segunda-feira, 30 de Abril de 2012

KADHAFI, SARKOSY E OUTROS QUE TAIS!




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Ao que parece o regime de Muammar Kadhafi aceitou em 2006 financiar com 50 milhões de euros a campanha de Nicolas Sarkozy às presidenciais de 2007.

No dia 29 de Novembro de 2011 escrevi aqui (onde mai poderia ser?) que a morte de Muammar Kadhafi, bem como dos seus principais colaboradores, seria uma bênção para os donos do mundo.

Isto porque, explicava, com tais mortes ninguém iria saber os negócios do líder líbio com alguns dos seus grandes amigos que, como José Sócrates, o consideravam um“líder carismático”.

Também não deixava de ter piada que a família de Muammar Kadhafi, a que restar, apresentasse, como disse que o faria, uma queixa no Tribunal Penal Internacional contra a NATO por "crimes de guerra".

Independentemente do facto de Kadhafi ter merecido, na minha opinião, morrer não uma mas uma dúzia de vezes, o que a NATO fez na Líbia (mas que não fará noutros países com ditadores bem mais facínoras) foi o exemplo acabado de que os donos do mundo conhecem a razão da força mas nunca ouviram falar da força da razão.

O antigo líder líbio, de 69 anos, que fugira de Tripoli em finais de Agosto do ano passado, foi capturado vivo (bem vivo, aliás) perto de Sirte (a 360 quilómetros da capital) e assassinado a tiro.

Que se saiba, embora não se tenha a certeza, não foi a NATO a dar o tiro de misericórdia a Kadhafi, embora todos tenham ficado a lucrar com o silêncio definitivo do líder líbio.

Certo foi que foram os aviões da NATO que dispararam contra a coluna de veículos em que seguia Kadhaf.

Embora o homicídio voluntário seja um crime de guerra previsto pelo artigo 8 do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, a NATO sempre dirá que naquele situação Kadhafi continuava a constituir uma ameaça para a Líbia, se calhar até para África ou, quem sabe, para o mundo inteiro.

Inicialmente dizia-se que a NATO estaria na região para, além de atirar a pedra e esconder a mão, proteger a população, excluindo sempre o objectivo de derrubar regime.

Como logo se viu, era uma treta como qualquer outra. Alguns países da NATO inundaram os rebeldes com todo o tipo de armas, deram-lhes instrução, planearam os ataques e coordenaram as acções com a Força Aérea da Aliança Atlântica. Tudo, é claro, para defender as populações e nunca para derrubar o regime.

Do lado da NATO estão, como sempre acontece com os vencedores, uma série de países, nem todos de forma sincera. Não será o caso dos europeus mas é, com certeza, o caso de muitos estados árabes que, com medo do cão raivoso, aceitaram (mesmo que contrariados) a ajuda do leão.

Quando se aperceberem (alguns já se aperceberam), o leão terá derrotado o cão e preparar-se-á para os comer a eles. O leão, como mais uma vez se confirma, não terá necessariamente de ter nacionalidade norte-americana.

Aliás, os homens do tio Sam são especialistas em criar leões onde mais lhes convém. Em certa medida Osama bin Laden, tal como Saddam Hussein, como Muammar Kadhafi, foram leões “made in USA”. Ao contrário do que pensam os ilustres operacionais da NATO, do FBI da CIA ou de qualquer coisa desse tipo, ninguém tem neste planeta (pelo menos neste) autoridade e poder ilimitados.

Os maus da fita, segundo os realizadores da NATO, poderão não ter a mesma capacidade bélica do que os EUA e seus aliados. Vão ser, continuam a ser, humilhados, sobretudo pelo número dos mortos que o único erro que cometeram foi terem nascido.

São as leis da razão? Não. São as leis dos instintos. Instintos que vão muito além das leis da sobrevivência. Entram claramente (tal como entrou Bin Laden ou Muammar Kadhafi) na lei da selva em que o mais forte é, durante algum tempo, mas nunca durante todo o tempo, o grande vencedor.

Seja como for, o Mundo Árabe só está do lado dos países da NATO por questões estratégicas, por opções instintivas. Bem ou mal, em matéria de razão, os árabes estão com os seus... e esses não são os nossos...

Pelo menos desde a Guerra dos Seis Dias, a aprendizagem dos árabes tem sido notável. Aceitam o que os donos do mundo definem como inimigos, enforcam até os seus pares com a corda fornecida pelo Ocidente, mas, na melhor oportunidade, vão enforcar americanos e europeus com a corda enviada de Nova Iorque, Paris ou Londres.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: ÀS VEZES OS JORNALISTAS SÃO NOTÍCIA

MNE TIMORENSE DESAFIA GOVERNO A AJUDAR PORTUGAL A SAIR DA CRISE



NV - Lusa

Lisboa, 30 abr (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Zacarias da Costa, desafiou hoje o seu governo a ajudar Portugal a sair da crise económica em que se encontra, lembrando que as autoridades portuguesas sempre foram generosas no auxílio aos timorenses.

"Louvo Portugal pela ajuda que deu a Timor-Leste. (...) Entre 1999 e 2009 foi o maior doador, com 467 milhões de euros", disse o ministro, considerando que chegou a altura de as autoridades timorenses tomarem a iniciativa de ajudar Portugal "para não ser sempre o mesmo (país) a puxar os cordões à bolsa".

