sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jobim evita comentar demissão e passa os esclarecimentos para a presidente Dilma Rousseff




GL - LUSA

São Paulo, 05 ago (Lusa) - O ex-ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, não quis comentar hoje a sua saída do governo.

Segundo o jornal O Globo, ao ser abordado por jornalistas quando deixava a sua casa para fazer uma caminhada, Jobim mostrou-se magoado e disse apenas: "Não sou mais nada. Qualquer coisa, pergunte para a Dilma".

Jobim, que ocupava a pasta da Defesa desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu a sua demissão na noite de quinta-feira, após ter sido pressionado pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que não gostou das declarações do ex-ministro à revista Piauí.

Na entrevista, Jobim disse que o governo fez "trapalhadas" na discussão do projeto que prevê o fim do sigilo eterno de documentos considerados ultrassecretos.

Além disso, declarou que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, era "muito fraquinha", e que Gleisi Hoffmann, ministra chefe da Casa Civil, "nem sequer conhece Brasília".

Num outro momento polémico da entrevista, Jobim relatou um diálogo que teria tido com a presidente brasileira. Ao ser questionado por Dilma se a nomeação de José Genoino como assessor do ministério seria útil, Jobim disse ter respondido: "Presidente, quem sabe se ele pode ser útil ou não sou eu".

As declarações à Piauí foram divulgadas uma semana depois de Jobim ter dito ao jornal Folha de São Paulo que não votou em Dilma Rousseff nas últimas eleições presidenciais no Brasil, mas sim no candidato da oposição, José Serra, que é seu amigo pessoal.

Para ocupar o lugar de Jobim no Ministério da Defesa, Dilma nomeou o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

*Foto em Lusa

BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR AS TURBULÊNCIAS EXTERNAS, GARANTE DILMA





CORREIO DO BRASIL, com agências de notícias e ACSs - de Salvador, Brasília e São Paulo

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que o Brasil tem mais condições de enfrentar a atual crise econômica internacional do que tinha à época da crise de 2008. As declarações de Dilma foram feitas durante lançamento de programa de inclusão produtiva estadual em Salvador, nesta manhã. Ela recebeu, na véspera, a íntegra da palestra realizada por Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o alerta sobre a situação da crise do capitalismo internacional, que poderá paralisar o crédito internacional.

“Estamos à beira de uma situação que pode replicar um duplo mergulho, embora diferente, e paralisar o crédito internacional”, escreveu Coutinho, referindo-se à possibilidade de nova recessão global.

Turbulência

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, adiantara à presidenta, em reunião na tarde desta quinta-feira, que espera por uma melhora na situação dos mercados internacionais nos próximos dias. E concordou com a presidenta quanto ao Brasil estar preparado para enfrentar a turbulência.

– Houve um agravamento da situação internacional, que tem atingido as bolsas do mundo todo, inclusive aqui no Brasil. Isso reflete o enfraquecimento dos Estados Unidos e a situação europeia, que não está sendo resolvida. Espero que não continue esse agravamento, que ele cesse nos próximos dias. Mas, caso haja um agravamento da crise mundial, o Brasil nunca esteve tão bem preparado para enfrentar as consequências dessa crise, ou de uma nova crise – disse Mantega.

Mantega afirmou ainda que não acredita em um “overshooting” do dólar, que subia nesta tarde, ante o real, descolado do movimento das moedas no mercado externo, mas a alta não era acentuada e o ativo pouco reagiu à virada nas bolsas de valores observada ao longo do dia. Por volta das 11h50, a moeda americana subia 0,31% ante o real, cotada a R$ 1,584 na compra e a R$ 1,586 na venda. Na mínima, foi a R$ 1,575, e, na máxima, a R$ 1,590. No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM&FBovespa operava na direção oposta e recuava 0,12%, a R$ 1,597.

Brasil: Nelson Jobim pede demissão e Celso Amorim assume o Ministério da Defesa


Nelson Jobim deixa para Celso Amorim Ministério da Defesa - Amorim, na foto

CORREIO DO BRASIL, com ABr - de Brasília

O Palácio do Planalto confirmou, na noite desta quinta-feira, a saída do ministro da Defesa, Nélson Jobim. O ministro, que estava em Tabatinga, na fronteira do Brasil com a Colômbia, teve que antecipar o retorno a Brasília, chamado pela presidenta Dilma Rousseff. A ministra da Secretaria de Comunicação, Helena Chagas, informou que o ex-chanceler do governo Lula, Celso Amorim, assume o Ministério da Defesa.

A situação de Jobim se deteriorou depois que foram divulgados trechos de uma entrevista dele à revista Piauí, que circula nesta sexta-feira, com críticas ao governo e, em especial, à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Na entrevista, Jobim disse que Ideli é uma ministra “muito fraquinha” e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, “não conhece Brasília”. Não foi a primeira vez que Jobim causou desconforto à presidenta Dilma. Na semana passada, o ex-ministro revelou que, na última eleição presidencial, votou em José Serra por razões pessoais.

Filiado ao PMDB, Jobim foi presidente do Supremo Tribunal Federal (2004-2006) e ex-ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997).

Cabo Verde: Angola participa em encontro de directores da Cultura dos PALOP




ANGOLA PRESS

Cidade da Praia (Dos enviados especiais) - Angola participa desde hoje no Encontro dos Directores Nacionais de Cultura dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-leste, que visa o apoio às iniciativas culturais e reabilitação do património.

O encontro decorre sob responsabilidade da União Europeia, que disponibilizou três milhões de euros para o apoio de iniciativas privadas, como promoção de espectáculos, estágios ou formação em línguas nacionais.

Para ter acesso ao projecto concorreram 94 candidatos, mas a comissão de avaliação constituída para o efeito aprovou 18, que deverão ser analisados neste encontro, para avaliar se tem ou não acesso ao financiamento da União Europeia.

No encontro, com duração de dois dias, os participantes vão apresentar, por país, as políticas de salvaguarda do seu património cultural e dos planos de desenvolvimento cultural. 

O ponto de situação da execução dos projectos de apoio às iniciativas culturais  nos PALOP e Timor Leste deverá ser abordado também no encontro, no qual participam representantes de Angola, Guiné Bissau, Moçambique, Timor-Leste, São Tome é Príncipe, assim como a União Europeia.

Os participantes vão debater as políticas culturais comuns dos PALOP e  Timor-leste, estabelecimento das bases para uma intervenção cultural de denominador comum entre os PALOP e Timor-leste e definição das acções a desenvolver para a melhoria da colaboração, intercâmbio e transposição de boas práticas no quadro da política cultural entre os países beneficiários do projecto.

A apresentação do quadro geral das subvenções aprovadas para a passagem à terceira fase do processo de avaliação e a definição da estratégia para o desenvolvimento das actividades remanescentes do projecto, com destaque para as acções de formação, estágios, apoios aos centros culturais e estabelecimentos de parcerias, serão também analisadas.

Os projectos aprovados pela União Europeia devem durar até 31 de Dezembro de 2011.

JOGOS CPLP: SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE VAI ACOLHER A DÉCIMA EDIÇÃO





São Tomé e Príncipe vai organizar a décima edição dos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) previstos para 2014, garantiu o Director-geral dos Desportos, Joaquim Dias.

O responsável defende, por isso, a necessidade dos são-tomenses "tomarem esse projecto como uma coisa da nação" e afirma que "o engajamento de todos é fundamental, principalmente dos decisores políticos".

