quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PRESIDENTA PUXOU AS ORELHAS DE WASHINGTON




ANTÓNIO LUIZ M. C. COSTA, São Paulo – OPERA MUNDI

Em resumo, a presidenta Dilma puxou as orelhas de Washington tanto quanto era possível sem causar uma crise diplomática. Ainda mais incisivo que o apoio explícito ao Estado Palestino e à sua admissão nas Nações Unidas – "lamento não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na ONU, é chegado o momento de termos aqui representada" – foi a condenação explícita às guerras promovidas pelos Estados Unidos no Oriente Médio.

"O mundo sofre, hoje, as dolorosas conseqüências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia; inaugurando novos ciclos de violência; multiplicando os números de vítimas civis. Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger". O plural se refere tanto a Bush júnior no Iraque, quanto Barack Obama na Líbia, igualmente irresponsáveis.

No que se refere à política econômica, os países ricos receberam broncas mais ou menos por igual: "Esta crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países… Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. E permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e de clareza de ideias". São os Brics mandando o G-7 fazer a lição de casa.

A referência aos 18 anos das negociações sem resultados para a reforma do Conselho de Segurança foi outra discreta lambada nos países do Norte. Mas não exageremos sua importância, como fazem análises superficiais que, sem terem conhecimento do contexto, interpretam cada tomada de posição do Brasil como se esse fosse o objetivo máximo, ou único, de sua política externa.

No conjunto, a fala reafirmou a essência da política externa dos anos de Lula e Celso Amorim , talvez até de forma um pouco mais incisiva. Pode-se notar também menos ênfase no combate à pobreza (sem deixar de mencioná-la) e um discurso mais explícito em relação aos direitos humanos, mas do ponto de vista de "presidenta de um país emergente" e, como disse no fechamento, de "mulher que sofreu tortura no cárcere". Condenou "as repressões brutais", mas sem endossar as "intervenções que agravaram os conflitos" e “sem retirar dos cidadãos a condução do processo".

O discurso de Barack Obama, que a seguiu, foi comparativamente anódino e provinciano, dirigido mais ao eleitorado dos EUA e a Israel do que ao mundo, sem o menor receio de expor contradições óbvias para todo o resto do planeta, como condenar as "tiranias" enquanto se mantém solidamente alinhado a regimes repressivos como os da Arábia Saudita, Iêmen e Bahrein. "Foi enterrada a ideia de que a mudança só virá com violência", afirmou, e isso enquanto move três guerras simultâneas.

Teve seu momento mais hipócrita ao dizer que "celebramos a coragem de um presidente da Colômbia que voluntariamente deixou o governo", depois que Álvaro Uribe subornou parlamentares para tornar possível sua primeira reeleição e só desistiu da segunda quando a Corte Constitucional de seu país a declarou ilegal.

Obama, sem lembrar seu discurso de um ano no qual disse esperar que a Palestina estivesse presente como integrante já nesta Assembleia, insistiu em que ela precisa negociar e pedir licença a Israel para buscar sua independência – como se os EUA tivessem pedido permissão aos ingleses.

Dilma, na sua vez, disse que "apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos". Outro exemplo de como esta abertura da Assembleia Geral em 2011 expôs a fenda crescente entre os países emergentes em ascensão e o grupo dos países desenvolvidos que luta por preservar privilégios e relações de poder que já se tornaram anacrônicas, como se o mundo nada tivesse mudado desde 1948.

*Antonio Luiz M.C.Costa é editor de internacional de Carta Capital e também escreve sobre ciência e ficção científica. Artigo publicado originalmente em Carta Capital.

Leia mais: 

DE IMBAMBA A FILOMENO VIEIRA DIAS SEM ESQUECER O FREI JOÃO DOMINGOS!




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

“Muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".

D. José Manuel Imbamba, arcebispo de Saurimo e porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, diz que os padres que teimam em defender os interesses dos cabindas não foram afastados por razões políticas, mas por questões disciplinares, nomeadamente por não manterem uma boa relação pastoral com o bispo D. Filomeno Vieira Dias.

D. José Manuel Imbamba sabe que está a mentir. É grave. Ou estava calado ou, se para tanto tivesse coragem, falaria das pressões do regime angolano sobre os prelados que - tal como aprendeu o arcebispo de Saurimo – apenas querem dar voz a quem a não tem, nomeadamente na colónia angolana de Cabinda.

Aliás, o mesmo se passa com D. Filomeno Vieira Dias que só de vez em quando, raramente, quase nunca, se vai lembrando do “rebanho”que tem a seu cargo como bispo da colónia angolana de Cabinda.

Quando instado a comentar as detenções no estrangeiro de activistas dos direitos humanos de Cabinda, a mando do regime de Luanda ou – quem sabe? – de qualquer força extra-terrestre, como a de Agostinho Chicaia,  o prelado católico não quis (pudera!) desagradar aos donos do poder em Angola e refugiou-se no argumento de que não comentava um caso que tinha ocorrido fora do país.

Consta, contudo, que D. Filomeno Viera Dias mostrou-se preocupado com aquilo que chamou de incapacidade de diálogo entre as pessoas. Pois é. Que em Cabinda todos que ousem pensar de forma diferente do MPLA sejam culpados até prova em contrário, isso não é preocupante para o bispo.

Preocupante é a falta de diálogo… num regime colonialista que só permite o seu próprio monólogo, que se julga dono da verdade, que põe a razão da força acima da força da razão.

 “Para nós é sempre preocupante quando não há capacidade de diálogo e conversação entre as pessoas. Portanto ele (Agostinho Chicaia) foi detido fora de Angola, eu não posso pronunciar-me sobre um facto que ocorreu num outro país, não tenho elementos, é algo que procuramos aprofundar, procuramos saber quais são os motivos, mas não temos elementos sobre isto,” disse no seu estilo angélico D. Filomeno Vieira Dias.

Ao contrário do que, supostamente, aprendeu durante a sua formação religiosa, D. Filomeno Vieira Dias só raramente se lembra que deve dar voz a quem a não tem. Recordo-me, por exemplo, que o bispo levou muito tempo a descobrir os excessos do regime colonial angolano em relação aos cidadãos supostamente envolvidos em acções de apoio aos militares da FLEC.

Embora, no caso do ataque à escolta militar e policial angolana à equipa do Togo, tudo tenha acontecido em Janeiro de 2010, só em Junho D. Filomeno Vieira Dias enviou uma carta ao Procurador-Geral da República colonial, João Maria de Sousa, para mostrar preocupação em relação ao excesso de prisão preventiva de activistas e deplorar o adiamento indefinido do julgamento dos acusados.

Antes, a 3 de Maio de 2010, D. Filomeno Vieira Dias dissera que a liberdade de informar e de ser informado é um direito fundamental que não deve ser subalternizado.

Ser o Bispo de Cabinda, recorde-se, a falar de liberdade de informar quando, exactamente em Cabinda (colónia de Angola) se é detido por ter ideias diferentes, sendo que em muitos casos se é preso só porque as autoridades coloniais angolanas pensam que alguém tem ideias diferentes, é algo macabro.

