terça-feira, 25 de junho de 2019

Portugal | Centeno, mais um “pendura” à custa das agruras dos portugueses


De vez em quando tendemos a trazer aqui pela manhã o Expresso Curto. Hoje vamos usar este expoente máximo da informação que é atualidade, que mesmo curto toca em muitos temas nacionais e internacionais, assim como em outras variantes na cultura ou no desporto, etc. Se o ler ficará mais conhecedor do que nos rodeia e até obterá esboços de opinião disto ou daquilo.

Tenham um bom dia e sorriam uns para os outros porque o ministro Mário Centeno acha que os portugueses devem estar muito felizes com os resultados positivos do PIB. Para além de lançar umas quantas bacoradas de genuína ignorância sobre a vivência da maioria dos portugueses, que é má financeiramente, que usufruem de serviços públicos péssimos, que morrem e andam doentes porque o SNS está nas lonas, porque os governos costumam ver um Portugal de brandos costumes em que chamam sucesso às misérias vigentes que nos obrigam a passar por inadmissíveis carências. Estamos felizes e sorridentes? Não. Claro que Centeno está a ver o seu umbigo e o seu sucesso nas contas para UE ver e o colocar num dos “tachos” que dá milhões. O que Centeno fez de bem (e fez) está a esboroar-se. Azar nosso, portugueses.

Mais um “pendura” à custa das nossas agruras, esse Centeno. Como tantos outros.

Siga para o Curto, do Expresso. Faça por ter um bom dia, esforce-se por isso e “cara-alegre”, tal qual como a vontade do misto de Salazar-socialista. Esse tal ditador que tinha as contas certinhas e o povo a padecer de fome e completamente miserável, analfabeto, descalço, esfarrapado… Então Portugal era de meia-dúzia de famílias do estilo Mellos, Champalimous e etc. Difíceis de sustentar. Agora são muitos mais e continuamos a sustentá-los e a oferecer-lhes bandejas de milhares de milhões de euros e de impunidades, apesar de roubos descarados que espoliam o erário público.

Felizes?

Redação PG
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Bom dia este é o seu Expresso Curto

Joana Pereira Bastos | Expresso

A bela e o senão

Bom dia,

É mais um marco histórico alcançado por Mário Centeno: no primeiro trimestre deste ano, Portugal conseguiu um excedente orçamental de 0,4%, o que significa que as receitas superaram as despesas em quase 180 milhões de euros, o que nunca tinha acontecido pelo menos nos últimos 20 anos.

O impacto deste feito inédito na imagem externa do país, nomeadamente junto dos mercados, e na consequente redução dos juros da dívida pública é inegável. Daí que o Presidente da República considere que “nenhum português pode deixar de estar satisfeito com estes números”. Mas apesar da satisfação, Marcelo deixou um recado. “É evidente que não há bela sem senão”, ressalvou. E o senão é que ficaram despesas por fazer, sobretudo no sector social. Pode ter sido esse o preço a pagar. “Vamos ver quais os custos que isso teve num ou noutro caso de funcionamento de serviços sociais”, alertou.

A verdade é que o estado em que se encontram vários serviços sociais é, no mínimo, preocupante, com carências graves em sectores básicos e essenciais como a Saúde, que promete ser um dos temas mais quentes da campanha para as legislativas.Só em quatro centros hospitalares faltam, pelo menos, 241 médicos, e as urgências de obstetrícia de algumas das maiores maternidades do país correm mesmo o risco de fechar rotativamente no verão por escassez de profissionais. A Maternidade Alfredo da Costa, por exemplo, só tem anestesistas para cinco dias em agosto. Esta manhã, a Ordem dos Médicos reúne-se com os diretores clínicos das unidades mais afetadas e à tarde com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para analisar a situação, que o bastonário classifica de “caótica”.

