sábado, 15 de Outubro de 2011

Colóquio da Lusofonia condena posição portuguesa contra integração da Galiza na CPLP





Viagem dos Argonautas - Reunido recentemente na Vila do Poto, em Santa Maria, nos Açores, o XVI Colóquio da Lusofonia tomou posição a favor da continuidade da participação da Academia Galega da Língua Portuguesa na CPLP condenando a posição tomada por Portugal - que sempre apoiara a proposta para a AGLP integrar a CPLP com estatuto de observadora - de vetar a proposta de Angola para admissão da AGLP.

Na sequência do que foi criada a Petição-Carta Aberta a Paulo Portas, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que conta já mais de 800 assinaturas e à qual se juntou a AICL - Associação Internacional Colóquios da Lusofonia.

AICL REPUDIA EXCLUSÃO DA AGLP

Na ilha de Santa Maria, em Vila do Porto entre 30 de setembro e 5 de outubro, o XVI Colóquio da Lusofonia aprovou uma declaração de repúdio pela atitude de PORTUGAL OLVIDANDO SÉCULOS DE HISTÓRIA COMUM DA LÍNGUA, AO EXCLUIR A GALIZA - REPRESENTADA PELA AGLP - DO SEIO DAS COMUNIDADES DE FALA LUSÓFONA.

A GALIZA ESTEVE SEMPRE REPRESENTADA DESDE 1986 EM TODAS AS REUNIÕES RELATIVAS AO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO E O SEU LÉXICO ESTÁ JÁ INTEGRADO EM VÁRIOS DICIONÁRIOS E CORRETORES ORTOGRÁFICOS.

A SUA EXCLUSÃO À ÚLTIMA HORA DO SEIO DA CPLP REPRESENTA UM GRAVE ERRO HISTÓRICO, POLÍTICO E LINGUÍSTICO QUE URGE CORRIGIR URGENTEMENTE. 

A AICL entende que não faz sentido aceitar como observadores países sem afinidades diretas ou indiretas à Lusofonia, a Portugal e sua língua e deixar de fora a região onde nasceu a língua portuguesa há mais de dez séculos.

É um crime de lesa língua de todos nós.

A Língua que se fala na Galiza é uma variante do Português como a do Brasil, Angola, Moçambique e tantas outras, com a peculiaridade de ter sido o berço da mesma língua comum, e jamais houve exclusão por parte da CPLP das regiões lusofalantes do mundo.

Trata-se de uma medida obviamente ditada por preconceitos políticos e contra a qual a AICL se manifesta veementemente não só apoiando a subscrição da Petição como encorajando todos os seus associados e participantes nas suas iniciativas a protestarem publicamente contra esta injustiça feita à língua portuguesa e à AGLP.

Iremos manifestar o nosso desacordo de todas as formas possíveis e ao nosso alcance até ver reposta a equidade da proposta de admissão da Galiza através da AGLP no seio da CPLP.

Chrys Chrystello,

Presidente da Direção da AICL - Associação Internacional Colóquios da Lusofonia

Foto: Viagem dos Argonautas - Representante da Galiza na sua participação na reunião do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, órgão da CPLP

G20 DISCUTE SAÍDAS PARA CRISE NA EUROPA EM MEIO A PROTESTOS MUNDIAIS




DEUTSCHE WELLE

Lideranças econômicas do grupo querem que Alemanha, Brasil e China ajudem zona do euro a superar a crise. Enquanto solução ainda é incerta, mundo assiste a uma onda de manifestações.

Enquanto lideranças econômicas do G20 discutiam saídas para a crise da dívida na zona do euro, manifestantes foram às ruas em várias partes do mundo protestar contra os bancos e as duras medidas de austeridade que vêm sendo adotadas por alguns governos para conter seus déficits. Uma onda de protestos inspirada no Occupy Wall Street, dos Estados Unidos, ocorreu neste sábado (15/10) em cidades como Berlim, Roma, Bruxelas e Londres.

Após o encontro de dois dias em Paris, os representantes das 20 economias ricas e emergentes colocaram ainda mais pressão sobre os europeus, para que solucionem rapidamente a crise na zona do euro, evitando o contágio de outras economias. O grupo sugeriu que países que apresentam alto superávit – como Alemanha, China e Brasil – deveriam ajudar a economia global, impulsionando suas demandas internas.

"Aqueles que apresentam maiores superávits também devem implementar políticas para voltar o crescimento para suas demandas internas", afirmaram ministros das Finanças e chefes de bancos centrais em um comunicado ao final do encontro, referindo-se a "economias avançadas".

"Economias emergentes em superávit deverão acelerar a implementação de reformas estruturais para reequilibrar demandas por meio do aumento do consumo interno", ressaltou o comunicado, em referência à China e ao Brasil.

Papel do FMI

Os ministros das Finanças do G20 também defenderam o uso do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) para conter a crise da dívida. "Aguardamos decisões adicionais que aumentem a força do FEEF para controlar o contágio, bem como o resultado do encontro de cúpula da UE do dia 23 de outubro", afirmaram na declaração conjunta. Os líderes europeus devem se encontrar nesta data para apresentar propostas mais concretas para a saída da crise.

Os países do G20 comprometeram-se a continuar permitindo, por meio de seus bancos centrais, o acesso a crédito para que as instituições financeiras possam se capitalizar.

Eles também defenderam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponha de recursos "adequados" para enfrentar crises financeiras como a atual. De acordo com o ministro francês das Finanças, François Baroin, o assunto deverá ser debatido no encontro dos líderes políticos do G20 que será realizado entre os dias 3 e 4 de novembro em Cannes. Ele afirmou que os resultados deste encontro serão "decisivos". 

O papel do FMI diante da crise europeia ainda divide opiniões no G20. Durante os debates em Paris, as lideranças financeiras rejeitaram proposta do Brasil, da Índia e da China de elevar o capital da instituição, para que ela pudesse comprar títulos públicos de países com problemas orçamentários, como Itália ou Espanha, ou mesmo oferecer créditos para resgatar bancos. Os Estados Unidos posicionaram-se contrários à proposta.

Onda de protestos

As contínuas incertezas sobre os rumos da economia global motivaram uma onda mundial de protestos. Em Roma, quase 200 mil pessoas foram às ruas um dia após o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, ter obtido um voto de confiança da Câmara dos Deputados. A Itália – terceira maior economia da zona do euro – tem sido uma fonte crescente de instabilidade econômica no bloco por conta dos altos níveis de suas dívidas.