O orçamento para a realização dos jogos oscila entre os cinco e os 10 milhões de dólares norte americanos (entre 3,5 e os sete milhões de euros aproximadamente).

"São estimativas feitas com base nas despesas efectuadas por alguns países que já realizaram estes jogos", explicou Joaquim Dias, que se manifesta convencido de que o apoio financeiro pode ser conseguido desde que as autoridades "saibam trabalhar" a cooperação a nível dos países da CPLP.

Futebol, andebol, basquetebol, ténis, voleibol e atletismo e atletismo adaptado são as modalidades previstas para os jogos da CPLP de 2014, que devem ser no mínimo cinco e seleccionadas pelo país anfitrião.

Para organizar os jogos, São Tomé conta com a assessoria dos países da comunidade com maior experiência nesse domínio, nomeadamente Portugal.

"Nós não fazemos ideia sobre o que é organizar um evento desportivo, são questões em que nós não temos experiencia e portanto vamos ter de contar com as ajudas dos países da CPLP que estão disponíveis", explicou.

Portugal disponibilizou-se a receber alguns técnicos para estágios. Esses elementos vão integrar as comissões portuguesas que preparam os jogos de 2012, a fim de aprenderem como se organizam as competições.

Era suposto São Tomé organizar os nonos jogos, em 2012, tendo a organização do evento passado para Portugal.

Joaquim Dias justifica o falhanço do evento por havido "diferentes ministros, diferentes primeiros-ministros" desde que o compromisso foi assumido, lamentando a falta de "continuidade das políticas governamentais" no seu país.

Reconhecendo a falta de infra-estruturas para a realização das modalidades desportivas, o director dos desportos reiterou a necessidade de melhorar os existentes.

"Uns melhorando, outros construindo de raiz, mas acho que até 2014, se decidirmos que vamos fazê-lo, vamos conseguir", frisou.

O responsável considerou os jogos como sendo "o maior evento jamais realizado em São Tomé e Príncipe", classificando-os como "um desafio" que as autoridades devem concretizar.

"O desporto que é um factor de união, que mobiliza toda a população (...) por ser evento desportivo internacional, temos que conseguir, pese os custos que ele venha a custar para São Tomé e Príncipe", concluiu.

Clã Eduardo dos Santos compra Portugal com petróleo de sangue roubado ao Povo




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Angolanos têm cada vez mais poder em Portugal? Falso. Banca, energia, comunicações e até media são os negócios onde o capital angolano ganha peso? Falso.

A compra, em saldo, do BPN pelo BIC é de facto mais um exemplo de uma tendência empresarial, diz a TVI, que não pára de crescer: “o reforço do investimento de origem angolana em Portugal”.  A expressão “de origem angolana” está mais próxima da verdade.

Os accionistas do BIC são, na sua esmagadora maioria, angolanos: Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, detém 25% das acções. Fernando Teles, o presidente do banco angolano, outros 20 %. O português Américo Amorim, outros 25%.

Mas no que à banca nacional diz respeito, os interesses de Angola (melhor dizendo, dos donos de Angola) não ficam por aqui. A Sonangol, petrolífera angolana, é a maior accionista do BCP, com 12,44% do capital do banco português. E no BPI, Isabel dos Santos é accionista de referência com 9,69%.

Mas os investimentos (de alguns, sempre os mesmos) angolanos vão para além da banca. Outros negócios, o mesmo nome: Isabel dos Santos detém 33,37% da Galp através da participação na Amorim Energia, e é ainda dona de 10% da ZON Multimédia.

Mas os interesses dos donos de Angola estão também na informação portuguesa: em 2009 a angolana Newshold comprou 51% do semanário «Sol».

Do ponto de vista, pouco relevante – é certo, da verdade, os jornalistas não deveriam falar de investimentos angolanos, mas apenas de um pequeno grupo de angolanos que é dono do país deles e que quer ser dono (já é) do país dos outros.

O grupo ou clã de José Eduardo dos Santos, presidente da Angola há 32 anos sem nuca ter sido eleito, e também do MPLA, partido que “governa” o país desde 1975, representa só por si muito perto de 100% do Produto Interno Bruto angolano.

A Global Witness, por exemplo, diz que Angola e a sua "companhia petrolífera opaca é exemplo chave" de receitas petrolíferas desbaratadas e "postas ao serviço de um Estado-sombra onde o único resultado real para a maioria da população é a pobreza", sendo os bancos "cúmplices" no esquema, "parte da estrutura que permite que isso aconteça".

Na realidade, o sistema de finanças públicas angolano mantém duas vias de despesa. Uma é o orçamento oficial, gerido pelo Tesouro; o outro é um sistema não convencional via Sonangol, que não está sujeito a escrutínio público.

Segundo a análise da organização, com base em relatórios do Fundo Monetário Internacional, todos os anos ficam por contabilizar em média 1,7 mil milhões de dólares do Tesouro angolano. A média deverá equivaler a mais de 20 por cento do PIB angolano. Coisa pouca...

A Global Witness recorre ao epíteto de "Estado falhado de sucesso" - da autoria do académico português Ricardo Soares de Oliveira, da Universidade de Oxford - para enquadrar uma situação de aflição social em que "em vez de contribuir para o desenvolvimento, o sucesso da Sonangol tem estado sobretudo ao serviço da presidência e das suas ambições".

Acresce que o Alto Hama, bem como mais alguns (poucos) jornalistas que não têm coluna vertebral amovível, já se “cruzou” várias vezes com a Global Witness, exactamente no deserto onde se defendem causas e não o petróleo de sangue.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Guiné-Bissau: Oposição volta a exigir demissão de PM Carlos Gomes Júnior nas ruas de Bissau




SK - LUSA

Lisboa, 05 ago (Lusa) -- A oposição da Guiné-Bissau volta hoje a sair às ruas da capital guineense, pela terceira vez, para exigir a demissão do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que acusa de estar por detrás dos assassinatos políticos ocorridos em 2009.

Os partidos da oposição guineense, agrupados no chamado "coletivo democrático", liderado pelo antigo Presidente guineense Kumba Ialá, convocou para hoje em Bissau uma marcha pacífica para exigir a demissão de Carlos Gomes Júnior e que este responda perante a justiça pela morte de dirigentes do país, alegadamente assassinados em 2009.

"Ou Carlos Gomes Júnior ou o povo guineense" é a reivindicação que o coletivo da oposição -- formado por 17 partidos, na sua maioria sem representação parlamentar --, prometeu levar hoje até à residência do chefe de Estado da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que acusam de estar a proteger o primeiro-ministro guineense.

Em várias ocasiões, Carlos Gomes Júnior garantiu que não se demitiria, tendo pedido ao Procurador-Geral da República a abertura de um inquérito sobre as acusações de que tem sido alvo pela oposição, que já realizou duas manifestações.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau anunciou esta quinta-feira que iria apresentar uma moção de confiança ao Parlamento para desafiar a oposição. Na ocasião, Carlos Gomes Júnior voltou a garantir que não se demitiria das suas funções por ter "o mandato popular do povo", mas também assegurou não temer eleições legislativas para "clarificar as coisas de uma vez por todas".

"Também desafio os partidos da oposição para que provem a minha eventual culpa no foro próprio e não nas ruas", afirmou o chefe do executivo guineense.

Desconhece-se a posição do chefe de Estado guineense, que tem vindo a desenvolver uma série de contactos com partidos com assento parlamentar, outros órgãos de soberania, sociedade civil e corpo diplomático, para tentar encontrar uma saída para a crise política.