Zacarias da Costa, que falava no lançamento, em Lisboa, do livro "Por Timor -- Memórias de Dez Anos de Independência", coordenado por Sónia Neto, não pormenorizou o tipo da ajuda a conceder a Portugal, mas sublinhou que é "um desafio que deixa aos colegas de governo".

Sobre o livro, de que é coautor, com um dos 51 testemunhos ali reunidos, o ministro timorense referiu que "a vida de uma nação é feita de etapas" como as relatadas no livro hoje lançado no Museu do Oriente, depois de uma primeira cerimónia de lançamento em Bruxelas, no passado dia 26.

Como apresentador da obra e igualmente autor, esteve também o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado, o primeiro governante português a pisar solo de Timor-Leste depois de 1975, quando o território foi ocupado por forças indonésias, que ali se mantiveram até 1999, quando os timorenses votaram pela independência, restabelecida a 20 de maio de 2002.

Numa intervenção improvisada, Luís Amado referiu que o processo de Timor-Leste é feito de "paixão, emoção e razão" e da sua experiência contou, pela primeira vez em público, que foi a imagem de destruição em que o país se encontrava que o fez "subir a fasquia" na reunião de doadores em Tóquio.

"Anunciei que Portugal contribuiria com 40 milhões de dólares (30,2 milhões de euros) para o Trust Fund de Timor-Leste, o mesmo que o Japão, um país rico, em cuja capital decorria a reunião", disse Luís Amado, então secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, confessando que nada tinha combinado com o ministro nem com o primeiro-ministro.

Do "impulso" resultou alguma intranquilidade, só resolvida quando falou com António Guterres sobre os 40 milhões de dólares prometidos.

"Fizeste bem", foi a tranquilizante resposta de Guterres, recordou Amado suscitando os aplausos e risos dos participantes na cerimónia, que foi aberta por Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente.

Entre os oradores, estiveram ainda a embaixadora de Timor-Leste em Portugal, Natália Carrascalão, que considerou o livro de Sónia Neto "um tributo ao povo timorense", que vai "ajudar a escrever a história" do país.

A coordenadora da obra, Sónia Neto, agradeceu os 151 contributos que integram o livro e destacou que Portugal encontrou em Timor-leste um dos sucessos mais improváveis da sua diplomacia contemporânea.

Sónia Neto ex-funcionária da missão das Nações Unidas em Timor-Leste, esteve seis anos no país, onde foi também chefe de Gabinete de José Ramos-Horta, quando este era ministro dos Negócios Estrangeiros.

Atualmente é conselheira do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Destaque Página Global

Timor-Leste: Mais de 80 bolseiros timorenses vão estudar na Universidade do Minho



MSE - Lusa

Díli, 30 abr (Lusa) - Mais de 80 estudantes de Timor-Leste vão partir durante esta semana para Portugal para realizarem licenciaturas, mestrados e doutoramentos na Universidade do Minho, informou à Lusa o ministro da Educação timorense, João Câncio.

"Vão partir 92 bolseiros para Portugal, mais de 80 vão para a Universidade do Minho e antes de começarem o ano letivo, em outubro, vão ter formação em língua portuguesa", afirmou à agência Lusa o ministro.

"Estamos a tratar de vistos para que comecem a sair esta semana", disse, salientando que a deslocação daqueles estudantes é feita ao abrigo da cooperação que existe com a Universidade do Minho.

O estabelecimento de ensino superior tem cooperado com a Universidade Nacional de Timor-Leste, nomeadamente na elaboração de currículos do ensino básico, secundário e pré-universitário.

Portugal: Grupo avançado de oito polícias parte na terça-feira para Timor-Leste



CMP - Lusa

Lisboa, 30 abr (Lusa) -- Um grupo avançado composto por oito polícias parte na terça-feira para Timor-Leste para integrar o contingente da missão integrada da ONU (UNMIT) naquele país, anunciou hoje a PSP.

Segundo a PSP, este grupo avançado, composto por três oficias e cinco chefes, tem como missão preparar a rotação do contingente da PSP na UNMIT, que deverá ocorrer no fim do mês de maio.

O contingente policial tem também como missão auxiliar a ONU e as autoridades timorenses no próximo processo eleitoral que ocorre no país, a 07 de julho.

Atualmente estão em Timor-Leste 39 elementos da PSP, entre oficias, chefes e agentes, integrados na missão UNMIT, sendo a polícia das Nações Unidas naquele país (UNPOL) coordenada pelo português Luís Carrilho.

A despedida do contingente de oito polícias está marcada para as 12:00 de terça-feira, no Aeroporto Internacional de Lisboa, e contará com a presença do diretor nacional da PSP, superintende Paulo Valente Gomes.

PORTUGAL – UMA DAS PLACAS GIRATÓRIAS AO DISPÔR DO BILDERBERG – I



Martinho Júnior, Luanda

O grupo BILDERBER, particularmente depois do 25 de Abril de 1974, nunca perdeu de vista Portugal: os elitistas mentores desse grupo, avaliaram que Portugal podia constituir uma das plataformas europeias capazes de desempenhar projecções para outras partes do mundo a partir de laços históricos e sócio-culturais acumulados ao longo de séculos, com maior dificuldade em termos de acessibilidade para outros, pelo que se o país pouco valor tinha em si para os mentores do elitismo global com tendência uni polar, tornava-se importante com a dimensão dessa projecção em especial na direcção de África, da América Latina, da Ásia e da própria Europa, uma “catapulta” a não desprezar!...