D. Filomeno Vieira Dias disse então que a informação joga um papel fundamental na vida da sociedade, por isso os comunicadores devem fazê-lo com responsabilidade.

Será a responsabilidade a que alude D. Filomeno Vieira Dias, dizer apenas a verdade oficial do regime? Será ser-se livre para ter apenas a liberdade de concordar com as arbitrariedades do regime colonial?

“A liberdade de imprensa é um direito ligado às liberdades fundamentais do homem”, sublinhou na altura o prelado, falando a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993.

É um direito mas, note-se, apenas nos Estados de Direito, coisa que Angola não é de facto, embora de jure o queira parecer. Aliás, nenhum Estado de Direito viola os direitos humanos de forma tão soez e execrável como faz o regime angolano na sua colónia de Cabinda.

“Quando celebramos esse dia, devemos olhar para o seguinte: que é uma grande responsabilidade informar e informar sempre com verdade,” destacou D. Filomeno Vieira Dias, certamente pedindo de imediato perdão a Deus por ele próprio não contar a verdade toda.

D. Filomeno Vieira Dias deverá, creio, também pedir perdão por se pôr de joelhos perante os donos do poder em Angola, contrariando os ensinamentos, como recordou em Bruxelas o Padre Jorge Casimiro Congo, de que perante os homens deve estar sempre de pé, e de joelhos apenas perante Deus.

E se uma das principais tarefas dos Jornalistas é dar voz a quem a não tem, também a Igreja Católica tem a mesma missão devendo, aliás, ser ela a dar o exemplo. O que não acontece.

Frei João Domingos, por exemplo, afirmou numa homilia em Setembro de 2009, em Angola, que Jesus viveu ao lado do seu povo, encarnando todo o seu sofrimento e dor. E acrescentou que os nossos políticos e governantes só estão preocupados com os seus interesses, das suas famílias e dos seus mais próximos.

Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido D. Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

"Não nos podemos calar mesmo que nos custe a vida", disse Frei João Domingos, acrescentando "que muitos governantes que têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro".

Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido D. Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

Por tudo isso, João Domingos chamou a atenção dos angolanos para não se calarem, para "que continuem a falar e a denunciar as injustiças, para que este país seja diferente".
Como os angolanos e os cabindas gostariam que tivesse sido D. Filomeno Vieira Dias a dizer estas verdades.

É que a verdade pode doer muito, mas que cura... isso cura.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Rafael Marques. "O Estado português é co-responsável dos crimes cometidos em Angola"




ANTÓNIO RODRIGUES – i ONLINE

Jornalista independente até à medula, investigador num país onde fazer perguntas provoca muitas dores de cabeça, Rafael Marques editou agora uma denúncia em livro sobre a exploração, a violência e a morte que grassam nesse grande "campo de concentração" em que foram transformadas as zonas de garimpo de diamantes em Angola.

Este livro, mais que uma denúncia, é quase um grito para que a comunidade internacional e os países amigos de Angola percebam o que se está a passar?

Eu diria que é um processo de informação dos angolanos e um contributo para a formação da consciência social em Angola sobre a realidade do país. A comunidade internacional e os amigos de Angola, como o Estado português, são cúmplices do que se passa no país. Sabem o que se passa e também sabem, por exemplo, que os proventos indescritíveis que são investidos em Portugal e noutros países provocam uma mortandade e uma violência extrema em Angola. É o dinheiro com que as empresas portuguesas sonham: que os angolanos venham cá comprar empresas, que venham cá comprar apartamentos, que venham cá gastar nas lojas, é um dinheiro que está a levar a vida de muitos angolanos.

É um dinheiro de sangue?

É um dinheiro de sangue. E todos estão confortáveis com esta situação, enquanto o povo angolano está ali a definhar. O grito não é para a comunidade internacional, mas é para que os angolanos saibam compreender a realidade do seu próprio país e façam alguma coisa em relação a essa realidade. Porque não devemos esperar nada da comunidade internacional, senão o seu cinismo e o contínuo apoio àqueles que permitem, como dizia Agostinho Neto, que os abutres venham debicar na carne inerte e tirar o seu pedaço.

Este relatório que sai agora em livro, já o entregou a alguma organização internacional? Tenciona fazê-lo?

É um relatório que não tem recomendações à comunidade internacional. Tem uma recomendação única: aos angolanos, para que tomem consciência do seu problema, para que saibam gerar solidariedades para defender os seus compatriotas, os seus concidadãos. A zona das Lundas, com algumas variações, é um campo de concentração. Um campo de concentração moderno, onde há trabalho forçado, onde há situações de semi-escravatura. Porque muitos destes garimpeiros são usados para o enriquecimento dos generais, para o enriquecimento da Ascorp (onde a família presidencial tem acções), a Sodiama (que é uma empresa do Estado angolano), o Lev Leviev e Samuel Goldstein (conhecidos vendedores de diamantes a nível mundial) e outras figuras internacionais. O Estado português tem sociedade com a Endiama na Sociedade Mineira do Lucapa [através da empresa pública Sociedade Portuguesa de Empreendimentos, que detém 49% da empresa]. Um grande comedouro internacional, onde todos vão buscar recursos.

Isso quer dizer que o Estado português, além de cúmplice, é actor nestes crimes?

Na Sociedade Mineira do Lucapa é. Também há expropriações de lavras sem compensação na zona do Locapa, onde está situado este projecto com participação do Estado português.

Então quando fala no livro de crimes contra a humanidade Portugal também está associado a esses crimes?

Como sócio do projecto também é co-responsável pelo projecto e pelas más práticas dessa mesma empresa e da sua contratada, a empresa privada de segurança.

Fale-me um pouco dessa empresa de que fala no livro e que é uma organização quase paramilitar.

Como muito bem disse, a Teleservice é uma empresa paramilitar que é propriedade de uma série de generais angolanos, entre eles o general França Ndalo, antigo chefe do Estado-Maior das FAPLA e actual presidente da De Beers; e outros dois ex-chefes de Estado: o general João Batista de Matos e o general Armando da Cruz Neto, actual governador de Benguela. É a maior empresa privada de segurança de Angola, com cerca de 8 mil homens. E é a empresa que não só conta com o poder dos generais, mas também com o facto de ser a principal garantia de serviços de segurança às multinacionais petrolíferas. É uma empresa riquíssima, porque tem os principais contratos de segurança do país e detém um poder financeiro extraordinário por causa disso. Essas multinacionais também contribuem e são cúmplices desses crimes porque mantêm contratos com uma empresa que sabem que viola de forma sistemática os direitos humanos em Angola.

Todas essas empresas que estão em Angola o que dizem é que têm de se sujeitar às regras existentes se querem fazer negócios no país.

