segunda-feira, 2 de Maio de 2011

BARACK OBAMA PONDERA DIVULGAR FOTOGRAFIAS DO CADÁVER DE BIN LADEN




INFORPRESS - LUSA

Washington, 02 mai (Inforpress) – A Presidência dos Estados Unidos (EUA) está a ponderar a divulgação das fotografias do cadáver do líder da Al-Qaida, Usama Bin Laden, morto pelas tropas especiais norte-americanas nos arredores de Islamabad, noticia a Efe.

O assessor presidencial para o combate anti-terrorista, John Brennan, afirmou hoje, durante uma conferência de imprensa: “só decorreram 24 horas e já divulgámos muita informação”.

“Queremos partilhar toda a informação necessária para os EUA e o mundo possam entender o que se passou”, disse, acrescentando: “O que não queremos é pôr em perigo um sucesso tão grande, como o desta operação, na próxima vez que queiramos capturar outro” dirigente terrorista.

Até ao momento, os EUA não difundiram imagens do corpo do seu inimigo público número 1.

Alguns meios paquistaneses divulgaram imagens dos supostos restos mortais de Bin Laden, que se apurou serem falsas, depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, ter anunciado na noite passada a morte do líder da Al-Qaida.

Bin Laden morreu durante um tiroteio, quando um comando norte-americano entrou na residência onde se ocultava, na cidade paquistanesa de Abbottabad, nos arredores de Islamabad.

Morreram ainda três homens, entre os quais presumivelmente um dos seus filhos adultos, um dos seus ‘correios’ de confiança e o irmão deste, bem como uma das esposas de Bin Laden, usada como escudo humano quando começou o tiroteio.

Os militares apoderaram-se do corpo do terrorista, que foi enviado para o porta-aviões norte-americano Carl Vinson, no Golfo Arábico.

Aí, o corpo foi preparado segundo os ritos islâmicos e às 07:00 de Lisboa, como indicou um alto funcionário do Pentágono, foi sepultado no mar.

Esta opção foi tomada para evitar que o seu túmulo se transformasse num centro de peregrinação para extremistas, bem como devido à dificuldade de encontrar um país que quisesse receber o corpo, adiantou o responsável.

Antes de o corpo ser lançado ao mar, especialistas da CIA e do Departamento da Defesa compararam o corpo com fotografias de Bin Laden para determinar a sua identidade com segurança.

Para mais, provas do ADN comparadas com a de outros membros da família de Bin Laden garantem a “99,9 por cento” que se trata do líder da Al-Qaida.

O mesmo alto funcionário disse ainda que, se restassem dúvidas, a esposa de Bin Laden o identificou pelo nome quando os militares norte-americanos estavam na residência.

Cabo Verde: AFINAL EXISTE POBREZA




GILSON PEREIRA - LIBERAL

Os políticos fazem-nos crer que está tudo bem, alguns exaltam que somos um país de rendimento médio, mas eu pergunto onde está a mediana, e a que distância fica dos cantos? Será que esta entrevista também comoveu os responsáveis políticos? Será que ainda não chegou a hora de vermos a real situação do país e trabalharmos como deve ser? Será que essas pessoas não têm o direito de sentir o que realmente é rendimento médio?

Algum tempo atrás pude ver uma notícia sobre entrega de casas por parte da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago às famílias em Porto Mosquito, onde uma beneficiada disse “ami nunka n’ka anda na azuleju, hoji n’ta xinta na sanita”. Estava ela a referir-se do “luxo” que a câmara lhe entregara. Na altura achei isto uma autêntica comédia. Sempre que esta câmara faz qualquer coisa nas localidades do município, as entrevistas às populações são sempre casos de risos.

Mas desta última vez foi ao contrário. Eram 22h e qualquer coisa (hora de Londres), estava eu sentado na biblioteca da London School of Economics, à frente de algumas pessoas, com alguma variedade de nacionalidade, e tinha aberto o site da RTC e, encontrava-me a ver o Jornal Nacional. De repente aparece a notícia sobre a entrega de casas em Pico Leão, mais uma vez pela CMRGS.

Sem conseguir conter as lágrimas, os que estavam à minha frente não deixaram de ver-me a enxugá-las. Devem ter pensado, um homem preto afinal também chora. Mas afinal o que causou esta situação? Uma simples entrevista. Uma senhora já de idade descreve a situação em que se encontrava a sua casa. Diariamente preocupava-se com o derrocar do tecto mesmo durante o sono. Quando chove, não tem por onde ir, porque tudo e por todo o lado fica encharcado. Não pude ficar indiferente perante esta situação. A emoção do falar desta senhora levou-me a ver que afinal existe pobreza no meu país para além da minha imaginação. E pior é que ela está bem perto de mim.

Os políticos fazem-nos crer que está tudo bem, alguns exaltam que somos um país de rendimento médio, mas eu pergunto onde está a mediana, e a que distância fica dos cantos? Será que esta entrevista também comoveu os responsáveis políticos? Será que ainda não chegou a hora de vermos a real situação do país e trabalharmos como deve ser? Será que essas pessoas não têm o direito de sentir o que realmente é rendimento médio?

Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, apenas vos suplico que continuem a trabalhar para a dignidade das famílias deste município, e as outras câmaras que façam o mesmo nos seus municípios. Ao Governo apenas suplico que não deixe as câmaras sozinhas.

*Texto de Gilson Pina - Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, apenas vos suplico que continuem a trabalhar para a dignidade das famílias

Cabo Verde: O ANIMAL MACHISTA…




ANTÓNIO ALTE PINHO - LIBERAL

Pertenço a uma geração que começou a ter um novo olhar sobre a condição da mulher. É uma geração muito peculiar. Era adolescente quando os movimentos de contestação à ditadura em Portugal começaram a ultrapassar os muros altos das grandes universidades, as fronteiras apertadas da classe operária urbana e passaram a entrar, como velha toupeira, pelas escolas secundárias adentro, envolvendo os jovens e as jovens na discussão sobre o ensino democrático e na contestação à guerra colonial. Não era de admirar: o regime fascista rebentava pelas costuras envolto nas suas insanáveis contradições, o país era cada vez mais adverso à cultura autoritária e à lógica da segurança vigiada, e a minha geração – factor não menos relevante – seria a próxima a perder sangue e vidas nas matas da Guiné, de Angola ou Moçambique.

