quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

A solução para a crise de Portugal está em viver sem comer e morrer sem ficar doente




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

Quatro em cada dez portugueses admitem fazer cortes no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos. Dormir às escuras pode ajudar a controlar a diabetes. Viver sem comer ajuda a diminuir o excesso de peso e as doenças correlativas.

Dito assim, até parece que os portugueses o fazem de livre vontade. Mas, na verdade, eles são obrigados a isso, tal como são obrigados a outros cortes, desde logo optando por aprender a viver sem comer.

O barómetro "Os portugueses e a saúde" nunca foi, nem será, lido pelos ministros deste governo (por óbvia, entenda-se, falta de tempo), muito embora 1,2 milhões de portugueses afirmarem que deixam na farmácia alguns dos medicamentos necessários, sendo a população idosa, não activa, com níveis de instrução mais baixos a mais atingida com tal medida.

E tudo se deve, lamentavelmente, ao facto de os portugueses ainda não terem percebido os nobres, altruístas e beneméritos intentos do Governo quando sugere (impõe, vá lá) que os cidadãos vivem sem comer e morram sem ficar doentes.

Nesta altura, se calhar os portugueses estão tentados a dizer que estão entregues à bicharada. Mas não é assim. Desde logo porque a bicharada não gosta de se alimentar de corpos esqueléticos, famintos e em estado terminal.

Acresce que, mais uma vez bem, o Governo continua a dar sobejos exemplos de que também está a apertar o cinto. Convém não esquecer, por exemplo, que os membros da equipa de Passos Coelho também faz greve de fome para ajudar a pôr o país em e na ordem. É claro que só o fazem entre as refeições, mas já é alguma coisa…

Recordam-se de a então ministra da Saúde de Portugal, Ana Jorge, ter apelado às famílias portuguesas para fazerem “sopa em casa” em vez de gastarem em “fast food”, aproveitando a necessidade de contenção económica e como forma de combater a obesidade?

“É bom que as pessoas deste país tenham a noção que a obesidade implica um tratamento sério e alteração de comportamentos, desde que se nasce, ou melhor, até durante a gravidez”, realçou a então ministra (hoje deputada), acrescentando que “é necessário modificar os comportamentos alimentares e de sedentarismo que as pessoas estão a ter” em Portugal.

Melhor do que comer sopa é, e um dia destes ainda vamos ver o actual primeiro-ministro a falar disso, fazer o mesmo que o indiano Prahlad Jani que – diz ele e até tem testemunhas ditas credíveis - não come nem bebe há mais de 70 anos.

Até agora, sobretudo porque os portugueses são uns desmancha-prazeres, os resultados em Portugal não são animadores. Todos os que tentaram seguir, por correspondência, o método de Prahlad Jani estiveram muito perto mas, quando estavam quase lá... morreram.

Também dormir às escuras pode ajudar a controlar a diabetes. Viver sem comer ajuda a diminuir o excesso de peso e as doenças correlativas. Portanto…

Uma investigação levada a cabo por investigadores da Universidade de Granada (Espanha) permitiu concluir que dormir completamente às escuras pode ajudar a controlar melhor a diabetes mellitus, uma doença metabólica crónica provocada pela insuficiente produção de insulina pelo corpo.

Se a esse facto se juntar o aumento do IVA na energia eléctrica (de 6% para 23%), o melhor mesmo é viver às escuras, sem electrodomésticos e exercitando o corpo na lavagem da roupa à mão e bebendo líquidos à temperatura ambiente.

Essa quantidade insuficiente de insulina provoca excesso de glucose no sangue, pelo que os doentes têm que controlar ao longo de toda a sua vida os níveis, injectando insulina, seguindo uma dieta alimentar saudável e praticando exercício físico.

Recentemente, a equipa de investigadores da Universidade de Granada demonstrou que a melatonina, uma hormona segregada de forma natural pelo corpo humano, ajuda a controlar a diabetes, já que aumenta a secreção da insulina, reduz a hiperglicemia e a hemoglobina glicada e diminui os ácidos gordos livres, adiantou o jornal espanhol ABC.

A escuridão da noite favorece a secreção desta hormona, razão pela qual os investigadores acreditam que dormir completamente às escuras, ou até mesmo viver totalmente às escuras, pode ajudar a controlar a diabetes associada à obesidade e os factores de risco associados.

Os mesmos efeitos foram verificados com a ingestão de alimentos que contém melatonina, como o leite, os cereais e as azeitonas, ou algumas plantas, como a mostarda, a curcuma, o cardamomo, a erva-doce e o coentro.

Aqui a coisa já não tem tanta piada. É que o leite, os cereais etc. são, cada vez mais, bens de luxo. E a situação do país não se compadece com esses gastos. Pão e laranja ou farelo é quanto basta. E mesmo assim…

Entretanto, baseado no exemplo de Prahlad Jani, Passos Coelho (certamente com a colaboração institucional de Cavaco Silva, Paulo Portas e António José Seguro) pretende - e vai conseguir - ensinar os portugueses a, pelo menos, viver sem comer.

E, convenhamos, se for possível garantir (mesmo sem conhecimento do Parlamento e do Presidente da República) à dona da Europa, Angela Dorothea Merkel, que os portugueses conseguem estar uns anos sem comer, Portugal não tardará muito a ter o défice em ordem e a beneficiar do pleno emprego.

Além disso, serão o FMI e a senhora Angela Dorothea Merkel a pedir a ajuda do novo “líder carismático” do reino lusitano…

Já em 2006 o Discovery Channel fez um documentário sobre Prahlad Jani que, na altura, concordou em ser filmado durante dez dias e também foi analisado por médicos e cientistas, que não chegaram a uma conclusão nem presenciaram nenhuma impostura.

Data, aliás, dessa altura a tese, então defendida também por José Sócrates, de que a solução de Portugal passava por pôr es escravos a viver sem comer. Como não encontrou voluntários, obrigou-os pela força da miséria e do desemprego a enveredarem por esse caminho.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: SOBRE A HISTÓRIA DE CABINDA

POR UM MUNDO DESNORTEADO




FLÁVIO AGUIAR – CARTA MAIOR, Debate Aberto

O Aurélio terá de ser revisto. A palavra “desnorteado” adquiriu um novo sentido. Queria dizer “aquele que perdeu o rumo”. Agora pode também querer dizer “aquele que encontrou o rumo”. Como dizia minha avó, que nada tinha de desnorteada, “êta mundo velho sem porteira!”.

Um professor amigo meu, de importante universidade germânica, esteve recentemente no Brasil, onde compareceu a alguns encontros acadêmicos de sua área: ciências sociais, econômicas, Brasil, América Latina, por aí.

Voltou desnorteado. E desnorteado com a palavra “desnorteado”, entre outras coisas. Esse amigo é um professor progressista, algo mais velho que eu. Simpático às causas sociais do Brasil e da América Latina, para não falar de outras.

Mas qual era o problema? “A auto-suficiência dos brasileiros”, confessou-me ele. “Eles não querem mais saber de nós”. “Nós, europeus, viramos uma referência negativa”. “E eles se referem a um mundo desnorteado, positivamente, isto é, um mundo que perdeu o Norte como referência, como modelo”.

