segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Angola: Resposta contra manifestantes "colocou regime numa situação muito mais delicada"




SK - LUSA

Lisboa, 05 set (Lusa) -- O ativista angolano Rafael Marques condenou hoje a resposta governamental contra os jovens que se manifestaram no sábado em Luanda e alertou o Governo para "não precipitar uma situação que eventualmente possa escapar ao seu próprio controlo".

Em declarações à Agência Lusa, Rafael Marques considerou que a "resposta autoritária" de sábado contra um grupo de manifestantes que exigia a "destituição do Presidente José Eduardo dos Santos" na capital angolana "colocou apenas o próprio regime numa situação muito mais delicada".

"A reação da Polícia Nacional e da Presidência da República demonstra que não estão a aprender com o exemplo do Egito, da Tunísia e de outros países, onde a repressão só agravou a situação", vincou o ativista e jornalista angolano.

Rafael Marques enalteceu a "coragem dos jovens", que avisaram previamente as autoridades da sua intenção, e lembrou que o direito a manifestar-se está consagrado na Constituição angolana.

O fundamental neste momento, segundo o jornalista e ativista angolano, é que o Governo de José Eduardo dos Santos compreenda que o "modo como tem gerido o país - de forma autoritária - está a chegar ao fim".

"O que o Governo deve fazer nesta altura é começar a criar canais de diálogo com os vários setores da sociedade, porque este processo de transformação e de fadiga contra os regimes autoritários não vai parar", frisou Marques, salientando que Angola "também não será indiferente a isso".

"É preciso que o Governo não precipite uma situação que eventualmente possa escapar ao seu próprio controlo e atiçar ainda mais os ânimos da população", vincou.

Rafael Marques salientou igualmente a necessidade de a polícia "agir com maior transparência", designadamente dizendo "onde estão as pessoas que foram presas, apresentar uma lista dos detidos e garantir que as suas famílias os possam visitar e que estes tenham acesso a advogados".

Entre 24, segundo a polícia, e 50 pessoas, segundo fontes próximas dos manifestantes, terão sido detidas no sábado, na sequência de confrontos durante uma manifestação a pedir a destituição do Presidente angolano, no poder há 32 anos.

Jornalista de investigação e ativista, Rafael Marques tem sido um dos principais responsáveis pela denúncia de esquemas de corrupção que, alegadamente, envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam.


FORÇAS INTERNACIONAIS FICAM NA LÍBIA ATÉ TERMINAREM O TRABALHO - PM britânico




BM – LUSA

Londres, 05 set (Lusa) - O primeiro-ministro britânico prometeu hoje que a operação militar internacional continuará "até o trabalho estar terminado", o que inclui a captura de Muammar Kadhafi.

"Enquanto Kadhafi continuar desaparecido, a segurança e da população líbia mantém-se ameaçada", afirmou hoje David Cameron, numa comunicação ao Parlamento, que regressou hoje de férias de verão.

As forças armadas britânicas participaram ativamente na intervenção militar internacional da NATO, com 36 aviões e helicópteros, oito fragatas e um submarino.

Cameron precisou que os meios britânicos estiveram envolvidos em 2400 missões aéreas, tendo sido responsáveis por um quinto dos bombardeamentos sobre cerca de 900 alvos.

A operação ELLAMY (nome de código da intervenção britânica na Líbia) envolveu a certa altura 2300 militares do Reino Unido.

"Não sairemos até o trabalho estar terminado", garantiu, dizendo estar preparado para "prolongar o mandato da NATO enquanto for necessário".

Sobre Kadhafi, o primeiro-ministro entende que deve "enfrentar as consequências das suas ações, sob a lei internacional e líbia".

Quanto às novas autoridades, entende que Londres "deve deixar claro lidar com uma série de problemas do passado".

O caso de Abdelbaset al-Megrahi, o terrorista condenado pelo atentado de Lockerbie e libertado há dois anos, deve ser resolvido pela administração da Escócia.

"Acredito que ele nunca deveria ter sido enviado de volta para a Líbia", reiterou.

A propósito de Yvonne Fletcher, uma agente da polícia morta em 1986 durante uma manifestação junto à embaixada líbia em Londres em 1984, lembrou que a investigação britânica continua.

Cameron fez saber que o primeiro-ministro interino, Mahmoud Jabril, assegurou a intenção de as novas autoridades líbias cooperarem inteiramente".

O chefe do governo britânico referiu ainda que o sucesso da revolução líbia deve dar esperança a outros países, apelando ao fim da violência na Síria.

Em particular, Cameron afirmou que o Reino Unido continuará a defender uma resolução da ONU para um embargo ao petróleo sírio como aquele que foi imposto pela União Europeia.

"A mensagem ao presidente [sírio Bachar] Assad deve ser clara: ele perdeu toda a legitimidade e não pode continuar a reivindicar a liderança da Síria", vincou.

SÃO SEIS AS REGIÕES SOMALIS EM ESTADO DE FOME , alerta ONU




PÚBLICO

Mais de 750 mil pessoas em risco no centro e sul do país

Uma sexta região entrou no mapa territorial da Somália em estado de fome, segundo o alerta lançado hoje pelas Nações Unidas com o aviso de que a situação “vai apenas piorar” nos próximos meses dada a seca de “impacto excepcional” que assola todo o Corno de África.

O número de pessoas que morrem devido a carências alimentares na zona sul da região de Bay subiu para lá do que é definido como fome pelas Nações Unidas: 30 por cento da população em estado de grave má nutrição e uma taxa de mortalidade diária de duas por cada dez mil pessoas, além de um mínimo de 20 por cento dos agregados enfrentando grave escassez alimentar.

“Se o actual nível de resposta [a esta crise humanitária] continuar, a fome vai continuar a espalhar-se e a aumentar nos próximos quatro meses. No total são já quase quatro milhões de pessoas em situação de crise na Somália, das quais 750 mil se encontram em risco de morte nesse mesmo período na ausência de uma resposta adequada de distribuição alimentar”, é sublinhado em comunicado do Centro de Análise para a Segurança Alimentar (FSNAU), das Nações Unidas. “Morreram já dezenas de milhares de pessoas, a maioria das quais são crianças”, prossegue o documento.

