quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

“CAVACO: SE TEM UM PINGO DE VERGONHA, DEMITA-SE”



TVI24

José Manuel Coelho critica «recentes e infelizes declarações» do chefe de Estado

O ex-candidato à Presidência da República José Manuel Coelho disse esta quarta-feira que Cavaco Silva «não é digno de ocupar» este cargo depois das declarações que proferiu, considerando que deve demitir-se.

«Se tem um pingo de consciência cívica, se tem um pingo de vergonha na sua cara, demita-se imediatamente desse cargo. Vossa Excelência não é digno de ocupar esse cargo depois das afirmações ofensivas que fez aos portugueses», afirma José Manuel Coelho, num vídeo colocado no Youtube.

O deputado do Partido Trabalhista Português (PTP) na Assembleia Legislativa da Madeira assume-se «surpreendido com as recentes e infelizes declarações» do chefe de Estado, seu adversário na campanha presidencial de 2011, quando afirmou que «as reformas de que usufruía não chegavam para as suas despesas».

«Tempos depois, os portugueses acabaram por descobrir, graças à comunicação social, que essas reformas a que Vossa Excelência se referia que não davam para a sua vida totalizavam cerca de 10 mil euros», refere o antigo candidato.

José Manuel Coelho questiona: «Com que coragem Vossa Excelência se atreveu a dizer aos milhões de portugueses que recebem reformas de miséria neste país que as suas reformas todas juntas não davam para as suas despesas?».

«Digamos que a maioria dos portugueses nem 500 euros ganha de reforma e Vossa Excelência, ao proferir essas afirmações muito infelizes, vem insultar os portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza», sublinha, reiterando que «essa ofensa (...) contra os portugueses só tem um caminho, é a sua demissão».

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- As assinaturas na Petição Pública para que Cavaco Silva se demita aproxima-se das 37.000 neste momento.

- Leia mais em Página Global sobre Cavaco Silva, veja vídeos, fotomontagens e colha diversas opiniões de colunistas da imprensa portuguesa e de autores deste blogue.

Isaltino Morais: NOVA ORDEM DE PRISÃO



TVI 24

Ministério Público voltou a pedir

Há uma nova ordem de prisão para Isaltino Morais. A TVI sabe que o Ministério Público de Oeiras voltou a pedir esta quinta-feira à juíza que ordene a prisão do autarca.

É a terceira vez desde Novembro que o procurador insiste com a juíza para que dê cumprimento à pena de dois anos de prisão efectiva a que isaltino morais foi condenado.

Em resposta ao acórdão da relação que obriga a juíza de oeiras a apreciar a eventual prescrição de metade dos crimes, o procurador defende que o processo transitou em julgado «de forma incontroversa» a 31 de outubro e que nessa altura nenhum dos crimes estava prescrito.

Conclui o procurador que a mesma juíza que prendeu e libertou o autarca em menos de 24 horas deve agora, definitivamente, enviar isaltino para a prisão. A decisão não deve tardar mas o arguido ainda pode recorrer.

Portugal: PASSOS RECEBE SEGURO SEXTA-FEIRA




A agenda deste encontro não foi divulgada

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vai receber o secretário-geral do PS, António José Seguro, na sexta-feira, às 10:30, em São Bento, disse à Lusa fonte do gabinete do chefe do Governo.

A agenda deste encontro entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro não foi divulgada.

Este encontro acontece em vésperas do Conselho Europeu de segunda-feira.

O Conselho Europeu de segunda-feira é informal, não obrigando, por isso, à realização de reuniões de preparação entre o Governo e representantes dos partidos com assento parlamentar e dos parceiros sociais.

PORTUGAL TEM UM BLOCÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA



Romano Prates

Blocão, não é uma nova raça de canídeos… ou se calhar é. Temos hoje na Assembleia da República um exército par(a)lamentar constituído por três forças políticas que nada têm a ver com o Bloco Central (PS-PSD) e muito menos com o Bloco de Esquerda do deputado Louça & Companhia. Há uma novidade aqui chamada de Blocão: o CDS, o PSD e o… PS. Partido Socialista que se arroga de esquerda mas que anda de mãos dadas com a direita revanchista deste governo da desgraça do país e dos que menos posses têm. Partido Socialista - socialista? – que se mascara de oposição mas não passa de um aliado fervoroso, atento, venerando e obrigado, das políticas deste governo PSD-CDS. É um Blocão. Enorme, por isso assume ares caninos que pretende disfarçar.

O líder do PS, António José Seguro, não é líder de coisa nenhuma, ou se o for será da sua vida pessoal. Tal qual Passos Coelho, proveniente da Juventude Social-democrata (JSD), Seguro vem da Juventude Socialista e ascendeu agora à aparente liderança do PS por obra e constatação de faltar naquele partido político militantes de qualidade, exceptuando alguns históricos já velhos demais para se assumirem nas requeridas funções penosas de um partido político que nem sombra é daquilo que era. O PS confunde-se com o PSD até mesmo entre os líderes, o PSD confunde-se com o CDS do mesmo modo. Tal está a miscelânia, a mistura, a confusão, a falta de ideologia, a sede de poder pelo poder de sustentar clientelas e beneficiar das possibilidades de se afortunarem – como se tem visto. Daí o Blocão, coisa enorme e disforme, descaracterizada das funções para que deviam servir cada um por si, servindo a cousa pública, a Nação, o povo, os eleitores, com honestidade, transparência e inteligência. Sempre respeitando a Constituição e fazendo disso, dessa exigência, a principal causa. Porque o que reza na Constituição da República Portuguesa ainda é o equilibrado, justo e comtempla o primado da pessoa, do respeito pelos Direitos Humanos e dos Trabalhadores, da democracia. Já não basta Portugal ter na presidência da República a maldição que se sabe para ainda ter de suportar com custos elevadíssimos um Blocão proporcionado pelo tal PS que se diz oposição para povinho enganar. É demais.