Ele estava assustado. “Picado”, eu diria. “Ferido”, para ser mais exato.

Reconheci o sentimento. Encontrei-o por aqui freqüentemente, ainda que sob outras formas, em outras oportunidades.

Outro dia, conversando com outro amigo, tivemos uma discussão (no bom sentido, sem brigas) veemente. Eu dizia que o caminho recessivo da Europa sob a batuta do Consenso de Bruxelas era inevitável e catastrófico. Ele contra-argumentava que não havia esse risco, que isso era invenção de políticos, que a economia européia e mundial ia muito bem, que as instituições estavam defasadas em relação a essa nova realidade.

Mas, eu insistia, a economia aqui vai submergir. Enquanto isso, disse eu, até o pequeno Uruguai está se saindo muito bem, capitalizando um bom momento das commodities... Foi a conta. “Esse é o problema”, disse ele. “O aumento do consumismo vai destruir o mundo. É necessário, em algum momento, parar de crescer”. “Sim, eu disse, o planeta tem limites. Mas como convencer os chineses, por exemplo, a não ter automóveis, se o modelo mundialmente vendido é esse? Como dizer aos africanos: sim, nós, do primeiro mundo, podemos ter aquecimento, gastar gás, petróleo, etc. e vocês que continuem a esfregar pedras para fazer fogo?” (Confesso que eu também exagerei um pouco).

A perplexidade do meu amigo espelhava uma reportagem publicada recentemente pelo Spiegel Internacional, que fala da surpreendente calma dos alemães. Eles, na maioria, simplesmente não acreditam que a crise vá chegar até aqui, muito menos que já chegou. Planam sobre ela.

Essas duas conversas se referem a um problema crescente, que é o de encontrar referências comuns para um diálogo aberto. Muitas pessoas aqui continuam a ver a Europa como modelo universal (aí também...) e a considerar as alternativas que nos últimos tempos se desenharam na América Latina – do Sul, em particular, como fogo de palha, que logo vai acabar, se é que um dia deveria ter sido aceso.

Para esse tipo de horizonte, o Consenso de Bruxelas é um bem ou um mal traçado pelos limites da política, diante da falta de limites que a sociedade exige. A política objetiva a manutenção do poder, e a sociedade exige a liberdade frente ao poder constrangedor. Esse pensamento opera numa dissociação permanente entre sociedade e política, entre cidadania e poder. No entanto, esse horizonte mantém a Europa e sua organização como um limite. É capaz de reconhecer uma micro-organização, numa tribo da Amazônia, como uma alternativa viável ao poder central. Mas não um outro discurso de poder, que “descentre” o mundo e o “desnorteie”.

Em suma, muita gente vai permanecer “desnorteada” na Europa, no velho sentido, porque nós nos “desnorteamos” no novo.

Mas isso não quer dizer que o diálogo deva ser interrompido, como parece tentador fazer. Não é porque fomos nós – os latino-americanos – olhados durante séculos como “o atraso da história” que será justo nem conveniente simplesmente substituir os ocupantes desse “banco de castigo” da história pelos nossos antigos mestres.

O melhor é jogar o banco fora.

*Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

África – ENTRE A MÁ ALIMENTAÇÃO E A FOME



ÁFRICA 21

Num continente que abriga o maior número de vítimas da fome, crónica ou cíclica – 296 milhões na África Subsariana em 2010 – a gordura é ainda considerada como um sinal exterior de riqueza e de saúde.

Brasília - Ainda flagelada pela fome, África sofre agora os efeitos da má alimentação, com um aumento exponencial das doenças crónicas que lhe estão associadas: obesidade, diabetes, hipercolesterolemia, hipertensão, doenças cardiovasculares. Estas doenças, frequentemente agravadas por carências em minerais e vitaminas (iodo, ferro, vitamina A, ácido fólico), causam hoje mais mortos que a sida, a tuberculose e o paludismo.

Num continente que abriga o maior número de vítimas da fome, crónica ou cíclica – 296 milhões na África Subsariana em 2010 – a gordura é ainda considerada como um sinal exterior de riqueza e de boa saúde.

Em África, as tradições e a cultura atrasaram a tomada de consciência das populações e dos responsáveis da saúde pública em relação ao excesso de peso, fenómeno provocado pela mudança dos modos de vida e que se traduz num aumento exponencial das doenças cardíacas e da diabetes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) mais de um terço das africanas e de um quarto dos africanos estão com excesso de peso, e estas percentagens deverão aumentar nos próximos dez anos para atingir 41% e 30%, respetivamente.

A África do Sul é o país mais afetado pelo aumento da taxa de mortalidade ligada à obesidade. De acordo com o MRC (Medical Research Council), 56% das mulheres e 17% dos adolescentes estão obesos ou com forte excesso de peso. As causas apontadas são as mesmas que nos países desenvolvidos como os Estados Unidos e o Canadá: má alimentação e falta de exercício físico.

«Passámos sem transição da fome à sobrealimentação sem nunca termos conhecido uma dieta equilibrada», comenta Krisela Steyn, professora e membro do MRC, que constata ainda uma forte resistência dos pacientes à ideia de perder peso. «Aqui, quando uma pessoa emagrece, pensam logo que tem sida ou tuberculose. Tem medo de ser estigmatizada ou de perder o emprego».

- Leia a matéria de capa assinada pela jornalista Nicole Guardiola, na edição de novembro da revista África21

OIT – CABO VERDE PODE TORNAR-SE PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO LIVRE DO TRABALHO INFANTIL



RTP

Cabo Verde poderá tornar-se o primeiro país do mundo livre do trabalho infantil, disse hoje, na Cidade da Praia, um responsável da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Pedro Oliveira falava aos jornalistas à margem de um seminário nacional subordinado ao tema "O Combate ao Trabalho Infantil em Cabo Verde - Da Palavra à Ação", destinado aos sindicatos e promovido pela União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde - Central Sindical (UNTC-CS).

Segundo Pedro Oliveira, responsável pelas relações no contexto de luta mundial contra o trabalho infantil, as políticas sociais existentes em Cabo Verde apontam para um caminho "muito promissor" em matéria da erradicação do trabalho infantil.

"A maneira como se pretende avançar com a educação, alargando o período de escolaridade compulsória, assim como outras políticas nacionais, mostra que o país está a caminhar para uma situação em que a criança estará mais na escola e menos no trabalho", explicou Pedro Oliveira.

O representante da OIT, citado pela Inforpress, acrescentou que há todo um comprometimento político, dos sindicatos e do próprio setor produtivo, no sentido de garantir que as crianças estejam mais protegidas e não exploradas.

"A OIT tem a expetativa de que Cabo Verde talvez venha a ser o primeiro país do mundo livre do trabalho infantil", sublinhou Pedro Oliveira, salientando que há todo um comprometimento e engajamento político, dos sindicatos e do setor produtivo, para que as crianças estejam mais protegidas e não exploradas.

Contudo, defendeu uma "luta cerrada" contra a informalidade da economia, que, frisou, é um "grande entrave", pois gera menos emprego digno.

