domingo, 29 de Maio de 2011

CONVERSA DESFIADA - OS GENERAIS DA NATO, ESPANHA REVOLTADA E O PORTUGAL COBARDE


  Em Portugal como em Espanha, que elas governem porque os seus filhos falharam

ANTÓNIO VERÍSSIMO

NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO!

Desfiando a conversa da semana e dos acontecimentos que durante ela ocorreram comecemos pela NATO e os seus generais assassinos, até ao Portugal borreguista e cobarde. Pelo entre temas sobressai a valentia e o exercício da cidadania em defesa da verdadeira democracia em Espanha. Um outro tema estava para ser incluído, abordando a energia nuclear e o perigo que pode representar a eleição para primeiro-ministro de Passos Coelho, que juntamente com Cavaco Silva – um mini presidente da República – já há muito se denunciaram como apoiantes de uma central nuclear em Portugal. Não nos admiremos se, depois de eleito, Passos Coelho emparelhar com Cavaco Silva para que optemos por tão perigosa e devastadora fonte energética. Em caso de acidente com proporções médias veremos mais de metade de Portugal inabitável e impróprio para produzir ou até para simplesmente servir de lazer, para além das mortes e doenças inacabáveis. O trato desse assunto e do perigo que ambas as personalidades atómicas representam não foi aqui incluído por suscitar significativo aumento da prosa. Futuramente será abordado e razoavelmente documentado. Importa é não esquecer que aqueles amigos do nuclear são dois presunçosos desonestos que nem em campanhas eleitorais abordam o assunto de suas convicções. Entretanto pensemos seriamente no que poderá acontecer se aqueles desfrutarem em simultâneo do controle total dos poderes políticos. Irão pugnar pela construção de uma central nuclear em Portugal por questões economicistas sem tomarem em consideração que já na Europa se está a abandonar aquele perigosíssima fonte de energia. Miremos o Japão neste seu último acidente. Coisa que o liberalismo selvagem de Cavaco e de Passos Coelho minimizam. Preferindo olhar para as vantagens economicistas. Se existem todas as razões sensatas para dizermos NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO! - também faz sentido agirmos de acordo com CAVACO – PASSOS COELHO? NÃO, OBRIGADO! Não fosse a cobardia e o nacional borreguismo e assim aconteceria. Assunto a abordar em breve.

NATO - GENERAIS ASSASSINOS

Podemos dizer que vai de vento em popa a matança de civis inocentes e inofensivos de qualquer idade ou sexo lá pelo Afeganistão, o mesmo podemos dizer sobre a matança de civis líbios e em outras partes do mundo onde a NATO, os EUA e os aliados – incluindo Portugal – se arrogam no direito e na impunidade de assassinar indiscriminadamente as populações que os generais assassinos apontem. Escusado será dizer que os militares robotizados, a bordo de seus tanques e aviões ou navios, obedecem cegamente, em cumplicidade absoluta, aos generais assassinos, que por sua vez vêm obedecendo aos políticos assassinos que obedecem às grandes corporações e complexos interesses económicos – que vão desde o petróleo à produção e compra-venda de armamento. “Negócios” em que os políticos debicam e lhes rendem milhões além de mordomias futuras.

A estes generais, políticos, empresários, corporações e demais associados dos crimes contra a humanidade - que envolvem a NATO e os exércitos das principais potências, EUA, Inglaterra, França, Alemanha, etc. – ninguém lhes imputa os crimes que praticam, que ordenam, que estudam e traçam estratégia ao pormenor. Aos crimes praticados classificam-no como danos colaterais… É esta a democracia e o humanismo dos EUA e da Europa. É onde cada vez mais assenta a selvajaria do chamado mundo ocidental, sem que na realidade os europeus ou os norte-americanos escorracem de uma vez por todas os políticos criminosos que têm eleito e que por esta hora já deviam estar a ser julgados num tribunal internacional por práticas de crimes contra a humanidade, a par de assassinos sérvios, de Kadafi e de tantos outros que servem de pretexto para os crimes da NATO.

A propósito, neste dia, como em tantos outros, é notícia que “Afeganistão: Pelo menos 14 civis morreram em ataque das forças da NATO”. Estes são aqueles de que vamos tendo conhecimento mas ninguém duvide de que as atrocidades e matança e em muito maior escala.

A REVOLUÇÃO EM ESPANHA E OS ARRUACEIROS DO FUTEBOL

Espanha está em efervescência. Quer verdadeira democracia. Quer controlar os políticos. Quer criminalizá-los e acabar de vez com as suas impunidades em roubos categóricos e evidentes ao considerarmos as suas fortunas após alguns anos de atividade política. O povo, principalmente a juventude espanhola, ocupa há duas semanas ruas e praças de Espanha em contestação aos políticos e políticas atuais. Conscientes das realidades, pacificamente, manifestam-se e gizam modos democráticos de pôr cobro aos esvair dos bens públicos para as contas bancárias de uns quantos criminosos a gozar de impunidades absolutas. São centenas de milhares por toda a Espanha, em praticamente todas as cidades, vilas e aldeias que manifestam e mostram apoio, solidariedade, com os protagonistas das maiores manifestações e resistências, em Madrid e em Barcelona.

Ontem, em Barcelona registou-se uma feroz tentativa do governo para desocupar a praça principal da cidade, onde muitos milhares decidiram acampar e protestar contra as atuais políticas e contra os atuais políticos e suas metodologias do engano. A repressão e violência sobre os jovens contestatários, levada a cabo pela polícia catalã às ordens dos governantes, foi vista por todo o mundo. Foi vista por todos os espanhóis. Em poucas horas Espanha saiu à rua protestando contra a polícia e suas acções em Barcelona, contra que desalojassem os jovens acampados na praça, e a favor dos protestos. Foi assim que vimos o recuo do governo, da polícia selvática, e o restabalecer da ocupação da praça em Barcelona. Assistiu-se ao apoio de pais, avós e amigos dos jovens, gentes de mais idade, que os foram apoiar na praça, pelas ruas, e até ajudá-los a reconstruírem tendas e outros equipamentos destruídos pelos mastins de polícia de choque, a que chamam “mossos”.