*Foto em Lusa

Moçambique: DHLAKAMA DIZ QUE A SITUAÇÃO ESTÁ PIOR DO QUE NO TEMPO COLONIAL




Luís Andrade de Sá (texto) e António Silva (fotos), da Agência Lusa

Quelimane, 05 ago (Lusa) -- O presidente da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, considerou que se vive uma situação "pior do que no tempo colonial" e acusou os europeus de conivência, "adiando a democracia multipartidária" no país.

"Eu não estou aqui para elogiar o colonialismo português mas em termos de repressão, de falta de democracia, até de discriminação é pior agora do que no tempo colonial", acusou Afonso Dhlakama, em entrevista à Agência Lusa, em Quelimane, antes de iniciar uma digressão partidária pela Zambézia.

O dirigente disse que a questão não era a de se sentir perseguido ou vigiado, "mas a democracia que está a desaparecer" e deu como exemplo a recente mudança de governo em Portugal para lamentar "a falta de alternância governativa que nunca houve" no seu país, desde a independência, em 1975.

Dhlakama acusou o governo da FRELIMO de ser "ilegal desde 1994, porque nunca a FRELIMO ganhou as eleições e acusou os europeus de aconselharem a RENAMO "a esperar", contribuindo para "adiar a democracia multipartidária" no país.

"Nunca houve uma pressão sobre a FRELIMO. Pelo contrário, nos europeus a tendência até é a de aconselharem a RENAMO para esperar mais. O problema já não é da RENAMO, é de adiar a vitória do povo de Moçambique, ou adiar a própria democracia multipartidária", disse.

As acusações do líder da RENAMO estenderam-se a Portugal, que disse de ter receio de reconhecer "o papel importante" desempenhado pela RENAMO, em Moçambique, e UNITA, em Angola.

"Portugal quer em Angola, quer em Moçambique, tem medo de ver que a RENAMO desempenha um papel muito importante, como a UNITA. Estamos a sofrer muito com isso, já disse isto ao Durão Barroso, aos espanhóis aos britânicos", lembrou. "Alguns, indiretamente, concordam comigo mas quando há eleições, se é um observador da direita tem receio de dizer que houve fraude, mas quando é um observador socialista, às vezes tem coragem de dizer que houve fraude...", acrescentou.

*Foto em Lusa

Timor-Leste: O DESENVOLVIMENTO DE ALGUNS E A FOME DE MUITOS




FOME EM TIMOR-LESTE

CARLOS TADEU - Reposição

“E há tempos que ouvimos, vimos e lemos, sobre o projeto de um portentoso e lindíssimo novo Parlamento Nacional – que pode ver na foto. Para quando a sua construção? Para quando erradicarem a fome em Timor Leste? Para quando existir realmente justiça, transparência, democracia e tudo mais que falta aos molhos no país?”

Ao longo destes anos de independência de Timor Leste assistimos a um governo eleito por vasta maioria da FRETILIN, que seria derrubado através de um golpe de estado apontado à responsabilidade maior de Xanana Gusmão – então presidente da república - e da igreja católica timorense, juntamente com outros setores de pendor governamental da Austrália e dos USA, para além de muitos integracionistas timorenses a favor da Indonésia – alguns deles agora no atual governo de Xanana Gusmão. De salientar que Ramos Horta teve também uma influência parda em todo o golpe de estado ocorrido no ano de 2006.

Vem este rememorar sobre o passado histórico recente do país por razões óbvias de provocar a reflexão sobre a governação da FRETILIN com verbas orçamentais ridículas que impediam de mostrar melhor obra e obviar as dificuldades do povo timorense num território que ficara completamente destruído pela sanha indonésia e das milícias timorenses ao seu serviço – devido ao retumbante resultado do referendo de 1999 que de supetão ditou a independência há muito ansiada pelos timorenses ocupados pelo invasor do país do lado.

Sabemos que em eleições ocorridas após o golpe de estado de 2006 só em segunda volta é que Ramos Horta conseguiu vencer Lu Olo para a presidência da república. Mesmo com todo o apoio dos integracionistas, de Gusmão e da Igreja, Horta experimentou sérias dificuldades para vencer o candidato Lu Olo, da FRETILIN. A compensação aos apoios que obteve surgiria um pouco mais tarde, nas eleições legislativas logo a seguir, em que lhe foi apresentada a factura desse apoio por parte de Gusmão, dos bispos católicos e de todos os outros setores integracionistas e conservadores que se uniram para derrotar a FRETILIN.

Foi assim que o partido mais votado, a FRETILIN, nessas eleições legislativas, em 2007, se viu irradiado da possibilidade de formar governo. Assistindo-se à engenhosa e apressada formação de um aglomerado de partidos políticos minoritários que formaram a AMP – Aliança de Maioria Parlamentar – para cujo chefe nomearam Xanana Gusmão. Estava cumprida parcialmente - de forma “democrática” e forçadamente constitucional - a fase que era objetivo do golpe de estado de 2006 e que se prolongaria até ao assassinato do major Alfredo Reinado em 2008. Reinado, um conluiado de Gusmão  e dos promotores australianos do golpe,  manifestou o seu arrependimento publicamente, através de vídeo sobejamente conhecido, e acusou Xanana Gusmão de ser um dos mentores e responsável pelo ocorrido e pelas mortes e destruição então levadas a cabo em 2006-2007. Por via da divulgação desse vídeo e da imprensa escrita o referir Xanana Gusmão chegou a ameaçar os jornalistas timorenses com prisão sumária. Tal foi o pavor de ser possível comprovar testemunhalmente todo o seu envolvimento e responsabilidades maiores no descalabro consequente ao golpe de estado. Não por acaso em 11 de Fevereiro de 2008 Alfredo Reinado foi executado no jardim da casa de Ramos Horta, como foi comprovado em relatório de autópsia profusamente divulgado na internet e na comunicação social. Prova tão evidente que nem o Tribunal de Díli, nem o Tribunal de Recurso, tiveram coragem de tomar em consideração. As pressões de Gusmão e de Horta foram enormes para que assim acontecesse e desse julgamento do 11 de Fevereiro saíssem sentenças que condenaram inocentes sob a condição de o presidente da república os libertar numa acção de demonstração de comprometimento com a farsa daquele julgamento, oferecendo aos injustamente condenados a liberdade por via administrativa.

TUDO À FARTA

Posteriormente ao 11 de Fevereiro de 2008 assistiu-se ao verdadeiro arranque das liberdades tomadas por muitos dos personagens da AMP envolvidos em atos de corrupção e de exercícios inconstitucionais de poderes. O próprio Xanana Gusmão, primeiro-ministro, nunca conseguiu explicar com credibilidade as razões que o levaram a assinar documentos que privilegiavam ilegalmente a sua filha Zenilde Gusmão. Outras notícias sobre corrupção, conluio e nepotismo foram profusamente divulgadas mas todas anotadas em pedra de gelo, restando um grande nada para a justiça atuar... se tivesse decência. O que possa aparecer, e aparece, não é mais que folclore à roda daquilo a que a PGR e uma Comissão Contra a Corrupção dizem investigar e combater. Tirando um ou outro pequeno corrupto ou corruptor punido nada mais acontece que apure as responsabilidades dos grandes “peixes” que dão vazão aos milhões que pertencem a todos os timorenses. É tudo à farta.

