segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Angola | Os livros gratuitos, o Estado e as famílias


Jornal de Angola | editorial

Recebemos com satisfação a notícia de que os alunos do ensino pré-escolar, primário e especial vão receber até Março livros gratuitamente, de acordo com o número de disciplinas.

A notícia foi transmitida, de viva voz, sexta-feira última, pelo secretário de Estado para o Ensino Pré-Escolar, Pacheco Francisco, pelo que temos razões para acreditar que o processo de distribuição gratuita de livros vai desta vez ser eficiente, ao contrário de anos anteriores, em que os encarregados de educação tinham de comprá-los no mercado informal.

As garantias dadas pelo secretário de Estado para o Ensino Pré-Escolar, a concretizar-se, vão fazer com que seja menos penosa a vida de encarregados de educação que em muitos casos tinham de se endividar para comprar livros no mercado paralelo para os seus filhos ou educandos.

A distribuição gratuita de livros por muitos milhares de alunos é na verdade uma acção relevante do Estado, tendo em conta a situação de grave crise económica e financeira que atravessamos e que está a afectar muitas famílias em todo o território nacional.

Há famílias com baixos rendimentos, que só permitem satisfazer necessidades básicas , como a alimentação. É oportuna nesta fase de crise económica e financeira a intervenção do Estado para acudir a problemas sociais de camadas da população muito pobres.

Os problemas das famílias repercutem-se inevitavelmente nas crianças, sendo dever do Estado tomar as medidas necessárias para que, ao nível da Educação, os menores em idade escolar não tenham grandes dificuldades no seu processo de aprendizagem.

O secretário de Estado para o Ensino Pré-Escolar foi claro, ao afirmar que neste ano lectivo existem livros suficientes parta cobrir todas as instituições de ensino primário, públicas e privadas, em todo o território nacional, independentemente das condições geográficas.

Pode-se deduzir das palavras de Pacheco Francisco que o Estado está disposto a tudo fazer para que os livros cheguem a todas as crianças de Angola. Para tanto, é preciso que se criem os mecanismos eficientes para neutralizar os desvios dos livros destinados à distribuição gratuita para o mercado informal.

Não basta haver boas intenções de se levar os livros a todos os alunos do ensino pré-escolar, primário e especial. É necessário que haja capacidade organizativa para assegurar que os livros cheguem a quem deles precisa. O país tem mais de cento e cinquenta municípios, e calcula-se que as operações de distribuição gratuita de livros venham a exigir elevados esforços em termos de meios humanos e materiais.

Estamos esperançados de que o ano lectivo de 2020 será melhor do que os anteriores ao nível do acesso gratuito dos alunos aos livros. Vale a pena recordar uma vez mais a célebre frase segundo a qual "um país faz-se com homens e livros".
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Leia em Página Global sobre o negócio dos livros escolares e a corrupção, tema que o nosso colaborador António Jorge tem vindo a alertar há vários anos no Página Global e no Facebook. Que pelo visto agora vem a público no Jornal de Angola com toda a pertinência.

Leia em Página Global, opinião de Filomeno Manaças, do Jornal de Angola, sobre o escândalo e agora o empenho na sua resolução. Algo que desde 2014 o nosso colaborador António Jorge vem denunciando no PG e no Facebook Angola | O negócio dos livros escolares

Alguns títulos publicados em PG, por António Jorge:

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