Não precisamos de apontar exemplos específicos para demonstrar que o PS oposição não existe. Assim se vê e se ouve, se estivermos atentos ao que vai acontecendo na Assembleia da República e nos corredores daquele edifício com faustos e abusados custos suportados pelos quase famintos e quase moribundos portugueses. Pese em toda esta desgraça assistirmos a outros partidos políticos na AR, ditos da esquerda, que não têm peso parlamentar, nem outro, para fazer mais do que dizerem algumas verdades à mistura com puro arraial que não conduz a parte alguma que não seja permitir ao Blocão usar de sua astúcia para se afirmar responsável e defensor dos interesses dos portugueses. Coisa que não é, porque a pátria de muitos daqueles deputados são os lobies a quem servem e de que se servem.

Assim, o Blocão, apesar de não ser nova raça canídea, se o fosse viria destituir o que se diz da espécie: o cão é o melhor amigo do homem… Mas estes não. Amigos só são deles e das clientelas que lhes dêem vantagens.

Davos: premiê britânico diz que taxa para transações financeiras é "loucura"



Marina Terra – Opera Mundi

Cameron disse que quer ver reduzido "o fardo da regulamentação na União Europeia”

Falando no 42º Fórum Econômico de Davos, na Suíça, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, defendeu nesta quinta-feira (26/01) menos regulação do mercado financeiro e criticou a ideia de uma taxação para as transações financeiras. Para ele, a proposta, feita pela Alemanha e a França, se trata de uma "loucura".

O premiê se justificou citando estimativas da Comissão Europeia, segundo as quais 500 mil empregos seriam perdidos caso essa taxa seja adotada. Na Europa, 45 milhões de pessoas estão sem trabalho e um terço já busca emprego há mais de um ano. A taxa de desemprego, que bateu 8,8% em 2010, será reduzida para 7,7% em 2016, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Segundo Cameron, é justo que o setor financeiro pague sua parte e o Reino Unido "já faz isso" através de suas taxas a bancos e sobre as ações. A ideia apresentada pela Comissão estima redução do PIB (Produto Interno Bruto) da UE em 200 bilhões de euros por ano, corte de 500 mil funcionários e a previsão de saída de 90% dos mercados da UE.

Cameron disse que quer ver reduzido "o fardo da regulamentação na União Europeia”, evitando “barreiras inúteis ao comércio e aos serviços”. De acordo com Cameron, o BCE "poderia fazer mais" para solucionar a crise de endividamento soberano da zona do euro. As prioridades do bloco são a Grécia, o setor bancário e os programas de resgate, segundo o primeiro-ministro do Reino Unido.

Autonomia

A chanceler alemã, Angela Merkel, abriu o Fórum Econômico Mundial 2012 pedindo maior autonomia à União Europeia. No discurso, Merkel disse que os países europeus devem se mostrar dispostos a "ceder mais competências à Europa" para garantir o futuro do projeto.

Merkel que a crise financeira e econômica internacional aguçou os problemas estruturais da Europa, que não teriam surgido com a rapidez testemunhada se houvesse uma evolução contínua da integração continental. Segundo ela, esses problemas provocaram a queda da credibilidade do continente, especialmente na zona do euro.

A chanceler alemã pediu a alguns países europeus que melhorem sua competitividade, ao mesmo tempo em que se comprometeu a manter o princípio de solidariedade na UE. Ela garantiu o compromisso da Alemanha para enfrentar a crise do bloco, mas advertiu sobre o perigo de se sobrecarregar Berlim no processo de saneamento da zona do euro.

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Fidel critica cinismo dos EUA e União Europeia após morte de preso



Marina Terra – Opera Mundi

Ex-presidente comentou "campanha difamatória" desses países sobre Cuba

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro criticou em artigo publicado nesta quarta-feira (25/01) as declarações feitas por países europeus e pelos Estados Unidos após a morte de Wilmar Villar, preso que faleceu na última quinta-feira (19/01). Intitulado "A fruta que não caiu", Fidel lembrou que Villar era um preso comum e condenou a ingerência nos assuntos internos cubanos.

“Não houve tal greve de fome. Era um preso condenado a quatro anos por agressão, um crime comum, devido aos ferimentos que provocou no rosto da própria esposa”, afirmou Fidel no texto. De acordo com Havana, Villar teve falência múltipla de órgãos derivado de um processo respiratório séptico severo que o levou a um choque por sepsia.

“Ocupem-se primeiro de salvar o euro se puderem, resolvam o desemprego crônico no qual padece um número crescente de jovens e respondam ao indignados, sobre os quais a polícia arremete e agride constantemente”, afirmou Fidel, em referência à profunda crise pela qual a Europa passa.

“O governo espanhol e a União Europeia em ruínas (...) devem saber o que os esperam. Dá pena ler nas agências de notícias as declarações de ambos quando usam mentiras descaradas para atacar Cuba”. Ainda sobre a Espanha, Fidel recordou os laços do atual governo do PP (Partido Popular) com o franquismo: "Hoje governam a Espanha os admiradores de Franco."

"Porque os meios de comunicação do império mentem tão descaradamente?", continuou Fidel. "Os que controlam a mídia estão determinados a enganar e brutalizar o mundo com suas grosseiras mentiras, pensando talvez que é o principal recurso para a manutenção do sistema global de dominação e espoliação fiscal."

"Bush e suas estupidezes imperaram por oito anos e a Revolução Cubana leva mais de meio século. A fruta madura não caiu no seio do império. Cuba não será mais uma força usada pelo império para dominar os povos da América. O sangue de [José] Martí não foi derramado em vão", concluiu o ex-presidente.

Críticas a republicanos

As eleições norte-americanas, marcadas para novembro, também foram tema da reflexão de Fidel. No mesmo artigo, ele classificou as primárias republicanas como uma competição de 'idiotices'.

O ex-presidente falou sobre o debate realizado na Flórida entre os pré-candidatos republicanos, em que a maioria lançou duros ataques a Cuba. Todas as respostas envolviam endurecer as sanções aplicadas contra a ilha há mais de 50 anos, com o pré-candidato Newt Gingrich falando mesmo em “atividades secretas” para derrubar Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel no governo cubano.

“Devo afirmar (…) que a escolha do candidato republicano para aspirar à presidência desse império globalizado e abarcador é – e estou falando sério – a maior competição de idiotices e ignorâncias que já escutei”, afirmou.

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Irã: O QUE ESTÁ POR DETRÁS DO EMBARGO EUROPEU




Anna Malm, Estocolmo - Opera Mundi

Não só as vastas reservas de energia e recursos naturais do Irã atiçam a cobiça dos dirigentes dos países economicamente impotentes da União Europeia assim como do líder deles, os Estados Unidos. Sabemos que sempre foi essa cobiça de mãos dadas com a debilidade econômica que esteve por detrás das guerras ilegais dos últimos vinte anos, a última das quais a da Líbia.

Agora temos que os caminhos que levam à Moscou e a Pequim passam por Teerã, capitais essas localizadas respectivamente na Rússia, China e Irã. O que se tem passado em relação às atitudes ocidentais agressivas dos últimos anos em relação à Síria e ao Irã enquadra-se também num ramo de maiores considerações políticas geo-estratégicas. [1]

No estudo apresentado em [1] considera-se que os caminhos que levam à Moscou e à Pequim passam por Teerã do mesmo modo que os caminhos que levam à Teerã passam por Damasco na Síria, Bagdá no Iraque e Beirute no Líbano.

Ressalta-se que os EUA querem controlar o Irã por razões políticas e econômicas assim como para satisfazer as suas próprias necessidades de energia. Eles querem também poder controlar a forma de pagamento da exportação do petróleo do país. Querem que o pagamento das exportações de petróleo do Irã seja feita em dólares.

Isso é para que o uso global e contínuo do dólar nas transações internacionais seja mantido e não dilapidado, como tem sido nos últimos tempos. Lembramo-nos que o uso do dólar como moeda de pagamento internacional é uma das duas pernas em que o controle americano sobre o mundo se sustenta, apesar dos pesares. Digo apesar dos pesares porque o dólar não tem valor nenhum por si mesmo. Poderia e deveria ser trocado por sistemas de pagamento mais condizentes com a realidade de 2012 e não condizente com a realidade de 1945, como é o caso. A outra perna em que o poder americano sobre o mundo se sustenta é a força militar.

Controlando o Irã através de um regime de marionetes posto no poder através de uma guerra dirigida pelos EUA e executada pelos seus aliados (como foi o caso na Líbia e como estão ameaçando a fazer na Síria) Washington também estaria a pôr uma corda no pescoço da China.

Essa corda deveria ser apertada ou afrouxada de acordo com os interesses norte americanos, dando a eles o controle da segurança energética da China. Se a China não se comportasse de acordo com os interesses americanos lá estariam eles a estripá-la através do estripamento do fornecimento do petróleo. Estripamento esse que seria garantido pelas marionetes estabelecidas no Irã ao custo do sangue de muitos milhares e milhares de inocentes no país e no Oriente Médio, assim como à custo de uma destabilização econômica no mundo inteiro, se não por uma catástrofe global.

É fato de conhecimento geral que a ameaça de guerra aberta que vemos hoje é uma continuação dos acontecimentos desencadeados por ações encobertas já há uns anos. Essas ações encobertas incluem serviços de informação específica, ataques e vírus cibernéticos, grupos militares secretos, espiões, assassinos, agentes de provocação e sabotadores agindo contra o Irã em favor dos interesses ocidentais.

O sequestro e assassinato de cientistas iranianos e de comandantes militares é de conhecimento público. Sabe-se de diplomatas iranianos sequestrados no Iraque e de iranianos visitando a Arábia Saudita e Turquia que foram detidos e sequestrados. Sabe-se de oficiais sírios, assim como vários palestinos e representantes do Hezbolah que também foram assassinados. Ressalta-se que esses foram assassinados e não detidos e colocados perante um tribunal de Justiça.

Pressupõe-se que Israel tenha atacado o Líbano não só para exterminar ou pelo menos enfraquecer o Hezbolah, mas também para estrategicamente ferir a Síria. É como dito, os caminhos que ferem a Síria vão através do Líbano. Os caminhos que estrategicamente ferem Irã vão através da Síria. Os caminhos que estrategicamente ferem ou afetam a Rússia e a China vão através da Síria e do Irã.

Síria é o apoio e o eixo do bloco da resistência contra os abusos ocidentais na região. Essa resistência é apoiada pelo Irã. Há já cinco ou seis anos que os EUA seguido dos seus irmãos em armas tentam desligar a Síria do Irã. Essa tentativa vinha sido feita por esforços de seduzir a Síria. Sendo que o país não se deixou seduzir pelas ofertas ocidentais, as tentativas de sedução já se transformaram em ameaças e preparações de guerra.

Combater a Síria é combater o Irã. Esse é um ponto central a se ter em conta no contexto atual. A balança do poder e da influência política hoje na região tende a favor do Irã, mas nada enfraqueceria mais o Irã do que a perda da Síria.

Há aqui cenários potenciais e devastadores. O Irã se manteria passivo frente a um ataque à Síria, ataque esse liderado pelos interesses ocidentais? Podemos pressupor que não. Os EUA não desejam que esse potencial cenário veja a luz do dia. O que eles querem é atacar a Síria e depois atacar o Irã, não os dois juntos. Seria demais até mesmo para os EUA-EU-OTAN. Isso já para nem se mencionar a cadeia de acontecimentos a serem desencadeados imprevisivelmente.

A marcha para uma guerra total e devastadora continua enquanto os EUA intensificam a guerra política e econômica da qual a decisão de embargo da União Européia só é um passo a mais. É uma marcha fúnebre dirigida por loucos falidos e letalmente armados.

REFERÊNCIAS E NOTAS:

[1] Mahdi Darius Nazemroaya, é sociólogo e autor consagrado especializado em questões do Oriente Médio e da Ásia Central. Tendo estudado e analisado em extenso a situação atual ele argumentou em favor do núcleo das idéias que aqui retransmitimos. Originalmente o núcleo sequencional das idéias e conclusões aqui apresentadas foram publicadas em "News"- "Obama´s Secret Letter to Tehran: Is the war against Irã on Hold?


*Artigo publicado originalmente em Iran News.

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COMO DE FOGE DE UMA GUERRA




José Goulão – Jornal de Angola, opinião

A toda poderosíssima OTAN está com um problema, pelo menos um: como sair do Afeganistão? A resposta, à primeira vista, até parece fácil. Basta empacotar as trouxas e regressar a casa, isto é, a muitas casas pois estão por lá contingentes de dezenas de nacionalidades.

Fugir pura e simplesmente também não é uma dificuldade. As retiradas estão contempladas por inerência em quaisquer planos operacionais, se for preciso com soluções de A, B a Z.

O problema da OTAN não é esse. É sair de um problema que criou – se foi em nome próprio ou dos seus membros de maior peso não interessa para o caso – dando a sensação de que ganhou a guerra, resolveu os assuntos pendentes e deixa em funções um governo que governa, um exército com autoridade em todo o país e forças de segurança que segurem.

Ora como sabemos este cenário é absolutamente virtual. E sê-lo-á pelo menos até 2015, data que o senhor Obama, comandante em chefe da Aliança Atlântica, definiu como sendo a da saída das suas tropas.

O que está em causa não é uma saída digna, o que até seria respeitável. É uma fuga apresentada como uma vitória através de uma campanha de propaganda que dê como alcançados todos os objectivos quando apenas um se concretizou, assassinar Bin Laden.

Mesmo assim demorou dez anos e consumou-se trocando um aliado por um potencial inimigo, o Paquistão.

Mas se o prazo estabelecido por Obama é 2015, a que propósito é que o assunto se levanta agora – e mais uma vez? Porque o atrapalhado presidente francês, Nicholas Sarkozy, reclama que isto não pode continuar assim depois de mais quatro compatriotas seus terem sido assassinados, não por um talibã mas por um soldado afegão revoltado por ter visto o vídeo de soldados norte-americanos urinando sobre cadáveres de talibãs.

Com eleições presidenciais a menos de cem dias, sondagens a pedir milagres, este é o tipo de coisa péssima para uma campanha eleitoral. Prometer a retirada é o mínimo. O máximo seria chamar já os soldados, o que podia funcionar como pau de dois bicos, o eleitorado natural de Sarkozy é a direita e a sua jamais perdida alma colonial.

Esta foi a razão pela qual o problema da retirada emergiu agora com esta acuidade. Amanhã pode ser por outro motivo, depois de amanhã por outra razão e assim por diante porque está tudo por resolver no Afeganistão.

A OTAN retirou os talibãs de Cabul mas em mais de dez anos não liquidou o grupo nem consegue ser credível na estratégia de negociação. Instalou na capital um governo sufragado por várias eleições fraudulentas que nem com o apoio do mais poderoso exército do mundo consegue governar muito para lá do palácio presidencial e dos edifícios do governo.

Há quase uma década que a Aliança Atlântica procura tornar operacional um novo exército afegão capaz de garantir a soberania em todo o país. Isto é, os seus criadores pedem-lhe que faça o que eles próprios não conseguem fazer recorrendo à maior força jamais reunida para uma guerra.

Apliquemos a esta situação, como mero exercício de reflexão, o método científico de redução ao absurdo.Suponhamos que a OTAN decidia sair amanhã do Afeganistão.

Quanto tempo estaria Karzai no palácio presidencial? Quantos meses levariam os talibãs a destroçar o exército afegão, provavelmente assimilando parte dele? Conseguiria desta vez o país resistir aos movimentos separatistas que a invasão estrangeira tem ajudado a fortalecer?

É este o problema que a OTAN não sabe resolver, depois de para ele ter contribuído em várias fases. Não é preciso ter memória de elefante para recordar que os talibãs, como o próprio Bin Laden e tantos outros grupos e grupinhos que gravitam na constelação Al Qaeda, nasceram em laboratórios geridos ou tutelados por grandes potências da Aliança Atlântica.

APONTAMENTOS DO LUBANGO “SÉCULO XXI” – III



Martinho Júnior, Luanda

A volta que tem de se dar em relação à presente situação não pode ser determinante apenas na cidade do Lubango, ela identifica-se com toda a Província, com todo o país e irá necessariamente demorar.

Há também os aspectos antropológicos que se têm de levar na devida conta, a perda de referências antigas, a chegada de novas referências, da forma mais caótica e que conduzem a riscos sociais acrescidos, com abertura aos oportunismos de última hora.

O estado está efectivamente empenhado em lançar “programas estruturantes”: há a construção de estradas, a construção ou recuperação de aeroportos e a recuperação dos caminhos de ferro.

Em muitos troços os caminhos de ferro vão circulando e nas estradas verifica-se que os angolanos não param de viajar, muitos deles meio extasiados com as paisagens que pela primeira vez admiram.

No Lubango a nova aerogare é atraente e futurista, feita em estrutura leve, com muitas fachadas em vidro abrindo o espaço de comunicação com o exterior, para a pista e para os acessos circundantes.

No Lubango começou-se um “programa de urbanização e ordenamento” da cidade.

Conforme o Jornal de Angola (“Cidade do Lubango com nova avenida” - http://jornaldeangola.sapo.ao/14/16/cidade_do_lubango_com_nova_avenida) há a preocupação de enfrentar o caos que está na base da imagem de degradação que entrou cidade dentro e praticamente se instalou até aos espaços mais nobres.

A adjudicação da nova obra foi entregue à construtora brasileira Andrade Gutierrez-ZagopeAndrade Gutierrez-Zagope, mas oxalá que o produto acabado não fique como um troço de estrada que há na direcção de Quilengues, obra dessa empresa, uma estrada “descartável”, cada vez com mais falhas de alcatrão e cheia de buracos.

A Andrade Gutierrez-Zagope tem um estaleiro de boas dimensões nessa estrada, está a trabalhar nela, mas os tapetes asfálticos que coloca foram, ou estão a ser, alvo de inspecção por parte da entidade pagadora, o estado?

Se o estado vai dando razoável conta do cimento e do alcatrão, inclusive já no enorme planalto de Angola, se as pessoas estão agora a viajar por uma parte do país, aquele onde as estradas e os caminhos de ferro estão a ser recuperados, reconstruídos, há todavia um deficit enorme em relação ao homem.

Isso é fruto da lógica que se implantou a partir de 1985: na paz não foi dada a oportunidade ao socialismo, que serviu e muito bem para fazer a luta contra colonialismo, “apartheid” e algumas de suas sequelas, mas que agora se esvai num “socialismo democrático” que deu demasiado espaço ao capitalismo selvagem neo liberal e cujas cores se assemelham aos hotéis da Seguradora AAA!...

Isso está a ser pernicioso para as políticas de relacionamento do campo com as cidades, causando assimetrias, desajustamentos e desigualdades profundas.

É fácil às “novas elites” assumirem-se como ocupadores de terreno sem serem latifundiários: algumas delas estão mesmo identificadas com o poder; a promiscuidade “público-privada” pode fazer o resto.

A ocupação de terras por parte da burguesia não está a significar em muitos dos casos a projecção de actividades correspondentes: conforme alguns exemplos observados invadiram por vezes espaços nobres, bem irrigados e com terra de excelente qualidade, para fazer uma “casa de campo”, (exemplos observáveis no perímetro da Humpata, um dos mais ricos para a agricultura do país).

Mesmo que essa burguesia cumpra, em função dos acessos a crédito e aos projectos que forem surgindo, com a sua parte (será muito difícil por que ela não possui cultura adequada, tem outras motivações e os projectos tornam-se demasiadas vezes em “elefantes brancos”), ela domina em relação às extensões mais ricas e reduz as possibilidades das massas camponesas que ainda existem, por vezes despojadas de suas terras, ou atiradas para terrenos mais pobres, sem acesso a créditos e sem estímulos que garantam a sua fixação às áreas rurais, elas mesmo a carecerem até de programas estruturantes.

Em Angola começa-se a falar na luta contra a pobreza, mas haverá algum programa, alguma vez, capaz de lutar contra os “imperadores de terras” quando eles demonstram tanta inaptidão?

Acho que simultaneamente à luta contra a pobreza necessário se torna lutar contra um padrão de riqueza eivada de corrupção.

Aperceber-se-ão que o subdesenvolvimento em que nos encontramos nutre-se do abismo contraditório entre as classes (que são também abismo no que diz respeito às “oportunidades”), das desigualdades, das assimetrias e das injustiças sociais?

É claro que ao manter-se a lógica capitalista selvagem neo liberal, o “modelo” de globalização que entrou porta dentro depois de 1985, instalou abismos humanos maiores que o da Tundavala: no patamar de cima, observando sobranceiramente a paisagem vai-se instalando uma burguesia oportunista e no fundo está a esmagadora maioria, que nem que possua muita força de vontade e conhecimentos de alpinismo poderá escalar a montanha.

Não poderá ser isso o início dum inveterado processo neo colonialista?

Esse abismo, apesar dos esforços resolutos dos “bons Governadores” vocacionados para os projectos estruturantes, tende a prevalecer e não foi para isso que o movimento de libertação abriu seu longo processo de luta em benefício de todo o povo angolano!

As vitórias contra o colonialismo, o “apartheid” e algumas das suas sequelas, não podem derivar para a vitória do neo colonialismo e portanto há que lutar contra o subdesenvolvimento, tendo o homem, todo o povo angolano, como prioridade e motivação centralizadora de todas as nossas atenções!

Só dessa maneira se poderá gerar socialismo que é também uma prova de renascimento e a maior prova de identidade!

O homem angolano deve buscar na trajectória do movimento de libertação toda a inspiração e energia para melhor prosseguir os desafios que advêm do passado, que impõem sucessivos resgates históricos, muitos ainda por realizar!

Foto: Tundavala com vista sobre a Leba.

- Ler mais de Martinho Júnior

Angola: VIAS DE ACESSO ESTÃO DESTRUÍDAS



Valter Gomes, Maquela do Zombo – Jornal de Angola, foto de José Bule - Uíge

As vias de acesso que ligam a sede municipal de Maquela do Zombo às comunas de Sacandica, Béu e Cuilo Futa estão muito degradadas. A população percorre a pé os 320 quilómetros entre Maquela e Sacandica, 75 até à comuna do Béu e 185 até Cuilo Futa. Devido às condições da via, a viajem de carro é longa e espinhosa, chegando a durar dois dias.

Os charcos, buracos e ravinas tornam o trânsito difícil. Pontes e pontões estão degradados ou destruídos. As estradas construídas no período colonial, nunca beneficiaram de obras de restauro. Pelo caminho, observam-se aldeias com casas de pau a pique, cobertas de capim ou chapas de zinco.

Muitas pessoas, principalmente as mulheres jovens, percorrem quilómetros a pé, carregadas de produtos do campo, para vender nos mercados informais ou para o sustento das suas famílias.

Os homens dedicam-se à caça e à pesca para diversificar a dieta alimentar. A fertilidade da terra e os rios que atravessam os campos agrícolas garantem o sucesso na produção da mandioca e jinguba.

As populações também cultivam arroz, batata-doce, banana, café, ananás, abacaxi, feijão, milho, cana-de-açúcar e citrinos.

Nas três comunas, os habitantes também se dedicam à criação, em grande escala, de gado caprino, suíno e ovino, que serve apenas para consumo das suas famílias. A comercialização é dificultada pela falta de transporte, como consequência das condições em que se apresentam as vias de acesso. Em Sacandica, Béu e Cuilo Futa, o comércio é feito através de permutas. Os produtos alimentares cultivados nestas regiões são utilizados para trocar com os pequenos comerciantes ambulatórios. As vias de acesso que ligam a sede municipal de Maquela do Zombo às comunas de Sacandica, Béu e Cuilo Futa estão muito degradadas. A população percorre a pé os 320 quilómetros entre Maquela e Sacandica, 75 até à comuna do Béu e 185 até Cuilo Futa.

Devido às condições da via, a viajem de carro é longa e espinhosa, chegando a durar dois dias.

Os charcos, buracos e ravinas tornam o trânsito difícil. Pontes e pontões estão degradados ou destruídos. As estradas construídas no período colonial, nunca beneficiaram de obras de restauro. Pelo caminho, observam-se aldeias com casas de pau a pique, cobertas de capim ou chapas de zinco.

Muitas pessoas, principalmente as mulheres jovens, percorrem quilómetros a pé, carregadas de produtos do campo, para vender nos mercados informais ou para o sustento das suas famílias.

Os homens dedicam-se à caça e à pesca para diversificar a dieta alimentar. A fertilidade da terra e os rios que atravessam os campos agrícolas garantem o sucesso na produção da mandioca e jinguba.

As populações também cultivam arroz, batata-doce, banana, café, ananás, abacaxi, feijão, milho, cana-de-açúcar e citrinos.

Nas três comunas, os habitantes também se dedicam à criação, em grande escala, de gado caprino, suíno e ovino, que serve apenas para consumo das suas famílias. A comercialização é dificultada pela falta de transporte, como consequência das condições em que se apresentam as vias de acesso. Em Sacandica, Béu e Cuilo Futa, o comércio é feito através de permutas. Os produtos alimentares cultivados nestas regiões são utilizados para trocar com os pequenos comerciantes ambulatórios.
Paulo Yacala, presidente da Associação das Autoridades Tradicionais da comuna de Sacandica, referiu que a falta de reabilitação das estradas que ligam a Maquela do Zombo, tem criado graves problemas aos habitantes, principalmente no escoamento dos produtos agrícolas produzidos na região.

Falta de escolas

As autoridades tradicionais das comunas de Béu, Sacandica e Cuilo Futa estão preocupadas com a falta de escolas. Faltam também centros e postos médicos, maternidades, professores e enfermeiros.

A falta de uma antena para as operadoras de telefonia móvel deixa as populações mais isoladas. Não existem os serviços de Registo Civil. Na comuna de Sacandica existem apenas dois postos de saúde, um na sede comunal e outro na regedoria de Cuximane.

Estas unidades hospitalares, disse Paulo Yacala, há muito que estão incapacitadas para dar resposta aos problemas dos pacientes, devido ao estado avançado de degradação das suas estruturas.

O presidente da Associação das Autoridades Tradicionais de Sacandica disse que a falta de serviços de saúde com qualidade nas localidades tem obrigado os pacientes em estado crítico a procurarem os serviços de saúde da República Democrática do Congo. Um outro problema apresentado pelas autoridades tradicionais prende-se com a falta de escolas do segundo ciclo do ensino secundário.

Segundo as autoridades, nestas localidades, depois dos alunos concluírem a nona classe ficam impossibilitados de prosseguir os estudos.

As autoridades tradicionais defendem igualmente a construção de casas protocolares, escolas, centros de saúde, fornecimento de energia eléctrica e sistemas de abastecimento de água potável.

Uma comissão do Governo Provincial do Uíge trabalhou nas localidades de Sacandica, Béu e Cuilo Futa, no município de Maquela do Zombo, com o objectivo de radiografar no terreno as condições básicas de vida dos habitantes.

Os membros da comissão, coordenada pelo director provincial da Saúde, Benji Henriques, foram recebidos pelos administradores e autoridades tradicionais, com quem analisaram as áreas reservadas para a construção de novas unidades sanitárias e estabelecimentos escolares, além de outras infra-estruturas de impacto social.

As comunas de Sacandica e Béu têm três mil quilómetros quadrados, cada uma. A Sacandica tem sete regedorias, 67 aldeias e uma população estimada em 28.220 habitantes. A comuna do Béu tem 51 aldeias e uma população de 33.409 habitantes, maioritariamente camponeses.

A localidade de Cuilo Futa tem uma extensão de 2.766 quilómetros quadrados, quatro regedorias, 37 aldeias e uma população de 21.510 habitantes.

"PARA BRANCO VER"




Nuno Ferro Marques – Liberal (cv), opinião, em Colunistas

Haja igual reconhecimento internacional pelo nome do actual primeiro-ministro de Cabo Verde e algum alento de justiça - entre os homens e as mulheres desta Nação, no país e na diáspora - que das “instituições que funcionam” já ninguém honesto e trabalhador e experimentado pode esperar – que José Maria Pereira Neves, o pulha, terá certamente todas as honras que merece.

Recuo no nome do Aeroporto Nelson Mandela?

E o pedido de desculpas – preto no branco - ao povo de Cabo Verde, África do Sul, África inteira e a todo o mundo – civilizado – (e/ou respectiva assumpção de responsabilidades, houvesse ética na governação) pela arrogância de brincar com o nome e a dignidade humana, o património da humanidade que é a luta e o sacrifício de Nelson Mandela, Steve Bico e tantos outros que a escória nunca vislumbrará?

Por muito que a miopia do estômago de um povo sofrido assediado pela canalha não tenha reparado na incivilidade, o acto ora revogado foi uma demonstração da dignidade que merece à canalha a saudosa diva dos pés descalços que dera o nome, por esses dias, ao Aeroporto de São Vicente.

Que melhor forma de desvalorizar o povo que em São Vicente reclamou o nome dessa mulher cabo-verdiana condecorada pelo mundo inteiro senão a de, nesses dias, de empreitada, atribuir outro nome a outro aeroporto, entre um cheque passado a uma pexinguinha e um servicinho prestado a outra, tudo, na verdade, para fazer uma cena de ciúmes a um chefe de Estado convidado a visitar por esses dias o país de Mandela?