A região de Bay, que integra a cidade de Baidoa, uma das mais importantes do país, está sob o controlo dos rebeldes islamistas da Al Shabaab, à semelhança do que acontece com a maior parte do território sul e centro da Somália. É a mais recente a juntar-se ao rol de regiões somalis em grave crise alimentar declaradas desde o passado mês de Julho pela ONU, depois de Bakool e Baixa Shabelle, que lhe são vizinhas, os campos de refugiados de Afgoye, que acolhem mais de 400 mil pessoas no norte de Mogadíscio, e ainda os que se localizam na própria capital somali, mais os distritos de Balaad e Adale, ambos na região de Shabelle Central.

Cerca de 12,4 milhões de pessoas por todo o Corno de África vivem actualmente a pior seca em seis décadas e encontram-se em estado de crise alimentar grave – nas quais se integram 3,7 milhões de somalis (praticamente metade da população do país), segundo estimativas da ONU. A Somália é o país mais afectado, tendo a somar à seca a guerra civil que assola o país desde 1991 e deixou arrasadas praticamente todas as infra-estruturas de acesso nas regiões do centro e sul, onde os Shabaab, de resto, declararam “mal vinda” a presença de várias agências de ajuda humanitária, incluindo as da ONU.

CHENEY, RUMSFELD E A OBSCURA ARTE DA PROPAGANDA




Amy Goodman - Democracy Now – Carta Maior

A poucos dias do décimo aniversário do 11 de setembro e enquanto aumentam as vítimas em todos os lugares, os livros de Donald Rumsfeld e Dick Cheney nos lembram uma vez mais qual é a primeira vítima da guerra: a verdade. Em seu livro "Em meu tempo", Cheney parece ter adotado o famoso conselho de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda nazista: "Quando se mente, deve-se mentir grande e permanecer fiel a essa mentira". O artigo é de Amy Goodman.

 “Quando se mente, deve-se mentir grande e ser fiel a essa mentira”, escreveu Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda do Reich alemão em 1941. O ex-vice-presidente Dick Cheney parece ter adotado o famoso conselho nazi em seu novo livro: “Em meu tempo”. Cheney continua sendo fiel a suas convicções em temas que vão desde a invasão do Iraque até o uso da tortura. Durante uma entrevista ao programa Dateline, da NBC News, ele disse em referência às revelações deste livro: “Elas farão rolar muitas cabeças em Washington”. As memórias de Cheney seguem as de seu colega e amigo Donald Rumsfeld. Enquanto ambos promovem sua própria versão da história, há gente que os desafia e enfrenta.

O título do livro de Rumsfeld, “Conhecido e desconhecido”, provém de uma tristemente célebre resposta que deu durante uma conferência de imprensa no Pentágono quando era ministro da Defesa. No dia 12 de fevereiro de 2002, quando tentava explicar a falta de evidências vinculando o Iraque às armas de destruição de massa, Rumsfeld disse: “Há conhecidos que conhecemos, há coisas que sabemos que sabemos. Também sabemos que há conhecidos que desconhecemos, o que quer dizer que sabemos que há algumas coisas que não sabemos. Mas também há coisas desconhecidas que desconhecemos, aquilo que não sabemos que não sabemos”.

A enigmática declaração de Rumsfeld tornou-se famosa e emblemática de seu desdém pelos jornalistas. É considerada como um símbolo das mentiras e manipulações que levaram os Estados unidos à desastrosa invasão e ocupação do Iraque.

Uma pessoa que se convenceu graças à retórica de Rumsfeld foi Jared August Hagemann.

Hagemann se alistou no exército para servir seu país, para fazer frente às ameaças que repetidamente mencionava o ministro da Defesa Rumsfeld. Quando o soldado do comando do exército dos EUA recebeu a carta de notificação para seu mais recente deslocamento ao campo de batalha (sua esposa não lembra se era o sétimo ou oitavo), a pressão foi demasiada. No dia 28 de junho de 2011, Jared Hagemann, de 25 anos de idade, atirou em su mesmo na base conjunta Lewis-McChord, perto de Seattle. O Pentágono disse que Hagemann morreu por causa de um ferimento de bala “auto-infligido”, mas ainda assim não falou em suicídio.

Jared havia ameaçado se matar várias vezes antes. Não era o único. Segundo se informou, cinco soldados cometeram suicídio em Fort Lewis em julho. Estima-se que mais de 300 mil soldados que voltaram da guerra padecem de transtornos de stress pós-traumático e depressão.

A viúva de Hagemann, Ashley Joppa-Hagemann, inteirou-se de que Rumsfeld autografaria exemplares de seu livro na base. No dia 26 de agosto, Ashley entregou a Rumsfeld uma cópia do programa dos serviços fúnebres em memória de seu falecido esposo. Ela me contou: “Disse que queria ele tivesse vindo ao enterro do meus esposo e assim poderia conhecer o rosto de pelo menos um dos soldados que perderam a vida por causa de suas mentiras em relação a 11 de setembro”.

Perguntei acerca da resposta de Rumsfeld: “Todos o que lembro é ele dizendo: “Ah, sim, ouvi algo sobre isso”. E, logo em seguida, tudo o que lembro é de ter sido agarrada pelo pessoal da segurança, empurrada para fora e advertida para não regressar”. Infelizmente é o sargento Hagemann que nunca mais regressará á sua esposa e seus dois pequenos filhos.

Em sua entrevista para a NBC, Cheney afirmou ter um desempenhado um papel na renúncia do então secretário de Estado, Collin Powell. Sobre isso, consultei o ex-assessor de Powell, o coronel Lawrence Wilkerson, que respondeu: “Pelos trechos que li, não li todo o livro, a coisa mais impactante dita pelo vice-presidente em seu livro é que ele teve algo a ver com o afastamento de Colin Powel de seu cargo, em janeiro de 2005. Isso é um disparate total”. Mas importante, porém, é o chamado de Wilkerson, exortando a que os envolvidos em levar o país à guerra no Iraque sejam responsabilizados por seus atos, o que implicaria um castigo para ele próprio.

Um pilar central da invasão do Iraque foi o discurso de Powell no dia 5 de fevereiro de 2003 nas Nações unidas, no qual expôs o caso das armas de destruição em massa. Wilkerson assume plena responsabilidade pela coordenação do discurso de Powell: “Infelizmente, e já reconheci isso muitas vezes pública e privadamente, fui a pessoa que preparou a apresentação de Colin Powell ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas no dia 5 de fevereiro de 2003. Provavelmente foi o maior erro da minha vida. Lamento este dia até hoje. Lamento não ter renunciado nesse momento”.