Portugal membro fundador da NATO apesar do fascismo, manifestou-se sempre como “euro-atlantista”, em função da disponibilidade dos Açores a favor dos aliados, o que foi sensível quer durante a IIª Guerra Mundial, quer em outras crises que desde então foram eclodindo em várias partes do mundo, particularmente no Médio Oriente.

Os Açores prenderam Portugal à concepção “Euro Atlântica” a concepção que é fluente na própria essência do BILDERBERG!

O BILDERBERG reúne anualmente personalidades dos dois lados do Atlântico, Estados Unidos e Europa, pelo que se coloca no eixo das influências dos “think tanks” elitistas, se tivermos em conta a emergência capitalista até à fase da construção do império nos termos actuais da globalização, segundo os pontos da vista da hegemonia unipolar, de cultura eminentemente anglo-saxónica

Precisamente por causa disso, se tornou possível àqueles que estiveram disponíveis para os processos considerados mais sensíveis não só nos espaços geográficos do norte Euro Atlântico, mas em direcção a outras partes do mundo, serem “repescados” para a influência do Club e tornarem-se expoentes de políticas afins, de conveniência e espelhando os interesses da aristocracia financeira mundial, em especial onde houver “emergência”, mesmo aquela “emergência” à primeira vista contraditória aos expedientes da hegemonia unipolar!

Durão Barroso é um dos personagens “iluminados” que provavelmente foram “repescados” não tanto pelo valor das suas concepções e obras ao nível interno de Portugal, mas sobretudo pelo seu papel no valor dos relacionamentos que Portugal com ele estabeleceu, quer em relação ao alinhamento Bush – Blair – Aznar nos Açores, quer particularmente no quadro das difíceis conversações de paz para Angola, numa época em que desaparecia do mapa o socialismo (salvo o que se expressava por via da resistente revolução Cubana) e se produziu por vi neo liberal a ditadura do império capitalista e enfeudado à aristocracia financeira mundial!

Não foi de estranhar pois a sua trajectória, exposta numa entrevista dum estudioso do BILDERBERG, Daniel Estulin, ao “Semanário”, a 12 de Janeiro de 2006 (http://portugalglobal.blogspot.com/2011/05/os-portugueses-do-club-bilderberg_29.html):

“Quais os portugueses que participaram na reunião de Bilderberg de Stresa, em 2004?

Francisco Pinto Balsemão, Pedro Santana Lopes, José Sócrates. A lista de participantes portugueses ao longo dos anos é bastante extensa, se considerarmos o tamanho do país.

Nessa reunião, face ao poderio e influência de Bilderberg e ao facto de ser um clube predominantemente europeu e americano, alguém defendeu Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia?

Recordo--lhe que Durão foi escolhido para a Comissão dias depois da reunião de Bilderberg.

Torna-se importante compreender que é irrelevante quem ocupa a cadeira de presidente da Comissão Europeia.
Durão Barroso representa os interesses do governo mundial.

Tanto Kissinger como Rockefeller apoiaram energicamente a candidatura de Durão Barroso para aquele posto.

Barroso também foi amplamente apoiado pelos bilderbergers americanos em Stresa, por este ter apoiado a intervenção americana no Iraque.

No entanto, Durão foi resguardado.

Recorda-se da tão criticada cimeira dos Açores, justamente antes da Guerra do Iraque?

O consenso na altura foi no sentido de não considerar Durão Barroso um verdadeiro participante na cimeira.

Agora, começa tudo a fazer sentido.

Ele foi afastado para tornar a sua nomeação para a Comissão Europeia mais apelativa.

Desta forma, ele não fica ligado ao fiasco iraquiano.

Outro dos apoiantes de Barroso foi John Edwards, candidato a vice-presidente dos EUA, com John Kerry, que também esteve presente nas reuniões de Bilderberg.

Como nota de referência, tenho relatórios de várias fontes internas da reunião de Bilderberg que referem a fraca capacidade oral e a fraca personalidade de Barroso.

Decidiu-se mesmo limitar as suas aparições em público ao mínimo.

Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, chegou ao ponto de o chamar, off the record, indiscutivelmente o pior primeiro ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa”.

É ainda “o nosso homem na Europa” que perante a crise na Guiné Bissau, uma crise que está a despertar para o papel de Angola pelo menos nas regiões da África do Oeste e do Sudão, veio a correr a Luanda, oficialmente preocupado nos relacionamentos da União Europeia com Angola (“Durão Barroso em Luanda para reforço da cooperação” – http://www.radioecclesia.org/index.php?option=com_content&view=article&id=4722:durao-barroso-pode-reforcar-lacos-de-cooperacao-entre-angola-e-a-europa&catid=118:politica&Itemid=478), mas pessoalmente manifestar o seu apoio num quadro de relacionamento que se aproxima dos interesses e valores elitistas e se afasta dos interesses e valores entre os povos (“Durão Barroso reafirma que UE não vai reconhecer regime saído do golpe militar” – http://paginaglobal.blogspot.com/2012/04/durao-barroso-reafirma-que-ue-nao-vai.html).

Também aqui a hipotética “harmonia” é de subsistência duvidosa:

Até que ponto os interesses ocidentais em África, com ou sem BILDERBERG, alguma vez se aproximam do interesse dos povos africanos na sua luta contra o subdesenvolvimento crónico em que a história os deixou?

