domingo, 11 de Setembro de 2011

A MATEMÁTICA MACABRA DO 11 DE SETEMBRO




Marco Aurélio Weissheimer – Carta Maior

A resposta dos EUA ao ataque contra o World Trade Center engendrou duas novas guerras e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, algumas centenas de milhares de pessoas foram mortas. Para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Mas essa história não se resume a mortes. A invasão do Iraque rendeu bilhões de dólares a empresas norteamericanas. Essa matemática macabra aparece também no 11 de setembro de 1973. O golpe de Pinochet provocou 40 mil vítimas e gordos lucros para os amigos do ditador e para ele próprio: US$ 27 milhões, só em contas secretas.

O mundo se tornou um lugar mais seguro, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro e da “guerra ao terror” promovida pelos Estados Unidos para se vingar do ataque? A resposta de Washington ao ataque contra o World Trade Center e o Pentágono engendrou duas novas guerras – no Iraque e no Afeganistão – e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, mais de 900 mil pessoas já teriam perdido suas vidas até hoje. Os números são do site Unknown News, que fornece uma estatística detalhada do número de mortos nas guerras nos dois países, distinguindo vítimas civis de militares. A organização Iraq Body Count, que usa uma metodologia diferente, tem uma estatística mais conservadora em relação ao Iraque: 111.937 civis mortos somente no Iraque.

Seja como for, a matemática da vingança é assustadora: para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Em qualquer um dos casos, a reação aos atentados supera de longe a prática adotada pelo exército nazista nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial: executar dez civis para cada soldado alemão morto. Na madrugada do dia 2 de maio, quando anunciou oficialmente que Osama Bin Laden tinha sido morto, no Paquistão, por um comando especial dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama afirmou que a justiça tinha sido feita. O conceito de justiça aplicado aqui torna a Lei do Talião um instrumento conservadora. As palavras do presidente Obama foram as seguintes:

"Foi feita justiça. Nesta noite, tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças."

O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso.

Nem tudo é dor e sofrimento

Mas a história dos dez anos do 11 de setembro não se resume a mortes, dores e sofrimentos. Há a história dos lucros também. Gordos lucros. Uma ótima crônica dessa história é o documentário “Iraque à venda. Os lucros da guerra”, de Robert Greenwald (2006), que mostra como a invasão do Iraque deu lugar à guerra mais privatizada da história: serviços de alimentação, escritório, lavanderia, transporte, segurança privada, engenharia, construção, logística, treinamento policial, vigilância aérea...a lista é longa. O segundo maior contingente de soldados, após as tropas do exército dos EUA, foi formado por 20 mil militares privados. Greenwald baseia-se nas investigações realizadas pelo deputado Henry Waxman que dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto público no Iraque.

Parte dessa história é bem conhecida. A Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, recebeu cerca de US$ 13,6 bilhões para “trabalhos de reconstrução e apoio às tropas. A Parsons ganhou US$ 5,3 bilhões em sérvios de engenharia e construção. A Dyn Corp. faturou US$ 1,9 bilhões com o treinamento de policias. A Blackwater abocanhou US$ 21 milhões, somente com o serviço de segurança privada do então “pró-Cônsul” dos EUA no Iraque, Paul Bremer. Essa lista também é extensa e os números reais envolvidos nestes negócios até hoje não são bem conhecidos. A indústria da “reconstrução” do Iraque foi alimentada com muito sangue, de várias nacionalidades. Os soldados norte-americanos entraram com sua quota. Até 1° de setembro deste ano, o número de vítimas fatais entre os militares dos EUA é quase o dobro do de vítimas do 11 de setembro: 4.474. Somando os soldados mortos no Afeganistão, esse número chega a 6.200.

A matemática macabra envolvendo o 11 de setembro e os Estados Unidos manifesta-se mais uma vez quando voltamos a 1973, quando Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.

Assim como no Iraque, nem tudo foi morte, dor e sofrimento na ditadura chilena. Com a chancela da Casa Branca e a inspiração do economista Milton Friedman e seus Chicago Boy’s, Pinochet garantiu gordos lucros para seus aliados e para si mesmo também. Investigadores internacionais revelaram, em 2004, que Pinochet movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos do exterior no valor de até US$ 27 milhões. Segundo um relatório de uma comissão do Senado dos EUA, divulgado em 2005, Pinochet manteve elos profundos com organismos financeiros norte-americanos, como o Riggs Bank, uma instituição de Washington, além de outras oito que operavam nos EUA e em outros países. Segundo o mesmo relatório, o Riggs Bank e o Citigroup mantiveram laços com o ditador chileno durante duas décadas pelo menos. Pinochet, amigos e familiares mantiveram pelo menos US$ 9 milhões em contas secretas nestes bancos.

Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiou a Dina, polícia secreta chilena, durante a ditadura, acusou Pinochet e o filho deste, Marco Antonio, de envolvimento na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. Segundo Contreras, boa parte da fortuna de Pinochet veio daí.

Liberdade, Justiça, Segurança: essas foram algumas das principais palavras que justificaram essas políticas. O modelo imposto por Pinochet no Chile era apontado como modelo para a América Latina. Os Estados Unidos seguem se apresentando como guardiões da liberdade e da democracia. E pessoas seguem sendo mortas diariamente no Iraque e no Afeganistão para saciar uma sede que há muito tempo deixou de ser de vingança.



Angola: DETIDOS À PORTA DO TRIBUNAL DE LUANDA VÃO A JULGAMENTO NA TERÇA-FEIRA




JORNAL DE NOTÍCIAS

Cerca de três dezenas de pessoas detidas na quinta-feira junto ao tribunal de Luanda vão ser julgadas na terça-feira, disse, este domingo, o segundo comandante da Polícia Nacional de Angola, Paulo Almeida.

Estas pessoas foram detidas por "arremessar pedras e enfrentarem as autoridades" junto ao tribunal onde estavam a ser julgados 21 manifestantes detidos no sábado anterior, 3 de Setembro.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Almeida disse tratar-se de um grupo entre 27 e 30 pessoas, que continuam presas e irão a julgamento na terça-feira.

Representantes do Bloco Democrático de Angola disseram que este grupo está detido numa cadeia de alta segurança, nos arredores de Luanda, e que empreendeu uma greve de fome há quatro dias para protestar contra as condições do estabelecimento prisional e contra o impedimento de receberem visitas.