A acção do governo em Barcelona era o ensaio para depois desalojarem os jovens manifestantes em Madrid, nas Puertas del Sol. Não resultou. Foram às centenas de milhares que se multiplicaram os acampamentos por toda a Espanha. Multiplicaram-se aos milhares os espanhóis que disseram NÃO À REPRESSÃO e que exigiram VERDADEIRA DEMOCRACIA. Por esta hora o movimento organiza-se e cresce em todos os recantos do país. Pacificamente, democraticamente. Contra os que usam a palavra democracia falsamente com o objetivo de iludirem, vigarizarem e espoliarem os povos em proveito próprio e de seus cúmplices, familiares, amigos e associados.

Mas ontem em Barcelona a polícia, os “mossos”, acabaram por satisfazer as suas vontades de bater sem dó nem piedade, desta feita talvez com alguma razão. Foi contra os desordeiros e alienados do futebol. Antes, contra os manifestantes pacíficos, vimos quão cobardes e nojentos são determinados elementos das polícias… O que impressiona é que umas centenas ou milhares se deixem alienar tão gravosamente pelo futebol e sejam indiferentes aos interesses coletivos que garantam justiça, transparência e verdadeira democracia. Se acaso os “mossos” não malharam em excesso,foi pena as porradas que se perderam no chão e no ar, em legitima defesa física e da ordem democrática que a vasta maioria dos espanhóis desejam e por que combatem segurando a paz e a não violência.

PORTUGAL COBARDE, BORREGUISTA E ALIENADO

Em contraste com Espanha e seu povo sedento de verdadeira democracia, assistimos ao nacional borreguismo em Portugal. No Rossio, em Lisboa, três a quatro dezenas de jovens ocupam um pouco do espaço junto à estátua da principal e emblemática praça. Cartazes e mini-colóquios falam em VERDADEIRA DEMOCRACIA, a exemplo de Espanha e de outras partes da Europa. São trinta ou quarenta voluntariosos e valorosos jovens que ali estão há duas semanas, acampados e mal.

Pior que Espanha, Portugal encontra nos políticos nacionais os mais nojentos mentirosos e os maiores gatunos. Os incumpridores com fugas aos impostos devidos (caso de Cavaco Silva) e uso e abuso de outros métodos de “inteligências” em proveito próprio ou de associados, vão desde o presidente (mini, porque pouco votado) da República (dos borregos) até já nem sabemos quem, dos que se sentam nas várias cadeiras dos poderes. Mas nada. Os portugueses… NADA! Uns quantos até andam a borregar e a berrar pelas campanhas eleitorais com vista à eleição daqueles que mais não têm feito senão vigarizarem-nos. Roubarem-nos, incluindo a dignidade. A maioria esconde-se no “salve-se quem puder”. Outros vão exercendo “caridadezinhas” com um ou mais pacotes de arroz para o Banco Alimentar sem mais fazer. Sem se defenderem e solidarizarem-se com os poucos mas resistentes jovens que se mantêm no Rossio à espera que a cobardia nacional – legado salazarista – termine e dê lugar a um povo que saiba usar dos métodos democráticos e pacíficos para escorraçar as políticas e os políticos que nos conduziram ao atual descalabro nacional.

Em vez disso vimos os portugueses alienados e a voltarem a cair nos engodos dos desonestos que descaradamente ocupam todos os poderes – de Belém a São Bento e um pouco por todo o país. Alienados, levados e estupidamente enlevados em loas. “Levados, levados sim…” Como diz o hino. Levados, porque são cobardes e o que mais seja esta terrível “doença” tão nacional-borreguista que permite a continuação “ad eternum” da posse do poder a velhacos como os que andam sempre por aí pelo país e pela Europa, em nosso nome, a tirar proveitos indevidos na maior das impunidades.

ENERGIA NUCLEAR DIVIDE EUROPA APÓS DESASTRE DE FUKUSHIMA




Leigh Phillips - The Guardian – Carta Maior

As divisões na Europa sobre a energia nuclear se ampliaram depois de Fukushima, com a Grã-Bretanha e a França seguindo como firmes apoiadores, enquanto que a Itália suspende planos para a construção de novas fábricas e a Alemanha passa a dar passos rumo a uma eliminação gradual. O gabinete suíço defendeu a aposentadoria dos cinco reatores nucleares do país e o uso de novas fontes de energia para substituí-los. A recomendação será debatida no parlamento, com a decisão esperada para junho, com os reatores podendo ser desativados entre 2019 e 2034.

As rachaduras na política de energia nuclear da Europa resultantes do desastre de Fukushima ficaram expostas na quarta-feira, depois que a Suíça decidiu pela desativação de suas usinas nucleares, com os britânicos estendendo as suas e os franceses atuando para diminuir os níveis das checagens de segurança.

O Reino Unido, com o apoio da França e da República Checa, negociaram para que ataques terroristas fossem excluídos da lista de novos testes de segurança das usinas nucleares sugerida depois dos vazamentos de radiação nos reatores de Fukushima causados pela tsunami que atingiu o Japão em março.

O gabinete suíço defendeu a aposentadoria dos cinco reatores nucleares do país e o uso de novas fontes de energia para substituí-los. A recomendação será debatida no parlamento, com a decisão esperada para junho, com os reatores podendo ser desativados entre 2019 e 2034.

