terça-feira, 20 de março de 2012

JOSÉ RAMOS HORTA, O GRANDE “SABÃO” FUNDA PARTIDO POLÍTICO?



António Veríssimo

A imagem escolhida não é por acaso. E contém divagações. Estão todos avisados. Outra vez: A imagem mostra o ato de votar de um timorense. O aconchego de através de uma inscrição num papel poder manifestar quem quer que seja o próximo presidente da República não acontece a todos os povos. Existem imensos por este mundo que não têm essa possibilidade. Costumam chamar a isso viver em democracia.

Pois, está bem. Pior é que raramente os candidatos políticos a este ou àquele cargo cumprem as promessas que fazem. Regra geral prometem mundos e fundos mas depois fazem quase sempre o contrário das promessas. Chama-se a isso, entre outras coisas, charlatanice. Por vezes ainda pior que isso porque há os que são mesmo uns grandes filhos de p…!

Mas não se trata disso agora naquela foto em cima. Como todos sabem, quem está ali pespegado é o ainda atual presidente da República de Timor-Leste, um Nobel da Paz, um católico fervoroso, beato e jesuíta até às entranhas. Um timorense com o dom da palavra e dotado de alguma inteligência, mas sobredotado em argúcia. Nunca dá ponto sem nó. Para o bem ou para o mal. Mal que nele não existe, porque é cristão romano e se algo de errado acontecer dirá que foi vontade de Deus. Quer dizer… O Outro é que leva com as culpas. Os pobres são pobres… por vontade de Deus e não porque a ganância, a desumanidade, a apetência para a exploração, livre arbítrio e espírito ladrão de uns quantos se apropria indevidamente, imoralmente ou ilegalmente dos bens que deviam ser pertença equitativa de todos. Mas isso agora não interessa nada.

O que interessa para já é explicar essa coisa no título sobre o grande “sabão”, José Ramos Horta. Não porque ele use sabão azul e branco ou de outra “etnia” – isso era antes – porque agora requinta-se com variados gel de banho e mais isto e aquilo. Fazendo lembrar as prostitutas de uma qualquer Rua do Crime, de um qualquer país que por lá as tem. É um pivete a coisa cara e de marca (só pode) que até provoca rinites olfativas a múmias. Ainda bem que ele não vai para uma pirâmide egípcia quando se dispuser a entrar no forno ou na cova para ser comidinho pelos bicharocos e assim perpetuar a sua presença na terra através do estrume produzido pela bicharada. “Do pó vieste e ao pó voltarás.” Perdi-me mas é meu desejo dar com o final disto rapidamente.

Sintetizando

“Sabão” – em título - no vernáculo português da vox populi de há umas décadas significava uma pessoa sabedora, sabichão, inteligente, com muita informação na carola, astuto(a), capaz de velhacarias, rato, chico esperto, etc, etc. Ora isso mesmo é Ramos Horta, como já atrás, lá mais em cima, consta… Ou devia constar que é para isto bater certo.

“Funda partido” – também em título – significa aquilo que vos chamou mais a atenção para estar a ler esta engonhosa prosa. Pois. Mas é isso mesmo. José Ramos Horta está a trabalhar para fundar um novo partido político em Timor-Leste que disputará com toda a legitimidade as eleições futuras. Abençoado. Como é? Satisfeitos? Oxalá que sim. Venha mais um. Se querem saber o que penso… Acho muito bem que Horta avance. É que no espectro político-partidário timorense falta qualquer coisa de mais substancial do que aquilo que já existe. Quantos mais melhor porque depois, com o passar do tempo, os que tiverem de se extinguir, extinguem-se naturalmente e a qualidade pode melhorar nas gerações de políticos jovens e nos vindouros. Oxalá, Timor-Leste. Agora, por enquanto, ainda é tempo dos rabecões serem tocados pelas chácaras de katuas. Mas olhem que já não falta muito para eles baterem a bota, nem a mim. Depois, no forno crematório, conversaremos. Levem o ar condicionado que eu sou pobrezinho e não tenho posses para isso. Levo um abano e já gozo. Aliás, vocês é que já enriqueceram num ápice e à força toda, a cobrar a fatura das vicissitudes por que passaram na guerrilha na montanha e no exílio. Chega. Já estão mais que bem pagos. E deixem-se de pagamentos vitalícios porque assim parecem-se mais com proxenetas de colarinho branco. Pois.

Mais: Novos capítulos sobre o partido hortaliça, digo, hortista, em breve.

Timor-Leste: PM visita Japão e Indonésia para reforço de relações



MSE - Lusa

Díli, 19 mar (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, iniciou no domingo uma visita ao Japão e à Indonésia para reforço das relações de cooperação e participar no "Diálogo Internacional de Jacarta sobre Defesa", refere o Governo em comunicado.

Segundo o documento, no Japão, o primeiro-ministro vai reunir-se com o seu homólogo Yoshihiko Noda para "acertar a contratação de um empréstimo com o Governo japonês que visa promover a estabilização económica e os esforços de desenvolvimento de Timor-Leste".

O chefe do Executivo timorense deverá também "atualizar" as autoridades japonesas sobre os progressos registados no país e "incentivar ao aumento do investimento".

Na Indonésia, acrescenta o comunicado, Xanana Gusmão vai participar no segundo "Diálogo Internacional de Jacarta sobre Defesa", onde discursará sobre "Operações Militares que não sejam de guerra: Perspetiva Regional e Nacional".

Participam naquele encontro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o Presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.

O "Diálogo Internacional de Jacarta sobre Defesa" é, segundo o comunicado, um "fórum importante para Timor-Leste reforçar a cooperação na área da segurança ao nível multilateral e regional".

O primeiro-ministro deverá regressar ao país no próximo dia 23.

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RAPIDINHAS DO MARTINHO – 71. O CIF DESCOBRE ÁFRICA E… OS ESTADOS UNIDOS!



Martinho Júnior, Luanda

O “China Iternational Fund” de Hong Kong, formado no início deste século, está à descoberta de África (http://www.chinainternationalfund.com/)!

Começou por Angola, onde participa nas políticas de reconstrução nacional… sabe-se lá a que preços de petróleo e outros…

Depois com a participação da SONANGOL, vai-se estendendo por alguns países africanos, procurando também outros da América Latina e… Estados Unidos!

