quinta-feira, 17 de maio de 2012

A AMPLA CIDADE



Rui Peralta

Os novos rebanhos e os velhos lobos

Todos temos medos e também sonhos. Encobrimos ambos, com véus diversos e aí tornam-se segredos. Encobrimos os medos e os sonhos assumindo muitas vezes atitudes de incredulidade ou de falsa surpresa. Algumas vezes deixamos cair os véus com que os encobrimos, geralmente, quando somos realmente surpreendidos pelas ocorrências aleatórias da vida. Quando isso acontece, quando os véus caem e deixam de tapar os nossos segredos, ficamos perplexos. A perplexidade é o único estádio de consciência em que nós somos porque somos mesmo. Nunca ficamos muito tempo em perplexidade. Os automatismos do subconsciente procuram de imediato véus para o tapar. E isto passa-se com os indivíduos, com os grupos humanos, sociedades e estados. Mas já voltamos a este assunto. Primeiro vou continuar com história contada por Chris Two no seu restaurante de Veneza. Contou ele:

“Aqui é a entrada do Paraíso” o anjo explicou na relva fresca sentado. “E onde fica este local?” Questionou Chris Two deslumbrado. “O Paraíso situa-se numa região celestial, acessível pelo Jerusalém sagrado, sendo o Templo seu portal” o Anjo esclareceu. “Fala-me do Paraíso, Anjo doutoral” Chris Two, pediu fascinado, encantado, abismado quando viu a beleza que o rodeava: a beleza do anjo, a beleza das cores, a beleza das formas, a beleza daquele lugar…

Aos seus ensejos o Anjo correspondeu (sempre satisfazia os seus desejos). “É o Inferno um local de sofrimento e é o Paraíso um centro de ilusão. No Inferno o mal nasceu mas no Paraíso foi a concepçäo. Aqui as almas aprendem. Primeiro a adaptação. Aqui no quarto Céu onde os teólogos iludem e as almas acreditam que realizam o que em vida nunca fazem, até perderem o discernimento. Na alucinação vêem-se entre amigos e familiares. De ilusões sobre ilusões constroem-se os paraísos…Sobre os falsos sorrisos dos que mais amares.

A crença no Paraíso é alimentada pela busca permanente de uma recompensa. O Homem gosta de ser recompensado, como os cães que agradam ao dono para sentirem o prazer de uma festa ou a satisfação de uma brincadeira, o sabor de um biscoito…Nas relações entre o Homem e Deus, o Homem é o cão. Se os Homens comportarem-se bem, não fugirem ao cumprimento das leis e forem bons elementos do rebanho, então Deus oferece-lhes um doce: a entrada no Paraíso, onde a alma descansará eternamente. O Paraíso é um dogma dos teólogos onde o objeto da criação é o céu e não o Homem criador e criativo.

No céu habitam a Santíssima Trindade e os anjos, exceto os anjos que caíram para o Inferno ou para a Terra, onde vivem entre os Homens. Mais tarde os teólogos provocaram uma explosão demográfica, no céu teológico, ao povoarem-no com os Homens que experimentaram a Redenção, os antigos Patriarcas, os Profetas e os Santos. Depois entraram os que passavam primeiro pelo Purgatório, o fogo purificador, como se fossem apurados num concurso. Mesmo assim insatisfeitos os teólogos decidiram: As almas dos batizados que não cometeram pecados durante a vida entrariam, de imediato, no céu.”

O Anjo interrompeu a explanação e olhou para Chris Two aguardando por alguma questão. “Qual a extensão do Paraíso?” Questionou Chris e o Anjo respondeu: “O Paraíso tem a dimensão da Terra, é um mundo paralelo, onde só existe o lado considerado bom do Homem, dos animais, das plantas, dos minerais e das coisas”. “Pensava que o Paraíso era apenas para os Homens”, interrompeu Chris, intrigado. “O Paraíso não é um exclusivo do Homem. Prolonga-se, vai além, percorre todo o reino animal e vegetal, chega mesmo ao reino mineral. Entram no Paraíso, não como meros objetos funcionais, como acontece com o Inferno, mas num plano de igualdade com o Homem, partilhando a felicidade” explicou o Anjo, e continuou: “Todos os Paraísos são imagináveis, mas todos são uma apoteose do que temos em vida.” “Todos os Paraísos, dizes… há então diversos Paraísos?”A pergunta de Chris revelava a sua crescente curiosidade. A resposta do Anjo foi paciente e elaborada. “Como irás observar, em breve, existem vários níveis de Paraísos. O nível mais elevado é reservado aos que se preocuparam com o conhecimento e fizeram dele a principal riqueza. Aqui as almas são puro êxtase. Nos outros níveis o grau de felicidade é tanto maior quanto mais elevado for o nível a que se encontra o Paraíso. Gosto de associar a imagem do Paraíso aos prazeres eróticos. Fica mais simples de compreender. S. Tomás de Aquino conhecia 3 Paraísos: O terreal, o celestial e o espiritual.

O terreal seria o prazer carnal? O celestial, talvez, o êxtase do orgasmo? E o espiritual? Tomás de Aquino considerava-o uma visão beatífica. Vamos respeitar as palavras do filósofo de Deus. Talvez este Paraíso seja o momento pós-orgasmo, quando os corpos se entrelaçam, lânguidos, no leito” “Então os Paraísos podem ter diferentes características?” Questionou Chris Two, depois de ter refletido sobre o exemplo do Anjo. “ Não. Há duas características no Paraíso, que o torna uma identidade una, apesar dos seus níveis e da sua imensa pluralidade e pluridimensionalidade. A primeira característica é a felicidade. Todos os Paraísos são felizes, mas nem todos são livres. Talvez por isso transformem-se em Infernos. O descanso é a segunda característica do Paraíso. Deve ser porque a vida cansa” respondeu o Anjo, aguardando por mais perguntas. “Adão habitava que Paraíso?” A curiosidade de Chris Two aumentava a cada explicação do Anjo. “Adão habitava Eva. Ela era o seu Paraíso” afirmou o Anjo, fazendo um movimento com as suas asas.