"As celas onde estão detidos são exíguas e os presos não têm qualquer tipo de assistência", queixou-se o presidente do Bloco Democrático, Justino Andrade.

Estas acusações foram refutadas pela Polícia Nacional de Angola, que negou a existência de uma greve de fome.

O líder do Bloco Democrático comentou também as sessões do julgamento dos 21 jovens detidos no sábado em Luanda numa manifestação contra o governo angolano, e defendeu que acusações contra os manifestantes "não foram provadas, bem pelo contrário".

"Há evidências claras de que a polícia usou meios exagerados e que houve uma infiltração deliberada de agentes de segurança entre os manifestantes para provocar a confusão a que se assistiu", acusou.

A sentença dos 21 jovens manifestantes detidos desde sábado será lida na segunda-feira, depois de terem sido ouvidos os polícias e as testemunhas.

"As pessoas estão a aguardar com expectativa pelo desfecho. Sinto que a população já começa a perceber que há questões que têm de ser alteradas", atestou.

Justino Andrade advertiu ainda que manifestações como a de há uma semana podem repetir-se sobretudo se o governo angolano optar por aumentar a repressão.

"Se aumentarem a repressão, eles [autoridades] vão perder o controlo. A geração actual sente que já não tem nada a perder nem a ganhar, pois já não olha para os actuais dirigentes como heróis da guerra, mas sim como exemplos de corrupção, tráfico de influências e má governação", sublinhou.

No dia 3 deste mês, um grupo de jovens realizou uma manifestação contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que resultou na detenção e ferimento de um número indeterminado de participantes, bem como na agressão de alguns jornalistas.

PARA BISSAU, KADHAFI NÃO PASSOU A BESTA




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Ao contrário de outros países, como Portugal – por exemplo, a Guiné-Bissau não cospe (por enquanto) no prato que lhe deu comida.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, disse hoje que, se Muammar Kadhafi decidir vir para Bissau “será muito bem-vindo”.

“Kadhafi, durante o seu mandato, sempre apoiou a Guiné-Bissau, as obras e o apoio que ele deu estão visíveis, não escondemos nada”, disse o primeiro-ministro, que falava aos jornalistas no aeroporto de Bissau, após ter participado na Cidade da Praia na cerimónia de posse de José Carlos Fonseca como Presidente de Cabo Verde.

Gomes Júnior disse que a Guiné-Bissau é solidária com o povo líbio, acrescentando: “Mas o Presidente Kadhafi merece-nos todo o respeito”.

Se calhar, como dizia o ex-primeiro-ministro português, José Sócrates, Muammar Kadhafi era para alguns um “líder carismático”. É claro que quando os donos do mundo decidiram, passou de bestial a besta.

“Não estamos com o mandato internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional, não aderimos à convenção de Roma, portanto somos livres, enquanto Estado, de acolhermos os nossos amigos”, frisou Carlos Gomes Júnior.

Pois é. Pobres mas livres. Até um dia. Sim, que ou mudam de opinião ou um dia destas os tais donos do mundo vão dizer que fecham a torneira das ajudas. E nessa altura lá terá Carlos Gomes Júnior de dizer que afinal Muammar Kadhafi era mesmo uma besta.

Na quinta-feira, o procurador do Tribunal Penal Internacional Luis Moreno-Ocampo pediu à Interpol para emitir um “alerta vermelho” sobre Muammar Kadhafi, que é alvo de um mandado de detenção do tribunal.

Na embaixada da Líbia na Guiné-Bissau chegou a ser hasteada a bandeira do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político e militar dos rebeldes anti-Kadhafi e que ajudou a NATO a derrubar o coronel Kadhafi) mas o governo de Carlos Gomes Júnior mandou que fosse retirada. A embaixada não tem actualmente qualquer bandeira.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Apoio de PM da Guiné-Bissau a Kadhafi expressa sentimento da população - LDH




FP - LUSA

Bissau, 11 set (Lusa) -- O presidente da Liga dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau, Luís Vaz Martins, considera que a disponibilidade do governo para receber Muammar Kadhafi "tem a ver com o sentimento geral da população" quanto "à política incoerente" da comunidade internacional.

Sábado, ao chegar de Cabo Verde onde assistiu à posse do novo Presidente do país, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, disse que se Muammar Kadhafi quiser vir para Bissau "será muito bem-vindo".

Lembrando que Kadhafi sempre apoiou a Guiné-Bissau, o primeiro-ministro referiu que o país não assinou a Convenção de Roma (sobre o Tribunal Penal Internacional) e que por isso é livre de acolher os amigos.

Em declarações à Agência Lusa, Luís Vaz Martins disse hoje entender a declaração de Carlos Gomes Júnior, mas também defendeu que o primeiro-ministro devia ter mais cautela, porque "a Guiné-Bissau é um país frágil, depende da ajuda internacional, e qualquer declaração pode ter consequências" e pôr em causa o apoio de que necessita.

Não escondendo que o líder líbio era um ditador, nem que apoiou a Guiné-Bissau em diversos momentos, Vaz Martins perguntou o que leva a comunidade internacional a não ter com a Síria a mesma postura que tem para com a Líbia.

"Há uma dualidade de critérios do Ocidente e da NATO, há uma ordem internacional muito injusta, baseada em interesses dos estados mais poderosos e não em justiça. Esse é o sentimento geral da população", disse o presidente da Liga dos Direitos Humanos.

Há "um sentimento de revolta" quanto a essa política, de censurar Kadhafi e não outros piores que ele, e é nesse contexto que se entendem as declarações de Carlos Gomes Júnior, acrescentou Vaz Martins.

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FMI considera que inflação "está acima do desejado" mas estado da economia é positivo




MYB - LUSA

São Tomé, 11 set (Lusa) -- O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou que o estado macroeconómica de São Tomé e Príncipe é "positivo em termos gerais", apesar de considerar que "a inflação está acima do desejado".

"Fizemos uma avaliação positiva, realmente está-se a caminhar para uma recuperação em termos de crescimento económico, embora algo lento, mas está-se a avançar", disse a jornalistas o chefe da missão do FMI, Csigi Sikata.