Perguntei ao coronel Wilkerson o que ele pensa de grupos como o Centro pelos Direitos Constitucionais e do advogado e blogueiro Glenn Greenwald que pediram o julgamento de Cheney, Rumsfeld e outros funcionários do governo Bush. Ele me respondeu: “Estaria pronto a testemunhar, e estaria disposto a enfrentar qualquer castigo que mereça”.

O coronel Wilkerson disse sobre o livro de Cheney: “É um livro escrito sem medo. Sem medo de que, algum dia, alguém faça de Dick Cheney um Pinochet”. O coronel Wilkerson se refere ao caso do ditador chileno Augusto Pinochet, que foi preso na Inglaterra e detido durante um ano antes de ser liberado. Um juiz espanhol queria que o extraditassem para julgá-lo por crimes contra a humanidade.

A poucos dias do décimo aniversário do 11 de setembro e enquanto aumentam as vítimas em todos os lugares, os livros de Rumsfeld e Cheney nos lembram uma vez mais qual é a primeira vítima da guerra: a verdade.

(*) Amy Goodman é apresentadora de Democracy Now! um noticiário internacional diário, nos EUA, de uma hora de duração que emite para mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em 200 emissoras em Espanhol. Em 2008 foi distinguida com o "Right Livelihood Award" também conhecido como o "Premio Nobel Alternativo", outorgado no Parlamento Sueco em Dezembro.

(*) Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desse artigo.

Tradução: Katarina Peixoto

Angola: Advogado acredita que polícia prepara "interrogatórios auto-incriminatórios"...




... para sustentar acusação contra manifestantes

VISÃO - LUSA

Lisboa, 05 set (Lusa) -- Um dos advogados que representa os jovens detidos na manifestação de sábado contra o Presidente angolano em Luanda acredita que a polícia se prepara para "fazer interrogatórios auto-incriminatórios" que possam sustentar a acusação contra os manifestantes.

"Pensamos que poderão fazer um interrogatório de auto-incriminação, ou seja, na ausência dos advogados vão interrogar os jovens para ver se fazem uma confissão que possa servir de base para o auto de notícia que quererão encaminhar para o tribunal", disse à Agência Lusa o advogado David Mendes, da organização Mãos Livres - Associação de Juristas e Jornalistas pelos Direitos Humanos, que se constituiu como representante dos jovens detidos.

Entre 24, segundo a polícia, e 50 pessoas, segundo fontes próximas dos manifestantes, terão sido detidas no sábado na sequência de confrontos durante uma manifestação a pedir a destituição do Presidente angolano, no poder há 32 anos.

Pepetela e Ondjaki manifestam preocupação em relação à situação em Luanda




FYRO - LUSA

Rio de Janeiro, 05 set (Lusa) -- Os escritores angolanos Pepetela e Ondjaki manifestaram hoje, no Brasil, a sua preocupação relativamente à situação em Luanda, após o protesto pacífico que terminou em repressão policial no sábado.

Para Pepetela, que se encontra no Rio de Janeiro para participar da 15ª Bienal do Livro, qualquer repressão violenta a uma manifestação com motivos políticos é "condenável e anticonstitucional".

O autor, no entanto, foi cauteloso na sua análise ao dizer que a única informação a que tivera acesso -- via internet, num site de um jornal português -- não era muito esclarecedora.

"É um pouco difícil eu ter uma opinião só tendo lido uma notícia 'de um lado'. Resta saber qual foi o grau exato dessa repressão e qual a explicação que a polícia dará para o fato", acrescentou. Segundo o escritor, o artigo que tinha lido mencionava apenas alguns feridos "ligeiros".

A dificuldade em se saber o que de facto aconteceu foi destacada também por Ondjaki, quem participou hoje, ao lado de Pepetela, num colóquio sobre a literatura africana na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Estou a acompanhar o tema pela impressa, e estou muito preocupado, mas prefiro não opinar por não estar a ver de perto o que ocorre. Quando estou em Angola faço comentários sobre política, mas quando estou fora não, porque é muito difícil saber o que de facto está a passar-se", afirmou à Lusa o escritor angolano Ondjaki.

O escritor, que vive há três anos no Brasil mas frequentemente viaja para Angola, disse estar a acompanhar as notícias também por meios "alternativos" como o twitter dos jovens manifestantes, e destacou o desfasamento na informação entre o número de feridos mencionado pelo governo e o referido pelos manifestantes.

Já Pepetela lembrou que manifestações parecidas ocorreram noutras alturas e descartou a possibilidade de haver uma influência maior vinda dos protestos do Norte da África e dos países árabes.

"Pode ter uma certa influência de ideias, sim, mas já há alguns anos atrás havia manifestações em Angola, não é propriamente uma novidade. Agora, o problema é que o motivo da manifestação é um motivo político e se realmente a intervenção policial foi assumidamente de repressão é uma coisa, se foi para evitar ou responder a qualquer coisa, é outra situação, mas essas notícias eu não tenho", ponderou.

O escritor angolano disse ainda acreditar no "bom senso" da população angolana e descartou a possibilidade de que novos episódios de repressão violenta levem a que a situação em Angola se torne parecida com a vivida em alguns nações árabes, por exemplo.

"Creio que a população angolana neste momento não aceita qualquer forma de violência, já houve violência demais naquele país, já chega. De um lado e de outro, haverá contenção, haverá bom senso", declarou o escritor, ao observar que "muita gente" gostaria de ver a situação fugir ao controle.

"Há muita gente que desejaria que isso acontecesse, desejaria para aproveitar e bombardear logo, para aproveitar o petróleo também, como está a acontecer em outros lugares, mas não vai acontecer", defendeu.

No último sábado, cerca de cem jovens reuniram-se no Largo da Independência, em Luanda, para um protesto pacífico com o objetivo de exigir a destituição do presidente José Eduardo dos Santos.

Após a alegada prisão de um dos manifestantes, os jovens decidiram iniciar uma marcha até ao Palácio Presidencial, momento em que a polícia terá decidido intervir.

A manifestação terminou com várias pessoas feridas, outras detidas e alguns jornalistas agredidos.

EUA reiteram que há "evidências suficientes" de que empresário moçambicano...