Isso é uma falsidade, porque a lei não permite que estabeleçam negócios com dirigentes angolanos para obtenção de contratos facilitados ou outorgados por esses mesmos dirigente. Isso é corrupção pura, de acordo com as leis angolanas e os tratados internacionais sobre corrupção assinados por Angola. Vou dar um exemplo de como este argumento é falacioso. O Banco Espírito Santo vendeu 25% das acções do BESA em Angola a um tenente-coronel da presidência da República que é da chefia da escolta presidencial. Onde é que o escolta do presidente encontrou 375 milhões de dólares para comprar 25% das acções do BESA [Banco Espírito Santo Angola]? O tenente-coronel Leonardo Lidinikeni tem 98% das acções da empresa Portemill, onde é que ele encontrou esses 375 milhões de dólares? A Portemill não tem. É lavagem de dinheiro. Agora o banco vai dizer que foi forçado a lavar dinheiro? O BES tem de explicar isso. Aquele dinheiro só pode ter origem duvidosa. Onde é que um tenente-coronel, que sempre serviu o exército como escolta, encontrou tal soma de dinheiro?

Em Angola, ao contrário de outros países em que existe corrupção, em que os governantes tentam disfarçar os negócios com testas-de-ferro, tudo parece muito mais às claras...

A corrupção em Angola é um acto transparente. Há total transparência dos actos de corrupção em Angola e as empresas portuguesas dão o seu contributo para isso. Um banco recebe 375 milhões de dólares de Luanda e não diz nada? Não se preocupa de onde vem aquele dinheiro? Agora vão dizer que foram forçados? Não lêem as leis angolanas? As leis angolanas foram escritas por juristas portugueses que colaboraram na elaboração da Constituição angolana, que é extremamente assertiva sobre a democracia. Então vão dizer que não sabem que estas leis existem?

O problema é que as leis só existem se forem aplicadas.

É a mesma desculpa que usam outros sectores sobre o período da escravatura - os colonialistas dizem que só se envolviam na escravatura porque os chefes africanos vendiam o seu próprio povo. É um dos argumentos que se utilizam para justificar a escravatura. Hoje diz-se: "Eles roubam e pedem-nos a nós para reinvestir o produto, mas quem está a saquear e a roubar são os próprios dirigentes, nós só os estamos a ajudar." É a justificação racional que alguns apresentam.

Apesar de a corrupção ser transparente em Angola, há um único homem que nunca aparece como estando metido directamente nos negócios: o presidente José Eduardo dos Santos.

Em relação ao presidente da República, a questão é muito simples: o presidente não pode assinar um contrato do qual resulte benefício ou enriquecimento da sua própria família. E todos esses grandes contratos são assinados por José Eduardo dos Santos. É nepotismo, acto de corrupção e ele devia ser processado por isso. Aquelas percentagens que a Isabel dos Santos tem são em representação do pai, porque é o pai que assina os contratos em Angola. Isso é contra a lei. Como podem dizer que é uma grande empresária e rica? Rica de quê? Se é o pai quem assina os contratos todos?

Mas o presidente cultiva o silêncio e cultiva essa posição de estar acima de todos os outros...

É uma ideia falsa, mostro-lhe aqui um negócio feito pela primeira-dama como gestora de um banco [mostra uma página do Diário da República de Angola]. A assinar documentos e a declarar como residência a presidência da República para efeitos de negócio privado. É o uso da presidência para seu proveito, isso é contra a lei! A meu ver, ele é muito mais corrupto que todos os outros. Todos esses actos de corrupção de que estamos aqui a falar são assinados pelo presidente, passam todos pelo Conselho de Ministros. Ele é o facilitador, o distribuidor da grande corrupção em Angola.

É o garante dessa corrupção?

É o garante dessa corrupção. É o padrinho dessa corrupção. Ele assina os contratos todos que envolvem estes dirigentes. Eles submetem os processos ao Conselho de Ministros e o presidente aprova-os.

Temos países como Portugal, que atravessam uma grave crise económica e onde há empresas cuja sobrevivência depende, em grande medida, dos rendimentos conseguidos em Angola; temos a comunidade internacional, que considera Angola uma potência regional e actor importante na geoestratégia da África austral. Neste contexto, as suas denúncias não estão condenadas a cair em saco roto?

Por isso é que o meu apelo não é para a comunidade internacional. É um trabalho que em qualquer sociedade normal deve ser feito, com ou sem intervenção da justiça. É a capacidade dos cidadãos registarem, até para efeitos de memória colectiva, a realidade que está a acontecer. Uma realidade de violência, de pilhagem desenfreada, que tem de ser registada. Muitas vezes falamos de Angola por ouvir dizer. E o que se está a fazer com este trabalho é criar um registo do que se está passar, para que as pessoas estejam mais bem informadas e possam criar uma consciência social e de solidariedade para defesa da vida humana em Angola. Não é possível construir uma pátria e falar em desenvolvimento humano, em democracia ou em transparência, num país onde o governo banaliza a vida dos cidadãos.

Acredita naquela informação que começou a circular de que o presidente angolano tinha escolhido o presidente da Sonangol para ser o seu sucessor?

Eu penso que ele nem sequer deve ter manifestado essa ideia. Primeiro, o líder do MPLA é, por inerência, caso o MPLA ganhe as eleições, o presidente da República. Isso implica que o Manuel Vicente seja presidente do MPLA e para isso é preciso passar por uma eleição dentro do MPLA.

Mas se for indicado por José Eduardo dos Santos não é um bom indício de que chegará a esse cargo?

O MPLA tem estatutos que prevêem eleições internas. O presidente pode ser votado por unanimidade, como aconteceu no último congresso (houve até dois ou três votos contra, de forma simbólica), mas tem de passar por uma eleição. Por outro lado, Angola não é uma dinastia. Não cabe ao presidente escolher o seu sucessor. É um direito que cabe ao povo, ao eleitor. E o presidente criou uma situação que lhe poderá custar muito caro, que é esta mudança constitucional em que eliminou as eleições directas para presidente. Porque põe maior pressão sobre ele. Havendo eleições directas é o povo que escolhe. Agora como é que o presidente pode escolher o seu sucessor se há eleições no país? Então está a assumir - como todos esses que espalham essa ideia - que as eleições são desnecessárias em Angola.

Digamos que estão um pouco confiantes, ganharam as últimas eleições com 80%.

Sim e em Março afirmaram ter juntado um milhão de pessoas numa marcha de apoio ao presidente José Eduardo dos Santos e ao MPLA. E agora em Setembro tremeram de raiva quando 200 jovens gritaram "Abaixo o José Eduardo dos Santos". Estão a cometer erros crassos, porque nem sequer conseguem ouvir a voz de 200 jovens. Um poder que tem 80% dos votos e que junta numa manifestação um milhão de pessoas tem medo de 200 jovens?

A ideia das revoluções árabes e do Norte de África trouxeram algum nervosismo ao regime em Angola?