Os reguladores europeus fecharam um acordo sobre "provas de estresse" que as 143 usinas nucleares do continente devem suportar de desastres naturais, porém ataques terroristas foram excluídos em função do argumento britânico de que o assunto se encontra dentro da competência das autoridades de segurança nacional e não compete à Comissão Europeia ou a reguladores nacionais de energia nuclear.

"A razão pela qual excluímos o terrorismo dos testes foi, principalmente, embora não seja 100%, em função da resistência do Reino Unido", disse um funcionário da UE". As autoridades britânicas afirmam que há uma diferença entre os tipos de segurança. O grupo anti-nuclear verde Greenpeace também acusou o Reino Unido de liderar a oposição à inclusão de ataques terroristas nos critérios de simulação de segurança .

As divisões na Europa sobre a energia nuclear se ampliaram depois de Fukushima, com a Grã-Bretanha e a França seguindo como firmes apoiadores, enquanto que a Itália suspende planos para a construção de novas fábricas e a Alemanha passa a dar passos rumo a uma eliminação gradual.

As plantas devem agora provar que pode resistir a terremotos e outros desastres naturais piores que os do passado, como um terremoto de magnitude oito em vez de seis, embora uma definição precisa de "maior margem de segurança" fique a cargo do reguladores nacionais.

"Uma das lições mais importantes a ser tirada é que o impensável pode acontecer - que duas catástrofes naturais podem acontecer, ao mesmo tempo", disse a comissão ao anunciar o acordo.

Mas as catástrofes geradas pelo homem se provaram o ponto de discórdia. Cenários como acidentes aéreos e explosões perto de uma usina serão incluídos nos critérios de prova de estresse, mas, no que foi uma vitória para Londres, a questão dos ataques terroristas deve ser tratada separadamente por especialistas em anti-terrorismo e oficiais de segurança nacional.

Uma fonte do Reino Unido disse: "Nós sempre aprovamos as avaliações de segurança e risco, mas questões de segurança deve permanecer reservadas a especialistas em segurança nacional. Eu não acho que isso seja diluir os critérios de modo algum."

Os testes, que começam em junho, exigirão dos operadores das usinas respostas a um questionário sobre os vários cenários, com base em estudos de engenharia. As entidades reguladoras nacionais avaliarão se os relatórios são aceitáveis, e estarão sujeitos a um processo de revisão por equipes de sete membros do Grupo dos Reguladores Europeus da Segurança Nuclear.

A comissão não tem poder legal para fechar usinas nucleares e depende de pressão popular uma vez que os resultados sejam publicados no final de abril de 2012.

Tradução: Wilson Sobrinho

Portugal: A GUERRA DO SOLNADO




SÃO JOSÉ ALMEIDA - PÚBLICO

A campanha eleitoral está assemelhar-se a algo do domínio do caricato. Com o país à beira de sofrer mudanças radicais impostas pela Comissão Europeia e a sua missão a Lisboa chefiado a delegação que integrava o BCE e o FMI, os partidos continuam a ter um discurso que passa ao lado do que de substancial de facto importa discutir, que deveria ser, é claro, o que vai acontecer à sociedade portuguesa.

Com os líderes do PSD e do CDS mais interessados em discutir se foram ou não informados sobre alterações ao memorando do que em explicar o seu conteúdo e as suas reais consequências e com o PS e o ainda primeiro-ministro interessado em explicar coisa nenhuma, a campanha chegou a meio e, a cada dia, se parece mais com a guerra do Solnado, tal a inutilidade de algumas polémicas epidérmicas que rebentam e até o tom ridículo que algumas atingem.

Este sábado, na sequência de uma notícia do “Expresso” que confirma o que é um dado histórico, Cavaco Silva não gosta de governos pequenos – foi ele, aliás, que, como primeiro-ministro, modernizou e complexificou a estrutura governamental, como prova a tese de doutoramento de Marina Costa Lobo.

E, perante a notícia de que em Belém havia dúvidas sobre se seria sensato encolher o executivo para os dez ministros prometidos por Passos Coelho, o próprio Passos tratou de vir esclarecer que, afinal, a sua proposta de governo liofilizado era só para o caso de ter maioria absoluta.

Ora como, se ganhar, prevê que não terá maioria absoluta - uma constatação que só abona a favor do seu bom senso -, Passos Coelho confessou já que afinal o seu Governo terá de ter mais pois terá de incluir outros partidos.

Este episódio da “guerra do Solnado veria um novo desenvolvimento ao fim da tarde e a rapidez com que Passos foi no rastro das teses do Presidente, fizeram por tropeçar no desmentido que Cavaco faria já perto da hora de jantar à notícia do “Expresso”.

Um desmentido tardio, que apenas mostra que o Presidente temeu ser acusado de prejudicar a campanha do PSD por tornar pública uma discordância em relação a Passos, mas que tornou ainda mais caricato todo este episódio.

Além de mostrar a vacuidade do debate nesta campanha, a notícia oficialmente desmentida serviu para mostrar duas coisas. A conclusão que se tira é a de que, por um lado, a convicção na bondade de um Governo pequeno é para inglês ver, já que desaparece com a leitura do “Expresso” e as notícias sobre Belém.

Por outro, o Governo é, para Passos Coelho, não constituído de acordo com um modelo destinado a resolver os problemas do país e com ministérios que respondam às solicitações da sociedade e do Estado. Mas que o critério para aumentar ou diminuir ministérios é antes a necessidade de negociar com outros partidos quantos ministérios tem que dar a estes para comprar a paz parlamentar que lhe permita ser primeiro-ministro.