Acrescentando que "há a questão da inflação, que ainda está acima do desejado ou do desejável, mas mesmo assim o estado da economia em termos gerais é positivo".

"Todavia, estamos em crer que [os preços] irão baixar nos próximos meses, portanto em termos macroeconómicos a baixa da inflação será também positiva", acrescentou.

Durante duas semanas, os peritos do FMI passaram a pente fino o sistema macroeconómico e financeiro do arquipélago, tendo no final da avaliação a missão do FMI deu nota positiva ao desempenho do governo são-tomense.

"Em termos gerais os resultados desta nossa visita foi bastante positivo, há realmente avanços consideráveis a registar", disse Csigi Sikata.

"Quanto ao orçamento, constatámos que a receita foi realmente bastante forte durante estes primeiros seis meses, havendo claramente um esforço por parte do governo para se manter dentro daquilo que estava programado", sublinhou o representante do Fundo Monetário Internacional.

A missão do FMI teve encontros com o governo são-tomense, a Assembleia Nacional (parlamento), o Banco Central, com bancos comerciais e sindicatos.

A missão do FMI, que deixou este fim de semana a capital são-tomense, mostrou-se satisfeita com a redução da burocracia para a criação de empresas, afirmou que houve aumento de receitas e congratulou-se com as medidas do banco central para solidificar o sistema financeiro nacional.

"O banco central tem vindo a reforçar claramente a suas funções de supervisão e registamos com agrado a intervenção num banco comercial, cuja gestão era deficitária", enfatizou Sikata, que considera necessário o governo do arquipélago "melhorar o ambiente empresarial", reduzindo as imposições legais que são colocadas à criação de empresas.

Apesar da boa performance da economia são-tomense, o FMI constatou que o país tem ainda pela frente um grande desafio. O sector energético continua deficitário, e o Fundo detetou um grande passivo no orçamento geral do Estado devido às dívidas que as câmaras distritais e o governo regional contraíram com a empresa de água e eletricidade (EMAE).

"Apurou-se realmente uma grande acumulação de [dívidas] por parte de municípios e da região autónoma para com a EMAE. Obviamente isto revela-se um peso para o orçamento que, a não ser tratado, irá significar um grande fardo para o governo, já que terá honrar esses pagamentos", explicou Csigi Sikata.

Presidente Joseph Kabila anuncia recandidatura nas eleições de novembro na RD Congo




PEDRO CALDEIRA RODRIGUES - LUSA

Kinshasa, 11 set (Lusa) -- O atual Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, anunciou que se vai recandidatar nas eleições presidenciais de novembro.

Kabila assumiu o poder em 2001 após o assassínio do pai, Laurent-Désiré Kabila. Foi eleito em 2006 no primeiro escrutínio democrático no país dos últimos 40 anos. Jaynet Kabila, irmã do Presidente, já considerou que a sua reeleição vai permitiu a continuação da reconstrução da RDC.

No poder, Joseph Kabila promoveu uma série de reformas constitucionais que reforçaram os seus poderes, para além de ter imposto a eleição presidencial em apenas uma volta.

*Foto EPA

TOUR TIMOR ARRANCOU HOJE COM A PARTICIPAÇÃO DE MAIS DE 400 CICLISTAS




MSE - LUSA

Díli, 11 set (Lusa) -- Mais de 400 ciclistas iniciaram hoje em Díli, Timor-Leste, o terceiro Tour Timor que vai percorrer 600 quilómetros de estradas de vários distritos do país.

Com a participação de mais de 16 países, o Tour Timor está integrado no programa "Díli, cidade de paz" lançado pelo Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, há quatro anos.

Durante a semana, os mais de 400 ciclistas vão percorrer os distritos de Viqueque, Lautém, Manatuto e Baucau, terminando a prova sexta-feira em Díli, onde foi decretada tolerância de ponto para o período da manhã.

Um dos principais patrocinadores do evento é a Timor Telecom, detida maioritariamente pela Portugal Telecom, que apoiou a prova com 150 mil dólares, infraestruturas e apoio técnico.

Segunda a presidência timorense, o "Tour Timor tem vindo a assumir-se como a prova de ciclismo mais notória da Ásia".

Helicóptero despenhou-se durante missão de salvamento com cinco soldados a bordo




FV - LUSA

Timika, Indonésia, 11 set (Lusa) -- Um helicóptero de salvamento com cinco soldados indonésios a bordo despenhou-se durante uma missão de busca de dois pilotos estrangeiros desaparecidos na sequência da queda de um avião no este da Indonésia, informaram oficiais.

O aparelho Bell 412 perdeu o contacto com as autoridades no sábado à tarde, cerca de 20 minutos depois de ter descolado da localidade de Timika informou o porta-voz militar, Ali Bogra.

Até ao momento não há informação sobre vítimas ou sobreviventes.

O helicóptero despenhou-se um dia depois de um Cessna 208-B Caravan, com dois pilotos a bordo -- um australiano e um eslovaco -- e quatro contentores de combustível, ter desaparecido nas montanhas do distrito de Yahukimo.

As condições climatéricas não permitiram ainda o acesso das equipas de resgate à zona acidentada.

Macau: Presença nacional na aviação chega ao fim "por decisão política" - Diretor




PNE

Macau, China, 11 set (Lusa) -- A presença portuguesa no setor da aviação civil em Macau chega esta segunda-feira ao fim com a saída do consórcio formado pela ANA e a estatal chinesa CNAC da gestão do aeroporto, após 16 anos, por "decisão política".

No início de 2010, o consórcio TAP/BNU (SEAP) vendeu a participação que detinha na Air Macau ao grupo da Air China.

Um ano depois, a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) decidiu não renovar o contrato de gestão com a ADA - Administração de Aeroportos (constituída em 1994 pela ANA, com 49 por cento, e a China National Aviation Corporation -- CNAC, com 51 por cento), que geriu a infraestrutura desde a sua abertura, em 1995.

Após meses de negociações, a CAM adquiriu a ADA a 31 de agosto por cerca de 3,8 milhões de euros (45 milhões de patacas), indicou à agência Lusa fonte ligada ao processo.