Pedro Oliveira, a este propósito, destacou o papel que os sindicatos têm desempenhado, e que podem ainda desempenhar, no quadro da luta contra o trabalho infantil.

Ao longo do seminário, os sindicalistas, que segundo Américo Pedro de Oliveira já estão sensibilizados para a questão da luta contra o trabalho infantil, vão trabalhar para definir mecanismos que permitam assumir um papel dentro da sociedade local.

Para já, a intenção é criar um plano de ação conjunto de fiscalização, para impedir que as crianças continuem a ser exploradas, disse Margarida Monteiro, coordenadora do Departamento dos Assuntos Laborais da UNTC-CS.

"Queremos, através das nossas estruturas sindicais, dar um combate nacional a esse mal e também aprofundar as discussões em todo o país para podermos sensibilizar as famílias para terem cuidado e ajudar as crianças na sua evolução", apontou.

Cabo Verde: Gasolina e gás butano mais baratos e gasóleo mais caro a partir da meia-noite




MJB - INFORPRESS

Cidade da Praia, 07 Dez (Inforpress) - Os novos preços máximos dos combustíveis anunciados hoje pela Agência de Regulação Económica (ARE) indicam uma ligeira baixa no preço da gasolina e do gás butano e um aumento no preço do gasóleo, fuel e petróleo.

Assim, a gasolina antes vendida a 171,40 escudos, passa a custar, a partir das 00:00 desta quinta-feira 169,30 (-1,23 por cento) e o gasóleo normal passa de 122 para 125,60 escudos, um aumento na ordem de 2,61 por cento.

O gasóleo para a produção de electricidade passará a ser vendido a 111,80 escudos, sofrendo um aumento de 2,95 por cento e o gasóleo destinado a marinha nacional a 92,60, um acréscimo na ordem dos 3 por cento.

O fuel 380, cujo aumento é mais expressivo (4,30 por cento) passa a ser comercializado a 70, 40 escudos por quilogramas (kg), o fuel 180 por 78,40 escudos e o petróleo 99,40 escudos por litro.

Quanto ao gás butano, foi registada uma oscilação negativa (entre -1,12 e -1,21), sendo a venda a granel por 155 escudos kg.

As garrafas de 3 kg passam a custar 442 escudos, as de 6 kg, 931 escudos, as de 12,5 kg, 1939 escudos e as garrafas de 55 kg passam a custar 9.530 escudos.

Em nota de imprensa, a ARE, citando os dados publicados no Platts Eorpean Market Scan e LPDasWire, refere que “os produtos petrolíferos evoluíram em alta no mês de Outubro, registando-se em Novembro, uma moderada inversão de tendência para o gasóleo, o fuel e o petróleo, e um efeito mais acentuado de redução para a gasolina e o butano”.

A nova tabela de preços máximos dos combustíveis vigora de 00:00 desta quinta-feira, 08 de Dezembro, até 07 de Fevereiro de 2012.


Elaborar um Vocabulário Ortográfico Nacional em Cabo Verde pode ser difícil - investigador



DR - INFORPRESS

Cidade da Praia, 07 Dez (Inforpress) - O investigador José Ferreira alertou hoje na Cidade da Praia, pelas dificuldades na elaboração de um Vocabulário Ortográfico Nacional (VON) do Novo Acordo Ortográfico tendo em conta a especificidade insular de Cabo Verde.

O docente do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) de Lisboa, que está a ministrar o primeiro curso técnico para a elaboração VON, disse à Inforpress que para a realização desse trabalho é preciso ter acesso a dados que sejam representativos de variedade linguística falada em cada país.

“Em Cabo Verde levanta-se algumas questões, sobretudo, porque por vezes é difícil fazer a divisão de fronteira entre aquilo que é crioulo e aquilo que é língua portuguesa, no entanto, serão utilizados dados de fontes escritas que têm proveniência de todo o arquipélago e espera-se que no final, o resultado seja representativo da variedade do português falado em Cabo Verde como um todo”, disse.

Segundo aquele especialista, para elaborar um vocabulário é necessário recolher dados que possam incorporar um grande repositório de dados linguísticos que mostrem como a língua é usada nesse país.

“A partir desses dados é possível, aplicando algumas metodologias e ferramentas, construir um léxico que depois será tratado lexicograficamente de modo a construir um vocabulário”, explicou.

É por isso que, na formação a decorrer na Cidade da Praia, conforme José Ferreira, estão a ser fornecidos métodos, ferramentas e procedimentos para a obtenção desses dados.

“Uma vez terminada essa formação, todas as representantes das equipas nacionais presentes terão condições para reunir esses dados de modo a conseguirem perceber com critérios científicos de que modo se fala a língua portuguesa no seu país”, referiu.

Esse curso técnico acontece na sequência da primeira reunião técnica internacional sobre Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), que decorreu na capital cabo-verdiana, entre 26 e 29 de Setembro último, destinado a linguistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Esses especialistas, indicados pelas respectivas comissões nacionais do IILP, vão coordenar em cada um dos países a elaboração do VON, que virá a integrar a base comum do VOC.

O curso é também ministrado pela docente Gladis Barcelos dos Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC) da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade de São Paulo.

O VOC do Novo Acordo Ortográfico deverá estar pronto em Julho de 2014, conforme garantiu esta semana o director executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa em Cabo Verde, (IILP), Gilvan de Oliveira.

“OLHAR PARA DENTRO DE NÓS”, por Mia Couto



ÁFRICA 21

Elites do centro e elites da periferia sempre combinaram esforços para agir em seu exclusivo interesse.

Brasília - Recordo-me de um jantar em Lisboa em que se armou uma enorme barafunda. Estávamos em casa de uma figura pública portuguesa que lamentou, com aparente sinceridade, aquilo que chamou de «corrupção endógena» dos africanos. Na mesa houve vozes que protestaram: porquê apenas dos africanos? A conversa azedou e rapidamente derrapou para contornos raciais. Um português, nervoso, tomou a defesa dos africanos e enfrentou a tal figura pública nos seguintes termos: Quer Vossa Excelência dizer que, por cá, não temos corrupção?

Seguiram-se acusações graves que fizeram adiar o propósito do encontro que era provar aquilo que havia sido apresentado como uma refeição inesquecível. Coube-me atirar água sobre a fervura. Mas era bálsamo tardio. Já havia mágoas irreparáveis. Um jantar é sempre mais do que uma simples refeição.

Anos mais tarde um dos mais animados participantes do malogrado jantar, de visita a Moçambique, mostrou-me um artigo de capa de uma revista lisboeta. O título era claro: uma certa excelência parecia não escapar das acusações de corrupção que sobre ele há muito pesavam. Reconhece quem é este?

Reconheci. Era a mesma pessoa que se lamentava da corrupção em África. O visitante português sacudiu a revista sobre a cabeça como prova de antiga razão. E eu sorri.

Na verdade, um dos maiores desafios dos africanos é fazerem-se respeitar como pessoas individuais e como entidades coletivas. Um passado (será que passou?) de preconceitos assumidos e declarados deu lugar a uma envergonhada arrogância («nós», dizem os europeus, não somos como «eles»). Ontem era a História que apenas tinha residência fora da África. Hoje, quem mora fora é a Ética.