Apesar de indicar que tem como objectivos a cooperação sul-sul, a pista do CIF conduz-nos ao que vem por aí, ao longo das próximas décadas, em direcção ao “corpo inerte de África” (terá alguma coisa a ver com África o que deixam no continente, com aquilo que dele levam?).

Onde o CIF passa indicia estar aberto a interesses e negócios público-privados, ou seja, abertos à cosmética de socializar os prejuízos do que é público para, por osmose, conceder muitos lucros ao que é privado!

Em África não tem sido difícil descobrir as riquezas da conveniência para os grandes interesses que representa a partir da plataforma multi nacional de finanças que continua a ser Hong Kong, com ou sem a participação do estado da República Popular da China.

Do petróleo e diamantes de Angola, passou para o bauxite de duas Guinés: a de Bissau e a de Conacry!

Depois passou para as riquezas do Zimbabwe (ouro) e de Madagáscar (petróleo)!...

Os mecanismos de que essa plataforma se serve estão ávidas de matérias primas, restando avaliar quanto os projectos de troca são os mais compatíveis com as políticas de desenvolvimento sustentável em África!

Há quem justamente coloque muitas dúvidas em tudo isso, até por que os negócios têm sido dirigidos a países aparentemente “mal parados” e efectivamente instáveis.

De finanças eles parecem perceber, de matérias primas também… o que eles nada percebem é de bandeiras, o que não é de estranhar: eles começam apenas agora a descobrir África!...

Vai daí trocam as bandeiras: a do Zimbabwe é indicada na posição geográfica da Guiné Conacry; a do Madagáscar está indicando o Zimbabwe e por fim a da Guiné Conacry foi colocada sobre o Madagáscar!

De acordo com “China-SONANGOL e o sub mundo da corrupção” (http://www.kissonde.net/?p=674):

“No mês passado, segundo a Reuters, o actual ministro de Minas teria dito que o contrato com o fundo seria revogado.

Por outro lado, em Angola, o presidente da China Sonangol, Manuel Vicente, é o nome mais forte para ser o próximo presidente.

No meio destas dúvidas, a China Sonangol alcançou o coração do mercado americano.

No final do século passado, o número 23 da rua Wall Street em Nova York era o endereço mais famoso do mundo das finanças nos Estados Unidos: ali ficava o quartel-general da primeira empresa bilionária do mundo, JP Morgan & Co.

Hoje, a China Sonangol está tentando transformar o prédio em um shopping luxuoso.

Através de uma companhia do estado do Delaware, CS Wall Street, a China Sonangol comprou o prédio em 2008.

O espaço comercial está sendo oferecido a empresas varejistas de elite. Em fevereiro deste ano, prováveis compradores encontraram-se em coquetéis para conhecerem o prédio.

Em julho, a Cushman & Wakefield Inc, uma empresa líder do ramo imobiliário, foi escolhida para procurar os novos inquilinos.

Mas três anos depois da China Sonangol comprar o imóvel, o prédio continua vazio”…

Entretanto o “China-SONANGOL” conseguiu participação em 4 blocos do recém-formado pré sal de Angola (http://portalmaritimo.com/2011/03/28/china-sonangol-consegue-participacoes-em-4-blocos-do-pre-sal-de-angola/).


“In May 2004 China International Fund Management Co. Ltd (CIFM) was incorporated as a joint venture fund management company between J.P. Morgan Asset Management (49%) and the Shanghai International Group (51%).

The incorporation of this new venture paved the way for us to participate in China's growing fund management industry. CIFM has consolidated its status as one of the top ten asset management companies in China, managing approximately RMB 82 billion through eight funds (as at March 2008).

In terms of assets under management, it has surpassed many of its competitors that have been established in the China fund management industry for much longer, strengthening its own remarkable brand and achieving widespread public recognition within the industry and among investors”…

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és e isso é tão mais verdadeiro quanto o CIF, que diz que prima pela cooperação sul-sul, mesmo trocando bandeiras, vai descobrindo África e… os Estados Unidos!!!

Gravura: Síntese dos interesses do CIF em África, segundo um “site” chinês (http://www.caixin.com/)!


Guiné-Bissau: Cinco candidatos exigem nulidade das presidenciais de domingo



MB – VM – HB - Lusa

Bissau, 20 mar (Lusa) - Cinco dos principais candidatos às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, realizadas no domingo, exigiram hoje a "nulidade" da votação e um novo recenseamento eleitoral "credível".

Kumba Ialá, Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé e Afonso Té avisaram a Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre as consequências da publicação dos resultados "de um processo fraudulento".

O aviso foi dado por Kumba Ialá, que em conferência de imprensa, falou em nome dos cinco, para dizer que a CNE não pode divulgar os resultados da votação de domingo porque "houve fraude generalizada e corrupção".

"Declaramos que rejeitamos quaisquer tipos de resultados que venham a ser publicados pela CNE que assumira a responsabilidade juntamente com aqueles que tomaram essa decisão", disse Kumba Ialá.

A declaração lida por Ialá resultou de uma reunião decorrida entre estes políticos num hotel da capital guineense.

"Existem graves irregularidades e fortes indícios de corrupção generalizada que desacreditam a consulta de dia 18", referiu a declaração lida por Kumba Ialá.

"Perante o imperativo de transparência, justiça eleitoral e ética política, sem os quais não pode haver legitimidade política, estes candidatos decidem denunciar perante a Comissão Nacional de Eleições, comunidade nacional e internacional, a organização fraudulenta das eleições e a sua total falta de credibilidade", prosseguiu a declaração.

Questionado sobre porque aceitaram participar num escrutínio para o qual não foi feito um recenseamento de raiz, Kumba Ialá disse que sempre denunciaram isso, mas não foram ouvidos pela CNE e pelo Governo.

"No decurso da campanha sempre falamos desse assunto, mas não nos quiseram ouvir, aqueles que estão a dirigir o barco (país). Quem dirige o país é o responsável pelo recenseamento dos cidadãos e da própria CNE", afirmou Kumba Ialá.

Ialá disse também que os seus mandatários tentaram "sem sucesso" apresentar as reclamações nas mesas de voto sobre alegadas irregularidades. E novamente voltou a falar das pessoas que não foram recenseadas para justificar a exigência de nulidade do processo.

"Mesmo que tenha ficado uma única pessoa. Foram quatro anos sem que se fizesse um recenseamento de raiz. Muita gente morreu, outros mudaram de lugares, outros emigraram, outros regressaram dos estudos no estrangeiro. Toda essa gente tem o direito de ser recenseada", observou Kumba Ialá.