O governo de Berlusconi adotou um pacote de austeridade de 60 bilhões de euros para prevenir uma eventual necessidade de ajuda financeira ao país, assim como ocorreu com a Grécia, Irlanda e Portugal.

"Os jovens estão certos em se indignar. Eu os entendo", afirmou o presidente do Banco Central italiano, Mario Draghi, que em novembro assume a chefia do Banco Central Europeu.

Na Alemanha, onde a opinião pública tem se mostrado cética com relação ao resgate à Grécia, cerca de 5 mil pessoas protestaram em frente ao prédio da Chancelaria Federal em Berlim. Em Bruxelas, sede da União Europeia, cerca de 2 mil pessoas foram às ruas como forma de pressionar líderes europeus.

Na Austrália, ativistas de Sidney levantaram placas com os dizeres: "Não se pode comer dinheiro". Reino Unido, Japão, Nova Zelândia, Filipinas, Taiwan e África do Sul também foram palco de protestos.

MS/dpa/lusa/ap/afp

Indignados: NOVA IORQUE TAMBÉM JÁ MARCHA




CF – TVI 24

O movimento «Ocupar Wall Street» é um dos inspiradores deste levantamento mundial

Dando a volta ao mundo e com a diferença horária, quando uns protestos já terminaram, outros estão a começar. Em Nova Iorque, pouco passa das duas da tarde, mas meio milhar de pessoas já estão a marchar pelo centro financeiro de Nova Iorque, em protesto contra a «ganância empresarial».

Acompanhada por um numeroso cordão de polícias a pé e de mota, os manifestantes tocam tambores, cornetas e outros instrumentos musicais e empunham bandeiras vermelhas e norte-americanas e cartazes com mensagens como «nós somos os 99 por cento».

«A ganância empresarial tem de acabar» e «os bancos foram resgatados e nós fomos vendidos» são outras das palavras de ordem dos manifestantes.

A marcha decorre de forma pacífica, mas com alguns momentos de tensão, sobretudo quando passam por sedes de bancos ou balcões.

«Vergonha, vergonha» gritaram os manifestantes em frente ao banco Chase, imediatamente afastados pela polícia.

Outras manifestações menos numerosas, contra a guerra ou capitalismo, percorrem a baixa da cidade, devendo culminar junto a base do movimento «Ocupar Wall Street», no parque Zucotti.

Indignados: MADRID GRITA POR MUDANÇA




António Ferrari  - TVI 24 - 19: 56

Pessoas de todas as idades, famílias inteiras, operários, empresários, estudantes, desempregados, bolseiros saíram à rua

A vizinha capital de Madrid foi mais uma das muitas cidades que, neste sábado, se juntaram à onda mundial de protestos contra as medidas de austeridade. Os «indignados», como ficaram conhecidos os manifestantes nas últimas semana, envergam cartazes de protesto contra o actual modelo político e económico que governa o mundo ocidental.

Mensagens como «otro mundo es posible» ou «dictadura de mercados, no!» encheram a enorme rua de Alcalá, via nevrálgica da capital espanhola.

Tal como outras setecentas cidades do mundo inteiro, muitos milhares de madrilenos não faltaram à convocatória do movimento 15 M, que desde Março passado tem agregado inúmeros movimentos cívicos para protestar contra a actual crise financeira e a actual situação económica de Espanha. Afinal, tudo começou aqui.

O movimento organizou-se por assembleias de bairro que desfilaram pela capital espanhola ao longo da tarde. Os partidos políticos e os sindicatos ficam de fora deste protesto, mas todos foram convocados para se manifestarem individualmente. Isto numa altura em que a taxa de desemprego insiste em ficar perto dos 20%, a economia continua a arrefecer, e estamos a poucas semanas das eleições legislativas que, ao que tudo indica, irão conduzir a uma mudança de executivo depois de oito anos de governação socialista.

Pessoas de todas as idades, famílias inteiras, operários, empresários, estudantes, desempregados, bolseiros saíram à rua para depois se juntarem na mítica praça de Cibeles, no centro de Madrid, marcharam até à praça do sol, o quilómetro zero de Espanha.

«Sou uma indignada, penso que os políticos nos estão a enganar» explica-nos Araceli Terol, madrilena de gema, que está de passagem por Madrid, cidade que deixou há três anos para procurar uma vida melhor. É cada vez mais difícil para os jovens encontrarem um trabalho. «Parece mentira que no século XXI a minha geração tenha menos oportunidades que a dos nossos pais. Parece impossível», diz-nos Sara Bartolomé, 29 anos, desempregada há mais de quatro meses.

* Ver mais MUNDO no original

Indignados – TSF, MAIS VALE TARDE QUE NUNCA?




QUE SE PASSA NA TSF?

Encontrará mais em baixo título de nossa autoria (Portugal: TSF, RÁDIO FUTEBOL - EM DIA DE INDIGNADOS) que salienta a opção de prioridade da TSF em relatar um encontro de futebol previsivelmente sem história e irrelevante (o F. C. Porto venceu com 8 golos o Pêro Pinheiro) em vez de reportar em direto, como antes fazia, as movimentações contestatárias, ou outras, que suscitassem interesse público e sede de informação pelo órgão em que confiamos e a que habitualmente estamos fidelizados.

É indubitável que a TSF está a ficar diferente, para pior. Se não se cuidar passará a ser mais um produto branco da comunicação social em Portugal, como existe no resto do mundo e cada vez mais neste país. O ideal seria que este reparo, que não é só nosso, não caísse em saco roto. Porque para fazer como a TSF está a começar a fazer… nem precisamos dela no éter por mais uns tempos. Basta-nos a Rádio Renascença, a Antena 1 do governo… e todas as outras que existem mas que muitos ouvites sintonizam por velhos hábitos, ou para escutar o terço, por religiosidade cristã… perfeitamente aceitável e de respeitar.

A TSF servia para informar na hora em que acontecia. “Tudo o que se passa, passa na TSF”. Era o que acontecia. Acontecia, mas hoje não aconteceu. Foi só hoje? Opção errada e inadmissível numa rádio com uma história de invejar no capítulo do debate e da informação objetiva e imparcial. Um capital jornalistico e radialista que estão a permitir que sofra este tipo de prejuizo e “fugas” pelas ondas hertezianas malbaratadas.