- Leia na íntegra a crónica do escritor moçambicano, na edição de novembro da revista África21

POLUIÇÃO DO AR FECHA AEROPORTOS E CAUSA ALARME NA CHINA




Marcelo Justo - Direto da China – Carta Maior

Uma densa neblina provocou o cancelamento ou atraso de centenas de voos em Beijing e a aquisição de centenas de máscaras de oxigênio por causa da contaminação atmosférica. O problema se repetiu em nove províncias chinesas. Em muitas ruas, a visibilidade era tão escassa que lembrava a mítica neblina londrina do século XIX e boa parte do XX, hoje inexistente em Londres. Especialistas em saúde recomendaram às pessoas que “ficassem em suas casas e quem tivesse que sair que usasse as máscaras respiratórias”. O artigo é de Marcelo Justo.

Uma densa neblina provocou o cancelamento ou atraso de centenas de voos em Beijing e a aquisição de centenas de máscaras de oxigênio por temor da contaminação atmosférica. A situação se repetiu em pelo menos nove províncias, desde Shangdong, no noroeste, até Gansu, no noroeste, envoltas em uma neblina que, em muitos casos, paralisou o tráfego por completo como ocorreu comigo que chegou à antiga capital chinesa, Xian, com um dia de atraso.

Especialistas em saúde disseram à imprensa local que sob as atuais condições convinha que as pessoas “ficassem em suas casas e quem tivesse que sair que usasse as máscaras respiratórias”. Em vários meios de comunicação essa advertência estava acompanhada de uma dura crítica aos métodos “antiquados” de medição de contaminação utilizados pelo governo.

Em muitas ruas, a visibilidade era tão escassa que lembrava a mítica neblina londrina do século XIX e boa parte do XX, hoje inexistente em Londres, ainda que reencarnada neste “novo milagre” da revolução industrial que é a China. O tema é debatido há algum tempo pelo governo, os meios de comunicação e os ativíssimos microblogs. Uma clara medida da preocupação pública é que se vê cada vez com mais frequência gente com máscaras nas ruas das grandes cidades do país, seja Beijing ou Urumqi, remota capital de Xingjian, no noroeste do país. Uma empresa especializada na venda de máscaras de oxigênio pela internet, Panfeng Household Specials, vendeu segunda-feira mais de 300 unidades quando, normalmente, só vende uma por dia.

O Escritório de Proteção Ambiental de Beinjing tentou acalmar a tempestade assinalando que a medição oficial indica que só se passou o umbral do perigo ambiental pela sétima vez no ano, uma vez acima do considerado normal. O problema é que seu critério de medição de pureza ambiental se baseia na presença de partículas de 10 micrômetros e foi estabelecido em 1982 quando recém começava o “milagre chinês”.

Uma medição da embaixada estadunidense, citada pelo diário oficial chinês em inglês “Global Times”, que se baseia na concentração de partículas de 2,5 micrômetros, assinalou que a contaminação na capital era “perigosa” para a saúde humana.

Segundo disse ao jornal chinês, o diretor do Instituto de Meio Meio Ambiente, Ma Jun, estas partículas podem penetrar com facilidade os pulmões e a corrente sanguínea, causando sérias enfermidades pulmonares e cardiovasculares. “As emissões industriais, as de veículos e de uso doméstico são fontes destas partículas. São difíceis de combater e permanecem muito tempo na atmosfera”, indicou Ma Jun.

No serviço de microblogs mais importante da China, Sina Weibo, esse foi o tema mais debatido com quatro milhões de mensagens desde que começou a neblina no último domingo.

Apesar da pressão pública, o Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente, que recentemente adotou a medição mais sofisticada de 2,5 micrômetros em suas estatísticas, não divulgou ainda seus próprios resultados. Em um país que vem crescendo há duas décadas a mais de 10% abundam as pressões e os interesses cruzados.

Segundo o diretor da Faculdade de Ciências de Meio Ambiente de Pequim, Zhang Yuanhang, se a China adotar o critério dos 2,5 micrômetros, somente cerca de 20% de duas cidades passaria pela prova da qualidade do ar. Na atual medição, 80% são aprovadas. O atual governo assinalou que o tema ambiental é prioritário e no pacote de estímulo que se seguiu à crise de 2008 teve um lugar destacado no investimento estatal.

Em 2009, a China investiu quase 35 bilhões de dólares em energia limpa convertendo-se em líder mundial deste setor e produtor máximo de turbinas de ar e painéis solares. O Banco Mundial indicou que é um dos poucos países que “aumentou sua área florestal e reduziu seu nível de contaminação”. Considerando o que está ocorrendo nestes dias e a voracidade do crescimento industrial chinês, restam vários capítulos pela frente para evitar uma repetição dessa neblina que impede a visão a dois metros de distância.

Tradução: Katarina Peixoto

Clima - COP-17: CHINA ACEITA CORTAR EMISSÕES DE CARBONO E PÕE EUA EM CHEQUE


O chefe da delegação chinesa na COP-17, Zenhua Xie, surpreendeu comunidade internacional anunciando corte das emissões de carbono em 2020

CORREIO DO BRASIL, com Vermelho - de Xangai

A China colocou as cartas na mesa: aceita cortar suas emissões de carbono a partir de 2020, mas impõe condições aos países desenvolvidos, como os EUA, de estabelecerem metas de reduções substanciais de suas emissões de gases de efeito estufa e assumirem suas responsabilidades históricas durante seu processo de industrialização. A declaração foi dada na 17º Cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudança Climática (COP-17), em Durban, África do Sul.

O anfitrião Jacob Zuma, presidente da África do Sul, faz coro com a China, apontando a necessidade dos países desenvolvidos assumirem seus papéis correspondentes, como os maiores poluidores do planeta, e promoverem soluções para as negociações durante a conferência. “Há que tomar uma decisão aqui”, enfatizou Zuma.

O líder africano foi ainda mais além, ao afirmar que os países em desenvolvimento devem receber uma compensação pelos danos e que os subdesenvolvidos “precisam de um tempo para se desenvolver e eliminar a pobreza”.

Sobre as negociações em torno do segundo período do Protocolo de Kyoto, essencial para a redução de emissões de poluentes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pdiu comprometimento dos países para criarem as condições para que isto ocorra. “Países chave como a China já estão tomando atitudes positivas”, ressaltou.

Condições chinesas

O chefe da delegação chinesa, Zenhua Xie, causou grande surpresa com o anuncio do corte das emissões de carbono, após 2020. Xie impõe, entretanto, cinco condições para tal. A primeira de que o tratado a ser aprovado inclua a cooperação internacional no combate às mudanças climáticas, e que sejam levadas em conta as resoluções da Indonésia, que decidiu que na segunda fase do Protocolo de Kyoto os países desenvolvidos devem ter metas consistentes de reduções de suas emissões de gases de efeito estufa.

A segunda, que os países desenvolvidos assumam suas responsabilidades históricas pelos 200 anos de emissões de gases de feito estufa durante seus processos de industrialização. Ele também exige uma relação balanceada entre o combate às mudanças climáticas e o desenvolvimento econômico.