... Mohamed Bachir é "barão de droga

PMA - LUSA

Maputo, 05 set (Lusa) -- A embaixada dos EUA em Maputo manteve hoje que há "evidências suficientes" para considerar o empresário moçambicano Mohamed Bachir Suleman "barão de droga", apesar de a Procuradoria-Geral da República de Moçambique o ter ilibado dessas acusações.

Num comunicado que divulgou na sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana anunciou não ter encontrado "indícios suficientes" de que Mohamed Bachir Suleman é um narcotraficante.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, assinou em junho de 2010 uma lista de pessoas consideradas "narcotraficantes de grande escala", que inclui Mohamed Bachir Suleman, conhecido empresário moçambicano e mecenas do partido no poder, FRELIMO.

Após as acusações, baseadas em informações do Departamento do Tesouro norte-americano, a PGR moçambicana iniciou averiguações, das quais concluiu não haver "indícios suficientes" do envolvimento do empresário com o tráfico de drogas.

No seu relatório, a PGR diz ter encontrado apenas ilícitos de natureza fiscal e aduaneira, que serão encaminhados para a jurisdição apropriada, com vista à respetiva mresponsabilização.

Instada hoje pela Lusa em Maputo a pronunciar-se sobre as conclusões da PGR moçambicana, a Embaixada dos EUA mantém que existem "evidências suficientes para a designação do senhor Bachir como barão de droga".

"Reiteramos a nossa total confiança no processo rigoroso, conduzido por agências múltiplas do governo dos EUA no ano passado, que encontrou evidências suficientes para a designação do senhor Bachir como barão de droga", refere uma nota assinada pelo adido de Imprensa e Cultura da embaixada dos EUA, Tobias Bradford.

No comunicado, a representação diplomática norte-americana diz que as violações fiscais e aduaneiras encontradas nas atividades do grupo empresarial de Mohamed Bachir Suleman "em muitos casos servem como base para investigações de tráfico de estupefacientes e outros" atos ilegais.

"Nos últimos 10 anos, desde que a lei entrou em vigor, não houve nenhum caso de um indivíduo ter sido designado erradamente como um barão de drogas do Nível 1", sublinha a nota de imprensa.

Pessoas vivendo com HIV/SIDA continuam a abandonar os tratamentos em Nampula




TELEVISÃO INDEPENDENTE DE MOÇAMBIQUE (TIM)

Mais de 11 mil doentes dum total de 500 mil vivendo com o HIV/Sida em Nampula estão a abandonar os tratamentos anti-retrovirais, alegadamente por falta de assistência alimentar, incluindo a distância que separa as suas residências dos centros de saúde.

A situação está a preocupar os responsáveis do núcleo provincial do combate ao HIV/Sida que já traçaram um plano que consiste no envolvimento dos líderes comunitários e outras pessoas influentes na luta contra esta doença.

Por seu turno, líderes comunitários que participaram numa capacitação na cidade de Nampula no âmbito da nova estratégia de combate a doença dizem estarem prontos para a luta.

Perto de 500 mil pessoas em Nampula de um total de 4 milhões de habitantes padecem da chamada doença do século.

Moçambique: Dhlakama diz que o seu partido não irá participar nas eleições intercalares





A alegada falta de transparência nos processo eleitorais é a razão encontrada pelo líder da perdiz para a ausência do seu partido na corrida eleitoral.

Sempre igual a si mesmo, o líder da Renamo chamou a imprensa, para a sua residência em Nampula para dizer que o seu partido não vai participar nas eleições intercalares que poderão ter lugar ainda este ano nos municípios de Quelimane, Pemba e Cuamba, na sequência da renúncia dos respectivos edis.

Para Afonso Dhlakama a renúncia dos edis está revestida de uma zona muito nebulosa que só a liderança da Frelimo pode explicar. Ainda assim, Marceta Dhlakama diz que se fosse pela má gestão, caiam todos os presidentes das restantes autarquias governadas pela Frelimo.

Apesar do corro de críticas, o presidente da Renamo disse ainda que nas próximas semanas estarão instalados os primeiros quartéis provinciais, antes de 25 de Dezembro, altura em que Moçambique terá uma nova ordem política.

PRESIDENTE DA CÂMARA DE BISSAU RECONHECE “CARÊNCIAS ENORMES” NA CIDADE




MB - LUSA

Bissau, 05 set (Lusa) -- O presidente da Câmara Municipal de Bissau (CMB), Armando Napoco, reconheceu hoje que a cidade apresenta "carências enormes" em termos de respostas às necessidades das cerca de 400 mil pessoas que alberga.

Armando Napoco falava à imprensa hoje à margem de um encontro de reflexão dos dirigentes daquela que é a única Câmara Municipal da Guiné-Bissau para analisar a situação da cidade e propor soluções para a resolução dos problemas.

"A ideia é sairmos deste encontro com um plano estratégico para os próximos anos. Temos carências enormes nesta cidade de Bissau que cresce a cada dia que passa. A cidade tem uma área de 113 quilómetros quadrados, uma população de 400 mil habitantes, num universo nacional de 1,5 milhões de pessoas, há muita pressão sobre Bissau", enfatizou Napoco.

"O território firme para a construção não é muito. Há muita zona pantanosa, ou zonas inundadas, onde as pessoas estão agora a construir habitações. Isso é muito perigoso e preocupante", assinalou ainda o presidente da Câmara de Bissau.

Durante esta época das chuvas, por exemplo, várias casas já caíram por terem sido construídas em zonas pantanosas ou de passagem da água da chuva.

Armando Napoco sublinhou ainda que a Câmara se vê confrontada com outros problemas.

"Por exemplo a questão do saneamento, a questão da falta do aterro sanitário na cidade. Temos problemas graves a nível da saúde pública. É tudo isso que queremos avaliar e saber como poderemos atacar esses problemas e depois propor à sociedade a nossa visão", frisou o presidente da edilidade de Bissau.

Na Guiné-Bissau ainda não foram feitas eleições autárquicas desde que o país aderiu ao multipartidarismo nos princípios dos anos de 1990. O Governo diz que em 2012 poderão ser realizadas.

*Foto em Lusa

BANDEIRA DO CNT DA EMBAIXADA LÍBIA NA GUINÉ-BISSAU FOI RETIRADA




FP - LUSA

Bissau, 05 set (Lusa) -- A embaixada da Líbia na Guiné-Bissau tirou hoje a bandeira do Conselho Nacional de Transição (CNT), que tinha hasteado na semana passada, por indicação do governo de Bissau.