Atualmente, pelo visto e não escutado, o que se passa nem sempre passa na TSF no tempo certo… Não se passa. E assim se perde informação. Os fundadores e pioneiros daquela rádio não merecem isto, muito menos o merece a fidelidade dos ouvintes, nem os bons profissionais que colocaram a TSF no topo da qualidade no seu género.

Seguem-se dois títulos provindos do site da TSF que já não é o que era (está a perder qualidades). Mais vale tarde que nunca? O figurino de hoje não nos permite para já responder pela afirmativa ou pela negativa. Veremos. A esperança é sempre a última a perder. (Fernando Silva – Redação PG)

Indignados: Nova manifestação a 26 de Novembro em Lisboa

TSF

Uma manifestação, idêntica à ocorrida este sábado em Lisboa, foi convocada para o dia 26 de Novembro, anunciou uma das oradoras que discursaram na concentração realizada junto à Assembleia da República.

À semelhança deste sábado, a concentração partirá do Marquês de Pombal às 15:00 horas.

Um outro orador afirmou, referindo-se ao conjunto de manifestações que decorrem em Portugal, que «estão mais de cem mil pessoas na rua».

Os organizadores da manifestação e a polícia têm-se escusado a avançar estimativas quanto ao número de participantes.

Presidente da AR disponibiliza-se para receber propostas dos manifestantes

TSF

A presidente da Assembleia da República disponibilizou-se para receber as propostas que os manifestantes concentrados este sábado em frente ao Parlamento lhe queiram fazer chegar.

«Um senhor que esteve aqui e disse falar em nome da presidente da Assembleia da República disse que ela estava disposta a receber todas as propostas que lhe queiram fazer chegar», afirmou um orador, que considerou esta iniciativa como uma das «vitórias» resultante desta concentração, realizada no âmbito do movimento global dos indignados.

Apesar de os discursos ainda prosseguirem, a desmobilização começou a notar-se por volta das 19:00, e meia hora depois, pouco mais do espaço frente à Assembleia da República continuava ocupado.

Apesar disso, o forte dispositivo policial continuava no local.


“SECRETA” ANGOLANA PODE LEVAR UNITA A TRIBUNAL




António Capalandanda, Benguela – Voa News

UNITA acusou serviços secretos de assassinarem um dos seus militantes no Bocoio

Os Serviços de Inteligência e Segurança de Estado de Angola (SISE) não descartam a hipótese de moverem uma acção judicial contra a direcção da UNITA, em Benguela alegadamente por difamação, soube a Voz da América de fonte ligada aquele organismo do Estado angolano.

Em causa estão as acusações proferidas recentemente pelo secretario provincial do Galo Negro, Vitorino Nhany contra a secreta angolana, segundo as quais aquele órgão  estaria por detrás do assassínio de um dirigente daquela organização partidária, Januário Armindo Sikaleta, ocorrido o mês passado, no município do Bocoio.

Em reacção um alto funcionário da secreta angolana, disse á Voz da América que a oposição pretende escamotear a verdade, afirmando que o assassinato de Sikaleta resultou supostamente de um crime passional,  “um crime motivado por ciumes.”

A fonte referiu que a sua instituição ainda não tomou nenhuma decisão em relação à abertura de um processo judidial contra a UNITA, sublinhando que o caso ainda está em analise dentro da Segurança de Estado.

A Unita disse anteriormente que uma investigação levada a cabo pelo próprio partido  indica  que a morte de Sikaleta teve motivações politicas e ele já era perseguido pelos serviços secretos angolanos  por transformar o município do Bocoio  numa zona de influencia do seu partido.

A conquista daquela municipalidade, segundo Nhany, “ criou nervosismo da parte do seu adversário político que não tendo bagagem política para persuazão, optou em silenciar Januário Armindo Sikaleta.”

Sikaleta foi assassinado na madrugada do dia 18 de Setembro supostamente por um grupo de indivíduos que o terá espancado e abandonado .

O incidente, de acordo com a direcção do Galo Negro ocorreu quando o malogrado saíu de casa para comprar medicamentos para a filha que encontrava-se incomodada e transportava na motorizada  uma vizinha identificada por Isabel que havia pedido boleia.

Segundo a UNITA registou-se tambem depois uma  tentativa frustada de assassinato de Isabel Kapingala uma das testemunhas que estava disposta a revelar os nomes de alguns membros do grupo.

Angola: POLÍCIA TRAVA MIL MANIFESTANTES NO CENTRO DE LUANDA




Alexandre Neto, Luanda – Voa News

O trânsito parou na estrada de Catete, para ouvir os gritos de reclamações

Manifestantes, neste sábado, em número que rondou um milhar de pessoas não conseguiram entrar na Praça da Independência, etapa final da marcha de protesto de um quilómetro, aproximadamente, um protesto contra a permanência de 32 anos de poder do presidente Eduardo dos Santos.

A polícia isolou o largo, cercando-o com fitas em sinal de proibição e chegou a povoá-lo com cães.Com recurso a cavalaria, o movimento foi travado a 75 metros da estátua de Agostinho Neto, local pretendido pelos manifestantes.

A manifestação iniciou-se com algumas centenas de participantes, partindo do cemitério da Santana e arrastou mulheres vendedeiras das imediações do mercado dos congolenses e tornando-se num dos principais pontos de atracção.

O trânsito parou na estrada de Catete, para ouvir os gritos de reclamações.

Um dos propósitos da manifestação foi também demonstrar solidariedade para com o jornalista William Tonet da publicação “Folha-8”. Este profissional deixou as suas impressões sobre o que assistia no momento e manifestou satisfação pelo apoio que lhe está a ser prestado pelos diversos sectores da sociedade angolana.

Rafael Marques investigador e activista cívico tem andado fora de Luanda faz tempo. Disse que estava orgulhoso da juventude protagonista desta acção popular.

SOBRE A DÍVIDA, O DESEMPREGO E A POBREZA NA EUROPA




PRENSA LATINA, em Especiais

Havana (Prensa Latina) A quase dois anos do início da crise da dívida européia, a maioria dos habitantes do Velho Continente continuam hoje padecendo por suas principais conseqüências, entre elas o desemprego e a pobreza, segundo todas as fontes.

Uma mesma realidade pessimista os assola depois de tantos meses, pois o panorama permanece praticamente invariável, ou talvez pior.

No entanto, a experiência parece não se ter em conta, ao menos entre os que têm em seu poder a possibilidade de adotar determinações decisivas, já que para os problemas crescentes ainda sem se resolver faz-se necessária uma mesma receita: a austeridade.

