quarta-feira, 24 de agosto de 2011

QUEM GANHA MAIS, PAGA MAIS




MAIR PENA NETO – DIRETO DA REDAÇÃO

Dezesseis executivos franceses, incluindo a herdeira da L`Oreal, Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da Europa, ofereceram pagar uma "contribuição especial" em "espírito de solidariedade" para ajudar o governo francês a reduzir seu déficit, que ameaça a segurança do país. Em carta aberta, publicada na revista "Le Nouvel Observateur", os milionários franceses disseram que se beneficiaram do sistema francês e que com "o déficit nas finanças públicas ameaçando o futuro da França e da Europa, e o governo pedindo solidariedade a todos, parece necessário para nós contribuir."

A carta dos ricos franceses é uma espécie de versão européia do artigo de Warren Buffett no "New York Times". O megainvestidor americano, um dos homens mais ricos do mundo, acusou de injusto o sacrifício pedido à população dos Estados Unidos e conclamou o governo Obama a parar de mimar os super ricos e elevar os impostos da classe alta. Nenhuma das manifestações é reveladora de altruísmo, e, sim, a preocupação de continuar desfrutando de um modelo econômico que sempre lhes garantiu excelente condições de vida. É a conhecida história de se entregar os anéis para não perder os dedos.

Os multimilionários franceses se manifestaram justamente quando o governo prepara novas medidas fiscais, que incluem uma taxa especial sobre os super ricos. A idéia do governo é tributar os que ganham mais de 1 milhão de euros (R$ 2,3 milhões) por ano para contribuir na redução do déficit público, que está em torno de 85% do PIB, bem acima dos 60% recomendados pela zona do euro.

Independentemente dos propósitos de cada um, a crise global abriu a possibilidade de discussão e implementação de impostos sobre as grandes fortunas. O que antes parecia um tabu se revela o caminho natural para uma justiça tributária. Obama foi à TV pedir que os americanos pressionassem os parlamentares a votar aumento de 2% nos impostos sobre os mais ricos. O presidente norte-americano disse que um administrador de fundos de investimento paga taxas inferiores às de sua secretária, o que impossibilita pedir sacrifícios generalizados.

Esta disparidade é flagrante no Brasil, com sua vexaminosa concentração de renda, e o país precisa ingressar nesse debate para que o imposto corresponda à capacidade econômica de cada cidadão. Costuma-se dizer que no Brasil quem paga imposto é o trabalhador, que o tem descontado em folha, pois empresários, que vivem se queixando da alta carga tributária, são mestres em sonegá-lo. A tributação sobre grandes fortunas está prevista na Constituição, mas precisa ser regulamentada por lei complementar.

A primeira iniciativa parlamentar pela regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas foi de autoria do então senador Fernando Henrique Cardoso, em 1989. Como depois ele pediu que esquecessem tudo o que escreveu, não sei se ainda defende o seu projeto. Em junho do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou projeto da deputada Luciana Genro (PSOL), que prevê tributação sobre fortunas superiores a R$ 2 milhões. A proposta é de imposto progressivo, com alíquota de 1% a 5%. Para patrimônios entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões, paga-se 1%. De R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, 2%; de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões, 3%; de R$ 20 milhões a R$ 50 milhões, 4%, e acima de R$ 50 milhões, 5%. A estimativa da autora do projeto é de uma arrecadação de R$ 30 bilhões anuais.

Imposto sobre grandes fortunas já existem em outros países, na Europa principalmente, e não seria nenhuma novidade brasileira. Infelizmente, por aqui, o próprio governo diz que a criação do tributo não está em discussão, embora uma reforma tributária esteja na ordem do dia. Que o que acontece agora nos EUA e na Europa ajude a quebrar resistências e que o Brasil adote uma tributação mais justa e progressiva para fazer valer a velha e irrefutável máxima de que quem ganha mais, paga mais.

* Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia

Brasil: DILMA ROUSSEFF É A TERCEIRA MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO - "Forbes"




DESTAK - LUSA

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, foi apontada hoje como a terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a lista elaborada pela revista norte-americana “Forbes”.

A líder brasileira, que em 2010 ocupara a 95.ª posição na mesma lista, este ano ficou atrás apenas da chanceler alemã, Angela Merkel, e da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

A respeito de Dilma, a publicação destaca o facto de se ter tornado a primeira mulher a comandar a principal economia da América Latina e relembra a sua contribuição durante o Governo de seu antecessor Lula da Silva.

O texto menciona ainda os problemas que a Presidente tem enfrentado no Congresso, que já levaram à substituição de quatro ministros, em menos de oito meses de Governo.

“Hoje ela está lutando contra um rebelde Congresso Nacional, ameaçando interromper a sua agenda e o boom económico do Brasil”, observa a "Forbes".

A única outra “poderosa” de língua portuguesa a figurar na lista também é brasileira. Frequentemente apontada como uma das modelos mais bem pagas do planeta, Gisele Bunchen aparece na 60.ª posição, identificada como “modelo e ambientalista”.

A lista, elaborada anualmente pela revista norte-americana “Forbes”, inclui oito mulheres chefes de Estado e 29 empresárias e líderes de grandes empresas multinacionais.

A espanhola Ana Patrícia Botin, presidente do conselho de administração do Santander no Reino Unido, é uma delas, a ocupar a 77.ª posição.

O mundo do entretenimento também não fica de fora e a cantora Lady Gaga, de 25 anos, destaca-se por ser a mais nova dentre as eleitas, enquanto a mais velha a entrar para a lista foi a rainha Elizabeth, aos 85 anos.

GOVERNO ANGOLANO NEGA ACOLHIMENTO DE KADAFI NO PAÍS




DESTAK - LUSA

O ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chicoty, disse hoje em Luanda que Angola nunca foi consultada por ninguém para acolher no país o líder deposto da Líbia, Muammar Kadhafi.

 “Nunca fomos consultados por ninguém, isso é uma pura e simplesmente especulação jornalística”, afirmou, em declarações à imprensa o ministro angolano, antes de deixar Luanda para Adis-Abeba, Etiópia, para participar numa cimeira de chefes de estado da União Africana (UA) sobre a ajuda humanitária à Somália e à actual situação na Líbia.

Segundo o governante angolano, a UA reitera o seu desejo de haver uma solução pacífica, que tenha em conta os interesses do povo líbio. “Sempre foi desejo de Angola e de África de ver um roteiro aprovado pela UA, que fosse a base da solução política na Líbia, que envolvesse não só os membros do Conselho Nacional de Transição, mas também a parte do Presidente Kadhafi e de todos os líbios em geral”, sublinhou Georges Chicoty.

O chefe da diplomacia angolana considera ainda válida a solução do diálogo, após a conquista do quartel-general de Kadhafi em Tripoli pelos rebeldes, porque “ninguém tem a solução”, nem mesmo os que estão a usar a força.

O ministro sustentou o seu discurso exemplificando o apelo feito pelo Secretário-geral das Nações Unidas – “para que tenham em conta a necessidade de uma concertação ampla entre a ONU, a UA, a Liga Árabe e os próprios líbios, para um processo de transição inclusivo”.