Vou parar por aqui (volto a esta história na próxima ampla cidade) para voltar ao tema de hoje. Vivemos numa sociedade cada vez mais perturbada por tiques de irracionalidade. Qualquer que ela seja. É um mundo em que cada vez mais os medos sobrepõem-se aos sonhos. E é nas grandes cidades que as paranóias colectivas mais ressaltam. Pyongyang ou Seul, Havana ou Rio de Janeiro, São Paulo ou Buenos Aires e Caracas, Bogotá ou Lima e Santiago, Moscovo, Praga ou Budapeste, Pequim, Tóquio ou Manila, Telavive, Teerão ou Damasco, Washington, Chicago ou Toronto, Luanda, Maputo ou Capetown, Lisboa, Roma ou Paris, em todas estas cidades e em todas as outras cidades do mundo, o medo é uma constante.

A ordem mundial instituída após a segunda guerra abriu em alguns pontos do mundo um universo de bem-estar. Os manuais de politologia enchiam as páginas com o Estado do mesmo (do bem-estar). Claro que havia pontos do globo em que as pessoas sofriam. Em África, em grande parte da Ásia, na América Latina, existia fome, medo, miséria, ditaduras, mas mesmo nas ditaduras onde o medo reinava e apoderava-se dos espíritos dos Homens, existiam modelos de virtude para vencer o medo ou os medos, existiam os sonhos de um mundo melhor e a possibilidade de o realizar. A esperança não tinha véus. O Norte vivia bem e o Sul almejava lá chegar, fosse pelo Ocidente ou pelo Oriente.

Fumava-se nas ruas e nos cafés, nos aeroportos, andava-se á boleia, fazia-se campismo selvagem, ia-se a todo o lado, os aeroportos eram locais (nas sociedades capitalistas mais avançadas) onde a velha ética comercial era levada em conta (ser cliente de uma companhia aérea era uma honra para as companhias e ser turista era sinal de ser bem vindo), enfim era um mundo que parecia, bem ou mal, caminhar num sentido de prosperidade e os medos estavam identificados: para uns era o comunismo, para outros a vida debaixo de uma ditadura fascizante, para outros o subdesenvolvimento, mas eram batalhas que poderiam ser racionalmente efectuadas. Claro que a guerra fria trouxe consigo toda uma série de paranóias sociais complexas. Por exemplo: Os Estados Unidos da América deram mostras de toda a irracionalidade durante a caça às bruxas e com o problema da segregação nos seus estados do sul, mas a caça às bruxas desapareceu e passado uns anos foi efectuado até um pedido de desculpa e o mesmo aconteceu com as legislações segregacionistas. As lutas tinham um sentido preciso e os medos eram identificados.

É claro que as sociedades sempre criaram os seus medos. Raramente eles eram reais mas sempre davam jeito aos que queriam dominar. O medo sempre foi uma forma dos grupos dominantes prevalecerem sobre os grupos dominados, fosse qual fosse o tipo de sociedade, capitalista ou de socialismo real, republica ou monarquia, totalitária ou liberal, democrática ou aristocrática, o medo sempre foi uma técnica de domínio sobre o outro.

Reparem na vida dos cidadãos de Pyongyang e de Seul. Em Pyongyang têm medo que o capitalismo que prevalece em Seul rompa por ali dentro e traga a exploração desenfreada e o desemprego e outras coisas que o regime local diz existirem na outra capital e em Seul têm medo do regime do norte e de serem obrigados a chorar cada vez que morrer um grande líder. Tal como em Havana os cubanos têm medo de voltarem a ser uma república de putas e vinho verde, como eram nos tempos anteriores á revolução, um depósito de lixo dos yankees e em Miami têm medo da ameaça cubana e de serem obrigados a trabalhar.

Mas existem agora, em todo o mundo outros medos. O medo de fumar, por exemplo. Os fumadores, hoje, são tratados como os negros na África do Sul no tempo do apartheid, ou nos estados do sul do império do norte. Compramos um bilhete para viajar e não temos direito a fumar. Sentamo-nos num bar a beber uns copos ou numa pastelaria a comer um bolinho e a tomar um cafezito e towers! Proibido fumar. Faz mal á saúde, diz a propaganda dos novos estados defensores da saúde. Pois…mas não sei se estão a ver…somos maiores e vacinados. Que não possamos perturbar os não-fumadores é uma coisa, mas que sejamos enjaulados para fumar um cigarrito, que pagamos bué de taxas para comprar o maço de cigarros e que ainda por cima somos vistos como anómalos…Nã…Aí - oh virtuosos da saúde mundial! - anda história mal contada. Vamos lá a abrir o jogo e mostrar as cartas todas! É preciso ser muito naïf para engolir essa da vossa preocupação com a saúde. Cheira-me a fundamentalismo.

E a propósito de fundamentalismo. Aqueles que têm de viajar de avião e que são obrigados a passar as passinhas do algarve nos aeroportos, ou melhor, na Tirania aeroportuária, que reina neste mundo de policiomaníacos e ditadorezitos de baixo potencial, deviam começar a ocupar os aeroportos. Compramos bilhetes, não os roubamos, compramos e como qualquer compra é um acto contratual. Não temos de estar a ser revisados, despidos, mal tratados, vistos como terroristas suspeitos, só porque temos dinheiro para comprar um bilhete de avião e viajar. Então não andaram a apregoar as benesses da livre circulação, que é de facto um direito de todos nós e agora querem mal tratar os que fazem uso desse direito?

Mas o mais irritante é que isto é tudo feito em nome do bom senso e da nossa segurança. Ou seja, o Estado, qualquer que ele seja, a instituição pública Estado, acha-se no direito de assumir o papel de padrasto bondoso (só podem ser padrastos, porque ter papás assim é demasiado infame para qualquer um) e proteger-nos dos malefícios que provocamos á nossa saúde. Existem ainda uns mentecaptos amorais que carregam um argumento mais economicista que é o facto de o tabaco provocar quebras de produtividade e de obrigar os contribuintes a gastos excessivos com a saúde, principalmente com as doenças pulmonares e o cancro! Então e o efeito contrário oh sublimes almas despenadas! Não será que provoca aumento de custos o desemprego gerado pelas vossas medidas de anjos da guarda? Já pesaram na balança os números? Já repararam quantos famílias dependentes directa e indirectamente dependentes do sector do tabaco, perdem a sua fonte de rendimento a nível mundial? São mesmo umas andorinhas estes moralistas de trazer por casa. E quanto á segurança aeroportuária? Pois é os terroristas criados por eles serviram bem o propósito de ensaiar as mais sofisticadas técnicas de controlo da vida das pessoas. E da indústria da segurança que andava muito por baixo nos contractos comerciais e nas cotações bolsistas.