Por isso, nos dias recentes, os ministros da Economia dos 27 países da União Européia (UE) decidiram manter a estratégia do ajuste fiscal como melhor fórmula para combater a crise.

Nesse sentido, os países que definem como resgatados (Grécia, Portugal e Irlanda) e os que têm requerido ajuda do BCE (Itália e Espanha) têm que aplicar os ajuste exigidos com o objetivo de reduzir o déficit.

Só que nesta ocasião sugeriram a Alemanha e a nações como Suécia, Finlândia ou Luxemburgo, que têm margem de manobra orçamental, um estímulo limitado a fim de impulsionar o crescimento e evitar que a austeridade afogue as possibilidades de recuperação.

Empero, a crise segue impactando o Velho Continente, a ponto de o Fundo Monetário Internacional (FMI) prognosticar que o crescimento econômico desacelerará em 2012.

Num documento sobre as Perspectivas da Economia Regional acrescentou que, como o panorama mundial é mais desalentador, aumenta a aversão ao risco e as tensões na dívida soberana e nos mercados financeiros se aprofundam.

Neste sentido, o diretor para Europa do FMI, Antonio Borges, salientou a importância de mudar as políticas econômicas, principalmente pela persistente crise no Velho Continente.

Também considerou que os bancos requerem uma injeção de capital milionária para recuperar a confiança dos investidores.

Sobre o segundo plano de salvação para a Grécia, decidido em julho, destacou que é necessário revisa-lo se concentrando mais na sustentabilidade da dívida e no relançamento do crescimento.

DESCONFIADOS E COM RAZÃO

No meio de tal situação, o sentimento não podia ser outro, já que segundo um relatório da Comissão Européia, a confiança na economia da união caiu em setembro 3,4 por cento, principalmente pelas dificuldades no mercado trabalhista.

Analistas consideram que o elevado desemprego, uma das conseqüências da crise financeira global que estourou em 2008, mantém a incerteza entre os consumidores.

A isso se une a acentuação da desigualdade, outra das conseqüências mais visíveis da deterioração da situação econômica.

Segundo um estudo da auditora Ernst & Young, a brecha econômica entre os países do norte e do sul do Velho Continente manterá sua tendência de ascensão nos próximos anos.

Países como Alemanha, Áustria, Bélgica e Finlândia crescerão ao menos dois por cento neste ano, enquanto para o Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha e Itália se augura um débil desenvolvimento.

Sobre o apartado trabalhista, a investigação referiu-se a nações como Holanda, onde a taxa de desemprego situou-se em 2010 em torno de 4,5 por cento, muito abaixo da de Espanha, com um índice de desocupação superior aos 21 pontos.

A este respeito, o Escritório de Estatísticas da União Européia, Eurostat, comunicou que as desigualdades entre as 27 nações integrantes do grupo se agravaram.

Indicou que a região mais enriquecida da UE, o centro de Londres, é sete vezes mais rica que a de maior pobreza, Severozapaden, em Bulgária.

Ainda precisou que as 20 zonas de piores dificuldades se localizam na Romênia, Polônia, Hungria e Bulgária.

Entre as de melhor situação encontram-se regiões da Alemanha, Holanda, Dinamarca e Reino Unido, evidenciando as grandes diferenças entre os do leste e oeste do grupo.

Ademais, segundo uma pesquisa da Comissão Européia (CE), 75 por cento dos europeus consideraram que a pobreza aumentou por causa da conjuntura recessiva, pela qual muitos têm tido dificuldades para pagar as faturas do lar.

A percepção agrava-se em países como Grécia ou Espanha, onde a austeridade tem sido a receita mais socorrida.

Na nação ibérica, ao redor de 85 por cento da população observaram um incremento da miséria, enquanto 16 por cento dos interrogados reconheceram que o dinheiro mal lhes sobra para terminar o mês.

A Grécia é uma das nações onde mais cidadãos falam de um forte incremento da pobreza, com 74 por cento, seguida pela Romênia, com 65, Portugal 61 e Espanha com 60 por cento.

No entanto, os temores pela agudização desse mal também se intensificam em outros países onde as medidas de ajuste orçamental são menos visíveis.

Tanto é assim, que em algumas das grandes potências da UE, como Alemanha ou França, a percepção do problema supera a média comunitária.

Entretanto, o pessimismo segue fazendo das suas entre os cidadãos do Velho Continente, enquanto há cada vez menos otimistas.

* Jornalista da redação de Economia da Prensa Latina.

em/rcg/mfb/cc

INDIGNADOS EM LISBOA - SITUAÇÃO DE TENSÃO ENTRE POLÍCIAS E MANIFESTANTES




Joana Simões - Lusa

Lisboa, 15 out (Lusa) - Um ovo atirado contra a escadaria da Assembleia da República originou um situação de tensão entre os manifestantes quando a polícia foi deter a pessoa que terá feito o arremesso.

Os ânimos exaltaram-se e várias dezenas de elementos do corpo de intervenção da PSP formaram um cordão ao cimo da escadaria da Assembleia.

Os manifestantes passaram as barreiras de segurança e muitos ocupam a escadaria. Algumas pessoas com o rosto coberto foram surgindo entre os milhares que estão no local.

INDIGNADOS DE TODO O MUNDO MOBILIZADOS CONTRA A CRISE




THASSIO BORGES – OPERA MUNDI

'Indignados' de todo o mundo saem às ruas de suas cidades neste sábado (15/10) para expressar sua fúria contra banqueiros, financistas e políticos, os principais acusados de arruinar a economia mundial e condenar milhões à pobreza e a dificuldades devido à sua ganância. Animados pelo movimento "Occupy Wall Street", que vem ganhando cada dia mais seguidores, manifestantes marcharão em várias partes do mundo, da Nova Zelândia ao Alasca, em cidades como Londres, Frankfurt, Roma e a própria Nova York.

Durante este sábado, Opera Mundi trará atualizações a respeito dos protestos nas principais cidades do mundo:

Austrália

Na Austrália, centenas de pessoas protestaram na cidade de Sydney. Os manifestantes traziam cartazes com dizeres como "O capitalismo está matando nossa economia". As passeatas aconteceram também nas cidades de Melbourne, Adelaide, Perth, Townsville, Brisbane e Byron Bay.

Segundo informações do jornal The New York Times, o clima dos protestos era tranquilo, com pessoas inclusive tocando músicas para animar a multidão. Ainda segundo a publicação, havia cerca de 800 pessoas nos protesto australiano realizado nas imediações do Banco Federal do país.