“Quer dizer que estaremos a voltar para aquilo que a UA já dizia há uns tempos atrás”, referiu o ministro, acrescentando que “a solução não é tardia, porque ninguém tem solução e mesmo os que estão a usar a força vão precisar de parar”.

Georges Chicoty disse que a situação na Líbia é “difícil, precária, mas na qual a UA tem que se envolver, naturalmente na base da aplicação dos estatutos da UA”.

“Quer dizer que de um lado queremos que se apliquem os estatutos (UA), mas de outro lado que encorajemos os líbios a falarem, a negociarem, a implementarem um roteiro, tal como aprovado pelo conselho de paz e segurança da UA, que possa trazer paz para todos os líbios”, reforçou.

Angola: José Eduardo dos Santos recebe Presidente eleito de São Tomé e Príncipe





Luanda – O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, recebeu hoje (quarta-feira), em Luanda, o Presidente eleito de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa.

Aspectos ligados ao relacionamento entre os dois países terão estado no centro deste encontro.

Manuel Pinto da Costa, em Luanda para visita de algumas horas, venceu a segunda volta das eleições presidenciais, realizada a 7 de Agosto último, conquistando 52,88 dos votos, contra os 47,12 do seu rival, Evaristo de Carvalho.

O dignitário foi o primeiro líder do país, após a proclamação da independência, tendo governado entre 1975 a 1991.

Manuel Pinto da Costa será oficialmente empossado Presidente de São Tomé e Príncipe no dia 03 de Setembro próximo.

Cabo-Verde: Congresso extraordinário para clarificar a situação interna do PAICV





Eugénio Veiga sugere encontro do partido

Praia - A estrutura regional do PAICV em São Filipe pediu a realização de um congresso extraordinário do partido governamental para «clarificar a situação interna e definir estratégias para o futuro».

A decisão foi anunciada por Eugénio Veiga, figura de peso do Partido Africano da Independência de Cabo-Verde (PAICV), na ilha do Fogo, que preside a Câmara Municipal de São Filipe há já 20 anos.

Apoiante de Manuel Inocêncio Sousa nas Eleições Presidenciais, Eugénio Veiga, em declarações à Inforpress, não poupou os promotores da «candidatura da cidadania», liderada por Aristides Lima, na sua maioria dirigentes do PAICV.

«O movimento para a cidadania contribuiu para a derrota do candidato apoiado pelo PAICV». Eugénio Veiga foi mais longe ao afirmar que, se não tivesse aparecido o tal movimento, o candidato do PAICV venceria na primeira volta.

Acrescentou ainda que, se tivessem assumido a sua responsabilidade, Manuel Inocêncio teria também ganho as eleições na segunda volta». Na opinião de Eugénio Veiga, para que a sociedade cabo-verdiana fique esclarecida, o PAICV deve promover um congresso extraordinário para clarificar a situação, tendo em conta que o partido terá pela frente as eleições autárquicas de Maio de 2012.

Esta é a primeira reacção de um líder forte do PAICV depois das Eleições Presidenciais em que o candidato apoiado pelo partido do Governo perdeu a competição com Jorge Carlos Fonseca, apoiado pelo MpD.

Em declarações à PNN, um integrante da «candidatura da cidadania» e dirigente do PAICV, que pediu o anonimato, lembrou que Eugénio Veiga e o seu grupo «são muito radicais» e advogou um congresso extraordinário apenas para depois das autárquicas de 2012.

«Temos de encontrar meios e formas de nos unirmos em torno de uma estratégia para as eleições autárquicas», informou a fonte, sugerindo que «fazer um congresso não electivo mas apenas para referendar o Presidente pode ser perigoso».

A PNN sabe que, caso se avance com um congresso extraordinário do PAICV, dificilmente a tendência liderada por Felisberto Vieira não apresentará a sua candidatura à liderança do partido, reeditando a disputa entre Vieira e José Maria Neves, em 2000, quando este ganhou e assumiu a presidência do partido.

Felisberto Vieira, apoiante da «candidatura da cidadania», viu ontem a sua demissão do cargo de ministro do Desenvolvimento Social e Família aceite pelo Presidente da República, na sequência do seu pedido, um dia depois da primeira volta das Eleições Presidenciais.

A sua decisão deveu-se ao facto de não ter condições «pessoais e políticas» para continuar no Executivo, liderado por José Maria Neves, depois de ter apoiado um candidato presidencial que não tinha o apoio do seu partido, o PAICV.
(c) PNN Portuguese News Network

Cabo Verde: PRIMEIRO PRESIDENTE DO PAÍS VAI SER OPERADO SÁBADO EM COIMBRA




MCS – JSD - LUSA

Coimbra, 24 ago (Lusa) - O primeiro Presidente de Cabo Verde, Aristides Pereira, internado há três semanas nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC, EPE) na sequência de uma queda, vai ser operado no sábado para corrigir lesões diabéticas - revelou hoje fonte hospitalar.

Segundo uma fonte do Gabinete de Comunicação, Informação e Relações Públicas dos HUC, Aristides Pereira, 87 anos, vai ser submetido a intervenção cirúrgica a um pé, para correção de lesões diabéticas.

O antigo Presidente da República de Cabo Verde está a ser tratado, desde 3 de agosto, no Serviço de Ortopedida dos HUC, EPE, devido a uma fratura do colo do fémur esquerdo após uma queda.

A sua situação clínica, adiantou hoje a mesma fonte dos HUC, EPE, mantém-se estável.

A 2 de agosto, Aristides Pereira, que estava na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde, foi retirado de avião para Lisboa, a fim de ser assistido após uma queda.

Em setembro de 2010 já tinha sido internado nos HUC devido a uma fratura idêntica, do lado direito, tendo-lhe sido colocada uma prótese.

Primeiro Presidente de Cabo Verde, de 1975 a 1991, Pereira foi um dos fundadores do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em 1956, que visava a independência conjunta da Guiné-Bissau e Cabo Verde, territórios que eram então colónias de Portugal.

Nascido a 17 de novembro de 1923, na Cidade da Praia, Aristides Pereira está afastado da vida política ativa há mais de duas décadas.

Cabo Verde: O novo presidente que sonha com a livre circulação no espaço da CPLP




ANTÓNIO RODRIGUES – i ONLINE

ENTREVISTA

Jorge Carlos Fonseca foi eleito para a presidência de Cabo Verde apoiado pelo principal partido da oposição, mas garante cooperação com o governo

Jorge Carlos Fonseca diz que tem muitos amigos em Portugal, nos diversos quadrantes políticos, no mundo académico e empresarial. "Estudei em Portugal, fui professor na Faculdade de Direito de Lisboa durante muitos anos e na universidade em Macau. Tenho muitos amigos na área social-democrata e na área socialista, e portanto sempre que possível potenciarei esses conhecimentos e amizades em prol do desenvolvimento de Cabo Verde". Ao i, por telefone, dá a sua primeira grande entrevista depois da vitória na segunda volta das presidenciais cabo-verdianas de domingo, onde derrotou Manuel Inocêncio Sousa, do PAICV, o partido que vai na terceira maioria absoluta no parlamento.

Durante a campanha chegaram a dizer que se fosse eleito ia fazer oposição ao governo desde a presidência.