O PODER E A INDECISÃO




BAPTISTA BASTOS – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

Diz-se e escreve-se, por aí, que quarenta por cento de portugueses estão indecisos sobre quem votar. Creio, no entanto, que nesta análise (chamemos-lhe assim) reside algo de equívoco e de ambíguo. Na verdade, não há indecisos: há, isso sim, decisões voláteis. Cada um de nós, por orientação própria ou alheia, foi educado, "formatado" desta ou daquela maneira. Foucault, em Dits et Écrits, esclareceu muito bem essas relações de poder e de submissão, que talvez se possam sintetizar na existência das dinastias de operários, de economistas, de "gestores", de arquitectos.

As famílias de tipógrafos, de advogados, de médicos que se continuaram, são quase como as famílias de benfiquistas, de portuenses, de sportinguistas, de belenenses, que reelaboram os conceitos de pura vontade racional. O português "indeciso" não deixa de saber o que quer. Pode, por ira, desgosto, vingança ou desdém momentâneos, ausentar-se dos seus gostos e preferências. O absentismo é uma forma superior de protesto. Perante as combinações, os arranjos políticos vis, a mentira organizada e proliferante, o português compreendeu que o voto já não é a arma do povo.

As técnicas e as tecnologias que asseguram a coerção e os processos através dos quais as nossas vontades podem ser modificadas e alteradas desestabilizam o modo de ser e o comportamento de cada qual. Só assim se explica a manutenção no poder de grupos, clubes e partidos que têm conduzido as sociedades ao naufrágio. Portugal é um dos exemplos típicos.

Como em tudo o que se chama, agora, "identidades modernas", a verdade é um imbróglio, um enredo difícil de desembaraçar, e um modo de viver que se tornou aceitável e quase indiscutível. O diz que disse e não disse envolve práticas concretas, nas quais os mecanismos do poder foram, há muito, removidos da moral e da ética.

Temos de aceder (mas não aceitar) o torto princípio de que em nada existe independência, imparcialidade e objectividade. O carácter transversal e imediato desta anomalia invadiu, endemicamente, a nossa sociedade. O caso Sócrates pode ser "de estudo"; porém, Pedro Passos Coelho é um assunto de Estado: não possui ideias de seu, apenas ocorrências, escoradas em minúsculos incidentes. E está dito.

O poder, entre estes dois homens, é uma questão de relação subjectiva, um jogo comum de pequenas teimosias e de declaradas ambições. A tal "indecisão" dos portugueses é a imagem devolvida das pessoais indecisões daqueloutros. As fragilidades e os medos, os receios e as tibiezas são-lhes semelhantes. Sócrates, sem o suporte do aparelho e o fanatismo dos apaniguados pouco mais é do que um ser comum. Passos Coelho procura, entre os seus, que o execram ou desdenham, os sentimentos efusivos que fizeram de Sócrates o que foi. E já não é. Eles não criaram a "indecisão". Eles são a "indecisão".

Portugal: MEIO MILHAR DE PESSOAS PROTESTAM EM LISBOA CONTRA FMI




SIC NOTÍCIAS, com Lusa - 28 maio 2011

Perto de 500 pessoas desceram hoje a Avenida da Liberdade, em Lisboa, para protestar contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) sob o lema "Democracia Verdadeira, Já".

A manifestação, que começou junto ao cinema São Jorge e terminou no Rossio foi promovida pela Acampada Lisboa, um movimento espontâneo inspirado pelas "acampadas" em Espanha, e cujos membros têm pernoitado junto à estátua de D. Pedro IV, no centro da capital.

"Fora daqui, a fome, a miséria e o FMI", foram as principais palavras de ordem gritadas pelos manifestantes, de várias nacionalidades, e na sua maioria jovens.

Foi o caso da italiana Isotta, uma estudante do programa Erasmus, que se juntou a este movimento para reivindicar pela "Democracia que já não existe".

"Queremos uma democracia verdadeira e transparente na qual possamos escolher. Este é o momento certo para mudarmos", disse à agência Lusa.

Outro manifestante, que não se quis identificar, referiu que estava a protestar "por amor à pátria" e porque quer "um país de futuro".

"Não queremos cá o FMI. Não queremos mais pobreza. Queremos ter esperança no nosso país", sublinhou.

A manifestação, que acabou na praça do Rossio, foi sempre acompanhada de perto por agentes da PSP, não se tendo registado quaisquer incidentes.

No final os organizadores do protesto fizeram um balanço positivo da ação e prometeram não arredar pé do Rossio, onde estão acampados há mais de uma semana.

"Achamos que este é um tempo de mudança, pois temos cada vez menos direitos e mais dificuldades. A mudança vai depender muito da força do movimento e da capacidade para chegar a outras pessoas. Para já não planeamos sair", frisou.

A "acampada", que contesta o atual sistema político, começou na sexta-feira, no Rossio, em solidariedade com os contestatários que ocupam a Puerta del Sol, em Madrid, Espanha.

Também em Espanha, na sexta-feira cerca de 120 pessoas ficaram feridas em Barcelona durante uma carga policial da polícia espanhola a manifestantes que ocupavam a Praça Catalunha.

Lusa

Espanha - 15-M: LA NUEVA UTOPÍA TIEN LOS PIES EN EL SUELO




PERE RUSIÑOL, Madrid – PÚBLICO.es

Expertos y dirigentes de izquierdas coinciden en que el fenómeno de los indignados dejará huella y que la mayoría de sus propuestas son viables

Imaginemos que las acampadas de indignados que llenan las plazas de España van languideciendo lentamente, que la participación en las nuevas asambleas descentralizadas va reduciéndose progresivamente, que llegan las elecciones generales y todos los partidos corren un tupido velo y compiten como si no hubiera existido el 15-M.

O que las concentraciones se disuelven a golpe de porra o de manguera o de decreto.