A quarta exigência é de que as mitigações (redução das emissões) e as adaptações (medidas adotadas para combater os efeitos das mudanças climáticas) tenham tratamento igual. Por fim, que a ONU lidere o processo para a adoção de mecanismos de decisão que assegurem a unanimidade, através das consultas.

–Tal posicionamento colocou o imperialismo norte-americano na defensiva. Todd Stern, chefe da delegação norte-americana, afirmou que os compromissos que a China diz estar disposta a assumir não são “os mesmos compromissos sobre os quais estamos discutindo”. E outro representante dos EUA tentou enfraquecer a declaração, afirmando “não ter visto nada de importante na posição anunciada pela China”–, observou Aldo Arantes, secretário de Meio Ambiente do PCdoB, que acompanha as discussões em Durban.

Governo substitui direcção do IEFP e nomeia militante do PSD da distrital de Miguel Relvas




João Ramos de Almeida – Público - ontem

A direcção do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), organismo responsável pela política de emprego, foi ontem substituída antes do final do mandato. Para seu presidente foi apontado um ex-vice-presidente do IEFP, mas também um dos dirigentes da distrital do PSD de Santarém, a mesma do ministro Miguel Relvas.

À frente do IEFP, por nomeação em 2005 do Governo Sócrates, a comissão de serviço da equipa presidida por Francisco Madelino deveria terminar em 2013. Essa direcção manteve-se com o Governo Passos Coelho, funcionando com a equipa do Ministério da Economia e chegou a participar na reformulação dos centros de emprego.

Mas nas últimas semanas tornaram-se sensíveis pressões para a sua substituição por parte da estrutura do PSD. Ontem, o Governo apontou para presidente do IEFP Octávio Oliveira e como vogais Félix Isménio e Francisco Xavier d"Aguiar.

Octávio Oliveira, de 50 anos, economista, foi director do centro de formação profissional para a indústria da cerâmica das Caldas da Rainha e dos centros de emprego de Torres Novas (1987/91), Picoas (1998/2002) e vice-presidente do IEFP (2004/05). É igualmente um quadro político do PSD. Foi vereador da câmara de Torres novas. Em 2009, integrou a comissão coordenadora autárquica distrital de Santarém do PSD, presidida então por Miguel Relvas. Em Janeiro de 2010, foi escolhido para vice-presidente da distrital de Santarém e é um dos quatro membros da comissão política permanente distrital, na mesma altura em que Miguel Relvas foi eleito presidente da mesa da assembleia geral. Dois meses depois, foi director distrital de campanha da candidatura de Pedro Passos Coelho. Em Fevereiro deste ano, tornou-se o responsável da área social da distrital do PSD.

Félix Esménio, quadro do IEFP desde 1987, dos Trabalhadores Sociais-Democratas, foi director do centro de emprego de Cascais. Francisco Xavier d"Aguiar, ligado ao CDS, foi membro do gabinete de estudos Gonçalo Begonha da Juventude Popular e foi subdirector da sociedade gestora de fundos de pensões da Caixa Geral de Depósitos.


Portugal: APROVADA PROPOSTA DE MAIS MEIA HORA DE TRABALHO/DIA



DIÁRIO DE NOTÍCIAS

O Governo aprovou hoje, em Conselho de Ministros, uma proposta de lei que "estabelece um aumento excepcional e temporário dos períodos normais de trabalho de trinta minutos ou de duas horas e trinta minutos por semana".

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, esta medida é aplicável durante a vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

Estão excluídos da aplicação desta medida "os trabalhadores de empresas públicas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos, de entidades públicas empresariais e de entidades que integram o sector empresarial regional e municipal, dado que já estão sujeitos às medidas constantes do Orçamento do Estado para 2012, concretamente, à suspensão do pagamento dos subsídios de férias e de Natal", refere o mesmo comunicado.

Estão igualmente excluídos da aplicação desta medida "os menores, as grávidas, puérperas ou lactantes, os trabalhadores com capacidade de trabalho reduzida ou com deficiência ou doença crónica e os trabalhadores estudantes". Este aumento do horário de trabalho aplica-se aos trabalhadores a tempo parcial, devendo nesse caso ser "proporcional ao período normal de trabalho semanal".

O “EXCEDENTE” QUE O NÃO É




BAPTISTA BASTOS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Miguel Relvas foi apupado no XIII Congresso Nacional das Freguesias. O ministro é um homem infausto e tem a insensata tineta de desejar estar sempre em primeiro plano. Por vezes, até é confundido com o primeiro-ministro. Também nas contradições. Mas ambos fazem uma boa parelha de beques. Dizem uma coisa apressada e infundada e, logo a seguir, o seu contrário. Relvas foi pateado exactamente pela impetuosidade com que diz coisas. Sabe-se que a questão das freguesias deve ser tratada com extremo cuidado. Sabe-se, é como quem diz: pelos vistos, o ministro Relvas não sabe.

Acredito que as há a mais. Também acredito que esse excesso tem a ver com razões históricas, sentimentais, emocionais e outras. Tanto José Mattoso como António Borges Coelho podem explicar, dando-se o caso de os governantes estarem dispostos a ler e a ouvir. Duvido. E foi, eventualmente, por não querer ouvir, e por soberba e altanaria de poder, que Miguel Relvas levou com a pateada na visagem.

Apareceu na magna assembleia com um papel definitivo debaixo do braço. Não estava ali para atender: estava para falar. Um desastre. De desastre em desastre, parece que este Executivo possui, apenas, um desiderato: fazer valer o que entende ser, sem atentar nas razões dos outros. Agora, e de súbito, surgiu nas contas públicas um "excedente" de dois mil milhões de euros.

Passos revelou o facto, liso, formal, veemente e, até, um pouco dramático. Quase a seguir, disse que não dissera o que disse, e alinhavou uns remendos no discurso, deixando um legado de incredulidade e de perturbação no comum dos mortais. A pateada a Relvas e o diz-que-sim-e-que-não de Passos são sintomas de uma política confusa e indeterminada, obstinada e torta. Aliás, Passos Coelho afirma e repete, com enfadonha teimosia, que tanto se lhe dá como se lhe deu o protesto, a contestação, a revolta.

Quanto aos dois mil milhões de "excedente", que mereceram atabalhoadas "explicações" dos habituais comentadores do óbvio, e uma crítica académica e dispersa de Seguro, o seu destino estava traçado, e custar-nos-á os olhos da cara nos anos mais próximos. Como salientou Alfredo Barroso, no Frente-a-Frente da SIC Notícias, quem vai pagar são os trabalhadores.

Estas três personagens são exemplos típicos de uma época na qual a ignorância, a intemperança e a hipocrisia constituem valores tributários de uma nova leitura do mundo. Nada do que dizem é verdade, tudo o que dizem parte de equívocos e de evasivas. E estes "princípios" estão longe de ser passageiros. Podemos protestar, vaiar, proceder a acções mais ou menos violentas que o discurso deles é inalterável e, embora os não incomode, põe em evidência a sua amoralidade.

O assunto do "excedente" que o não é vem reforçar o conceito de agressividade (não apenas simbólico) comum à ideologia do Governo.