As raparigas e os rapazes do meu tempo começaram a vivenciar um novo estilo de vida. A distribuição clandestina de propaganda, por exemplo, não escolhia género, a decisão sobre outras tarefas também não. E, aos poucos, caiu em desuso essa ideia de se “pedir” namoro a alguém. Os rapazes e as raparigas, simplesmente, “andavam juntos”. Que – no início ainda de forma meio inconsciente – queria dizer: partilhamos as nossas vidas, lado a lado! Logo a seguir, o movimento dos capitães fez o resto: em 25 de Abril de 1974 Portugal parecia uma imensa panela de pressão que, saturada de ser contida à força, explodia vivificadora.

As mulheres tiveram em todo o processo um papel relevantíssimo e, juntamente com os homens, meteram mãos à obra para varrer o lixo da ditadura e construir chão novo de liberdade, paz e democracia. Mas já em gerações anteriores à minha, dezenas de mulheres europeias ou africanas, tiveram importante papel nas lutas pela libertação dos nossos povos. Quando se fala, por exemplo, em “presos políticos” deveria dizer-se com toda a legitimidade “presas e presos políticos”, tal a quantidade e capacidade de resistência das mulheres europeias e africanas que lutaram corajosa e abnegadamente contra a ditadura e o colonialismo.

Ao contrário do papel de menoridade que as sociedades machistas sempre cultivaram, muitas vezes mascarado de “protecção”, as mulheres são hoje, pelo menos na maior parte dos países ocidentais, maioria nas universidades e a maior percentagem em matéria de qualificações, embora a correspondência destas em postos de chefia não traduza esta realidade incontestável. O que é uma pena – e é criminoso!

Nas nossas sociedades, o papel da mulher continua a ser subestimado e os homens, até mesmo os mais “progressistas”, são apanhados na curva lodosa de milénios de alarvidade machista e insanidade preconceituosa. Ainda não perceberam que, perseverando nesse rumo, de homens não têm nada. Podem ter, isso sim, a ilusão efémera do poder ou a diarreia mental de propriedade.

Regressado a Cabo Verde – apesar dos incitamentos para que não saísse da minha terra e fosse debitar para outra tribuna -, foi-me contada uma história que ilustra bem de que modo essa visão retrógrada sobre a mulher pode levar a ocorrências trágicas. Um jovem, insatisfeito com a recusa da namorada em manter a relação – não por ter arranjado outra paixão mas por estar farta de o aturar -, resolveu matá-la à facada e, não satisfeito, assassinou também a irmã dela. Porquê a irmã? Quereria vingar-se, assim, de todas as mulheres?

Acto de loucura momentânea? Seguramente será essa a alegação da defesa… Mas a verdade é que o gesto criminoso encerra em si um problema maior: a cultura obscurantista que domina a mente do homem médio que, resultante de uma educação secular de preconceitos e lugares comuns, vê a mulher como a serva fiel, o objecto do seu desejo e a depositária de todas as suas frustrações e recalcamentos – e não a companheira para, lado a lado, percorrerem uma vida comum.

Todos os homens são assim? Seguramente que não, mas não é por acaso que – como é sabido – boa parte dos homens cabo-verdianos se dedicam, ao longo de uma vida, a fazer filhos de ilha em ilha e, não raras vezes, de continente em continente - e na maior parte dos casos deixam os frutos de amores ocasionais entregues ao cuidado das mães e avós. Não se interessam pela educação dos filhos, não contribuem para o seu sustento e, também não raras vezes, só regressam para fazer mais filhos e/ou para serem “muito homens” a seviciar e espancar as mães das crianças.

A violência doméstica é um problema em todo o mundo, não é só uma doença cabo-verdiana. Porém, esta apetência para a cobrição inter-lhas ou inter-continental é uma realidade específica de Cabo Verde que, não sendo cuidada a tempo, poderá vir a constituir problemas insanáveis para uma sociedade que começa a emergir como órfã de pais vivos.

O ser humano tem uma característica única no universo animal: é o macho que escolhe [ou pensa escolher] a fêmea, remetendo-a a um papel subalterno. No resto do reino animal são as fêmeas que escolhem o macho e são elas a ter o papel dominante. Embora, em muitos casos, pareça haver na sociedade cabo-verdiana essa predominância feminina, se percorrermos as ruas e olharmos com a atenção de quem vê, são as mulheres que ganham suado o sustento dos filhos, inventando pequenos negócios, para além do trabalho doméstico, enquanto boa parte dos homens se arrastam pelas ruas remoendo inúteis os efeitos “inspiradores” do último grogue e, cobardemente, magicando a próxima tareia que, de algum modo, possa colmatar a sua insegurança e as suas frustrações.

**ANTÓNIO ALTE PINHO, jornalista, privado.apinho@gmail.com

Angola: MPLA CONTINUA A PRODUZIR “PROMESSAS POR CUMPRIR” - historiador




EL - LUSA

Lisboa, 02 mai (Lusa) -- O IV Congresso Extraordinário do MPLA, partido no poder em Angola, que decorreu em Luanda nos dias 29 e 30 de abril, "não apresentou qualquer surpresa, mas sim promessas por cumprir", disseram à Lusa observadores angolanos do evento.

Para o historiador angolano Carlos Pacheco os discursos proferidos durante os dois dias de trabalhos e as conclusões do congresso representam uma "oratória" que não o surpreende.

"É um discurso que já conheço há muitos anos, que se repete, congresso após congresso, e que já vem do tempo do (primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto). É um discurso que está embutido, que serve para tudo, para todos os conclaves, maiores ou menores. São sempre promessas que depois não se concretizam", sentenciou.

Autor de vários estudos publicados sobre os primórdios da luta armada em Angola e sobre o processo colonial, Carlos Pacheco criticou, sobretudo, no discurso que o presidente do partido, José Eduardo dos Santos, fez na abertura, a referência à alegada ingerência das potências industrializadas ocidentais nos assuntos internos africanos, para acederem facilmente às matérias-primas.

"Esta tendência não é neo-colonialista. Já está desenhada há muito tempo, sustentada, ajudada pelos poderes instalados em praticamente todos os países africanos, e eu diria que em Angola também", defende.

Para Carlos Pacheco em Angola "vigora uma situação neo-colonialista na medida em que os homens que integram a estrutura do poder têm sido permissivos exatamente a estas entradas abusivas, arbitrárias, selváticas do capital internacional, porque estão a beneficiar destas ofensivas", acentuou.