Isso são acusações de campanha. Toda a gente sabe que as relações entre o governo e o presidente da República estão traçadas e balizadas pela Constituição e, num sistema como o de Cabo Verde, desde que o governo tenha um suporte maioritário no parlamento, as hipóteses de demissão do governo ou de dissolução do parlamento são praticamente inexistentes. Isto quer dizer que a estabilidade do governo depende mais de uma maioria parlamentar que do presidente da República. Agora naturalmente que a estabilidade governativa não quer dizer que o presidente não tenha voz própria e, se for necessário, deve exercitar os poderes que a Constituição lhe confere.

Mas a verdade é que a sua candidatura foi apoiada pelo Movimento para a Democracia (MpD), o maior partido da oposição. Ou seja, a sua visão é diferente da do governo de José Maria Neves, do PAICV. Não poderá isso criar conflitos institucionais?

Apresentei a minha candidatura irreversível em Novembro de 2010, muito antes das legislativas - portanto, não sabia quem ia ganhar as eleições - e muito antes de ter o apoio político formal do MpD. Depois, não sou membro de nenhum partido desde 1998 e o meu percurso político sempre foi marcado pela independência de pensamento e pela autonomia. Isso mesmo foi sublinhado pelo presidente do MpD várias vezes junto dos seus militantes. Além disso, tive o apoio do Grupo Independente para a Mudança do Sal (GIMS) - que lidera a Câmara Municipal do Sal -, do presidente da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), e ainda de várias personalidades independentes. E a minha candidatura é geneticamente independente e de cidadania.

Manuel Faustino, o seu mandatário nacional, diz que irá exercer como presidente uma magistratura de influência. Quais são as virtudes e as limitações dessa magistratura?

Respeitando as competências do governo e cooperando lealmente com ele, serei um presidente atento aos problemas do país - que tem grandes problemas e desafios por vencer, como o desemprego, o crescimento acelerado da economia, a contenção da insegurança a níveis suportáveis comunitariamente, a credibilização da justiça, o aprofundamento do poder local democrático, o debate sobre a regionalização. Se o presidente é eleito directamente pelos cidadãos - e tem uma legitimidade democrática directa -, deve estar atento aos problemas e tentar ajudar a resolvê-los. Em cooperação com o governo, mas sempre em diálogo com a sociedade cabo-verdiana. Quero com isso dizer que serei um presidente com voz própria, que intervirá na medida do necessário para dar uma contribuição positiva e construtiva para a resolução dos grandes problemas nacionais. Mas serei sobretudo um lutador intransigente pela afirmação da democracia pluralista, do Estado de direito moderno e um grande defensor da Constituição.

Acha que a democracia cabo-verdiana está preparada para a coexistência de um presidente e de um governo de partidos diferentes?

Seguramente. Se o povo cabo-verdiano elegeu pela primeira vez um presidente que não é apoiado pelo partido do governo, se antes disso havia estudos de opinião - e até os resultados da primeira volta mostravam isso - que diziam que uma boa maioria preferia um presidente de cor diferente do governo, isso mostra uma enorme maturidade democrática dos cabo-verdianos, que, perante a terceira maioria absoluta seguida do partido do governo, pensou ser bom ter na presidência um factor de equilíbrio no sistema de poderes.

Quando se lançou nesta candidatura pensava chegar à vitória?

É a segunda vez que me candidato e desta vez, naturalmente, procurei reunir todas as condições políticas para ter sucesso. Por isso é que uma das primeiras fases da candidatura foi, além de reunir os apoios na sociedade civil, procurar o apoio político de um dos grandes partidos políticos nacionais, no caso, o MpD, o que tornava as coisas mais credíveis em termos de hipóteses de vitória. Evidentemente, com a dinâmica da candidatura, sobretudo quando vi antes da primeira volta a onda de apoio a crescer - com o apoio do MpD, com o apoio do GIMS, com o apoio da Internacional Democrata do Centro (IDC), com o apoio de personalidades ligadas ao PAICV -, percebi que tinha um arco de apoiantes vasto e diversificado. E quando, na primeira volta, fiquei em primeiro lugar, com 37,3% dos votos, senti que tinha todas as condições para ganhar.

Qual foi a grande diferença em relação às campanhas de 2001 e de 2011?

Em 2001, eu não tinha o apoio de nenhum dos partidos de Cabo Verde. Em segundo lugar, disputava as eleições com as duas figuras de referência histórica do país: Pedro Pires pelo PAICV e Carlos Veiga pelo MpD. Vínhamos de um contexto de duas maiorias qualificadas do MpD. O contexto político era completamente diferente em 2001, em que as hipóteses de ganhar eram diminutas.

O facto de o PAICV se ter apresentado dividido nestas eleições - com as candidaturas de Manuel Inocêncio Sousa (que perdeu na segunda volta) e de Aristides Lima - também ajudou à sua vitória?

Muitos comentadores políticos fazem essa leitura. Mas também se pode fazer uma leitura diferente. Eu tive 60 e poucos mil votos na primeira volta e agora creio que estou perto dos 98 mil; os meus votos na segunda volta ultrapassam os votos somados dos dois candidatos do PAICV na primeira, querendo isto dizer que ganharia as eleições na segunda volta, mesmo que - por hipótese académica - todos os votos de Aristides Lima tivessem sido transferidos para o meu adversário na segunda volta. Creio que conquistei muitos votos da abstenção, já que o entusiasmo e a dinâmica da candidatura foram muito fortes, sobretudo depois de ter ganho a primeira volta por uma margem de 9 mil votos. Mas posso dizer-lhe uma coisa: preferia ter ido a votos apenas com um candidato do PAICV.

Falou nos limites constitucionais que não permitem ao presidente, em condições normais, demitir um governo com maioria. Em que condições pensaria nessa possibilidade?

A Constituição permite que o presidente dissolva o parlamento em casos de grave crise institucional, que ponha em causa o funcionamento normal das instituições democráticas, mas isso são situações excepcionais. Nenhum presidente que tenha o mínimo de ponderação e experiência vai dissolver um parlamento se o governo tem maioria. Portanto as pessoas podem ficar tranquilas: se o partido do governo tem uma maioria absoluta, governa tranquilamente.

Quando um governo não consegue garantir os serviços básicos à população - como a água e a electricidade -, não será caso para pensar na demissão do governo?

Já disse claramente que o meu estilo de actuação como presidente da República não será ausente. Darei sempre a minha opinião, a sociedade ouvir-me-á sempre que necessário. Falarei com o governo para encontrar soluções para resolver esses problemas, já que não é normal que a capital do país viva na situação em que vive neste momento, com cortes quase permanentes de energia e água. Aí o presidente não pode ficar de braços cruzados. Mas uma coisa é interagir, pelo diálogo, pela opinião, por influência política e moral, outra coisa é desencadear mecanismos que a Constituição prevê que só sejam usados em situações bem determinadas.

Já escolheu os nomes que o vão acompanhar na presidência?

Não, não. Estou ainda na fase de pós-vitória, com as comemorações populares. Vou pensando nisso. Ainda não está marcada a data da tomada de posse, vou aguardar a data para ir acertando algumas coisas.

Quando se calcula que venha a tomar posse?