Portugal: PEDRO E A MADEIRA EM VEZ DE PEDRO E O LOBO*




Primeiro-ministro desmente Jardim e nega acordo sobre a Zona Franca

Tolentino de Nóbrega – Público

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, não assumiu com os deputados do PSD-Madeira qualquer compromisso em relação à abertura de negociações com a Comissão Europeia com o objectivo de manter os actuais benefícios fiscais na Zona Franca.

A informação foi avançado ao PÚBLICO por fonte do gabinete do primeiro-ministro que desmente o presidente do governo regional da Madeira, segundo o qual os deputados do PSD da Madeira teriam votado a favor do Orçamento porque, antes da votação, Passo Coelho teria assumido tal compromisso.

“A razão por que os deputados da Madeira votaram a favor do Orçamento, embora com a declaração de voto, é que antes da votação o primeiro-ministro lhes disse - aos deputados do PSD e ao deputado do CDS - que a Zona Franca ia para a frente”, afirmou Alberto João Jardim no domingo à noite, no regresso de Bruxelas.

“Têm a palavra do primeiro-ministro, agora compete ao primeiro-ministro cumprir a sua palavra. Da nossa parte, que estamos a negociar com a República, tivemos mais um gesto de boa vontade, acreditamos na palavra que nos deram”, declarou o líder do governo madeirense, advertindo: “A História não parou com este Orçamento do Estado. Se a palavra do primeiro-ministro não for honrada, obviamente que outra será a atitude da Madeira”.

Os deputados do PSD e do CDS, eleitos pela Madeira, tinham ameaçado votar contra o Orçamento do Estado para 2012, se não fossem aprovadas as suas propostas de alteração para prolongar os benefícios fiscais da Zona Franca da região para além do corrente ano. Foram todas chumbadas na discussão na especialidade e, na votação final, os representantes da região recuaram e votaram a favor da proposta governamental.

*Título PG, na fábula Pedro é um grande aldrabão…

PGR vai analisar pedido para abertura de processo à actuação de "agentes provocadores"




PÚBLICO - LUSA

O procurador-geral da República Portuguesa vai analisar os documentos e a participação recebida do advogado Garcia Pereira, que pediu para ser aberto um processo criminal à actuação de alegados "agentes provocadores" da PSP na manifestação de 24 de Novembro.

"O Procurador-Geral da República vai analisar a questão", refere uma nota da Procuradoria enviada à agência Lusa, que confirma a recepção dos documentos e da participação enviada por Garcia Pereira.

Na terça-feira, o advogado revelou ter enviado ao procurador-geral da República uma petição para que seja aberto um processo criminal.

No documento, Garcia Pereira apoia-se em imagens filmadas por manifestantes e colocadas na Internet para apontar a presença de "agentes policiais não uniformizados nem identificados como tal" entre os manifestantes que agiram "tão clara quanto ilicitamente como agentes provocadores de conflitos".

Garcia Pereira afirma que estas acções podem configurar "instigação a um crime e provocação de motim", o que seria "de extrema gravidade". a confirmarem-se tais "operações negras sem rosto e sem autores conhecidos, mas de consequências incontroláveis e monstruosas".

O advogado solicita ao procurador que instaure imediatamente um processo criminal e se socorra de todas as imagens da manifestação que ocorreu no dia da greve geral, sejam as recolhidas pelos manifestantes, pelos órgãos de comunicação social ou pela própria polícia.

Na petição, acrescenta que os alegados agentes à paisana agrediram violentamente vários manifestantes e que depois da chegada de polícias de uniforme ficaram junto deles, escondendo as armas com que efectuaram as agressões.

Esses agentes à paisana aparecem depois noutras imagens a fazer detenções quando haviam sido eles a comportarem-se como “manifestantes” mais exaltados, na 1ª linha da manifestação e adoptando uma postura (aparentemente) de marcada violência, elevada tensão e grande provocação" para com os elementos do Corpo de Intervenção da PSP, refere.

O intuito destes agentes à paisana, sugere Garcia Pereira, seria apenas levar outros manifestantes a cometer actos de violência que pudessem ser usados como pretexto para serem detidos.

Os incidentes frente à Assembleia da República resultaram em sete detenções e um ferido, segundo o balanço da PSP, que atribuiu as detenções a "questões relacionadas com desobediência".


Brasil: MINISTRO PIMENTEL SOB ATAQUE E APRESENTA EXPLICAÇÕES


O ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel (foto) se defende das acusações, dizendo que “fez consultorias quando não exercia nenhum cargo público”.

CORREIO DO BRASIL, com Vermelho.org.br

As denúncias contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel continuam nesta quarta-feira. Depois da renúncia de sete ministros em função da ação do Partido da Imprensa Golpista, Pimentel parece ser o próximo alvo. Em nota enviada ao Portal Vermelho, o ministro se defende, dizendo que “fez consultorias quando não exercia nenhum cargo público”.

As matérias publicadas principalmente no jornal O Globo se referem `a empresa P-21 Consultoria, que Pimentel manteve entre 2009 e 2010, período em que ficou fora do cargo de prefeito de Belo Horizonte e até assumir o cargo de ministro.

Pimentel salienta que informou ao jornal, fato não noticiado, que quando foi indicado para o ministério, comunicou à Comissão de Ética Pública a existência da P-21 Consultoria, “seu faturamento e seu devido desligamento da empresa, cumprindo todas as formalidades legais”.

Explicações

Sobre as acusações de que a grupo Convap, que utilizou os serviços de consultoria de Pimentel, manter contratos com a prefeitura de Belo Horizonte, a nota explica que o município mantém com a Convap trabalhos que foram firmados a partir de licitações vencidas pelo consórcio que a empresa integrava.

– Ambas foram realizadas na gestão de Marcio Lacerda e, numa delas, a empresa foi inabilitada pela própria prefeitura, tendo permanecido, segundo a nota, no processo de concorrência pública por liminar na justiça. “Esse fato, que compromete a tese que se quer fazer prosperar, foi relatado à reportagem na entrevista dada no último domingo, mas o jornal não publicou a informação”, salienta o ministro.

Ataques continuam

Nesta quarta-feira, o mesmo jornal traz outras reportagens contra o ministro. O acusa de manter relações com o empresário Roberto Giannetti Nelson de Senna, dono da HAP Engenharia, empresa que mantém contratos com a prefeitura de Belo Horizonte.

Segundo o jornal, Senna comprou um lote de Pimentel em 2000, no bairro Buritis, na capital mineira, por R$ 55 mil. Desde o domingo, o jornal ataca as relações do ministro com o empresário.

Outra “acusação” publicada na mesma edição, é o que o sócio minoritário na empresa de consultoria de Pimentel, Otílio Prado, continua sendo assessor do prefeito Márcio Lacerda. Apresentado como grande descoberta, que merece matéria específica, o fato é conhecido de todo mundo político mineiro e, claro, o trabalho de Otílio é de completo conhecimento público.