Inglaterra

As manifestações em Londres começaram com cerca de 300 pessoas que se dirigiam à Praça Paternoster, onde está localizada a Bolsa de Valores de Londres. Às 13h (horário de Brasília), a marcha já contava com cerca de 3 mil pessoas.

O protesto começou de forma pacífica, mas a polícia da cidade prometeu agir caso os manifestantes tentassem invadir o local. Horas depois, os policiais passaram a marchar pela praça, demonstrando uma atitude mais energética.

Algumas horas depois, surgiram no Twitter algumas mensagens de pessoas presentes nas manifestações indicando que Julian Assange, responsável pelo Wikileaks, havia sido preso pela polícia da cidade. Minutos depois, a informação foi desmentida por outros participantes do protesto.

Segundo eles, Assange foi avisado, assim como outras pessoas, pelos policiais de que não poderia usar uma máscara que cobrisse seu rosto. A exigência foi ironizada por um advogado presente na praça. "Eles dizem que não podemos usar máscaras e ser anônimos, mas as contas suíças podem ser", afirmou Jen Robinson em sua conta no Twitter.

"Este movimento não é a destruição da lei, mas a construção da lei", declarou Assange a respeito do Occupy Wall Street.

Confira neste link a foto de Assange sendo parado pela polícia britânica, que não permitiu a utilização de máscaras.

Às 13h10 (horário de Brasília), a Scotland Yard confirmou que duas pessoas foram detidas durantes os protestos.

Alemanha

Segundo a Associated Press, cerca de 5 mil pessoas protestam na cidade de Munique, em frente ao prédio do Banco Central Europeu.

Nova Zelândia

Houve manifestações em quatro cidades do país: Wellington, Auckland, Dunedin e New Plymouth. De acordo com informações da Radio Zew Zeland, cerca de 500 pessoas estiveram presentes nas marchas realizadas nas duas primeiras cidades. 

Bélgica

A manifestação na capital Bruxelas partiu da estação Norte em direção à praça da bolsa de valores. Depois seguiu para o distrito onde ficam as sedes da Comissão Europeia, Conselho Europeu e Parlamento Europeu.

Milhares de manifestantes levaram cartazes com dizeres como "Parem a ditadura financeira"; "Por uma Europa solidária" e o "O dinheiro mata". A passeata ocorre em clima pacífico. 

Espanha

A expectativa é que os protestos na Espanha sejam os maiores de todo o mundo. Há seis marchas programadas para convergir na Praça de Cibeles na tarde neste sábado. Além disso, manifestações são esperadas em cerca de 60 cidades do país.

Itália

O protesto também teve grande importância na Itália. Milhares de pessoas sairam às ruas de Roma e acabaram entrando em conflito com a polícia, que reprimiu as manifestações.

De forma violenta, a polícia italiana usou mangueiras d'água e bombas de gás lacrimejante para dissipar quem protestava. Os manifestantes responderam e, durante o confronto, colocaram fogo em carros e quebraram vitrines de lojas. Até o momento, o protesto na Itália é o que, aparentemente, teve maior repressão policial neste sábado.

Brasil

Os protestos no Brasil foram concentrados em São Paulo. As pessoas levaram cartazes pedindo uma "democracia de fato". A forte chuva que atinge a capital paulista, no entanto, atrapalha a manifestação.

Assim como nos demais protestos realizados por todo o mundo, as marchas no Brasil foram convocadas pela internet.

Hong Kong

Cerca de 200 pessoas se concentraram nas imediações da Bolsa de Valores local, levando cartazes com palavras de ordem como "os bancos são um câncer", segundo a Rádio Televisão de Hong Kong.

Taiwan

Mais de 100 pessoas – embora os organizadores esperassem que cerca de 1,5 mil aparecessem – responderam a convocação do "15-O", em referência ao dia 15 de outubro, e se manifestaram na entrada do arranha-céu Taipé 101 cantando palavras de ordem como "Somos 99% de Taiwan".

Portugal: MANIFESTANTES EM LISBOA INVADEM ESCADAS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA




OCUPAÇÃO DA ESCADARIA FRENTE AO PARLAMENTO, POLÍCIA INTERVEM


19h02 Lisboa: clima acalmou. Organizadores estão a ler o manifesto do movimento português e convocam nova manifestação para 26 de Novembro. Escadaria do Parlamento continua ocupada.


18h58 Lisboa: "Esta coisa do comer e calar, de baixar os braços, de assistir passivamente à destruição de vidas naturalmente tem de ter uma resposta e no nosso entender tem de ser uma resposta de luta", disse o líder comunista no final de uma reunião de quadros do PCP na Casa do Alentejo, em Lisboa. (Lusa)

18h30 Manifestantes ocupam escadaria do Parlamento. De acordo com o dirigente do PCTP/MRPP Garcia Pereira, a polícia tentou deter um dos manifestantes, que estaria a atirar algum objecto ou água contra os agentes, considerando que a confusão foi provocada por elementos ligados à própria polícia. O Corpo de Intervenção já está no local. (Miguel Gaspar)

18h26 Lisboa: há uma situação confusa. A multidão chama fascistas aos polícias.

18h25 Roma: museus fecharam as portas mais cedo por causa da violência.

18h10 Lisboa: neste momento começou a ser lido o manifesto do 15 de Outubro. (Miguel Gaspar)

18h03 Porto: manifestantes cortaram o cabo da bandeira de Portugal que está no mastro. Algumas pessoas criticavam, outras incentivavam à queima da bandeira. Polícia fala num máximo de 10 mil a 12 mil pessoas, a organização em 25 mil pessoas. De qualquer forma, muito menos do que no protesto de 12 de Março. (Alexandra Campos e Mariana Correia Pinto)

18h01 Lisboa: a manifestação está no nosso campo visual e ocupa todo o largo da rampa de acesso até à Calçada da Estrela. (Miguel Gaspar)

18h00 Nova Iorque: a marcha à volta do banco Chase está a dirigir-se para o Washington Square Park, com cordão policial. Entretanto apareceram polícias com algemas prontas (as detenções têm sido muito polémicas). Ouven-se slogans como "Banks got bailed out, we got sold out" e lêem-se cartazes com frases como "Não sou anticapitalismo, sou anti-roubo", "Pertenço à classe que produz" ou "Separação entre empresas e Estado".

17h58 Amesterdão: manifestantes estão concentrados no centro da cidade. Alguns montaram tendas com o objectivo de passar a noite na rua. A polícia observa mas não actua.