Espero que entre a data das eleições e da posse haja pelo menos um mês. Eu tinha uma vida profissional, sou professor universitário; como presidente de uma instituição universitária, tenho de arrumar as coisas. Também tenho um escritório de advogados. A seguir tenho de arranjar um grupo de colaboradores e para que a tomada de posse tenha o mínimo de dignidade é preciso tempo.

Já convidou o Presidente Cavaco Silva para estar presente na cerimónia?

Recebi dele uma mensagem de felicitações; também recebi do primeiro-ministro Passos Coelho e de vários políticos portugueses, do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e, naturalmente, gostaria de ter aqui a presença na tomada de posse das mais altas individualidades da política portuguesa.

Vai aproveitar a sua experiência como ministro dos Negócios Estrangeiros e os seus poderes como presidente para ter uma política externa paralela à do governo?

Não. O presidente tem algumas competências na área das relações internacionais, já que é o mais alto representante da nação e do Estado. Procurarei concertar com o primeiro-ministro as áreas privilegiadas de intervenção do presidente no plano externo. Por exemplo, na representação do Estado nas relações que temos com a América, com a Europa, com África, talvez possa haver um acordo para uma espécie de divisão de relações privilegiadas nessa área. Posso, em cooperação com o governo, ter ideias que ajudem o país a desenvolver uma política externa mais eficaz, mais audaz e que potencie as parcerias que tem neste momento. Uma outra visão sobre as relações com o continente africano - uma relação forte, mas também aberta, franca, em que trabalharemos para que a África do futuro seja uma África que respeite os direitos humanos, uma África de desenvolvimento, uma África democrática e uma África onde predominem os estados de direito.

Quais seriam as áreas que gostaria de chamar para si?

Ainda é cedo. Não tomei posse ainda, não falei com o primeiro-ministro. Bom, uma possibilidade é o presidente representar Cabo Verde nas relações com os países de língua portuguesa. Mas isso são questões que serão acertadas com o chefe do governo, numa relação cordial.

Qual é a sua perspectiva em relação à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)?

É uma instituição muito importante para os nossos países. Creio que muito tem sido feito nos últimos anos, mas estou em crer que ainda há muito por fazer. A minha ideia pode ser utópica, mas é trabalhar com os chefes de Estado e de governo que têm o português como língua oficial para transformar cada vez mais a CPLP numa verdadeira comunidade de povos, mais do que numa comunidade de estados. Só nos poderemos sentir pertencentes a uma comunidade se, por exemplo, pudermos circular livremente por esse espaço. Claro que a livre circulação não é fácil, mas deve-se trabalhar com vontade política e imaginação para que isso venha a ser possível no futuro. Muito pode ser feito para transformar a CPLP em algo mais consistente, mais prestigiado e mais influente no plano internacional.

BEM-VINDOS À “DEMOCRACIA” LÍBIA




Pepe Escobar, Asia Times Online - Tradução: Vila Vudu - em Maria Frô

O Grande Gaddafi nem bem deixou o complexo de Bab-al-Aziziyah, e os abutres ocidentais já sobrevoam o local, disputando o “grande botim” – o petróleo e o gás da Líbia [1].

A Líbia é peão muito mais crucialmente importante num tabuleiro ideológico, geopolítico, geoeconômico e geoestratégico mais sério, do que deixa ver o reality show moralista vendido como noticiário pelas redes de televisão: ‘rebeldes’ idealistas vencem o Inimigo Público n.1. Tempo houve em que o inimigo público n.1 foi Saddam Hussein; depois, Osama bin Laden; hoje é Muammar Gaddafi; amanhã será o presidente Bashar al-Assad da Síria; um dia será o presidente do Irã Mahmud Ahmadinejad. Só uma coisa é certa: a ultra reacionária Casa de Saud nunca é o inimigo público n. 1.

Como a OTAN venceu a guerra

Apesar do reaparecimento espetacular do filho de Gaddafi, Saif al-Gaddafi, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) virtualmente já venceu a guerra civil líbia (“atividade militar cinética”, como insiste a Casa Branca). As massas do “povo líbio” foram, no máximo, espectadoras, ou atores com papel pequeno, mostrados sob a forma de poucos milhares de ‘rebeldes’ armados com Kalashnikovs.

Inicialmente, apostaram em “R2P” (“responsabilidade de proteger”). Mas, logo no início, essa “R2P”, manobrada por França e Grã-Bretanha e apoiada pelos EUA, já apareceu convertida, por passe de mágica, em “mudança de regime”. Daí em diante, as estrelas do show nessa produção foram “conselheiros”, “empresas contratadas” ou “mercenários” ocidentais e monárquicos.

A OTAN começou a ganhar a guerra, ao iniciar a Operação Sirene no Iftar – sirenes que soaram interrompendo o jejum do Ramadan – no sábado à noite. “Sirene” foi o nome código para invadir Trípoli. Foi o gesto final – e desesperado! – da OTAN, para mostrar força, quando ficou claro que os “rebeldes” caóticos nada haviam conseguido, nem depois de cinco meses de luta contra as forças de Gaddafi.

Até aquele momento, o ‘plano A’ da OTAN era assassinar Gaddafi. O que os garotos-propaganda da R2P – de direita e de esquerda – chamavam de “pressão continuada pela OTAN” acabou com a OTAN pedindo a Deus que acontecesse um de três milagres: que conseguissem assassinar Gaddafi; que Gaddafi se rendesse; ou que sumisse.

Não que qualquer desses resultados tivesse impedido a OTAN de bombardear residências, universidades, hospitais e até áreas bem próximas do Ministério do Exterior. Tudo – e todos – virou alvo da OTAN.

A “Operação Sirene” mostrou elenco colorido de “rebeldes da OTAN”, fanáticos islâmicos, jornalistas alugados ‘incorporados’, grupos sempre voltados para as câmeras de televisão e jovens da Cyrenaica manipulados por desertores oportunistas do governo Gaddafi, de olho nos gordos cheques das gigantes Total e BP, do petróleo.

Para a operação “Sirene”, a OTAN trouxe armamento (literalmente) novinho em folha: helicópteros Apache atirando sem parar e jatos bombardeando furiosamente tudo que havia à vista. A OTAN supervisionou o desembarque de centenas de soldados de Misrata na costa leste de Trípoli, enquanto um navio de guerra da OTAN distribuía armamento pesado para os ‘rebeldes’.

Só no domingo, o número de civis mortos pode ter chegado a 1.300 em Trípoli, com pelo menos 5.000 feridos. O Ministério da Saúde anunciou que os hospitais estão superlotados. Quem, àquela altura, ainda acreditasse que o furioso bombardeio pela OTAN tivesse algo a ver com “responsabilidade de proteger” e Resolução n. 1.972 da ONU merecia internamento em hospício.

Antes de iniciar a “Sirene”, a OTAN bombardeou furiosamente Zawiya – cidade chave, de grande refinaria de petróleo, 50km a oeste de Trípoli. Com isso, a população de Trípoli ficou sem combustível para os carros. Segundo a própria OTAN, pelo menos metade das forças armadas líbias foram “degradadas” – em língua do Pentágono, significa que a OTAN destruiu metade do exército líbio, entre soldados mortos ou muito gravemente feridos. Foram dezenas de milhares de mortos. Esse massacre explica também o misterioso desaparecimento dos 63 mil soldados encarregados de defender Trípoli. E também explica que o regime de Gaddafi, que se manteve no poder durante 42 anos, parece ter caído em menos de 24 horas.

