sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Portugal. MARCELO NÃO ESTÁ A DAR A MÃO À DIREITA. E DEPOIS?



Ana Sá Lopes – jornal i, opinião

É natural que a direita se sinta incomodada com a maneira como Marcelo Rebelo de Sousa, o seu único candidato presidencial, se vai abrigando dos pingos da chuva bipolarizadora dos últimos tempos. Em nenhuma das (poucas) intervenções que fez sobre o impasse em curso Marcelo Rebelo de Sousa arriscou “dar a mão” à direita. Nem defendendo eleições a curto prazo (antes pelo contrário, disse que o país não suportava a realização de eleições de seis em seis meses), nem terçando armas pela legitimidade da formação de um governo PSD/CDS mesmo sem apoio parlamentar, nem sequer criticando minimamente o acordo alcançado à esquerda para que o PS venha a formar governo.

Mais uma vez, ontem, em Bruxelas, Marcelo deu a mão a António Costa, criticando a possibilidade de Cavaco manter Passos Coelho em gestão. 

Alguma direita começa a ficar nervosa. Num momento-chave em que a bipolarização esquerda-direita está viva como não estava há décadas, o seu candidato presidencial mantém--se rigorosamente ao centro, sem um milímetro de compreensão pela fúria que grassa pelo PSD e CDS.

Mas podia ser de outra maneira? Não. Marcelo Rebelo de Sousa quer ganhar as eleições presidenciais. E para ganhar as presidenciais, não lhe basta o reduto dos 38% de eleitores da coligação PSD/CDS que se identificam neste momento com as dores do governo derrubado no parlamento. Desde o início que a estratégia de Marcelo Rebelo de Sousa foi ser eleito pelo centro. Independentemente da sua filiação partidária, do seu currículo político de ex-líder do PSD, Marcelo congrega simpatias que vão muito para além da direita. Se neste momento Marcelo se colocasse como um esteio do PSD/CDS na corrida a Belém, perdia as eleições. 

É verdade que, como já vários militantes da direita disseram, Marcelo se arrisca a voltar costas ao seu eleitorado natural. Mas será assim? Na hora da verdade, a direita é sempre pragmática. E a irritação deste momento não dura até Janeiro.

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