José Carlos Angeja, um dos seis quadros da ANA em Macau e o terceiro e último a assumir a direção do aeroporto local, nos últimos quatro anos e meio, regressa a Lisboa com a "consciência de que o trabalho foi bem feito, ético, criterioso e profissional" ao salientar que a ADA foi provavelmente a "mais antiga e bem sucedida joint-venture" sino-portuguesa.

"O que aconteceu não foi devido à imputabilidade de um serviço mal feito, desvios orçamentais ou má prestação de um serviço operacional, foi uma decisão essencialmente política", disse em entrevista à Agência Lusa, sublinhando que a "decisão foi tomada em assembleia-geral da CAM, cujo sócio maioritário é o Governo [55%], não podendo deixar de ser política".

Questionado sobre o intuito dessa decisão, o responsável remeteu explicações para a CAM, que em março alegou apenas "razões comerciais" em linha com a política de 'continuidade e inovação' do Executivo e com o desenvolvimento económico da Região, sem especificar.

"Tivemos a primeira abordagem de aquisição em 2009 e tivemos a perfeita noção de que, sem o apoio que na altura tivemos do então chefe do Executivo [Edmund Ho], o que aconteceu agora teria acontecido em 2009", declarou ao salientar que essa intenção da CAM "não era velada".

A ANA "já esperava" este desfecho perante o "desenvolvimento rápido da Região" e a "passagem de Macau para a 'mãe China'", observou o responsável, destacando, porém, que "a única surpresa foi alguma facilidade e a maneira hábil como a CNAC, uma holding chinesa fortíssima com seis empresas grandes, uma delas a Air China, foi também forçada a vender".

"Com certeza que isto deve ter sido tratado a nível muito superior, de que não temos conhecimento nem nunca questionámos, mas obviamente tem de haver aqui alguma troca", considerou Angeja, para quem "algumas pessoas da CNAC ainda estarão a digerir" esta situação.

A ANA "fez tudo o que foi possível", constatou, admitindo que "houve conversas a nível diplomático, mas todos entenderam que, a partir do momento em que esta decisão, que foi política, estava consumada, haveria de se tratar da negociação de uma forma ética e sair de Macau com a cabeça levantada tal como quando se entrou".

A compra da ADA "era a situação mais privilegiada", segundo Angeja e como a própria proprietária do aeroporto reconhece, pois "a CAM nunca teve e não tem conhecimento suficiente para gerir" aquele espaço.

UM DIA PARA ESQUECER




LEILA CORDEIRO* – DIRETO DA REDAÇÃO

Domingo faz dez anos que o mundo tremeu diante das imagens dos atentados terroristas nos EUA. O fatídico “September 11” passou a ser  a imagem da tragédia e da dor entre os americanos.

Lembro-me que estava num supermercado no Sul da Florida, quando ouvi alguém dizer que tinha acontecido um acidente com um avião em Nova York. Corri pra casa, sintonizei a TV na CNN e lá estava a imagem de um enorme avião de carreira cravado numa das Twin Towers.

Não que eu seja a última cereja do bolo, mas naquele momento me veio à cabeça a possibilidade de um atentado terrorista quando ainda ninguém sabia direito o que havia acontecido. Mas, evidentemente, minutos depois repórteres e apresentadores davam a notícia que ninguém queria ouvir: o terrorismo colocara seus homens  suicidas a serviço de uma tragédia sem precedentes.

A partir daí o pânico tomou conta de todos no país. Nossos filhos, que ainda estavam em idade escolar,  ficaram retidos com  os outros alunos  nas escolas até que soasse o alarme de emergência para que os pais fossem buscá-los. Houve um certo tumulto na porta dos colégios, pois os pais queriam  logo ver seus filhos sãos e salvos em casa. O boato que corria é que haveria bombardeios em várias cidades americanas, como numa possível terceira guerra mundial.

Lojas fecharam suas portas, supermercados colocaram todo o estoque de água e alimentos não perecíveis nas prateleiras, no caso  das pessoas terem que se abastecer para passar alguns dias trancadas em casa. O medo do fim do mundo parecia ter acometido um por um dos habitantes da terra do Tio Sam, que parecia tremer sob a ameaça dos terroristas , inimigos silenciosos que tinham conseguido sacudir os alicerces da maior e mais poderosa potência do planeta.

Dez anos se passaram e uma pesquisa feita nos EUA revela que mais da metade dos americanos acha que o país está hoje mais seguro contra o terrorismo do que antes dos atentados de 11 de setembro.

Entretanto, segundo ainda a pesquisa, quase sete em cada dez americanos dizem que sentem que o espírito anti-americano se espalhou pelo planeta e que por isso o país é menos respeitado no resto do mundo. Além disso,  77% afirmam ter menos liberdade de ir e vir em território americano por causa das constantes revistas em aeroportos e fronteiras.

Ao mesmo tempo, os atentados, cuja autoria foi reivindicada pela Al-Qaeda e seu líder Osama bin Laden, executado recentemente por comandos americanos no Paquistão,  arranharam a imagem da religião islâmica, sobretudo porque há muita desinformação a respeito dos muçulmanos e suas crenças.

Com isso,  cresceu o preconceito em relação ao povo árabe por parte dos americanos a tal ponto que, segundo ainda o estudo, quase metade da população não quer nem ouvir falar da construção de uma mesquita perto de suas casas e  mais da metade sente-se desconfortável ao ver um grupo de muçulmanos prestes a embarcar em algum avião nos aeroportos.

O trauma é grande, mas ao mesmo tempo em que rejeitam e colocam em dúvida os dogmas islâmicos, 88% dos americanos admitem que os Estados Unidos foram fundados com base na liberdade religiosa para todos os cultos, mesmo para aqueles representem o oposto de suas crenças.

Portanto, talvez seja hora do povo americano, que sentiu a destruição das torres como se lhe estivessem arrancando as próprias entranhas, olhar em volta sem ver culpados em cada esquina,  porque as guerras estão aí mesmo  para provar que na briga pelo poder, nesse mundo tão cheio de violência,  não existem vencidos  nem vencedores. Pobres daqueles que se foram nos atentados, de suas famílias órfãs e dos muçulmanos inocentes que até hoje pagam caro pelo ato insano de grupos extremistas de sua raça.

*Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo, em Pembroke Pines, na Flórida

ESCRAVIDÃO URBANA





‘Caso Zara’ chama a atenção para mazela contemporânea que envolve 251 empregadores no Brasil, incluindo companhia de engenharia da Baixada, no Rio, e outras cinco empresas sediadas em áreas industriais

Rio - Casos recentes de violação dos Direitos do Trabalho — como o da confecção de Americana, no interior paulista, que fornecia peças à rede Zara produzidas por mão de obra mantida em condições que feriam a dignidade — trouxeram à tona a discussão do trabalho escravo contemporâneo. No País, o crime é proibido há mais de 100 anos. Mas, só nos últimos oito, cerca de 30 mil trabalhadores já foram resgatados em condições análogas à escravidão. Entre os 251 empregadores que integram a “lista suja” do Ministério do Trabalho (MTE), que pode ser consultada por qualquer cidadão, seis são de áreas urbanas e um deles é do Rio.

A Bell Construções, empresa sediada em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, foi contratada pela companhia de telefonia Claro, em 2009, e levou 18 trabalhadores da Baixada para Vila Velha (ES) a fim de implantar cabos de fibra óptica. Segundo relatório do MTE, os operários foram mantidos por 20 dias em condições degradantes de alojamento: não havia cama, água potável nem locais adequados para preparo de refeições. Itens básicos de higiene, como pastas de dente e sabonete, não eram repostos. A jornada de trabalho começava às 7h e terminava após as 20h, ou seja, 13 horas ao todo, quando o permitido por lei são 8 horas.

Um dos trabalhadores era Marcelo Marques, morador de Nova Iguaçu. O operário é pai de duas crianças e relatou a O DIA as condições em que o grupo se encontrava: “No alojamento, o chuveiro era sobre o vaso sanitário, que vivia entupido. A gente não sabia se estava pisando na água do chuveiro ou na do vaso”.

Como a escravidão, geralmente, está relacionada à área rural, os próprios trabalhadores não se sentem vítimas. Para Alcimar Candeias, chefe da fiscalização no Espírito Santo, o operário não tem a cultura de reclamar e costuma ser honesto. “Mesmo em condições irregulares e sem retorno do empregador, ele cumpre seu trabalho até o final”, contou.

Após acordo judicial, a Bell Construções pagou multa de R$ 5 mil. A Claro, que não está na “lista suja”, foi punida em R$ 55 mil, por danos morais. Procurada, a empresa de telefonia informou “que cumpre fielmente a legislação trabalhista”. Em nota, a Bell negou ter fornecido condições degradantes de alojamento.

“Cultura de prevenção” tem evitado mortes em áreas atingidas por enchentes - secretário




CORREIO DO BRASIL, com ABr - de Curitiba

O secretário nacional da Defesa Civil, Humberto Viana, que acompanhou nas últimas horas os danos causados pela chuva em Santa Catarina, reconheceu que o estado tem sido atingido com frequência,  mas destacou o que chama de cultura de prevenção que, segundo ele, vem evoluindo e evitando muitas mortes.

O secretário estadual da Defesa Civil, Geraldo Althoff, disse à Agência Brasil que é impossível um plano de ação que evite totalmente que rios transbordem ou que ocorram deslizamentos de terra. “Sempre vamos depender  da quantidade de chuva e isso é imprevisível”, ressaltou. Segundo ele, nos últimos 40 dias tem chovido constantemente na região do Vale do Itajaí, chegando a 500 milímetros (mm). É  impossível, acrescentou, que o solo absorva tamanha quantidade de água.

Um termo de cooperação técnica foi firmado em 2010 entre o  governo de Santa Catarina e o banco de cooperação japonês Jica (Japan International Cooperation Agency) para estudar os efeitos, tomar providências e planejar a prevenção nas áreas atingidas por desastres como os que atingiram o estado em 2008. No dia 22 de novembro de 2008, 135 pessoas morreram soterradas devidos à chuva frequente que durou cerca de três meses e que atingiu mais de 2 milhões de catarinenses.

Na época, especialistas apontaram como principal causa do desastre a solifluxão, quando parte do solo se desmancha. Relatórios da Defesa Civil do estado mostram que geólogos identificaram mais de 4 mil pontos de deslizamento nas áreas atingidas. Entre os dias 22 e 23 de novembro, os níveis de precipitação pluviométrica alcançaram números recordes. Em Blumenau, durante cinco dias, choveu mais de 600 mm, quando a média mensal é de 110 mm a 150 mm.

O plano de ação para o Vale do Itajaí ficou pronto agora e um estudo de viabilidade deverá ser entregue nos próximos dias ao governador Raimundo Colombo. É um trabalho de ações de prevenção para os próximos dez anos e vai exigir investimentos da ordem de R$ 200 milhões. O plano inicial do Banco Jica, financiador da obra, previa ações a serem desenvolvidas em um prazo de 50 anos e estava orçado em R$ 2 bilhões. O governador Joaquim Colombo autorizou inicialmente o estudo de viabilidade para dez anos. “Mesmo assim, a situação estará resolvida apenas em parte”, observou o secretário.

FATOS EM FOCO




Hamilton Octavio de Souza - de São Paulo – Correio do Brasil

Convênio médico

Grande embuste da privatização do setor de saúde, os convênios médicos privados estão hoje massificados e cada vez mais sucateados no atendimento dos conveniados, na exploração dos médicos e na precarização dos serviços prestados. Estão tão rebaixados que, no Estado de São Paulo, conseguiram de presente a reserva de 25% dos leitos nos hospitais públicos para conveniados do setor privado. Por que pagar o convênio privado?

Santa ingenuidade

Até parece um conto de fadas: o Ministério  dos Esportes repassou R$6,2 milhões ao  sindicato dos dirigentes de futebol, o  Sindafebol, para fazer o cadastramento  nacional das torcidas dos clubes. O  sindicato dos cartolas embolsou o dinheiro  e não cuidou da contrapartida, mesmo  porque não tem competência para tal serviço. Pergunta básica: por que o Ministério liberou o dinheiro sem ter a garantia de que o serviço seria realizado?

Opinião pública

O movimento estudantil chileno realmente colocou o governo neoliberal de Sebastián Piñera contra a parede: pesquisas de opinião indicam que a aprovação do governo caiu para o índice mais baixo até agora, não passa dos 26%. De outro lado, as pesquisas comprovam que 77% da população apóiam o movimento dos estudantes – por ensino público e o fim do lucro na Educação. Aqui no Brasil o ensino privado continua dando todas as cartas!