O toque da “Sirene” macabra da OTAN – depois de 20 mil missões e mais de 7.500 ataques contra alvos no solo – só foi possível por causa de uma decisão crucial do governo Barack Obama no início de julho, como se lê hoje no Washington Post: os EUA passaram [em julho] a “partilhar material mais sensível com a OTAN, inclusive imagens e sinais interceptados, que passaram a ser fornecidos, além de aos pilotos no ar, também a soldados de equipes britânicas e francesas de operações especiais no solo” [2].

Quer dizer: sem a contribuição do descomunal poder de fogo dos EUA e correspondentes agentes, satélites e aviões-robôs (drones) tripulados à distância, a OTAN ainda estaria atolada na Operação Pântano Eterno Sem Saída na Líbia –, e o governo Obama jamais conseguiria extrair desse drama “militar cinético” nem, que fosse, algum simulacro de grande vitória.

Quem são essas pessoas?

Quem são essas pessoas que, de repente, irromperam em festas nas telas de televisão dos EUA e Europa? Depois de sorrir para as câmeras e disparar tiros de Kalashnikovs para o alto… preparem-se para, em breve, outros fogos explodindo na noite: fogos fratricidas.

Conflitos étnicos e tribais estão a ponto de explodir. Muitos dos berberes das montanhas do oeste, que entraram em Trípoli vindos do sul no fim de semana, são salafitas linha (muito) dura. O mesmo se deve dizer da ‘nuvem’ salafitas/Fraternidade Muçulmana da Cyrenaica – que recebeu instrução diretamente de agentes da CIA-EUA que estão na região. Dado que esses fundamentalistas ‘usaram’ os europeus e norte-americanos para aproximar-se do poder, ninguém duvide que se organizarão rapidamente como furioso grupo guerrilheiro, caso sintam-se marginalizados pelos chefões da OTAN.

A tal grande ‘revolução’ com base em Benghazi, que foi vendida ao ocidente como movimento popular, sempre foi mito. Há apenas dois meses, os ‘revolucionários’ armados mal chegavam a 1.000. A OTAN então decidiu construir ela mesma um exército mercenário – que reuniu os tipos mais assustadores, de ex-membros de um esquadrão da morte colombiano a pessoal recrutado no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos, associados a tunisianos desempregados e membros das tribos inimigas da tribo de Gaddafi. O pessoal é esse, acrescido de esquadrões de mercenários alugados pela CIA – salafitas em Benghazi e Derna – e a gangue da Fraternidade Muçulmana, gente da equipe da Casa de Saud.

É difícil não lembrar da gangue da droga do UCK (Ushtria Çlirimtare e Kosovës, Exército da Libertação do Kosovo) – na guerra que a OTAN ‘venceu’ nos Bálcãs. Ou dos paquistaneses e sauditas, com apoio dos EUA, que armaram “combatentes da liberdade” no Afeganistão nos anos 1980s.

E há também o muito suspeito grupo de personagens que compõem o Conselho Nacional de Transição [ing. Transitional National Council (TNC)], de Benghazi.

O chefe, Mustafa Abdel-Jalil, foi ministro da Justiça de Gaddafi de 2007 até desertar, dia 26/2/2011, estudou direito civil e sharia na Universidade da Líbia. Talvez esteja habilitado a cruzar lanças retóricas com os fundamentalistas islâmicos em Benghazi, al-Baida e Delna, mas pode usar seus conhecimentos para fazer avançar seus interesses em algum novo arranjo do poder.

Mahmoud Jibril, presidente do conselho executivo do TNC, estudou na Universidade do Cairo e, depois, na University of Pittsburgh. É a principal conexão com o Qatar: trabalhou na gestão do patrimônio de Sheikha Mozah, esposa super poderosa do emir do Qatar.
Há também o filho do último rei da Líbia, rei Idris, que Gaddafi derrubou há 42 anos (em golpe sem derramamento de sangue). A Casa de Saud adoraria ver nascer uma nova monarquia no norte da África. E o filho de Omar Mukhtar, herói da resistência contra o colonialismo italiano – figura mais secular.

O novo Iraque?

Esperar que a OTAN vença a guerra e entregue o poder aos ‘rebeldes’ é piada. A Agência Reuters já noticiou que uma “força-ponte” de cerca de 1.000 soldados do Qatar, Emirados e Jordânia chegará a Trípoli para atuar como polícia. E o Pentágono já começou a ‘vazar’ que militares norte-americanos atuarão “em terra” para “auxiliar na segurança dos equipamentos”. Toque sutil, que diz bem claramente quem realmente estará no comando: os neocolonialistas ‘humanitários’ e seus asseclas árabes.

Abdel Fatah Younis, o comandante ‘rebelde’ assassinado pelos próprios ‘rebeldes’ era homem do serviço secreto francês. Foi morto por uma facção da Fraternidade Muçulmana – exatamente quando Sarkozy, o Grande Libertador de Árabes, tentava negociar algum acordo com Saif al-Islam, filho de Gaddafi formado pela London School of Economics e, ontem, renascido dos mortos.

Tudo isso para dizer que os grandes vencedores são Londres, Washington, a Casa de Saud e o Qatar (que mandou jatos e “conselheiros” e já estão administrando as vendas de petróleo). Com especial menção para o conjunto Pentágono/OTAN – posto que o Comando dos EUA na África (Africom) conseguirá afinal sua primeira base africana no Mediterrâneo; e a OTAN, que está um passo mais próxima de declarar o Mediterrâneo “um lago da OTAN”.
Islamismo? Tribalismo? Esses são pequenos problemas, ante a nova terra da fantasia que se escancara para o neoliberalismo. Já praticamente ninguém duvida que os novos mestres do ocidente tentarão reviver versão amigável da nefasta, rapace, nefanda Autoridade Provisória da Coalizão [ing. Coalition Provisional Authority (CPA)], convertendo a Líbia em delírio neoliberal hardcore à custa de 100% das propriedades líbias, com repatriação de lucros, corporações ocidentais com os mesmos direitos que as empresas locais, bancos estrangeiros comprando os bancos locais, renda baixa para os pobres e impostos idem para as empresas.

Simultaneamente, a fissura profunda que separa o centro (Trípoli) e a periferia, pelo controle dos recursos de energia, se aprofundará. BP, Total, Exxon, todas as gigantes ocidentais do petróleo serão fartamente recompensadas pelo Conselho de Transição – em detrimento de empresas chinesas, russas e indianas. E soldados da OTAN “em terra” certamente ajudarão a impedir que o Conselho saia da linha.

Executivos da indústria do petróleo estimam que demorará no mínimo um ano para que a produção de petróleo volte ao nível de antes da guerra civil, de 1,6 milhões de barris/dia, mas dizem que os ganhos anuais do petróleo renderão aos novos governantes cerca de US$50 bilhões de dólares/ano. Muitos estimam que as reservas líbias alcancem 46,4 bilhões de barris de petróleo, 3% do petróleo do mundo, equivalendo a cerca de $3,9 trilhões aos preços de hoje. As reservas conhecidas de gás líbio chegam a 5 trilhões de pés cúbicos.