Não é por acaso que assistimos a mais que evidentes ostentações inexplicáveis de poderios financeiros de militares que ganhando menos de mil dólares mensais conseguem possuir vivendas apalaçadas no valor de muitas centenas de milhares. Outros há que adquirem e exibem residências e viaturas que os seus parcos ordenados nunca comportariam de forma legal e transparente poderem possui-las. Isto para além das viagens e vidas de novos-ricos que fazem garbo em exibir a par da miséria e da fome que assola a maioria dos timorenses.

Timor Leste é um estado suportado por um governo e elites civil, militar e eclesiástica imunes à vergonha mas de mão dada com a perfídia. Essa é uma das principais razões porque existe tanta miséria.

Os OGEs conseguidos pelo governo de Gusmão têm sido todos os anos aumentados exponencialmente. Os resultados relevantes demonstrados podem ser quantificados pelos dedos das mãos. Proporcionalmente têm sido ínfimos. O que faz recordar aquilo que Gusmão contestava quando era presidente da república, em 2005-2006: a má governação e inoperância do governo FRETILIN.

Então, à época, esse governo não dispunha de pouco mais de umas míseras centenas de milhares de dólares no OGE. Agora, ainda aconteceu há pouco tempo, as dotações de OGE já ultrapassam mais de dez vezes o que antes era dotado. Mas os resultados não têm sido correspondentes. As estradas continuam uma lástima, os timorenses sem casas são imensos, o fornecimento de energia eletrica é caótico, os timorenses com fome aumentaram, a prostituição e a pedofilia cresce na medida da fome e das necessidades dos mais carenciados e enganados pelas promessas de desenvolvimento. Na capital, em Díli, a população aumenta todos os dias, com forasteiros na fuga à miséria existente no interior – julgando que em Díli encontram o El Dorado. Esses mesmos acabam por engrossar o exército de miseráveis existentes na capital, que até às lixeiras recorrem, que roubam e comem alimento de cães se depositado na gamela existente em quintal por onde passem e possam deitar-lhe a mão. Também a criminalidade está a aumentar, obviamente. A isto, Gusmão, a AMP, Ramos Horta e outros das elites, classificam de desenvolvimento… Afinal este é um pequeno “retrato” daquilo que tem sido obra de Gusmão e dos seus capangas AMPistas. A expressão vale o que vale, e bem, para os tratantes que têm tido a cobertura do PM timorense. Ressalvem-se alguns que se têm preocupado em servir os interesses do país mesmo a servirem-se da umas quantas prerrogativas sombrias por serem das elites ou estarem próximos dos governantes.

E há tempos que ouvimos, vimos e lemos, sobre o projeto de um portentoso e lindíssimo novo Parlamento Nacional – que pode ver na foto. Para quando a sua construção? Para quando erradicarem a fome em Timor Leste? Para quando existir realmente justiça, transparência, democracia e tudo mais que falta aos molhos no país?

Quantos milhões de dólares estão previstos para o custo orçamental deste maravilhoso parlamento? Por quantos milhões mais se multiplicará o seu custo real desde a aprovação ao começo da obra? E no final quanto será na realidade o seu custo? A quantas estradas e reparações competentes corresponderá? A quantas reparações de pontes? A quantos quilómetros de rede de água potável e esgotos? A quantas casas para os que desde 2006 as perderam com a violência e destruição do golpe de estado. Saiba-se que por isso houve famílias que se desagregaram e imensas que ainda hoje sobrevivem em casas de familiares. Que não têm casas próprias como antes tinham!

Então, porque não o novo Parlamento Nacional construído daqui por talvez vinte ou mais anos? Construído e passar a ser uma referência do desenvolvimento de Timor Leste depois de o país e o seu povo estarem de facto na vivência de uma situação de desenvolvimento e progresso humano-social, com empregos. Com melhor e mais educação, com alimentação e cuidados de saúde que colmatem as atuais e vergonhosas carências, com habitações e infraestruturas adequadas. Com o máximo possível que governo ou governos legítimos e honestos consigam em prol justiça e da democracia que garanta o bem-estar dos timorenses.

DESENVOLVIMENTO… SÓ DE FALÁCIAS

O desenvolvimento apregoado pelo governo de Gusmão tem sido até agora mais de falácias que outra coisa. Ele surge devagar e na maior parte das vezes está parado se soubermos decifrar a propaganda. O tecido empresarial em Timor Leste tem sido referenciado em grandioso crescimento na propaganda do governo. Assim sendo, porque razão vimos a baía e o porto de Díli constantemente congestionados de navios em descarrego ou à espera de o fazer? Que desenvolvimento na indústria tem sido feito para suprimir as importações? Quase nada. O que tem florescido é o comércio. Compram no exterior, importam, e depois vendem com as prerrogativas de intermediários que ao aplicarem as percentagens dos seus lucros fazem com que a inflação dispare para valores incomportáveis para os que nem sequer têm um dólar por dia de rendimento. E nesse negócio florescente existem familiares e amigos dos governantes, porque pareceria muito mal que fossem certos e próprios governantes a darem a cara. Já nem se põe a questão de ser ilegal. Esse facto é evidência superável pelo poder político que trás à trela o poder judicial. Aos da justiça timorense só falta abanar a cauda, ladrar e saltitar perante os seus donos.

Aproximam-se as eleições presidenciais, logo seguidas das eleições legislativas. Ninguém com algumas gramas de miolos ignora que pouco falta para estar em curso a grande operação de Gusmão para enganar os eleitores com um celestial período de “desenvolvimento nacional”. As sacas de arroz vão ser oferecidas em quantidades inimagináveis. Os timorenses até vão pensar que chegou a abastança, que a miséria já lá vai, finalmente. Pontes a cair podem vir a ser pintadas de novo e ficarem com um óptimo aspeto. Só aspeto, desde que não caiam até que Gusmão seja eleito. Mas sacas de arroz em barda também todos os outros partidos políticos vão oferecer aos esfomeados cidadãos. Já é cultura do engano que ganhou raízes. E os simplórios e analfabetos timorenses, pessoas que não fazem mal a um toké (pequeno lagarto), lá vão nas loas dos “senhores”, dos vigaristas, que vão estar a oferecer-lhes migalhas dos muitos milhões que já roubaram e que vão continuar a roubar descaradamente, exibindo publicamente um doentio novo-riquismo contrastante com a miséria e a fome que vai continuar a existir, cada vez mais.

Atualmente podemos ler, entre outras alternativas, que o CNRT, partido de Gusmão, afirma-se confiante em conseguir uma maioria absoluta. O mesmo é demonstrado pela FRETILIN. Os outros partidos políticos não se atrevem a tamanhas previsões, justificadamente.

Para um estrangeiro que observa e por vezes vive o quotidiano timorense, que conhece certos e incertos bastidores dos poderes do país, se acreditar na existência de eleição de um partido político que consiga obter por resultado uma maioria no parlamento, só pode ser a FRETILIN. A razão é simples.

Para os milhões dos OGE - que ao longo destes anos de governança Gusmão obteve - a obra realizada é ínfima. Muitos desses milhões estão em parte incerta, esfumaram-se. As obras de construção, por exemplo, são entregues a empresários amigos ou familiares que prosperam de um modo só justificável através de procedimentos muitíssimo dúbios. Os materiais aplicados não são os adequados e muitas vezes até a própria areia é substituída por terra. Os escoramentos são feitos para serem vistos e não para cumprirem a sua função em terrenos já de si com origens instáveis. O resultado é vermos estradas a ruírem para os precipícios, ou postes a quebrarem por construção deficiente. Rouba-se no ferro, na areia, no cimento, no betuminoso… Rouba-se à descarada. Só assim podemos ver as ascensões e exuberâncias próprias dos novos-ricos conluiados com os do governo de Gusmão. E Gusmão não é parvo para não ver, para que possa dizer desconhecer o que acontece na feira das vaidades diliense com a elite de que faz parte e que protege.