A bandeira que indicava o reconhecimento do movimento rebelde como legítimo representante do país tinha sido hasteada no passado dia 29. Hoje foi retirada e a embaixada está agora sem qualquer bandeira. A Lusa tentou obter um comentário da embaixada mas o edifício estava encerrado.

Contactado pela Lusa, o secretário de Estado das Comunidades da Guiné-Bissau, Fernando Gomes Dias, confirmou que a retirada da bandeira partiu de uma indicação do governo, dada por ele mesmo.

"Porque ainda não tomámos nenhuma posição" sobre "os nossos irmãos líbios", justificou o responsável.

Fernando Gomes Dias explicou que já na semana passada, quando a bandeira do CNT foi hasteada, tinha chamado os responsáveis, solicitando que a bandeira fosse retirada, mas da embaixada não acataram a decisão governamental.

"Hoje voltei a chamá-los, veio o atual encarregado de negócios" (não o mesmo que na semana passada) e "transmiti a nossa posição", a pedir que retirassem a bandeira, esclareceu o secretário de Estado.

A mudança de bandeira e agora o arrear da bandeira do CNT acontece numa altura em que o embaixador da Líbia na Guiné-Bissau, Naji Algaddari, não se encontra na capital guineense.

A Líbia tem sido até agora um dos principais apoiantes da Guiné-Bissau, onde as autoridades ainda não se manifestaram sobre os últimos acontecimentos na Líbia nem disseram se reconhecem ou não o Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião líbia. O primeiro-ministro tem reiteradamente apelado ao diálogo entre as partes em conflito.

Com Muammar Kadhafi a Líbia era um dos principais parceiros diretos da Guiné-Bissau, com apoio financeiro e político. Bissau tem recebido ajudas que vão de alimentos a material para as Forças Armadas.

Brasil: MP vai investigar confronto entre militares e moradores no Complexo do Alemão





O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro anunciou esta segunda-feira que investigará os confrontos de domingo entre militares que participam no processo de pacificação do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade brasileira, e moradores da região.

As procuradoras da República, Gisele Porto e Aline Caixeta, vão visitar o complexo de favelas hoje para ouvir o general responsável pela Força de Pacificação, Cesar Leme Justo.

Aquelas responsáveis também conversarão com moradores para avaliar se houve excesso na actuação das forças de segurança.

Segundo a Força de Pacificação, o confronto começou quando dez militares, que faziam uma ronda a pé pela comunidade, foram insultados por um homem que assistia a uma partida de futebol, transmitida pela televisão, num bar.

Os militares dizem que deram ordem de prisão ao morador por desacato à autoridade, o que revoltou outras pessoas que assistiam à situação.

A informação difere das publicadas no "Twitter" de um jornal produzido pelos moradores do Alemão. A publicação Voz da Comunidade afirmou que os militares reagiram com spray de pimenta e outros meios para dispersar multidões, depois dos moradores que assistiam a uma partida de futebol num bar não cumprirem uma ordem para baixar o som da televisão.

Cerca de 100 homens reforçaram a segurança no Complexo de Favelas do Alemão após o tumulto. A região já foi uma das áreas dominadas pelo narcotráfico mais violentas do Rio de Janeiro e está sob intervenção militar desde Novembro.

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro já está a investigar um incidente semelhante registado no dia 24 de Julho na Vila Cruzeiro, a poucos quilómetros do local do confronto de domingo.

Na ocasião, militares usaram spray de pimenta e balas de borracha contra os moradores que estavam num bar. Um deles foi atingido no rosto por uma bala de borracha e corre o risco de perder a visão.

PASSOS COELHO JANTA AMANHÃ COM LULA DA SILVA EM LISBOA




Económico com Lusa 
 
O ex-Presidente da República do Brasil janta esta terça-feira com Passos Coelho num restaurante de Lisboa.

A assessoria de imprensa do político brasileiro não revelou, contudo, que assuntos poderão ser debatidos neste encontro entre Lula da Silva e Passos Coelho, que será fechado para jornalistas.

Na terça-feira de manhã, às 10:00, o ex-Presidente do Brasil participa na palestra "Um Mundo em Crise ou um Mundo de Oportunidades", um evento que também é fechado à comunicação social.

Lula da Silva está em Lisboa a convite da InterCement, empresa do grupo Camargo Corrêa que detém um terço das ações da cimenteiraportuguesa, Cimpor.

Na quinta-feira, Lula da Silva deverá almoçar com os jogadores do Benfica, adiantou ainda um dos assessores do político brasileiro.

Na agenda de quarta-feira não há compromissos oficiais previstos.

CAVACO CONVIDA FUTURO HOMÓLOGO DE CABO VERDE A VISITAR PORTUGAL




Económico com Lusa

O Presidente da República convidou o seu futuro homólogo cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, para realizar uma visita oficial a Portugal.

O convite ao novo chefe de Estado foi "prontamente aceite" por Jorge Carlos Fonseca, disse à agência Lusa fonte de Belém.

De resto, Cavaco Silva contactou telefonicamente sexta-feira o Presidente-eleito de Cabo Verde, a quem testemunhou felicitações pela sua vitória eleitoral.

Convidado a participar na cerimónia de posse, a 9 de Setembro, Cavaco Silva "não o poderá fazer", pelo que a representação portuguesa será assegurada pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar - decisão tomada "após concertação entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro" -, indicou a fonte de Belém.

Jorge Carlos Fonseca foi eleito chefe de Estado de Cabo Verde na segunda volta das eleições presidenciais de 21 de Agosto, obtendo 54,16% dos votos, derrotando Manuel Inocêncio Sousa, que recolheu 45,84%.

Fonseca tornar-se-á o quarto presidente em 36 anos de História do país, depois de Aristides Pereira (1975/1991), António Mascarenhas Monteiro (1991/2001) e Pedro Pires (2001/09 de Setembro de 2011).

Portugal: ORDEM PARA MORRER




MANUEL ANTÓNIO PINA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

O que, para além de toda a tagarelice justificativa, resulta das anunciadas medidas de redução da despesa (ainda apenas "planos"; "realizações" são, para já, a nomeação de centenas de 'boys' e dezenas de "grupos de trabalho", 11 só à conta de Relvas, três deles para o futebol) é que ou Passos e Portas não faziam a mínima ideia do que falavam quando criticavam as "gorduras" do Estado ou mentiam deliberadamente quando se atiravam como gatos a bofes contra Sócrates por aumentar os impostos (um e outro preocupavam-se então muito com as "famílias").