No frigir dos ovos, “R2P” vence. O imperialismo humanitário vence. As monarquias árabes vencem. A OTAN como Robocop global vence. O Pentágono vence. Mas nem tudo isso satisfaz os suspeitos de sempre – que já pedem o envio de uma “força de estabilização”. E tudo isso enquanto os progressistas categoria ‘perderam-o-rumo-e-o-prumo’ em várias latitudes, continuam a louvar a Sacra Aliança entre neocolonialismo ocidental, monarquias árabes ultra reacionárias e salafitas hardcore.

Ainda não terminou. Só terminará quando a onça árabe aparecer p’rá beber água [3]. Seja como for, próxima parada: Damasco.

NOTAS:
[1] “O Grande Gaddafi”, Pepe Escobar, 20/8/2011, Asia Times Online (em português aqui).
[2] 22/8/2011, Washington Post, em inglês
[3] Orig. It ain’t over till the fat Arab lady sings. É um ‘dito’ popular: nada acaba antes de terminar. O autor introduziu nesse dito popular o adjetivo “árabe”, introdução que mantivemos na tradução aqui proposta [NTs].

OUTRAS PALAVRAS VÍTIMA DE VÍRUS




COMUNICADO DE OUTRAS PALAVRAS

Ataque visou atingir mídia colaborativa, mas está prestes a ser sanado. Site comunicará aos leitores eliminação da ameaça

O esforço de Outras Palavras para oferecer continuamente informação qualificada e análises não-convencionais sofreu um pequeno contratempo. Os servidor onde está instalado o site foi atacado, ontem à noite (22/8), por um vírus que está sendo chamado de counter-wordpress.

Estamos trabalhando intensamente, desde a manhã de hoje, para sanar o problema, que impede a publicação de novos textos e emite um alerta de perigo aos internautas.

O ataque sofrido por nosso site não visou Outras Palavras especificamente – mas os criadores do vírus podem ter agido com motivação de atingir a blogosfera. O agente do problema é um malware  (malicious software em inglês) que ataca especialmente sites e blogs construídos na plataforma WordPress.

Utilizada por dezenas de milhares de publicações alternativas e jornalistas-cidadãos em todo o mundo, o WordPress é gratuito e tem código aberto.

(…)

O vírus que nos atingiu encontrou uma vulnerabilidade no tema Arras.

Sua particularidade é enriquecer esteticamente os sites que o utilizam, valorizando o uso de imagens e permitindo empregá-las de forma flexível e criativa. Por volta das 18h desta terça-feira, o malware havia sido eliminado. Nossa base de dados não foi afetada: todos os textos e imagens publicadas voltarão a ser acessíveis em breve. Requisitamos ao eficiente sistema de monitoramento do Google, que primeiro identificou o ataque e fez o alerta, uma reavaliação, que deverá demorar cerca de 24 horas. É a melhor maneira de proteger nossos leitores.

(…)

O ataque não nos afetará. Estamos convencidos de que a comunicação compartilhada de qualidade será cada vez mais importante para uma nova cultura de transformação social que vai surgindo. Ela resgata os antigos valores da liberdade e igualdade, articulando-os, porém, com a busca autonomia e a ideia de que política não é algo que se delega – mas se pratica em ações quotidianas. Por isso mesmo, exige romper a superficialidade que caracteriza a mídia de mercado, e promover a investigação profunda dos grandes problemas coletivos.

Seguiremos nesse caminho de modo cada vez mais participativo. Faremos nova comunicação, assim que o problema tiver sido superado.

Abraço forte

Antonio Martins, editor, pela Redação de Outras Palavras

ALMA DE VIAJANTE… POR TODO O MUNDO





Olá viajante,

O grande destaque deste mês de agosto é, sem sombra de dúvida, a grande viagem De Cabo a Cabo que o viajante-arquiteto Mateus Brandão está prestes a iniciar e que o levará do Cabo Norte, na Noruega, ao Cabo Agulhas, na África do Sul. A odisseia será acompanhada na integra em Alma de Viajante através de crónicas de viagem a publicar periodicamente - a primeira, em jeito de apresentação, chama-se Um prólogo de 6.000 km.

No mesmo registo, os viajantes Rafael Polónia e Tanya Ruivo prosseguem a sua épica viagem de bicicleta até Macau, estando já às portas da China. No seu último relato falam das dificuldades de atravessar a Pamir Highway, no Tajiquistão.

De resto, os nossos incansáveis viajantes continuam a produzir belos escritos, desta feita centrados no continente europeu. Humberto Lopes fala-nos de uma Veneza de múltiplas explorações sensoriais, enquanto Ana Isabel Mineiro calcorreia trilhos nas lindíssimas paisagens do Parque Nacional da Suíça Saxónica, na Alemanha.

E como o tempo é de verão, fomos ainda à procura de pequenos refúgios em Portugal onde valha a pena deixar o tempo passar - é o caso das unidades de turismo rural Aldeia da Cuada, na ilha das Flores, e Monte dos Pensamentos, em Estremoz.

Grande abraço e boas viagens,

Filipe Morato Gomes

DE CABO A CABO – PRÓLOGO DA VIAGEM

Falta menos de uma semana para a partida da grande viagem De Cabo a Cabo. O dia está próximo, mas o tempo é de serenidade. Com um percurso de 6.000 km a efetuar de comboio até ao ponto mais a norte da Europa continental, o prólogo até ao km 0 da viagem será, ele também, uma bela jornada iniciática. Para começar em grande esta odisseia que me levará ao extremo sul do continente africano.

CHINA E BRASIL PROCURAM ALCANÇAR POSIÇÃO COMUM DOS BRICS




PNE - LUSA

Pequim, 24 ago (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Yang Jiechi, falou hoje por telefone com o homólogo brasileiro, Antonio Patriota, sobre a atual situação na Líbia de modo a alcançarem uma posição comum dos BRICS.

De acordo com a agência oficial chinesa, Yang garantiu que a "China considera que a paz e a estabilidade deverão ser restauradas o mais depressa possível para se iniciar um processo político livre", perante os acontecimentos das últimas horas que apontam para uma mudança de Governo a favor dos rebeldes.

Sobre a posição da ONU em relação ao conflito, criticada há meses por Pequim, Yang afirmou que a China apoiará o organismo internacional no pós-guerra e exortou os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a desempenharem um "papel protagonista" no aspeto humanitário.

O ministro chinês pediu ao Brasil para "ser o principal aliado da China na reconstrução da Líbia", e declarou que o gigante asiático deverá "garantir a segurança dos estrangeiros e diplomatas", ideia com a qual Patriota concordou plenamente, segundo a Xinhua.

Macau: CRIMINALIDADE VIOLENTA CRESCEU 6,5 POR CENTO NO PRIMEIRO SEMESTRE




LUSA

Macau, China, 23 ago (Lusa) - A criminalidade violenta em Macau cresceu 6,5 por cento no primeiro semestre, disse hoje o Secretário para a Segurança do território, que justificou o aumento com o crescimento do setor do jogo e prometeu mais policiamento nas imediações dos casinos.