No importa cuál sea la hipótesis peor: pase lo que pase, el 15-M ha dejado ya una huella que no podrá borrarse como si nada hubiera ocurrido. E impregnará sobre todo al conjunto de las izquierdas, les guste o no a sus dirigentes.

Por diferencias de análisis que haya, a estas conclusiones llegan todos los expertos consultados por Público: politólogos como Joan Subirats, Toni Comín y Jaime Pastor; sociólogos como Belén Barreiro e Ignacio Urquizu, activistas de la Acampada Sol y de Democracia Real Ya, dirigentes de los principales partidos o proyectos progresistas. El 15-M nació para quedarse. Y la mayoría de sus propuestas nada tienen de utópicas. Al contrario: tienen los pies bien amarra-dos al suelo.

"La mayoría de propuestas son muy sensatas y tienen un apoyo abrumador en las encuestas desde hace tiempo", opina Belén Barreiro, exdirectora del Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) y ahora al frente del Laboratorio de la Fundación Alternativas, quien advierte: "Cualquier político que aspire a ganar debería escuchar a este movimiento porque sus opiniones han calado muchísimo".

El piloto y las luces

Ignacio Urquizu, sociólogo de la Universidad Complutense, abunda en que, pase lo que pase, los políticos ya no podrán soslayar el 15-M: "Al piloto se le han encendido varias luces rojas: el CIS advierte desde hace tiempo de la mala imagen de los políticos, los votos blancos y nulos suman un millón de papeletas y ahora se han llenado las plazas. Si eres piloto y ves tantas luces encendidas, ya sabes que o tomas decisiones o el avión se estrella", afirma.

La impronta del 15-M afectará al conjunto de las fuerzas políticas y muy especialmente a las izquierdas. Jaime Pastor, politólogo de la UNED, está convencido de que el movimiento "obligará a renovar a todas las izquierdas, incluidos los sindicatos". Y Toni Comín, politólogo de la escuela de negocios ESADE y durante siete años diputado del PSC en el Parlamento catalán, sostiene que, en realidad, las demandas de los jóvenes tienen el aroma del programa socialdemócrata de derechos y servicios públicos que la izquierda institucional se ve incapaz de mantener: "Lo que pone de manifiesto es la incapacidad de la izquierda institucional por cumplir su propio proyecto porque no está organizada a escala europea", opina.

Movimiento indomable

Ya nadie pone en duda que, pese a que el motor de los indignados está construido con elementos muy heterogéneos, la gasolina es inequívocamente de izquierdas. Y también indomable: "Es un movimiento que no se deja manipular y que ningún partido tiene posibilidades de dirigir", insiste Pastor.

Las izquierdas PSOE, IU, Equo han llegado a las mismas conclusiones que los expertos: el 15-M está para quedarse; con independencia de la fórmula que acabe adoptando, tiene el corazón a la izquierda y es indomable.

"Es un movimiento muy empático, que hay que escuchar y que muestra lo viva que está la sociedad", afirma Pedro Zerolo, secretario de Movimientos Sociales del PSOE, quien asegura que comparte "la mayoría de sus ideas".

Ramón Luque, secretario electoral de IU y coordinador de la pasada campaña, aún va más allá: "Es un fenómeno irreversible, de una enorme importancia, con el que nos sentimos muy cómodos y que trastocará la foto fija de los últimos 20 años". Y añade: "No se diluirá si la plaza se agota. Y como tiene un método organizativo propio y tremendamente eficaz gracias a las redes sociales, en cualquier momento podrá volver a la plaza".

El exdirector de Greenpeacey ahora promotor de Equo, que aspira a crear un tercer espacio progresista inspirado en Los Verdes de Alemania, JuantxoLópez de Uralde, considera que se ha creado "un polo de ciudadanos activos que ya nadie podrá ignorar aunque quisiera". "Esta repolitización de la sociedad es muy importante y positiva", remacha.

Y, sin embargo, ¿son viables las propuestas lanzadas en las plazas por tantos jóvenes?

Los expertos y los dirigentes de izquierdas vuelven a coincidir: en general, sí. Y al menos merecen debatirse.

Pese a que la explosión creativa ha dejado un sinfín de ingeniosos lemas y de pancartas que se sitúan en la estela del mayo francés de 1968, las reivindicaciones consensuadas ahora tienen tanto los pies en el suelo que hubieran indignado a Danny el Rojo y a los líderes de la Sorbona: en el fondo, aspiran a un mejor funcionamiento del Estado de derecho y del Estado del bienestar que tan aburridos les parecía a los sublevados de 1968.

Cuatro líneas de consenso

Las cuatro "líneas de debate" consensuadas en las asambleas de Puerta del Sol no apuntan a la Revolución Social, ni a una sociedad sin clases, ni siquiera al pleno empleo. Son estas: 1) Reforma electoral para una democracia más representativa. 2) Lucha contra la corrupción. 3) Separación efectiva de poderes. 4) Mecanismos de control ciudadano para la exigencia de responsabilidad política.

"¡Cómo va a ser utópico lo que pedimos si ya está en las leyes!", afirma Juan Cobo, uno de los portavoces de la asamblea de Puerta del Sol, quien añade: "Lo que habrá que ver es cómo se hace, pero habrá que hacerlo porque ya está en la ley, ¿no?"

Cobo, de 26 años, es fotógrafo y vive de su trabajo, pese a lo cual tenía que cargar con la increíble losa de ni-ni colocada a toda su generación: "Siento que ya hemos ganado una de las batallas más importantes porque hemos despertado como individuos y como colectivo. Al menos se han acabado estas etiquetas".