Alterou substancialmente a Europa, tendo em conta os exemplos da Líbia, do Sudão, da Somália, do Mali, da Costa do Marfim, da Guiné Conacry, da Guiné Bissau, os seus pontos de vista em relação a África?

Alterou o império (Estados Unidos e Europa), a lógica capitalista que serve de esteio ao domínio dos poderosos, sobretudo os financeiramente poderosos?

A via elitista, começa a conduzir Angola para “procurações” que lhe são historicamente “contra natura” e, quando me refiro à necessidade de Angola rever o seu papel em África, voltando-se sobretudo para si própria e para a região SADC, é evidente que coloco uma questão que é fulcral para o crescimento em curso, para a sua “emergência”: qual o preço que o povo angolano tem de pagar pelo eclipse da lógica com sentido de vida e que paz afinal está a ser erguida, com bastante labor é certo, com ainda tantos sacrifícios consentidos e com tanta paciência, dez anos depois do calar das armas?

Insisto que a paz não pode ser apenas o calar das armas, nem uma “emergência” cujo crescimento só está a ser possível por que persegue uma via elitista, aproveitando o espectro favorável da conjuntura dos relacionamentos Estados Unidos – União Europeia – Portugal – Angola, uma conjuntura de bancos e interesses alguns deles tentáculos do BILDERBERG, um processo que resulta frágil e vulnerável quando confrontado até com o processo “Françafrique” (que também tem outros vínculos, inclusive no que diz respeito a tentáculos do BILDERBERG via França e Bélgica), que é um processo histórico de neo colonialismo com uma marca impressiva desde as independências africanas, de há 50 anos a esta parte e agora se abre às tendências expressas pela hegemonia unipolar no âmbito da própria globalização!

A paz só o será quando se encontrarem amplas soluções de equilíbrio e consenso, de integração e não de exclusão, quando se aprofundar o diálogo, quando a cidadania se assumir com outra substância e visibilidade, quando a participação ganhar espaço à representação, quando a justiça social pesar no conteúdo dos próprios estados e nos seus relacionamentos, a começar no relacionamento com os próprios povos, por mais marginalizadas que estejam ainda algumas das suas comunidades.

O movimento de libertação e a sua via com sentido de vida, merecem a oportunidade humanística em relação aos povos de África, na luta contra o subdesenvolvimento crónico que todos eles, sem excepção, têm de travar para fazer face a um contencioso histórico que não só reflecte as sequelas do passado, mas também reflecte o carácter elitista e pernicioso do BILDERBERG ao sabor das correntes neo coloniais que impactam África!

Refiro-me na generalidade, como me refiro ao que está a acontecer na Europa, em África, em Portugal, em Angola e, por tabela, no “fim da picada”: a Guiné Bissau!...

Foto: Durão Barroso na sua última visita a Luanda, indicando o pior dos caminhos!

A CONSULTAR:
- CLUB BILDERBERG – OS SENHORES DO MUNDO – http://macua.blogs.com/files/senhores-do-mundo-pdf1.pdf
- CONFERÊNCIAS BILDERBERG E A FREQÊNCIA PORTUGUESA DESDE 1988 – http://pt.scribd.com/doc/23164608/Conferencias-Bilderberg-e-a-frequencia-portuguesa-desde-1988

* Ver todos os artigos de Martinho Júnior – ligação também em autorias na barra lateral

CRISE NA GUINÉ-BISSAU COM DESENVOLVIMENTOS CONTRADITÓRIOS



FP (CFF/JSD) - Lusa, com foto

Bissau, 30 abr (Lusa) - A crise na Guiné-Bissau conheceu hoje novos e confusos desenvolvimentos, com a comunidade das nações da sub-região a impor sanções ao país, acusando o Comando Militar de falta de diálogo, e os "atores" políticos otimistas quanto a uma solução.

Na sequência do golpe militar de 12 de abril e das exigências impostas pela Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que o Comando Militar, autor do golpe, aceitou, tudo fazia prever que haveria um entendimento.

Foi na busca desse entendimento que militares e políticos da Guiné-Bissau partiram no sábado para a vizinha Gâmbia. Mas, depois de um dia sem notícias, hoje a CEDEAO anunciou que decidiu impor sanções contra os militares, porque o Comando "não deseja negociar".

"Depois de 12 horas de negociações" entre os países membros do grupo de contacto da CEDEAO e "uma só pessoa, o general António Indjai, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau e chefe do comando militar, tornou-se evidente que não deseja negociar e prefere claramente enfrentar as consequências", referia na manhã de hoje um comunicado citado pela agência France Presse.

Tal posição, com sanções ao país, indicava um retrocesso na tentativa de encontrar uma solução para a crise, mas esse não foi o espírito com que chegou a Bissau a delegação que esteve na Gâmbia, a começar pelo secretário permanente do PAIGC (maior partido, no poder até dia 12), Augusto Olivais, que admitiu a falta de consenso, mas mostrou-se esperançado numa saída para a crise.

"Tudo será resolvido", disse. E Fernando Vaz, porta-voz do fórum de partidos da oposição, explicou mesmo que acredita que a data para tal é quinta-feira, na cimeira de chefes de Estado de países da CEDEAO, em Dacar.