E aqui temos o desenvolvimento de Timor Leste. Fruto da má governação de um suposto ícone da libertação da Pátria timorense. O desenvolvimento existe na realidade, mas é estrito a umas quantas famílias do país. Tudo o resto é mais propaganda que outra coisa. Diz quem sabe que é fácil fazer disparar os índices de desenvolvimento numa casa que não tem nada, nem uma simples cadeira. Quando lá entram meia-dúzia de cadeiras é progresso e desenvolvimento. Depois conseguem um colchão – mais progresso e desenvolvimento. Se ao fim de um ano nessa casa, que antes estava sem mobiliário, já tiverem adquirido uma cama, quatro colchões, vinte cadeiras, uma mesa, um móvel e um fogão, podemos afirmar com toda a propriedade que o desenvolvimento foi espetacular. O mesmo se passa com Timor Leste, um país que ficou destruído e desbaratado, qualquer migalha é desenvolvimento. O pior é que não corresponde aos milhões que devia corresponder. E, como na casa atrás referida, em que habitavam quarenta pessoas, o desenvolvimento não corresponde às necessidades dos envolvidos mas somente de uns quantos, os que manuseiam os dinheiros. Afinal, os que roubam e dão a roubar. Esses sim, podem gabar-se e exibir o seu desenvolvimento pessoal, familiar e de amigos.

ELEIÇÕES, E SE…

Se nas próximas eleições o CNRT de Gusmão e, ou, partido ou partidos seus pares conseguirem voltar ao governo tudo será muito pior para o país - principalmente para os timorenses mais carenciados. Não se viu ainda da parte dos responsáveis timorenses vontade e obra que colmatasse a fome e a miséria, nem que investisse adequadamente para resolver em espaço de tempo razoável o desemprego, nem que fomentasse empregos com caráter sustentável em quantidade significativa… No interior do país o desprezo tem sido enorme. As dificuldades são enormes. As responsabilidades vão todas direitinhas para Xanana Gusmão e o seu governo de trapaceiros, com os acrescentos de familiares e amigos insaciáveis que já enriqueceram com aquilo que não lhes pertence mas que querem sempre mais, e muito mais.

Os timorenses parecem estar conscientes destas realidades mas talvez esqueçam as agruras por que têm passado se Gusmão alargar os cordões à bolsa do OGE abastado que conseguiu para este ano pré-eleitoral. Em que só ele tem quase metade de mais de um bilhão para pessoalmente poder decidir o que fazer com essa verba. Decerto que muito daí vai servir para enganosamente "alindar" por momentos a vida dos timorenses. As tais migalhas que vai ter de despender para enganar lorpas. Essa será a sua prática, prevê-se. A decisão cabe aos timorenses. Se quiserem mais do mesmo, se quiserem continuar a ser enganados e espoliados votem Gusmão e nos partidos satélites que constituem a AMP. Se não o fizerem, se mostrarem um cartão vermelho a Xanana Gusmão e aos que têm mal governado nestes últimos anos, se derem a possibilidade à FRETILIN de governar e mostrar o que realmente vale, como governo e com orçamentos adequados, volumosos, só é de esperar que um governo FRETILIN saiba repor a democracia, a justiça, o bem-estar social e laboral num país que tem sobretudo andado a sobrealimentar indivíduos e famílias parasitas.

**Texto concebido pelo autor com apoio e revisão de ANTÓNIO VERÍSSIMO

- Reposição de artigo - Publicado em PÁGINA GLOBAL, em 23 abril 2011

Timor-Leste: FOME ASSOLA O DISTRITO DE BOBONARO




SAPO TL

As comunidades do Suco de Oeleu e Aiasa, em Bobonaro enfrentam graves problemas a nível alimentar. Os respectivos chefes sucos já entregaram o relatório ao Administrador do Sub-Distrito de Bobonaro, mas até ao momento não houve resposta do Governo.

“Os dados já foram entregues, mas ainda não obtivemos nenhum resultado” informa o chefe suco de Oeleu, Manuel Soares, ao CJITL.

O suco de Aiasa acrescenta ainda que a falta de alimentos é derivada das fortes chuvas que assolam a região.

“Tem chovido incessantemente, tornando mais difícil a própria plantação do milho” exemplifica o chefe suco, Adelino Afonso Mota, acrescentando ainda que as suas vidas dependem da agricultura.

Em resposta a esta situação, o Administrador do Sub-distrito de Bobonaro, Adelino Gouveia Brito, chegou à conclusão que cerca de “24.000 pessoas passam fome. Os dados já foram entregues às autoridades competentes, mas até agora não obtivemos resposta.”

SAPO TL com CJITL


Macau: 14 MEMBROS DA ADMINISTRAÇÃO ALVO DE CHANTAGEM - Polícia Judiciária




JCS - LUSA

Macau, China, 05 ago (Lusa) -- Cerca de 14 membros da administração de Macau receberam cartas anónimas com exigências de pagamento até meio milhão de yuan (cerca de 55.000 euros) sob a ameaça de divulgação de alegados casos de corrupção, disse hoje a Polícia Judiciária.

A ameaça, enviada por carta a partir da Zona Económica Especial de Zhuhai, adjacente a Macau, e com um cartão de memória anexo ao número da conta para onde deveria ser transferido o dinheiro, é ainda de origem desconhecida, explicou a Polícia Judiciária que está a investigar o caso com as autoridades da China continental.

De acordo com o porta-voz da Polícia Judiciária de Macau, caso os visados -- onde se incluem dirigentes de serviços cuja identidade não foi divulgada - não paguem as verbas exigidas, é prometida a entrega de informações relacionadas com corrupção no Comissariado Contra a Corrupção de Macau.

A Polícia Judiciária já ouviu alguns dos visados das cartas e garantiu que até agora não foram pagos quaisquer montantes.

*Foto em Lusa

São Tomé e Príncipe: Única certeza na segunda volta é que um "mais velho" será eleito




Eduardo Lobão, da Agência Lusa

São Tomé, 05 ago (Lusa) -- Qualquer que seja o resultado da segunda volta das presidenciais no domingo em São Tomé e Príncipe, a que concorrem Manuel Pinto da Costa e Evaristo Carvalho, a única certeza é que vai ser eleito um "mais velho".

Em África designam-se por "mais velhos" aqueles a quem se vai buscar a tradição, o saber e a experiência.

Os dois candidatos são históricos da luta de libertação e dirigentes políticos desde a primeira hora do país nascido há 36 anos.

Nesta eleição, se não fossem os tempos de antena transmitidos na televisão, e a polémica que suscitaram, bem como ainda os cartazes espalhados pelo país, ninguém diria que há nove dias que as duas candidaturas estão na estrada em campanha, que termina hoje.

A polémica nasceu do lado da candidatura de Evaristo Carvalho, 70 anos, antigo primeiro-ministro em duas ocasiões e atual presidente do parlamento e levou a Comissão Eleitoral Nacional a ameaçar suspender os tempos de antena que "incitassem ao ódio e violência", face ao teor das acusações contra Manuel Pinto da Costa.

