)!

Para além das editoras recrutadas para o efeito, a campanha (de fio a pavio) leva os livros para dentro de Angola e até consegue colocá-los à venda em “livrarias” à boca das escolas, num completo êxito “democrático”!

Os “protagonistas” com propulsão nessa campanha continuam a ser os que a 27 de Maio de 1977 não queriam que “no Zimbabwe, na Namíbia e na África do Sul se desse continuidade à luta”, por que o “esquerdismo radical” de então até servia para veladamente contribuir para que o fôlego que animava o “apartheid” tivesse alguma esperança de sobreviver (e o “apartheid” pelos vistos nunca teve nada que ver com o muro de Berlim pois até era pate integrante da “civilização ocidental”)!...

Poucos dos filhos d’algo que compunham essas fileiras, queria dar o corpo ao manifesto na luta cívico-militar contra o “apartheid” extensiva a todos os povos da África Austral, que integrava alguns dos projectos da base do Programa Maior do MPLA e os que silenciam isso hoje, dão continuidade hoje, nos moldes da conveniência, a essa vontade de dividir, dividir e dividir… para melhor subverter e, em última análise, melhor reinar!

A corrupção não foi apenas na economia e nas finanças, foi muito mais que isso e antes de mais começou nas esferas socioculturais e sociopolíticas!...

Afinal quem a 27 de Maio de 1977 disparou os primeiros tiros, de madrugada, ainda não tinham havido os primeiros alvores?

Que tiros foram esses, disparados por que protagonistas, com que meios, onde e contra quem?

De que unidade militar eram provenientes os que fizeram esses tiros, quais os seus comandantes e como reagiram eles na altura, depois e até hoje, sabendo que essa unidade militar, uma das mais poderosas em Angola naquela época, tinha sido afectada entre 30 a 50% dos seus efectivos?

O ataque, se houve, foi premeditado, ou não, obedecia ou não a um programa?

Quais os mortos e os sobreviventes desse ataque e de outras acções que se seguiram, fieis a Agostinho Neto, como, onde, em que circunstâncias?

Venceram ou não, os que dispararam os primeiros tiros a resistência nesse local, como, com que objectivos, resultados e repercussões?

Houve algum inusitado simbolismo nesses primeiros tiros, em função das “armas e barões assinalados”?

Esse simbolismo provocou baixas ou não e era ou não o ponto de partida para a corrente que à viva força queria tomar o poder derrubando Agostinho Neto e, com isso começar a alterar profundamente o Programa Maior do MPLA?

Quem iria beneficiar com os ganhos obtidos pelos “esquerdistas radicais” da ocasião e quem está “transversal” e “democraticamente” a ganhar com os “esquerdismo radicais” hoje que em campanha se arvoram agora em juízes que tecnicamente, pretendendo-se objectivos, nutrem a campanha nos termos da encomendada guerra psicológica, nutrindo o seu próprio protagonismo em função dela!?

Quais são os “salvados” (?) internos dessas muitas questões em aberto e como eles estão hoje a protagonizar silêncio, para quê e por quê? (https://paginaglobal.blogspot.com/2020/04/quarentena-para-o-mpla.html).

Martinho Júnior -- Luanda, 22de Maio de 2017

Arquivo fotográfico e montagens do Esquerda Net – https://www.esquerda.net/topics/dossier-270-o-27-de-maio-de-1977-em-angola

Exemplos de entidades angolanas não militares que entre outros foram contemporâneos dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, entre os muitos ainda vivos, fieis a Agostinho Neto, que os protagonistas da campanha, qualquer que seja a sua “tendência democrática”, nunca procuraram abordar e ouvir em busca dum contraditório que para eles de facto, em função dessa premeditada campanha (e não da história), nunca existiu – https://www.youtube.com/watch?v=Y-t-_5Bi8o0https://www.youtube.com/watch?v=MMmlXtUYVrA.

Uma das últimas declarações do MPLA, condenando o aproveitamento político dos acontecimentos à volta do 27 de Maio de 1977 – https://www.youtube.com/watch?v=KyUCUVWDV6g.

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