Fortemente critico do regime instituído em Angola, Carlos Pacheco frisa que o que existe é uma "cleptocracia interna coligada com a cleptocracia internacional", e destaca não conhecer "nenhum perfil nacionalista nas políticas do regime de Luanda".

"Há um propósito claro do regime em impor a sua força, de reforçar a sua hegemonia. Eu não acredito nestes homens, não acredito naquela gente", sublinhou.

A Lusa solicitou igualmente a Massilon Chindombe e Carbono Casimiro, dois dos "rappers" mais populares de Angola e que juntamente com outros jovens organizaram, no passado dia 02 de abril, em Luanda uma manifestação em que se exigiu liberdade de expressão e o fim dos 32 anos de poder de José Eduardo dos Santos, a opinião sobre as conclusões do congresso do MPLA.

Contactados telefonicamente a partir de Lisboa, quer Carbono Casimiro, quer Massilon Chindombe, disseram não terem ficado surpreendidos, nem com os discursos nem com as conclusões.

"A reunião correu da forma como esperava que corresse. Não tem nada de diferente. Nada demais. Eu podia dizer que foi uma espécie de campanha eleitoral, prevendo já as eleições em 2012", salientou Massilon Chindombe.

O teor dos discursos, aliás, remete para o passado.

"É sempre assim. Na véspera das últimas eleições também foi assim: tentar convencer o maior número de eleitores", afirmou.

Para Carbono Casimiro, o congresso do MPLA "foi um exercício de demagogia".

"Tudo aquilo que foi dito pela maior democratização, na verdade, na prática, não se veem esforços para isso. Já alguém disse que a política do MPLA é prometer. Acho que eles se especializaram em prometer. Estamos cansados de promessas, há mais de 30 anos", concluiu.

Gusmão reeleito presidente do CNRT em congresso de consolidação do partido




MSO – LUSA

Díli, 02 mai (Lusa) -- Xanana Gusmão foi reeleito hoje presidente do CNRT, o partido que fundou em Timor-Leste, tendo figurado como candidato ao cargo nas duas listas concorrentes votadas no II Congresso Nacional do partido.

Além do presidente do partido, as duas listas apresentaram outros nomes comuns, ainda que num caso ou noutro para cargos diferentes, ou por outra ordem.

Assim, Dionísio Babo, um dos nomes comuns às duas listas, foi reeleito secretário-geral, tal como Mau-Hunu, Virgílio Smith e Bilou-Mau, para as vice-presidências.

Mas foi só nas pessoas propostas para as vice-presidências que as duas listas diferiram.

No que se refere às cinco vice-presidências do CNRT (Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste), a lista A propôs, além de Mau-Hunu, Virgílio Smith e Bilou-Mau (este na quarta posição), também Francisco Kalibuadi e Arão Noé.

Já a lista B, além dos três primeiros nomes comuns, incluiu Eduardo Barreto "Dusae" e Januário Pereira.

No que respeita aos vices do secretário-geral, ambas as listas apresentaram os mesmos nomes, mas não pela mesma ordem. José "Fo Laran" figurou como primeiro vice-secretário geral, quer na lista A, quer na lista B, mas em relação aos outros dois secretários, enquanto na lista A Jacinto Rigoberto foi proposto para segundo vice e Duarte Nunes para a terceira posição, na lista B, ocupavam posições precisamente contrárias.

A votação foi realizada por distritos e por voto secreto.

Num total de 872 votantes, a lista B ganhou com 505 votos, contra 293 da lista A, tendo-se registado 18 votos nulos ou brancos.

Para o Conselho Diretivo Nacional, órgão máximo entre congressos, foram a sufrágio duas listas e mesmo aí com alguns nomes em comum.

A lista A apresentou como candidatos Germano da Silva, Brígida Correia, Virgínia Belo, Virgílio Marçal, Pedro da Costa, Bi-Soy, Paulo Martins, Romeu Moisés, Vicente Guterres, Leo Lopes, Francisco Kalbuadi, e Arão Noé.

Na lista B, foram candidatos Anselmo da Conceição, Brígida Correia, Moisés Saldanha, Carlito Cabral, Simon Sufa Falo, Leo Lopes, Ângela Corvelo, Humberto Delgado, Imaculada Tilman e Veneranda Lemos, Virgílio Marçal e Francisco Kalbuadi.

Acabou por ganhar a lista A com 482 votos, contra 263 da lista B, tendo havido 18 votos nulos.

XANANA GUSMÃO PEDE A MAIORIA ABSOLUTA DO CNRT PARA 2012




MSO – LUSA

Díli, 02 mai (Lusa) -- O presidente reeleito do CNRT, Xanana Gusmão, apelou hoje à maioria absoluta nas eleições legislativas de Timor-Leste em 2012, no discurso de encerramento do II Congresso Nacional do partido.

"O nosso objetivo é obter 45 cadeiras no Parlamento Nacional" (que tem 65 assentos), disse Xanana Gusmão aos congressistas, no termo de uma longa maratona de trabalhos.

"Ouçam bem: alguns perguntaram-me o que é isso da estratégia P45. Significa que devemos assegurar a vitória por mais de 45 lugares no Parlamento", declarou.

Afirmando que o povo está à espera que, em 2012, o CNRT "vai levar ao país a mudança", Xanana Gusmão exortou os militantes do partido, desde a base às cúpulas, a trabalhar com toda a dedicação porque "o povo está à espera dessa grande mudança e da harmonia que o CNRT pode fazer".

Aos que possam achar difícil o objetivo para 2012, Xanana Gusmão aconselhou a acreditarem em si próprios porque é possível "chegar lá".

"Os outros, no início, em 2007, quando fomos o segundo partido, lá fora falavam comigo e não acreditavam que em dois meses e meio estávamos no segundo lugar. Passaram quatro anos e devemos demonstrar que não somos mais o segundo partido. É esse o plano que vamos traçar para 2012", afirmou.

GNRs sentem-se quase "em casa" e timorenses não querem que vão embora




MSO – LUSA

Díli, 02 mai (Lusa) - Avelino, um timorense que ainda conheceu o seu país quando era colónia portuguesa, defende que "é melhor para a segurança de Timor" que a presença da GNR seja prolongada, para além de 2012, ano previsto para a saída da missão das Nações Unidas.