De janeiro a junho registaram-se mais 18 crimes violentos do que em igual período de 2010, num total de 297 casos, incluindo dois homicídios (o dobro em relação ao primeiro semestre do ano passado), 51 sequestros, dos quais 39 motivados por questões de jogo, e 11 casos graves de ofensas à integridade física (mais sete do que no período comparativo), revelou Cheong Kuok Va.

Ao sublinhar que os casos de sequestro na Região "têm mais a ver com a maior atividade nas proximidades dos casinos", Cheong Kuok Va afirmou que a Polícia Judiciária vai combater a criminalidade violenta com "mais policiamento" nas imediações dos espaços de jogo e "mais [circulação de] informações" entre as autoridades.

Nos crimes de tráfico e venda de droga houve menos três casos do que no primeiro semestre de 2010, o que se refletiu num decréscimo de 4,8 por cento.

Porém, o Secretário para a Segurança reafirmou o combate a este tipo de crime, até porque em julho e agosto - fora do período analisado - as autoridades anunciaram várias operações nesse sentido, incluindo o desmantelamento de uma fábrica de "ice" (novo tipo de droga) e a detenção de mais de 30 suspeitos implicados no caso.

No que respeita ao combate de droga "temos trocado informações com as autoridades policiais vizinhas [da China Continental e de Hong Kong] e internacionais", explicou Cheong Kuok Va, ao referir o objetivo de "adquirir mais aparelhos sofisticados para instalar no aeroporto" de Macau, a fim de diminuir a entrada de substâncias ilícitas na Região.

Díli: Primeira conferência Ásia-Pacífico para debater transparência da indústria extractiva




LUSA

Díli, 24 ago (Lusa) -- A primeira Conferência Regional da Ásia-Pacífico sobre a Iniciativa da Transferência das Indústrias Extractivas (ITIE), dedicada ao tema "Timor-Leste um modelo de Transparência", vai decorrer em Díli entre quinta e sexta-feira.

Na conferência, que vai ter lugar no Centro de Convenções da capital timorense, vão estar representantes dos Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a Associação das Nações do Sudeste Asiático, g7+ e dos países que estão a implementar a Iniciativa da Transparência das Indústrias Extractivas.

Segundo um comunicado do governo timorense, a "ITIE vai ser discutida como padrão global de transparência e de grande responsabilidade nos países com petróleo, gás natural e outros recursos minerais".

A ITIE "surge no âmbito do estabelecimento de uma prática que promova a transparência e responsabilização dos países, através da publicação e verificação dos fundos de produção de gases e minerais entregues ao governo pelas companhias", acrescenta o documento.

A ITIE é uma coligação internacional composta por países, doadores, empresas ligadas à indústria extrativa, organizações da sociedade civil, investidores e organizações internacionais.

No âmbito daquela iniciativa, Timor-Leste ocupa como país cumpridor o primeiro lugar na Ásia e o terceiro a nível mundial, acrescenta o documento.

Timor-Leste: XANANA GUSMÃO RECEBEU O MINISTRO DA DEFESA DA GUINÉ-BISSAU





O Ministro da Defesa e Segurança, e Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão recebeu ontem, dia 23, o Ministro da Defesa e dos Combatentes da Liberdade da Pátria da Guiné-Bissau, Ocante da Silva, no Palácio do Governo.

Deste encontro entre os dois ministros da Defesa veio a possibilidade de aprofundar as relações em domínios sectoriais, que estão neste momento em análise, de forma a estreitar as possibilidades de colaboração e, ao mesmo tempo, contribuir para o reforço da amizade entre os dois povos. De acordo com o governo, o objectivo passa por reforçar a cooperação entre os dois países.

“Timor-Leste e Guiné-Bissau têm mantido excelentes relações, quer no âmbito bilateral quer no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), portanto apesar da distância geográfica que nos separa, há espaço para que possamos, em conjunto, explorar e desenvolver áreas significativas de cooperação entre os dois países”, diz Ocante da Silva.

O apoio e solidariedade no processo de consolidação da Paz em Timor-Leste foi outro dos temas prioritários entre os dois líderes, assim como o processo de desenvolvimento do próprio país.

SAPO TL com Governo Timor-Leste

Timor-Leste – Educação: KIRSTY GUSMÃO PASSOU DOS ATAQUES DISSIMULADOS À AÇÃO




A propósito do ataque à língua portuguesa em Timor-Leste e do debate e esclarecimentos que o Página Global tem procurado provocar, a página online do Instituto Internacional da Língua Portuguesa dispensou atenção e fez referência sob o título “A Inconstitucionalidade ronda a língua portuguesa no Timor-Leste”, salientando:

“A população Timorense começa a emanar seu descontentamento e reprovação com a medida imposta pelo governo do Timor-Leste, de  terminar com o ensino da língua portuguesa nas séries iniciais.” Deixando a ligação a um dos títulos que publicámos sobre o tema e que reproduzimos num breve trecho:


A língua portuguesa foi banida do ensino primário em Timor-Leste por decreto-lei arquitetado pelo governo de Xanana Gusmão-Kirsty Gusmão. A notícia é da PNN no Timor Digital, com o título: Timor-Leste: REFORMA NO ENSINO BÁSICO PRETENDE ABOLIR LÍNGUA PORTUGUESA, que publicámos.

Há imenso tempo que é interpretado que Kirsty Sword Gusmão vem tecendo a teia que visa banir a língua portuguesa de Timor-Leste, da condição de ser idioma constitucional em parceria com o tétum. Algumas peripécias foram atempadamente denunciadas no Timor Lorosae Nação, entre outras publicações. É também voz corrente em Timor-Leste, principalmente em Díli, as verdades e exageros sobre a inimiga figadal da língua portuguesa no país: Kirsty Sword Gusmão, mulher do PM Gusmão. Acresce a evidência de mais cedo que tarde, uma vez banida a língua portuguesa, ser introduzido o inglês. Idioma que visa cilindrar as línguas maternas de Timor e ganhar a predominância. É exatamente esse o ónus do objetivo apontado à mulher do PM. Fato é que Kirsty, nomeada Embaixadora Edukasaun  por Ramos Horta logo que aquele tomou posse como Presidente da República, nega veementemente tal fato e diz-se até uma acérrima defensora da língua portuguesa. Sendo verdade que fala e escreve quase corretamente português.

Entre aquilo de que acusam a Embaixadora e o que vem acontecendo sincopadamente nos ataques ao idioma português naquele país, podemos verificar que os argumentos são quase sempre espúrios. Chegando ao ponto de o português ser a causa, parece que única, do insucesso escolar dos alunos timorenses, pretendendo omitir que esses mesmos alunos o que têm é debilidades alimentares a que muitas vezes podemos denominar fome no cariz gravoso da expressão. Muitos alunos não dispõem de infraestuturas escolares com um mínimo de condições – vide foto acima. Têm também quotidianos vividos em famílias disfuncionais devido às carências de que são vítimas. Como é o caso do desemprego, doenças, subnutrição, etc., etc. Dificilmente as crianças com aquele tipo de más vivências conseguem ter cabeça para obter bons aproveitamentos escolares. Mas disso a Embaixadora não fala. Se acaso lhe perguntarem afirmará a pés juntos que fome não há em Timor-Leste!" - (LER MAIS)

Na verdade, considerando o ataque à língua portuguesa em Timor-Leste, que Kirsty Sword Gusmão tem personificado – primeiro dissimuladamente e agora cada vez mais a dar a cara – tomando o lugar de primeira figura do lobie anglófono, acreditam os timorenses e os portugueses que têm acompanhado as ações e polémica que visam malbaratar a língua em que o tétum se complementa, o português, que por parte de Portugal, das instituições vocacionadas para a área da educação, deve haver intervenção que esclareça e rebata argumentos de ordem técnica e pedagógica sobre a matéria e sobre aquilo que está a acontecer. Deste modo também o apoio efetivo de Portugal à defesa da identidade timorense é imprescindível, desde que seja essa a vontade dos timorenses. Que manifestamente é o caso.