Diabolizado e apresentado como o responsável político pela repressão que, segundo a candidatura de Evaristo Carvalho, marcou os primeiros 15 anos de independência sob o regime monopartidário do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), Pinto da Costa optou por não vir a terreiro responder às acusações, deixando o adversário a falar sozinho.

Os dois candidatos passaram a campanha em contactos praticamente porta a porta, em todos os distritos do país, deixando os tradicionais comícios para hoje, na capital, insistindo na necessidade de estabilidade para, pelo menos em teoria, por fim à rotineira queda e substituição de primeiros-ministros.

O país teve 10 primeiros-ministros nos últimos 10 anos.

O objetivo declarado é disputar os 32,11 por cento dos 92.638 eleitores inscritos que se abstiveram na primeira volta, a 17 de julho. O objetivo, velado, é incentivar os eleitores a irem votar, e que veem nos atos eleitorais a oportunidade de ganharem dinheiro extra, dando expressão ao fenómeno localmente conhecido por "banho", e que se traduz prosaicamente por "compra de votos".

Enquanto Evaristo Carvalho é apoiado pelo partido Ação Democrática Independente (ADI), liderado pelo primeiro-ministro, Patrice Trovoada, que protagonizou há um ano nas legislativas a reviravolta que atirou o histórico (MLSTP-PSD) para a oposição, Pinto da Costa apresentou-se nas presidenciais como suprapartidário.

Primeiro Presidente dos 36 anos de história do país, Manuel Pinto da Costa, que completa hoje 74 anos, é um dos artífices da instauração do regime multipartidário.

Foi o primeiro líder do MLSTP, a que a abertura democrática trouxe o sufixo PSD (MLSTP-Partido Social Democrata).

Na primeira volta, Pinto da Costa obteve 35,58 por cento e Evaristo Carvalho alcançou 21,74 por cento, a cerca de 8 mil votos de distância.

Se as previsões eleitorais fossem uma ciência exata, era desde já fácil concluir que Pinto da Costa recebe domingo o endosso para regressar a um cargo que tão bem conhece.

O apoio declarado que recebeu de quatro dos 10 candidatos que disputaram a primeira volta, designadamente Delfim Neves (que ficou em segundo com 14,32 por cento), Maria das Neves (em terceiro com 14,05 por cento), Aurélio Martins (em sétimo com 4,08 por cento) e Jorge Coelho (em oitavo com 0,65 por cento) seria razão suficiente para prever a eleição do "mais velho" Pinto.

Mas o fenómeno "banho", a influência dos tempos de antena e a participação em força do primeiro-ministro Patrice Trovoada na disputa poderão fazer pender o fiel da balança para o lado do "mais velho" Evaristo.

*Foto em Lusa

Cabo Verde – Presidenciais: DEZASSEIS DIAS DE CAMPANHA PERSPETIVAM SEGUNDA VOLTA




José Sousa Dias, da Agência Lusa

Cidade da Praia, 05 ago (Lusa) -- Os 16 dias de campanha, que hoje termina, não deixaram claro quem sairá vencedor das presidenciais de domingo em Cabo Verde, onde a única "quase certeza" é a realização de uma segunda volta, que continuará a entrar de forma inédita por agosto dentro.

Com data marcada para 21 de agosto, se for confirmada nas urnas a convocação de uma segunda volta, poderá agravar ainda mais a já prevista alta abstenção, tradicional nas Presidenciais, sendo por isso uma incógnita saber quem beneficiará mais dela.

Aristides Lima, Jorge Carlos Fonseca, Joaquim Jaime Monteiro e Manuel Inocêncio Sousa percorreram, não só nas últimas duas semanas mas também na pré-campanha, todas as nove ilhas habitadas do arquipélago e algumas cidades da diáspora cabo-verdiana, à procura do voto dos 305.349 eleitores inscritos.

A campanha começou com os candidatos a exporem as suas ideias para o cargo de chefe de Estado, mas rapidamente resvalou para um ataque cerrado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder) a Aristides Lima, considerado "traidor", por apresentar a sua candidatura contra a oficial do partido, a de Inocêncio Sousa.

O ponto alto das acusações foi a introdução de Amílcar Cabral na campanha, quando o líder do PAICV e primeiro-ministro, José Maria Neves, acabou por atacar tacitamente o principal apoiante de Lima, o presidente cabo-verdiano cessante, Pedro Pires.

Na ocasião, Neves deixou a suspeita de que a geração mais conservadora do partido sabe de "intrigas" que levaram ao assassinato do "pai" das independências da Guiné e Cabo Verde, cujas circunstâncias estão oficialmente ainda por esclarecer.

Lima nada respondeu, mas as acusações prosseguiram, com Jorge Carlos Fonseca, apoiado pelo Movimento da Democracia (MpD), a "explorar" as divisões no PAICV, considerando tratar-se de uma "guerra entre fações" do partido.

Das acusações passou-se, depois, para discursos em que a generalidade dos analistas políticos cabo-verdianos consideraram "ocos, fúteis e vãos", tendo como argumento a confusão que se tentou incutir no eleitorado sobre quais são de facto os poderes presidenciais.

Todos foram acusados de fazerem uma campanha como se fossem chefes, não de Estado mas de Governo, confundindo, por vezes, o eleitorado que rapidamente percebeu a diferença, sobretudo através da comunicação social cabo-verdiana, sempre presente.

Logo depois, veio o tema da estabilidade, em que, mais uma vez, todos esgrimiram os respetivos argumentos e todos garantiram serem os únicos que a podem assegurar com um Governo de base PAICV.

Lima lembrou os 10 anos à frente do Parlamento (2001/11), Fonseca os 13 anos fora da ribalta político-partidária, Inocêncio a dezena de anos em que, como ministro, tratou da diplomacia e das infraestruturas e Monteiro a "força do povo", que é quem manda no país.

Aos comícios diurnos e noturnos, sempre animados por nomes importantes da música local e com atrasos, por vezes, de mais de três horas, juntaram-se as ações porta a porta, em que o "rei" foi Joaquim Monteiro, que mostrou aos restantes candidatos que se pode fazer campanha com baixos custos financeiros, andando sempre junto do "povo".

A campanha acaba às 24:00 de hoje e quem mais vai lamentar são as vendedoras de rua, os proprietários de carrinhas e os jovens que nas rotundas recebem para apelar ao voto dos condutores e que tiveram nos comícios uma fonte extra e inesperada de rendimento. A esperança renascerá se houver segunda volta.

*Foto em Lusa

Cabo Verde: Principais candidatos à presidência encerram campanha com comícios na Praia




JSD - LUSA

Cidade da Praia, 05 ago (Lusa) - A capital de Cabo Verde é hoje palco dos comícios de encerramento da campanha dos três principais candidatos à sucessão de Pedro Pires, com o restante a optar por fazê-lo na Assomada, interior de Santiago.

Num raio de dois quilómetros, Aristides Lima, Jorge Carlos Fonseca e Manuel Inocêncio Sousa farão os últimos comícios de uma campanha de 16 dias para as presidenciais cabo-verdianas de domingo, perspetivando-se uma segunda volta, que contará, a 21 deste mês, os dois mais votados.

Os três candidatos já afirmaram, durante a campanha, que não haverá segunda volta, com todos eles a reivindicarem a vitória logo no primeiro turno, tendo por base sondagens que cada um encomendou.

Previsivelmente fora de uma eventual segunda volta, Joaquim Jaime Monteiro encerrará a sua campanha, que decorreu sempre em ações porta a porta, na segunda maior cidade da ilha de Santiago.