Andaram anos a chamar mentiroso e "Pinóquio" a Sócrates porque as suas políticas não coincidiam com as suas promessas e, em dois meses, não têm feito outra coisa senão desdizer-se. A solução que tinham na manga era, afinal, o empobrecimento geral (geral?, não: uma pequena aldeia de 25 magníficos continua a enriquecer escandalosamente à custa desse empobrecimento).

Agora, aos trabalhadores (Amorim excluído), pobres e pensionistas, juntam-se os doentes no lote dos "todos" a quem Passos e Portas cobram a factura da crise. No caso dos doentes, pagando com própria vida se for o caso: os responsáveis nacionais pelo programa de transplantações demitiram-se sexta-feira revelando que os cortes na Saúde "não respeitam a vida humana" e vão "matar pessoas". Não me parece que Paulo Macedo se preocupe com isso: trata-se de doentes crónicos, que só dão despesa...

Portugal: Líderes das centrais sindicais falam em provocação de Passos Coelho


wehavekaosinthegarden

TSF

Na TSF, João Proença e Carvalho da Silva comentaram, esta manhã, as palavras do primeiro-ministro sobre a hipótese de tumultos sociais, considerando que são uma provocação.

Ao prometer mão-de-ferro perante tumultos sociais no país, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, está a contribuir para um ambiente de alarme social, criticou na TSF João Proença.

O líder da UGT condenou o que classificou de discurso intimidatório por parte do chefe de Governo que deve estar preparado para a contestação.

«É fundamental que se respeite as liberdades consagradas na Constituição, mas também criar condições para que não haja agitação social, descontentamento. É evidente que estamos num período de crise, em que é muito importante que o sacrifício seja gerido de forma equilibrada», destacou João Proença.

«E é importante também que os portugueses começem a ter esperança e não estarmos constantemente com discursos intimidatórios e que aumentam a insegurança das pessoas e que acaba por criar um clima de alarme social», frisou.

Na TSF, João Proença acrescentou que o primeiro-ministro deve dar esperança aos portugueses e não ameaça-los.

Também Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, considerou uma provocação as palavras do primeiro-ministro e avisou que o "tiro pode sair pela culatra".

«Isto mostra uma falta de segurança muito grande por parte do primeiro-ministro em relação às políticas que está a seguir e é, por isso, um indicador da ausência de rumo e de uma política que possa tirar o país do buraco em que se encontra», considerou.

«Claro que estas afirmações do primeiro-ministro são uma clara tentativa de provocar as pessoas, quem neste momento está descontente, e tentar chutar para o lado a responsabilidade. Portanto, essa tentativa de provocar e incendiar pode sair-lhe o 'tiro pela culatra'», alertou Carvalho da Silva.

Recorde-se que a CGTP tem agendada para o próximo dia 1 de Outubro uma manifestação contra o empobrecimento e as injustiças sociais.

Líder comunista português acusa governo de estar a conduzir o país para uma "tragédia"




PORTUGAL DIGITAL

"O sucesso do Governo PSD/CDS será a tragédia do país, o sucesso na concretização do seu programa de Governo será a catástrofe e a ruína dos portugueses".

Lisboa - O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) disse, domingo (4), no comício de encerramento da Festa do Avante, que o Governo tem revelado "a falsidade e embuste das suas promessas" eleitorais e que a execução do programa da coligação governamental PSD-CDS será "a tragédia do país".

No discurso de encerramento da 35ª Festa do Avante, Jerónimo de Sousa afirmou que, "a manter-se esta política e este pacto", haverá outro "decénio que, tal como este último, não será apenas perdido mas de completo afundamento nacional", considerando "insuportável" o aumento do custo de vida, noticiou a rádio TSF.

"O sucesso do Governo PSD/CDS será a tragédia do país, o sucesso na concretização do seu programa de Governo será a catástrofe e a ruína dos portugueses (...). Disseram e quase juraram que não tocariam no subsídio de Natal, disse-o e quase jurou Passos Coelho, mas foi a primeira medida que tomou", afirmou Jerónimo de Sousa, falando em "omissões deliberadas" como "o escandaloso aumento dos transportes".

O dirigente do Partido Comunista Português fez diversos apelos à mobilização contra medidas que são "o sufoco das camadas populares" e respondeu directamente a Passos Coelho, que hoje deixou um aviso para os que pretendem "trazer o tumulto para as ruas".

"Tumulto social e destruição é aquilo que o Governo está a fazer", disse Jerónimo de Sousa, acrescentando que o primeiro-ministro "vai ter de contar com o começo e o crescendo da luta dos trabalhadores e do povo".

"Bastaram dois meses de governo de Passos (primeiro-ministro e líder do PSD) e Portas ( ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS) para mostrar a falsidade e o embuste das promessas e a real dimensão das consequências do programa" acordado com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

Jerónimo de Sousa apelou à participação dos trabalhadores na manifestação convocada pela CGTP, principal central sindical do país, no dia 1 de Outubro. As informações são da TSF.

BANCOS PORTUGUESES PASSADOS A PENTE FINO POR AUDITORES INTERNACIONAIS





Troika que controla apoio dado a Portugal vai analisar a partir de hoje os créditos concedidos aos maiores clientes das instituições financeiras lusas.

Lisboa - Os auditores da PricewaterhouseCooper's (PwC) e da Ernst & Young vão entrar a partir de hoje nos oito maiores bancos portugueses para passarem a pente fino os créditos concedidos aos 50 maiores clientes de cada instituição, revela o "Jornal de Negócios" na sua edição de hoje.

O objectivo, avança o periódico português, é avaliar a adequação das garantias dos empréstimos e as provisões associadas a cada contrato. Um processo que, como têm avisado os banqueiros, se for feito de forma "fundamentalista", pode obrigar os bancos a terem que registar mais imparidades de crédito, o que penalizará os resultados e os rácios de capital dos bancos.

Segundo o "Jornal de Negócios", o relatório preliminar da auditoria que agora começa será entregue até 15 de novembro.

O jornal "i" destaca igualmente na sua edição desta segunda-feira, a que chama "Dia B", que os bancos serão passados "a pente fino" no âmbito das exigências da troika face ao plano de ajuda financeira a Portugal.