17h49 Frankfurt: milhares de pessoas manifestam-se em frente ao Banco Central Europeu (BCE).

17h38 Coimbra: as pessoas começam a dispersar. Os membros da acampada, que estão a montar a aparelhagem de som, dizem esperar que voltem às 19h00, para a assembleia.

17h36 Bruxelas: estão a manifestar-se entre 6000 e 6500 pessoas, segundo números avançados pela polícia. A manifestação está a ser pacífica. Não há incidentes a registar até ao momento. Por volta das 18h30 locais (17h30 em Lisboa), os manifestantes aproximavam-se do ponto derradeiro da marcha - a Praça de Schuman, em frente ao edifício da Comissão Europeia.

17h33 Porto: uma voluntária do Coração da Cidade, La Salete Piedade, denunciou a existência de fome na cidade, num discurso em frente à câmara da cidade. Muitos licenciados a pedir comida todos os dias. Mais de meia praça cheia. (Mariana Correia Pinto)

17h30 Coimbra: trânsito restabelecido. A PSP não adianta números. Um agente da polícia calculou que estarão mais do dobro das pessoas que estiveram na manifestação de 12 de Março na cidade. Talvez 700 pessoas, disse, sublinhando que a informação não é oficial. (Graça Barbosa Ribeiro)

17h26 Lisboa: a praça da Assembleia está cheia e o fim da manifestação ainda não se vislumbra na Rua de S. Bento. (Miguel Gaspar)

17h25 Chile: começou uma manifestação na cidade de Valparaíso.

17h19 Berlim: manifestação já terminou. Manifestantes tentaram acampar nas ruas mas a polícia não permitiu.

17h13 Porto: momento de alguma tensão, com os manifestantes a conseguirem furar o cordão policial de acesso ao edifício da câmara municipal. A situação já está mais calma. (Alexandra Campos)

Indignados em Londres - Praça da Bolsa desocupada mas manifestantes fixaram acampamento




Bruno J. A. Manteigas - Lusa

Londres, 15 out (Lusa) - Apesar do fracasso na ocupação da praça da Bolsa de Londres, centenas de participantes do movimento 'indignados', um protesto contra a injustiça e o setor financeiro decidiram montar um acampamento a poucos metros, junto à Catedral de São Paulo.

Uma forte presença policial impediu o acesso dos manifestantes, estimados em pelo menos mil, à praça Paternoster, que é propriedade privada mas que normalmente é frequentada pelo público.

Depois de um impasse, uma assembleia decidiu por maioria mover o protesto "para o sol" e ocuparam pacificamente o largo e as escadas em frente à Catedral.

CONTA-ME COMO É NÃO SER POBRE




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

"As insurreições democráticas em todo o mundo estão a abrir caminho para a autodeterminação dos povos. As pessoas estão fartas da pobreza e de alimentar os ditadores".

O salário mínimo nacional dos portugueses de segunda (todos aqueles que não pertencem ao mundo putrefacto da política e actividades correlativas) teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos.

E depois venham dizer que o direito à indignação  só passa por manifestações pacíficas, do tipo: quanto mais me bates mais gosto de ti. E depois venham dizer que houve uma revolução em Portugal.

A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala segunda-feira, a Pordata divulgou alguns dados estatísticos relativamente à situação económica e social do reino lusitano cada vez mais próximo de Marrocos.

Comparando a evolução do salário mínimo e das pensões mínimas de invalidez e velhice desde 1974 até 2010, e descontando o efeito da inflação, constata-se que hoje em dia os beneficiários desses apoios sociais auferem apenas mais 88 euros e 38 euros respectivamente.

E com tão excelentes aumentos é curial que o Governo entenda que pôr esses portugueses a pão e água, eventualmente a farelo, é uma legítima forma de os obrigar a contribuir para o esforço remuneratório da casta superior formada pelos políticos e toda a corja que os rodeia.

Nesse mesmo ano (2010), correspondia a 15 por cento da população portuguesa o número de pensionistas de invalidez e velhice da Segurança Social com pensões inferiores ao salário mínimo, o que significa que perto de um milhão e meio de pessoas estavam nessa situação.

Além disso, existia mais de meio milhão de pessoas a receber o Rendimento Social de inserção, dos quais quase metade (47%) com menos de 25 anos.

A Pordata revela ainda que em 2009 (últimos dados disponíveis) Portugal era o quarto país da União Europeia com maiores desigualdades de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres, sendo que o rendimento dos mais ricos era 6 vezes superior ao dos mais pobres (a média europeia era de cinco).

Daí que, como muito bem dizem os donos do reino, continua a ser necessário pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres. Continuam os milhões que têm pouco ou nada a trabalhar para encher o bandulho dos poucos que têm cada vez mais milhões.

Mesmo após as transferências sociais, quase uma em cada cinco pessoas (17,9%) era pobre, 37 por cento dos agregados constituídos por um adulto com uma ou mais crianças e 33 por cento dos agregados só com idosos também viviam em situação de pobreza.

Em apenas quatro anos (de 2005 a 2009), Portugal passou do 17º para o 9º país com a taxa de risco de pobreza mais alta da UE. Seja como for, esqueléticos fisicamente e apodrecidos mentalmente, os portugueses de segunda continuam a ser uma povo pacífico capaz, pelo menos até agora, da dar o cu e uns cêntimos (os euros já foram todos) por um prato de lentilhas.

Sem as transferências sociais, a taxa de risco de pobreza em Portugal seria cerca do dobro do que é actualmente, revela ainda a Pordata, esclarecendo que em Portugal é pobre quem vive com um rendimento mensal (por adulto) próximo dos 400 euros. Não seria aconselhável, para haver menos pobres, baixar esse valor para 200 euros?

A propósito também do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, a Oikos -- Cooperação e Desenvolvimento recorda que em 2010 aumentaram os desastres naturais, mais de mil milhões de pessoas (uma em cada sete) passavam fome e 200 milhões sobreviviam sem emprego.

Estes dados constam de um relatório -- "The World We Want" - que a organização vai lançar, no dia 17, em simultâneo com mais de 20 países.

Este relatório, que contou com contribuições oriundas de centenas de organizações de 35 países, recorda que muitas pessoas que vivem em pobreza são de países de rendimentos baixos, mas também e cada vez mais de países de rendimentos médios, "o que altera a forma como se concebe a ajuda ao desenvolvimento".