Cobo insiste en que el trabajo es "a largo plazo" y que no será fácil conseguir resultados concretos porque "las instituciones están anticuadas", como a su juicio demostró la Junta Electoral con su falta de cintura ante la marea humana. "Con las limitaciones que hay, será necesario aumentar la presión y no me cabe duda de que se hará", remacha.

A Joan Subirats, catedrático de Ciencia Política de la UAB, le parece "absurdo" el mero hecho de que se exijan soluciones viables a un movimiento que apenas tiene dos semanas de vida cuando nadie las ha encontrado en los últimos años: ni los gobiernos, ni los think-tanks, ni los sindicatos, ni las universidades.

Vuelve la política

"En dos semanas han logrado que se vuelva a hablar de política y con una seriedad impresionante", apunta Subirats, quien considera que el cambio de la ley electoral y otros mecanismos de profundización de la democracia son "centrales" y no tienen dificultades técnicas. Incluso los expertos que consideran que los efectos del cambio de la ley electoral no implicarían necesariamente una mejora de la democracia como Barreiro y Urquizu, admiten que ningún problema técnico la impiden.

Subirats, una referencia académica en la investigación de mecanismos que mejoren la calidad de la democracia, lanza una batería de propuestas que conectan con las demandas de más democracia expresadas en Sol y que no sólo no son utopía sino que llevan años aplicándose en otros países: sistema electoral similar al de Alemania, que combina la máxima proporcionalidad del voto con la elección de diputados pegados al territorio; presupuestos participativos como los que funcionan en Porto Alegre, auditorías sociales que fiscalizan el cumplimiento del programa ensayadas en América Latina, referéndum a medio mandato para ratificar o no la continuidad del gobernante, como el que se prevé en California...

"A menudo se nos olvida que Arnold Schwarzenegger llegó a gobernador de California porque un referéndum a medio mandato forzó la marcha del antecesor. ¡Estamos hablando de California, no de Utopía!", insiste Subirats.

Una de las características que más ha sorprendido a los expertos es la capacidad de construir consensos que ha demostrado el movimiento de los indignados, pese a que la heterogeneidad de los participantes es tan amplia que sienta juntos a activistas de extrema izquierda con gente que se proclama conservadora, a hiperpolitizados con apolíticos. Y ello ha sido posible porque el 15-M ha dado muestras sobradas de humildad y falta de dogmatismo.

Lo muestra bien Natalia Muñoz-Casayús, de 35 años, una de las impulsoras de Democracia Real Ya (DRY), la red que prendió la mecha con las primeras manifestaciones: "Es lógico que algunas de las cosas que decimos no tengan suficiente rigor porque son sólo una expresión de malestar. Por esto lo que necesitamos ahora es el apoyo de los especialistas y la ayuda de toda la gente que sabe de cada uno de los temas", afirma Muñoz-Casayús, que subraya que habla a título individual y no como portavoz.

Su prioridad es "cambiar la ley electoral para que millones de ciudadanos tengan voz y para que quede claro que el voto es poder". ¿Cuál es su propuesta? "Queremos que los expertos nos ayuden a encontrar una fórmula mejor. Y también implicarnos para que se escuche nuestra voz".

Propuestas económicas

DRY tiene un programa de propuestas mucho más concretas y extensas que las consensuadas por la asamblea, agrupadas en ocho puntos (ver recuadro). Se atreven incluso con la economía y con una narrativa que, sin ser anticapitalista, va claramente en contra de la lógica dominante en toda la UE de apaciguamiento de los mercados: más impuestos a los ricos, mayor control de la banca, dación en pago en las hipotecas de forma que la entrega del piso salde la deuda...

Todos los expertos consultados coinciden en que incluso estos apartados tienen los pies en el suelo. Y que merecen ser al menos debatidos.

Uno de los asuntos más espinosos, por ejemplo, es el de la dación en pago, que ha encendido las luces de alarma de la banca hasta el punto de que la patronal ha escrito a la ministra de Economía advirtiendo de consecuencias gravísimas si llegara a adoptarse. Pese a ello, insiste el catedrático Joan Subirats, "algo habrá que hacer porque, de lo contrario, las consecuencias gravísimas serán para el propio sistema político".

Entre todo y nada hay un importante recorrido, subraya el catedrático. Por ejemplo: aprobar la dación en pago para las nuevas hipotecas sin aplicarlas retroactivamente e impulsar una línea de ayuda para las decenas de miles de afectados que han tenido que entregar la casa y siguen acumulando grandes deudas con su banco.

¿Y el impuesto sobre las grandes fortunas, o sobre las Sicav, el vehículo que utilizan los más adinerados para pagar sólo el 1% a Hacienda? "Algunos dicen que tiene complejidad técnica y que sólo es el chocolate del loro, pero no es una demanda meramente económica, sino básicamente política", opina Urquizu. "Si la política no pinta nada, habrá desilusión y una democracia no puede vivir de espaldas a la desilusión", añade Urquizu, que espera que la izquierda escuche de verdad el 15-M: "Los gobernantes tienen que reunirse con todos y no sólo con Botín y ello no tiene nada de utópico: no puede ser que se extienda la impresión de que el voto de algunas personas vale más que el de los demás".

"¿Para qué sirve la izquierda sino para intentar conseguir muchas de las cosas que pide el 15-M?", se pregunta Comín. "Si ni lo intenta, no tiene sentido", concluye.

Eric Hobsbawm, quizá el último gran sabio marxista, suele lamentar "la total negativa de parte de la izquierda a mirar cara a cara las realidades que no son de su agrado". Con ello suele referirse a los izquierdistas que desprecian cualquier atisbo de pragmatismo. Pero tras el 15-M y el 22-M, parece dirigido también a los que preferirían que la calle sólo fuera un lugar de paso.