Duma assentada, Cesária Évora e cada cabo-verdiano, Nelson Mandela e cada sul-africano serviram de escada ao coroamento anunciado do imperador da ignomínia, já instalado, de cama e mesa - a troco de alguma coisa - em terreno do Estado alienado pelo futuro conselheiro ex-presidente que por artes mágicas nunca apresentou, não apresenta e por sinal não vai apresentar contas, sequer, mediante as devidas queixas por quem de direito às “Instituições” ditas de direito “que funcionam”.

A escumalha reunida em malga-conselho em vez de esperar louros por corrigir o que não deveria ter sido admitido, reponha os dinheiros que têm sido sonegados ao povo para pagar a pexinguinhas ex-deputadas da Nação e a todas as outras governantes e ex-governantes, os de saias e as de calças - à razão/ cheque de 800.000$00 a peça (quantia idêntica a uma bolsa de estudos universitária com duração de cinco anos) e a outros thugs contratados pelo mentiroso, ladrão e assassino da dignidade deste povo que se lembrou de fazer do Aeroporto da Praia a tabanca dos devaneios de pulha que jamais deixará de ser.

Só podem ser todos - sem excepção – feitos da mesma matéria.

Se é falso, queiram desmentir-me publicamente e processar-me, cada um de vós e/ou todos juntos, nos Tribunais, esses mesmos que “funcionam”, em primeiro lugar, para não contrariar o Estado – leia-se a trampa que o contém e nele está contida.

Se não, tenham vergonha na cara, por vós e pelos vossos descendentes.

Todos e cada um de vós.

CABO VERDE NO TOP DOS PAÍSES ONDE HÁ LIBERDADE DE IMPRENSA



Liberal (cv)

Segundo relatório dos Repórteres Sem Fronteiras

No final da lista, como era previsível, Coreia do Norte, Síria e Irão, figuram na “zona negra”, mas as “democracias históricas” levam cartão vermelho: França, Itália, Reino Unido e EUA desceram vários lugares e, neste último, há registo de jornalistas presos e alvo de agressões policiais

Praia, 25 de Janeiro 2012 – A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) tornou público o seu relatório sobre liberdade de imprensa. Surpreendentemente, Cabo Verde, que em 2010 ocupava a 26ª posição, saltou agora para o “top ten”, afirmando-se no 9º lugar. Porém, os critérios de atribuição decorrem sob uma lógica empírica, porquanto – e segundo o responsável pelo Gabinete de Assuntos Africanos dos RSF, Ambroise Pierre -, acredita a organização que “os títulos têm toda a liberdade”, deduzindo assim existir uma “verdadeira tolerância das autoridades em relação aos jornalistas”, mas não especificando quais o métodos de análise e avaliação.

Naturalmente, Coreia do Norte, Síria e Irão ocupam os últimos lugares da lista elaborada pelos Repórteres Sem Fronteiras sobre o estado geral da imprensa no passado ano. Mas, exceptuando estes três países, o relatório considera 2011 “um bom ano para a actividade jornalística”.

Cartão vermelho mereceram as chamadas “democracias históricas” – numa alusão a França, Itália, Reino Unido e Estados Unidos da América (EUA) -, que “deveriam dar o exemplo”, mas onde tal não está a acontecer porquanto estão bem longe dos lugares cimeiros da lista. E o secretário-geral dos RSF, Jean-François Julliard, avança mesmo que a organização sente “uma degradação da situação, com perseguições nas redacções, jornalistas acusados e pesados processos judiciais”, para além de existir nestes países “uma tentação de controlar a informação, que se nota mais em 2011 do que há dez anos”, considera ainda.

De referir que, no respeitante aos EUA, 25 jornalistas foram sujeitos a prisões e agressões policiais quando cobriam contestações de rua promovidas por organizações radicais. Aliás, os EUA desceram, da 20ª posição em 2010, para o 47º lugar em 2011.

A liberdade de imprensa só é considerada boa na Noruega, Finlândia, Estónia, Holanda, Áustria, Islândia, Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde e Canadá, que ocupam, respectivamente, os dez primeiros lugares, considerados países em que os jornalistas têm “a liberdade devida para trabalhar e informar o público”.

DE CÓCORAS EM TROCA DE UM PRATO DE LENTILHAS



Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Ninguém pode levar a mal que os jornalistas domesticados deixem de dar voz a quem a não tem se, como acontece em Portugal, isso significar ser assessor do ministro.

Agora que tanto em matéria de democracia como de liberdade de imprensa (nenhuma existe sem a outra) Cabo Verde está uns bons pontos acima de Portugal, é altura de os donos dos jornalistas lusos e os donos dos donos implementarem as teses de Fernando Lima.

Recorde-se que as teses do consultor político do Presidente da República, Cavaco Silva, e seu ex-assessor de imprensa, dizem que "uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar".

Pelos últimos exemplos (RTP e RDP) tudo leva a crer que Miguel Relvas sabe lidar bem com o problema. Creio que para os lados do Governo português a tese reinante é a de que jornalista bom é… jornalista de barriga vazia.

De qualquer modo, não creio que a liberdade de imprensa seja um problema. Só é preciso que os Jornalistas, seja no Irão, na China, em Portugal ou em Angola percebam que dizer o que pensam ser a verdade é mais de meio caminho andado para a prisão, para o desemprego, para a margem da vida.

É preciso que saibam que a diferença entre Jornalistas bestiais e Jornalistas bestas é apenas o quero, posso e mando dos donos dos jornalistas e, é claro, dos donos dos donos.

Percebida essa regra de ouro, tudo é mais fácil. Os cargos e os correspondentes ordenados estão em linha directa com as colunas vertebrais amovíveis. Portanto, ser jornalista é fácil e até pode dar milhões. Basta, entre outras regras, baixar as calcinhas...

No Irão, há dois anos, Bahman Ahmadi Amoui, editor do jornal económico “Sarmayeh” e crítico das estratégias económicas do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão, acrescidos de 34 chicotadas.

E ainda se queixam os Jornalistas, alguns, do que se passa em Portugal. Já viram o que era apanhar umas tantas chibatadas por ordem dos mercenários que tomaram conta de alguns dos estaminés?

E pelo andar do reino esclavagista do Relves e Coelho, entre outros, os gulags, apesar das denúncias de, por exemplo, Alexander Soljenitsin, continuam a existir, tantas vezes dentro das próprias redacções que, cada vez mais, funcionam como meros entrepostos dos partidos.

Na China, a 28 de Dezembro de 2009 as autoridades condenaram a seis anos de prisão o realizador tibetano Dhondup Wangchen, por ter filmado entrevistas com tibetanos para um documentário chamado “Leaving Fear Behind” (Deixar o Medo para Trás).

Pois é. Há muito que, no caso de Portugal, chegou a altura dos jornalistas perguntarem não o que o regime esclavagista pode fazer por eles mas, antes, o que eles podem fazer pelo regime.

E o que podem fazer é serem veículos transmissores e reprodutores das verdades oficiais, tipo Fátima Campos Ferreira no programa publicitário da RTP transmitido de Luanda sob a capa de informação. Se o fizerem terão a vida, uma boa vida, garantida.

Sendo que muitos deles até dão o mataco como prova de fidelidade, não custa a crer que estejam no bom caminho.

Os jornalistas sabem que é melhor estar de cócoras e ter um prato de lentilhas, do que estar erecto mas de barriga vazia. Sabem que é preferível serem criados do poder e ter dinheiro para pagar ao merceeiro, do que serem honrados profissionais e andarem a mendigar nas esquinas da vida.

O actual governo conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, convencer os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe, mostrar aos Jornalistas que ter um cartão do PSD é mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador.

Miguel Relvas tem razão quando calcula que, com mais meia dúzia de lentilhas, os jornalistas que ontem eram do PS passaram hoje a ser do PSD.

E se amanhã voltarem ao PS, nada de mal acontecerá. Portugal é uma gamela onde têm lugar cativo todos os que, como diz Pedro Rosa Mendes, “vivem dobrados em democracia”. E as gamelas não estão longe. Ontem a mais concorrida era a do Largo do Rato, hoje é a da Rua de São Caetano.

É claro que a questão do mérito é facilmente mensurável. Basta ter cartão do partido no poder, não ter coluna vertebral nem tomates.

Aliás, ninguém pode levar a mal que os jornalistas deixem de dar voz a quem a não tem se, como acontece em Portugal, isso significar ser assessor do ministro.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: HÁ MUITO TEMPO QUE ELES COMEM TUDO!

ALERTA AZUL




1 - Os sinais provenientes do edifício RTP, quanto ao exercício da liberdade de expressão e de imprensa, são mais do que motivo para preocupação. Eu ouvi a crónica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola (Antena 1) e conferi que era, de facto, duríssima. Na verdade, e apesar da despersonalização das acusações, são ali feitas denúncias susceptíveis de acção judicial por difamação. Acontece que este tipo de acusação ocorre todos os dias, na comunicação social portuguesa como nas outras, em relação a algum regime político estrangeiro (e/ou à sua oligarquia). Chama-se direito à indignação, chama-se alerta, chama-se intervenção política - chama-se uma série de coisas, muitas delas legítimas. Facto: o painel de cronistas de Estes Tempos, incluindo a também polémica Raquel Freire, foi destituído. Facto: a destituição foi promovida num instante e nuns moldes que justifica o debate em torno da palavra censura. E facto: o Conselho de Opinião da RTP, que nunca serviu para nada (quase sempre por falta de jurisdição, essa chatice), continuava, à hora em que escrevi este texto, sem se pronunciar. Se isto não são razões suficientes para preocupação, então não sei o que o será.

2 - No Big Brother brasileiro, um concorrente já tem em cima duas acusações de violação. No Big Brother argentino, dois outros planearam uma cena de sexo explícito para a hora do jantar. Espero que a Endemol, TVI e Teresa Guilherme estejam a tomar notas. É fundamental que a Casa dos Segredos, agora a caminho da terceira edição, continue a acompanhar as tendências internacionais. O casting será essencial. Chegou a vez dos marginais.

Portugal: TRÊS TRABALHADORES MORTOS EM ACIDENTE NA BARRAGEM DE FOZ DO TUA




Eduardo Pinto, com foto – Jornal de Notícias

Um desprendimento de rochas nas obras da barragem de Foz Tua provocou a morte de três trabalhadores. O acidente ocorreu cerca das 14 horas desta quinta-feira no lado de Carrazeda de Ansiães.

Os três trabalhadores foram apanhados pelo desprendimento de uma rocha que ocorreu sem que nada o fizesse prever, já que não haviam sido feitos rebentamentos, tanto quanto foi possível apurar na zona.

No local estão 20 bombeiros, GNR e INEM e também um helicóptero da Protecção Civil que aterrou na ponte que atravessa a zona a jusante do local do local onde está a ser construído o paredão da barragem.

Devido à permanência da aeronave nesse local, a ponte, que liga Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, mantém-se interrompida.

A comunicação com os bombeiros que se deslocaram ao local do acidente não é para já possível, devido à falta de rede.

Em declarações à Agência Lusa, o vereador da Protecção Civil de Alijó, Adérito Figueira, disse que o acidente ocorreu na sequência do deslizamento de uma máquina, que, por consequência, arrastou uma grande quantidade de terra que foi atingir os três trabalhadores, que ficaram soterrados.

- Em atualização no Jornal de Notícias

Portugal: Governo propõe fim dos feriados do 05 de Outubro e 1.º de Dezembro


Lusa

O Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 05 de Outubro e do 1.º de Dezembro, da lista de feriados obrigatórios, anunciou hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Álvaro Santos Pereira adiantou que o Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação de igual número de feriados religiosos.

As alterações à lista de feriados obrigatórios estabelecida no Código do Trabalho só serão aprovadas em Conselho de Ministros depois de serem discutidas com os parceiros sociais, numa reunião a realizar na próxima semana, referiu o secretário de Estado da Presidência, Luís Marques Guedes.