Claro que trouxeram. E é um nervosismo resultante da sua capacidade de se adaptar a uma verdadeira cultura democrática. Em que a participação do eleitor determina o comportamento da classe política. O MPLA não está preparado. Está preparado para manipular o conceito de democracia, mas não está preparado para a verdadeira democracia em Angola. Por isso é que o presidente se está a encurralar a si próprio. Como explicar, volto a repetir-me, que um partido com 80% dos votos, que consegue juntar um milhão de pessoas para gritar "viva o presidente", saia à rua com a maior das violências e prenda um grupo de jovens que juntou 200 pessoas para dizer abaixo o presidente? Não tem confiança nos votos que teve? E se não tem confiança nesses votos confia em quem?

O regime em Angola tem capacidade para se regenerar por si?

O regime não tem capacidade para se regenerar. Porquê? Porque o poder está a ser perseguido pelos seus próprios fantasmas, não pela população. E é um exemplo que eu dou aqui na questão das Lundas: com todos os assaltos que se fazem, a população só quer ser deixada em paz. Quer recursos mínimos de subsistência, não quer os diamantes, mas nem isso conseguem compreender e satisfazer. Porquê? Por causa desta banalização da vida. O presidente está numa situação em que tem de proteger os seus próprios actos de corrupção. Hoje o governo está mais preocupado com manter o controlo da situação como forma de segurança. Porque depois, quando saírem, como ficam as fortunas? Como irá a Isabel [dos Santos] explicar a obtenção de tantos 25%? Nos negócios assinados em Conselho de Ministros, de bancos e outras empresas? Como se manterão esses negócios com a saída do pai? E quem fala da Isabel fala de outros dirigentes. E por isso é importante nesta fase embrionária de mudança de consciência social o próprio presidente tomar a liderança no processo de começar a discutir uma transição. E num processo verdadeiramente angolano. Pedir desculpa pelos seus crimes e garantir que tem um futuro tranquilo em Angola. Que seja deixado em paz; com parte da fortuna que acumulou, se for preciso. Em nome da paz e da reconciliação. Se continuar a agir com arrogância e a achar que a violência, que sempre o manteve no poder, continuará a ser o seu garante, então estará a criar um efeito bumerangue sobre si. E os membros que estão à sua volta, que usam a imagem do presidente para proteger os seus interesses, vão acabar por condená-lo, vão acabar por arrastá-lo para um beco sem saída. Quando, neste momento, ele pode criar a sua própria saída. Não quer dizer que tenha de indicar um sucessor. Isso não será feito. Nem no próprio MPLA será feito. E o presidente sabe disso. O Manuel Vicente como presidente não vai garantir nada.

Isso não seria uma forma de começar a iniciar a regeneração do regime? Visto que Manuel Vicente é um tecnocrata, não um político, um homem que fez da Sonangol uma grande empresa...

Um grande antro de corrupção! O Manuel Vicente é um indivíduo extremamente corrupto. Ficou com 1% da Sonangol e não consegue dar uma explicação plausível disso. Onde estão os lucros dos investimentos da Sonangol no exterior? A Sonangol, o ano passado, apresentou um lucro de 2 milhões de dólares. Com tantos investimentos que se fizeram fora, onde é que está o dinheiro? Em que é que se transformou a Sonangol se a Sonangol nos traz lucros de 2 milhões de dólares? Uma empresa de petróleos num país em que 95% das exportações dependem do petróleo? Lucros de 2 milhões de dólares?! E estamos a dizer que ele transformou a Sonangol em quê?! Onde é que está o dinheiro da Sonangol?! E agora a Sonangol até vende casas sociais, quer dizer, está envolvida em tudo! Mas onde estão os lucros? O retorno desses investimentos que o Manuel Vicente anda a fazer? Os investimentos que se fazem com a China. Essas empresas fictícias que são criadas na China. Onde é que está o retorno? E os angolanos vão perguntar isso. A questão não é a de regenerar o regime mas a de fazer a devolução do Estado angolano. É a principal questão em Angola: a devolução do Estado. A reforma de José Eduardo dos Santos como garantia de que ambas as questões sejam solucionadas, ao mesmo tempo e de forma cortês? O José Eduardo dos Santos amarrou o Estado angolano; representa a privatização do Estado angolano. Como garantir que ele entrega o poder e sai com todas as garantias de segurança, para poder permanecer no país com tranquilidade? Porque, também, com todas estas denúncias do género de que pagou 50 milhões de dólares para acabar com o Angolagate, se o presidente se reformar no exterior do país está sujeito a ser detido para responder a processos em França ou mesmo em Portugal. Então tem de garantir que tudo o que foi feito de errado no país seja tratado no país. E para isso tem de garantir a liberdade de expressão agora. Abrir o "Jornal de Angola", que é uma máquina de propaganda já fossilizada. Abrir a Rádio de Angola, abrir a Televisão Pública de Angola, para gerar este debate no país. É a única segurança que tem. Porque a segurança da violência pode virar--se contra ele.

Tentou publicar isto em Angola?

A última tentativa de publicação em Angola foi retirada na gráfica. E as pessoas não esquecem que, no ano passado, os meus relatos sobre corrupção eram também publicados em alguns jornais de Angola. E um desses jornais foi comprado por órgãos ligados ao regime.

Ou seja, escreveu este livro para o povo angolano e a verdade é que a maior parte do povo angolano não vai ter acesso a ele.

É assim, os angolanos pedem sempre que lhes compre umas camisas, e uns sapatos, e umas prendas aqui de Portugal. E todo aquele angolano interessado em saber do país, em vez da camisa vai começar a pedir que lhe leve um livro. Porque não tenho outra forma. Não tive qualquer apoio institucional, excepto, a amabilidade da editora Tinta da China em transformar este relatório em livro. Agora os angolanos que estão preocupados com esta situação vão certamente tentar arranjar o livro e partilhá-lo com outros. Eu escrevia-o para que também a população nas Lundas tenha acesso a este livro e se criem grupos de leitura - como fiz, em ocasiões anteriores - para que tomem conhecimento das coisas que são ditas nestes relatórios.

Roubaram-lhe parte das notas para este relatório/livro no aeroporto em Luanda. Não teme pela vida, não se sente ameaçado?

Há uma resposta que dou sempre. Eu sou um cidadão consciente que está a cumprir com o seu dever profissional e cívico. Se há neste relatório alguma falsidade, que seja levado a tribunal. Agora, se há ameaças à margem da lei, por estas não posso responder. Mas posso dizer que vou continuar a fazer o meu trabalho porque, como cidadão, quero uma Angola diferente. Onde o trabalho de investigação jornalística ou antropológica, sobre qualquer tema, seja um processo aberto. É assim em Portugal, é assim na África do Sul, é assim na Zâmbia. Em Angola, deve ser o mesmo.

Angola: Bloco Democrático e UNITA confirmam que jovens preparam nova manifestação




SK - LUSA

Lisboa, 21 set (Lusa) -- O Bloco Democrático e a organização juvenil da UNITA não estão por detrás da manifestação que vários jovens pretendem realizar domingo em Luanda, mas apoiam aqueles que saírem à rua para exigir a "democratização do país", afirmaram fontes partidárias.

