quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Angola aposta forte no progresso de Cabinda - Vai construir (o que é obra!) mais... picadas




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

O Governador angolano na colónia de Cabinda, Mawete João Baptista, mostrou ao mundo que os colonialistas vão apostar no progresso.

Falando em Cabinda, afirmou que o programa do governo que visa a abertura de picadas em toda a extensão da colónia (ele, como Salazar fazia em relação a Angola, chama-lhe província), com destaque para os municípios do interior, demonstra a vontade do executivo em responder os apelos das populações visando o seu bem estar social e a sua inclusão social e segurança na sua mobilidade.

Mawete João Baptista apontou que é objectivo do Governo colonial criar cada vez mais as condições necessárias para as populações, sobretudo as que vivem em áreas de difícil acesso, para que se sintam também incluídos nos programas ajuizados pelo governo, nomeadamente, na saúde, na educação e no ensino, na água potável, na energia e em especial terem uma segurança total para o exercício das suas actividades no campo.

“Nós estamos gratos por esse esforço que corresponde com a alegria das populações nessas áreas”, disse Mawete João Baptista, para mais adiante sublinhar que a abertura das picadas inoperantes há mais de 30 anos, no caso de Alto Sundi - Sanda Massala (Belize), Quissamano - Necuto (Buco-Zau) e o melhoramento (asfaltagem) da estrada que liga a Comuna de Dinge (Cacongo) e a de Necuto (Buco-Zau), permitem hoje garantir o exercício cabal da administração do estado.

O repovoamento das aldeias abandonadas há muito tempo com a edificação de casas de construção definitiva são igualmente programas que o governo da colónia promete levar a cabo para o bem estar das populações da região em algumas localidades do interior.

Mawete João Baptista indicou ainda que o governo vai continuar a abertura de outras picadas ao longo de toda a fronteira com os dois países vizinhos os Congos Brazaville e RDC por formas a permitir que haja um melhor controlo das populações e da segurança.

“As nossas aldeias vão poder ser visitadas e beneficiar de programas do governo para seu bem-estar social. Teremos melhor segurança e evitaremos elementos que antes se aproveitavam para se instalar nessas aldeias isoladas devido a falta de estradas ou picadas onde preparavam acções contra as nossas populações já não o farão”, exortou o governador da colónia.

Apesar de mais de 70% das exportações angolanas de petróleo terem origem na sua colónia de Cabinda, o máximo que o regime colonial do MPLA dá ao povo são umas picadas por onde vão passar, é claro, os milhares de militares que lá tem e que – como força de ocupação – visam neutralizar qualquer tipo de resistência.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: PORTUGAL É O GOVERNO E O GOVERNO É PORTUGAL?

OS PERDOADOS DA DITADURA



URARIANO MOTA, Recife – DIRETO DA REDAÇÃO

Recife (PE) - A revista Época n? 706 traz uma boa reportagem sob o nome de “Os infiltrados da ditadura”. Antes de continuar, é bom esclarecer que a reportagem é boa pelo assunto e por alguma verdade que deixa escapar, apesar da pauta e direção da revista. O fato é que, num surto de bom tema, a reportagem traz a público os perfis breves de cinco agentes do Centro de Informações da Marinha, que se infiltraram na resistência à ditadura.

Assim, ficamos sabendo dos infiltrados Manoel Antonio Rodrigues, Gilberto de Oliveira Melo, Álvaro Bandarra, este na cúpula do PCB, de Maria Thereza Ribeiro da Silva, no PCBR, e mais Vanderli Pinheiro dos Santos, executor da sua farsa de tal maneira, que recebeu da Comissão da Anistia 234 mil reais e pensão acima de 3 mil por mês. Mas claro, recebeu e recebe porque alegou haver sofrido perseguição e torturas, ao requerer o benefício a pessoas de boa-fé na Anistia. Se uma pesquisa rigorosa se fizer, deve haver outros em igual situação, pois a decência é terra estranha a bandidos e assemelhados.

No sentido acima, a reportagem marca um tento. Os agentes duplos, as infiltrações nos partidos e movimentos clandestinos, cujo maior exemplo é o senhor cabo Anselmo, começam a aparecer. Esse é um terreno fértil de sombras e traições, que o Brasil inteiro ainda muito saberá, a partir da abertura dos arquivos e do trabalho da Comissão da Verdade. Sim, a partir dela, que hoje recebe ataques à ultradireita e à sectária esquerda. Da direita, por absoluto conhecimento do que pode vir da Comissão. Da esquerda à esquerda, por um desejo precoce de resultados, enquanto vira palmatória dos que julga vacilantes.

Importa agora destacar o quanto a orientação da revista limitou a exploração da mina da luta e infâmia. O quanto há de conflito entre a reportagem, o mundo terrível que revela, e a ideologia da empresa. São palavras do Diretor de Redação da revista Época, ao tentar pôr venda nos olhos do leitor:

“Na reportagem fica claro como é impossível separar bandidos e mocinhos de modo categórico. Havia, de ambos os lados, seres humanos movidos por medos, angústias e tensões – alguns deles capazes de todos os tipos de ação, do assalto ou justiçamento à tortura e execução. O repórter Leonel descreve, em especial, a realidade ambígua daqueles que foram infiltrados pelos órgãos da repressão nos movimentos de esquerda. Ele descobriu onde vivem alguns hoje e, ao conversar com eles, testemunhou como a ditadura marcou suas vidas.

As histórias narradas pelo repórter revelam como é simplista a visão daqueles defensores da Comissão da Verdade que tentam disfarçar seu desejo de vingança com a mais nobre roupagem de defesa dos direitos humanos... Porque, se há algo essencial a dizer a respeito daquele passado, é que ele felizmente passou”.

Se esses não fossem os ferros a prender o repórter, ele teria ouvido os feridos sobreviventes à delação, que até hoje estão machucados no corpo e na alma. E escrever isso não é rascunhar uma frase de retórica. Por exemplo, deveria ter ouvido Maria do Carmo, companheira de Juarez, da VPR, que ainda sofre dores atrozes no espírito por viver depois do então companheiro. Em lugar de “a vida dos infiltrados era cheia de medo, dúvida e tensão”, como está na reportagem, seria informado que a vida dos militantes socialistas era cheia de contínuo terror, tortura e assassinatos. Mas que ainda assim continuavam, pois não podiam deixar de crer em um Brasil fraterno.