O problema é que em Portugal existem 1400 obstetras, mas apenas 850 estão nos hospitais públicos. Centenas trabalham no privado, onde são francamente mais bem pagos. Por isso, o bastonário defende que sejam dados fortes incentivos financeiros para que os clínicos aceitem ficar em exclusividade no SNS. E isso implica despesa.

Já Mário Centeno garante que “nunca tivemos tantos médicos no Serviço Nacional de Saúde, nem tantos enfermeiros”. Em conferência de imprensa ontem no Ministério das Finanças, Centeno assegurou que houve mesmo um reforço de 1600 milhões de euros da despesa na Saúde ao longo da legislatura, sobretudo com a contratação de pessoal, e reiterou que “não há cativações no SNS”. Ainda assim, os hospitais chegam a esperar mais de um ano por autorização para contratar médicos.

É caso para perguntar: de que vale ter dinheiro quando falta saúde?


OUTRAS NOTÍCIAS

Estado dá 6500 euros a emigrantes que voltem para trabalhar. A medida, que faz hoje a manchete do Público, deverá entrar em vigor já no início de julho e destina-se também a luso-descendentes. O Governo orçamentou 10 milhões de euros para apoiar um universo potencial de 1500 pessoas este ano.

Governo responsabiliza utentes pelos atrasos nos cartões de cidadão. É isso mesmo, leu bem. Numa carta enviada ao Parlamento, a secretária de Estado da Justiça explicou que os elevados tempos de espera para a renovação do documento têm a ver não apenas com o aumento da procura provocado pelas novas regras da lei da nacionalidade e do Brexit, mas também com o facto de os cidadãos terem o hábito de se dirigirem sistematicamente aos serviços antes de estes abrirem ao público. Nota-se que a secretária de Estado não costuma ir a uma Loja do Cidadão. Se fosse, saberia que ir antes da abertura é a única possibilidade de conseguir senha. Também neste caso, a falta de profissionais é mais do que notória.

Eanes denuncia “epidemia de corrupção”. Numa conferência em Lisboa, o antigo Presidente da República defendeu uma reforma do sistema eleitoral e da Administração Pública, que diz estar “colonizada” pelos partidos do arco do poder, com “os critérios do saber, da competência e do mérito” a serem, por vezes, substituídos “pela fidelidade partidária”.

Guerra entre PS e Bloco sobe de tom. Em descolagem acelerada da geringonça, o líder parlamentar do PS, Carlos César, diz que as maiorias para aprovar um conjunto de leis no final desta legislatura - entre elas a Lei de Bases da Saúde - podem ser feitas com todos os partidos e avisa que “o Bloco não manda no país”.

Mulheres em lugares de chefia duplicaram. Num ano, a representação de mulheres nos conselhos de administração e órgãos de fiscalização do sector empresarial público e das empresas cotadas em bolsa subiu de 16,2% para 24,8% graças à imposição de quotas.

Presidente do São Carlos demite-se. Antes de a casa vir abaixo, Carlos Vargas apresentou a sua demissão do cargo de presidente do Conselho de Administração do Opart, que dirige o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, cujos funcionários iniciaram este mês uma série de greves que vão prolongar-se em julho para exigir aumentos salariais. O Ministério da Cultura agendou para hoje uma reunião com os trabalhadores para tentar “encontrar soluções” para o braço de ferro.

Lá fora

Trump impõe novas sanções ao Irão. Em plena escalada de tensão entre os dois países, o Presidente dos EUA assinou um decreto que impõe sanções "duras" ao Irão, justificando a medida com "uma série de comportamentos agressivos por parte do regime iraniano no decurso das últimas semanas, incluindo a destruição de um drone americano”. O objetivo de Washington é fazer com que as exportações iranianas de petróleo "estejam o mais próximo possível do zero" ainda em 2019. O Irão desvaloriza e afirma que as sanções não terão resultado.