Mas o problema principal destes novos medos e destes anjos protectores que infestam as nossas vidas é o que eles representam. São símbolos do futuro que nos preparam. É a novíssima ordem mundial, baseada na velhíssima ordem mundial do funil. O largo para eles o estreito para nós. Porque nós somos os irresponsáveis, que gastamos muito, qua não sabemos preservar a nossa saúde, que só queremos salários altos, que não gostamos de migrar, que não queremos trabalhar mais horas, que não sabemos aproveitar as benesses do desemprego, que não somos empreendedores, enfim somos umas bestas que andamos para aqui e se não forem eles, os senhores iluminados pela lanterna dos bons princípios, matamo-nos todos uns aos outros.

Faz-me lembrar a história dos pobrezinhos mas honestos e respeitosos, impostas a países onde os cidadãos eram analfabetos, alcoólicos, sifilíticos e tuberculosos… O que chateia é a figura que nos querem pôr a fazer: Ovelhinhas a pastar para os lobos alimentar…

* Ver todos os artigos de Rui Peralta – também em autorias na barra lateral

Ferreira Leite alerta para possibilidade de nova classe de pobres sem recuperação



Jornal de Negócios

A antiga ministra Manuela Ferreira Leite alertou hoje que é preciso ter cuidado quando se alteram as regras da Segurança Social, porque há o risco de se criar uma nova classe de pobres sem capacidade para recuperar.

Numa intervenção na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) sobre o tema "Que arquitectura para um novo modelo de Estado social?", a antiga ministra das Finanças sublinhou a importância do contrato estabelecido entre os cidadãos e o Estado para garantia das reformas.

"Tudo o que seja alterar ou violar, não cumprir este contrato, é algo que é extremamente delicado, direi que de alguma forma perigoso e que se tem que levar a que não haja uma definitiva quebra de confiança entre os cidadãos e o Estado", frisou a também ex-presidente do PSD.

Ferreira Leite repetiu diversas vezes ser "absolutamente necessário" que a questão da Segurança Social seja tratada com "o máximo dos cuidados", porque há o risco de se criar "uma nova classe de pobres que são os pobres sem capacidade para recuperar", algo que pode "fazer perder a confiança entre as pessoas".

"O Estado arroga-se o direito de definir o montante a que as pessoas têm direito, quando não se arrogou a esse direito quando cobrou as poupanças das pessoas que fizeram os descontos em nome de uma futura recompensa por essas aplicações", disse, perante um painel que incluía outros ex-ministros das Finanças, como Bagão Félix e Campos e Cunha, além de Miguel Cadilhe estar entre o público.

A antiga ministra salientou que não há receitas genéricas que possam resolver os problemas de todos os países e lamentou que a família, enquanto instituição, esteja a ser afectada pela actual crise económica e financeira, em particular pelo desemprego.

Bagão Felix: Retirada de subsídios de férias e Natal a pensionistas é confiscatório



Jornal de Negócios

O antigo ministro das Finanças e da Solidariedade Social Bagão Félix classificou hoje a retirada de subsídios de férias e de Natal aos pensionistas, mesmo que temporária, como uma atitude "confiscatória", uma vez que descontaram sobre 14 meses.

"Quando se retiram os subsídios de Natal e de férias aos pensionistas, sobretudo aos pensionistas cuja pensão resulta dos seus descontos, é confiscatório no pior sentido da palavra porque essas pessoas descontaram sobre 14 meses", disse Bagão Félix, numa conferência na Faculdade de Economia da Universidade do Porto sobre o novo modelo do Estado social.

Para o antigo ministro de dois governos de coligação PSD/CDS-PP, tal como o actual, estas pessoas "têm um direito constitutivo no sentido em que, de facto, fizeram um desconto sobre 14 meses para terem direito a uma pensão sobre 14 meses".

Bagão Félix lamentou, ainda, que se tenha vindo a "pulverizar a lógica do Estado social com erros técnicos", numa altura em que "ninguém fala dos direitos adquiridos".

"Quase apetece dizer, então, 'não têm os subsídios, vamos fazer um desconto do imposto da Taxa Social Única que pagaram anteriormente e vamos devolver isso às pessoas'", disse o antigo governante, com a ressalva de esta ser uma ideia apenas teórica.

Apesar de o Governo ter apontado 2015 como o ano em que começa gradualmente a devolver os cortes salariais realizados na função pública e os subsídios de férias e de Natal, Bagão Félix, numa entrevista à agência Lusa no início do mês, disse não acreditar que tal venha a acontecer.

"Infelizmente, a minha intuição é que não vai haver mais reposição", lamentou então o antigo ministro das Finanças no Governo de Pedro Santana Lopes.

Para justificar essa intuição, Bagão Félix, que foi ministro da Solidariedade Social e do Trabalho no Governo anterior a esse, liderado por Durão Barroso, lembrou a forma como o actual executivo se referiu à questão.

"O Governo foi cauteloso e fala como hipótese técnica repor 25 por cento do subsídio a partir de 2015 até 2018, fala como hipótese técnica, quase académica, e isso dá para tudo", frisou.

PAULO PORTAS DESCOBRIU A PÓLVORA




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

(…) Em 19 de Dezembro de 2007, António Maria Costa afirmava, em Lisboa, que “a Guiné-Bissau está à beira do colapso, com o Estado incapaz de assegurar a soberania do território face ao narcotráfico e ao crime organizado”.

Dando mais um relevante exemplo de perspicácia, mesmo que eventualmente sustentado por informações dos serviços (pouco) secretos de Portugal, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, disse que a questão do narcotráfico também é a chave do golpe de Estado de 12 de Abril na Guiné Bissau.

É brilhante. Aliás, quase desde que se tornou independente que todo o mundo (talvez com a excepção de Portugal) sabe que o narcotráfico é uma forma de vida de muitos militares e políticos guineenses.

Paulo Portas afirmou que “todas as informações” de que Portugal dispõe relacionam o golpe de Estado de 12 de Abril na Guiné-Bissau com o narcotráfico e que este assunto em concreto vai ter de ser analisado pelas Nações Unidas, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, União Europeia e União Africana.

Creio que as informações que Paulo Portas recebeu quentinhas são, afinal, requentadas e não passam de uma cópia fiel do que se tem passado desde que, por exemplo, Nino Vieira chegou ao poder, também através de um golpe de Estado. Os relatórios são sempre os mesmos, apenas mudando a data e o nome dos protagonistas.