Socialismo

Dias atrás, num debate sobre as esquerdas, no Brasil, o dirigente de uma organização política tida como sendo de esquerda, mas profundamente atrelada ao governo atual, justificou o apoio a políticas neoliberais da seguinte maneira: o programa máximo é o socialismo, mas como não existe correlação de forças para tanto, o que se faz é acumular forças com o programa de alianças. Será mesmo que se aliar aos ruralistas levará ao socialismo?

Concentração

Já foi o tempo em que cada farmácia tinha um dono, farmacêutico ou não, que se dedicava à atividade para a sustentação de sua própria família. Agora dois grandes grupos empresariais de drogarias controlam 1.400 farmácias em cinco estados. A concentração típica do capitalismo coloca nas mãos desses grupos o que deve ou não ser comercializado, e nos preços que eles bem entenderem. O prejudicado é o cidadão!

Ressocialização

Constituída para apoiar os direitos judiciais e fiscalizar o tratamento e as condições de acolhimento dos presos, a Associação de Amigos e Familiares de Presos, que funciona na Cohab 2, em Itaquera, São Paulo (as.amparar@gmail.com), desenvolve duas campanhas no momento: uma para assegurar a ressocialização digna (com estudo, trabalho e remuneração) e, outra, contra a privatização dos presídios. Força para a Amparar!

Ponto eletrônico

O Ministério do Trabalho garante que a exigência de ponto eletrônico nas empresas – com mais de 10 trabalhadores – entra em vigor no dia 3 de outubro. Os empresários recorreram ao Judiciário para impedir a introdução do registrador eletrônico do ponto, que possibilita ao trabalhador comprovar a jornada de trabalho, horas extras e adicionais legais. Falta agora uma campanha nacional para exigir o registro em carteira!

Saúde pública

Ao elogiar o documentário “O Veneno Está na Mesa”, do cineasta Silvio Tendler, que mostra os danos causados pelos agrotóxicos no Brasil, o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, Emanuel Cancella, afirmou: “A única entidade de visibilidade nacional e internacional que faz campanha em defesa da saúde dos brasileiros, denunciando o uso indiscriminado de agrotóxicos e transgênicos, é o MST”.

Direito humano

Movimentos sociais e populares lançaram, dia 5, na Câmara Municipal de São Paulo, o Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, que tem por objetivo fortalecer a luta pela instalação da Comissão da Verdade, prevista no Projeto de Lei Federal 7.376/10. O comitê defende a “apuração das circunstâncias, das responsabilidades e punição dos autores” dos crimes praticados pelo Estado durante a Ditadura Militar (1964-1985).

Moçambique: FOME COMPROMETE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS




AYAC - LUSA

Chimoio, 11 set (Lusa) - Fome, excesso de actividades para sobrevivência e prática de agricultura em tempo de aulas, impedem a participação de alunos adultos em Manica, centro de Moçambique, comprometendo a redução da taxa de analfabetismo, disse à Lusa fonte governamental.

Em declarações a Lusa, Simões Caipenda, chefe da repartição de Alfabetização e Educação de Adultos, na direcção provincial de Educação e Cultura de Manica, disse que o analfabetismo "emperra acções de combate à pobreza", pelo que é necessário reverter a actual situação.

"Estamos a desenvolver iniciativas de habilidade para a vida nos programas de alfabetização e educação de adultos, tais como medicina verde, horta orgânica, cestaria, olaria e gestão de pequenos negócios para atrair os candidatos. Neste programas eles aprendem leitura e escrita, fazendo.", disse Caipenda.

Em 1997 a taxa de analfabetismo em Manica estava situada em 57.9 por cento tendo caído para 49 por cento no primeiro semestre de 2011, numa redução de 8.9 pontos percentuais em 14 anos.

Entretanto, a continuação de aulas debaixo de árvores, escassez de livros para a educação de adultos e desistências, tornam uma miragem o cumprimento dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM), cuja meta é reduzir até 30 por cento a taxa de analfabetismo em 2015.

"Temos o desafio de reduzir a taxa de desistência dos alfabetizandos, que atingiu o seu pico em 2007 (39 por cento) para 15 por cento. Traçámos estratégias de retenção nos programas de alfabetização e educação de adultos para travar desistências", disse Simões Caipenda, que falava na passagem do dia internacional de alfabetização.

Em Mossurize, onde decorreu a cerimónia central do nível de Manica, vários centros de escuta do programa alfa-rádio, educação via rádio, alfabetização regular e programas de educação não formal funcionam para alfabetizar a população.

Ao todo, 958 centros de alfabetização foram abertos em Manica, onde frequentam 54.465 alfabetizandos, 408 membros dos conselhos consultivos e 1.161 líderes comunitários, assistidos por 1009 alfabetizadores.

"É plano do governo alfabetizar um milhão de pessoas por ano, sobretudo mulheres, pois só assim podemos combater a pobreza, reduzir devastação do meio ambiente e atingir o desenvolvimento", disse Estêvão Rupela, director provincial da Educação e Cultura de Manica.

A efeméride este ano celebrou-se sob o lema "Façamos da alfabetização uma lanterna da noite escura que nos indica o caminho a seguir".

Processo contra líder da Juventude do ANC prossegue em local secreto na África do Sul




AP - LUSA

Joanesburgo, 11 Set (Lusa) - As audiências do processo disciplinar instaurado pelo Congresso Nacional Africano (ANC) contra o líder da sua ala jovem, Julius Malema, prosseguem hoje em local secreto.

Após várias hesitações na semana passada, durante a qual as audiências do processo foram suspensas para a resolução de questões processuais, o comité disciplinar do partido decidiu levar a cabo as audiências a partir de hoje em local secreto para evitar as manifestações dos apoiantes de Malema no centro da cidade, onde se situa a sede do partido.

Empresas com escritórios nas imediações da sede do partido ameaçaram o ANC com processos judiciais se os apoiantes de Malema e as forças da ordem voltarem a envolver-se em escaramuças na área, onde as primeiras audiências tiveram lugar, afastando clientes e público da zona com sérios prejuízos financeiros para as empresas.