Nelson Pestana, docente universitário e membro da comissão do Bloco Democrático, e o secretário-geral da Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), organização juvenil da UNITA, Mfuca Muzemba, confirmaram hoje à Lusa que um grupo de jovens está a preparar uma nova manifestação em Luanda para dia 25 de setembro.

Os dois responsáveis políticos salientaram que vão apoiar todos aqueles que decidirem sair à rua para exigir a "democratização do país", mas quiseram deixar bem claro que os seus respetivos partidos não estão a promover ou a organizar a nova iniciativa de protesto.

"O Bloco Democrático não está a promover a nova manifestação que está a ser convocada para domingo, tal como não promoveu as outras manifestações que decorreram anteriormente. É preciso que isso fique bem claro", vincou Nelson Pestana, membro da comissão do partido liderado por Justino Pinto de Andrade.

Pestana e Muzemba explicaram que a manifestação de domingo está a ser organizada por um grupo de jovens, estudantes e vários elementos da sociedade civil angolana que exigem o "direito à manifestação, liberdade, numa palavra: a democratização de Angola".

O líder juvenil da UNITA adiantou à Lusa que nesse dia estará "fora de Luanda" e que por isso não poderá participar na manifestação. Muzemba saudou, contudo, esta nova iniciativa de protesto que "está a ser organizada por uma juventude que exige mudança e que já perdeu o medo de um Estado prepotente e do autoritarismo político".

A informação que o Bloco Democrático tem neste momento, precisou Nelson Pestana, é a de que os "jovens decidiram adiar a iniciativa de sábado para domingo por causa da provocação" que o primeiro secretário do Comité Provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento, dirigiu aos jovens e a "todos aqueles que se batem pela liberdade e democracia em Angola".

Na passada quinta-feira Bento Bento desafiou os organizadores de protestos a conseguirem mobilizar mais pessoas do que as que o MPLA (partido no poder) irá ter no sábado, dia para qual o partido no poder em Angola convocou uma marcha de apoio para o mesmo local em que inicialmente estava previsto o protesto dos jovens.

"Como os jovens não queriam efetivamente qualquer confronto, os organizadores acharam por bem transferir a manifestação para domingo", vincou Pestana.

De acordo com Nelson Pestana e Mfuca Muzemba, a marcha do MPLA vai concentrar-se na Avenida Deolinda Rodrigues, em pleno centro de Luanda, e dirigir-se em direção à Praça da Independência. "A manifestação daqueles que se batem pela democracia acontecerá simbolicamente no sentido contrário: a concentração será na Praça da Independência, e depois os manifestantes deslocar-se-ão pela mesma avenida em direção ao cemitério municipal de Santana", precisou o dirigente do Bloco Democrático.

EUA QUEREM AUMENTAR AJUDA FINANCEIRA A MOÇAMBIQUE




EMYP - LUSA

Maputo, 21 set (lusa) -- A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) anunciou que governo norte-americano quer aumentar a ajuda financeira a Moçambique, um apoio que deverá destinar-se à agricultura, segurança alimentar e construção de infraestruturas.

As intenções do governo americano foram anunciadas na terça-feira pelo administrador da USAID, Rajiv Shah, após uma audiência com o Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, que se encontra em Nova Iorque para participar na Assembleia-Geral da ONU.

"Atualmente, os EUA investem cerca de 400 milhões de dólares, por ano, para ajudar o povo de Moçambique", disse Shah.

"Estamos a discutir a expansão da nossa assistência, aumentando os montantes concedidos, se conseguirmos obter os resultados que se esperam com a nossa ajuda", anunciou.

Shah afirmou aos jornalistas que a conversa que manteve com o Presidente moçambicano foi uma continuação da última reunião que ambos tiveram, durante o Fórum Económico Mundial sobre África, que teve lugar na Cidade do Cabo, África do Sul.

"Nessa altura, o Presidente Guebuza deu indicações de que queria trabalhar estreitamente com a USAID e com os EUA nas áreas de segurança alimentar e combate à fome, bem como estudar em conjunto o estabelecimento de uma parceria com o programa 'Alimentar o Futuro' do Presidente Obama", disse Shah.

De acordo com o administrador da USAID, o apoio dos EUA será direcionado para a agricultura, segurança alimentar e construção de infraestruturas que permitam a Moçambique melhorar a sua economia agrícola e desempenho económico global.

Brasil: CRITICADO POR AMBIENTALISTAS, NOVO CÓDIGO FLORESTAL AVANÇA NO SENADO




GL - LUSA

São Paulo, 21 set (Lusa) -- A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado brasileiro aprovou hoje o polémico projeto de reforma do Código Florestal do país, considerado pelos ambientalistas como uma ameaça à preservação das florestas.

A análise da CCJ deveria restringir-se apenas a aspetos jurídicos e constitucionais do texto, mas a sessão foi tomada pelo debate sobre a preservação ambiental.

A votação só foi possível depois de os senadores terem acordado deixar as discussões de conteúdo para outras comissões.

Agora, o projeto será analisado pelas comissões de Agricultura, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente, antes de passar pela votação final no plenário do Senado.

A 24 de maio deste ano, a reforma do Código Florestal foi aprovada por 273 votos a favor e 182 contra na Câmara dos Deputados. Além da aprovação no Senado, o texto precisa também da promulgação da Presidente Dilma Rousseff para entrar em vigor.

Criado em 1965, o Código Florestal brasileiro regulamenta a exploração da terra no país e estabelece parâmetros para a preservação da vegetação. Determina, por exemplo, as punições para crimes ambientais e as medidas compensatórias para produtores rurais.

É consensual no Brasil que a legislação ambiental está desatualizada, mas pessoas do mundo rural, ambientalistas e a comunidade científica estão divididos relativamente às mudanças necessárias e à forma como elas devem ser debatidas.

As principais mudanças propostas pela reforma do Código Florestal dizem respeito à classificação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), que são os terrenos mais vulneráveis a deslizamentos, erosão e inundações, como encostas de montes e margens de rios.

Além disso, o texto modifica também as regras para a recuperação das zonas desflorestadas e de punição para quem destruiu a vegetação ilegalmente.

Ambientalistas criticam, por exemplo, a regularização de áreas desflorestadas ilegalmente até 2008, que consideram uma "amnistia" para crimes ambientais.

Ativistas do Greenpeace fizeram hoje uma manifestação no Senado contra o projeto de reforma, por considerarem que o texto deixa as florestas desprotegidas.

Desde terça-feira, organizações não governamentais tem feito uma campanha de esclarecimento na internet.