O responsável, à chegada também da Gâmbia, disse que há apenas uma questão em desacordo com a CEDEAO. "Dos sete pontos, já tivemos acordo em seis pontos. Só temos um ponto em que não chegámos ainda a um acordo, o ponto em relação à Presidência da Republica, mas naturalmente pensamos que vamos chegar a um acordo na quinta-feira", disse.

Jorge Borges, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, que também participou no encontro da Gâmbia, admitiu que "o ponto de discórdia" foi ser Raimundo Pereira (Presidente interino até dia 12) ou não a gerir o processo de transição.

Mas disse também que a CEDEAO admite o uso da força contra o Comando Militar e falou das sanções contra a Guiné-Bissau, impostas a partir da noite de hoje, esse também um ponto que Fernando Vaz desdramatizou.

Certo é que, nas palavras de Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde, houve em toda esta crise um "sinal positivo": a libertação na sexta-feira do Presidente interino, Raimundo Pereira, e do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que tinham sido detidos no dia do golpe.

Falou, no entanto, também de uma "situação complexa" na Guiné-Bissau e disse que em todo o processo a diplomacia "joga o seu papel, mas não é linear".

"Às vezes, as coisas não são fáceis. Às vezes, lemos um comunicado, vemos decisões e as pessoas que não estiveram nas reuniões poderão não saber que isso é fruto de negociações muito difíceis e complexas. Às vezes, o ótimo pode ser inimigo do bom", acrescentou Fonseca.

Em Bissau, que viveu hoje mais um dia de aparente normalidade, anunciam-se para terça-feira duas conferências de imprensa, uma dos partidos e outra do Comando Militar, que poderão ajudar a entender os confusos desenvolvimentos de hoje.

Guiné-Bissau: Uso da força admitido por países da África Ocidental -- MNE de Cabo Verde



Lusa

Cidade da Praia, 30 abr (Lusa) - A Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) admite o uso da força contra o Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau para aplicar as sanções aos golpistas, disse hoje o chefe da diplomacia cabo-verdiana.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), Jorge Borges, que participou no domingo num encontro de 12 horas" do grupo de contacto da CEDEAO com uma delegação guineense, realizada em Banjul (Gâmbia), garantiu que a comunidade da África Ocidental decidiu dar início às sanções, face à recusa dos golpistas em aceitar os moldes do regresso à ordem institucional, que passavam por manter Raimundo Pereira como Presidente interino.

"A CEDEAO vai impor sanções dirigidas aos membros do comando e aos civis que o apoiam. Vai haver sanções económicas, diplomáticas e financeiras à Guiné-Bissau, como país, e a CEDEAO tomará todas as medidas, incluindo o recurso à força, se for necessário, para aplicar as decisões", frisou.

Delegação que esteve na Gâmbia regressa a Bissau otimista quanto a solução para crise



FP – Lusa, com foto

Bissau, 30 abr (Lusa) - A delegação de militares e políticos da Guiné-Bissau que durante dois dias esteve reunida na Gâmbia chegou hoje Bissau otimista quanto a um desfecho da crise no país, decorrente do golpe de Estado de dia 12.

Os membros da delegação remeteram para a minicimeira de chefes de Estado da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), quinta-feira no Senegal, um possível desfecho para a crise, mas prometeram dar mais esclarecimentos na terça-feira.

Fernando Vaz, porta-voz de um grupo de partidos que tem estado a negociar com os militares, disse que na terça-feira serão dados todo os esclarecimentos sobre o encontro em Banjul com o grupo de contacto da CEDEAO, que decidiu hoje impor sanções contra os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau, considerando que o Comando Militar "não deseja negociar.

Guiné-Bissau: Fórum dos partidos da oposição confiante em resolução pacífica da crise



MB - Lusa

Bissau, 30 abr (Lusa) - O porta-voz do Fórum de partidos da oposição democrática na Guiné-Bissau afirmou hoje que a crise do país deverá ter uma solução na reunião de quinta-feira em Dacar, Senegal, que junta os chefes de estado de vários países da sub-região.

Fernando Vaz, que falava aos jornalistas à chegada da comitiva de políticos, religiosos e militares guineenses que estiveram numa reunião na Gâmbia, pediu calma aos guineenses mostrando-se otimista na resolução pacífica da crise que o país vive desde o golpe de Estado o dia 12 de abril.

Questionado sobre a visível descontração com que desembarcaram todos os elementos que estiveram na reunião da Gâmbia, mesmo sabendo que sobre o país pendem sanções internacionais, Fernando Vaz desdramatizou a situação.

"Viemos bem-dispostos porque estamos no barco que navega no meio do rio, ainda não atracou, ou seja, ainda não chegámos a uma resolução final. É preciso que as pessoas não entrem em pânico e que esperem até ao fim das negociações", observou o porta-voz do Fórum dos partidos da oposição democrática.

Na quinta-feira, Dacar, capital do Senegal, irá juntar mais uma vez os chefes de Estado de seis países da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para a busca de uma saída para a crise na Guiné-Bissau.

Fernando Vaz acredita que "o ponto ainda em desacordo" será resolvido na cimeira de Dacar para a qual diz esperar que a oposição guineense seja convidada. De acordo com Fernando Vaz, dos sete pontos em negociação entre os militares e os políticos já existem acordo em seis itens.