"Acho muito bem que a GNR esteja em Timor-Leste, porque nos garante a segurança na cidade e em todo o território. Se estender a sua missão é melhor, para que Timor-Leste continue em segurança", realçou.

Filomena Exposto, outra residente na capital, entende que a continuidade da GNR em Timor-Leste "é uma questão bilateral que cabe ao Estado de Timor-Leste decidir se quer essa cooperação".

"A atuação da GNR em Timor-Leste tem sido muito positiva, com profissionalismo, e tem garantido a segurança nacional. Pessoalmente acho que ainda precisamos da contribuição da GNR porque somos ainda uma nação frágil", disse.

A recetividade popular à presença da Guarda Nacional Republicana (GNR) é partilhada pelas autoridades nacionais.

O Presidente da República condecorou a corporação e os vários contingentes que passaram por Timor-Leste e não tem poupado elogios à força portuguesa.
Apreço idêntico tem o Governo, como disse à agência Lusa o seu porta-voz, Ágio Pereira.

"A GNR é uma instituição com uma capacidade enorme de intervenção internacional e Timor-Leste tem beneficiado imenso dessa capacidade, desse profissionalismo e da sua disciplina institucional. Esperamos que continue a providenciar-nos esse apoio, numa cooperação bilateral que tem um carácter muito especial pela união cultural e histórica de muitos séculos entre Portugal e Timor-Leste", comentou.

O carinho que é dedicado pelos timorenses, quer responsáveis políticos, quer cidadãos anónimos, é sentido pelos próprios militares que prestam serviço em Timor-Leste, sendo essa uma das melhores recordações que levam, quando regressam a Portugal.

"As pessoas reagem bem à presença da GNR. É uma das forças, se não mesmo a força que mais consideram. Respeitam-nos muito e têm uma ligação com os portugueses muito importante", disse à Lusa António Alves, a prestar serviço no Sub-Agrupamento Bravo da GNR e que já vai na terceira missão em Timor, onde chegou pela primeira vez em 2006.

Destaca a evolução que foi possível com a melhoria das condições de segurança.

"Notam-se bastantes diferenças em relação a 2006 e 2007. Encontrei um país praticamente a arder, com muitos tumultos, e atualmente é pacífico e vê-se uma melhoria significativa, com novas construções, apesar das dificuldades", diz.

Idêntica opinião é dada por Cipriano, outro militar da GNR que já conhece Timor-Leste desde o ano 2000.

"A GNR é uma força conhecida aqui, na cidade de Díli, mas também pelos distritos. Quando vamos para a montanha, as pessoas conhecem as viaturas da Guarda e vê-se que têm uma opinião positiva. Não reconhecem a GNR como força de ocupação, mas como uma instituição que está cá para ajudar ao desenvolvimento geral", descreve.

Segundo este militar, "o relacionamento com a população é bom e não há qualquer tipo de dificuldade no terreno".

A GNR celebra na terça-feira 100 anos de existência.

OS SEGREDOS DA OPERAÇÃO PARA MATAR BIN LADEN




SÓSIMO LEAL BRAGANÇA, Washington – VOA NEWS - 02 maio 2011

Quatro helicópteros e operacionais da Marinha e da CIA estiveram envolvidos numa operação preparada a partir de Março

A administração Obama, não perdeu desde então a oportunidade para dar mais detalhes sobre a morte de Bin Laden.

A operação foi conduzida pelas forças especiais, principalmente pelos Seals e a CIA não durou mais de 40 minutos.

Membros do governo americano descreveram a operação que conduziu a morte de Bin Laden como um perigoso ataque cirúrgico. Era 1:15 da madrugada de Domingo para Segunda-feira no Paquistão, quando uma brigada de Seals, força especial da Marinha americana e agentes da CIA cercaram o complexo residencial do líder terrorista.

Quatro helicópteros sobrevoam a residência, enquanto as tropas comandos vão se aproximando do alvo. Era o início do assalto para a captura de Bin Laden.

Começa então trocas de tiros durante vários minutos no solo e em direcção aos helicópteros.

A operação estava a ser dirigida pela CIA desde Langley no Estado da Virgínia.
Bin Laden e os seus guardas resistem ao ataque, mas 40 minutos mais tarde o assalto termina com a morte do líder terrorista. Bin Laden foi morto com uma bala na cabeça.

Quatro outras pessoas teriam sido mortas no confronto: um dos filhos de Bin Laden, dois homens dados como prováveis mensageiros, e uma mulher que foi usada como escudo humano. Duas outras mulheres ficaram feridas igualmente.

O corpo do líder da al-Qaida é recuperado pelos militares americanos, foram feitos testes ADN, e os seus restos mortais foram lançados no alto mar.

As forças americanas estavam na pista de Bin Laden desde Agosto do ano passado. Foi a partir de 14 de Março que o plano de ataque viria finalmente a ser detalhado com o presidente Obama mas foi na passada Sexta-feira que o presidente deu a ordem para agir. Os militares eram favoráveis ao bombardeamento do complexo, mas o presidente preferiu o assalto.

Os serviços secretos americanos tinham estabelecido a ligação entre Bin Laden e um dos seus mensageiros há cerca de 10 anos. O homem teria sido denunciado por um dos prisioneiros de Guantánamo, mas foram precisos 4 anos para o localizar e 2 para confirmar de que operava no Paquistão. E em Agosto do ano passado foi localizado o complexo residencial de Bin Laden de Abbottabad, onde vivia o mensageiro e os seus aliados.

Com um cercado de murro e de arame farpado a uma altura de 5 metros, o complexo dispunha de apenas duas entradas com um forte dispositivo de segurança. No interior, um edifício principal de três andares dispunha de poucas janelas com vista para o exterior, e o seu terraço era protegido de olhares indiscretos por um murro de 2 metros de altura. O complexo não dispunha de telefones e nem de internet e o lixo produzido era queimado ali mesmo. Todos esses detalhes foram suficientes para alimentar as suspeitas americanas, acrescida ao facto da mesma residência estar localizada numa cidade militar, e à 700 metros de uma academia das forças armadas paquistanesas.

A administração americana levou meses de investigações para provar de que se tratava mesmo do esconderijo de Ossama Bin Laden, e protegeu o segredo até ao último minuto. Nenhum país foi informado e mesmo no seio do governo de Obama poucos é que estavam ao corrente da operação.