É pena que ninguém tenha dito a Paulo Portas que, já no dia 24 de Junho de 2009, um relatório do director executivo do Escritório das Nações Unidas sobre a Droga e o Crime (UNODC), António Maria Costa, dizia com todas as letras que o narcotráfico era uma das causas da violência e da instabilidade políticas na Guiné-Bissau.

Já antes, em 19 de Dezembro de 2007, António Maria Costa afirmava, em Lisboa, que “a Guiné-Bissau está à beira do colapso, com o Estado incapaz de assegurar a soberania do território face ao narcotráfico e ao crime organizado”.

Apesar de tudo, há coisas em que Paulo Portas tem razão. Ou seja, tal como o poder político, entre outros, em Portugal é permeável à corrupção, o poder militar na Guiné-Bissau “é permeável ao narcotráfico”.

O grau de permeabilidade depende, obviamente, de se saber se os golpistas são ou não amigos do governo português. No tempo de Nino Vieira a situação era a mesma mas o então presidente era, digamos, visita de casa dos donos de Portugal. Por isso tinha carta branca para negociar a branquinha. Os de agora não agradam a Lisboa e, por isso, são os maus da fita.
“Eu não tenho nenhuma dúvida. Todas as informações de que Portugal dispõe apontam para que, claramente, na origem deste golpe de Estado também está o narcotráfico e, ou a Guiné-Bissau tem condições para ser um Estado de Direito, ou a Guiné-Bissau fica sequestrada a um certo poder militar que é permeável ao narcotráfico”, disse Paulo Portas.

O chefe da diplomacia portuguesa falou com os jornalistas durante uma conferência de imprensa em que participou também o primeiro-ministro guineense deposto, Carlos Gomes Júnior, após uma reunião no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“As Nações Unidas sempre se preocuparam que a Guiné não servisse como interposto de droga”,disse Carlos Gomes Júnior que recordou que a ONU e a Interpol têm escritórios em Bissau para a investigação e combate ao tráfico de droga.

Pois é. Mas será que nenhum dos frequentadores dos areópagos da política do reino lusitano se lembra que Nino Vieira esteve metido até ao pescoço em crimes de sangue e de corrupção mais do que activa? Que Nino Vieira usou todo o género de truques, de golpes, para se perpetuar no poder, afastando política ou fisicamente quem lhe fez sombra, seja ele Kumba Ialá ou Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC e agora primeiro-ministro que em tempos disse que Nino teria sido o mentor do assassinato do Comodoro Lamine Sanha?

Mas há mais. Recorde-se que o presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), principal força política da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou no dia 25 de Outubro de 2008 que "há dinheiro do narcotráfico na campanha eleitoral" para as legislativas de 16 de Novembro”.

"Só não vê quem não quer. Há dinheiro do narcotráfico nesta campanha eleitoral", acusou Carlos Gomes Júnior, no seu discurso de abertura da campanha do PAIGC em Bissau, dizendo que "nós não somos tolos, sabemos que há dinheiro da droga na campanha eleitoral. Se formos governo, vamos acabar com o banditismo e o crime organizado neste país, podem ter a certeza disso".

Carlos Gomes Júnior dizia nesse dia que se fosse eleito primeiro-ministro no dia 16 de Novembro, com foi, iria promover uma ampla reforma no país, dotando as forças de defesa e segurança de meios para combater "todos os crimes" na Guiné-Bissau.

Viu-se.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: “CULTURA DE RISCO” ATINGIU OS 14,9%

Timor-Leste: LU OLO DIZ QUE É ALTURA DE O PAÍS SE VOLTAR A AFIRMAR



MSE - Lusa

Díli 17 mai (Lusa) - O ex-líder do parlamento timorense, Francisco Guterres Lu Olo, que proclamou há dez anos a restauração da independência de Timor-Leste, defende que é preciso o Estado voltar a afirmar-se através do desenvolvimento.

"A democracia não exige apenas ao povo que escolha os seus dirigentes. O Estado tem de voltar a afirmar-se para que o povo saiba encontrar respostas corretas e acertadas para os seus próprios interesses", afirmou à Lusa o presidente da frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais.

Francisco Guterres Lu Olo proclamou a restauração da independência de Timor-Leste, a 20 de maio de 2002, num duro discurso, perante a Presidente da Indonésia, que, disse, teve como principal objetivo afirmar o Estado timorense e a independência do seu povo.

Dez anos depois, Lu Olo, que durante 24 anos integrou a guerrilha contra a ocupação indonésia, é preciso fazer uma introspeção, desenvolver a democracia e encontrar respostas para todas as situações no país.

"As autoridades timorenses têm de trabalhar muito. Têm de ter um plano de desenvolvimento. A educação, a saúde, as infraestruturas são coisas muito importantes de que o povo precisa para viver em condições dignas", sublinhou.

Quando proclamou a restauração da independência de Timor-Leste, Lu Olo recordou os 24 anos de ocupação, a violação dos direitos humanos e os antecedentes dos acordos de 05 de maio de 1999, entre as diplomacias de Lisboa e Jacarta, que permitiram a realização da consulta popular de 30 de agosto do mesmo ano e a saída da Indonésia.

"O meu discurso foi duro, porque tinha de dizer aquilo para o Estado se afirmar. Para o povo de Timor-Leste se afirmar como povo independente", recordou à Lusa.

Para Francisco Guterres Lu Olo, a "luta do povo timorense contra a Indonésia não foi uma situação que se buscou nos oráculos do sonho".

"Foi uma realidade vivida, em que eu próprio participei. Tive de dizer isso mesmo, mas não foi para ofender ninguém", afirmou, salientando que hoje os dois países têm boas relações.

Dez anos depois da restauração da independência, Francisco Guterres Lu Olo disse também estar "honrado" por ter sido uma peça para a edificação do Estado timorense.

"Julgo que contribui para erguer este Estado e dez anos depois sinto orgulho por ter sido uma peça importante", concluiu.

Timor-Leste: Primeiro embaixador português no país condecorado sexta-feira



MSE - Lusa

Díli, 17 mai (Lusa) - O primeiro embaixador de Portugal em Díli depois da restauração da independência de Timor-Leste, Rui Quartin Santos, vai ser condecorado na sexta-feira pelo Presidente timorense cessante, José Ramos-Horta.