Questionado sobre se admite ou teme uma segunda volta, Kumba Ialá disse que tudo dependerá da CNE.

"Isso dependerá de quem dirige o barco. Quem dirige o barco é que se sabe se o combustível que o barco tem é suficiente ou não para levar o barco ao seu porto", frisou Kumba Ialá, explicando que Carlos Gomes Júnior, o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder) e candidato apontado como estando na liderança da contagem dos votos, não lhe pode fazer frente.

"Não temo uma segunda volta, porque já disse que não tenho adversário político neste país. Talvez os meus adversários possam ser estes senhores que aqui estão, mas não o senhor Carlos Gomes Júnior que estão a fabricar", disse.

Kumba Ialá afirmou não ter gostado também das afirmações do representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Joseph Mutaboba, segundo as quais a oposição devia apresentar provas de fraude nas eleições de domingo.

"O senhor Mutaboba não conhece a Guiné-Bissau mais do que os filhos da Guiné-Bissau. Por acaso conhece Bissun Naga, conhece Tchok Mon ou Tchur Brik? O senhor Mutaboba conhece a realidade das populações dessas localidades? Talvez conheça as ruas de Bissau", afirmou Kumba Ialá.

Embora presentes na sala e na mesa da conferência de imprensa, os outros candidatos (Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Serifo Balde e Afonso Té) não falaram.

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Angola: Plataforma política liderada por Abel Chivukuvuku reúne-se…




… em congresso constitutivo em abril

EL - Lusa

Luanda, 20 mar (Lusa) - A coligação recentemente anunciada pelo antigo dirigente da UNITA Abel Chivukuvuku, a Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA), realiza no início de abril o seu congresso constitutivo, anunciou hoje em Luanda a comissão instaladora da organização.

Em nome da comissão instaladora da CASA, Lindo Bernardo Tito, destacou que a coligação "representa quatro partidos políticos e independentes que querem contribuir para salvar Angola e resgatar os angolanos".

Nenhum dos quatro partidos que aderiram à coligação tem representação parlamentar.

O congresso constitutivo da CASA realiza-se nos próximos dias 02 e 03 de abril, e para o conclave foram já designados 690 delegados, um terço dos quais provêm da província de Luanda e os restantes das outras 17 províncias angolanas.

"Começámos a trabalhar neste projeto há dois, três meses, por isso não é de admirar que tenhamos já delegados ao congresso", sublinhou Bernardo Tito, que assegurou que, no dia seguinte à reunião, "Angola e os angolanos não vão acordar da mesma maneira".

Otimista quanto às capacidades eleitorais, Bernardo Tito manifestou-se convicto de que a coligação "vai ganhar as eleições" gerais previstas para setembro e deu como prova da adesão popular o facto de 40 por cento dos 163 municípios do país terem já estruturas da CASA montadas.

"Isto é assustador e mesmo surpreendente para todos nós", reconheceu.

Além de eleger os órgãos de direção da coligação, que terá Abel Chivukuvuku como presidente, o congresso vai debater e aprovar os estatutos, o manifesto político, que constitui o "programa mínimo de governação" e o programa de ação.

À pergunta se outros partidos da oposição, como o Bloco Democrático e o Partido Popular, ambos também sem representação parlamentar e que ganharam notoriedade recente pelo apoio que deram às manifestações antigovernamentais em Luanda e Benguela, poderão vir a aderir à CASA, Bernardo Tito limitou-se a responder não haver contactos nesse sentido, acrescentando que tanto partidos como cidadãos são livres de aderirem à plataforma.

"Se manifestarem intenção e aderirem são bem-vindos. Não fechamos a porta a ninguém", disse Bernardo Tito.

Relativamente à UNITA, maior partido da oposição, e que a imprensa estatal angolana tem destacado como estando a "sofrer uma sangria" de dirigentes e quadros que anunciam a adesão a CASA, instado a comentar se existe possibilidade de criação de uma frente comum eleitoral contra o MPLA; partido no poder, Bernardo Tito respondeu que a coligação "está disponível para cooperar com todos os partidos de Angola".

Leonel Gomes, futuro secretário-executivo da CASA, interveio igualmente na conferência de imprensa, e criticou a política de entrada de cidadãos estrangeiros no mundo laboral angolano, designadamente o fluxo de cidadãos chineses que "ocupam postos de trabalho que deviam ser entregues aos angolanos".

"Salvar angola e os angolanos é trazer para este país um governo que tenha no epicentro das suas preocupações o cidadão nacional. É preciso, e dizemo-lo aqui, assumimos sem medo de errar, para cavar buracos não precisamos do chinês. Temos um exército de desempregados muito grande (...) O número de desempregados é excessivo em termos de compreensão humana e em termos de governação responsável", vincou.

Um número nunca determinado de trabalhadores chineses entrou nos últimos anos no mundo laboral de Angola, trabalhando na construção civil e obras públicas.

A China é atualmente o maior cliente do petróleo angolano, com uma quota superior a 30 por cento do total da produção comercializada pela Sonangol, a empresa estatal angolana do setor petrolífero.

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Angola entre os cinco com melhor desempenho em novo índice económico e ambiental



EL - Lusa

Luanda, 20 mar (Lusa) - Angola está entre os cinco países com melhor desempenho económico e ambiental num novo índice, o Eco2 Index, elaborado por investigadores canadianos, indicou um comunicado do Ministério do Ambiente enviado à Lusa.

O índice, elaborado por investigadores do UBC Fisheries Centre e da Global Footprint Network, foi apresentado no final de fevereiro na reunião anual da Associação norte-americana para o progresso da ciência (AAAS, na sigla em inglês).

À frente de Angola ficaram a Bolívia, Namíbia, Paraguai e Argentina. Os cinco últimos são os Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Israel, Kuwait e Singapura.

A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, disse que a posição de Angola, num universo de cerca de 150 países à escala mundial, "confirma o excelente trabalho que se está a realizar para um Ambiente mais puro e sadio".

"Só com o esforço de todos, poderemos educar ambientalmente os cidadãos, cumprindo assim os objetivos internacionalmente assumidos por Angola", concluiu Fátima Jardim.

A classificação Eco2 Index envolve 150 países e, para a elaboração, os investigadores usaram dados recolhidos entre 1997 e 2007.