A capacidade de mobilização para os comícios de hoje já nada decidirá, uma vez que o trabalho, no terreno, foi feito ao longo de quase três meses, tendo em conta que, na pré-campanha, os candidatos desdobraram-se assumidamente em ações de campanha quer nas ilhas quer nas mais importantes áreas de presença da diáspora cabo-verdiana.

A partir das 00:00 de sábado (02:00 em Lisboa), nenhuma notícia sobre a votação poderá ser divulgada, uma vez que se trata do dia de reflexão, a tradicional pausa antes de eleições.

Mais de 305 mil eleitores (entre eles 36970 na diáspora - 12,1 por cento do total) estão inscritos para as eleições de domingo, que vão eleger o quarto presidente de Cabo Verde em 36 anos de independência - Aristides Pereira (1975/91), António Mascarenhas Monteiro (1991/2001) e Pedro Pires (desde 2001).

*Foto em Lusa

ECONOMIA ESPANHOLA DESACELERA, ITÁLIA GANHA FORÇA




TSF 

A economia espanhola cresceu 0,2 por cento do PIB entre Abril e Junho confirmando uma desaceleração face ao primeiro trimestre de 2011. Já a economia italiana acelerou.

A economia espanhola registou uma crescimento de 0,2 por cento do PIB no segundo trimestre de 2011, menos uma décima que nos primeiros três meses do ano, divulgou o Banco de Espanha.

No seu último boletim económico, o banco central espanhol adiantou que esta situação deve-se ao «agravamento da crise da dívida soberana na Zona Euro».

Na opinião do Banco de Espanha, será possível ultrapassar o clima económico adverso caso haja capacidade europeia para pôr em marcha «com decisão e clareza» os compromissos acordados.

Conter este contágio, acrescenta o documento emitido pelo Banco de Espanha, «respostas enérgicas» por parte do governo espanhol.

Por seu lado, a economia italiana cresceu 0,3 por cento no segundo trimestre de 2011, acelerando face aos 0,1 por cento de crescimento no primeiro trimestre.

Síria: REPRESSÃO AOS PROTESTOS JÁ CAUSARAM 2 MIL MORTOS - diz Clinton




PÚBLICO

Na repressão dos protestos o regime sírio matou mais de 2000 pessoas, afirmou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

O Exército sírio tem levado a cabo desde domingo uma acção em Hama, cidade central para os protestos contra o regime, com tanques na cidade, snipers nos telhados, e dezenas de mortos por dia. O modus operandi dos militares é semelhante ao usado noutras cidades que viram os seus protestos ser brutalmente reprimidos: um cerco, comunicações cortadas, ataques armados com tanques e atiradores furtivos. Habitantes de Hama dizem que começa a escassear comida na cidade.

Depois de uma declaração do Conselho de Segurança da ONU condenando a violência, o Presidente, Bashar al-Assad, assinou um decreto autorizando o multipartidarismo, uma medida “irónica” segundo a França, e que os activistas sírios desvalorizaram.

“Termos visto o regime de Assad continuar e intensificar o seu ataque contra o seu próprio povo esta semana”, disse Clinton. “Acho que o governo é responsável pelas mortes de mais de 2000 pessoas de todas as idades”.

O número de mortos na Síria tem sido indicado por activistas no estrangeiro que os vão compilando com base em informação vinda de opositores que estão no país.

*Título alterado por PG

Indignados - Madrid: 20 FERIDOS EM CONFRONTOS ENTRE POLÍCIA E MANIFESTANTES





"Indignados" marcham pela cidade

Confrontos entre os “indignados” de Madrid e a polícia deixaram 20 feridos, incluindo sete agentes das forças de segurança.

O incidente é descrito pelo diário El País como o mais grave desde o início do movimento de protesto contra as medidas governamentais face à economia e o nível elevado de desemprego (21,3 por cento, a mais alta da UE), em meados de Maio.

A polícia tinha impedido os manifestantes de entrar na Puerta del Sol, a praça madrilena que tinha sido o palco dos protestos contra o Governo de Rodriguez Zapatero – fechada pela polícia pelo terceiro dia consecutivo. Assim, os “indignados” optaram por marcharem pela Gran Via, onde pararam o trânsito, e fazer outros protestos na Praça Cibeles e em frente ao Ministério do Interior, no Paseo de la Castellana.

Os confrontos aconteceram em frente àquele ministério, depois da chegada de várias carrinhas da polícia. Dizem testemunhas que os agentes chegaram e começaram a carregar sobre a multidão.

Puerta del Sol blindada pela polícia, antecipando-se a nova ação de protesto dos 'indignados'




SIC NOTÍCIAS - LUSA

Madrid, 5 ago (Lusa) -- A Puerta del Sol, em Madrid, está hoje novamente blindada pela polícia depois de vários dias de protestos organizados pelo "movimento 15M" que têm ocorrido nos principais pontos do centro da capital espanhola.

Vários agentes da Polícia Nacional e Municipal mantêm um dispositivo conjunto na praça e nas ruas de acesso ao local, de onde no início da semana foram retirados, à força, os últimos manifestantes que ali se encontravam.

Essa decisão levou ao reaparecimento das manifestações nas ruas da cidade, com milhares de pessoas a tentarem saltar o cordão policial.

*Foto em Lusa

Espanha: LAS PROTESTAS DEL 15-M EN MADRID





La policía carga contra cientos de indignados en el Ministerio del Interior


Los indignados del 15-M que durante los últimos días han extendido sus protestas por todo el centro de Madrid chocaron anoche con la policía cuando llevaron sus protestas ante el Ministerio del Interior. Los agentes cargaron con dureza contra varios centenares de ellos en lo que constituye el incidente más grave en la capital de España desde que este movimiento echara a andar. Los indignados llegaron a Interior tras intentar por tercer día consecutivo entrar en la Puerta del Sol, de donde fueron desalojados el pasado martes y que pretenden retomar. Pero, al estar convertida la plaza en un fortín inexpugnable cuajado de policías, los indignados decidieron irse a"callejear": marcharon por Gran Vía, celebraron una asamblea con unas 800 personas en Cibeles, otra en la plaza de Jacinto Benavente y enfilaron hacia el Ministerio del Interior, en el Paseo de la Castellana.

Allí los antidisturbios cargaron con contundencia contra unos 800 indignados cuando estos estaban rodeando la sede del departamento que dirige Antonio Camacho. Cinco personas han sido detenidas y una veintena, heridas (siete de ellas policías). Entre los detenidos se encuentra el periodista de Lainformacion.com Gorka Ramos (que firma bajo el seudónimo de Santiago Zárraga), según ha informado Carlos Salas, director de este diario digital, a través de su cuenta en Twitter.

Esta tarde los indignados volverán a marchar otra vez hacia Interior en una manifestación que partirá de Atocha y que pretende acabar en la Puerta del Sol. Algunos de ellos, de todas formas, tratarán de volver a la Puerta del Sol desde las doce de la mañana, según acordó una asamblea.

La carga policial se produjo sobre las once de la noche frente al Ministerio del Interior. Los agentes bajaron de sus vehículos con casco, escudo y porra, y cargaron contra los indignados hasta despejar la calle. Después de la carga, algunos de los participantes volvieron a la zona para increpar a la policía, que formaba dos filas de contención, al grito de "asesinos".

Los indignados aseguran que hasta la zona marcharon unas 1.000 personas, aunque otras fuentes rebajan esta cifra a varios centenares. La primera carga despejó la zona de manifestantes. Varias personas resultaron contusionadas, mientras que los indignados se situaron mayoritariamente en una plaza aneja a la de Colón. Más tarde las cargas se repitieron.