Itamaraty rejeita 'neo-imperialismo', diz que aproximação com a África é interesse mútuo




FABÍOLA ORTIZ, Rio de Janeiro - OPERA MUNDI

“Neo-imperialismo”, “soft power”, “invasão camuflada”,. Muitos termos têm sido utilizados para definir a recente guinada do Brasil rumo ao continente africano. O aumento da cooperação econômica, política e diplomática é uma realidade, especialmente após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o diplomata Nedilson Ricardo Jorge, diretor do Departamento de África do Ministério das Relações Exteriores, a chamada política de cooperação Sul-Sul nada tem de imperialista, porque baseada em um interesse mútuo entre países em desenvolvimento.

“O Brasil abriu 19 embaixadas, mas os africanos abriram 17 aqui durante os últimos oito anos, não foi unidirecional, não é que estejamos invadindo porque eles não querem. Estamos cooperando porque eles querem”, disse Nedilson Jorge.

Nesta entrevista ao Opera Mundi, o diplomata reconhece o crescimento da China no continente como um desafio para o país. "Não podemos negar que para algumas coisas (a China) é um competidor, assim como os Estados Unidos e a França são concorrentes comercialmente. Mas nós não vemos a presença da China como algo que obstaculiza ou atrapalha a presença brasileira", diz.

Ele também aponta a falta de conexões aéreas e marítimas diretas como um entrave para uma maior integração entre Brasil e África.

O Brasil demorou para reconhecer a importância econômica e geopolítica que o continente africano podia oferecer?

O Brasil sempre teve relações próximas com a África desde o início do processo de descolonização nos anos 1950 e 1960, quando abrimos várias embaixadas. Eu vejo mais como uma evolução natural, houve uma primeira fase em que a nossa presença na África foi mais escassa, mais limitada em alguns países onde havia um pouco mais de contato direto com o Brasil. Realmente, o que mudou foi o ritmo, não a visão.

Depois de 2003, início do governo Lula, houve uma intensificação nesses contatos, em particular no que se refere à abertura de embaixadas mas, sobretudo, a visitas de alto nível tanto do Brasil para a África quanto da África para o Brasil. Ao longo dos dois mandatos do presidente Lula, foram abertas 19 embaixadas. Hoje nós temos 37, dessas uma no Malawi já foi oficialmente aberta mas ainda não está operacional.

O Brasil, através do presidente Lula, defendeu uma posição de "cooperação solidária". Como estreitar ainda mais estes laços?

Houve uma intensificação desses contatos e maior a presença brasileira sobretudo em termos de visitas. O presidente Lula visitou mais de 25 países durante os oito anos de mandato, algo que nunca havia sido feito antes por nenhum outro presidente brasileiro.

O ministro Celso Amorim realizou mais de 60 visitas à África, visitou praticamente 40 países. Essas visitas de alto nível, sem dúvida, abriram caminho para intensificar as relações.

O Brasil, através do presidente Lula, defendeu uma posição de "cooperação solidária". Como estreitar ainda mais estes laços?

Muitas dessas iniciativas tomadas estão começando a dar frutos agora, as visitas e embaixadas que foram abertas estão começando a amadurecer os resultados agora quase 10 anos depois, quando a gente começa a assinar acordos e visitas comerciais.

Eu prefiro me referir à cooperação Sul-Sul porque parte de premissas um pouco diferentes da cooperação Norte-Sul. Em primeiro lugar, parte da premissa de que os dois lados tem a aprender e não é unidirecional e, sobretudo, não é uma interferência ou de acordo com os interesses do país que está dando e sim de acordo com as demandas e necessidades do país que está recebendo. A cooperação Sul-Sul também traz frutos para o Brasil, é na solidariedade, mas também no interesse mútuo. As áreas técnicas brasileiras que mais progridem são aquelas que prestam cooperação internacional.

Existem críticas de que a presença brasileira pode adquirir uma conotação de "invasão" ou poderia ser considerada como um tipo de "neo-imperialismo". O que o Sr pensa disso?

Nunca vi críticas que não sejam muito esporádicas nesse sentido. A nossa aproximação com a África é sempre baseada no interesse mútuo. O Brasil abriu 19 embaixadas, mas os africanos abriram 17 aqui durante os últimos oito anos, não foi unidirecional, não é que estejamos invadindo porque eles não querem. Estamos cooperando porque eles querem. Há países que abriram embaixadas aqui e fecharam embaixadas no Canadá, na Suécia porque queriam abrir no Brasil e optaram por essa cooperação. Eu não tenho esse receio de que a presença brasileira possa ser vista dessa forma.

O Brasil tem adotado uma nova forma de fazer política externa, o chamado ‘soft-power’?

Temos visões  muito diferentes de certos países em relação a como ajudar países a se desenvolverem. Não acreditamos que é por meio de operações militares, sanções, bloqueios ou outro tipo de pressão. Achamos que é justamente pela cooperação e integração, não pelo isolamento. Partimos de certos princípios que às vezes nos levam a adotar visões diferentes em relação à solução de certos países.

Qual o diferencial que seduz tanto autoridades e lideranças dos países africanos? Por que o Brasil atrai tanto o interesse de países da África?

Há muitos diferenciais, não podemos esquecer que o Brasil é o segundo maior país de população negra do mundo, logo depois da Nigéria. Os laços histórico-culturais são importantes também nessa aproximação. Temos uma compreensão dos problemas africanos muito mais parecida com a que eles mesmos têm porque também somos um país em desenvolvimento. Ou já superamos ou ainda temos os mesmos problemas que eles têm. Então, há um diálogo muito mais natural entre o Brasil e esses países africanos. Esse é um diferencial importante. Pesa também o fato de não usarmos força militar, fazermos cooperação Sul-Sul sob demanda de acordo com os interesses mútuos.

Quais os laços de cooperação entre o Brasil e a África do Sul, no IBAS, que podem ser aprofundados? A relação entre ambos é equilibrada?

Nós temos mecanismos de coordenação com muitos países africanos. No G20, por exemplo, tem meia dúzia de países africanos que participam, na ASA (cúpula América do Sul e África) temos tido coordenação com todos os países, temos a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) que faz a coordenação muito estreita com os países de língua portuguesa.

A África do Sul se destaca porque faz parte do IBAS e do BRICS (blocos formados por Índia, Brasil e África do Sul; e Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, respectivamente). Eu vejo essa relação muito equilibrada, tanto que foi por essa razão foi assinada uma parceria estratégica entre Brasil e África do Sul por interesse mútuo no ano passado.

Há uma visão tanto da África do Sul quanto do Brasil de que esses países juntos –ainda mais com Índia no caso do IBAS– têm muito a oferecer um ao outro, economicamente, tecnicamente, cientificamente. Há muita complementaridade para desenvolver projetos comuns. Cada país tem vantagens comparativas em algumas áreas em relação aos outros e é uma relação de mútuo benefício.

A China entrou com força no continente africano. Os chineses são os principais concorrentes e rivais do Brasil na África?

Não podemos negar que para algumas coisas (a China) é um competidor, assim como os Estados Unidos e a França são concorrentes comercialmente. Mas nós não vemos a presença da China como algo que obstaculiza ou atrapalha a presença brasileira.