Os dados económicos provêm do Banco Mundial e têm em conta os défices financeiros, a dívida pública e o produto interno bruto, enquanto os dados ecológicos foram recolhidos pela Global Footprint Network, e medem o consumo de recursos e os desperdícios produzidos por cada país em comparação com a capacidade, expressa em recursos localmente disponíveis tais como terras agrícolas e energia.

O aumento crescente da população mundial, a ameaça das mudanças climáticas e os crescentes problemas financeiros foram as principais razões que levaram os investigadores da University of British Columbia a "medir a saúde" de 150 países.

A divulgação do índice ocorre no mesmo dia em que em Luanda peritos dos Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iniciaram os trabalhos para a conferência de ministros do setor, que na quarta-feira vão elaborar a posição comum a apresentar em junho, na cimeira da ONU sobre crescimento sustentável, no Rio de Janeiro.

Angola preside atualmente à CPLP.

Angola: Forças Armadas realizam jornada de combate à tuberculose



NME - Lusa

Luanda, 20 mar (Lusa) - As Forças Armadas Angolanas (FAA) promovem na quinta-feira em Luanda uma jornada de combate à tuberculose, em comemoração do dia mundial contra a doença, a 24 de março, referiu uma nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa.

Os dados sobre a tuberculose em 2011 em Angola ainda não foram divulgados pelas autoridades sanitárias do país, mas em 2010, o Hospital Sanatório de Luanda, unidade de referência no tratamento desta doença, registou mais de 30 mil casos.

De acordo com a nota de imprensa do Estado-Maior General das FAA, a jornada visa prevenir e controlar a tuberculose no país, com vista à redução da morbilidade e mortalidade entre os efetivos militares e familiares.

No encontro pretende-se igualmente executar ações de informação, que visam prevenir a tuberculose, melhorar o diagnóstico precoce nas unidades militares, incentivar as ações de educação para saúde e reforçar a implementação da estratégia do tratamento diretamente observado.

Durante a reunião, os participantes vão analisar a situação da tuberculose em Angola, um tema que será apresentado pela diretora do Programa Nacional de Combate à Tuberculose, Conceição Palma.

A problemática do tratamento da tuberculose em meio hospitalar, a situação da tuberculose nas FAA, o seguimento do doente tuberculoso em ambulatório, o estudo da resistência no tratamento da doença, entre outros temas, integram o programa do evento, que termina na sexta-feira.

Cabo Verde: Emigrantes continuam a investir no país - Instituto das Comunidades



CLI - Lusa

Cidade da Praia, 20 mar (Lusa) - O presidente do Instituto das Comunidades (IC) de Cabo Verde disse hoje que, apesar da crise financeira, os investimentos dos emigrantes cabo-verdianos continuam a aumentar no arquipélago.

Álvaro Apolo, em declarações à agência noticiosa cabo-verdiana Inforpress, indicou que, de janeiro a março deste ano, o IC passou mais de 300 declarações de emigrante, "condição primeira" para abertura da conta poupança que serve para investimentos.

"Isto demonstra que, não obstante a situação de crise, há uma apetência, uma vontade de investir na terra-mãe. Esse número excede, de longe, o de declarações passadas no primeiro trimestre do ano anterior. Este é um indicador de que o emigrante está a investir em Cabo Verde", sublinhou.

O presidente do IC explicou que há uma "mudança de paradigma", destacando que são os emigrantes de segunda geração os que mais têm estado a investir no país.

Os últimos dados do Banco de Cabo Verde (BCV), divulgados em julho de 2011, indicaram que as remessas dos emigrantes aumentaram 33,7 por cento em relação ao mesmo mês de 2010, ascendendo a 13,96 milhões de euros.

O aumento, segundo o BCV, registou-se maioritariamente a partir dos emigrantes cabo-verdianos residentes na zona euro, sobretudo em Portugal e França.

As maiores fatias das remessas dos emigrantes cabo-verdianos foram enviadas de Portugal (3,6 milhões de euros), França (dois milhões de euros), Estados Unidos (1,14 milhões de euros) e Países Baixos (937 mil euros).

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Cabo Verde: Número de estabelecimentos hoteleiros aumentou 9,6 por cento em 2011



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 20 mar (Lusa) - O número de estabelecimentos hoteleiros em Cabo Verde aumentou 9,6 por cento em 2011, permitindo também reforçar a oferta de quartos (34,1 por cento), camas (23,5 por cento) e lugares (22,6 por cento).

Os dados constam do inventário anual realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) cabo-verdiano junto dos estabelecimentos hoteleiros, hoje divulgado, e indicam que Cabo Verde viu aumentar, entre 2010 e 2011, o número de unidades hoteleiras de 178 para 195.

Segundo o INE, Cabo Verde oferece agora uma capacidade de alojamento de 7.901 quartos, 14.076 camas e 17.025 lugares, em que as ilhas do Sal (44,7 por cento) e da Boavista (31, por cento) continuam a liderar o número de unidades hoteleiras, seguidas pela de Santiago (9,6 por cento) e de São Vicente (6,9 por cento).

O maior aumento no número de estabelecimentos ocorreu em São Vicente, com cinco empreendimentos, seguindo-se Santo Antão (quatro) e Maio (três).

Em finais de 2011, realça-se no documento, os estabelecimentos hoteleiros inventariados empregavam um total 5.178 pessoas, correspondendo a um acréscimo de 27,6 por cento em relação a 2010.

Os hotéis continuam a empregar o maior número de pessoas (78,2 por cento), seguidos pelas pensões (7,4 por cento) e os aldeamentos turísticos (6,2 por cento).

Além de ser a ilha com mais estabelecimentos e maior número de camas, o Sal conta com mais pessoas empregadas nos alojamentos turísticos. Cerca de 39 em cada 100 empregados estão no Sal. Em segundo lugar, vem a Boavista, com 34 por cento, e Santiago, com 12 por cento.

Moçambique: Polícia expulsa 27 estrangeiros com passaportes falsos



PMA - Lusa

Maputo, 20 mar (Lusa) - A polícia moçambicana expulsou 27 estrangeiros por ostentarem passaportes falsos, que chegaram ao país num voo da companhia aérea da Etiópia, Ethiopian Airlines, informaram hoje as autoridades policiais.

O porta-voz do comando-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Pedro Cossa, afirmou que do grupo de estrangeiros interditados de entrar em Moçambique estão cidadãos da China, Etiópia, Somália e Paquistão.

"As nossas embaixadas não podem ter emitido um visto falso, é evidente que essas pessoas enganaram-se ou foram enganadas por alguém. Há uma rede clandestina que se dedica à falsificação de vistos", afirmou Pedro Cossa.