O diplomata, que é agora embaixador de Portugal na Austrália, vai ser condecorado com a Insígnia da Ordem de Timor-Leste.

Em declarações à agência Lusa, em Díli, Rui Quartin Santos, que não visitava o país há oito anos, disse ter notado "grandes melhorias" na capital timorense.

"Novas construções, desenvolvimento da cidade, muito trânsito. Há oito anos que eu saí daqui. As coisas vão mudando, vão-se transformando e penso que para melhor", afirmou.

Timor-Leste comemora no domingo o 10.º aniversário da restauração da independência, dia em que também toma posse o novo Presidente timorense, Taur Matan Ruak.

Sobre os últimos dez anos, o diplomata fez um balanço "francamente positivo".

"Evidentemente é um país muito novo, que saiu de uma fase muito complicada e difícil, mas eu penso que o balanço é francamente positivo", afirmou o embaixador.

Segundo Rui Quartin Santos, em Timor-Leste tem havido consolidação das instituições, lembrando as eleições presidenciais que considerou terem decorrido de forma exemplar.

"Timor-Leste tem uma base financeira e económica muito sólida, é um país com muitos recursos, muitos deles ainda por explorar, e penso que isso lhes dá realmente uma base de desenvolvimento", acrescentou.

Timor-Leste: MNE apresenta exposição "Timor no Mundo" e livro de testemunhos



MSE - Lusa

Díli, 17 mai (Lusa) - O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste abriu hoje as portas para apresentar uma exposição sobre o país no mundo e o livro "Por Timor", com testemunhos de várias personalidades sobre os primeiros dez anos da restauração da independência.

A exposição e a apresentação do livro "Por Timor - Memórias de Dez Anos de Independência" estão inseridas nas comemorações do 10.º aniversário da restauração da independência de Timor-Leste, que se celebram no domingo.

"Este livro é um contributo para a memória no futuro e creio que a nova geração de timorenses precisa de saber aquilo que foi o percurso de Timor nos últimos dez anos", afirmou o chefe da diplomacia timorense, Zacarias da Costa.

Zacarias da Costa falava à agência Lusa no final da apresentação do livro em Díli numa cerimónia onde participaram dezenas de pessoas, incluindo o Presidente cessante, José Ramos-Horta, que fez o prefácio da obra, juntamente com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

O livro de Sónia Neto, assessora e chefe de gabinete no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste entre 2001 e 2007, é dedicado a Timor-Leste.

Além dos testemunhos de Susilo Bambang Yudhoyono, Presidente da República da Indonésia, de Ramos-Horta, do atual primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e de Taur Matan Ruak, Presidente eleito de Timor-Leste, e do Presidente português Cavaco Silva, o livro tem ainda testemunhos do antigo Presidente da República dos Estados Unidos, Bill Clinton, e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Depois daquela cerimónia, foi inaugurada a exposição "Timor no Mundo", que retrata a história do país.

A exposição, uma iniciativa do francês Frederic Durand, retrata através de imagens e pequenos textos, em inglês e português, a história de Timor-Leste.

A exposição começa com as ligações comerciais com os povos da região até à restauração da independência, em 20 de maio de 2002.

"É também um contributo ainda que de outra forma, em imagens e textos muito sucintos, daquilo que é Timor e o seu percurso no Mundo", explicou o ministro.

A exposição vai depois andar em itinerância pelas escolas do país.

Aviso aos leitores de Página Global

BOICOTE A NOTÍCIAS DE CAVACO SILVA NA VISITA A TIMOR-LESTE E "ARREDORES" – Página Global dá conhecimento aos leitores que em protesto contra a inexistência de uma publicação diária online em língua portuguesa sobre a realidade timorense vai boicotar a publicação de notícias referentes a Timor-Leste que envolvam a visita do PR de Portugal, Cavaco Silva, para as comemorações dos 10 anos da independência do país, assim como todas as outras notícias relativas a Cavaco nesta sua deslocação a países daquela parte do mundo. Consideramos inadmissível que 10 anos após a independência não exista um único órgão informativo em português sobre a atualidade timorense, apesar de a língua portuguesa ser considerada constitucionalmente língua oficial daquele país. (Redação PG)


TIMOR-LESTE, UM PAÍS, UMA DÉCADA, ESPECIAL INFORMAÇÃO – RTP 1




COMEMORAÇÕES DE DEZ ANOS DE INDEPENDÊNCIA

NESTE MOMENTO, EM DIRETO, NA RTP 1

Dez anos depois da independência, a RTP revela os sonhos e os objectivos de Timor-Leste, ao mesmo tempo que recorda um dos processos negociais mais difíceis da diplomacia portuguesa.

Um programa conduzido pela jornalista Daniela Santiago, com entrevistas exclusivas a Cavaco Silva, Durão Barroso, Jorge Sampaio, Ana Gomes, Luís Amado, Luís Represas, Rui Marques, assim como a Ramos Horta, Mari Alkatiri, Natália Carrascalão e Taur Matan Ruak, o novo Presidente do território.

Conheça os rostos dos timorenses que, em Portugal, ainda sonham com o regresso à ilha do crocodilo e descubra onde e como está o jovem ferido no massacre de Santa Cruz, que percorreu o Mundo graças às imagens de Max Stahl....Jornalistas: Daniela Santiago, Francisco Piedade (em Dili)

Imagem: João Martins, Agostinho Roxo, João Vieira

Edição: António Nunes

O BILDERBERG E A RÚSSIA



Martinho Júnior, Luanda

Quando de 31 de Maio a 3 de Junho, no “Westfields Marriott Washington Dulles Hotel” em Chantilly, Estado da Virgínia, se reunir pela 60ª vez o Clube Bilderberg, a Rússia nacionalista e disposta à interdependência multipolar, sob a égide do Partido Rússia Unida e de Putin, será um dos assuntos críticos a ser abordado.

1 ) O Bilderberg foi uma das organizações elitistas que mais tentaram tirar partido da volatilização da URSS, da dissolução do bloco socialista, do fim do Pacto de Varsóvia e da fragmentação étnica da Jugoslávia, até por que integrou o caudal de inspiradores e mentores das “revoltas coloridas”, como das intervenções da NATO nos Balcãs e da sua expansão a oriente, uma expansão que, sob o ponto de vista operacional foi até ao Afeganistão.