O governo AMP de Gusmão cedeu ao lobie anglófono após as imensas pressões de Kirsty Sword Gusmão e de umas quantas personalidades operacionais desse lobie, de nacionalidade anglófona ou pró-anglófona. A cedência verificou-se há menos de um ano porque é sabido que anteriormente, numa das reuniões realizadas em casa de Xanana Gusmão, em Balibar, Xanana foi peremptório em afirmar que o português estava muito bem a par do tétum, contrariando a sua mulher e ativista do lobie anglófono. Cedeu agora, aprovando um decreto-lei cuja legalidade é duvidosa e dita ilegal por entendidos, provando que é muito difícil e complicado adormecer e acordar ao lado de um lobie, ainda para mais tão ativo.

Por todas as intenções sub-reptícias que se vislumbram e agora até são mais evidentes nos argumentos bacocos do referido lobie anglófono, o IILP, outras instituições credenciadas em educação, professores e sábios na matéria não devem ficar sem participar, sem esclarecer, sem tomar a posição por que os timorenses esperam, ou seja: que toda a legalidade seja reposta no caso de se verificar o contrário (como está prestes a ser o caso) e que o tétum e o português vigorem como consta na Constituição. “A língua portuguesa em Timor-Leste, a par do tétum, não nos foi imposta mas sim escolhida por nós.” Esta é uma frase de uma intelectual timorense, Ângela Carrascalão, quando manifestou a sua opinião em participação no Página Global. Esta é a verdade simples mas muitíssimo objetiva nas palavras de uma timorense. O que está a acontecer é um atropelo à Constituição e á escolha timorense.

O Página Global prepara uma intervenção para breve que relata atitudes menos democráticas e até de manipulação por parte do lobie anglófono encabeçado pela mulher do PM Xanana, Kirsty Gusmão, naquilo que deixa perceber em reuniões que visam procurar justificações para prosseguir os seus objetivos. A seu tempo daremos conhecimento. Por agora esperamos que os que intervêm na educação em Timor-Leste, seja de que modo for, saibam tornar tudo muito mais esclarecido e acessível ao entendimento do cidadão comum timorense e até não timorenses que em TL ou no estrangeiro são indivíduos interessados na defesa dos direitos constitucionais de TL por acreditarem que é fundado na Constituição que é garantida a soberania do país e do povo. Tudo indica que importa pôr cobro ao avanço da ação de Kirsty Gusmão que antes era dissimulada e presentemente nem por isso. Prevendo-se que cada vez menos o será. Objetivo: abolição do português em TL, imposição do inglês. Evidentemente que os do lobie desmentirão. Que se espera? Se nada se fizer teremos a confirmação daqui por mais uns quantos anos.

*Redação, revisto por António Veríssimo.

Relações da Líbia com sul de África serão mais agressivas, diz investigador da Guiné-Bissau




FP - LUSA

Bissau, 24 ago (Lusa) -- As relações da Líbia com os países a sul do Sahara, nomeadamente a Guiné-Bissau, vão mudar, principalmente "o olhar, que vai ser crítico e agressivo", defende o professor Fafali Koudawo, reitor de uma universidade na Guiné-Bissau.

Doutorado em Ciências Políticas, reitor da universidade Colinas de Boé, investigador de origem togolesa, reconhece que a Líbia de Khadafi investia muito na Guiné-Bissau mas também diz que isso era apenas "uma infinitésima parte" do que era investido noutros países, como o Senegal ou o Burkina Faso.

Em entrevista à Agência Lusa, quando questionado sobre como serão as relações da Líbia com a Guiné-Bissau, numa altura em que os rebeldes reivindicam a tomada de Trípoli, respondeu: "As relações da Líbia com África não vão ser as mesmas nos futuros anos".

E explica que os rebeldes "até agora não têm nenhuma relação positiva com o sul do Sahara", pelo que vão olhar para os países da região com desconfiança, conotados que estão com o Khadafi, de quem recebiam apoio.

Mas também porque foram os rebeldes que decidiram, "até de uma maneira arrogante", ignorar a União Africana (UA), que com eles se quis encontrar e que eles sempre recusaram. "A UA foi humilhada pelo Conselho Nacional de Transição (rebeldes), que dizia que era um clube de gente que recebe dinheiro de Khadafi".

Na verdade, lembra, a UA foi criada tendo como um dos seus mentores o próprio Khadafi, e foi criada em Sirte, terra natal do coronel líbio.

Mas não só. Diz Fafali Koudawo que muitos sul-saharianos foram mortos na Líbia na zona controlada pelos rebeldes, "porque toda a gente que tinha pele escura era considerada mercenária a soldo de Khadafi".

Depois é preciso não esquecer que são pessoas que vão chegar ao poder "com a bênção do ocidente, da Europa, Estados Unidos, Nato, e vão ter de ter relações privilegiadas com esse clube antes de olhar para o sul, que é considerado por eles ainda não digno de confiança".

O sul do Sahara foi a última aposta de Khadafi, que começou por tentar "conquistar" o mundo árabe, depois os países vizinhos e só depois os países do sul do continente, onde investiu financeira e politicamente, "ocupando espaços" e criando relações íntimas com muitos deles, a Guiné-Bissau incluída.

Neste jogo político a Guiné-Bissau pouco representa e "com certeza se as relações mudam com o resto do continente mudam também com a Guiné-Bissau", que não perde muito em relação ao que perdem outros países mas que mesmo assim representa bastante tendo em conta as fragilidades do Estado.

"Mas um país deve saber substituir as suas fontes de receita. Penso que neste caso a Guiné-Bissau já reatou melhores relações com a comunidade internacional e saberá tirar proveito do facto de ter de novo um olhar positivo da comunidade internacional", defendeu.

Até agora a Líbia tem sido um dos principais parceiros da Guiné-Bissau, com apoios que vão da ajuda orçamental a equipamentos, alimentação, formação e bolsas para peregrinos se deslocarem a Meca.

Desde a posse de Malam Bacai Sanhá como Presidente foram vários os aviões que chegaram ao país carregados de computadores, geradores, viaturas e outro material.

Questionado sobre se a Guiné-Bissau e o seu Presidente deviam tomar uma posição, Fafali Koudawo garante que um país deve sempre posicionar-se de maneira construtiva, tendo nomeadamente em conta a liberdade, não apoiando um regime que é hediondo para o seu próprio povo.

*Foto em Lusa