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EMIGRANTES, UM ERRO PARA DILMA CORRIGIR




RUI MARTINS, Berna – DIRETO DA REDAÇÃO

Berna (Suiça) -  A TV Brasil, grande conquista para os emigrantes, tem um programa chamado Brasileiros no Mundo, animado por Flávia Peixoto, onde costuma aparecer um diplomata do Itamaraty respondendo perguntas relacionadas com os emigrantes. A iniciativa foi muito boa porque nenhum outro canal brasileiro se preocupa com os emigrantes, mesmo se constituem uma população de 3,5 milhões.

Entretanto, há um êrro fundamental – não se deve confundir emigrantes e movimentos emigrantes com o Itamaraty. Vejam bem, o Itamaraty cuida da nossa política exterior (muito bem, por sinal) e decide, pelo seu ministro Antonio Patriota com a presidenta Dilma, como o Brasil vota na ONU, no Conselho de Direitos Humanos, qual sua política internacional e é também responsável pelos nossos tabelionatos no exterior, os Consulados.

Porém, o Itamaraty, que durante muitos anos foi considerado como setor conservador, onde parece não terem ainda chegado as cotas raciais do governo Lula, tem uma regra destinada a preservar seus titulares. Ali só entra quem fez o prestigioso Instituto Barão do Rio Branco. Não fosse essa regra, quem sabe se poderia encontrar uma conciliação entre os interesses dos emigrantes com os dos diplomatas aplicadores da política externa brasileira.

Ou seja, poderia haver dentro do Itamaraty, gozando de autonomia mas interativa com o MRE, a Secretaria de Estado dos Emigrantes. Porém, como esse órgão tem de ser dirigido por emigrantes com um quadro de emigrantes surge a incompatibilidade. A solução encontrada pelo Itamaraty, quando o governo Lula decidiu aplicar a recomendação de uma comissão parlamentar mista de inquérito para se criar uma secretaria especial para os emigrantes, isso em 2006  Clique aqui foi a de contornar a questão da autonomia para os emigrantes pela criação de uma tutela aos emigrantes, a Sub-secretaria-geral dos brasileiros no exterior, dirigida por diplomatas.

A idéia original era de se ficar na realização de uma Conferência anual de emigrantes, na qual seriam coletadas as reivindicações dos emigrantes, por uma ata do encontro, e de se criar redes virtuais de contatos entre as associações de emigrantes. O imprevisto foi o abaixo-assinado majoritário que considerava insuficiente uma simples Ata e pedia uma comissão de transição para um órgão institucional emigrante.

Essa reivindicação inesperada foi esvaziada, no final de uma assembléia agitada, com a criação de um conselho provisório destituído de qualquer independência, ao qual se seguiu a institucionalização do atual Conselho, CRBE, destinado a funcionar como simples assessoria e consulta para o Itamaraty.

Diante do visível contentamento dos eleitos, o Itamaraty retornou ao projeto anterior e squatou ou se apropriou do espaço destinado aos emigrantes, nomeou diplomatas e reforçou o serviço com uma Divisão dos brasileiros no exterior. Os parlamentares Marcelo Crivella, Valdir Raupp e João Magno, relatores da comissão mista, teriam hoje um enfarte se examinassem o que foi feito em lugar de uma secretaria especial para os emigrantes.

Na verdade, trata-se de uma simples divisão dentro do Itamaraty, ocupada e colonizada por diplomatas, que funcionam como verdadeiros tutores dos emigrantes, destinada a cuidar dos emigrantes, considerados pelo visto, como sujeitos menores e incapacitados de se administrar a si próprios. 

O CRBE é um simples apêndice da Divisão dos brasileiros no exterior, e seus participantes inconscientes se prestam a uma cena, destinada a provar que o governo está fazendo alguma coisa pelos emigrantes. Porém, o objetivo inicial do governo não era esse – era o de criar realmente um órgão institucional emigrante, dirigido por emigrantes. O presidente Lula foi induzido a erro na questão emigrantes, porque o CRBE acabou sendo criado dentro do conceito da política paternalista. E, pelo que me informam, o próprio PT cogita de reformular essa apropriação do movimento emigrante pelos diplomatas do Itamaraty.

Esta semana, membros do CRBE serão apresentados pelo Itamaraty aos deputados, senadores, ministros e talvez à própria presidente Dilma, como seu grande trunfo – os representantes dos emigrantes dirigidos por diplomatas. Que ninguém se deixe enganar – ridículos 18 mil votos não são representativos de 3,5 milhões de emigrantes. O CRBE é apenas uma experiência, mal sucedida por sinal, e que confirma a necessidade da presidenta Dilma dar autonomia e independência aos emigrantes, com uma Secretaria de Estado dos Emigrantes independente do Itamaraty.

Sobre outros temas levantados pelos jornais da comunidades brasileira nos EUA Brazilian Times e Achei USA e outras publicações na Europa e Japão, depois da reportagem da revista Época, voltaremos na quarta-feira.

O BÔNUS DA DOENÇA E O ÔNUS DO POVO




RUDOLPHO MOTTA LIMA – DIRETO DA REDAÇÃO

Andou circulando por aí a notícia de que a Agência Nacional de Saúde proibiu que os planos de saúde continuassem a usar a tática de oferecer “bônus” financeiros ou prêmios a médicos que restringissem os pedidos de exames para seus pacientes.

A prática – que os conselhos de medicina, a bem da verdade, rejeitam, por antiética – revela a incrível  desfaçatez  dos planos, deixando bem à mostra uma das maiores mazelas da nossa sociedade dita “de mercado” (para alguns, “democrática”...).

Quando garoto, e mesmo no início da idade adulta, lembro-me bem dos grandes hospitais públicos que, no Rio de Janeiro, atendiam à população, gratuitamente e com eficiência. Havia o dos Comerciários, dos Bancários, e por aí iam... Não por acaso, essa era também a época da educação pública de excelência, com escolas do Governo que preparavam o alunado com a qualidade necessária para uma inserção digna na sociedade, ficando reservado ao âmbito  particular, com poucas exceções,  um conjunto de escolas pejorativamente reconhecidas como do tipo “pagou , passou”.  Impossível deixar de lembrar aqui os bancos escolares do Colégio Pedro II, de onde colhi minha visão do mundo através de aulas de cidadania e civilidade e onde aprendi os princípios básicos de ética e alteridade,  através dos valores que o seu maravilhoso corpo de professores sabia transmitir.

Saudosismo à parte, o fato é que Saúde e Educação eram geridas predominantemente pelo Estado, e  bem geridas.

Muita água passou debaixo dessa ponte, modificou-se o mundo, instauraram-se novos valores e, devagar mas sempre, a iniciativa particular foi tomando conta dessas esferas e, hoje, a qualidade na saúde e no ensino – quando existe, diga-se de passagem -   acaba sendo um privilégio de quem pode pagar, e muito bem, por esses “serviços”. Estudantes e pacientes são “clientes” (da mesma forma que o cidadão passou a ser “consumidor”...)

A perversidade do sistema em que vivemos  é óbvia, deixa marcas diárias. No caso da saúde, deixa marcas e deixa mortos... Todos conhecem a história de alguém que teve sérios problemas, às vezes fatais, porque “o plano não cobriu”, ou porque “estava dentro do prazo da carência”, ou porque  “atrasou no pagamento de prestação”... Todos convivem com o tipo de atendimento – impessoal , burocrático,  descompromissado – que uma parte ponderável da classe médica dedica aos conveniados que a procuram, por força da necessidade de atender a um número exagerado de “clientes” por dia, para compensar a baixíssima remuneração que lhes é destinada pelos planos de saúdes.  Todos sabem que um problema de saúde, hoje, é, antes de mais nada, um problema financeiro.

A persistir uma situação dessas – a premiação a médicos que restringem pedidos de exame – ela  estará  a exigir muito mais do que a eventual aplicação de multas cujo valor em nada interfere nos vultosos lucros auferidos pelos planos de saúde. A ética  requer  bem mais que isso. Se os particulares apregoam – e como ! – a sua extraordinária eficiência na gestão das coisas e das pessoas, uma prática assim deveria envergonhar os arautos do mercado da livre iniciativa. Para mim, as medidas teriam que ser bem mais drásticas do que eventuais reprimendas ou multas. Para mim, não pode existir, nesse nível, o descaso com o outro, que chega ao nível  de premiar ou remunerar ações pouco dignas.  Para mim, os que juraram as palavras de Hipócrates também deveriam cumprir  o que lhes cabe e, de forma impositiva, em um  corporativismo sadio, fazer valer  a força da classe.

Voltando à Agência Nacional de Saúde, fico aqui pensando que , mesmo diante de fatos desse gênero  – que, praticados em busca do lucro,  se repetem em outros âmbitos de desrespeito ao cidadão – ainda há quem se queixe, em nome de uma perversa tese da liberdade absoluta,  da ação regulatória e fiscalizadora do Estado...  

Dilma Rousseff diz que um dos desafios do país é formar mão de obra especializada




CSR - LUSA

Brasília, 02 mai (Lusa) - Dilma Rousseff afirmou hoje, no seu programa de rádio "Café com a Presidenta", que um dos desafios do país é formar mão de obra especializada para suprir a oferta de emprego qualificado.

Outro dos desafios, segundo a Presidente brasileira, são melhorar a infraestrutura e crescer de forma "harmónica e sustentável", sem gerar inflação.

"Feliz de um país que tem desafios gerados pelo crescimento, no momento em que grande parte do mundo vive a estagnação e o desemprego", afirmou Dilma Rousseff.

Ao citar o lançamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), na semana passada, Dilma avaliou que se trata de uma "usina (fábrica) de oportunidades".

Até 2014, a meta é criar 8 milhões de oportunidades de formação profissional para jovens e trabalhadores de mais idade.

"O crescimento do emprego e do rendimento é uma realidade concreta nesse novo Brasil que, juntos, estamos a construir. Estamos a criar uma média de 195 mil novos empregos por mês e a massa de salários teve um ganho real de 6,7 por cento nos últimos 12 meses", concluiu a Presidente.

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 11




MARTINHO JÚNIOR

NECESSIDADE DE TRANSPARÊNCIA E DE RIGOR

A necessidade de transparência e de rigor é um assunto de primeira linha para o aprofundamento da democracia em Angola e, concomitantemente na luta contra a corrupção:

De primeira linha para a imprensa, tendo em conta os aspectos que se interligam com o exercício pedagógico da democracia, pela premência que existe em evidenciar o que se faz, como se faz, com que cumprimentos, incumprimentos, erros, correcções, mentiras, manipulações...

De primeira linha para as instituições do estado, tendo em conta o seu papel em relação à sociedade quando se mantêm em vigor políticas de Reconciliação e Reconstrução Nacional nove anos depois do calar das armas e, sobretudo, pelo facto de ser necessário dar o exemplo e cada vez mais prestar contas aos cidadãos angolanos, particularmente aos eleitores, promovendo a sua participação na gestão da coisa pública.

Da primeira linha dos partidos, por que é necessária fazer a filtragem e a avaliação de suas filosofias, conceitos e ideologias, mas sobretudo, para aqueles que detêm a responsabilidade sobre o estado, até que ponto as suas práticas correspondem aos seus postulados.

No que diz respeito à Saúde, antes do IVº Congresso Extraordinário a Moção de Estratégia do MPLA dizia o seguinte:

“No que diz respeito ao sector da saúde, o MPLA defende que a melhoria da situação sanitária do país pressupõe uma Política Nacional de Saúde consubstanciada na implementação de quatro orientações estratégicas fundamentais.

1 – A reestruturação do Sistema Nacional de Saúde que priorize o acesso da população aos cuidados primários de saúde;

2 – A redução da mortalidade materno-infantil, bem como da morbilidade e mortalidade por doenças prioritárias do quadro nosológico nacional;

3 – A promoção e preservação de um contexto geral e de um ambiente propícios à saúde;

4 – A capacitação dos indivíduos e das comunidades para a promoção e protecção da saúde”.

No caso do actor vítima de assassínio que dava pelo nome de Manuel Trindade, a Clínica Multiperfil indicia ter fugido ao respeito e ao cumprimento que me parecem merecer as aplicações dos pontos 3 e 4 dessa Estratégia…

Deu mostras nesse aspecto de falta de rigor perante deveres que são irrecusáveis, sendo contudo bastante transparente na sua decisão: a vítima e sua família não tinham 3.000 dólares e assim não pôde ele ser ali atendido, mesmo que tenha sido uma questão tão urgente, tendo de se sujeitar a trasladação e atraso de intervenção cirúrgica, que deu como resultado o desfecho fatal…

Como é que uma clínica com as responsabilidades, ao que tudo indica, da Multiperfil, assumiu o atendimento do Manuel Trindade da forma que foi noticiada no jornal O País?

Aprofundando o rigor e a transparência, outras três questões encadeadas e interligadas pretendo aqui levantar:

1 – Como foi decidida a constituição e edificação da Multiperfil, para quê e para quem, que orçamentos têm sido dispensados para tal, deduzidas de que rubricas e concorrendo a que responsabilidades a nível institucional?

2 – A notícia de que ela “está formalmente inserida como parte dos órgãos dependentes e tutelados pela Casa Militar (CM) da Presidência Republica (PR) regendo-se de um estatuto próprio proposto pelo Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar, Manuel Hélder Vieira Dias Kopelipa ao PR”, corresponde efectivamente à verdade?

3 – Até que ponto o surgimento da Multiperfil não terá concorrido (provavelmente com outras decisões) para a diminuição acentuada do orçamento do Hospital Militar Principal?

Provavelmente se houvesse rigor e transparência pública total, eu não colocaria estas questões: acho que o “site” da clínica está a perder essa oportunidade desde que foi tomada a decisão de o colocar na Internet (http://www.jornadasmultiperfil.com/index.html) e depois, gasta-se dinheiro e tempo com publicidade, quanto se esquece tanto do que é fundamental.

Essa é uma tendência explícita aqui em Angola: é só ver quanto as televisões do estado promovem a diversão, a farra, o kuduru, a palhaçada… esquecendo-se quanto essas televisões poderiam ser instrumentos de formação, de pedagogia social e humana, de difusão de cultura, do desporto, da ciência e da tecnologia, quanto elas poderiam contribuir para o ensino, para a educação e para a saúde, quanto elas poderiam corresponder às políticas de Reconciliação e Reconstrução Nacional…

Não há possibilidades de se aprofundar a democracia, em nome da cidadania e da participação, se não houver inclusão, rigor e transparência.

A democracia só se pode aprofundar quando efectivamente não se siga a trilha dos desequilíbrios, se dá luta à corrupção e se retire ao capitalismo aquilo que ele tem de mais pernicioso no campo da saúde: diminuir o que é do direito universal à saúde, para a tornar numa simples mercadoria!

Uma saúde mercenária ao serviço do mercado é incompatível com o “socialismo democrático”, qualquer que ele seja!

Tanto mais grave se isso for prática duma instituição do estado angolano (e presume-se que a Multiperfil assim o seja)!

Martinho Júnior.- 01 de Maio de 2011.

Clínica Multiperfil

MRFPress

Apresentada na gíria popular como “clinica da Ana Paula”, a Multiperfil tem a categoria de instituto publico dotado de personalidade jurídica e de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. De entre as suas atribuições pela Casa Militar, consta a participação em programas de prevenção de enfermidades, promoção e investigação em ciências de saúde e emitir informações tecnicas de avaliação e tratamento dos casos clínicos remetidos pela Junta nacional de saúde.

Inaugurada a 08 de Novembro de 2002, pelo Presidente José Eduardo dos Santos, a Multiperfil nasceu com o objectivo de ser um centro formador e disseminador de conhecimentos nas áreas médicas de maior complexidade tecnológica. (Tem 19 especialidades). O seu conselho de administração era até a data, nomeado em conselho de Ministros. De seguida os poderes de superintendência foram delegados de modo desconhecido para os Serviços de Apoio ao Presidente da República. Em 2003, o General Hélder Vieira Dias “Kopelipa” apareceu como assinante de um despacho conjunto dos Ministérios das Finanças e da Administração Pública Emprego e Segurança Social pondo fim aos salários de luxo que a direcção da Clínica Multiperfil beneficiava, ao abrigo de um decreto da PR, publicado em Diário da República.

A Multiperfil tem as suas instalações na comuna do morro bento em Luanda. O seu conselho de Administração é presidido por Manuel Filipe Dias dos Santos.

Fazem ainda parte do conselho, dois administradores Ernestina Van-Dúnen e Carlos Alberto Bragança. Tem igualmente uma Directoria Clínica cujo DG é Wallace Braga. A PR, denota ter certa confiança nos seus profissionais. Há poucos anos, o PR teria denunciado mau estar num período nocturo e foi para a esta clinica onde foi despachado um assistente de campo para procurar um médico para assistir o estadista angolano.

29 Novembro 2010 – Club-k.net – A Clinica Multiperfil está “formalmente” inserida como parte dos órgãos dependentes e tutelados pela Casa Militar (CM) da Presidência Republica (PR) regendo-se de um estatuto próprio proposto pelo Ministro de estado e chefe da Casa Militar, Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” ao PR.

O processo de tutela aconteceu no seguimento da recente reestruturação orgânica dos órgãos da Casa Militar da PR que agora passa a compreender seis estruturas orgânicas (Órgãos Colegiais Consultivos; Serviços de Apoio Instrumental da Casa Militar; Órgãos Executivos; Secretaria para a Logística e Infraestruturas; Órgãos Especiais; Organismos Dependentes e Tutelados).


MPLA: TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS GERA LISTA NEGRA




ANGOLA 24 HORAS – 02 maio 2011

“Há dirigentes que, utilizando a sua influência política, pressionaram alguns bancos e o Ministério das Finanças a proceder a pagamentos de dívidas falsas, apresentadas por empresários desonestos em troca de chorudas comissões “ – revelou uma fonte do “Kremlin”.

Essas figuras, conhecidas nos meios públicos pelos lugares cimeiros que ocupam na hierarquia do MPLA fazem, deste modo, parte da lista negra dos dirigentes que serão no próximo ano afastados do bureau politico e comité central e do grupo parlamentar, a sair das próximas eleições. “Vamos conhecer uma purga selectiva e, para começar já não é mau…”

– disse um politico da oposição, confrontado com esta iniciativa do MPLA. Na esteira desta purga, um dos visados poderá vir a ser um conhecido empresário de Malange, ligado ao negócio de vinhos em Portugal que, depois de ter sido ressarcido de uma dívida junto do Ministério das Finanças, veio a ser descoberto como estando envolvido numa fraude com a apresentação de facturas falsas que culminaram com o embolso ilícito de mais de 6 milhões de dólares!

“O dirigente do MPLA que beneficiou da comissão desse empresário, que pressionou as finanças e que gosta de se apresentar como impoluto, todos o conhecemos…” – ironizou um alto funcionário da antiga sede dos serviços da repartição de Fazenda e Contabilidade.