Essa vocação, aproveitou o capitalismo neo liberal, que se na América Latina esteve na base das ditaduras intimamente associadas à gestação das oligarquias nacionais associadas aos interesses do império no século passado, na União Europeia aproveitaram as vulnerabilidades das “democracias representativas” para fazerem fermentar uma encoberta ditadura do capital que desembocou nas políticas de “austeridade”, concentrando o poder em cada vez menos mãos, sob5retudo mãos alemãs, à imagem e semelhança do que já havia conseguido nos Estados Unidos com auge na governação Republicana de George Bush.

2 ) A Rússia para o Bilderberg continua a ser um alvo precioso, suculento, pois é o único país com extensão territorial no maior espaço trans-continental da Terra, a Euro-Ásia, com domínios no Báltico, no Mar Negro e Mediterrâneo Oriental, no Pacífico e sobretudo no Árctico onde é a maior potência.

3 ) Para o Bilderberg a Rússia já foi mais fácil de digerir e “integrar” que agora:

- Com Gorbatchov os elitistas aproveitaram-se das contradições internas, das análises inconsistentes e pouco realistas, das hesitações geo estratégicas para fazer fermentar as correntes instigadoras dos interesses e conveniências da hegemonia unipolar…

- Com Ieltsin, explorando o êxito, fez fermentar o início da instalação desses interesses e conveniências, ao ponto de “catapultar” a presença da “Open Russia Fundation”, assim como, por exemplo, o surgimento da Yukos e do sistema bancário afim, iniciando a saga da formação duma elite que lhe era dócil e obediente…

4 ) O tandem Putin-Medvedev, com o surgimento do Partido Rússia Unida, tornou-se um efeito “boomerang” a contrariar a celeridade na instauração da hegemonia unipolar, pondo em causa seus interesses e conveniências sobretudo na Rússia Europeia, enfraquecendo o espectro político-ideológico de sua influência, agora acantonado numa oposição com muito menos recursos que antes, quando Ieltsin detinha o poder.

Esse tandem a nível interno, põe em cheque a dupla traição de Ieltsin: a traição ao povo russo e ao socialismo e a traição à própria pretensão da oligarquia russa, ciosa de domínio desde logo no espaço físico-geográfico Euro-Asiático.

5 ) Sob a égide do tandem nacionalista, a oligarquia russa tem vindo a tirar partido das enormes potencialidades existentes, assumindo preponderância em sectores como a banca e a energia, assim como da indústria do armamento e do espaço, preparando-se agora para fechar o seu ciclo de poder alicerçada no renascimento científico e tecnológico em curso, a partir duma base industrial que, estando obsoleta, não deixa de ser o ponto de partida para as realizações que se esboçam conforme os programas do Rússia Unida.

6 ) Nesse sentido é vital para a oligarquia russa, tal como para acrescente e próspera classe média, os conceitos expostos nos BRICS: interdependências de carácter multipolar, com cada vez mais substantiva autonomia na banca e finanças, em relação ao Dólar e ao Euro.

Esses conceitos permitem à Rússia esboçar uma ênfase cada vez mais acentuada nos relacionamentos com a União Europeia, a ocidente e com a China a oriente, sem esquecer que a sul, o campo de manobra é cada vez mais favorável na direcção da Índia, à medida que a batalha dos oleadutos e gasodutos vai sendo perdida pela hegemonia unipolar eminentemente anglo-saxónica, apesar da extensão da NATO e de suas múltiplas coligações, tirando partido e aproveitando os recursos das monarquias arábicas.

7 ) Se em relação a África os BRICS e sobretudo a Rússia não assumiram uma posição firme em relação ao contencioso líbio, indiciando com isso abandonar temporariamente África à mercê do neo colonialismo vinculado ao império, já o mesmo não se passa em relação ao Médio Oriente, à Ásia Central, ao Cáucaso e no AfPaq, onde a coligação de interesses russo-chineses é mais enfática ao ponto de obstar no Líbano, na Síria, no Irão, na Geórgia, no Afeganistão e no Paquistão, ao domínio dos interesses e conveniências espelhados no Bilderberg por via da hegemonia unipolar, que nessa imensa região recorre ao poder militar norte americano e de seus aliados da NATO, da ANZUS, de Israel e das monarquias arábicas.

8 ) É nesse ambiente que se está a travar a “batalha dos oleadutos e gasodutos”, com cada vez mais cedências do lado da hegemonia unipolar, cada vez mais confinado à península arábica, constituindo o Irão um decisivo elemento e factor no âmbito das interdependências multipolares com garantia e abertura para as autonomias das moedas, dos bancos e das finanças.

9 ) O Bilderberg irá discutir o carácter e arquitectura da NATO, podendo estimular um quadro típico de Guerra Fria, “agarrando-se” aos contenciosos sobretudo da Síria e do Irão.

A situação de continuada crise ocidental, uma crise das culturas indexadas ao campo de domínio anglo-saxónico terá a maior relevância nas discussões, pois conforme a sabedoria: “quem vai para o mar, avia-se em terra” e a logística para a nave do império, em termos de capitalismo neo liberal, já não é a mesma que antes.

A União Europeia neste âmbito está cada vez mais ciente que, quanto mais se procurar afastar dos BRICS, mais se vai “autoflagelar” com as “austeridades”, um manancial único para o capitalismo neo liberal transformado em ditadura financeira, mas que tem seus limites (não é por acaso que na América Latina estão a sentir o efeito “boomerang”)!

A Rússia também o sabe, pelo que acautelou suas relações bilaterais com a Alemanha, ao ponto de construir um oleaduto submarino no Mar Báltico que liga directamente território russo ao alemão, de forma a salvaguardar os interesses comuns sem possibilidades de interferências de terceiros, mesmo que eles pertençam à União Europeia!

Mantendo políticas capitalistas, a Rússia está não só a aproximar-se dos outros BRICS, contribuindo para potenciar o espectro duma emergência mais alargada, mas também a aproximar-se da América Latina, onde o campo progressista visa replicar ao histórico domínio do império, estimulado pelas resistências e onde o neo liberalismo foi antecipadamente queimado com as ditaduras do século passado.

A Rússia é um elemento e factor decisivo para a construção da réplicas interdependentes de carácter multipolar, mas isso pode não ser um obstáculo às pretensões geo estratégicas das organizações elitistas como o Bilderberg, que podem procurar integrar mais oligarquias nacionais para as suas causas se não tiver outra alternativa senão abandonar as opções do capitalismo neo liberal inerente à “escola de Chicago”.