Malema e outros cinco dirigentes da Liga da Juventude do partido no poder na África do Sul são acusados pela liderança partidária de indisciplina e tentativas de sujar o bom nome do partido e criar divisões internas.

Amanhã as audiências serão de novo suspensas para que Malema compareça no Tribunal Penal de Joanesburgo, onde deverá ser sentenciado num processo-crime no qual é acusado de incitar ao ódio racial.

O processo-crime foi instaurado pela organização cívica Afriforum, a qual acusou Malema de incitamento ao assassínio de brancos de ascendência holandesa (os afrikaners), ao entoar em comícios cânticos com a frase "Kill the bóer" (Morte ao Boer) e "Shoot the bóer" (Disparem contra o Boer), acusação da qual o controverso dirigente político se defende com o argumento de que se tratam de cânticos herdados da luta contra o "apartheid" e, como tal, parte do património histórico do movimento de libertação.

Ontem, durante um comício no bairro pobre de Alexandra, a norte de Joanesburgo, Julius Malema voltou a desafiar a liderança do seu partido, afirmando que está "preparado" para enfrentar o comité disciplinar do partido e que nada tem a recear.

Perante cerca de um milhar de pessoas, Malema voltou a classificar os brancos do país como "ladrões" e "assassinos", que teriam roubado as terras ao povo negro, incitando os seus seguidores a "lutarem pela expropriação das terras e pela nacionalização das minas e dos bancos".

*Foto em Lusa

Portugal - Congresso PS: Seguro garante que «não há rivais» dentro do partido




TSF - Ontem às 21:56

O secretário-geral do PS assegurou, após a vitória da sua moção estratégica em Braga, que no partido «não há rivais» e que sabe bem conviver com as críticas.

«No PS não há rivais. Conhece algum líder democrático que não tenha críticas e que não saiba conviver com as críticas? É que se não conhecesse tem aqui um na sua frente», disse Seguro aos jornalistas depois de conhecidos os resultados das votações.

O líder socialista respondia assim a questões dos jornalistas aos comentários que o dirigente socialista António Costa fez esta tarde, tendo afirmado que António José Seguro se tem preocupado em distinguir-se do anterior líder do PS, José Sócrates, procurando «intimidade» com os jornalistas e envolvimento com a «teia mediática».

António Costa referia-se a uma inesperada visita de Seguro às instalações dos jornalistas e dos técnicos das empresas de comunicação social presentes no congresso de Braga, à qual se seguiu uma deslocação dos jornalistas aos bastidores de trabalho utilizados por Seguro no congresso, «Não há incidentes absolutamente nenhuns. Como sabe eu tive a oportunidade de ir lá acima, não só conhecer os locais onde trabalham os vossos colegas, como cumprimentá-los», explicou Seguro.

Seguro acrescentou que tal atitude «foi uma acção apenas de cortesia e de agradecimento» por ter muito respeito pela comunicação social e agradecer o seu trabalho no Congresso.

«Muito satisfeito com o resultado» das votações, Seguro realçou ter sido «uma boa expressão» do que estava à espera e que «o PS tem agora uma moção de estratégia».

Neste momento, acrescentou, «só falta completar com os dirigentes dos órgãos nacionais para ficarmos com a casa totalmente arrumada».

A moção de estratégia global do secretário-geral do PS, António José Seguro, foi hoje aprovada pelos delegados do Congresso com 855 votos, num total de 1.129 votantes, o que corresponde a 75,73 por cento dos votos.

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Entrega de etarra a Espanha seria "escandalosa perda de soberania nacional" - advogado




DINA ALEIXO - LUSA

Caldas da Rainha, Leiria, 11 set (Lusa) - A entrega do alegado membro da ETA que na terça-feira começa a ser julgado em Caldas da Rainha à Justiça espanhola representaria "uma escandalosa perda de soberania nacional", considera o advogado José Galamba.

"Se o Estado português tivesse aceite entregar Andoni Fernandez às autoridades espanholas, seria uma perda de soberania escandalosa, que significaria que a Justiça portuguesa não era capaz de julgar as pessoas que foram cá detidas e a quem se imputa o cometimento de crimes graves em Portugal", disse à agência Lusa José Galamba, advogado do alegado etarra que terça-feira começa a ser em Caldas da Rainha.

Andoni Zengotitabengoa Fernandez, de 32 anos, foi identificado pelas autoridades portuguesas como um dos residentes da vivenda do Casal da Avarela, no concelho de Óbidos, onde em fevereiro de 2010 foram descobertos 1.500 quilo de explosivos.

*Foto EPA

Egipto promete justiça rápida depois de ataque à embaixada de Israel no Cairo




Rita Siza – Público

Suspeitos da violência serão presentes a tribunal de emergência, diz junta militar que governa o país

O Egipto anunciou medidas expeditas para prender e punir os responsáveis pela violência contra a embaixada israelita no Cairo na madrugada de sábado, que causou três mortos e mais de mil feridos, obrigou à declaração do estado de alerta e levou Israel a retirar o seu pessoal diplomático do país.

Numa comunicação televisiva, o ministro da Informação, Osama Hassan Heikal, informou que os indivíduos envolvidos nos motins e no ataque à embaixada israelita serão encaminhados para um tribunal de emergência para questões de segurança. Afirmou ainda que as autoridades aplicariam “todos os artigos da lei de emergência para garantir a segurança” e que cumpriria as convenções internacionais para a protecção das missões diplomáticas.

A declaração oficial foi feita depois de uma reunião de crise do primeiro-ministro Essam Sharaf com o marechal Mohamed Hussein Tantawi, que lidera o conselho militar que governa o Egipto desde a demissão do Presidente Hosni Mubarak, a 11 de Fevereiro. De acordo com a televisão estatal, Sharaf colocou o seu cargo à disposição, mas os líderes militares recusaram a sua resignação. “O país viveu um dia difícil que provocou dor e preocupação em toda a população. Não deixaremos que o comportamento de alguns ameace a revolução egípcia”, sublinhou o ministro da Informação.

A investida contra a embaixada israelita — a segunda em menos de um mês — aconteceu depois de uma manifestação que voltou a reunir milhares de pessoas na Praça Tahrir, na noite de sexta-feira. À noite, grupos de manifestantes dirigiram-se para a embaixada de Israel, destruindo a barreira de cimento que serve de protecção ao edifício, queimando pneus e arremessando pedras contra a polícia, que disparou para o ar e usou gás lacrimogéneo para dispersar o protesto.

