domingo, 6 de outubro de 2019

REVITALIZAR O TECIDO PATRIÓTICO ANGOLANO



Por ocasião do assinalar do 2º ano do corrente mandato do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço. (http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/pr-considera-legitima-reivindicacao-de-cidadaos)

Pequena nota prévia:
Todos os que lerem este conteúdo devem preocupar-se em abrir os links que sugiro para uma melhor percepção das questões que levanto!

O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, ensaiou o balanço de dois anos de mandato com um espírito de abertura que não só deve cativar todos os angolanos, mas também e sobretudo mobilizá-los e incentivá-los nas suas capacidades de reconhecimento identitário próprio (individual e colectivamente), de reconhecimento da história de Angola e de África, de reconhecimento sobre o imenso que há que realizar nos termos de resgate e luta contra um subdesenvolvimento que advém de múltiplas razões, entre elas as de raiz histórica, as de raiz antropológica e as de raiz sociológica.

Angola deve-se redescobrir a si própria na rica trilha do movimento de libertação em África, numa carga mental construtiva capaz de revitalizar o seu próprio tecido humano em prol da identidade patriótica que é possível cultivar em pleno século XXI.




Identificar os contraditórios, assumir opções, tomar decisões e torná-las coerentes e consequentes é por si, em função dos paradigmas de revitalização, um acto de coragem ética, moral, histórica e cívica, particularmente quando as questões de identidade que foi vida e é vida, foram atiradas deliberadamente para as urtigas do “mercado” durante tantos anos, ou mesmo décadas, tornando efectivo o fim da história, conforme Milton Friedman!

Atirar para as urtigas a rica história do movimento de libertação em África, é por razões tão óbvias quão evidentes, um dos objectivos maiores da guerra psicológica de amplos recursos e meios do império da hegemonia unipolar e cabe aos patriotas angolanos que seguem a trilha do movimento de libertação em África, impedir que isso possa a acontecer por via de assimilações e formatações mentais, ainda que suas vidas, durante mais de 30 anos, tivessem sido como se de “mambises” deste lado do mar se tratassem! (https://www.ecured.cu/Mambises).

A via dominante está a utilizar, duma forma ou de outra e em “ementas” de “geometria variável”, já há mais de um século a esta parte (desde a Emenda Platt em Cuba, a 28 de Fevereiro de 1901), nas duas margens do Atlântico, a experiência de “licenciamento dos rebeldes” para substituir sua vocação pela “terapia” de sua conveniência, neste caso em pleno século XXI, a terapia capitalista neoliberal! (http://pt.granma.cu/cuba/2016-03-10/a-emenda-platt-e-a-deslealdade-de-estrada-palma-completam-113-anos).

Emenda Platt e Acordo de Bicesse, com as apreciações temporais e conjunturais distintas em função da história, da antropologia cultural e da sociologia, funcionaram no mesmo sentido e com similares objectivos! (http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-91992016000200008).

1- Durante décadas e particularmente em consequência de Bicesse a 31 de Maio de 1991, uma parte substancial da Comunidade de Inteligência e Segurança em Angola foi deliberadamente tornada “zombi”, como se em finais do século XX e nas primeiras décadas do século XXI, fosse possível reeditar a trajectória dos “mambises” conforme ao seu “licenciamento” no outro lado do mar, conforme aconteceu nos alvores da luta pela independência e soberania em Cuba na passagem do século XIX para o século XX! (http://paginaglobal.blogspot.com/2014/12/uma-fruta-que-nao-caiu-ii.html). 


Alguns milhares de efectivos desactivados da então Segurança do Estado, estão na base da existência da Associação Para Apoio e Reinserção, ASPAR, o que evitou a sua completa marginalização, mas em função do carácter do poder particularmente após 2002, um poder já inebriado com a terapia neoliberal, foi ficando “em banho-maria”, sem vislumbre de qualquer tipo de “licenciamento” até ao momento da ascensão ao poder do terceiro Presidente da República de Angola!... (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/10/angola-combater-pobreza-nas-proprias.html).

A pretexto de se acabar com um estado de partido único e implantar a democracia, duma assentada inibiu-se ou volatilizou-se a Segurança do Estado, condenou-se ao completo apagão o Partido do Trabalho que dera sequência ao MPLA, precisamente o MPLA que conseguira realizar o Programa Mínimo e, por fim, deu-se a machadada final nas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, as “gloriosas FAPLA” que foram decisivas na Proclamação da Independência e na vitória sobre o “apartheid”! (https://paginaglobal.blogspot.com/2014/09/desbravando-logica-com-sentido-de-vida.html).

Toda a nova reconfiguração de Angola, por outro lado, passou a ser uma camaleónica redundante que foi buscar ao exterior por via da osmose de “novos” (?) aliados e alianças, desde elementos de reinterpretação ao Exercício ALCORA até ao “spinolismo” (elementos doutrinários, filosóficos e ideológicos expressos pela primeira vez em “Portugal e o futuro”), baralhando cartas, dando de novo e estabelecendo uma outra etapa para os “jogos africanos” num quadro de democracia representativa aberta por umaglobalização de pendor hegemónico e unipolar a que, na época, só faltava a formação do projecto de burguesia angolana, preâmbulo duma nova oligarquia para Angola! (https://paginaglobal.blogspot.com/2016/04/cinco-anos-de-contra-revolucao.html).