"Os bancos portugueses vão mesmo ter que fazer aumentos de capital se não quiserem ser obrigados a recorrer aos 12 mil milhões de euros previstos no Memorando da troika para apoiar a capitalização da banca nacional. E ficar com o Estado como accionista. O Banco de Portugal deverá fazer tudo para provar que isso é necessário", escreve o "i".

A questão é que os accionistas dos principais bancos nacionais não estão interessados em injectar mais capital nestas instituições, mas também não querem aceitar ceder parte das suas participações a novos accionistas.

Conforme nota o mesmo jornal, na auditoria que agora arranca, o objectivo é analisar o que os bancos fizeram das suas carteiras de crédito e avaliar se estão ou não bem provisionadas. Se a análise for negativa, terá como consequência um aumento do provisionamento e das imparidades, o que implica mais capital.

CPLP deve ter "existência real com ações concretas" para estreitar laços no mundo lusófono




FO - LUSA

Rio de Janeiro, 05 set (Lusa) -- A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve ter uma "existência real com ações concretas" e não ser um pretexto para reuniões de alto nível, defendeu Pepetela, que esteve no Rio de Janeiro na Bienal Internacional do Livro.

Segundo o autor angolano, que participou domingo no debate sobre "África -- Brasil: transas literárias, transes existenciais", uma das formas de pagar a "dívida histórica" do Brasil em relação ao continente africano seria manter o esforço de tornar a sociedade brasileira mais igualitária em direitos dos afro descendentes.

"Há muito a fazer dos dois lados para estreitar cada vez mais as relações, criar uma ponte, não tanto no sentido único, como está a acontecer por parte do Brasil. Os escritores já estão a fazer a pequenina coisa que poderiam fazer", argumentou Pepetela.

O Prémio Camões discutiu ainda o preconceito que existe sobre a África e a história do continente.

"Há pessoas que pensam em África como um país. Realmente há muitas literaturas africanas, como há muitas Áfricas. Ainda aos olhos do mundo aparece mais como um continente do que as diferenças dos países", analisou, ao falar perante cerca de uma centena de pessoas que encheu o espaço do "Café Literário" da Bienal.

A opção de Pepetela de reescrever a história por meio da ficção deve-se à vontade de querer "dar voz ao perdedor" com a própria visão do povo.

"Há muitas verdades, sobretudo quando se escreve sobre a história. Geralmente o que fica é a história do vencedor. Eu gosto de pegar nessas coisas e virar ao contrário, tentar compreender qual seria a visão do perdedor. No caso de Angola, a visão do colonizado que não tinha direito a palavra. A verdade é um diamante, conforme a luz bate, reflete de maneira diferente", argumentou.

Pepetela admitiu que sente uma grande vontade de "inventar a história" como uma forma de chamar a atenção.

A transição da história para a ficção foi a maneira que o autor angolano encontrou de dar a conhecer ao maior número de pessoas "o que havia passado e o que as pessoas não conheciam".

Segundo o escritor, há bem pouco tempo não havia uma história de Angola feita por angolanos.

"Uma forma de dar a conhecer dados históricos é através da ficção. Sinto-me absolutamente livre para inventar", disse.

Pepetela admitiu que a literatura africana de autores de língua portuguesa é mais conhecida em Portugal do que no Brasil e criticou o desequilíbrio da relação entre os dois países.

"Não há uma relação igualitária entre Brasil e Angola, não só pela demografia que é 10 vezes mais que Angola e a potência económica do Brasil. Parece que os angolanos olham mais para o Brasil. Já existem empresários brasileiros que estão a descobrir que afinal Angola tem algumas riquezas que podem interessar, e não só o petróleo".

Contudo, segundo Pepetela, a relação que se estabelece é sempre de "dependência" por parte de Angola e, a nível da difusão literária, isso também ocorre.

Pepetela foi um dos 20 escritores internacionais convidados para participar da Bienal Internacional do Livro, que decorre até 11 de setembro, no Rio de Janeiro com um público estimado em 600 mil pessoas.

Angola: Líder da manifestação de sábado está detido em esquadra dos arredores de Luanda




INFORPRESS - LUSA

Lisboa, 05 Set (Inforpress) – Um dos líderes dos protestos contra o Presidente angolano no sábado em Luanda, detido pela polícia e cujo paradeiro era desconhecido, está na esquadra do bairro do Prenda, nos arredores da capital, disse hoje fonte familiar.

Em declarações por telefone a partir de Luanda, Luísa, mãe do "rapper" Dionísio "Carbono" Casimiro, um dos principais organizadores da manifestação pela destituição do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, disse à Agência Lusa que falou com o filho hoje de manhã.

"Foi ele que me ligou (…). Disse-me que estava bem... mas ele tem que dizer isso, não é? Outras informações não pode dar. Mesmo que esteja mal, não pode dizer", disse, adiantando que o filho lhe disse que estava na esquadra do bairro do Prenda, no antigo município da Mayanga, arredores de Luanda.

Dionísio "Carbono" Casimiro foi detido no sábado na sequência de confrontos com a polícia durante uma manifestação a pedir a destituição do Presidente angolano, no poder há 32 anos.

Terão sido ainda detidas outras 24, segundo a polícia, a 50 pessoas, segundo fontes próximas dos manifestantes, sendo o paradeiro de vários organizadores do protesto desconhecido desde essa altura.

O advogado Luís Fernandes Nascimento disse hoje à Agência Lusa, por telefone a partir de Luanda, que outro dos líderes do movimento contestatário, Adolfo Miguel André, está também detido na mesma esquadra depois de ter recebido assistência hospitalar.

Pelo menos três manifestantes deram entrada inanimados no hospital, adiantou o advogado, acrescentando que poderá haver mais feridos.

Luís Fernandes Nascimento disse à Lusa que os detidos estão divididos por várias esquadras e que ainda não se sabe quando é que serão presentes ao juiz.

"Não há uma hora marcada. O que sei é que de momento não saiu nenhum carro da polícia para o tribunal", disse, acrescentando que quando isso acontecer irá ao tribunal para se constituir representante legal dos detidos.

"Trata-se de um julgamento sumário. É um tipo de processo que tem que ser resolvido em uma semana e achamos que não há razão para que não se inicie
hoje. Se não tiver início hoje, teremos que pedir a libertação dos detidos porque é ilegal a manutenção da prisão", disse.