Consultas:
- La gouvernance unipolaire est illégitime et immorale – http://www.voltairenet.org/La-gouvernance-unipolaire-est
- La Russie et l’évolution du monde – http://www.voltairenet.org/La-Russie-et-l-evolution-du-monde
- Moscou et la formation du Nouveau Système Mondial – http://www.voltairenet.org/Moscou-et-la-formation-du-Nouveau
- L’Asie-Pacifique aquiert une nouvelle dimension –
- El sistema de defensa aerospacial blindará la Rusia frente a missiles da la OTAN – http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/02/05/el-sistema-de-defensa-aeroespacial-blindara-a-rusia-frente-a-misiles-de-la-otan/
- Exhorta putin a respectar derecho internacional para evitar guerras – http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/05/09/exhorta-putin-a-respetar-derecho-internacional-para-evitar-guerras/

* Ver todos os artigos de Martinho Júnior – ligação também em autorias na barra lateral.

"Poder militar na Guiné-Bissau é permeável ao narcotráfico" - Paulo Portas



PSP - Lusa

Lisboa, 17 mai (Lusa) - O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, considerou hoje que o poder militar na Guiné-Bissau "é permeável ao narcotráfico" e manifestou-se convicto que a comunidade internacional irá conseguir um consenso sobre a situação política no país.

"Eu não tenho nenhuma dúvida. Todas as informações de que Portugal dispõe apontam para que, claramente, na origem deste golpe de Estado também está o narcotráfico e, ou a Guiné-Bissau tem condições para ser um Estado de Direito, ou a Guiné-Bissau fica sequestrada a um certo poder militar que é permeável ao narcotráfico" disse Paulo Portas.

O chefe da diplomacia portuguesa falava em conferência de imprensa, após uma reunião de mais de uma hora com o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, deposto no golpe de Estado de 12 de abril e que se encontra em Portugal desde quarta-feira.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros o tráfico de droga é essencial para compreender os factos que estiveram na base do golpe de Estado e que deve ser levado em conta pela comunidade internacional.

"Um dos elementos essenciais que as Nações Unidas e as suas agências têm desenvolvido e que é muito importante para países como os Estados Unidos é fazer uma separação nítida entre os Estados e governos que são permeáveis ao narcotráfico e aqueles que, felizmente, o não são. Esta é uma chave de leitura e de explicação para o que aconteceu a 12 de abril", acrescentou Paulo Portas, sublinhando a posição de Portugal em relação a atual situação no país.

"Nós fomos, desde o início, na CPLP, inclusivos. Ou seja, desde o primeiro dia, as Nações Unidas, em que acreditamos, a União Africana, que é a organização continental, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, deviam ser parte da solução e ajudar a Guiné-Bissau a evitar este caminho, que é um caminho para a ilegalidade e para a arbitrariedade e que a nosso ver está relacionado com o narcotráfico", disse.

"Nós mantemos esta linha. É preciso que nas Nações Unidas o Grupo de Contacto entre as quatro organizações - ONU,CEDEAO, CPLP e União Africana - funcione e busque coordenação e chegue a um compromisso, sem o qual nós não vemos uma situação estável para a Guiné Bissau e eu creio que os factos nos dão razão porque a própria CEDEAO tem nos seus princípios fundadores a tolerância zero em relação a golpes de Estado", acrescentou Portas, referindo que é a "tolerância zero" que permite estabilidade e progresso do continente africano.

Por seu lado, Carlos Gomes Júnior disse que a Guiné-Bissau não pode servir de interposto para o tráfico de droga e que o país não pode lutar sozinho contra "organizações poderosas".

Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira, presidente da República interino também deposto no golpe de estado de 12 de abril, estão em Portugal desde quarta-feira.

A CEDEAO designou Serifo Nhamadjo para Presidente da transição, até à realização de novas eleições dentro de um ano, e este nomeou na quarta-feira Rui de Barros para o cargo de primeiro-ministro, mas estas decisões foram contestadas pela restante comunidade internacional, que continua a exigir o regresso à ordem constitucional.

ASSIM VAI A GUINÉ-BISSAU E OS PODERES FANTOCHES DOS MILITARES GOLPISTAS




Primeiro grupo de força da África Ocidental chegou hoje a Bissau

Bissau, 17 mai (Lusa) - Cerca de 70 polícias do Burkina Faso chegaram hoje à capital da Guiné-Bissau, o primeiro grupo de um total de 600 militares e polícias da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) destinados ao país.

O grupo chegou a Bissau num avião do Burkina Faso, a meio da tarde de hoje, e foi recebido pelo comissário-geral adjunto da Polícia da Guiné-Bissau, Armando Nhaga, e por Ansumane Sissé, representante da CEDEAO na capital do país.

Dentro de "alguns dias" chegará um segundo grupo do Burkina Faso, incluindo o coronel Barro Gnibanga, que vai chefiar a missão militar da CEDEAO para a Guiné-Bissau, explicou Ansumane Sissé.

Missang deixa Bissau no próximo fim de semana - MNE Costa do Marfim

Luanda, 17 mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa do Marfim, Duncan Kablan, disse hoje em Luanda que a missão militar angolana na guiné-Bissau, Missang, deverá deixar aquele país no próximo fim de semana.

O anúncio foi feito pelo governante da Costa do Marfim depois da audiência concedida pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a quem entregou uma carta do seu homólogo da Costa do Marfim, Alassane Ouattara.

Duncan Kablan, que chefiou a delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), não revelou o conteúdo da carta.

Serifo Nhamadjo empossa PM de transição e pede urgência no pagamento de salários

Bissau, 17 mai (Lusa) - O Presidente de transição da Guiné-Bissau empossou hoje o primeiro-ministro de transição, a quem pediu urgência no pagamento dos salários da função pública e criação de condições para "salvar o ano escolar".

Serifo Nhamadjo disse também a Rui Duarte de Barros que é preciso desenvolver ações de luta contra o crime organizado e o tráfico de droga, bem como impedir que haja falta de alimentos e que a colheita do caju, principal produto do país, seja feita.

Ao novo primeiro-ministro de transição, o Serifo Nhamadjo pediu ainda "um governo de transição de base alargada" que prime pela qualidade, tecnicidade e espírito de sacrifício e disponibilidade.