Erdogan perde monopólio. A mobilização da oposição em torno de um candidato carismático, o voto útil dos curdos e a transferência de votos nacionalistas e do próprio partido governamental deram a vitória a Ekrem Imamoglu na maior cidade da Turquia. Pode ser o princípio do fim do reinado do “califa” Erdogan, que tinha entrado na política de forma fulgurante ao conquistar precisamente Istambul, há um quarto de século.

Boris Johnson reconhece que precisa da UE. O candidato favorito à liderança do Partido Conservador e à chefia do próximo governo do Reino Unido admite que precisará da cooperação da União Europeia para evitar a reposição da fronteira irlandesa ou de pesadas tarifas comerciais no caso de um Brexit sem acordo, mas não acredita que isso vá acontecer.

Somam-se as mortes de turistas em resorts da República Dominicana. Num misterioso caso que faz lembrar os romances de Agatha Christie, nos últimos meses pelo menos 19 cidadãos americanos morreram repentinamente enquanto estavam alojados em hotéis de luxo na República Dominicana. O FBI já mandou uma equipa para o país para investigar os casos e coloca a hipótese de estarem a ser servidas aos turistas bebidas alcoólicas adulteradas.

FRASES

"Os critérios do saber, da competência e do mérito foram, por vezes, substituídos pela fidelidade partidária (…) Aqui radica em muito a epidemia da corrupção que grassa na sociedade portuguesa",
Ramalho Eanes, antigo presidente da República

“O Bloco de Esquerda não manda na Assembleia da República, nem manda no país”,
Carlos César, líder parlamentar do PS

“Não se pode deixar de dar nota que os atrasos também são o resultado de um fenómeno próprio e específico da procura que tem a ver com o facto de a generalidade dos cidadãos optar, sistematicamente, por se dirigir aos mesmos serviços, à mesma hora – antes da abertura do atendimento ao público”,
Secretária de Estado da Justiça numa carta enviada ao Parlamento sobre os elevados tempos de espera na renovação do Cartão do Cidadão

O QUE ANDO A LER

Todos os dias, em todo o mundo, há jornalistas que são ameaçados, presos, perseguidos ou mortos por investigarem histórias que interesses obscuros – grupos ligados ao crime organizado, empresas corruptas ou governos desonestos - não querem que sejam contadas. Só no ano passado, 94 repórteres perderam a vida e muitos mais foram intimidados ou detidos. A revista "Time" chamou-lhes “guardiães da verdade” e elegeu-os Figura do Ano em 2018.

No ano passado, um consórcio de jornalistas de vários países juntou-se para terminar uma investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro em Malta deixada a meio pela jornalista Daphne Galizia, assassinada no final de 2017 com uma bomba plantada no carro em que seguia. O projeto, entretanto batizado de Forbiden Stories, evoluiu para outras investigações de repórteres presos ou mortos, nomeadamente quando tentavam denunciar atentados ambientais cometidos em lugares remotos contra a natureza e as populações locais por multinacionais que exportam para o mundo ocidental produtos que compramos no dia a dia.

O Expresso associou-se a este projeto e juntou-se a alguns dos melhores jornais do mundo, como o Le Monde, o El Pais ou o The Guardian para fazer passar uma mensagem simples: podem silenciar os jornalistas, mas não conseguirão silenciar as histórias porque outros surgirão para as contar. Foi assim que o Micael Pereira, que assina algum do melhor jornalismo de investigação que se faz em Portugal, partiu para a Guatemala para dar continuidade ao trabalho de dois repórteres locais perseguidos e presos.

Tudo começou quando uma grande mancha vermelha no maior lago do país levou os pescadores a protestar contra uma misteriosa mina de níquel. Quando um deles foi assassinado pela polícia durante uma manifestação, um juiz mandou prender os jornalistas que tinham testemunhado o crime. “Morte no Lago” é o título do longo artigo publicado no passado sábado na revista do Expresso que não pode deixar de ler.

Por hoje é tudo. Tenha uma ótima terça-feira com o Expresso, a Tribuna, a Blitz e o Vida Extra

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