No editorial da revista, as operações mentais, as táticas do discurso são conhecidas: relativiza-se para nivelar executores e executados, torturados e torturadores. No passo seguinte, instaura-se o reino de lobos a lamber carinhosos ovelhas, de leões a serem puxados pelos bigodes por zebras, porque todo o sangue e ferocidade é passado. Porque o passado, como diria o Marquês de Maricá, o passado passou. No entanto a realidade resiste a tão bons e piedosos propósitos. Perguntem a todo o mundo civilizado sobre os crimes de guerra de nazistas e se diga aos “vingativos” netos das vítimas que o passado passou. E nem se precisa perguntar aos humilhados e pisados no oriente. Aqui perto, na Argentina, perguntem. Se a humanidade assim concordar, poderemos todos chamar os companheiros de Fleury para um jantar de confraternização, ao som de “hoje é um novo dia, um novo tempo já começou”.

Mas enquanto esse futuro bobo não chega, que venha e se aprofunde a Comissão da Verdade. Urgente, já.

*É pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.

Lagarde diz que "nenhum país sairá imune da crise", o Brasil está entre os mais protegidos



RTP

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou hoje que nenhum país ficará "imune" à crise, mas referiu que alguns possuem fundamentos mais "sólidos" para se defender e apontou o Brasil como um exemplo.

"Eu acredito que nenhum país sairá imune da crise, mas acho que alguns estão melhor protegidos por sólidos fundamentos económicos e esse é claramente o caso do Brasil", afirmou a responsável.

Em Brasília, após um encontro com o ministro das Finanças brasileiro, Guido Mantega, Christine Lagarde adiantou que o FMI divulgará em breve um comunicado com previsões atualizadas, com uma revisão em baixa, sobre a economia mundial.

"As análises de conjuntura fazem-nos acreditar que o crescimento será mais baixo do que o que havíamos previsto", admitiu.

Do Brasil, Lagarde dirigiu-se aos países da zona euro ao pedir que atuem com "rapidez" antes que outros Estados sejam "contagiados".

O ministro Guido Mantega, que também participou na conferência de imprensa, manifestou a mesma preocupação, admitindo que alguns países em desenvolvimento já começaram a sentir os efeitos da agitação internacional.

A diretora do FMI reforçou, no entanto, que o Brasil está entre os países mais bem protegidos e elogiou as "boas políticas" micro e macroeconómicas adotadas pelo país.

"O Brasil está mais protegido que outros países não só pela força de seu mercado interno, mas também por seguir os três pilares básicos de controlo da inflação, taxa de câmbio flutuante e metas de redução de inflação do défice público", enumerou.

Mantega admitiu que o Brasil avalia a possibilidade de entrar com um empréstimo adicional no Fundo monetário, mas destacou que a medida depende de os países europeus tomarem as medidas políticas necessárias para a solução da crise.

"Concordamos em colocar recursos desde que a Europa tome iniciativa e também compareça", sublinhou.

Pela manhã, Cristine Lagarde reuniu-se à porta fechada com a presidente brasileira Dilma Rousseff, com quem disse ter tido um encontro "muito produtivo".

*Foto em Lusa

OMS APONTA "PROGRESSO SEM PRECEDENTES" NA LUTA CONTRA A AIDS



DEUTSCHE WELLE

Segundo relatório da OMS divulgado na véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, número de novas infecções caiu na última década 15% em todo o mundo. Brasil é, novamente, citado como exemplo. África continua preocupando.

O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta quarta-feira (30/11), véspera do Dia Mundial de Combate à Aids, aponta "um progresso sem precedentes" na luta contra o HIV. Na última década, o número de novas infecções em todo o mundo caiu em 15% atingindo a marca de 2,7 milhões (2010). Além disso, o número de mortes por aids diminuiu em 22% em cinco anos, chegando a 1,8 milhão.

O documento afirma também que as pessoas estão mais esclarecidas, o acesso ao tratamento e à prevenção melhoraram. Um exemplo, conforme o relatório em cinco anos quadruplicou o número de mulheres grávidas em países em desenvolvimento e emergentes que fizeram o teste do HIV. "Há agora uma chance real de controlarmos a epidemia", afirmou Gottfried Hirnschall, diretor do departamento de HIV da OMS.

A OMS apresentou seu relatório anual em Genebra juntamente com a Unicef e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids). A Unaids já tinha divulgado em meados deste mês um primeiro relatório sobre a disseminação da enfermidade.

A Europa Oriental e a Ásia Central registram o maior crescimento mundial de infecções pelo HIV. É, entretanto, na África subsaariana que continua a haver a maior preocupação com a doença, já que mais de dois terços dos infectados em todo o mundo vivem na região.

Desta vez, entretanto, há motivos para otimismo neste ponto do planeta, porque cada vez mais africanos estão tendo acesso a medicamentos que mantêm o vírus sob controle. No Leste Europeu, porém, as taxas de tratamento permanecem baixas.

Aumento no Leste europeu e na Ásia Central

As tendências na Europa Oriental e na Ásia Central, onde a aids tem se espalhado mais rapidamente, são mais preocupantes. De acordo com as estimativas atuais, viviam nessas regiões, no ano passado, um total de cerca de 1,5 milhão de pessoas soropositivas - um aumento de 250% em relação a 2001.

Na Rússia e na Ucrânia, o HIV vem se espalhando de forma especialmente rápida. "E não há sinais de que a epidemia nesta região já atingiu o seu pico", observou Hirnschall. Ano passado, o número de pessoas que morreram pela doença na Europa Central e na Ásia Central foi de 90 mil, cota dez vezes maior que em 2001.

Na África subsaariana, no entanto, em 2010 quase metade dos necessitados recebeu a terapia antirretroviral. Em 2009, eram tratados 30% de pacientes a menos do que em 2010, tendo sido registrado o maior crescimento mundial.

Entretanto, o relatório afirma que a região tem a maior população de soropositivos no mundo, abrigando 22,9 milhões dos 34 milhões de soropositivos no mundo inteiro. A região também registrou 70% das novas infecções. O país com mais infectados permanece a África do Sul, com 5,6 milhões, mais do que na Ásia inteira.