*em Lusa, com título PG

REBALDARIAS DE CAVACO SILVA NA VIAGEM AO SUDESTE ASIÁTICO




António Veríssimo

QUAL O CUSTO DA VIAGEM DE CAVACO AO OUTRO LADO DO MUNDO?

Que Portugal tem um presidente da República que é minoritário na representatividade dos que os elegeram, já sabemos. Que Portugal tem um presidente da República que apesar de auferir mensalmente várias acumulações de reformas que são superiores a 10 mil euros, também já sabemos. Que Portugal tem um presidente da República que faz recordar António Oliveira Salazar, os antigos sabem muito bem disso. Que Portugal tem um presidente da República que há cerca de um par de anos declarou de rendimentos (2009?) cerca de um milhão de euros, só não sabem aqueles que não querem. Que Portugal tem um presidente da República que diz uma coisa mas depois aprova outras soluções e medidas tomadas pelo governo do seu partido político, já não há quem ignore. Que Portugal tem um presidente da República que concorda e aprova a extinção de um feriado da Restauração de Portugal – 1 de Dezembro de 1640, quando os ocupantes espanhóis foram escorraçados – e também um feriado que comemora a instauração da República – 5 de Outubro de 1910 - demonstrando ser indigno representante na qualidade do cargo que tão mal desempenha, já anda pelo país a “novidade” à boca cheia. Que Portugal sabe que Aníbal Cavaco Silva encarna a figura do ganancioso quando se lamenta dos cortes que supostamente lhe acontecem nas reformas e que quase nada representam comparativamente aos cortes e sacrifícios da vasta maioria dos portugueses, nem aos benefícios que tem recebido de Portugal e que lhe têm permitido enriquecer de modo misterioso, no dizer dos portugueses sobre muitos dos que “abraçaram” a profissão de políticos… Tudo isso já sabemos.

O que talvez não saibamos como devíamos é que Portugal vai ser representado em viagem presidencial ao sudeste asiático por um homem rico com o dinheiro dos outros, quando se dispõe a viajar com uma comitiva de luxo (provavelmente de lixo) que, sem contemplações, vai passear àquela parte do mundo, “laureando a pevide” junto de cerca de não sabemos quantos acompanhantes cujas despesas serão suportadas por todos os portugueses, pelos famintos, pelos desempregados, pelos que estão a ser vítimas do regime pró esclavagista ao jeito de Cavaco e do seu mais recente delfim, Passos Coelho, PM da triste atualidade e futuro Governante de Triste Memória da Nação Portuguesa.

Uma comitiva de não sabemos quantos indivíduos que durante uma semana vão viajar, comer, beber e dormir, à custa dos depauperados contribuintes portugueses (que são todos que respiram ou que até passam fome) é a maior das indecências imaginadas. É o maior dos descaramentos que Cavaco nos pode demonstrar. É a atitude irreconciliável com o que tanto apregoa sobre a austeridade e a “equidade” (palavra que de há imenso tempo já nem tem o descaramento de pronunciar, tirando a fase em que andava com a boca cheia dessa fantasia fruto da sua hipocrisia). A saber, se tudo na realidade acontecer com os abusos do costume, esta decisão, esta atitude, irá demonstrar que na realidade Portugal não merecia ter um presidente da República como Cavaco Silva: egoísta, ganancioso, autista, aliado das maiores riquezas e confusões financeiras do país, politicamente insensível, indigno e desprezível.

Quanto vai custar a Portugal a viagem de Cavaco ao sudeste asiático, ao outro lado do mundo? Crise? Que crise? Crise para os trabalhadores portugueses, para os desempregados, para os famintos. Isso sim.

Como há muito pelo país se vem dizendo: Obviamente, demita-se!

Futuro de Ramos-Horta passa por próximo Governo ou missão no exterior



MSE - Lusa

Díli, 17 mai (Lusa) - O Presidente cessante de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse à Lusa que o seu futuro político pode passar pelo próximo Governo timorense que resultar das próximas legislativas ou por uma missão no exterior.

"Em agosto, depois das eleições, verei, primeiro, se sou convidado para integrar qualquer Governo ou estrutura de Estado, segundo, se devo aceitar ou não ou afastar-me durante algum tempo sem interferir nos assuntos que pertencem ao novo governo e Presidente", afirmou em entrevista à Lusa.

José Ramos-Horta termina no domingo, dia em que se celebra também o 10.º aniversário da restauração da independência de Timor-Leste, o seu mandato como Presidente da República, passando o testemunho para o general Taur Matan Ruak, vencedor das eleições presidenciais.

"Vou ver se vou continuar no plano doméstico ou para alguma missão no exterior por algum tempo. Vou refletir e considerar tudo isso nas próximas semanas", afirmou, sublinhando que a sua primeira obrigação e lealdade são para com o povo timorense.

No final de maio, José Ramos-Horta espera poder reunir-se com os principais intervenientes políticos do país para conversar sobre as eleições legislativas, marcadas para 07 de julho.

"Vão ser um pouco mais difíceis de gerir do que as presidenciais", disse, salientando que é preciso um compromisso de adultos e de líderes de Estado para que decorram bem.

Para o Presidente cessante, que também já foi primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, o país precisa de um "governo forte, mesmo que seja em coligação".

"Um governo estável e que possa liderar o arranque económico para os próximos cinco anos, que serão decisivos", salientou.

"Eu tenho confiança serena no general Taur Matan Ruak. Ele foi-me muito leal, impecável e eu devo-lhe reciprocidade. Quero ajudá-lo para ele fazer uma boa Presidência. Boa Presidência significa consolidar a paz, unidade no país", disse.

Aviso aos leitores de Página Global

BOICOTE A NOTÍCIAS DE CAVACO SILVA NA VISITA A TIMOR-LESTE E "ARREDORES" – Página Global dá conhecimento aos leitores que em protesto contra a inexistência de uma publicação diária online em língua portuguesa sobre a realidade timorense vai boicotar a publicação de notícias referentes a Timor-Leste que envolvam a visita do PR de Portugal, Cavaco Silva, para as comemorações dos 10 anos da independência do país, assim como todas as outras notícias relativas a Cavaco nesta sua deslocação a países daquela parte do mundo. Consideramos inadmissível que 10 anos após a independência não exista um único órgão informativo em português sobre a atualidade timorense, apesar de a língua portuguesa ser considerada constitucionalmente língua oficial daquele país. (Redação PG)