Brasil - PNE: mudança deixa investimentos em educação aquém das expectativas


Estudantes protestam durante sessão de comissão que discute alterações no PNE

CORREIO DO BRASIL, com ABr - de Brasília

Uma diferença aparentemente sutil no futuro texto do Plano Nacional de Educação (PNE), apresentado terça-feira na Câmara dos Deputados, poderá fazer a diferença de alguns bilhões de reais em investimentos na área. A proposta de substitutivo elaborada pelo relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), coloca como meta o investimento de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) considerando o investimento público total em educação. A proposta encaminhada pelo governo, no ano passado, falava em investimento direto em educação.

A diferença entre os dois é que, no primeiro caso, são incluídos recursos públicos investidos em entidades privadas, em bolsas de estudo e até em contribuições sociais de aposentadoria de trabalhadores da área. Já no segundo, são contabilizadas apenas as verbas aplicadas diretamente no sistema público de educação.

Na prática, a mudança do conceito de investimento significa uma ampliação mais tímida dos recursos. Considerando o investimento público total, o patamar atual de investimento em educação é de 5,7% do PIB. A meta de investimento de 8% do PIB definida no relatório significaria, portanto, um crescimento de 2,3 pontos percentuais – enquanto a expectativa das entidades era que esse aumento fosse mais significativo.

Para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, principal entidade que articula a mobilização social em torno da aprovação do projeto, a mudança do texto foi uma “manobra contábil” para camuflar os investimentos reais. A entidade defende, junto com outras organizações da sociedade civil, que o patamar de investimento incluído no PNE seja de 10% do PIB.

O relator da proposta admite que a alteração do texto foi “fruto do processo de negociação” com o governo, mas nega que tenha sido uma manobra. Nas últimas semanas, Vanhoni adiou diversas vezes a apresentação do relatório do PNE porque não chegava a um consenso com o governo sobre a meta de investimento. A proposta inicial enviada pelo Executivo previa a ampliação dos investimentos para 7% do PIB, índice que foi aumentado para 8%. Essa expansão dos recursos deverá ser feita no prazo de dez anos, período que irá vigorar o novo plano. O projeto estabelece 20 metas educacionais que deverão ser alcançadas pelo país neste prazo. Entre elas, o aumento de vagas em creches, a ampliação de escolas em tempo integral e a expansão das matrículas em cursos técnicos.

O relatório apresentado terça-feira traz o custo financeiro de cada uma das 20 propostas. Segundo Vanhoni, a meta de investimento de 8% do PIB em educação é o suficiente para pagar as mudanças previstas no projeto, ainda que seja considerado o investimento total em educação e não o direto. “A discussão tem que ser feita em torno do plano de metas e não apenas de índices. O debate que a Câmara precisa fazer é quais as metas para as diversas modalidades para incluir desde as crianças até 3 anos a jovens de 18 a 24 anos no sistema educacional brasileiro e de qual valor nós vamos dispor para custear isso”, argumentou.

A vigência do antigo PNE terminou em dezembro de 2010 e, no momento, não há plano em execução. O impasse em torno do percentual de investimento pode deixar a aprovação para 2012. O texto ainda precisa ser apreciado pelo Senado.

BRASIL CAI EM RANKING DE PROTEÇÃO DO CLIMA DA ONG ALEMÃ GERMANWATCH



DEUTSCHE WELLE

ONGs Germanwatch e CAN Europe divulgam a cada ano lista de 61 países ordenados segundo emissões de gases estufa e efetividade da política climática. Conclusão: nenhum deles faz o suficiente contra o aquecimento global.

A cada ano, em seu Índice de Proteção do Clima, a ONG alemã Germanwatch examina atentamente as políticas climáticas nacionais. Os números atuais foram divulgados nesta terça-feira (06/12) em Durban, durante a Cúpula do Clima da ONU.

O balanço do Índice de Proteção Climática 2012 é bem decepcionante: nenhuma nação do mundo faz o suficiente para restringir o aquecimento global a 2ºC. Assim, as organizações ambientais Germanwatch e Climate Action Network Europe (CAN) deixaram em branco este ano os três primeiros lugares do ranking.

A quarta e, portanto, melhor colocação coube à Suécia. Segundo Wendel Trio, diretor da CAN Europe, o país "se sai relativamente bem, pois apresenta emissões baixas [de CO2 e outros gases-estufa] e uma tendência decrescente". Em quarto e quinto lugar, encontram-se o Reino Unido e a Alemanha, respectivamente.

Christoph Bals, da Germanwatch, diz que a Alemanha melhorou ligeiramente. Isso se deve às novas diretrizes no setor de energia e à presença "de uma dinâmica bem maior no campo das energias renováveis", afirma. "Por outro lado, a Alemanha não está no caminho de uma meta de redução que mantenha o marco dos 2ºC", ressalva.

Para que essa situação mude, os ambientalistas vêm instando os Estados da União Europeia a elevar suas metas de redução para os próximos anos de 20% para 30%.

Altos e baixos

Em contrapartida, o novo país-problema da política climática europeia é a Holanda, que, devido à elevação de suas emissões de CO2, foi rebaixada em 12 colocações no índice. Este considera tanto o volume e a tendência das emissões quanto uma avaliação da política climática nacional.

Também a Croácia, a Polônia e a Turquia caíram no ranking, sobretudo devido a suas más notas no tocante à política. A situação dos Estados Unidos também é ruim. Wendel Trio analisa: "Os EUA encontram-se no 52º lugar, o que é bem perto do fim da lista. Isso não é surpreendente, pois o país continua sendo um dos maiores emissores per capita de gases estufa. Além disso, atualmente não há qualquer instrumento político, no nível federal, para limitar as emissões".

Por outro lado, a Austrália, país com histórico de grande produtor de gases estufa, conseguiu galgar dez colocações, ocupando atualmente a 48ª. O motivo foi o país ter decretado um novo imposto sobre o carvão mineral, apesar de forte resistência.

Brasil e Índia

O Brasil, por sua vez, caiu do quarto e melhor lugar no ranking anterior para o sétimo. Isso se deve ao acréscimo das emissões na produção de energia. A partir do próximo ano, a Germanwatch pretende incluir no índice também as emissões decorrentes do deflorestamento. Até o momento isso não ocorrera por falta de dados.

"Se isso acontecer, então o Brasil vai se sair bem pior. Sobretudo devido às atuais dicussões sobre o novo Código Florestal, que teriam consequências negativas sobre as emissões brasileiras", esclarece Trio.

No entanto a Índia caiu mais ainda do que o Brasil: do 10º para o 23º lugar, devido ao aumento das emissões de CO2. Ainda segundo o diretor da CAN Europe: "Se considerarmos as emissões per capita dos países emergentes, a Índia é a que se sai melhor. Entretanto – assim como nos outros grandes países em desenvolvimento, a tendência das emissões é muito preocupante. Eles acusam índices em rápida ascensão, o que está relacionado ao rápido crescimento econômico".

Os últimos da lista

Bem mais negativo do que o da Índia é o desempenho do maior emergente do mundo, a China, 57º lugar entre as 61 nações examinadas. "A China é estranha, um caso especial. Ela implementa algumas políticas muito boas, como o fomento às energias renováveis, mas ainda não vemos resultados. Suas emissões continuam aumentando", diz Wendel Trio.