El detonante de la carga, además del asedio a Interior, habría sido tanto la colocación de carteles ante las verjas del palacete como el que se hubiera arrebatado un tricornio a uno de los guardias civiles que habitualmente controlan los accesos al ministerio.

Según la policía, las cargas se produjeron porque algunos de los indignados se subieron a las verjas que rodean la sede del Ministerio del Interior. Los indignados niegan que hubiera cualquier tipo de provocación o violencia por su parte. Dos de los heridos fueron trasladados a centros hospitalarios para que les suturaran las heridas en la cabeza, y otras cinco personas fueron detenidas. La comisión legal del 15-M eleva los detenidos a 12.

Luis López Diéguez, estudiante de Economía de 23 años acabó con la cabeza vendada. Aseguraba que un policía “desatado” se separó de los antidisturbios y le abrió una brecha en la cabeza. Finalmente, asegura, el agente tuvo que ser controlado por sus compañeros. 

Raquel, una señora de 88 años, afirma que no estaba pasando nada hasta que se produjo la carga policial delante del ministerio. Tiene la mano vendada y asegura que tiene una contusión grave. Además tiene magulladuras en la rodilla. Asegura que se ha caído al suelo y que fue ayudada por cuatro personas a levantarse.

Jornada de protestas

La carga culminaba una jornada que había comenzado a mediodía, cuando unos 300 indignados participaban en una marcha para intentar penetrar, por tercer día consecutivo, ante una Puerta del Sol blindada por la policía. Por la tarde se concentraron unos 800 con la misma intención. Después de 79 días de tolerancia con los acampados, las autoridades no han dado explicaciones sobre la nueva situación y el actual blindaje del centro de Madrid.

Desde primera hora de la mañana del jueves se desplegó en Sol un fuerte dispositivo policial. La plaza estuvo desierta y cerrada a cal y canto desde la una de la tarde en adelante. Agentes de la Policía Nacional y Municipal custodiaron desde entonces las calles que confluyen en la plaza -Alcalá, Montera, Carmen, Preciados, Arenal, Mayor, Carretas y Carrera de San Jerónimo-, donde hay apostadas media docena de furgones y varios coches policiales. También hay vallas que bloquean todos estos accesos,

Tras varios cortes y aperturas de la estación de Metro de Sol y de las calles aledañas, a las cinco de la tarde Sol comenzó a blindarse de cara a la protesta de la tarde. Ya a las siete la imagen fue la misma que la de los últimos días: la plaza completamente desierta y grupos de indignados tras los cordones policiales. Pasadas las ocho uno de los grupos, el que ha accedido por la calle Carretas, se ha sentado para hacer un debate sobre la imagen que se puede estar dando a los turistas. En la calle Preciados se juntaron unas 200 personas y otras tantas organizaron una asamblea en la Plaza de Pontejos, en la que resolvieron que recuperar la plaza es "cuestión de resistencia", informa Gloria Rodríguez-Pina.

Algunos manifestantes portaban pancartas con nuevos lemas: "Sol será vuestro Vietnam". Aunque la tarde de ayer fue más tranquila que las pasadas, hasta el momento el resultado es el mismo: imposible acceder a Sol. Pasadas las nueve y media de la noche, parte de los concentrados dejaron los accesos de la plaza y empezaron a callejear hacia Callao y de allí a Cibeles. A su paso por Gran Vía, los manifestantes cortaron el tráfico.

Vueltas alrededor de Sol

Durante toda la mañana de ayer, mientras los concentrados recorrían las calles del centro jugando al despiste, la policía fue cerrando y abriendo la estación de Sol y los accesos a la plaza en función de lo cerca o lejos que estaban los indignados. La estación de Metro y Cercanías abrió por la mañana y el tránsito de madrileños, clientes y turistas fue el habitual, sin que se pidiera identificación a nadie, tanto en la Sol como en las calles aledañas. A la una los agentes tomaron una decisión inédita: cerrar la estación y comenzar a entrar en comercios, bares y restaurantes para pedir a sus responsables que evacuaran a los clientes, informa Elena G. Sevillano. Las dependientes sacaron a la gente de los probadores y vaciaron las tiendas sin permitir a la gente ni que pagara, por ejemplo en el Cortefiel de la calle del Carmen. En el bar restaurante Europa recogió la terraza a toda prisa. Varios testigos afirman haber sentido miedo.

Muchos comercios que echaron el cierre por recomendación de la policía fueron reabriendo a partir de las dos y media, a medida que los manifestantes se alejaban de la zona en dirección a la plaza de España. Los convoyes de metro y de trenes también volvieron a hacer parada a Sol desde las cuatro de la tarde. Sin embargo, el tránsito duró poco, ya que a las 17.40 volvieron a cerrarse la estación. Poco después se cerró al tráfico la calle Mayor y a los tres helicópteros de la Policía, que desde hace tres días sobrevuelan constantemente el centro de la ciudad, se sumaron uno de la Dirección General de Tráfico (DGT).

Entre las doce y las dos y media no se permitió entrar en la plaza a nadie. Muchos ciudadanos se acercaban a los agentes a preguntar qué pasaba, por qué se les impedía el paso, pero solo se  permitía entrar a los vecinos de la zona o por alguna urgencia. Miembros de la comisión de información del 15-M repartieron panfletos en los que se aclara que la "culpa" no es de los indignados y se recuerdan los artículos sobre libre circulación de los ciudadanos y la igualdad de derechos. Un policía que estaba charlando con un comerciante se quejaba: "Indignado está este señor y nosotros que nos quedamos sin vacaciones". 

A las 12.40, entraron en la plaza seis furgones policiales y una veintena de agentes, que fueron recibidos con gritos de "vergüenza" y "libertad". "No hay café para tanta lechera", les  increparon los indignados. La Policía formó una hilera a la altura de la calle de Felipe V. "Esto es lo que pasa por echarnos de la plaza", "menos crucifijo y más trabajo fijo", coreaban los manifestantes. Sobre la una, la marcha giró por la travesía del Arenal para sortear el blindaje policial de Sol por la calle del Arenal. Continuaban por la calle Mayor. Allí se cortó por primera vez la manifestación. Los indignados increparon a los agentes y, en vista de la imposibilidad de llegar a Sol, intentaron otra vía, la calle del Correo, que también estaba cerrada. "La lucha sigue cueste lo que cueste", decían los indignados.

"Dejadnos pasar que queremos comprar" y "esto sí perjudica a los comercios" eran otras de las consignas de los indignados que, a la una y media, estaban decidiendo sus próximos pasos en la calle Carretas. A las dos de la tarde, una sentada frente a la policía. La marcha siguió después por la calle Sevilla y cuando llegaron a la Gran Vía cortaron dos veces durante unos minutos dos de los carriles al trafico. De allí, se encaminaron a la calle Carmen, que tampoco pudieron cruzar. La marcha continuó hasta Preciados, donde una vez más, bloqueo.

Sobre las 14.40, la manifestación se disolvió para comer y descansar en los entornos de la plaza de España y de Oriente. Unos 50 celebraron una asamblea en la plaza de España en la que debatieron sobre la conveniencia de cortar el tráfico de las calles y decidieron que harán cortes momentáneos para no ocasionar muchos problemas a los ciudadanos. Tras esa asamblea, la siguiente parada fue el Ministerio de Interior.