Cuatro líneas de consenso en la Puerta del Sol

1. Ley Electoral

Reforma electoral encaminada a una democracia más representativa y de proporcionalidad real y con el objetivo adicional de desarrollar mecanismos efectivos de participación ciudadana.

2. Corrupción

Lucha contra la corrupción mediante normas orientadas a una total transparencia política.

3. Poderes

Separación efectiva de los poderes públicos.

4. Control ciudadano

Creación de mecanismos de control ciudadano para la exigencia efectiva de responsabilidad política.
Otros puntos

Los cuatro puntos consensuados y ya ratificados en asambles proceden de la comisión de Política. Pero hay otras comisiones en marcha: Economía, Medio Ambiente, Derechos Sociales y Educación y Cultura.

Democracia Real Ya, un programa muy detallado

Ocho puntos

DRY tiene un programa muy detallado, que puede consultarse en su web. Lo que sigue es parte del programa para abolir los “privilegios” de los políticos.

Absentismo

Control estricto del absentismo de los cargos electos. Sanciones específicas por dejación de funciones.

Salario

Equiparación del salario de los representantes electos al salario medio más las dietas necesarias indispensables. Supresión de los privilegios en las pensiones.

Inmunidad

Eliminación de la inmunidad asociada al cargo. Imprescriptibilidad de los delitos de corrupción.

Patrimonio

Publicación obligatoria del patrimonio de todos los cargos públicos.

Protestos - Espanha: Domingo dia chave para estratégia futura do "movimento 15 de maio"




ASP - LUSA

Madrid, 29 mai (Lusa) - Os membros do "movimento 15 de maio", também conhecido como "Democracia Real Já" decidem hoje, em assembleias em toda a Espanha, se devem ou não manter as mobilizações ou que estratégias adotar para manter o projeto vivo.

As assembleias celebram-se duas semanas depois do protesto inicial em Madrid, que deu nome ao movimento, e dois dias depois da ação policial na Praça da Catalunha, que desmantelou o acampamento e causou 121 feridos.

Essas cargas policiais e as imagens que mostram os agentes a agredir os manifestantes, muitos sentados no chão e com as mãos no ar, renovaram o interesse dos protestos em toda a Espanha, com novas enchentes de apoiantes tanto em Barcelona como em Madrid, na Puerta del Sol.

Hoje terão que escolher entre manter as mobilizações e ocupações das praças - mesmo que em formato mais reduzido, com uma presença mais simbólica - e descentralizar os protestos para o resto da geografia espanhola.

No sábado em mais de 250 bairros e municípios da Comunidade de Madrid já se ouviram hoje opiniões sobre o que fazer com os movimentos, nomeadamente o que fazer com o acampamento na Puerta del Sol, que tem sido o centro nevrálgico das ações.

Uma das alternativas passa por deixar uma 'embaixada' simbólica na Puerta del Sol que continue a receber propostas de cidadãos e a canalizá-las para o movimento que permanecerá fortemente ativo, como até aqui, na Internet e nas redes sociais.

Todas as propostas recolhidas junto das mais de 12 mil pessoas que participaram nas assembleias de sábado, serão debatidas a partir das 12:00 de hoje (11:00 em Lisboa) na Puerta del Sol.

Encontros idênticos decorrem noutras cidades espanholas como Saragoça, Valência, Barcelona ou em Las Palmas de Gran Canária.

Jovens espanhóis concentram-se em Pequim em solidariedade com movimento 15M




CFF - LUSA

Pequim, 28 mai (Lusa)- Cerca de trinta recém-licenciados e estudantes universitários espanhóis concentraram-se hoje no Parque Chaoyang, em Pequim, em solidariedade com os "indignados" do movimento 15M, que protestam em várias cidades espanholas.

"Queremos fazer algo que contribua para conseguir o melhor para o nosso país, uma democracia civilizada onde os corruptos não se riam do povo apresentando-se a ganhando eleições. Os políticos perderam a ligação com as pessoas e só lhes interessa o poder", disse uma das participantes, Teresa Alvarado citada pela EFE.

A jovem considerou "indigno que depois das eleições autonómicas e municipais nenhum grupo político tenha dado um passo para falar com eles [movimento 15 de março]. Não responderam ao chamamento e só querem o poder pelo poder".

A maioria dos jovens espanhóis, que se manifestaram sem palavras de ordem nem cartazes para não desafiarem a lei chinesa, estão na China para estudar o idioma ou medicina tradicional, mas há quem tenha deixado a Espanha forçado pela crise económica.

"Quando acabei Química fui para o Reino Unido pois tinha tentado trabalhar em Espanha e não consegui. Vim para a China e encontrei emprego como agente comercial", disse Pedro, outro estudante.

Para o jornalista Daniel, a manifestação de Pequim é a "expressão do desgosto pela falta de oportunidades laborais em Espanha, e também de mau estar com os políticos e de solidariedade e apoio ao movimento 15M".

Os jovens manifestaram ainda desejo que o 15M origine "propostas realistas" e mecanismos que permitam conseguir alguns progressos, nomeadamente em matéria de transparência e reforça da lei eleitoral.

Cabo Verde: ÁGUA VOLTA ÀS TORNEIRAS APÓS CORTE DE SEIS DIAS EM TODA A CAPITAL




JSD - LUSA

Cidade da Praia, 28 mai (Lusa) - Após seis dias sem água, a população da Cidade da Praia vai relembrar-se, a partir de hoje, para o que servem as torneiras, concluídas que estão as obras de beneficiação das condutas e armazenagem.

O corte inédito, anunciado de forma antecipada, permitiu ao Governo de Cabo Verde consolidar e melhorar as condutas de abastecimento, a quantidade a disponibilizar e a qualidade na capital, obras que começaram segunda feira, orçadas em 3,6 milhões de euros e integradas no 3.º Plano Sanitário da Cidade da Praia.