O porta-voz referiu ainda que, na semana passada, a polícia moçambicana deteve 47 estrangeiros envolvidos no garimpo no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

Segundo o porta-voz da polícia, o grupo foi encontrado na posse de pedras semipreciosas extraídas ilegalmente em Montepuez.

A estabilidade política e económica e a proximidade com a África do Sul, o país com a economia mais forte de África, tornam Moçambique num destino preferido pelos imigrantes ilegais.

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A FRANÇA PODE MUDAR A EUROPA





1 A França é um dos países-chave no quadro europeu. Por ser ela, como a Alemanha, em 1957, que lançou o projecto europeu, numa Europa devastada do pós-guerra, que começava a recompor-se, com a bênção do plano Marshall. Mas também porque a Itália e os três países do Benelux - Bélgica, Holanda e Luxemburgo -, os outros Estados fundadores, saídos da guerra, contavam ainda bastante pouco.

Sem o entendimento franco-alemão não teria havido CEE, até porque a Inglaterra, com Winston Churchill, tendo participado no Congresso do Movimento Europeu, em Haia, em 1948, e lançado a ideia dos "Estados Unidos da Europa", teve logo o cuidado de afirmar que o Reino Unido não participaria na nova instituição europeia. Talvez por ser um dos Estados vencedores da guerra, a par dos Estados Unidos e da URSS, "os três grandes", e acreditar ainda que não se poderia tocar no império de Sua Majestade Britânica.

Mas não foi o que aconteceu. O mundo do pós-guerra mudou muito, como se sabe. O grande movimento de descolonização intensificou-se a partir de 1960, após a Conferência de Bandung (1955), os Aliados da guerra dividiram-se, com o início da Guerra Fria, o aparecimento dos não alinhados - Tito, Nehru e Nasser - e a divisão da Europa em duas, separada pela cortina de ferro, que dividia também a própria Alemanha.

Com De Gaulle, o grande resistente francês, foi criada a V República, iniciada a descolonização dos impérios inglês e francês, aceite, finalmente, a independência da Argélia, após uma guerra cruenta, e a França, com os seus sucessivos presidentes - Alain Poher, Pompidou, Valéry Giscard d'Estaing, Miterrand, Chirac - viveu anos de expansão, ajudou ao desenvolvimento da CEE, depois União Europeia, dado o seu bom entendimento com a Alemanha, acolheu o Reino Unido no seu seio, embora sempre renitente, e contribuiu, com sucessivos alargamentos, para a entrada de outros Estados membros, como a Espanha e Portugal. A reunificação da Alemanha veio depois. O único sobressalto, que chegou a assustar De Gaulle, foi Maio de 1968, que foi mais uma revolução de costumes, que deixou grandes marcas, do que uma revolução político-social. O regime semipresidencialista, inventado por De Gaulle e Debré, manteve-se o mesmo, durante muitos e bons anos. Até hoje.

Com o colapso do comunismo a Europa iniciou uma nova fase de integração e passou a ser, com o Tratado de Maastricht, mais do que um espaço económico de livre câmbio. Tornou-se numa União, criando mais tarde uma moeda única, o euro, e alargando as suas fronteiras, com adesão dos Estados de Leste, até à Rússia, que, entretanto, deixou de ser URSS, graças ao grande Gorbachev, conseguindo mudar o sistema quase sem um tiro.

Em 2008 deu-se a segunda grande crise global, a maior crise do capitalismo, incluindo a grande crise de 1929-30. Começou nos Estados Unidos da América, em consequência da globalização e do neoliberalismo, que criou o chamado capitalismo de casino, a economia virtual, a superioridade dos mercados sobre os Estados, os paraísos fiscais, as agências de rating e considerou o dinheiro como o valor supremo.

A crise global, iniciada na América, comunicou-se à União Europeia, onde a ideologia neoliberal tinha criado já algumas raízes, impulsionadas pela "terceira via", do famigerado Senhor Blair. As duas grandes famílias políticas europeias, a democracia cristã e o socialismo democrático, começaram a perder força, substituídas, respetivamente, pelos partidos populares, ultraconservadores, e pelos socialistas blairistas, mais ou menos adeptos do neoliberalismo.

Assim se explica a perda de prestígio da União Europeia, desde a crise de 2008, e a incapacidade dos seus líderes para lutar contra uma crise, que eles próprios, ajudaram a criar.

É neste contexto que o atual Presidente de França, Nicolas Sarkozy, reacionário de raiz, volátil e oportunista, vai disputar em França um novo mandato, tendo como principal rival François Hollande, socialista convicto, inimigo do economicismo financeiro e partidário do Estado social, que - diga-se - deu à Europa quatro décadas de paz, de justiça social, de pleno emprego e de bem-estar.

Curiosamente, Nicolas Sarkozy, tornou-se, com o avolumar da crise e talvez das dificuldades de França, numa espécie de assessor da Senhora Merkel, que, vinda da Alemanha comunista e depois aliada do partido neoliberal de extrema direita, tem vindo a travar a necessária evolução europeia, procurando "germanizá-la", ao seu gosto, como se isso fosse possível. Não creio que seja. A União Europeia, governada esmagadoramente por partidos populares ultraconservadores, está em descrédito profundo e, como disseram Helmut Schmidt e Jacques Delors, "à beira do abismo". É imprescindível evitar esse enorme risco.

As eleições presidenciais francesas têm lugar em abril próximo e podem contribuir, penso eu, para impedir essa catástrofe anunciada. Para tanto é preciso que o rival de Sarkozy, François Hollande, as ganhe. As sondagens têm evoluído ultimamente em favor de Sarkozy, que cada vez se situa mais à direita para roubar votos à candidata Marine Le Pen. O que propôs para retirar os imigrantes de França, quando ele próprio é filho de um imigrante húngaro, constitui uma verdadeira vergonha. A Senhora Merkel está tão preocupada com a não eleição de Sarkozy, seu aliado e quase vassalo, que tem vindo a fazer, junto dos Estados europeus, propaganda aberta de Sarkozy. O que talvez só o prejudique...