É na extensão dessa conduta que se está agora a proceder ao “licenciamento” duma parte significativa da Comunidade de Inteligência e Segurança do Estado, para que no mínimo deixem de haver “zombis”, “mambises” tornados “zombis” deste lado do Atlântico, pouco mais de 100 anos depois dos originais! (http://paginaglobal.blogspot.com/2017/02/angola-provas-de-vida-nao-reconhecidas.html).


2- Em relação ao Acordo de Bicesse, o choque neoliberal protagonizado por Savimbi, foi imediatamente a seguir um factor de aparente contrariedade e mesmo alguns “mambises angolanos” face ao desespero da causa governamental, acabaram por contribuir na defesa por exemplo do Kuito, capital do Bié (http://paginaglobal.blogspot.com/2011/07/tripla-fronteira.html) e, como eu próprio, em apoios aos organismos de Segurança do Estado e estado-Maior das FAA, recém-inauguradas, praticamente a custo zero! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/em-angola-ha-20-anos-i.html;  http://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/em-angola-ha-20-anos-ii.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2018/11/em-angola-ha-20-anos-iii.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2018/12/em-angola-ha-20-anos-iv.html).


Ao pecar por tardio, o “licenciamento” em curso em todo o espaço nacional, (este mês começaram a ser pagas as primeiras pensões dando sequência à constituição e organização duma Caixa de Previdência Social), não faz esquecer os que entretanto foram desaparecendo por que, muitos deles foram atirados para uma marginalidade com pesadas consequências e por isso, vai um meu muito comedido reconhecimento para aqueles que tornaram-no possível, na sequência do reconhecimento da Comunidade de Inteligência e Segurança que se quer una, coesae historicamente consequente! (http://litoralcentro-comunicacaoeimagem.pt/2016/07/01/angola-honrar-memoria-dos-herois/http://paginaglobal.blogspot.com/2017/02/angola-todos-os-saiagos-do-meu-pais.html;  https://paginaglobal.blogspot.com/2017/03/angola-uma-constante-luta-pela-vida.htmlhttps://paginaglobal.blogspot.com/2019/06/angola-das-arvores-que-morrem-de-pe.html).

As medidas que em relação a essa comunidade foram decididas pelo terceiro Presidente da República de Angola e estão a ser tomadas, conforme os indicadores de seu próprio curso que acompanha os dois anos do exercício do novo poder, poderão vir a comportar um aproveitamento mobilizador, com extensões revitalizadoras por dentro do carácter do MPLA e do próprio estado angolano, pois há vocações em direcção ao presente e ao futuro a não menosprezar por parte daqueles que, mesmo nas prolongadas situações que foram obrigados a viver, são os patriotas capazes de, sem alienações, nem ilusões, lutar pela lógica com sentido de vida, honrando o passado e a nossa história! (http://paginaglobal.blogspot.com/2018/04/angola-construir-paz-social.html).


É portanto também importante o esforço de conhecer a história da comunidade não só dos últimos 50 anos, que passa pela vida de seus autores, mas também reconhecer o seu significado nos termos da história contemporânea de Angola, das regiões circunvizinhas, de África e do Não Alinhamento activo, num quadro dos relacionamentos Sul-Sul e Sul-Norte! (http://paginaglobal.blogspot.com/2012/01/alternativa-do-renascimento-africano.html).

Neste momento e em simultâneo ao esforço de se balancear a história, deve-se levar a cabo um exaustivo estudo da presente conjuntura, indispensável para se definir a doutrina, a filosofia e a ideologia patriótica que deve a todos e a todas as sensibilidades galvanizar, a fim de vencer o pesado subdesenvolvimento crónico que advém do passado! (https://frenteantiimperialista.org/blog/2019/01/07/africa-dilecto-alvo-neocolonial/).

Está em causa um Programa Maior que dê sequência à lógica com sentido de vida fundamentado na trajectória do movimento de libertação em África! (https://paginaglobal.blogspot.com/2018/09/o-primeiro-comandante-em-chefe-de.html).

Martinho Júnior -- Luanda, 3 de Outubro de 2019

Imagens:
01- Intervenção na 74ª Assembleia Geral da ONU, do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, a 26 de Setembro de 2019;
02- Encontro ao Mais Alto Nível Cuba-Angola: a lógica com sentido de vida experiência da revolução cubana e do movimento de libertação em África, continua imprescindível;
03- A Emenda Platt, assinada a 28 de Fevereiro de 1901, ditou a sorte dos combatentes “mambises” da independência de Cuba;
04- O Acordo de Bicesse, ditou a sorte, durante mais de 28 anos, duma parte significativa da Comunidade de Inteligência e Segurança de Angola, tal e qual a experiência dos “mambises” em Cuba;
05- Assembleia Provincial de Antigos Combatentes integrantes da ASPAR, no Namibe, ocorrida a 12 de Setembro de 2019, por uma Comunidade de Inteligência e Segurança de Angola, pró-activa, lúcida, mobilizada e vocacionada a dar sequência à lógica com sentido de vida inerente à experiência do movimento de libertação em África.

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