O corte veio também relembrar alguns hábitos já em desuso, não só como o de poupar de água como também outras formas de a utilizar, garantindo uma melhor gestão e maiores cuidados num arquipélago grandemente árido.

Face aos habituais cortes no abastecimento de água e de energia, os mais de 130 mil habitantes da capital de Cabo Verde, mais de um quarto do total da população do país, pouco sentiram as torneiras vazias.

Açambarcando largas quantidades de água em casa, o velho hábito do "banho de caneca" acabou por vulgarizar-se entre a população mais afetada, sobretudo a que reside nos novos bairros da capital.

Praticamente indiferentes ficaram os habitantes da periferia praiense, para quem a falta de água é permanente, socorrendo-se dos habituais autotanques disponibilizados pela câmara local, que esta semana estendeu as suas atividades a toda a cidade.

Hospitais, escolas, hotéis, comércio e restaurantes não pararam de laborar, pois asseguraram antecipadamente o abastecimento, minimizando os problemas, tal como explicou à Agência Lusa Ricardo Rodrigues, empresário português de restauração.

"Houve alguma dificuldade. Mas, como já estamos habituados à falta de água e de luz, tomámos precauções, e correu tudo bem, sem prejuízo para os nossos clientes, que era o mais importante. Temos os nossos próprios depósitos, mas não conseguirmos servir tão bem os nossos clientes. Felizmente, desta vez, avisaram a tempo", explicou.

Ana Teresa, 14 anos, estudante do ensino secundário na Escola Secundária Polivalente Cesaltina Ramos, na Achada de Santo António, disse à Lusa ter ficado "preocupada" com a falta de água, sobretudo com a lavagem os uniformes escolares, mas, depois, disse, com o correr dos dias, tudo foi diferente.

"Afetou no princípio, quando nos preparávamos para vir para as aulas. Sentimos muita necessidade de água. Ficámos preocupados. Como vamos arranjar água para lavar uniformes? Mas não, não afetou o rendimento escolar e as refeições quentes. As casas de banho foram sendo sempre limpas, pois a escola preparou-se para isso", contou.

A cidade não parou o seu normal pulsar, pese embora o "maior trabalho" na procura de água para encher tambores, bidões, garrafões e os depósitos que proliferam por grande parte dos semi-acabados telhados da maioria das habitações da capital.

Com a água de regresso às torneiras a partir de hoje à tarde, a vida voltará ao normal. Mas para a grande maioria, sobretudo nos bairros periféricos da Cidade da Praia, os hábitos não mudam, uma vez que as suas casas vão continuar sem água canalizada.

Moçambique: JUSTIÇA “AOS PÉS” DA POPULAÇÃO POBRE DOS SUBÚRBIOS DE MAPUTO




PMA - LUSA

Maputo, 28 mai (Lusa) -- A Escola Secundária de Lhanguene, num dos bairros mais populosos e problemáticos de Maputo, mudou hoje de atividade e funcionou com serviços de polícia, registo de nascimento e consultoria jurídica, para "aproximar a justiça da população pobre".

Conhecida pela delinquência da zona onde está situada e por ser referência para quem quer chegar ao maior cemitério da capital moçambicana, Lhanguene recebeu hoje visitas ilustres, incluindo da ministra da Justiça, Benvida Levy, que foram inaugurar a Feira da Justiça.

Na Feira da Justiça, inédita no país, a população pobre dos subúrbios do grande Maputo denunciou casos de violência doméstica, usurpação de terra, desrespeito dos patrões, tramitou documentos de identificação e registou crianças menores, mas também houve o caso mais comentado do dia.

Um homem de 30 anos apresentou-se na sala onde foram instalados os serviços de registo de nascimento para pedir o seu primeiro bilhete de identidade.

Para Maria Sopinho, chefe do Departamento da Criança e Mulher Vítimas da Violência Doméstica do Comando da Polícia da Cidade de Maputo as vantagens da iniciativa são inegáveis.

"A vantagem é que estamos fora de uma esquadra e o cidadão sente-se mais à vontade em falar dos seus problemas, porque na esquadra há a perceção de que será preso", disse Maria Sopinho, em declarações à Lusa.

Nas primeiras quatro horas de funcionamento da Feira, aos serviços de atendimento às vítimas de violência doméstica queixaram-se seis mulheres por maus tratos.

"Há homens que são vítimas de violência doméstica, mas não se queixam. O homem responde à violência com violência, as mulheres já não, optam pelo diálogo ou queixam-se", enfatizou a chefe do Departamento da Criança e Mulher Vítimas da Violência Doméstica do Comando da Polícia da Cidade de Maputo.

Com essa comparação, Maria Sopinho pretendia desmentir as acusações de discriminação contra os homens sugerida pela designação da instituição que protege as vítimas de violência doméstica.

A Feira da Justiça resolveu em horas situações que a população sem posses demora meses ou mesmo anos a ultrapassar, como a emissão de um novo bilhete de identidade.

"Vinha tratar do meu BI (Bilhete de Identidade), porque me roubaram todos o documentos em casa. Graças a Deus, atenderam-me bem, porque teria de acordar às 4:00 horas e ir formar bicha na Manhiça", disse, exultada, Maria de Lurdes Timane.

Para a Universidade A Politécnica, mentora da iniciativa, a Feira é para continuar, porque permite o acesso à justiça à população carenciada.

"Como é a primeira feira, posso dizer que tivemos muita adesão. Tivemos 50 registos de nascimento, 25 denúncias de foro criminal e 25 da área laboral", afirmou Belina Chembene, presidente da Associação dos Estudantes da Universidade A Politécnica e finalista do curso de Direito.

*Foto em Lusa