A China é também um parceiro estratégico do Brasil, inclusive temos consultas sobre a África, eu e o meu homólogo chinês. Temos muito mais a coordenar do que a concorrer. Lógico que, na área comercial, há competição por obras, licitações, vendas, mas isso acontece com todos os países independentemente de serem parceiros ou não. Mas não vejo a presença em si como algo oposto.

Quais os obstáculos que o Brasil enfrenta nessa inserção no continente?

Vejo que o principal obstáculo é um que não depende do governo: as ligações aéreas e marítimas. Esse é um desafio que nós temos. É preciso ter mais conectividade e, sem isso, realmente estamos chegando a um limite de expansão porque sem rotas marítimas e aéreas tem-se muito mais dificuldades. Esse é o nosso principal desafio.


*OPERALEAKS - blog da cobertura especial do Wikileaks

UNIÃO AFRICANA RECONHECE O CONSELHO DE TRANSIÇÃO COMO O REPRESENTANTE LÍBIO




ÁFRICA 21, com agências

A UA havia se negado até agora a reconhecer o CNT e tentou sem êxito fazer a mediação entre os então rebeldes e o regime Kadhafi.

Johannesburgo - A União Africana (UA) reconheceu oficialmente ontem (20) o Conselho Nacional de Transição (CNT) como "representante do povo líbio", indicou a UA em um comunicado difundido pela presidência sul-africana.

"O presidente da União Africana (o presidente da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema) anuncia que a UA reconhece o Conselho Nacional de Transição como representante do povo líbio", diz o texto.

"A União Africana está pronta para apoiar o povo líbio (...) em seu caminho para uma Líbia unida, democrática, pacífica e próspera", acrescentou o documento.

A UA havia se negado até agora a reconhecer o CNT e tentou sem êxito fazer a mediação entre os então rebeldes e o regime Kadhafi. As informações são do Correio Braziliense.

ÁFRICA DO SUL RECONHECE NOVO REGIME LÍBIO




ÁFRICA 21, com agências

A decisão foi divulgada depois de um comunicado da União Africana (UA), no qual esta também reconhece o CNT líbio

Johannesburgo - A África do Sul reconheceu, terça-feira (20), as novas autoridades de Trípoli e se disse disposta a trabalhar com a comunidade internacional para estabilizar a Líbia, em um comunicado de seu Ministério das Relações Exteriores.

A África do Sul reconhece o Conselho Nacional de Transição (CNT) "como representante do povo líbio, na medida em que forma um governo de transição que inclui todas as partes", destacou o texto.

A decisão foi divulgada depois de um comunicado da União Africana (UA), no qual esta também reconhece o CNT líbio após várias semanas de hesitação que suscitaram divisões no continente africano.

A África do Sul está disposta a apoiar "os esforços para estabilizar a situação (e) promover a democracia e a reconstrução", acrescentou o Ministério de Relações Exteriores sul-africano.

Há poucos dias a África do Sul se recusava a reconhecer o CNT e insistia no desejo de que a África solucionasse sozinha seus problemas, desde que de forma pacífica.

Banco de Portugal prevê crescimento do PIB dos PALOP e de Timor-Leste em 2011





De acordo com o relatório "Evolução das Economias dos PALOP e de Timor-Leste 2010/2011" do Banco de Portugal, os países africanos, que são economias emergentes e em desenvolvimento, apresentam crescimentos do PIB bastante superiores aos das economias avançadas.

O relatório do Banco de Portugal pretende ilustrar como se diferencia a evolução do PIB nas economias em desenvolvimento face às economias avançadas.

É realizada uma análise à economia de cada um dos países constituintes dos PALOP, e, também, a Timor-Leste.

Os cinco países que formam os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, apresentam, na generalidade, estimativas de crescimento do PIB bastante animadoras.

Angola

A evolução da economia angolana ao longo do ano de 2010 e nos primeiros meses de 2011 foi impulsionada, maioritariamente, pelo aumento das receitas petrolíferas e a execução bem sucedida do programa de ajustamento macroeconómico com apoio financeiro do FMI.

Neste período observou-se uma correcção substancial dos desequilíbrios orçamentais e externos, bem como uma ligeira aceleração do ritmo de actividade. No entanto, a inflação continuou a registar-se em “patamares elevados”, conforme refere o relatório do Banco de Portugal sobre a “Evolução das Economias dos PALOP e de Timor-Leste 2010/2011”.

O PIB real da economia angolana cresceu, em 2010, 3,4%, e estima-se que em 2011 cresça 7,8%. Já a inflação foi de 14,5% em 2010, e em 2011 estima-se que desça para 12%.

Cabo Verde

A economia cabo-verdiana foi marcada em 2010, e continuará a ser em 2011, pela implementação de um “avultado programa de investimento público (PIP)”, o qual veio atenuar os efeitos da crise internacional.

O PIP foi, essencialmente, dedicado a infra-estruturas e financiado por fundos externos, e a sua execução teve como consequência directa défices orçamentais elevados e o crescimento do stock da dívida externa.

Observou-se um crescimento do PIB em 2010 de 5,4%, e estima-se que em 2011 avance 5,6%. O valor para este ano ainda é provisório. Já a inflação, foi de 2,1% em 2010 e deverá fixar-se nos 5,2% em 2011.

Guiné-Bissau

Só no ano de 2010 é que a Guiné-Bissau alcançou a normalização sociopolítica, o que trouxe “evidentes repercussões positivas sobre o seu desempenho económico”, explica o relatório do Banco de Portugal.

O cumprimento favorável do programa de Assistência de Emergência Pós-Conflito do FMI (EPCA), permitiu ao país a aprovação de outro programa no âmbito do Extended Credit Facility (ECF), com o objectivo de reforçar as finanças públicas, modernizar a Administração Pública e aumento da qualidade dos seus serviços.

“A avaliação positiva do programa apoiado pela ECF (…) permitiu o reatamento do processo de alívio da dívida”, refere o comunicado.

A Guiné-Bissau conseguiu deste modo reduzir significativamente o seu stock de dívida externa, e estima-se que passou de 128% do PIB em 2009 para 20,1% no final de 2010.

O crescimento do PIB registado em 2010 foi de 3,5%, e em 2011 estima-se que cresça 4,3%. Já a inflação, tocou os 2,3% em 2010, e deverá situar-se nos 4% em 2011.

Moçambique

Moçambique registou ritmos de crescimento do produto acima dos 6% nos últimos 10 anos. “O papel do FMI no processo de estabilização macroeconómica tem sido importante, através do apoio a vários programas das autoridades moçambicanas”, explica o comunicado do Banco de Portugal.

O país registou um crescimento do PIB em 2010 de 6,6%, e estima-se que em 2011 seja de 7,2%. A inflação foi de 12,7% em 2010, estimando-se este ano que recue para 9,5%.

São Tomé e Príncipe

As autoridades de São Tomé têm estado nos últimos anos empenhadas em dar continuidade a uma estratégia que privilegia a abertura, modernização e desenvolvimento da sua economia.