Por outro lado, François Hollande, no sábado passado, num encontro com os socialistas europeus, organizado pela Fundação Jaurès, socialista francesa, pela Fundação Ebert, social-democrata alemã, e pela Federação dos Partidos progressistas, o italiano de Massimo d'Alema, entre outros, assumiu, nesse histórico fórum, o comando da "revolução social-democrata na União Europeia", assinando uma aliança, nesse sentido, com os seus camaradas alemães e italianos. Trata-se de algo muito importante, que dá uma nova esperança aos europeus progressistas e quebra o desânimo que tanto os tem caracterizado. Representa um compromisso, quanto ao futuro, com o obje- tivo de mudar a política económica e social europeia e vencer a crise. Apostando mais no crescimento económico e na luta contra o desemprego do que nas medidas de austeridade. Estiveram presentes Pier Luigi Bersani, secretário do Partido Democrata Italiano; Sigmar Gabriel, líder dos sociais-democratas alemães; Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu; Hannes Swodoba, dirigente dos socialistas austríacos e presidente do grupo socialista do Parlamento Europeu; e o búlgaro Sergei Stanishev, dirigente do Partido Socialista Europeu, entre outros.

Curiosamente, ao que julgo, os líderes socialistas de Portugal e Espanha - Seguro e Rubalcaba - estiveram presentes. Certamente porque tinham compromissos nacionais. Foi, contudo, para ambos, necessariamente, um grande estímulo que vai repetir-se, para que a Europa possa recuperar a antiga glória e mudar de rumo.

A ONU VAI MAL

2 Há um ano que a Síria do ditador Bachar al-Assad, procura resistir às manifestações dos seus compatriotas que saíram à rua a reclamar democracia e liberdade, como tantos outros Estados da primavera islâmica. Bachar al-Assad, como o ditador seu Pai, fez ouvidos de mercador e tentou com uma violência inaceitável castigar os seus compatriotas, pondo as suas milícias armadas, com armas muito sofisticadas, a matar sem piedade os "terroristas", como ele agora lhes chama. A ONU, com a memória presente de Kadhafi, ditador da Líbia, pretende evitar as sucessivas carnificinas e a destruição das cidades mais atingidas e levou o caso ao Conselho de Segurança para intervir. No entanto, a ONU foi paralisada, apesar de a Liga Árabe estar a seu favor e contra o ditador sírio, pelo veto (inaceitável) de dois Estados muito pouco democráticos: a Rússia e a China. É o mundo em que vivemos, onde o valor do dinheiro e dos interesses económicos se sobrepõem à ética e ao humanitarismo...

A ONU recuou, apesar da violência crescente do Governo sírio e do escândalo de tanta mortandade. Ultimamente, nomeou o antigo secretário-geral da ONU Kofi Annan, para se deslocar à Síria e convencer Bachar al-Assad, a acabar com o terrorismo, de um Governo sem escrúpulos. Mas infelizmente não o convenceu. O ditador não aceita sair do seu país, protegendo a sua vida e a da sua família. Como Kadafi não aceitou qualquer saída e, provavelmente, vai ter a mesma sorte, cedo ou tarde... A matança de milhares de inocentes, continua. O ditador chama agora terroristas da Al- Qaeda, a uma população que se limita a gritar pelos Direitos Humanos, não suporta mais o ditador e reclama liberdade, o que, diga-se, há muitos anos não conhece.

Várias embaixadas árabes saíram da Síria: Koweit, Omã, Emirados Árabes, Qatar, bem como a Arábia Saudita e o Barhein. Há quem pense recorrer ao Tribunal Internacional de Haia. Os russos querem encontrar uma solução. Mas qual, se protegem o ditador? O mundo dito civilizado está assim...

CUBA: O MERCADO OU A MORTE?

3 É o título de um artigo publicado no El País de domingo que descreve aquilo que sabemos há muito: que o regime totalitário imposto por Fidel Castro, sem ajuda económica externa - como teve nos tempos da URSS e depois da China -, sem se abrir ao exterior, conduz, necessariamente, a população enormemente empobrecida a uma sobrevivência difícil.

O Presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, tenta uma abertura económica, desde o início, mas não quer - ou não pode - fazer concessões políticas. Daí o tremendo imbróglio que Cuba vive há alguns anos. Desde a substituição de Fidel. Os Estados Unidos têm culpas no cartório, uma vez que não terminam com o bloqueio a Cuba, dadas as pressões dos cubanos que vivem em Miami. Se o tivessem feito, Cuba há muito seria um país diferente, livre, democrático, próspero e progressivo. Assim é uma sobrevivência de outra era...

Portugal: Greve geral de quinta-feira promete causar constrangimentos



Raquel Almeida Correia - Público

Principais impactos vão ser sentidos nos transportes, mas também haverá serviços públicos encerrados no dia da greve convocada pela CGTP.

O Conselho Económico e Social decidiu não decretar serviços mínimos para a Metro de Lisboa e para a Transtejo/Soflusa, que opera as ligações fluviais no rio Tejo. A circulação ficará, por isso, dependente da adesão dos trabalhadores, sendo que, no caso da primeira empresa, o histórico mostra que, nos dias de greve, os impactos têm sido significativos. Regra geral, as portas do metro fecham na véspera dos protestos, ao final do dia.

Para as restantes transportadoras públicas, foram definidos serviços mínimos, que ficarão, no entanto, muito aquém daquilo que é a operação destas empresas num dia normal. No caso da Carris, por exemplo, apenas será assegurada 13% da circulação de carreiras.

O acórdão do tribunal arbitral definiu como obrigatória a realização de metade das ligações nas carreiras 36, 703, 708, 712, 735, 738, 742, 751, 755, 758, 760 e 767. Além disso, terão de ser garantidos os serviços de pronto socorro e o transporte exclusivo de deficientes.

Também na STCP, que opera os autocarros no Porto, foram definidos serviços mínimos para o dia da greve convocada pela CGTP, em protesto com a nova legislação laboral. A empresa verá, assim, asseguradas metade das ligações nas seguintes carreiras: 200, 205, 305, 400, 402, 500, 501, 508, 600, 602, 603, 701, 702, 801, 901, 902, 903, 905, 906 e 907 (durante o período nocturno); e 200, 205, 300, 301, 305, 400, 402, 500, 501, 508, 600, 602, 603, 701, 702, 801, 901, 902, 903, 905, 906 e 907 (durante os períodos da manhã e da tarde).

A transportadora também foi autorizado pelo tribunal arbitral a operar a 100% duas linhas que funcionam durante a madrugada (4M e 5M). E terão ainda de ser garantidos os serviços de saúde e de segurança.