"O espaço democrático está a ser restringido com a entrada em vigor de leis que progressivamente ameaçam os direitos civis e políticos", mas "as insurreições democráticas em todo o mundo estão a abrir caminho para a autodeterminação dos povos", afirma a Oikos, acrescentando que "as pessoas estão fartas da pobreza e de alimentar os ditadores".

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


Portugal indignado: INDIGNADOS EM BRAGA, ÉVORA E FARO


Manifestação dos Indignados em Braga - HUGO DELGADO / LUSA

TVI 24

Funchal e Angra do Heroísmo com pouca adesão

Centenas de pessoas saíram este sábado à rua em Braga, Évora e Faro para juntarem a sua voz ao «movimento dos indignados», mas no Funchal e em Angra do Heroísmo a adesão ao protesto é mais reduzida, escreve a Lusa.

Além de Lisboa, Porto e Coimbra, estas são as outras cinco cidades portuguesas que, ao longo da tarde de hoje, são palco de protestos no âmbito da iniciativa «15 de Outubro, a Democracia sai à rua!».

As iniciativas em Braga, Évora e Faro mobilizam, desde sensivelmente as 15:00, algumas centenas de pessoas, num protesto que proclama ser «anti partidário, laico e pacífico».

Os «indignados» manifestam-se em prol da democracia participativa, pela transparência nas decisões políticas e pelo fim da precariedade de vida.

Já no Funchal (Madeira) e em Angra do Heroísmo (Açores), a mobilização popular está a ser menor, com cerca de uma dezena de pessoas a aderir no primeiro caso e poucas dezenas no segundo.


Portugal: TSF, RÁDIO FUTEBOL - EM DIA DE INDIGNADOS




FERNANDO SILVA

ERA UMA VEZ UMA RÁDIO…

A diferença da ex-TSF, Rádio Notícias, onde tudo o que se passava em Portugal e no mundo passava na TSF, quase na hora dos acontecimentos… A diferença é abismal. A TSF Rádio Notícias deu lugar à TSF Rádio Futebol, talvez Fátima e Fado (no pior que encerrava com o culto dos pobrezinhos, analfabetos, amorfos, mas felizes).

No dia, na hora, no momento em que decorre por todo o país e pelo mundo manifestações dos povos indignados… Em que em Lisboa o número de manifestantes já soma cerca de 100 mil… A TSF digna-se transmitir neste momento um jogo de futebol importantíssimo: F. C. Porto – Pêro Pinheiro.

Não será responsabilidade só dos profissionais da TSF na totalidade, mas muito em parte. Quem cala consente, e a desunião dá força ao obscurantismo. Até é possível imaginar cada profissional da TSF, assim como dos outros órgãos de comunicação em Portugal, centrados e concentrados no seu umbigo e no seu estômago, no seu automóvel e na sua casa – mesmo que milhares ou milhões não possuam nem uma ínfima parte disso e que precisem que eles cumpram a profissão reportando, informando.

A existência da TSF prende-se com uma inesquecível emissão pirata numa casa junto a uma parte alta de Lisboa, a Penha de França, mais precisamente num bairro chamado Bairro Inglaterra, rua com umas escadas torturantes mas que permitiu que os piratas, como Rangel e outros mais, dessem a pedrada no charco que fez com que o regime do então PM Cavaco Silva tremesse e de imediato lançasse o PSD ao assalto pela posse das chamadas Rádios Piratas que começaram a proliferar pelo país inteiro, legalizando segundo sua lavra e interesses partidários. Mas, "habemos radius!"

Essa é a génese da TSF que a sua atual direção e os seus atuais profissionais estão a desvirtuar. Sabe-se que a Controlinveste é a principal acionista mas isso nada importará se a TSF souber manter-se uma rádio de referência. Esta ação de hoje, transmitindo uma nulidade a que só os interesses locais dispensarão reduzido interesse é de bradar aos céus.

Que se passa TSF?

Portugal - Indignados: A DEMOCRACIA ESTÁ A SAIR À RUA EM VÁRIAS CIDADES




Dia dos indignados minuto a minuto: manifestação em Lisboa começa a ganhar peso

PÚBLICO (acompanhe atualização)

Lisboa: "A nossa luta é internacional" é o primeiro slogan, agora que a manifestação arrancou do Marquês de Pombal. Nos cartazes lê-se: "Somos 99 por cento", o sloagan de Wall Street, "Troika fora de Portugal" e "Propinem o Crato". (Miguel Gaspar)

16h13 Lisboa: a manifestação demorou 26 minutos a passar no cruzamento da Rua Castilho e da Rua Brancaamp. Aceitam-se palpites quanto ao número de participantes.

16h12 Coimbra: António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados: "Estão aqui poucas centenas. As pessoas abdicaram do direito ao protesto. Estou indignado. Quem se apropria de um bem é obrigado a devolvê-lo em tribunal; as elites políticas deste país apropriaram-se de milhares e milhares de milhões. Deveriam ser responsabilizados e não são." (Graça Barbosa Ribeiro)

16h11 Lisboa: "A nossa luta é internacional" é o primeiro slogan, agora que a manifestação arrancou do Marquês de Pombal. Nos cartazes lê-se: "Somos 99 por cento", o slogan de Wall Street, "Troika fora de Portugal" e "Propinem o Crato". (Miguel Gaspar)

16h11 Porto: concentração na Batalha junta menos gente do que na manifestação do 12 de Março, segundo a polícia (Alexandra Campos)

16h10 Nova Iorque: manifestantes começam a marchar a direcção ao banco Chase. (Maria João Guiamrães)

16h05 Lisboa: ambiente festivo, com manifestantes a dançar e a tocar tambor. O clima é completamente pacífico. Ouve-se: "Back to 74" e "O Povo Unido Jamais Será Vencido" (Miguel Gaspar)

16h01 Coimbra: Elísio Estanque, sociólogo, na qualidade de indignado e de estudioso dos fenómenos sociais: "As pessoas ainda estão paralisadas pelo dramatismo das medidas anunciadas". (Graça Barbosa Ribeiro)

15h55 Braga: cerca de 150 manifestantes iniciam neste momento um desfile pelas principais artérias da cidade. (Samuel Silva)

15h35 Lisboa: cabeça da manifestação está no cruzamento da Rua Brancaamp e da Rua Castilho - "A rua é nossa" é outro slogan (Miguel Gaspar)

15h28 Lisboa: manifestação está a postos para subir a Rua Brancaamp. As pessoas continuam a chegar. (Miguel Gaspar)