OIÇAM AS VOZES DO DONO DO REINO




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Para se saber o que se passou na manifestação contra o democrata presidente de Angola, que está há 32 anos no poder sem nunca ter sido eleito, nada melhor do que ouvir a voz do dono do país, de seu nome José Eduardo dos Santos.

A Televisão Pública de Angola condenou a "tentativa de agressão" de que terão sido alvo os seus profissionais e da RTP. Estranho a TPA condenar as agressões? Não. De modo algum. É que, segundo esta correia de transmissão do regime, os agressores foram os jovens manifestantes.

De acordo com uma "nota de repúdio" da estação oficial do regime, veiculada pela agência noticiosa oficial do regime, a Angop, a TPA "repudia a acção e lembra que ela fere o direito dos telespectadores de serem informados" e diz ainda que se "solidariza também com os profissionais da RTP que de igual modo foram vítimas desta acção".

Aliás, em imagens que correram mundo, todos ficamos a saber que os jovens manifestante estavam armados até aos dentes, sendo visíveis – entre outro tipo de armamento – centenas de Kalashnikov…

Fonte oficial da direcção de informação da RTP disse à Agência Lusa que a estação já deu "conta da situação às autoridades angolanas" dos acontecimentos e que "com os jornalistas não houve problemas", mas que "o material [equipamento] ficou danificado". Por outras palavras, a RTP deu conta da situação aos que de facto foram os seus agressores. Não está mal.

A  manifestação, no Largo da Independência, em Luanda, tinha como objectivo - condenável e atentatório das leis de um Estado de Direito - exigir "a destituição de José Eduardo dos Santos" e a "democratização dos órgãos públicos".

Mas, segundo os órgãos de propaganda do regime, o forte aparato repressor da Polícia (entre outras forças no local) não foi suficiente para evitar que os criminosos manifestantes agredissem os jornalistas.

As agressões, segundo jornalistas no local e que não são assalariados do regime, foram perpetradas por elementos civis que se encontravam igualmente no local, sem identificação. E como eram civis (apesar de bem armados e apoiados pela Polícia) só poderiam ser afectos aos manifestantes, isto no que concerne às agressões aos jornalistas.

Bom. Mas foram alguns desses civis que prenderam e levaram para parte incerta muitos dos manifestante. Pois foram. Mas estava tudo combinado. Os manifestantes não foram presos, foram apenas festejar para um local diferente…

"Contrariando as orientações da Polícia, alguns indivíduos, de forma anárquica, forçaram o cordão de segurança policial, proferindo ofensas verbais contra pacatos cidadãos que circulavam nas redondezas e aos efectivos da Polícia Nacional, alegando que pretendiam dirigir-se ao palácio", esclareceu a Polícia no comunicado.

Que mal educados são estes manifestantes. Como se já não bastasse, como diz a TPA, agredir os jornalistas, ainda resolveram ofender os agentes da segurança. Quando será que aprendem que só têm liberdade para estar de acordo com as ordens do dono do país?

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Angola: UNITA EXIGE LIBERDADE IMEDIATA DE MANIFESTANTES





A UNITA, o maior partido da oposição em Angola, exigiu hoje em Luanda ao Governo angolano "a libertação incondicional e imediata de todos os detidos nas manifestações do dia 03 de Setembro de 2011".

Em comunicado de imprensa, esta força política condenou "os actos violentos cometidos no dia 03 de Setembro em Luanda contra cidadãos no exercício dos seus direitos constitucionais", resultantes "apenas do carácter brutal do regime".

Na nota este partido classificou como "uma grave violação da Constituição da República de Angola" os actos resultantes da manifestação organizada por um grupo de jovens este sábado em Luanda, para "exigir a destituição do Presidente angolano".

A UNITA refere ainda que, depois de analisar "cuidadosamente" os relatos aos acontecimentos deste fim de semana, concluiu que "os atos violentos" de sábado, "são uma grave violação da Constituição da República de Angola e tendem a criar tensão numa sociedade já por si saturada de injustiças e da política de exclusão social que caracteriza o Executivo angolano".

"O Secretariado Executivo do Comité Permanente da UNITA repudia nos termos mais enérgicos a postura anti-democrática do regime de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e chefe do actual Executivo, que ordenou o uso da força para reprimir manifestantes pacíficos, em violação flagrante da Constituição vigente em Angola", lê-se no documento.

Esta força política angolana lembra no seu comunicado ao chefe do Executivo que "as manifestações e outras formas de luta democrática são um direito que constitucionalmente cabe aos angolanos, pelo que exige a libertação incondicional e imediata de todos os detidos nas manifestações do dia 03 de Setembro de 2011".

Um apelo foi feito "à comunidade internacional, particularmente a SADC, e às organizações da sociedade civil, a envidarem esforços para o respeito dos direitos humanos em Angola".

O partido da oposição alerta ainda as autoridades angolanas "para o risco de agudizar desnecessariamente uma situação que, afinal, não passaria de um ato de exercício de cidadania, caso fosse permitido desenrolar-se normalmente".

No documento, a UNITA exorta os angolanos a "não se deixarem intimidar por práticas caducas do exercício de poder ditatorial, pois as causas justas sempre triunfaram. Se não manifestarem vontade política para se realizarem profundas mudanças no tecido social, político e económico, os sistemas totalitários que insistirem em reprimir a sua população, como é o caso angolano, poderão seguir o mesmo fim dos países do Magrebe".

"O uso da violência não é a solução; apenas acirra contradições, criando um clima de tensão social que tem de ser evitado a todo o custo em nome da paz. Se o MPLA optar por essa via, assumirá as responsabilidades diante dos angolanos e do mundo", concluiu o comunicado.

Em declarações à Agência Lusa, o advogado Luís Fernandes Nascimento, que é também membro do conselho nacional do Bloco Democrático, disse ter sido contactado por "muitos familiares" no sentido de tentar saber onde e como estão as cerca de 50 pessoas que terão sido detidas.

A Polícia angolana indicou no sábado que 24 pessoas foram detidas na sequência da manifestação que pedia a destituição do Presidente angolano em Luanda, tendo ficado feridos três oficiais e um agente policial, segundo a agência de notícias angolana, Angop.

A polícia alega ter actuado quando os manifestantes tentaram dirigir-se para o Palácio Presidencial. Geraram-se então confrontos, que resultaram no ferimento, detenção e agressão de jornalistas, que se encontravam a fazer a cobertura da manifestação.