"Vamos tentar concluir aquilo que iniciámos aqui. Dos sete pontos, já tivemos acordo em seis pontos, só temos um ponto em que não chegamos ainda a um acordo, o ponto em relação à presidência da Republica, mas naturalmente pensamos que vamos chegar a um acordo na quinta-feira", disse Fernando Vaz.

"A CEDEAO deu-nos a escolher dois cenários e desses escolhemos um que finalmente não veio a ser adotado mas que julgamos vai ser adotado na quinta-feira. O cenário era da recondução de Raimundo Pereira como Presidente interino do país", declarou Fernando Vaz.

"A Guiné está em primeiro lugar, por isso procuraremos uma solução para bem de todos os guineenses", notou Vaz, desdramatizando mais uma vez as ameaças de sanções que a comunidade internacional anunciou contra os militares e políticos que apoiam o golpe de Estado.

"São sanções formais que vão ser automaticamente levantadas a partir de quinta-feira", afirmou Fernando Vaz. Na terça-feira o Fórum da oposição promete dar uma conferência de imprensa para trazer ao público mais detalhes do encontro de Banjul.

Dirigente do PAIGC acredita que apesar de divergências na Gâmbia "tudo será resolvido"



FP (CFF) - Lusa

Bissau, 30 abr (Lusa) - O secretário permanente do PAIGC, partido no poder na Guiné-Bissau até dia 12, afirmou-se hoje esperançado de que "tudo será resolvido" em relação à crise no país, apesar da falta de consenso numa reunião na Gãmbia.

Augusto Olivais falava aos jornalistas à chegada ao aeroporto de Bissau, depois de durante dois dias, com outros políticos e com o Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau, ter debatido na Gâmbia a situação de crise que o país atravessa.

"Fomos chamados para ouvir a posição da Cimeira de chefes de Estado da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental). Lamentamos muito que não houvesse assim um consenso, mas isso faz parte de uma situação como a que estamos a atravessar", disse.

Augusto Olivais remeteu mais esclarecimentos para um comunicado que a Gâmbia irá divulgar. "Não podemos adiantar mais do que isso, e dizer que ainda temos a esperança de que nós os guineenses vamos entender-nos, e faço votos de que sejamos capazes de superar toda esta crise", disse.

Sobre a questão de um próximo governo poder ser chefiado pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) disse que "isso depende de todos os guineenses, particularmente da classe política".

O grupo de militares e políticos, mais de 20 pessoas, partiu no sábado para a vizinha Gâmbia, onde se encontrou o Presidente Yahya Jammeh, numa tentativa de resolução da crise que o país atravessa.

A Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu hoje impor sanções contra os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau, considerando que o Comando Militar "não deseja negociar", segundo um comunicado da organização divulgado em Banjul.

"Depois de doze horas de negociações" entre os países membros do grupo de contacto da CEDEAO e "uma só pessoa, o general António Indjai, chefe de Estado maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau e chefe do comando militar, tornou-se evidente que não deseja negociar e prefere claramente enfrentar as consequências", refere o texto do comunicado citado pela agência France Presse.

"No final das discussões, nenhum acordo foi conseguido com o Comando militar e os seus aliados", acrescenta o texto, sublinhando que "a rejeição das posições do grupo de contacto significa a imposição de sanções" que começaram "à meia-noite de 29 de abril".

O comunicado precisa que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos sete países que compõem o grupo de contacto da CEDEAO para a Guiné-Bissau (Gâmbia, Nigéria, Benim, Cabo Verde, Guiné-Conacri, Senegal e Togo), que estiveram reunidos em Banjul desde domingo, irão entregar um relatório ao Presidente do grupo, o chefe de estado nigeriano Goodluck Jonathan.

Uma cimeira de chefes de Estado do grupo de contacto está agendada para 03 de maio em Dacar "para tomar todas as outras medidas necessárias, incluindo o uso da força para fazer aplicar as decisões da cimeira" de 26 de abril, em Abidjan, Costa do Marfim.

Angola considera "imperativa" a realização da segunda volta das presidenciais na Guiné



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 30 mai (Lusa) - A libertação do presidente interino e do primeiro-ministro da Guiné-Bissau é um "sinal positivo", mas torna-se "imperativa" a realização da segunda volta das eleições presidenciais guineenses, afirmou hoje o secretário de Estado das Relações Exteriores angolano.

Rui Mangueira, que falava aos jornalistas na Cidade da Praia após um encontro com o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, sublinhou que a situação político-militar guineense na sequência do golpe de Estado de 12 de abril é "muito delicada" e que quer Angola quer a Comunidade dos Países de Linga Portuguesa (CPLP, presidida por Luanda) têm tido um papel "muito ativo" nas negociações.

Salientando que a reunião com Jorge Carlos Fonseca nada teve a ver com a situação na Guiné-Bissau, mas sim com a questão da eleição do novo presidente da Comissão da União Africana (UA), Rui Mangueira indicou que falta ao Comando Militar que realizou o golpe de Estado aceitar outras duas exigências.

"A primeira situação já está resolvida, que era a libertação dos detidos (Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior). A segunda está a ser resolvida e tem a ver com o facto de o Comando Militar ter de aceitar os princípios do retorno à constitucionalidade", afirmou, reafirmando que esse retorno deve incluir o presidente interino e o primeiro-ministro.