Por último, na CP ficou definido que circularão todas as composições que tenham iniciado a marcha, devendo ser conduzidas ao seu destino e estacionadas em condições de segurança, refere o acórdão. Além disso, todos os comboios previstos para quarta-feira, véspera da greve, serão assegurados, bem como as ligações de emergência.

De acordo com a decisão do tribunal arbitral, haverá um total de 315 comboios no dia 22. Serão efectuadas sete ligações de longo curso, 60 regionais e ainda 203 urbanos da zona de Lisboa, entre outros.

No caso da Metro do Porto, que não tem sido afectada pelas sucessivas paralisações no sector dos transportes, a empresa prevê alguns constrangimentos. Fonte oficial referiu ao PÚBLICO que “o eixo central da operação [nomeadamente a linha amarela e o tronco comum às linhas A, B, C, E e F] vai funcionar dentro da normalidade”, mas poderá haver outras linhas afectadas pela greve.

Na aviação, ainda é cedo para prever potenciais impactos dos protestos. Na última greve geral, em 24 de Novembro de 2011, os aeroportos nacionais ficaram completamente vazios, mas, desta vez, poderá ser diferente. Isto porque os controladores aéreos, sem os quais não se faz a gestão do tráfego que entra e sai de Portugal, não entregaram pré-aviso de greve.

Para a TAP, não está previsto “qualquer tipo de impacto na operação”, referiu fonte oficial. A gestora aeroportuária ANA recebeu um pré-aviso de greve por parte do SITAVA, só devendo efectuar amanhã um balanço mais concreto dos eventuais constrangimentos que poderá sentir na quinta-feira.

No que diz respeitos a serviços públicos, sabe-se já que a paralisação vai ter impactos nas estações dos correios, uma vez que o tribunal arbitral definiu apenas como obrigatória a abertura de um estabelecimento dos CTT por cada município.

Ainda assim, a empresa está obrigada a cumprir uma série de serviços considerados indispensáveis, como é o caso da distribuição de telegramas e de vales postais da Segurança Social, bem como a recolha, tratamento e expedição de correio e de encomendas que contenham medicamentos ou produtos perecíveis.

O Sindicato dos Funcionários Judiciais já veio anunciar que decidiu aderir à greve de dia 22, justificando esta posição com uma forma de protesto contra o “roubo de subsídios [de férias e de Natal]”, que serão eliminados parcial e totalmente até 2013.

Só no próprio dia se saberá qual o impacto real nos tribunais (assim como acontecerá para as escolas e hospitais, por exemplo), mas deverão ser assegurados os processos mais urgentes. No entanto, desta vez será mais difícil saber quais os efeitos da paralisação, uma vez que o Governo decidiu suspender a recolha e divulgação de dados sobre a adesão no sector público, em tempo real.

A greve geral de quinta-feira foi convocada pela CGTP em protesto contra a revisão do Código do Trabalho, que esteve até hoje em discussão pública. Ao contrário do que aconteceu em Novembro e também em 2010, a central está sozinha, não contando com a participação da UGT.

Portugal: EMIGRAÇÃO, UMA BELA MIRAGEM


Jovens numa rua de Lisboa

Patrícia Carvalho - Público, Lisboa – em Press Europe – Foto Matilde B.

Após assistir ao nascimento da "geração parva" de jovens precários, a crise levou as famílias a sair do país para procurar trabalho na Europa. Mal preparados, sem saberem falar outras línguas e sem recursos, acabam muitas vezes a viver na rua.

A expressão "emigração parva" é usada pelo representante do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) no Luxemburgo, Eduardo Dias, para descrever a nova vaga de pessoas que tem chegado ao país do centro da Europa. São casais, entre os 35 e os 50 anos, que chegam com os filhos menores e sem garantias de trabalho, sem falar a língua e transportando apenas o conceito (errado) de que há um emprego à sua espera ao virar da esquina.

O retrato deste grupo de emigrantes portugueses, que está a crescer, lado a lado, com os jovens qualificados que tentam a sorte fora do país, é repetido por vozes que falam de outros cantos da Europa: Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Alemanha e, de forma mais veemente, na Suíça. Foi daqui que soou o alarme, com a denúncia de portugueses que dormiam na rua sob temperaturas gélidas. E não há quem acredite que a situação vá melhorar em breve.

Os números são muitos e apontam todos no mesmo sentido – são cada vez mais os portugueses que deixam o país. No final de 2011, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, admitia que 100 a 120 mil portugueses tinham abandonado o país só naquele ano. No portal da mobilidade profissional Eures, as candidaturas portuguesas saltaram para mais do dobro, entre 2008 e 2011. As inscrições nos postos consulares também apontam para uma população cada vez maior a viver fora de Portugal: em dois anos, entre 2008 e 2010, o número cresceu em 324 mil pessoas.

Em Zurique, onde vive, o presidente da Comissão de Fluxos Migratórios do Conselho de Comunidades Portuguesas e Conselheiros da Comunidade Portuguesa na Suíça, Manuel Beja, continua a ver chegar os autocarros carregados de portugueses. A situação, diz, começou a agravar-se logo em 2008, e em 2010 já estava a enviar para Portugal os primeiros alertas. "O Governo de José Sócrates reagiu muito mal, classificaram-me mesmo de irresponsável. Foi pena, porque esta situação é difícil de travar, mas podia estar já a ser tratada outra forma", comenta.

Brasil: INSTITUTO DE RORAIMA PROMOVE CURSO PARA CAPACITAR INDÍGENAS




Correio do Brasil, com MEC - de Amajari – com foto

Cem mulheres de comunidades indígenas localizadas no entorno do município de Amajari (RR) farão um curso de operador de beneficiamento de frutas e hortaliças, promovido pelo programa Mulheres Mil.

O curso terá a duração de seis meses com aulas realizadas duas vezes por semana, com foco principal na produção de molho de pimenta a partir de receitas indígenas, às quais será agregado o devido conhecimento técnico.

Com o objetivo de conscientizar as futuras alunas da oportunidade de melhorar suas vidas, as de suas famílias e de suas comunidades, o campus Amajari do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima realizou uma reunião com as mulheres inscritas, quando foram apresentados os componentes curriculares do curso.

Elas também tiveram oportunidade de assistir o vídeo institucional Eu tenho um sonho, que apresenta as experiências exitosas em andamento nas regiões Norte e Nordeste do país, com depoimentos de gestores, professores, alunas e seus familiares.