O final da lista é ocupado por Arábia Saudita, Cazaquistão e Irã. O diretor da CAN Europe afirma não ser uma surpresa: os países mais "sujos" do mundo não só apresentam altas emissões per capita como "não têm nenhuma norma em vigor para limitar a emissão de gases estufa".

O apelo dos ambientalistas é inequívoco: os países de todo o mundo precisam se esforçar mais caso ainda se pretenda deter o aquecimento global.

Autoria: Johannes Beck (av) - Revisão: Alexandre Schossler

Relatório de Desenvolvimento Humano 2011: Moçambique “à beira do precipício”?




ADELSON RAFAEL – O PAÍS (mz), opinião

Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, “Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos”, realça que a distribuição de renda piorou na maior parte do mundo, e que os países que ocupam as 10 últimas posições no IDH de 2011 são todos da África Sub-sahariana.

Consta que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tem sido publicado anualmente desde o primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano, em 1990, como uma medida alternativa do desenvolvimento nacional, desafiando as avaliações do progresso puramente económicas, como o Produto Interno Bruto (PIB). As classificações do IDH são recalculadas anualmente usando os mais recentes dados internacionalmente comparáveis para a saúde, a educação e o rendimento.

“O objectivo básico do desenvolvimento”, escreveu Mahbub ul Haq no primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano em 1990, “é criar um ambiente favorável em que as pessoas possam gozar vidas longas, saudáveis e criativas”. Vinte e um anos depois, essa visão continua a ter uma forte repercussão. Por isso, “As pessoas são a verdadeira riqueza das nações. Por vezes, esquecemos essa verdade simples. Impressionados pelas subidas e descidas dos rendimentos nacionais (medidas pelo PIB), temos tendência para pôr no mesmo prato o bem-estar humano e a riqueza material. Não se deve subvalorizar a importância da estabilidade e do crescimento do PIB: são ambos essenciais para o progresso humano sustentado, como se torna óbvio nos vários países que sofrem com a sua ausência. Mas o último parâmetro para medir o progresso é a qualidade de vida das pessoas”.

Acompanhando a dinâmica da questão social, o conceito de pobreza foi-se transformando desde o século XIX para o século XX e XXI de mera privação das condições de subsistência a tema central da própria questão social, daí que nos últimos anos estabeleceu-se um consenso em relação ao carácter multidimensional da pobreza. A “Oxford Poverty & Human Development Initiative” em colaboração com as Nações Unidas desenvolveram uma ferramenta de mensuração da pobreza, ao qual fizeram pela primeira vez uso no estudo publicado no mês de Julho de 2010, liderado pelas pesquisadoras Sabina Alkire e Maria Emma Santo, sob título “Acute Multidimensional Poverty: A New Index for Developing Countries”, que retrata o índice de pobreza multidimensional (IPM) em 104 países.

A nova ferramenta, que mudou a percepção que nos habituámos a ter sobre a pobreza, pois substituiu o Índice de Pobreza Humana que era usado desde 1997 e em termos metodológico, o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2010, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apresentou três medidas inovadoras que complementam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tradicional do relatório: o IDH Ajustado à Desigualdade, o Índice de Desigualdade de Género e o Índice de Pobreza Multidimensional, complementado pelo IDH original, o qual, como medida composta de médias nacionais, não reflectia as desigualdades internas.

O Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, “Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos”, realça que a distribuição de renda piorou na maior parte do mundo, e que os países que ocupam as 10 últimas posições no IDH de 2011 são todos da África Sub-sahariana: Guiné, República Centro - Africana, Serra Leoa, Burquina Faso, Libéria, Chade, Moçambique, Burundi, Níger e República Democrática do Congo. Apesar dos progressos recentes, estas nações com IDH baixo ainda padecem de rendimentos inadequados, oportunidades de escolarização limitadas e esperanças de vida muito abaixo das médias mundiais devido, em grande parte, a doenças evitáveis e tratáveis, como a malária e a Sida.

Moçambique é o quarto pior do mundo no índice de desenvolvimento Humano de 2011 das Nações Unidas. Está na posição 184 de um total de 187 países analisados. No ano passado, o país ocupou o lugar 165 de um universo de 169 Estados classificados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A publicação refere que a esperança de vida dos moçambicanos ronda os 50.2 anos, que a população tem somente 1.2 anos de escolaridade média e USD 898 de rendimento per capita para além de ter a pior classificação entre os oito países de língua portuguesa.

Ainda que haja discordância em qual seria a forma mais adequada de mensuração da pobreza, há pouco desacordo acerca da necessidade de se conceber a pobreza como algo além dos rendimentos, além da dimensão monetária, pelo que o índice de pobreza multidimensional aguda, reflecte as privações em termos de serviços essenciais básicos. Tendo em consideração certos pronunciamentos vinculados ao Instituto Nacional de Estatísticas (INE) após a divulgação do relatório, embora profundamente constrangido por limitações de dados ou desactualizados (e não significativos, diga-se em abono da verdade), há que reconhecer que o relatório providencia um arcabouço de informação útil para quem pretende efectuar análise de diferentes privações. Facto que não merece contestação se termos em consideração os últimos estudos nacionais de referência sobre a temática de pobreza.

Não devemos ter a estatística como referência somente quando nos é favorável. A desculpa de “dados desactualizados” não pega e quem o defende ainda não sentiu na pele as consequências de tal aceitação. Pelos vistos, estar privado do progresso humano e ser-se pobre tornou-se aceite desde que sejam “os outros”. É um vírus silencioso caracterizado pelo medo de se ser o próximo numa situação de desespero. Mas será que já não chegámos a esse ponto? Assistir-se à decadência humana nos outros e aceitar-se tal separação é a decadência da humanidade. Ou será preciso irmos todos ao fundo do precipício para se perceber que há necessidade de melhorar a liberdade humana, a dignidade e a intervenção humana, isto é, o papel das pessoas no desenvolvimento?

Diante de um precipício é mais prudente um passo atrás que um em frente. Não que seja um céptico, mas, em qualquer país, a estatística é ferramenta fundamental para que se possa traçar planos sociais e económicos e projectar metas para o futuro. Em face da imensa quantidade de dados e indicadores socioeconómicos e demográficos actualmente recolhidos e analisados pelos diferentes institutos de pesquisa (públicos ou privados), tornou-se inquestionável a importância da ciência estatística nos últimos dois séculos.

Mas que críticas aos dados e metodologia de elaboração do Relatório do Desenvolvimento Humano (que são usados sem discriminação para todos 187 países analisados), há que fazer uso da informação e, duma vez por todas, reconhecer que estatísticas levam à definição de políticas bem sucedidas e possibilitam uma análise pormenorizada de problemas sociais e económicos, por mais complexos que sejam, contribuindo para que as autoridades governamentais seleccionem as melhores medidas e acompanhem os seus efeitos. Moçambique ainda não “bateu no fundo do poço”, embora esteja à beira do precipício, pois continua um país próspero, onde cada dia que passa existe a ténue esperança de se nascer com a certeza de se bem viver. E o resto, o tempo cá estará para comprovar o contrário...