"O nosso princípio mantém-se: o PAIGC (o partido no poder na altura do golpe militar) deverá ser uma força considerada em todo esse processo e devermos então pensar que a realização da segunda volta das eleições é um imperativo para a resolução da crise", frisou Rui Mangueira.

Sobre as acusações do Comando Militar à missão de conselheiros militares (Missang) que Angola vai retirar de Bissau, o governante angolano desdramatizou-as, sublinhando que, com 270 elementos, entre militares, médicos e polícias, "jamais poderia ameaçar as estruturas militares" guineenses.

"A Missang tem apenas 270 homens na Guiné-Bissau. É uma força meramente administrativa que esteve a formar e capacitar pessoas para se criar um sistema de segurança no país. Com 270 homens, a Missang jamais poderia ameaçar as estruturas militares dentro da Guiné-Bissau", respondeu.

Questionado pela Lusa sobre quais são, de facto, as razões do golpe de Estado ou se elas também passam pela questão do tráfico de droga associado à Guiné-Bissau, Rui Mangueira declinou responder.

"A essa questão não lhe posso responder. Os golpistas apresentaram as suas razões, mas nós pensamos que a Guiné-Bissau tem de entrar na ordem constitucional. Daí as exigências da comunidade internacional", respondeu, adiantando, por outro lado, que a retirada da Missang está prevista "para os próximos dias".

"Uma vez que não existem condições, a Missang vai sair e será substituída por uma missão da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), o que vai acontecer nos próximos dias", assinalou Rui Mangueira.

António José Seguro e Carlos Gomes Júnior discutem situação na Guiné-Bissau



PCR - Lusa

Lisboa, 30 abr (Lusa) - O líder do Partido Socialista (PS) António José Seguro contactou hoje com o primeiro-ministro e candidato presidencial da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, libertado na passada sexta-feira, refere um comunicado emitido pelos socialistas.

Durante a conversa telefónica com Gomes Júnior, que esteve detido na sequência do golpe militar de 12 de abril, o dirigente do PS "transmitiu a Carlos Gomes Júnior a satisfação pela sua libertação e reiterou a total disponibilidade do Partido Socialista português para colaborar com o PAIGC no sentido do restabelecimento da legalidade e da ordem constitucional na Guiné-Bissau", precisa o texto divulgado pelo gabinete de imprensa do PS.

De acordo com o comunicado, o PS tem "acompanhado de perto os esforços de vários dirigentes do PAIGC para a criação de condições políticas que permitam o retorno à normalidade democrática na Guiné-Bissau", e reitera a necessidade de cumprimento de todas as resoluções internacionais por parte dos revoltosos e espera que o processo eleitoral seja rapidamente retomado".

Os socialistas acrescentam ainda que o seu partido tem sido informado regularmente pelo governo português de todos os esforços políticos e de todas as diligências diplomáticas desenvolvidas pelo Estado português".

Os militares protagonizaram em 12 de abril um golpe de Estado na Guiné-Bissau, prendendo o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que acabaram por ser libertados na sexta-feira.

PARA LÁ DO ARCO-ÍRIS




Baptista-Bastos – Diário de Notícias, opinião

Dobro os olhos para antigamente, há trinta e oito anos, ontem, e não me reconheço nem àqueles rostos luminosos, a esperança à solta, o mundo e a vida tinham as nossas idades. Nada nos prende àquilo; tudo nos prende àquilo. Somos nós e não o somos. "Acabou a tua festa, pá!", cantou o Chico Buarque. Sobrou alguma coisa? Sobraram estes rostos desencantados, esta esperança cheia de ausências, este mundo velho e tonto. Mas ainda estamos aqui. Para o que der e vier.

As coisas não correram muito bem. As nossas ambições iam para lá do arco-íris. E pensávamos ter conquistado as extensões exemplares da felicidade ininterrupta. Não porque a Providência tivesse partilhado com todos o dom do sonho, mas porque assim pensávamos. A nossa exultação comprometia toda a gente? Nem toda; nós julgávamos que sim. Avaliámos mal a importância da alegria sentida, e talvez por isso o despertar e as consequências desse despertar tivessem a configuração de um pesadelo. Mas não sejas parco a pedir: tenta, sempre e sempre, atingir o inatingível.

Pessoalmente, embora magoado e ferido, nunca deixei de acreditar que a História caminha no sentido da libertação do homem, e que a esperança é capaz de ter sempre razão. A esperança não como uma questão de fé, sim como fisionomia da paixão. A esperança como uma ideologia, não como um dogma.

Há dias ouvi, rtp-1, o prof. João Lobo Antunes, num admirável diálogo com o bispo do Porto, comentar que os assassinos da esperança deveriam ser punidos. A esperança é a consciência de que as coisas estão ao nosso alcance; basta querermo-las, mas é preciso quere-las. Talvez, digo eu, esses assassinos tenham cometido o pior de todos os pecados: a degradação do eterno no que o eterno possui de mais temporal e de mais humano.

Claro que não nos reconhecemos naqueles rostos, então luminosos. Porém, a nossa alma, essa, ainda está lá, nesse vácuo e nesse resumo. E onde está a alma desta gente que nos governa e que nada a demove, desconhecedora da singularidade de cada qual, penetrada pelo mito da perenidade e pela imutabilidade das suas próprias decisões - onde está? Não perderam a grandeza: nunca a tiveram.