Um outro comerciante sobre o qual poderá vir a impender um mandado de captura, confrontado pelas autoridades judiciais face a uma colossal dívida contraída junto de um banco, apressou-se a ir ao “Kremlin” para apresentar a lista dalgumas altas figuras do MPLA que terão recebido dinheiro e viaturas Touaregs resultante da fraude em que aquele está envolvido. “Esta gente perdeu toda a confiança política do sistema e, a esta altura, já deve saber o destino que lhe está reservado” – disse uma fonte da Procuradoria Geral da República.

Tendo o MPLA como principal agente das suas realizações eleitorais a estratégia do Executivo vinculada ao programa de governação gizado para o período que vai de 2O12 a 2O16 assentará os seus pilares na luta contra a pobreza, no combate às assimetrias e na valorização dos quadros.

Aspirando a ter um papel preponderante na região austral de África, o MPLA, enquanto força líder do país, propõe-se potenciar o empresariado nacional para que este deixe de ser dependente do exterior. “É inconcebível que coisas tão simples como um saco de plástico ou botas para a tropa tenham que ser importadas”- explicou um economista que participou na elaboração dalguns documentos que serão submetidos a discussão no congresso.

Ao apresentar um balanço dos três anos de governação, o congresso, garantiu uma fonte do MPLA, não se coibirá de reconhecer o incumprimento dalgumas promessas feitas no passado e de apresentar as razões do não cumprimento. O que resta saber é se para lá da crise económica e financeira internacional que abalou o mundo inteiro, no plano interno serão arrestados e condenados publicamente os verdadeiros culpados para a situação de paralisia que o país viveu nos últimos anos.Veremos…

Gustavo Costa - Novo Jornal

Entre refeições, os líderes portugueses também conseguem viver sem comer...




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Embora os portugueses tenham (se é que têm) memória curta, alguns recordam-se que José Sócrates dizia às segundas, quartas e sextas o contrário do que afirmava às terças, quintas e sábados. A estratégia ameaça fazer escola.

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, veio agora garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.

Será por isso que estão a ser despedidas 362 pessoas por dia? Será por isso que, nos primeiros três meses deste ano, foram atingidas 1.319 pessoas vítimas de despedimento colectivo em 143 empresas?

"Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro", afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa.

Pois. A letra é a mesma, apenas a música é (ligeiramente) diferente. Só falta dizer que os portugueses que já morreram não precisam de aprender a viver sem comer...

O PSD quis "vasculhar tudo" para ter contas bem feitas e, "relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem", procurou "estimar", preferindo fazê-lo "por excesso do que por defeito", referiu Passos Coelho, acrescentando que "não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro, mas temos de ser efectivos a cortar nas gorduras".

Será por isso que estão a ser despedidas 362 pessoas por dia? Será por isso que, nos primeiros três meses deste ano, foram atingidas 1.319 pessoas vítimas de despedimento colectivo em 143 empresas?

Apesar dessa garantia, Passos Coleho diz que "a verdadeira situação do país é muito pior e a 'troika' que está cá a nosso pedido sabe isso. E por isso é que as medidas que vamos ter de enfrentar são muito mais duras do que as que estavam no PEC IV, porque a verdadeira situação do país é muito pior".

Para Passos Coelho, a solução é "austeridade para o Estado" e quem lidera deve dar o exemplo, "porque isso tem um efeito multiplicador muito importante em toda a sociedade", o que só poder ser feito "mudando a liderança em Portugal".

E de facto quem lidera está a dar, pelo menos parcelarmente, o exemplo. São cada vez mais os portugueses que tentam aprender a viver sem comer. O mesmo se passa com os líderes políticos e económicos do país... entre as várias refeições diárias.

Certo, certo é que Portugal tem mais de 700 mil desempregados, 20 por cento de pobres e outros tantos que já só sonham com uma... refeição.

Mas as contas estão sempre a mudar. Este ano estão a ser despedidas 362 pessoas por dia, e até Março foram atingidas 1.319 pessoas vítimas de despedimento colectivo em 143 empresas.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

ESCOLHER O TERRENO




ANTÓNIO PEREZ METELO – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Parece impossível mas - 37 dias depois de se ter demitido ao ver o "seu" PEC IV chumbado no Parlamento, e 23 dias após ter-se visto forçado a pedir uma ajuda externa que sempre disse querer evitar - José Sócrates e o PS aparecem nas sondagens e na opinião publicada mais fortes do que pareciam estar há mês e meio. Como é possível que isto se esteja a dar? Julgo que tem que ver com as negociações em curso com a troika CE/BCE/FMI.

Não faço ideia se o primeiro-ministro leu alguma vez a Arte da Guerra, de Sun Tzu, mas já o ouvi citar repetidamente um dos famosos aforismos do mítico general: a principal decisão estratégica consiste em escolher o terreno em que se quer travar a batalha. E ele fez a sua escolha desde o princípio do ano: a de negociar o caminho de ajustamento das finanças públicas até ao fim da legislatura com a Comissão Europeia e com o BCE, colocando o PSD na posição de ter de reagir entre duas atitudes desfavoráveis: ou tornar-se mera bengala do Governo, discutindo detalhes do que já estava decidido com as instâncias europeias (já que, a correr tudo de acordo com o estabelecido, não haveria novo pretexto plausível para interromper a legislatura), ou abrir uma crise política de consequências incontroláveis internamente. É essa iniciativa de longo alcance político que, compreensivelmente, foi considerada desrespeitosa pelos social-democratas.

Mas é essa iniciativa, ratificada pelos seus pares no Eurogrupo de 11 de Março, que permite hoje a José Sócrates encontrar-se no centro das negociações e ir gerindo as expectativas cada vez mais alarmadas dos portugueses. As manchetes apocalípticas, que se vão sucedendo diariamente, devem soar a música para os ouvidos dos estrategas do PS: quando se passar ao texto efectivo do "Memorando de Entendimento", com os compromissos nacionais como contrapartida ao financiamento garantido durante os próximos dois a três anos, ver-se-á que a experiência grega e irlandesa pode ter levado a medidas mais moderadas e ajustadas à nossa realidade. E, se o pior for evitado, quem aparece como responsável? E o que dirão PSD e CDS? Que esse acordo é insuficiente? Tudo está em aberto!