Brasil é exemplo no combate à aids

Cerca de um terço das pessoas que vivem com o HIV na América Latina é de brasileiros, segundo o documento. Ressalta, entretanto, a taxa de adultos infectados no Brasil nunca alcançou 1%, devido a uma resposta bem coordenada ao problema, à proteção dos direitos humanos e aos programas específicos, que impediram uma potencial epidêmico no país. Segundo o documento, a estimativa de cobertura de tratamento antirretroviral para pessoas com HIV no Brasil chega a 70%.

O relatório critica o fato de que os investimentos em programas de HIV caíram significativamente em 2010, como consequência da crise financeira, enquanto cresciam ano por ano até então. De acordo com as estimativas, atualmente são gastos 16 bilhões de dólares (12 bilhões de euros). Necessário, seriam entre 22 e 24 bilhões de dólares. As Nações Unidas têm como meta de desenvolvimento do milênio a paralisação da propagação da aids até 2015.

MD/dpa/lusa - Revisão: Carlos Albuquerque

Sarkozy: “FRANÇA E ALEMANHA QUEREM UM NOVO TRATADO”




A França e a Alemanha pretendem um novo tratado europeu, afirmou hoje o presidente francês Nicolas Sarkozy num discurso muito aguardado sobre a crise da dívida na zona euro.

"A França e a Alemanha defendem um novo tratado europeu que refunde e repense a organização da Europa. Mais responsabilidade assumida perante os povos por um verdadeiro governo económico, esta é a nossa visão sobre o futuro da zona euro e a futura reforma dos tratados", explicou.

Nesta perspectiva, Sarkozy sublinhou a necessidade de "refundar" a Europa e restaurar a sua credibilidade e confiança, e disse que na segunda-feira vai de novo reunir-se com a chanceler alemã Angela Merkel para elaborar propostas que garantam "o futuro da Europa".

O chefe de Estado gaulês sublinhou ainda que vai fazer "todo o possível para que França e Alemanha convirjam e sejam o pólo de unidade" na estratégia de reforço do projecto europeu. "Se a Alemanha e a França se unirem, toda a Europa se une e fortalece", disse o Presidente perante um auditório de 5.000 pessoas, sublinhando que a convergência "assegura a paz" e não significa que um país fique subordinado a qualquer outro.

UNIÃO EUROPEIA AMPLIA SANÇÕES CONTRA SÍRIA E IRÃ





Aumentou o número de empresas iranianas impedidas de negociar na UE e de iranianos proibidos de entrar no bloco europeu. Além da União Europeia, Liga Árabe impõe sanções comerciais e financeiras à Síria.

Os ministros das Relações Exteriores dos países da União Europeia (UE) decidiram-se nesta quinta-feira (1º/12) em Bruxelas por novas sanções contra o Irã e a Síria. No âmbito do conflito nuclear com Teerã, foi aumentado em 143, para 433, o número de empresas e organizações iranianas proibidas de fazer negócios na UE. Ao mesmo tempo, sobe em 37, para 113, a quantidade de iranianos proibidos de entrar na União Europeia.

Devido à repressão aos oposicionistas do presidente Bashar al-Assad na Síria, os ministros decidiram-se também por uma série de medidas contra Damasco: não podem mais ser adquiridos títulos do governo sírio pelo bloco europeu e está proibida a exportação de equipamentos para o setor de petróleo e gás. Embora o petróleo sírio represente menos de 1% da produção mundial diária, ele é uma importante fonte de renda da Síria.

Além disso, bancos sírios não têm mais permissão para abrir novas unidades na UE e bancos da União Europeia não podem mais estabelecer joint ventures com bancos da Síria.

Mais pressão sobre Assad

Também aumentou para 86 a quantidade de sírios impedidos de entrar na UE, e para 30 o número de empresas proibidas de fazer negócios nos 27 países.

Os governos ocidentais e árabes elevaram a pressão contra Assad nas últimas duas semanas para que retire suas tropas das cidades, liberte os presos políticos e inicie um diálogo com a oposição.

Um comitê da Liga Árabe reunido no Cairo incluiu 17 membros do aparato estatal e familiares do presidente em uma lista de nomes cuja viagem a Estados árabes é proibida e cujos bens nos países árabes serão congelados.

Nesta lista está o irmão de Assad, Maher, que comanda a Guarda Republicana e é o segundo homem mais poderoso do país. O próprio Assad não consta da lista, o que é interpretado por especialistas como uma porta aberta para que busque exílio.

Entre as sanções está ainda que a partir de 15 de dezembro nenhum avião procedente de um país árabe poderá aterrissar na Síria. Também foi imposto um embargo comercial, que, no entanto, exclui alimentos básicos, medicamentos, equipamentos médicos, gás e energia.

UE elogia Liga Árabe

Fontes diplomáticas disseram em Damasco que a Turquia poderá seguir o exemplo da França e dos Estados Unidos e chamar de volta seu embaixador na capital síria. Também Ancara impôs sanções contra a Síria e congelou bens do Estado e de lideranças do país.

A União Europeia elogiou as sanções impostas pela Liga Árabe. "Estamos muito contentes com as medidas tomadas pela Liga contra a Síria", disse a encarregada de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, após uma conversa com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, em Bruxelas.

"É uma mensagem muito importante para o regime sírio, de que não só o Ocidente reage de forma clara contra a crueldade e a repressão, mas também todos os vizinhos e especialmente a Liga Árabe", disse o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, referindo-se a um "momento histórico".

Ele disse que a União Europeia prosseguirá seus esforços por uma posição comum no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde principalmente a Rússia bloqueia uma resolução contra a Síria.

"Estamos muito preocupados com a atual situação na Síria", disse o ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt. "Esperamos que o Conselho de Segurança em breve seja capaz de agir." Bildt salientou a preocupação da UE com a ajuda à população civil e reiterou que "não há qualquer debate sobre uma eventual intervenção militar."

Violência continua

Ao menos nove pessoas morreram nesta quinta-feira na Síria em novos ataques de forças de segurança. Segundo o Observatório para os Direitos Humanos na Síria, sediado em Londres, seis pessoas morreram nos arredores de Hama e outros três na província de Homs.

A agência estatal de notícias Sana informou que na quarta-feira foram libertadas 912 pessoas detidas devido "aos acontecimentos recentes".