— É importante que elas se conscientizem que fazem parte de um grande programa nacional e que há várias mulheres, em condições semelhantes às delas, que aproveitaram essa oportunidade e hoje têm uma condição de vida mais favorável, observou Adeline Farias, coordenadora do programa.

Participaram da reunião mulheres vindas das comunidades indígenas do Aningal, Cajueiro, Guariba, Juraci, Mangueira, Mutamba, Ouro, Santa Inês, Três Corações e Urucuri, todas localizadas no entorno do município de Amajari.

Alcinéia Peres, da comunidade indígena Três Corações, vê no programa uma oportunidade indispensável para melhorar a vida da sua família. “Tenho cinco filhos, todos matriculados na escola e só a renda do meu marido não tem sido suficiente para todas as despesas.

Gosto de trabalhar com a terra, temos uma horta em casa para consumo próprio, mas a partir desse curso, poderei começar a comercializar e aumentar a renda da família”, comemorou.

Brasil: A POLÍTICA PARA OS RICOS POR TRÁS DO TSUNAMI MONETÁRIO




J. Carlos de Assis (*) – Carta Maior

Por trás do tsunami monetário existe uma opção de distribuição de renda a favor dos ricos. Ao contrário dos gastos fiscais, que usam empréstimos do setor privado e receita de senhoriagem para financiar o gasto público de infraestrutura e a favor dos menos afortunados, a política de expansão monetária em sua forma atual beneficia só os ricos, pois só eles podem tomar dinheiro na caixa do do Fed e do BCE a custo quase nulo e aplicar a taxas maiores. O artigo é de J. Carlos de Assis.

A investida da presidenta Dilma contra o tsunami monetário promovido pelo Fed e pelo BCE foi um golpe de mestre para justificar a intervenção brasileira no mercado de câmbio através da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (6%). A Presidenta também advertiu a Europa para a necessidade de políticas desenvolvimentistas, o que é uma boa indicação de que, aqui, vamos controlar os fluxos de capitais e abandonar o ensaio fiscal tosco que nos jogou na quase recessão de 2,7% de aumento do PIB no ano passado.

Faltou dizer uma coisa de que poucos se dão conta: por trás do tsunami monetário existe uma opção de distribuição de renda a favor dos ricos. Ao contrário dos gastos fiscais, que usam empréstimos do setor privado e receita de senhoriagem para financiar o gasto público de infraestrutura e a favor dos menos afortunados, a política de expansão monetária em sua forma atual beneficia exclusivamente ricos, pois só ricos, via bancos, podem tomar dinheiro na caixa do do Fed e do BCE a custo quase nulo e aplicar a taxas maiores.

As políticas de austeridade, nesse contexto, não passam de um truque semântico da tecnocracia para iludir a opinião pública e o meio político. Afinal, como classificar de austeridade a concessão pelo BCE e o Fed de empréstimos aos bancos privados à taxa de 1% ou 0,25%, quando nada se fez para impedir que esses mesmos bancos continuem se lançando ao mesmo tipo de aventuras especulativas fraudulentas que levaram à bancarrota de 2008? E o lado mais espantoso dessa história é que não estamos diante de uma questão moral, mas de eficácia.

Desde a Grande Depressão nos anos 30, sabe-se que política monetária pode travar a economia, mas não tem como estimulá-la. Ou seja, mesmo que a liquidez bancária esteja elevada, os empresários não tomam empréstimos para investir porque não têm confiança na demanda. Em consequência, o dinheiro “empoça”. A metáfora histórica que descreveu o processo aponta a política monetária como um barbante amarrado numa pedra: ele puxa a pedra, mas não consegue empurrá-la.

Por que, então, a Europa, liderada pela Alemanha, dá preferência a política monetária em vez de política fiscal para supostamente reanimar a economia? A resposta já está indicada acima: a política monetária expansionista é sobretudo a favor dos ricos, enquanto a política fiscal tende a beneficiar os pobres através de políticas públicas, assim como o conjunto da sociedade, e não especificamente os ricos, quando se trata de investimentos de infraestrutura. É claro que o protocolo impedia Dilma de dizer isso a Merkel. Mas ela bem que merecia ouvir.

Vejamos um pouco mais. O BCE a contragosto comprou no mercado secundário títulos dos governos italiano e espanhol, assim como da Grécia: supostamente, seria um benefício indireto aos países. Falso. O alívio funcionou para os detentores originais dos títulos que os havia comprado dos governos no passado. Em nenhum hipótese o BCE assegurou liquidez aos governos, mediante compra direta de seus títulos, mesmo porque isso está proibido pelo estúpido Tratado de Maastricht e pelo Paco de Estabilidade e Crescimento que implementou o euro.

É fato que a compra pelo BCE de títulos dos governos europeus no mercado secundário poderia abrir espaço para os governos colocarem novos títulos, conseguindo assim dinheiro novo para financiar suas políticas públicas e até a retomada do crescimento. Isso, contudo, não acontece, nem pode acontecer: os governos estão atrelados a políticas fiscais ditadas pela troika (BCE, FMI, Comissão Européia) que impede qualquer veleidade de política voltada para o financiamento do investimento público novo.

A Europa está assim no pior dos mundos para a população geral, e o melhor dos mundos para os ricos: de um lado, o BCE bombeia dinheiro para os bancos; de outro, falta dinheiro para os governos financiarem as políticas públicas; de outra parte, o setor produtivo privado, temeroso de investir, “empoça” o dinheiro abundante ou se volta para a especulação. De fato, as corporações globais americanas têm em caixa quase 2 trilhões de dólares líquidos para investir, mas não investem. É que, sem aumento do gasto fiscal, não haverá demanda para sustentar o crescimento dos países industrializados, a despeito de sua elevada liquidez.

Há uma situação em que o tsunami monetário pode se voltar contra os ricos: na medida em que gera inflação, diluirá o valor real dos títulos de riqueza líquida não indexados. No curto prazo, porém, essa hipótese é improvável. Com os países industrializados em recessão e uma imensa capacidade ociosa nas economias, e com a menor pressão da economia chinesa (7%) sobre matérias primas, não há espaço para inflação de origem monetária. No médio prazo, quando surgirem sinais de recessão, o Fed e o BCE apertarão mais uma vez a política monetária, gerando recessão e desemprego, e mais uma vez os ricos estarão a salvo.

(*) Economista, professor da UEPB, autor com Francisco Antônio Doria do recém-lançado “O universo neoliberal em desencanto”, editado pela Civilização Brasileira.