15h25 Coimbra: começa a juntar-se mais gente. Talvez uma centena. Há pessoas de todas as idades. Um grupo de jovens traz cartazes do Bloco de Esquerda, sem o logótipo, pelo facto de o protesto ser apartidário. (Graça Barbosa Ribeiro)

15h20 Madrid: ao princípio desta tarde, duas colunas de indignados iniciaram a sua marcha até à Praça de Cibeles onde, às 18h, começa a manifestação rumo à Porta do Sol da capital espanhola. A primeira coluna a iniciar o seu movimento foi a sul, que partiu do município de Leganês, seguida de imediato pela que teve início no bairro popular de Vallecas. (Nuno Ribeiro)

15h19 Barcelona: na noite de sexta-feira, dezenas de indignados ocuparam a Faculdade de Geografia e História e os átrios dos principais hospitais da capital da Catalunha, Dos de Maig, San Pau e Bellvitge. As ocupações, que não provocaram incidentes, foram levadas a cabo como protesto pelos cortes em Educação e Saúde decididos pela Generalitat, o Governo Autónomo da Catalunha. (Nuno Ribeiro)

15h14 Braga: cerca de dez pessoas empunham cartazes. Mais umas 50 pessoas juntaram-se, curiosas, para ver o que se está a passar na Avenida Central. (Samuel Silva)

15h10 Coimbra: há quase tantos polícias nas imediações como polícias na praça. (Graça Barbosa Ribeiro)

15h08 Washington: num dos lados da Freedom Plaza há um comício com palco e tudo, com umas 300 pessoas, mas o pretexto é defender a elevação de DC a estado. Na ponta oposta um grupo de raparigas afro-americanas em tutus está a ensaiar a coreografia para uma marcha de tributo a Martin Luther King. As tendas dos contestatários estão no meio, mas não se vê quase ninguém. (Kathlenn Gomes)

15h05 Washington: há de facto gente e até um comício político no local dos protestos, mas nada comparável com o 15 de Outubro. (Kathleen Gomes)

15h02 Lisboa: há pessoas concentradas no lado poente do Marquês de Pombal nas faixas laterais e no parque, mas o trânsito está a fluir sem obstáculos. (Miguel Gaspar)

14h58 Braga: quase sem sinais de manifestação, com apenas cinco pessoas na Avenida Central. (Samuel Silva)

14h56 Coimbra: neste momento estão menos de 20 pessoas no centro da Praça da República, que é o ponto de encontro. (Graça Barbosa Ribeiro)

14h55 Roma: dezenas de milhares de manifestantes, inspirados nos movimentos dos indignados em Wall Street e Espanha, começaram a desfilar em Roma, cujo centro foi bloqueado pela polícia. A manifestação acabou por sair mais cedo do que o previsto (15h em Portugal) devido ao número de manifestantes.

14h26 Lisboa: pouca gente no Marquês de Pombal, a meia hora do início da manifestação. (Miguel Gaspar)

*Foto Reuters

LISBOA JÁ CONTA COM UMA CENTENA DE MILHAR DE INDIGNADOS NAS RUAS

Lisboa (16:12) - Os indignados em Lisboa continuam a juntar-se à manifestação que já está a chegar à Rua de S. Bento, após o Largo do Rato, rumo à Assembleia da República.

A cauda da manifestação ainda está no Marquês de Pombal, cerca de 800 metros mais atrás. (Redação PG)

Indignados – Alemanha: MILHARES DESFILAM CONTRA O PODER DA ALTA FINANÇA




DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Cerca de cinco mil pessoas, segundo a polícia e os organizadores, manifestaram-se hoje em Frankfurt contra a política dos bancos, com base no exemplo do movimento norte-americano de protesto "occupy Wall Street".

Os manifestantes, que corresponderam ao apelo do grupo anti-globalização ATTAC, erguiam cartazes a dizer "Não Especulem com a Nossa Vida, ou "Vocês estão a Destruir o nosso Futuro", e encaminharam-se para a sede do Banco Central Europeu (BCE).

Um porta voz dos manifestantes anunciou um bloqueio pacífico da praça em frente ao BCE, por tempo indeterminado.

Durante o desfile, um grupo de teatro encenou uma peça com o significativo título "Europa - Uma Tragédia Grega".

Em Munique, reuniram-se também entretanto cerca de mil pessoas na Stachus Platy, no centro da capital bávara, para protestar contra a alta finança.

"Salvem os Aforradores, e Não Os Bancos" ou "Indignem-se" eram frases que se liam em alguns dos cartazes.

Babs Henn, um dos organizadores do protesto, afirmou à televisão alemã n-tv que "o primeiro passo está dado, as pessoas levantaram-se do sofá, e em Munique também".

Esperam-se para hoje protestos idênticos em vários pontos do globo, incluindo 50 cidades alemãs, nomeadamente em Berlim, junto à sede do governo federal.

O presidente dos neocomunistas do Die Linke (A Esquerda), Klaus Ernst, declarou o seu apoio às manifestações, que classificou de uma "revolta das pessoas honestas".
Os Verdes e os sociais democratas alemães também declararam o seu apoio às manifestações.

O deputado europeu dos Verdes Sven Giegold, em declarações à rádio pública NDR, criticou os responsáveis políticos não só da Europa, mas do resto do mundo, "que não conseguiram regulamentar os mercados financeiros, depois do início da crise internacional, em 2008, e agora têm de novo de salvar os bancos".

*Foto EPA

Indignados – Itália: DEZENAS DE MILHARES DE MANIFESTANTES A DESFILAR EM ROMA




RTP

Dezenas de milhares de manifestantes, inspirados nos movimentos dos indignados em Wall Street e Espanha, começaram a desfilar em Roma, cujo centro foi bloqueado pela polícia.
A manifestação acabou por sair mais cedo do que o previsto (15 horas em Portugal) devido ao número de manifestantes.

Os maiores monumentos da cidade, como o Coliseu e o Fórum Romano e quatro estações de metro foram encerradas. Um total de 1500 polícias e dois helicópteros foram mobilizados para acompanhar a manifestação.

A manifestação poderá reunir entre 100 e 200 mil pessoas, de acordo com a comunicação social italiana. Vários comboios e cerca de 750 autocarros provenientes de 80 cidades em toda a Itália, trouxeram ao longo da manhã milhares de manifestantes na Cidade Eterna, indicaram os organizadores, citados pela AFP.

*Foto EPA