O país tem também entre mãos programas macroeconómicos apoiados pelo FMI e um Acordo de Cooperação Económica (ACE) cimentado com Portugal.

O PIB real de São Tomé cresceu 4,5% em 2010 e prevê-se que mantenha o mesmo crescimento em 2011. Já a inflação, marcou os 12,6% em 2010 e estima-se que desça para 6% em 2011.

Timor-Leste

A conjuntura macroeconómica timorense continua a ser fortemente marcada pela exploração off-shore de petróleo e gás, bem como a crescente consolidação da estabilidade sociopolítica do país, após o período conturbado de 2006 e 2007.

O crescimento do PIB real não-petrolífero foi de 9,5% em 2010, e estima-se um crescimento de 7,3% em 2011. A inflação em 2010 foi de 6,8%, e em 2011 deverá ser de 6%.

ONU celebra Dia Internacional da Paz a ouvir preocupações dos jovens guineenses




 ANGOLA PRESS

Bissau - O representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau reuniu-se hoje, Dia Internacional da Paz, com líderes das associações dos jovens guineenses de quem pretende ouvir as suas preocupações sobre os caminhos para a paz no país, anunciou a Lusa. 
     
No discurso de abertura do encontro na sede das Nações Unidas em Bissau, Joseph Mutaboba apelou aos jovens guineenses para terem um papel "muito mais activo na defesa da democracia e do Estado de direito" no país. 
  
O representante do secretário-geral das Nações Unidas quer ainda que os jovens guineenses sejam "mais interventivos no combate à impunidade e na implementação das grandes reformas em curso" na Guiné-Bissau.  
     
Mutaboba referia-se às reformas no setor da Defesa e Segurança e da administração pública. 
   
"Os jovens guineenses sempre tiveram um papel activo nos debates e causas nacionais e esse hábito deve continuar e ser reforçado. Façam com que a vossa voz seja ouvida e atuem de forma positiva para contribuir para a mudança da imagem do vosso país", disse Joseph Mutaboba. 
  
O jovem Vladimir Quadé, representante do Conselho Nacional da Juventude (CNJ, plataforma das organizações da juventude) disse que vai aproveitar a reunião com Joseph Mutaboba para transmitir a visão dos jovens guineenses sobre o processo da consolidação da paz na Guiné-Bissau. 
    
O encontro entre o representante do secretário-geral da ONU e os líderes associativos da juventude ocorre no âmbito das auscultações dos diferentes setores da sociedade guineense promovidas pela comissão organizadora da conferência nacional "Caminhos para a consolidação da paz e desenvolvimento", que deve ter lugar na Guiné-Bissau em 2012. 
  
Também no âmbito do Dia Internacional da Paz, a rede de crianças e jovens jornalistas produziu um jornal de parede que se encontra afixado na entrada do edifício das Nações Unidas em Bissau. 
    
Num dos cartazes desenhados ou escritos pelos jovens da rede dos jornalistas pode-se ler que a paz pode significar: progresso, amor e zelo. 
 

"Embaixada" desconhece detenções por içarem bandeira rebelde nos Jogos Africanos




PMA - LUSA

Maputo, 21 set (Lusa) -- A representação líbia em Maputo, que apoia o CNT e não é reconhecida pelo governo moçambicano, disse hoje desconhecer a detenção de dois líbios, por içarem a bandeira dos rebeldes durante os Jogos Africanos de Maputo.

O Comando-Geral da Polícia de Moçambique disse na terça-feira aos jornalistas que dois cidadãos líbios foram detidos por terem hasteado a bandeira do Conselho Nacional de Transição (CNT), que congrega a oposição líbia a Muammar Khadafi, na Vila Olímpica, que albergou as delegações aos X Jogos Africanos, que terminaram no domingo em Maputo.

Contactado hoje pela Lusa, o encarregado de Negócios da "embaixada" da Líbia em Moçambique, Rajab Dakam, manifestou-se "admirado" com a notícia, afirmando não ter tomado conhecimento dessa ocorrência.

"Estamos surpreendidos, porque não tomámos conhecimento da detenção de líbios durante a realização dos Jogos Africanos, e surpreendidos, pois os elementos da delegação líbia já regressaram todos ao país", afirmou Rajab Dakam, através de um tradutor.

No final de agosto, o encarregado de negócios da embaixada líbia em Maputo declarou o seu apoio ao CNT, içando a bandeira da oposição nas instalações da representação diplomática no país.

O hastear da bandeira do CNT desagradou às autoridades moçambicanas, que ainda não tomaram nenhuma posição em relação ao novo poder na Líbia, obrigando a representação diplomática a içar a bandeira da União Africana (UA) ao lado da rebelde.

Rajab Dakam é um dos três diplomatas líbios que permaneceram em Maputo, enquanto a maioria abandonou Moçambique, incluindo o embaixador.

Estado Palestino: AMEAÇAS DE ISRAEL CAUSAM DESCONFORTO ATÉ NOS EUA




António Martins – Outras Palavras

Telaviv pressionada a segurar seus radicais. Pesquisa da BBC revela amplo apoio à independência palestina em 17 países Às vésperas da Assembleia Geral da ONU que poderá aprovar a criação de um Estado Palestino independente [leia nossos textos: 1 2], dois dos principais apoiadores de Israel — Estados Unidos e Grã Bretanha — incomodaram-se com a radicalização e ameaças crescentes disparadas por seu aliado.

Diplomatas norte-americanos e britânicos alertaram Telavive, segundo o diário londrino The Guardian que tal atitude poderá provocar isolamento ainda maior dos que se opõem à reivindicação palestina.

A reação seguiu-se a declarações fortemente agressivas de governantes israelenses — principalmente os ligados à extrema direita. Os ministros das Relações Exteriores (Avigdor Lieberman) e Finanças (Yuval Steinitz) sugeriram sequestrar fundos fiscais arrecadados por Israel em nome da Autoridade Palestina. Outras autoridades chegaram a propor a anexação formal, por Telavive, das regiões da Palestina onde estão instaladas colônias de ocupação ilegais — em geral, habitadas por fundamentalistas judeus. Ouvido pelo jornal, o diplomata palestino Nabil Shaat, afirmou que tais atitudes não abalarão o pedido de reconhecimento: “Não estamos dispostos a trocar direitos por dinheiro”.

Enquanto isso, a agência de notícias britânica BBC divulgou os resultados de uma pesquisa de opinião pública realizada em 17 países, a respeito do Estado Palestino. Entre os entrevistados, 49% defenderam sua criação e reconhecimento pela ONU; apenas 29% manifestaram-se contra. Segundo a BBC, há maioria pró-palestinos inclusive nos Estados Unidos (45% x 36%) — o que torna ainda mais ilegítimas as iniciativas da Casa Branca contra o voto pró-independência na ONU.

Leia mais:
Como os EUA querem bloquear o Estado Palestino
Estado Palestino: os detalhes do debate na ONU