Um grupo conseguiu entrar nos escritórios dos serviços consulares, atirando a bandeira de Israel e centenas de documentos pela janela. Alguns membros da representação diplomática israelita ficaram encurralados lá dentro.

Os manifestantes exigiam o encerramento da embaixada, o fim das exportações de gás para Israel e a anulação do acordo de paz entre os dois países, assinado em 1979.

Telavive quer manter paz

A tensão e ressentimento contra Israel está em crescendo no Egipto após a morte de cinco soldados egípcios numa “acção defensiva” do Exército judaico na região de fronteira, em resposta a uma incursão de militantes palestinianos que fez oito vítimas civis.

Activistas políticos e líderes partidários condenaram a violência, mas alguns disseram concordar com as posições anti-Israel dos manifestantes.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao conselho militar do Egipto que estava disponível para ajudar a resolver a situação, mas lembrou que o Governo do Egipto tem de “honrar as obrigações internacionais” e assegurar a protecção das embaixadas no seu país.Vários outros países condenaram o ataque de sexta-feira, como o Reino Unido, a Alemanha ou o Canadá.

Ao início da noite, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, procurou acalmar os ânimos, garantindo que apesar de “sérios”, os incidentes no Cairo não punham em causa o compromisso de paz assumido pelos dois países há 32 anos. Também a líder da oposição, Tzipi Livni, considerou que “a paz entre Israel e o Egipto é de interesse estratégico para os dois países e precisa de ser preservada”.

Num discurso na televisão, Netanyahu agradeceu a “acção decisiva” da polícia do Cairo na assistência aos seus funcionários diplomáticos, e garantiu que o seu embaixador Yitzhak Levanon está preparado para regressar ao Egipto “mal seja possível”.

O líder israelita reafirmou o interesse do seu Governo na reabilitação das relações diplomáticas com o Egipto e também com a Turquia, arrefecidas por causa de um raide militar israelita a uma flotilha dirigida a Gaza, no qual morreram nove cidadãos turcos.

PORTUGAL ISLÂMICO: UMA COMUNIDADE SEM SOBRESSALTOS


foto Diana Quintela/Global Imagens

Augusto Freitas de Sousa – Jornal de Notícias

As designações associadas a Antes e Depois de Cristo (AC/DC) marcaram a história, mas até agora ninguém definiu o equivalente para o ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque há dez anos atrás. Mas já não há dúvidas: o mundo está diferente e Portugal não lhe passa ao lado.

Raff naquele dia não foi à Mesquita. Acabou o jejum sozinho, em casa, após um dia de trabalho como os outros. Não houve festa nem roupa nova, apenas a primeira oração da manhã.

Terça-feira, dia 30 de Agosto, foi um dia igual ao anterior, num restaurante da baixa lisboeta a servir os clientes, a quem não esconde que é muçulmano, mas onde adopta uma postura "ocidentalizada" porque "é assim que se sente bem". Quase não pratica o culto e considera-se o muçulmano mais português que existe.

Raff foi um dos muitos muçulmanos que assistiu ao 11 de Setembro de 2001 pela televisão e que faz parte da comuidade portugesa, com 40 a 50 mil muçulmanos. A poucos dias da data em que se assinala uma década sobre a destruição das Torres Gémeas em Nova Iorque, o sentimento entre os muçulmanos portugueses é comum: há um antes e um depois. Anteriormente, raramente os portugueses abordavam questões ligadas ao Islão ou aos islâmicos, hoje olham sobretudo para roupa ou para a barba de uma forma diferente. É inevitável, diz Yiossuf Admangy, editor da única revista islâmica - "Al Furqan" - em Portugal.

Todavia, salvo raras excepções, como a detenção de um radical islâmico no Porto em 2007, a comunidade islâmica em Portugal raramente aparece nas páginas dos jornais. Mas relativamente à imprensa paira no ar um sentimento de desconfiança, sobretudo de quem não está habituado a falar com jornalistas ou quem apenas vai espreitando as notícias no mundo que ligam o Islão ao terrorismo.

Dia de festa

Na Mesquita Central de Lisboa, o paquistanês Aarif transpirava alegria e não conseguia esconder algum alívio no primeiro dia a seguir ao jejum do Ramadão. O cigarro descontraído no canto da boca marcava o regresso à normalidade. Foram 30 dias sem comer, beber e fumar durante o dia, mas o hábito de um costume que pratica há mais de 15 anos já não lhe traz novidades.

Perto da Praça de Espanha, às 7.30 horas da manhã, poucos lisboetas se aperceberam das centenas de muçulmanos que encheram a Mesquita Central de Lisboa para celebrar o "Id ul Fitr", a festa que marca o fim do mês do Ramadão, do jejum que serve, segundo os crentes do Islão, "para recarregar as baterias espirituais".

Das cores berrantes dos guineenses ao azul claro, mais discreto, dos homens do Magreb, a mesquita encheu-se para ouvir o imã Sheikh David Munir na primeira oração da manhã. Um dos membros da comunidade mais conhecidos dentro e fora de portas.

Cá fora chegavam, apressados, os últimos, a correr a descalçar-se, junto a um amontoado de centenas de sapatos no pátio da mesquita, que pronunciavam uma sala completamente cheia.

A maior parte, eram portugueses dos países lusófonos, sobretudo de Moçambique e da Guiné-Bissau. Uma imagem que retrata a comunidade muçulmana portuguesa: a maior parte oriunda daqueles países de África, alguns de Angola e minorias vindas da Índia, Paquistão, Bangladesh e de alguns países do Magreb como o Senegal ou Marrocos.

Sem polémicas

As mulheres em trajes de festa, maquilhadas, com os cabelos arranjados, assistiam às orações numa sala própria, enquanto os homens, também com roupa festiva, na sala maior, ouviam atentamente as palavras do imã. Uma separação que acontece dentro das mesquitas e não tanto nas famílias. Em Portugal, a maior parte das mulheres trabalha, estuda e nem todas usam o tradicional véu - Hijab -, que tanta polémica tem levantado em países como a França, Bélgica ou a Espanha.