RW/rtd/dpa - Revisão: Carlos Albuquerque

A DEMOCRACIA, ESSA MAÇADA




MANUEL ANTÓNIO PINA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

A liberdade de imprensa é uma maçada democrática. Outra é o "inalienável" direito à greve, como diria o ministro Miguel Macedo. De facto, a Democracia vem num "pack" constitucional que, se tem virtualidades, não tem menos inconveniências, sendo impossível adquiri-la sem adquirir também monos como esses.

Ora se, para os direitos à greve e à manifestação, há soluções clássicas, sintetizadas com admirável felicidade expressiva pelo director nacional da PSP: "Nós não andamos com bastões, nem com pistolas, nem com algemas, nem com escudos e etc. para mostrar que temos aquele equipamento" (esqueceu-se dos agentes provocadores infiltrados mas não podia lembrar-se de tudo, daí o "etc."), no que toca à liberdade de imprensa, quando a contra-informação não resolve o problema e falta "etc." apropriado, melhor é assobiar para o ar.

Foi o que fez Paulo Portas em relação à notícia do DN de que se terão misteriosamente evaporado, no caminho entre a proposta inicial e o contrato, 189 milhões das contrapartidas oferecidas pela empresa fornecedora das viaturas "Pandur" para o Exército e Marinha, adquiridas quando Portas foi ministro da Defesa. Conta o DN que "nem a Comissão Permanente de Contrapartidas nem Paulo Portas quiseram esclarecer a questão". Foi boa ideia, a questão esclarecer-se-á a si mesma com um ou dois penáltis mal assinalados e o incêndio dumas cadeiras e, para a semana, já ninguém se lembrará dela.


Portugal: Seguro acusa primeiro-ministro de anunciar "pesadelos" em vez de "soluções"


RTP

O líder do PS, António José Seguro, acusou o primeiro-ministro, Passos Coelho, de "baixar os braços" e, com "insensibilidade social", dar "pesadelos aos portugueses" em vez de dar "soluções", ao ter pré-anunciado "mais medidas de austeridade".

Segundo o secretário-geral do PS, o primeiro-ministro revelou na entrevista que deu na quarta-feira que não acredita no seu Orçamento, desresponsabilizando-se da sua execução, e demonstrou que havia a "margem" que os socialistas têm vindo a reclamar para atenuar o embate da austeridade.

"O primeiro-ministro pré-anunciou mais medidas de austeridade para o próximo ano. Quer dizer, em vez de dar soluções, o primeiro-ministro dá pesadelos aos portugueses", afirmou António José Seguro.

O secretário-geral socialista viu na entrevista dada por Passos Coelho à SIC a manifestação de um "baixar de braços, conformismo, ausência de esperança e ausência de sensibilidade social".

"Quando o primeiro-ministro tem um instrumento como o orçamento para aplicar a única coisa que sabe dizer é que se houver algum erro, se houver alguma falha, pedirá mais sacrifícios aos portugueses e mais sacrifícios às empresas", defendeu, acusando Passos Coelho de não ter dado uma palavra aos desempregados, sobretudo aos jovens.

Para Seguro, as declarações de Passos revelam "um primeiro-ministro que não acredita no Orçamento" que acabou de ver aprovado, porque se acreditasse, "demonstrava confiança", sendo que "a confiança é vital para dinamizar a economia".

"Esse pré-anuncio revela desresponsabilização porque quem apresenta um Orçamento tem que se responsabilizar pela sua execução, porque essa execução é garantia de cumprir as metas que esse Orçamento indica", acusou.

Brasil: Ministro do Trabalho acumula ilegalmente cargos públicos em cidades diferentes



GL - LUSA

São Paulo, Brasil, 01 dez (Lusa) - O jornal brasileiro Folha de São Paulo noticiou hoje que o ministro do Trabalho do Brasil, Carlos Lupi, acumulou ilegalmente dois cargos públicos, um em Brasília e outro no Rio de Janeiro.

A nova acusação aumenta a pressão sobre o ministro, que desde o início de novembro enfrenta denúncias de irregularidades no Ministério.

De acordo com a reportagem, entre 2000 e 2005, Lupi ocupou o cargo de assessor da liderança do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, era assessor de um vereador do seu partido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a quase 1.200 quilómetros de Brasília.

No último sábado, o mesmo jornal já tinha denunciado que Lupi, quando trabalhava para a Câmara dos Deputados, era um "assessor-fantasma" - recebia o salário, mas não comparecia no trabalho.

A legislação brasileira proíbe a acumulação remunerada de cargos públicos. Procurado pela reportagem, o ministro informou que, "caso seja comprovada alguma irregularidade, serão devolvidos os valores recebidos que não estejam dentro da legislação".

A crise no Ministério do Trabalho começou com a publicação de uma reportagem da revista Veja, que acusou assessores da pasta de receberem "luvas" de organizações não governamentais (ONG) sob suspeita. Essas ONG eram investigadas sob a acusação de estarem a desviar dinheiro de acordos com o ministério.

Dias depois, a mesma publicação acusou Lupi de ter feito uma viagem num avião pago pelo dono de uma dessas ONG.

Na quarta-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu recomendar à presidente Dilma Rousseff que exonere Lupi do cargo, por considerar que as respostas do ministro aos escândalos não foram satisfatórias.

Segundo a imprensa brasileira, a presidente queria manter Lupi no cargo até janeiro, quando deverá ocorrer uma reforma ministerial. Após a recomendação da Comissão de Ética, a líder brasileira terá voltado a estudar a substituição de Lupi.

Desde o início do governo de Rousseff, em janeiro, seis ministros já deixaram os cargos, cinco deles na sequência de escândalos políticos.

*Foto em Lusa

Guiné-Bissau: CEMGFA ANTÓNIO INDJAI AMEAÇA DEMITIR-SE



MB - LUSA

Bissau, 01 dez (Lusa) - O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai afirmou hoje que vai abandonar a chefia do exército guineense no dia em que entrar no país qualquer força militar da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental).

A possibilidade da vinda de uma força da CEDEAO (ECOMOG) foi analisada hoje numa reunião alargada entre as chefias militares, Governo e presidência da Republica, subordinada ao tema situação geral da Defesa Nacional.

"Eu não quero isso. Vou repetir isso. Não estou de acordo com essa ideia. E digo mais, no dia em que chegar aqui a força da CEDEAO é nesse dia que vou despir a minha farda. Vou para a minha casa, porque não estou sujeito a falta de respeito", disse o general Indjai, exaltado.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineenses questionou os presentes na reunião, na presidência da Republica, sobre os motivos porque a CEDEAO quererá enviar uma força militar para a Guiné-Bissau.

"O que é que a CEDEAO vem cá fazer. Estamos em guerra? Vem cá manter a paz? O que vem cá fazer então?", perguntou o general António Indjai, tendo sido respondido pelos presentes na reunião com um rotundo não.

O chefe do Estado-Maior guineense diz ser um falso argumento dizer-se que a força militar da CEDEAO virá a Guiné-Bissau para obrigar as pessoas suspeitas de crimes a irem responder à justiça.

"Se por acaso alguém for chamado a tribunal porque é que não há-de ir responder? Quem tiver praticado qualquer crime tem que ir responder a justiça. Para isso não é preciso a presença da CEDEAO", observou António Indjai, sublinhando que os guineenses são capazes de resolver os seus problemas sem ajuda de ninguém.

"Paremos com coisas que só servem para dar uma má imagem do nosso país. Mas isso são coisas que são feitas por nós mesmos, nós guineenses", disse.

"Isso é uma falta do respeito. O que é que a CEDEAO vem cá fazer. Será que precisamos de alguém que nos diga o que temos que fazer no nosso país?", destacou António Indjai, lembrando que há problemas "muito mais graves" nos outros países.

"Nos outros países há assassinatos de pessoas todos os dias. Recentemente no Senegal, os rebeldes mataram 12 pessoas, porque é que a CEDEAO não foi lá resolver esse problema. A fronteira está cheia dos rebeldes, ninguém consegue andar sossegado", notou António Indjai.

E acrescentou: "Na Guiné-Bissau não acontecem coisas que acontecem nos outros países. Mas é aqui que querem mandar a força da CEDEAO".

*Foto em Lusa

Cabo Verde: PM "confortado" com melhoria no "ranking" mas quer "tolerância zero"



JSD - LUSA

Cidade da Praia, 01 dez (Lusa) - O primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou hoje que a subida de quatro lugares no "ranking" sobre corrupção da Transparência Internacional (TI) constitui um "conforto" para o país, mas sublinhou que o objetivo é "tolerância zero".

"O último relatório sobre a corrupção acaba por trazer um grande conforto ao Governo de Cabo Verde e a todos os cabo-verdianos. Estamos muito bem posicionados e a evoluir no combate à corrupção. É claro que este conforto deve desafiar-nos a fazer muito mais e melhor no combate à corrupção", disse José Maria Neves.

No relatório da TI, hoje divulgado, Cabo Verde subiu de 45.º para 41.º lugar, numa lista que congrega 183 Estados, sendo, novamente, o melhor posicionado entre os cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) e ainda à frente do Brasil e de Timor-Leste.

"Temos de continuar a ser rigorosos e transparentes na gestão pública, de eliminar os espaços de desigualdade, como no ingresso na administração pública, de ser rigorosos e de promover o mérito, através de concursos, para que haja imparcialidade e igualdade de oportunidades para todos", disse o chefe do executivo cabo-verdiano.

"Temos de combater o «amiguismo» e o nepotismo que ainda existem em sociedades pequenas, como a de Cabo Verde, para que o país continue a subir no «ranking». Pretendemos que Cabo Verde seja um país "zero" de corrupção, que seja um país completamente livre de corrupção", sublinhou, numa declaração aos jornalistas.


Para José Maria Neves, globalmente, Cabo Verde "está no bom caminho" e a fazer progressos, razão pela qual o país terá de ser "mais ousado e de fazer sempre mais".
"Não podemos ficar satisfeitos pelo facto de estarmos agora bem posicionados. Temos um grande caminho a fazer, queremos ser um país com zero por cento em termos de corrupção e vamos continuar a trabalhar nesta linha", concluiu.

No relatório da TI, o 41.º posto de Cabo Verde corresponde a uma pontuação de 5.5 - numa escala em que 10 significa livre de corrupção e zero altamente corrupto -, contra os 5.1 de 2010, quando obteve o 45.º lugar, e situa-se apenas atrás de Portugal (32.ª posição) no "ranking" lusófono.

Moçambique ficou na 120.ª posição, com uma pontuação de 2.7, enquanto a Guiné-Bissau foi incluída no grupo dos 30 países mais corruptos à luz do Índice de Perceção da TI, situando-se no 154.º lugar do "ranking" com 2.2 pontos.

São Tomé e Príncipe, com 3.0 pontos, assegurou a 100.ª posição da tabela e Angola continuou como o país lusófono pior colocado, já que obteve uma pontuação de 2.0, situando-se no 168.º lugar.

Cerca de dois terços dos países obtiveram nota negativa de acordo com o relatório da organização que atribuiu à Somália, Coreia do Norte, Myanmar e Afeganistão as piores notas considerando-os os mais corrupto.

O "ranking" é liderado pela Zelândia (9.5 pontos), que trocou com a Dinamarca, agora em segundo lugar, seguindo-se a Finlândia, ambas com 9.4 pontos.

*Foto em Lusa

O CRÁPULA FALOU, ESTÁ FALADO!




ANTÓNIO VERÍSSIMO

ATÉ QUANDO? ATÉ QUANDO?

Foi no canal da SIC que o tempo de antena de quase 40 minutos permitiu que o aldrabão-mor, Passos Coelho, explanasse os seus ditames acerca da atual situação do país relativamente ao Orçamento de Estado que foi aprovado pela maioria parlamentar, vulgo Representantes do Bando de Mentirosos. Escutar o crápula por tanto tempo careceu de muito espírito de sacrifício por parte dos portugueses que tiveram a firmeza de sofrer ainda mais durante aqueles intermináveis minutos. O mentiroso-mor mostrou a sua raça neoliberal, insensível, servidora de uma casta super, para ele, que tudo faz por defender com denodo.

O entrevistador, de algum modo servil e acomodado, lá lhe fez umas quantas perguntas mais incómodas. Questionou-o sobre aquilo que ele disse e prometeu quando era líder da oposição ao governo de Sócrates e também quando protagonizou em campanha eleitoral, de onde saiu vitorioso. O que ele disse e prometeu é o contrário daquilo que ele está a fazer… Mas Passos não reconheceu que mentiu, afirma que o espírito de então é exatamente o mesmo de antes e que se preocupa muitíssimo com a classe média e com os famintos de Portugal, mas que esta austeridade, que recai quase exclusivamente sobre eles, é necessária. Com enorme prosápia afirmou que “os portugueses sabem”. O que os portugueses sabem é que ele é o mentiroso-mor deste governo. Um governo abjeto com a cumplicidade de Cavaco Silva.

Que portugueses sabem que é necessário ter um primeiro-ministro crápula? Não sabem, nem têm de saber tal facto, porque não é necessário, antes pelo contrário, andarmos às ordens que nos miserabilizam vindas de um crápula daquela dimensão, rodeado de outros que tais no seu pomposo governo. A austeridade tem sido para os que menos meios já tinham, para os que praticamente nada tinham e para a classe média. De resto, para a casta superior que Passos Coelho defende a austeridade é praticamente zero. Vendem-se mais iates, mais automóveis topo de gama, mais e melhores perfumes, mais de tudo que tem sido sempre consumo dos mais ricos. Os restaurantes mais caros não fecham portas, os hotéis mais caros idem. Nada que seja frequentado pelos mais ricos vai à falência. No entanto a perspetiva pertinente do fecho de restaurantes e cafés frequentados pela classe média e pelos pobres vão falir aos milhares e prevê-se que cerca de 40 mil empregados destes estabelecimentos de restauração desemboquem no desemprego.

É aviltante a “lata” que este crápula, Passos Coelho, tem. É um nojo que urge depurar do cargo que lhe foi proporcionado por via de tantas mentiras que veio dizendo a partir do momento em que assumiu a liderança do PSD. É aviltante que os portugueses vejam no Parlamento e nas televisões aquele crápula a exibir a sua hipocrisia com o maior dos desdéns por aqueles que ele próprio já empurrou e vem empurrando outros para a miséria. Afinal a maioria dos portugueses. Há fome em Portugal, a aumentar exponencialmente. O mesmo acontece com pessoas que perdem casas, algumas dão em Sem-Abrigo porque as suas gritantes necessidades as levam para o desnorte. Famílias despedaçadas é o que aumenta mais, crianças com fome, que chegam às escolas com fome são em número que já representam milhares… A isso Passo diz nada ou mente com todos os dentes que tem. Insensível, inumano, máquina tecnocrata e neoliberal para quem o negócio dele são os números e nada a mais que isso. Números que têm que reverter sob a forma de cifrões a favor da sua casta.

Até quando? Até quando? Até quando? Até quando?

*Também publicado em PÁGINA LUSÓFONA, blogue do autor

SE VOCÊ VIVESSE NO IRÃ, NÃO IRIA QUERER A BOMBA NUCLEAR?




Mehdi Hasan, Londres – Opera Mundi, opinião

Imagine, por um momento, que você é um mulá iraniano. Sentado de pernas cruzadas em seu tapete persa em Teerã, bebendo uma xícara de chai, olha para o mapa do Oriente Médio na parede. É uma imagem perturbante: seu país, a República Islâmica do Irã, está cercada por todos os lados por inimigos virulentos e rivais regionais, tanto nucleares como não-nucleares.

Na fronteira ao leste, os Estados Unidos têm 100 mil tropas servindo no Afeganistão. Na fronteira ao oeste, ocuparam o Iraque desde 2003 e planejam reter uma pequena força de militares contratados e operações da CIA mesmo após a retirada oficial no próximo mês. O Paquistão, uma nação nuclear armada, está no sudeste; a Turquia, aliada da norte-americana OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), no noroeste; o Turcomenistão, que atuou como uma base de abastecimento para os planos de transportes militares dos EUA desde 2002, no nordeste. Ao sul, através do Golfo Pérsico, há um agrupamento de Estados clientes dos EUA: Bahrein, lar da Quinta Frota; Catar, hóspede para um quartel geral do Comando Central dos EUA[CENTCOM – N.T.] e Arábia Saudita, cujo rei exortou os EUA a “atacarem o Irã” e “cortar fora a cabeça da cobra”.

E, claro, a menos de mil milhas do oeste, há Israel, seu inimigo mortal, com mais de 100 ogivas nucleares e uma história de agressão preventiva contra seus oponentes.

O mapa torna claro: O Irã é, literalmente, cercado pelos EUA e seus aliados.

Se isso não fosse preocupante o suficiente, seu país parece estar sob ataque (encoberto). Vários cientistas nucleares foram misteriosamente assassinados e, no fim do ano passado, um sofisticado vírus de computador conseguiu desligar bruscamente um quinto das centrífugas nucleares do Irã. Apenas no último final de semana, o “pioneiro” do programa de mísseis da República Islâmica, o general major Hassan Moghaddam, foi morto – com outros 16 – em uma grande explosão na base dos Guardas Revolucionários a 25 milhas de Teerã. Na internet é possível descobrir jornalistas ocidentais reportando que acredita-se que o Mossad [serviço secreto israelense – N.T.] esteja por trás da explosão.

E então uma pausa é feita para lembrar da lição fundamental de geopolítica durante a última década: os EUA e seus aliados optaram por uma guerra com o Iraque não-nuclear, mas por diplomacia contra a Coreia do Norte armada nuclearmente.

Se você fosse nosso mulá no Teerã, você não iria querer que o Irã tivesse a bomba – ou, no mínimo, “latência nuclear” (isto é, a capacidade e tecnologia para rapidamente construir uma arma nuclear se ameaçado de ataque)?

Deixemos claro: não há evidência concreta de que o Irã esteja construindo uma bomba. O último informe da AIEA (Agência Internacional de Energia Nuclear), apesar de sua muito discutível referência às “possíveis dimensões nucleares do programa nuclear iraniano”, também admite que seus inspetores continuam “verificando o não-desvio dos materiais nucleares declarados pelas instalações nucleares [do Irã]”. Os líderes da República Islâmica – do Líder Supremo, Aiatolá Khamenei ao bombástico presidente Mahmoud Ahmadinejad – sustentam que o objetivo é somente desenvolver um programa nuclear civil, e não bombas atômicas.

No entanto, não seria racional para o Irã – geograficamente cercado, politicamente isolado, sentindo-se ameaçado – querer seu próprio arsenal nuclear, para fins defensivos e impeditivos? A Revisão da Postura Nuclear [Nuclear Posture Review] do governo dos EUA admite que tais armas podem jogar um “papel essencial detendo potenciais adversários” e mantendo “estabilidade estratégica” com outros poderes nucleares. Em 2006, o ministro da Defesa do Reino Unido reivindicou que a nossa estratégia nuclear de detenção foi desenhada para “deter e prevenir chantagens nucleares e atos de agressão contra nossos interesses vitais que não podem ser combatidas por outros meios”.

Aparentemente, o que tempera o ganso anglo-americano não é o que tempera o ganso iraniano. A empatia é escassa. Como o analista de política nuclear, George Perkovich, observou, "o governo dos EUA nunca avaliou publicamente e objetivamente as motivações dos líderes iranianos em buscar armas nucleares e o que os EUA e outros podem fazer para remover essas motivações.” Entretanto, a República Islâmica é rejeitada como irracional e megalomaníaca.

Mas não são somente os líderes iranianos que estão reticentes em abandonar a questões nuclear. Em 15 de novembro, cerca de mil estudantes iranianos formaram uma corrente humana nas instalações de conversão de urânio em Isfahan, gritando “morte à América” e “morte a Israel”. O protesto deles pode ter sido organizado por autoridades, mas mesmo os líderes e membros da oposição do Movimento Verde tendem a apoiar o programa de enriquecimento de urânio iraniano. De acordo com uma enquete de 2010 da Universidade de Maryland, 55% dos iranianos apoiam que seu país tenha plantas nucleares e, notavelmente, 38% apoiam a construção de uma bomba nuclear.

Então o que deve ser feito? As sanções não funcionaram e não funcionarão. Os iranianos se recusam a comprometer o que acreditam ser seu direito “inalienável” de possuir plantas nucleares sob o tratado de não-proliferação. Ações militares, como o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, admitiu na última semana, podem ter “consequências inesperadas”, incluindo retaliações contra “forças dos EUA na região”. A ameaça de ataque irá apenas tornar mais difícil a resolução de um impedimento nuclear; beligerância provoca beligerância.

O simples fato é que não há alternativa à diplomacia, não importa quão truculentos ou paranóicos os líderes iranianos possam parecer aos olhos ocidentais. Se um Irã armado nuclearmente deve ser evitado, os políticos dos EUA devem abandonar sua retórica ameaçadora e enfrentar a percepção real e racional, nas ruas do Teerã e Isfahan, da América e Israel como ameaças militares à República Islâmica. Os iranianos estão atemorizados, nervosos, defensivos – e, como o mapa do Oriente Médio mostra, possivelmente com boas razões. Como um velho ditado dizia, não é porque você está paranóico que isso não significa que estão atrás de você.

*Mehdi Hasan é editor sênior (de Política) no New Statesman e editor do Channel 4 de notícias e assuntos atuais. Seu blog New Statesman pode ser acessado aqui. Artigo originalmente publicado no Commons Dreams.

Tradução de Lucas Morais

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EUA: O PULO DO GATO GINGRICH



ANTÓNIO TOZZI, Miami – DIRETO DA REDAÇÃO

Miami (EUA) - Newt Gingrich é o que se pode chamar de come-quieto. Quando começou a corrida pela indicação do Partido Republicano para ungir o candidato que terá o privilégio de disputar a eleição presidencial do próximo ano enfrentando Barack Obama, do Partido Democrata, muitos nomes foram surgindo como astros, mas se revelaram verdadeiros cometas, estrelas cadentes cujo brilho se apaga sem deixar rastros.

A brigada de choque dos republicanos, o indigitado Tea Party, tentou empurrar goela abaixo a candidatura de Michelle Bachmann, mas a deputada republicana por Minnesota demonstrou não ter nenhum estofo e não consegue decolar, apesar do discurso raivoso que pode seduzir os mais radicais, mas afasta os mais inteligentes.

Tentaram, então, tirar algum coelho da cartola ao empurrar o atual governador do Texas, Rick Perry, para a contenda. Teoricamente, ela se encaixava no figurino ideal. Conservador, à frente do Texas, um estado predominantemente republicano e com taxa de desemprego baixa, apoiado pelo cartel das petroleiras e com boa estampa. No entanto, quando os assessores dos outros candidatos levantaram a ficha dele constataram que ele havia assinado uma lei concedendo o Texas Dream Act para os jovens ilegais que viviam no estado e reuniam condições para continuar seus estudos universitários. Esta revelação, somada à sua falta de habilidade nos debates, derrubou a candidatura de Rick Perry.

Começou então a brilhar a estrela de Herman Cain, um empresário negro que se destacou no mundo corporativo como líder da rede de pizzarias Godfather. Poderia ser uma alternativa a Obama. Apesar de ser afrodescendente, o que certamente não desperta muito o entusiasmo dos brancos sulistas que ainda guardam resquícios de grupos racistas como a Ku Klux Khan, seu discurso conservador e a alternativa tributária angariou apoio. Quatro denúncias de abuso sexual e a total falta de intimidade com assuntos externos, porém, bombarderam sua candidatura.

Alguns parecem estar lá para fazer figuração, como é os casos de Jon Huntsman Jr., ex-governador de Utah, que foi até mesmo embaixador dos EUA na China no governo Obama. Ou seja, ficou marcado e não consegue registrar mais do que 1% na intenção de votos. Como ele, está Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, que integra o time dos candidatos insípidos.

Um capítulo à parte fica reservado a Ron Paul, médico e deputado texano. Autor de ideias polêmicas, ele é do tipo ame-o ou odeie-o. Talvez por isto sua candidatura não vem fazendo o sucesso esperado. Seus seguidores empedernidos acusam a mídia de ignorá-lo propositalmente e, com isto, impedir o crescimento de sua candidatura nas pesquisas. No entanto, as ideias controvertidas e a idade avançada (76 anos) são fortes obstáculos a serem superados.

Restam, portanto, Mitt Romney e Newt Gingrich. Romney é de fato o que que reúne as melhores credenciais para enfrentar Obama. Tem porte de presidente, foi governador de Massachusetts e é empresário bem-sucedido. Todavia, sua indecisão e o rótulo de liberal pespegado pelos mais conservadores vem impedindo que ele deslanche definitivamente. Na verdade, sua constante mudança de opinião chega a ser irritante. Num dia, em um encontro com os eleitores hispânicos, diz ser a favor da legalização dos imigrantes indocumentados; em outro, com simpatizantes do Tea Party, promete que em seis meses expulsará todos os ilegais. E isto se repete com todos os assuntos, sobretudo na área da saúde, onde fez em Massachusetts um plano similar ao de Obama. Confrontado pelos adversários, respondeu candidamente que isto serve apenas para aquele estado, mas não pode ser aplicado em todo o país. Está patinando nas pesquisas.

Por fim, Newt Gingrich. Seu passado condena. Sempre apontado como corrupto, foi um crítico feroz de Bill Clinton quando era presidente da Câmara de Deputados e pediu a renúncia do então presidente por causa de seu caso com Monica Lewinsky que, segundo ele, feria o decoro. Descobriu-se depois que ele próprio tinha três amantes. Ou seja, é um caso típico de faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço.

Entretanto, por saber que não conta com os votos dos ultra-conservadores, ele deu uma cartada arriscada, mas que pode resultar no pulo do gato. Advogou a favor da legalização dos indocumentados e defendeu o Dream Act, itens considerados anátemas pelos conservadores radicais. Ele espera conseguir atingir o eleitorado hispânico e conquistar os independentes, isolando ainda mais a direita raivosa. As próximas pesquisas dirão se ele fez ou não a coisa certa.

*Foi repórter do Jornal da Tarde e do Estado de São Paulo. Vive nos Estados Unidos desde 1996, onde foi editor da CBS Telenotícias Brasil, do canal de esportes PSN, da revista Latin Trade e do jornal AcheiUSA

Brasil: Suplentes não sabem explicar origem do dinheiro das emendas de secretários de SP


Paulo Alexandre Barbosa (foto à esquerda) e Sidney Beraldo (foto à direita) mantiveram cota de emendas mesmo licenciados do mandato sem nem precisar “dividir” com suplentes.
CORREIO DO BRASIL, com Rede Atual Brasil

Três deputados estaduais que são ou já foram suplentes na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) não souberam explicar a origem dos recursos que atenderam às demandas de emendas orçamentárias dos deputados titulares, licenciados para exercer funções nas secretarias do governo estadual.

Relatórios das atividades parlamentares indicam que os deputados licenciados e atuais secretários da Casa Civil, Sidney Beraldo (PSDB), e do Desenvolvimento Econômico, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), continuam a apresentar emendas, mesmo afastado dos trabalhos na Alesp. Por meio de sua assessoria, Barbosa garantiu que a prática é lícita e que continuará apresentando indicações para 2012.

O deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), que em 2010 era suplente de Beraldo, assegurou que a prática é incomum. “Não é o normal (o deputado licenciado e o suplente indicarem as emendas), aconteceu no passado, quando emenda não era colocada diretamente no Orçamento. Eu acredito que agora o deputado licenciado não terá mais (direito a) emendas, ou ele vai dividir (sua cota) com o deputado que assumiu no lugar dele”, explicou o deputado.

Nishimoto garantiu desconhecer que, à época, Beraldo também indicava emendas. Ele também observou que não há como especificar a origem da verba, já que existe, segundo o acordo firmado entre o Executivo e o Legislativo, um limite garantido para atender a demanda de todos os deputados estipulado em R$ 188 milhões – R$ 2 milhões para cada um dos 94 parlamentares da Casa.

O suplente de Barbosa na atual legislatura, deputado Geraldo Vinholi (PSDB), não quis falar com a Rede Brasil Atual. Sua assessoria não soube explicar a origem da verba requerida pelo secretário, também não disseram se há uma divisão na cota de emendas entre o parlamentar titular e licenciado, ou mesmo se os R$ 2 milhões garantidos a ele são usados.

Welson Gasparini (PSDB), suplente do também deputado licenciado e atual secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, foi outro que estranhou o fato de parlamentares que não exercem temporariamente função legislativa continuarem apresentando emendas. Gasparini também ignora a procedência dos recursos que alimentam as emendas orçamentárias. No entanto, garantiu que usa integralmente sua cota de R$ 2 milhões. “Quem deveria esclarecer isso é o secretário”, disse.

Para o parlamentar, as verbas oriundas das emendas nem seriam necessárias para os atuais deputados licenciados em cargos do secretariado. “Eu acho que ele (Barbosa) nem precisaria (das emendas), porque tendo domínio da secretaria, tem despachos diretos com o governador."

Brasil: Comissão de Ética da Presidência recomenda exoneração do ministro do Trabalho



PORTUGAL DIGITAL

A decisão de fazer a recomendação e de aplicar uma advertência ao ministro, mais alta punição que cabe à comissão aplicar, foi tomada, de acordo com Pertence, de forma unânime pelos seis conselheiros.

Brasília - A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu, quarta-feira (30), recomendar à presidente Dilma Rousseff a exoneração de Carlos Lupi do cargo de ministro do Trabalho e Emprego. De acordo com o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, as explicações apresentadas pelo ministro sobre as denúncias de irregularidades no ministério não foram convincentes.

A decisão de fazer a recomendação e de aplicar uma advertência ao ministro, mais alta punição que cabe à comissão aplicar, foi tomada, de acordo com Pertence, de forma unânime pelos seis conselheiros que participaram hoje (30) da última reunião do ano. "A decisão já foi encaminhada à presidenta Dilma Rousseff, e ela foi unânime", disse.

De acordo com Sepúlveda Pertence, não houve um fato específico que motivou a decisão da comissão. "A história dos convênios irregulares firmados com pessoas de seu partido e a própria resposta apresentada pelo ministro ao juízo da comissão motivaram a decisão", disse.

Lupi é acusado de várias irregularidades, entre elas a de utilizar em uma viagem pelo interior do Maranhão, em 2009, um avião privado, alugado pelo dono de uma rede de organizações não governamentais que, meses depois, ganhou um contrato para atender a projetos do ministério.