Há trinta e oito anos que me esperava, que nos esperava? As horas loucas de meses proliferantes; uma verdade que deixara de nos ser negada. Durou pouco; todavia, não fomos derrotados, nem estes que tais são vencedores: transeuntes, somente transeuntes. Éramos os protagonistas de uma história à altura do homem, e o homem dispunha de uma densidade criadora revalorizada a cada instante, em cada protesto, em cada acto. O nosso estado actual, acaso triste e até nefasto, é interregno para outra etapa do movimento. Já o escrevi. Repito-o: não há conquista sem luta nem luta sem sofrimento. Muitas vezes, um simples sinal, modesto, escasso vale uma vida.

E aqui estamos.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Portugal: Medidas de austeridade não podem prejudicar Educação - Ramalho Eanes



LFO - Lusa

Covilhã, 30 abr (Lusa) - O antigo Presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje ser importante que as medidas de austeridade aplicadas em Portugal não prejudiquem a área da Educação.

O general Ramalho Eanes falava no final da cerimónia em que recebeu o doutoramento Honoris Causa da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, por ocasião do 26.º aniversário da instituição do distrito em que nasceu, Castelo Branco.

O antigo Presidente reconheceu que, "em tempos de crise, as dificuldades estendem-se a todas as atividades públicas, nomeadamente à Educação".

No entanto, frisou ser "necessário que as medidas de austeridade não prejudiquem a coerência estratégica de desenvolvimento da Educação, para que o país tenha futuro".

O alerta é baseado na História Europeia, que, como sublinhou, mostra que a qualificação do capital humano "é indispensável para a produção de riqueza, mas também para a concretização da equidade" social.

Com um sistema educativo competente, Ramalho Eanes acredita que Portugal pode passar da atual situação de crise para outra em que seja "muito mais competitivo".

"Isso passa sobretudo pela qualificação da juventude", defendeu, considerando que "não há governo nenhum que não tenha que ter esta preocupação", embora sem fazer qualquer referência direta ao atual Executivo.

Já durante a intervenção na cerimónia oficial, o antigo Presidente da República tinha destacado a importância das universidades numa "nova era", em que cada pessoa se deve preparar para "tarefas imprevisíveis" e em que "o mesmo homem pode ter de mudar várias vezes na vida de aparelhagem mental".

Num mundo "cada vez mais globalizado e incerto", as universidades "devem contribuir para transformar o risco em oportunidades", realçou, apontando a UBI como um exemplo.

Questionado pelos jornalistas, Ramalho Eanes tratou de dissipar algum pessimismo sobre a situação do país que pudesse ser interpretado das palavras do padrinho de doutoramento, o ensaísta Eduardo Lourenço, entendendo-as antes como "um desafio".

"O futuro pode ser tenebroso se não se tomarem as medidas que se impõem, mas quem olha para a História não pode ser pessimista", destacou.

Natural da vila de Alcains, concelho de Castelo Branco, Ramalho Eanes foi aplaudido de pé por centenas de pessoas que encheram o Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde, na Covilhã, no momento em que recebeu o doutoramento Honoris Causa.

Na intervenção que fez de seguida, chegou a mostrar a voz embargada ao recordar os pais e as mais "profundas e gratas memórias" do seu "chão", que hoje o homenageava.

Ramalho Eanes sublinhou o " desenvolvimento extraordinário" registado na região, afirmando: "Não há semelhança nenhuma, em qualquer aspeto que seja, entre aquilo que era no meu tempo e aquilo que é hoje".

Na terra onde nasceu "sente-se que se procura o futuro, que há empenhamento nisso, o que naturalmente é gratificante", concluiu.

Paulo Portas inicia terça-feira visita de três dias ao Brasil para encontros empresariais



FYB – Lusa, com foto

São Paulo, 30 abr (Lusa) - O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, chega na terça-feira ao Brasil para uma visita de três dias, na qual se reunirá com empresários e membros do governo e participará em eventos da comunidade portuguesa.

O ministro, segundo o programa enviado para a Lusa, desembarca em São Paulo na manhã de terça-feira e, no mesmo dia, visita o Museu da Língua Portuguesa e participa num almoço na Casa de Portugal.

Na quarta-feira, Portas almoça com empresários brasileiros, reúne-se com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e com o vice-presidente da companhia aérea TAM. À noite, participa na abertura das comemorações do centenário da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil.

A Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil lança na quarta-feira uma nova identidade visual, durante a abertura oficial das comemorações do seu centenário, a que assistirá Paulo Portas e o presidente da instituição, Manuel Tavares de Almeida Filho.

A nova marca tem como objetivo sintetizar a contribuição da Câmara "para a consolidação das relações comerciais entre os dois países, aproximando os empresários portugueses que investem no Brasil", refere uma nota divulgada pela entidade.

Almeida Filho afirma que a nova identidade visual é inspirada no atual momento vivido pela instituição. "Estamos acelerando e potencializando nossas ações e a nova identidade traduz essa nova postura, mais dinâmica, pró-ativa e, principalmente, mais moderna", diz, também em nota.

A Câmara completa cem anos de fundação no próximo dia 23 de novembro e, no decorrer de 2012, a programação contará com edições dos chamados "almoços-debates", com a presença de empresários e políticos.

Na quinta-feira, o chefe da diplomacia portuguesa viaja para Brasília, onde terá encontros com o ministro brasileiro da Educação, Aloísio Mercadante, e com o secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira.