sábado, 24 de Março de 2012

O PSD PRECISA DE APOIO. MÃOS À OBRA!




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje que o partido tem de ganhar mais protagonismo e mais liberdade em relação ao Governo para os próximos desafios eleitorais.

Aqui fica o meu contributo para que o PSD ganhe mais protagonismo. Sugiro e divulgação por todos os cantos e esquinas do que Pedro Passos Coelho escreveu, entre Março de 2010 e Junho de 2011:

«Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução».

«Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa».

«Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias».

«Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou».

«Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas».

«O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa».

«Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos».

«Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos».

«Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos».

«Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado».

«Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal».

«O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando».

«Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa».

«Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas».

«Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português».

«A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento».

«A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos».

«Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota».

«O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento».

«Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate».

«Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?»

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


Tentativa de calar greve põe em causa transparência dos organismos públicos




Raquel Martins - Público

As orientações dadas às empresas públicas para não divulgarem dados sobre a adesão e os impactos da greve de quinta-feira nos transportes públicos é uma prática "lesiva do direito à informação e da transparência", pretende "desvalorizar a repercussão estatística da greve" e revela "tiques preocupantes". Esta é a apreciação que fazem alguns constitucionalistas e o sociólogo Elísio Estanque do email enviado pelo Governo às transportadoras públicas, na véspera da greve convocada pela CGTP.

Embora não coloque a questão no terreno constitucional, Pedro Bacelar Vasconcelos, professor na Universidade do Minho, não tem dúvidas de que é uma prática "lesiva do direito à informação e do princípio da transparência" a que estão obrigados o Governo, a administração e as empresas públicas.

Além disso, alerta o constitucionalista, é contrária ao Estado de direito democrático. Para se recusar a prestar informação desta natureza, ironiza, o executivo teria que a classificar como "segredo de Estado".

Para a constitucionalista e deputada socialista Isabel Moreira "é evidente" que o documento do Governo põe em causa o direito do público à informação e tenta condicionar a leitura da greve. Já uma análise constitucional implicaria um estudo aprofundado do caso.

Opinião diferente tem Paulo Otero. O professor da Universidade Clássica de Lisboa considera que se trata de orientações de gestão, com o intuito de impedir a tradicional guerra de números. "Procura-se desvalorizar qualquer repercussão estatística da greve", frisa, afastando uma tentativa de negar o direito à informação.

Leia o resto da notícia na edição impressa.

Protagonistas da Crise Académica de 1962 aprovam moção contra "violência policial"



Diário de Notícias - Lusa

Protagonistas da crise académica de 1962, incluindo o ex-Presidente da república Jorge Sampaio, aprovaram hoje uma moção de repúdio pelos atos de violência policial de quinta-feira e enviaram um protesto aos principais órgãos de soberania.

A moção foi aprovada na sequência de um almoço, na cantina da Cidade Universitária, em Lisboa, que hoje reuniu mais de 400 estudantes que há 50 anos realizaram "luto académico" após uma carga policial na alameda do Campo Grande.

"Há dois dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial", refere a moção hoje lida por Maria João Gerardo e Artur Pinto, da comissão organizadora do evento de hoje, para mais 400 pessoas, que aplaudiram o texto.

Após considerem que "os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura", os participantes na crise académica de 1962 decidiram em primeiro lugar "manifestar o seu repúdio pelos atos de violência policial verificados em Lisboa e Porto a 22 de março de 2012".

No segundo ponto da moção, foi ainda decidido "dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspetor-Geral da Administração Interno e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social".

Entre os presentes no almoço de hoje estavam, além de Jorge Sampaio, um dos protagonistas da contestação de 1962, os socialistas Medeiros Ferreira e Vera Jardim, o provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa.

Na quinta-feira à tarde, em dia de greve geral convocada pela CGTP, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e várias pessoas ligadas à plataforma 15 de Outubro envolveram-se em confrontos junto ao Largo do Chiado, em plena baixa lisboeta.

Depois de vários manifestantes terem arremessado objetos contra agentes policiais e de a esplanada do café A Brasileira ter sido praticamente destruída, a PSP reforçou a sua presença com elementos das Equipas de Intervenção Rápida (EIR) e do Corpo de Intervenção.

Durante os confrontos entre manifestantes e polícias, os fotojornalistas José Sena Goulão (da agência Lusa) e Patrícia de Melo Moreira (da France Presse), que se encontravam no local a fazer a cobertura do acontecimento, foram agredidos pelas forças policiais.

No decurso da crise académica de 1962, e quando os alunos pretendiam celebrar o Dia do Estudante, proibido pelas autoridades, Marcello Caetano, então reitor da Universidade Clássica de Lisboa, tentou acalmar os ânimos e após contactar alguns dos líderes estudantis, convidou-os para jantar no restaurante Castanheira de Moura, em Lisboa.

A caminho do local de encontro, e no Campo Grande, uma carga policial dispersou o grupo estudantil, e o reitor acabou por não comparecer à reunião.

Marcello Caetano sentiu-se desautorizado e acusou a polícia de ter violado a autonomia da "corporação universitária". O reitor, e presidente do Conselho a partir de 1969, anunciou a intenção de se demitir, o que não foi aceite pelo Ministério, enquanto as Academias de Lisboa e Coimbra decretaram o "luto académico".

Após os incidentes de finais de março, e o protesto do reitor, o ministro da Educação, Manuel Lopes de Almeida, anunciou a disposição em permitir a celebração do Dia do Estudante para 7 e 8 de abril, mas depois voltou a recuar e proibiu de novo as celebrações.

Após esta decisão, Marcello Caetano acabou por anunciar a sua demissão incondicional. Em paralelo, foram suspensas as direções de todas as associações de estudantes das universidades portuguesas, com a intransigente recusa das autoridades em dialogar com os representantes dos estudantes.

No final desse ano, o regime retomava o controlo da situação, mas nascia para a luta política uma geração que teve um papel de destaque no combate à ditadura, que só acabou 12 anos mais tarde, ironicamente com Marcello Caetano na sua liderança.


O DESTINO POLÍTICO AINDA INCERTO DO TIMOR LESTE





Os resultados das pesquisas no Timor Leste indicam que o espírito de independência timorense foi redescoberto e está vivo e forte. Com dinheiro em caixa devido à receita das jazidas de petróleo do Mar de Timor, orgulhoso por ter deixado para trás a severa crise de 2006 e entrando em forte atrito com a ONU, o Timor Leste decidiu seguir em frente sozinho, até ao ponto de viver perigosamente.

A opinião é de Pat Walsh, australiano, trabalhou durante 10 anos como diretor-executivo e assessor especial da Comissão de Recepção, Verdade e Reconciliação do Timor Leste. O artigo foi publicado no sítio Eureka Street, revista eletrônica dos jesuítas australianos, 19-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Ficou claro há algum tempo que 2012 seria um ano decisivo para o Timor Leste. Além de marcar os 500 anos da chegada dos portugueses e os 100 anos desde que o lendário Dom Boaventura liderou uma grande revolta contra eles em 1912, 2012 também marca os 10 anos da total independência e terá duas eleições.

A primeira delas foi realizada no dia 17 de março e envolveu 12 candidatos concorrendo à presidência. Os resultados das pesquisas indicam que o espírito de independência timorense, exemplificado por Dom Boaventura e, mais recentemente, pela Resistência, foi redescoberto e está vivo e forte. Com dinheiro em caixa devido à receita das jazidas de petróleo do Mar de Timor, orgulhoso por ter deixado para trás a severa crise de 2006 e entrando em forte atrito com a ONU, o Timor Leste decidiu seguir em frente sozinho, até ao ponto de viver perigosamente.

A ONU e o contingente militar internacional liderado pela Austrália foram convidados a sair até o fim deste ano. É como se os timorenses tivessem ouvido o fantasma de Borja da Costa, o mais famoso poeta do Timor Leste, executado em 1975 pelos militares indonésios, sussurrando-lhes de novo: "Por que, Timor, teus filhos adormecem como galinhas (...) Desperta, toma as rédeas do teu próprio cavalo".

A contagem dos votos está praticamente completa, e nenhum dos quatro principais candidatos à presidência ganhou uma maioria simples. Isso significa que haverá um segundo turno no dia 21 de abril entre os dos mais votados: Francisco Lu Olo Guterres, presidente da Fretilin [Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente] (28%), e José Maria Vasconcelos, mais conhecido pelo seu nome de guerra timorense, Taur Matan Ruak (TMR), chefe das Forças Armadas timorenses até sua renúncia no ano passado (25%).

Ambos exemplificam o veio robusto e independente do Timor Leste, tendo lutado como guerrilheiros durante a guerra de 24 anos na Indonésia. Os concorrentes, que receberam cada um cerca de 18% dos votos, eram Fernando Lasama Araújo, presidente do Parlamento timorense, e José Ramos-Horta (foto), o presidente em exercício, que já reconheceu a derrota.

É a liquidação de Ramos-Horta por parte do eleitorado que é a grande surpresa. A rejeição da sua oferta para servir o país por mais cinco anos é de tirar o fôlego e, em minha opinião, extremamente perigosa.

Ramos-Horta é um tesouro nacional. Sua contribuição para a libertação do Timor Leste é lendária e, como presidente não partidário desde 2007, ele tem trabalhado incansavelmente para contrabalançar a imagem do Timor Leste como um Estado quase falido, reconstruindo a unidade, remarcando o Timor Leste como um país pacífico e servindo como uma parte crítica dos poderes estatais.

Ele está aberto a críticas, incluindo por ter contribuído para uma cultura de impunidade e, às vezes, por ter excedido os seus poderes e interferido em questões que são propriamente assunto do governo, não da presidência.

Mas rejeitar alguém da sua capacidade, autoridade e histórico é o equivalente político de o Timor Leste abandonar a sua campanha pelo gasoduto do Mar de Timor. Como isso aconteceu exigirá mais pesquisas. A resposta curta parece ser que o eleitorado teve a impressão de que Ramos-Horta, ao contrário dos seus adversários mais famintos, perdera o apetite pelo trabalho e, quando Xanana Gusmão o abandonou, os eleitores seguiram o exemplo.

A escolha diante do eleitorado agora é, em minha opinião, simples e direta. Embora os candidatos do segundo turno tenham linhagens militares e políticas semelhantes, Guterres (foto) está melhor qualificado para ser presidente. Desde a independência, ele tem ocupado papéis de liderança nacional significativos, incluindo a presidência do maior partido político do país e como presidente do Parlamento por muitos anos. Ele concluiu recentemente uma graduação em Direito e também pode ter algum crédito pelo papel responsável desempenhado pela Fretilin durante seus últimos anos na oposição.

TMR não está pronto. Ele praticamente não tem nenhuma experiência fora das Forças Armadas, das quais ele estava encarregado quando a crise de 2006 começou entre suas fileiras. Muitos se sentem justamente desconfortáveis com a perspectiva de um general recém-aposentado, de estilo indonésio, se tornar o chefe de um Estado frágil em que as Forças Armadas já desempenham um papel de segurança interna.

Ramos-Horta está tendo agora um momento Ian Thorpe [nadador australiano e cinco vezes medalhista olímpico], contemplando se irá continuar na vida pública de alguma forma ou se irá se aposentar e talvez viver no exterior como seu colega prêmio Nobel, Dom [Carlos Filipe Ximenes] Belo. O meu palpite – e esperança – é que alguma forma de utilizar a sua vasta experiência como antigo estadista será encontrada pelo Timor Leste.

Ele disse que não irá apoiar nenhum candidato no segundo turno, mas isso não exclui um papel nas eleições parlamentares que serão realizadas em junho, depois que ele deixar a presidência, em maio. O rei deposto pode vir a ser o fazedor de reis que Xanana Gusmão foi para ele em 2007.

Leia mais sobre Timor-Leste - use os símbolos da barra lateral para se ligar aos países lusófonos pretendidos

TAUR JÁ PERDEU A ELEIÇÃO MAS PODE RESGATAR-SE A ELE PRÓPRIO, SALTE FORA!


António Veríssimo

Recados

1 - Nas eleições presidenciais em Timor-Leste, realizadas há uma semana, ocorreram irregularidades graves que são do conhecimento da CNE. Está de posse das provas. Aguardemos que as divulguem e que deixem de se vergar às imposições sistematicamente golpistas de alguém que se traiu a ele próprio: Xanana Gusmão.

2 – Taur Matan Ruak tem o dever de já ter compreendido que era (e é) Xanana Gusmão que precisava (precisa) dele e não o contrário. Concluir que tem estado a ser usado naquilo que pode significar um dos últimos fôlegos de Xanana Gusmão com o ímpeto habitual. Nada que aqui no Página Global não viesse a ser dito há mais de um ano. Por vontade de Taur procederia como os que têm rodeado Xanana e usufruído das vantagens com que ele os tem comprado, abandonava-o. Porém, Taur, sabe que não tem sido metido nem achado nas falcatruas xananistas e acha que vai ter de cumprir a segunda volta das eleições frente a Lu Olo. Terá de aparentar que nada de anormal se passa até à derrota, na segunda edição das eleições, em Abril. Para prevenir as faltas de suporte orçamentais lá vai Taur mendigar apoios financeiros. Desta vez a Bali. Um benemérito reserva-lhe o que precisa para não ficar ainda mais atascado no lodo em que Xanana Gusmão já está envolvido. Vale o recado, senhor Taur Matan Ruak: nunca é tarde para pôr tudo em pratos limpos, se quiser ainda pode saltar desse lodo só com uns salpicos. Mas fugir não faz o seu género. Pois não? Veja lá…

3 - Bem se disse aqui que em casa de Taur quem manda é a esposa. Ela é a generala. Por isso Taur não aceitou o convite expresso da Fretilin para ser seu candidato presidencial, preferindo o acordo que há muito tinha feito com Xanana Gusmão e que ocultou sempre aos timorenses. Uma nódoa no generalíssimo cardápio. E lá foi para a Fretilin com a recusa ao convite, alegando falsamente que queria disputar as eleições como INDEPENDENTE (então não?). Mais um recado: mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

4 – As dívidas que têm sido contraídas para a campanha eleitoral de Taur Matan Ruak já somam vários milhões. À roda de quatro, e estão todos gastos. A azáfama para abanar a árvore das patacas tem sido exasperante. O boss Xanana acha que com mais uma dezena de milhões de dólares (USD) compra eleitores que bastem e garantam a eleição de Taur. Será certo que o general sabe que quantas mais verbas gastarem mais têm de pagar em géneros aos agora financiadores? É que eles não abrem a carteira pelos seus lindos olhos mas sim porque depois querem o troco a triplicar, daquilo que o governo de Xanana (se eleito) terá de retirar (roubar) aos timorenses em negociatas. Daí a fome e os negativos “desenvolvimento do país-obras que não correspondem aos milhões gastos”. Vai tudo voltar ao mesmo, caro general. Mais um recado: não queira ser cúmplice nestes cambalachos de Xanana. Salte fora enquanto é tempo. Salve-se, porque ainda assim merece. Se fosse realmente independente, provavelmente já teria vencido as eleições à primeira volta. Se tivesse sido correto teria sido bom para si e para Timor-Leste. Basta de cambalachos e de se deixar enredar na teia sebenta de Xanana Gusmão.

Austrália identifica rede de tráfico de droga e lavagem de dinheiro...



... com ligações em vários países

JCS - Lusa

Sidney, Austrália, 24 mar (Lusa) -- Uma investigação das autoridades australianas centrada no tráfico de droga e lavagem de dinheiro identificou uma tríade que envolve políticos e polícias de países e territórios asiáticos.

De acordo com uma reportagem do diário The Sydney Morning Herald, a investigação de quatro anos da comissão australiana de combate ao crime descreve uma rede que lucra vários milhões de dólares com o tráfico internacional de droga e lavagem de dinheiro que "coloca em sério risco a comunidade australiana".

O jornal explica que na operação, denominada "Dayu", foram identificados um conjunto de altos funcionários de vários países e territórios da região asiática como participantes da rede conhecida como o "sindicato do avô".

Entres os países e territórios identificados como tendo funcionários governamentais bem colocados envolvidos estão o Vietname, Tailândia, Birmânia, Laos, Camboja, China e Hong Kong e Macau.

O diário acrescenta que há outros países onde a atividade é também suspeita, mas não foram identificadas provas concretas e refere como exemplo um elemento da tríada a assistir a uma conferência da Interpol em Nova Iorque.

A agência governamental australiana autorizou a transferência de cerca de 10 milhões de dólares australianos (7,9 milhões de euros) suspeito de traduzir rendimentos do tráfico de droga, na tentativa de identificar os líderes do grupo.

O grupo é descrito como possuindo "três cabecilhas" em países do sudeste asiático e, pelo menos, 22 chefes no resto do mundo.

O grupo gasta milhões de dólares em casas de apostas, hotéis asiáticos, companhias de construção e empresas imobiliárias de Hong Kong e nos casinos do Vietname.

Para movimentar o dinheiro, o grupo recorre a "altos funcionários de governo e pessoal nos bancos" de forma a conseguir encobrir as suas atividades.

União Europeia discute caso Zamora Induta com Presidente interino



Lusa

Bissau, 24 mar (Lusa) - A representação da União Europeia (UE) em Bissau está a discutir com as autoridades guineenses a situação de Zamora Induta, que se refugiou nas instalações da missão na capital da Guiné-Bissau, mas diz que "é muito cedo" para falar numa solução.

"Estamos ainda a discutir com as autoridades nacionais como resolver o assunto, puramente humanitário, mas ainda é muito cedo para falar", disse o representante da UE em Bissau, Joaquín González-Ducay, quando questionado se Zamora Induta iria para um país europeu.

"Estamos em contacto com as autoridades nacionais e estamos convencidos de que vamos encontrar uma solução para um assunto que é estritamente humanitário", disse.

Neoliberalismo desenfreado abre portas a ditaduras e a golpes de estado - analista



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 24 mar (Lusa) - O neoliberalismo desenfreado e sem escrúpulos abre as portas, sobretudo na África Ocidental, a ditaduras e consequentes golpes de estado, algo bem patente na instabilidade que se vive na Guiné-Bissau, Senegal e, agora, Mali.

A conclusão é do investigador cabo-verdiano Corsino Tolentino, responsável do Instituto da África Ocidental (IAO), que hoje, numa entrevista à Agência Lusa, criticou Abdoulaye Wade por ter, "desavergonhadamente", alterado a Constituição senegalesa para concorrer a um terceiro mandato, indicando que, sem uma clarificação em Dacar, os problemas na Guiné-Bissau vão manter-se.

Em relação ao Mali, defendeu, nada pode ser dissociado das recentes convulsões que atravessaram o norte do continente africano, com as questões ligadas ao terrorismo e à al-Qaida oriundas da Líbia e Argélia, a par de uma "revolução" tuaregue que se rebela devido à falta de políticas de integração nos países do Sahel.

"Não há uma frente comum na África Ocidental para fazer face ao problema, para assumir claramente que há ditadores na sub-região. Somos incapazes de a criar e é essa incapacidade que abre portas à intolerância e às violações da ordem institucional", sublinhou Corsino Tolentino, antigo diretor geral da Fundação Calouste Gulbenkian.

"Por isso, ainda há espaço para ditadores na sub-região face à reinante cultura neoliberalista e à ausência de princípios na política, que abre caminho a interesses oportunistas e, também, às ditaduras", sustentou o hoje responsável do IAO.

Daí que não surpreendam os recentes acontecimentos no Senegal, com a alteração constitucional que permitiu a Wade candidatar-se ao um terceiro mandato presidencial nas eleições que terão domingo a segunda volta, e que disputará contra Macky Sall, um dos seus antigos "delfins".

Corsino Tolentino, porém, defendeu à Lusa que o melhor para o Senegal, e para a sub-região, seria a vitória de Sall, pois a manutenção de Wade no poder vai manter a linha de conduta do Presidente em jogos de poder, sendo justamente esse o problema.

"Não me surpreende o que fez esse lutador (Wade) histórico da democracia no Senegal, sedento de poder. Mas nunca imaginei que, desavergonhadamente, o fizesse. A alteração constitucional foi indecente. Não tem agora moral para prometer o futuro. Deve haver limites e a indecência deve ser punida", frisou.

E é com base no Senegal que a questão na vizinha Guiné-Bissau tem também implicações, uma vez que a resolução de Casamança continua a depender de Bissau, onde as ramificações de Wade chegam através de Kumba Ialá, líder do Partido da Renovação Social (PRS), que se recusa a participar na segunda volta das presidenciais, previstas para abril.

"É enorme a complexidade de criar um Estado sem liderança, embora isso seja já previsível na Guiné-Bissau. Não sei como se vai sair deste impasse. As queixas têm de ser apresentadas e, ou Kumba ganha, e o processo volta à estaca zero, ou perde por ausência (na segunda volta)", sublinhou Tolentino.

Outra questão essencial é saber até que ponto os vencidos, depois de também derrotados na Justiça, continuarão a aceitar os resultados, o que leva a outro problema, "o recorrer legítimo à força durante o tempo que for necessário", em que as responsabilidades recairão também nas organizações internacionais e sub-regionais.

No Mali, a questão é ainda mais complexa, pois é também resultado de "danos colaterais", provocados, em grande parte, pela queda de alguns regimes em países vizinhos (Mauritânia, Líbia e Níger) e das convulsões noutros (Argélia e Burkina Faso).

"É pouco provável que se concretize um contragolpe. Já se ultrapassou o prazo ideal. Aliás, seria até bom que não acontecesse, uma vez que temo como consequência uma guerra civil generalizada e a desagregação do país", sublinhou Tolentino.

Para o responsável da IAO, o Presidente deposto "tem de ser suficientemente esperto" para reconhecer que falhou e que deve procurar alternativas, que passam pela negociação com os revoltosos e por uma política de integração do povo tuaregue.

"Não se pode pensar que a questão se vai resolver matando os tuaregues", disse.

Repórter: TESTEMUNHA A PROTEGER, NÃO A NEUTRALIZAR




A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) reconheceu hoje, 23 de Março, que a identificação visível de repórteres em cenários de confrontação pode ter vantagens, mas alertou que deve ser avaliada com prudência para evitar o efeito contrário: a sua transformação em alvos, como testemunhas de acontecimentos graves a neutralizar.


Reagindo, em comunicado, a sugestões de responsáveis da Polícia de Segurança Pública quanto a procedimentos dos jornalistas em caso de incidentes como os de ontem, a Direcção do SJ recorda que a PSP tem o dever de garantir a livre actuação dos profissionais no terreno e de proteger a integridade física deles.

O comunicado é do seguinte teor:

Repórter: testemunha a proteger, não a neutralizar

1. Na sequência das chocantes e brutais agressões policiais a dois repórteres das agências Lusa e France Presse, ontem em Lisboa, oficiais da Polícia de Segurança Pública fizeram declarações a órgãos de informação recomendando que os repórteres em serviço em acontecimentos como manifestações estejam identificados de forma bem visível e se coloquem no resguardo das barreiras policiais.

2. A Direcção do Sindicato dos Jornalistas considera que, por princípio, a identificação dos jornalistas de forma visível, designadamente com a ostentação da carteira profissional no peito, é útil, especialmente em acontecimentos como manifestações, comícios e outros.

3. Em primeiro lugar, para afirmar a sua neutralidade face aos diversos protagonistas dos acontecimentos. Em segundo lugar, para assegurar que nomeadamente as forças policiais os tenham referenciados para assegurar a sua protecção nos casos em que estejam a ser impedidos de exercer a sua missão ou alvo de agressões.

4. No entanto, é necessário que a medida de identificação seja encarada com toda a prudência e de forma adequada às circunstâncias, já que pode haver situações em que o “excesso de visibilidade” transforme o repórter em serviço em conflitos em alvos preferenciais da violência por qualquer uma das partes na contenda ou de facções destas.

5. De facto, não podemos esquecer que os jornalistas são os olhos e os ouvidos da opinião pública, são testemunhas profissionais e neutrais e têm por missão narrar os acontecimentos que observam – através de texto, sons e imagens – pelo que a sua presença e o seu trabalho tornam-se muitas vezes incómodos para os protagonistas de incidentes, conflitos e agressões.

6. Nessas condições, é necessário saber avaliar muito bem se a identificação visível transforma o repórter num alvo a proteger especialmente ou numa testemunha dos acontecimentos a neutralizar. Não temos dúvidas de que a função da Polícia, em qualquer circunstância, é garantir a livre actuação dos jornalistas e proteger a integridade física dos profissionais de informação em caso de ameaça.

7. Já quanto à sugestão de que, em caso de incidentes, os jornalistas se resguardem nas barreiras policiais, há que sublinhar que, se por um lado, pode ser uma forma de proteger esses profissionais, tal medida envolve também sérios riscos que importa ponderar seriamente e em cada circunstância.

8. Em primeiro lugar, o “enquadramento” de jornalistas em contingentes policiais pode gerar a suspeita de falta de neutralidade face aos contendores em presença no cenário do incidente ou conflito, tornando-os assim também alvos da violência do outro lado da barricada. Em segundo lugar, esse posicionamento no terreno pode limitar os ângulos de observação e de narração – de reportagem – dos acontecimentos, enviesando o seu trabalho e comprometendo a sua independência.

9. Como se vê, o trabalho dos jornalistas em teatros de confrontação é uma matéria extraordinariamente complexa, como complexas são as inúmeras circunstâncias em que a violência pode eclodir, atingindo involuntariamente os repórteres em serviço ou tornando-os alvos preferenciais de intervenientes nos conflitos, sendo difícil enunciar normas rígidas e seguras de procedimento.

10. Mas uma certeza temos: como acima se disse, a Polícia tem o duplo dever de garantir que os jornalistas não são impedidos de realizar o seu trabalho e de proteger a integridade destes profissionais; assim como nada justifica as imagens chocantes das agressões verificadas ontem, que são intoleráveis, face ao uso desproporcionado da força, mesmo que se não soubesse que as vítimas são jornalistas, ou mesmo que o não fossem.

Lisboa, 23 de Março de 2012

A Direcção

Recorde-se que o SJ condenou, ontem à noite, as agressões policiais contra os repórteres ao serviço as agências Lusa e France Presse, numa manifestação em Lisboa, tendo anunciado um pedido de averiguações pelo Inspector-Geral da Administração Interna e exigido explicações do ministro da Administração Interna.


Sindicato vai transmitir a ministro preocupação com "escalada de violência contra jornalistas"



Lusa, com foto

Lisboa, 24 mar (Lusa) - As agressões da PSP a dois fotojornalistas na manifestação no âmbito da greve geral são vistas com preocupação pelo presidente do Sindicato de Jornalistas (SJ), Alfredo Maia, que se reunirá com o ministro da Administração Interna na segunda-feira.

"Este não é um caso inédito e nós receamos que seja um indício de uma escalada da violência contra os jornalistas", afirmou hoje à agência Lusa Alfredo Maia, referindo que vai transmitir esta preocupação ao ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, durante a reunião programada para segunda-feira à tarde (15:00).

O ministro que tutela as forças de segurança tomou a iniciativa de receber os representantes do SJ para analisar o episódio de quinta-feira, qualificado de "um caso de extrema violência praticado contra os jornalistas" por Alfredo Maia, que vincou que os procedimentos sugeridos pela Polícia de Segurança Pública (PSP) para evitar que este tipo de situações se repita não são consensuais.

"As medidas de que se fala suscitam-nos muitas reservas. A identificação [com coletes] é aconselhável, por princípio, mas há circunstâncias muito complexas em que essa identificação pode levar a um agravamento do risco para os jornalistas, tornando-o um alvo a abater", explicou, acrescentando, por outro lado, que a ideia de os jornalistas ficarem atrás da linha da polícia neste tipo de circunstâncias pode impedir que façam o seu trabalho na plenitude.

Opinião Página Global

Sendo indiscutível que a agressão da PSP ao jornalistas foi ação gravíssima o que está em causa não é só esse fator mas sim toda a atuação da PSP constatadas em imagens e narrações das vítimas que demonstram que propósitos a PSP já levava relativamente ao trato que devia dar aos manifestantes. Querem agora criar o papão de que os jornalistas devem temer os manifestantes em vez das atuações tresloucadamente canídeas da PSP sem que exista em Portugal qualquer exemplo de que isso tenha acontecido ou uma base credível e substancial que torne esse argumento suportável.

Na verdade, para a PSP, como ela está a atuar, será muito conveniente que os jornalistas não tenham liberdade de movimentos e que se limitem a trabalhar (?) por detrás dos polícias para que os deixassem malhar à vontade nos que afinal se manifestam pacificamente contra um regime semelhante a uma ditadura mascarada de democracia. Regime perfeitamente assimilado pela PSP e por mais uns quantos energúmenos que estão a matar a democracia conquistada em 25 de Abril de 1974. Não. É aquilo que os portugueses devem afirmar.

Os jornalistas devem ser respeitados por todos e devem respeitar todos. Se até aqui alguém não os respeitou foi a PSP. O Sindicato dos Jornalistas deve exigir esse respeito aos responsáveis pelas agressões dos profissionais que faziam a cobertura dos incidentes provocados pela PSP no Chiado, em Lisboa.

Como é visto em imagens a PSP provocou e agrediu todos que lhe deu na veneta. Podemos visionar isso mesmo nas parcas imagens disponíveis em vídeo mais em baixo. Pessoas encostadas a paredes, mulheres, idosos, passantes… Tudo serviu para a PSP provocar, empurrar, deitar ao chão, pontapear. O que está em causa são os portugueses no seu todo, incluindo os que se manifestam pacificamente, não são só os jornalistas. Jornalistas, que devem exercer a sua profissão na cobertura destes eventos com total liberdade de movimentos e sem referências algumas (a não ser que seja necessário identificarem-se) porque só assim é que existem condições imparciais e de verdade para reportarem a quem consome a informação o que realmente acontece nas manifestações. Tudo isso sem que sejam agredidos num cabelo que seja.

O que este regime e a PSP pretendem é cometer as selvajarias que lhe apetecer com os jornalistas por aliados ou sem a possibilidade de reportarem corretamente os acontecimentos. E o Sindicato dos Jornalistas o que quer? E os Sindicatos da PSP o que querem para todos os portugueses, para Portugal? (Redação PG – AV)

Portugal – Repressão: ANÓNIMOS DENUNCIAM ALEGADOS AGENTES PROVOCADORES




Catarina Cruz e Nuno Miguel Ropio – Jornal de Notícias, ontem

O grupo ativista Anonymous revelou, esta sexta-feira, no seu perfil na rede social Facebook, fotos de alegados polícias autores de lançamentos de petardos na manifestação da Plataforma 15 de Outubro, no Chiado, em Lisboa, durante a greve geral.

Os Anonymous conseguiram captar imagens de um grupo de três indivíduos que, após terem desencadeado a intervenção da PSP, ao lançar petardos e palavras de ordem, são os mesmos que convivem fraternalmente com os agentes policiais alguns minutos depois (ver link externo).

De salientar que o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (COMETLIS) justificou a intervenção com os bastões, atingindo entre outras pessoas dois fotojornalistas, depois de alguém ter lançado tais petardos. A porta-voz do COMETLIS, a subcomissária Carla Duarte, frisou até que um dos autores teria sido detido.

Disponíveis no perfil deste grupo de ativistas anónimos, as imagens foram captadas porque alguém terá alertado para aquilo que um dos alegados agentes estaria a retirar de uma mochila - mostrando tratar-se de um petardo.

A revelação surge horas depois dos congéneres Anonymous brasileiros terem colocado na página da Internet da embaixada de Portugal no Brasil fotos das agressões policiais de quinta-feira em Lisboa.

Criados há uma década, os Anonymous encetaram uma luta há cerca de cinco anos pela liberdade de expressão e acesso à Internet.

Leia mais em Jornal de Notícias

O ESTADO POLICIAL DA NAÇÃO PASSOS-CAVAQUISTA




António Veríssimo

QUE SE VÃO

Já não se via mastins do regime à solta em gozada repressão e pancadaria aos manifestantes desde os tempos negros do Cavaquismo. Nesse tempo registaram-se várias vítimas entre o povo português cuja memória de tais ferimentos e nódoas negras pelo corpo datavam do regime salazarista. Era aí, nesse tempo, que os mastins fascistas da PSP davam largas à sua fúria selvática, começando por eles próprios provocarem quem somente pretendia pacificamente protestar contra o regime que nos relegava para a miséria, a exploração, a fome, a guerra e a submissão tão ao jeito dos revivalistas hitlerianos. Agora é o mesmo, sob a batuta de Cavaco-Passos, porque são eles os principais responsáveis por todo este hediondo revivalismo nas práticas que podemos presenciar através da compilação vídeo aqui exposta. Para quem sobreviveu a repressões do passado salazarista estas imagens são causa de lágrimas de tristeza e de revolta por constatar como um algarvio cobarde que ocupa Belém e um retornado de Angola revanchista, chefe em São Bento, são responsáveis pelo rumo repressivo e antidemocrático que estamos a vivenciar. Que se vão e levem todos os responsáveis da PSP feios, porcos e maus. Desandem!

MAIS CRUZES NAS ARMAS DE REPRESSÃO DE PSD-CAVACO

Se Cavaco cumprir a tradição dos pistoleiros do velho oeste americano deverá fazer mais marcas nas suas armas de repressão ao povo português, armas que são usadas sempre que está no poder. O mesmo será de esperar do PSD, mais cruzes, mais marcas, as correspondentes às vítimas do comportamento dos  mastins da PSP que mostraram o terrivel caminho que desejam para Portugal e para os portugueses. E falam um e outro, o de Belém e o de São Bento, em democracia. Que hipocrisia! Que prosápia!

Em Junho de 1994, sob o pleno e antidemocrático governo de Cavaco Silva aconteceu a revolta na Ponte 25 de Abril. Diz então, 10 anos passados, o jornal Correio da Manhã em artigo de efeméride: “A 21 de Junho de 1994, milhares de utentes da que era então a única grande via de travessia do Tejo davam expressão ao seu protesto contra o agravamento das portagens, decretado pelo Governo de Cavaco Silva. A primeira forma de luta encontrada pelos utentes para mostrar a sua indignação frente ao aumento de 50 por cento nas portagens foi o buzinão ensurdecedor. Os quatro dias seguintes motivaram enormes engarrafamentos na Ponte e em todos os seus acessos, quer do lado de Lisboa quer da Margem Sul.

Na realidade, como é reportado, foram quatro penosos dias de resistência, consistente mas pacifica, por parte dos manifestantes. As investidas dos mastins da PSP a simples protestos verbais eram frequentes, os feridos também. Até que, refere o Correio da Manhã na peça da efeméride: “Luís Miguel Cardoso Figueiredo tinha 18 anos e era carpinteiro de profissão quando uma "bala perdida", ao que se disse, o amarraria para sempre a uma cadeira de rodas, na condição de paraplégico. Tal como foi amplamente noticiado na altura, o dramático incidente aconteceu na confusão gerada durante a manifestação de protesto de 25 de Junho de 1994 contra o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril.”

Sob o título “JOVEM BALEADO DEDICA-SE À PINTURA”, faz, 10 anos depois, a “história" do jovem baleado em 1994 pelos mastins de Cavaco Silva-PSD e descreve como sobrevive a vítima do cobardolas que agora ocupa em Belém um cargo de que se devia demitir se vergonha e respeito pela dignidade dos portugueses fossem sentimentos que soubesse experimentar:

“Hoje, aos 28 anos, Luís Miguel dedica-se à pintura, expondo os seus quadros em autarquias, casas de cultura e galerias. Realizou a primeira exposição individual em Macau. "Fui aconselhado a ir à China fazer tratamento, pois havia a hipótese de uma pequena recuperação, o que vim a comprovar, dado que senti melhoras; nessa altura, surgiu a pintura como forma de combater o isolamento", disse Luís Miguel ao jornal 'A Tribuna de Loures', durante uma das suas mais recentes exposições na Casa da Cultura da Apelação (Loures).”

Como agora, nesse tempo, sem razão, criminosamente, os mastins da PSP, disparavam a eito sobre manifestantes (agora, por enquanto, são pontapés e cargas de bastões). Era PM Cavaco Silva e os seus ministros eram do PSD, como ele. O PR, desse tempo, Mário Soares, não teve dúvidas em chamar à atenção Cavaco para o que se estava a passar de errado, repreendendo-o em chamada a Belém e manifestando publicamente a sua reprovação.

Para Cavaco aquilo foi somente motivo para fazer mais umas marcas, umas cruzes, no seu armamento repressivo: os mastins da PSP. Para o PSD também. E agora voltámos ao mesmo. A compilação em vídeo mostra-o de forma inequívoca. Tenham a paciência de ver. Tenham o orgulho de serem portugueses e de escorraçar estes saudosos cadáveres salazaristas que tomaram o poder enganando tudo e todos que se deixaram ir nas loas. Que se vão. Desandem!

Nota: Em certas partes da reportagem está patente o servilismo ao regime da "pivot" da RTP que põe a voz. Tal qual outros cadáveres televisivos do salazarismo de outrora.

RAMOS HORTA REVELA-SE ANTIDEMOCRATA RAIVOSO




Zizi Pedruco – Timor Hau Nian Doben

Tenho assistido incrédula às declarações de ataque de Ramos Horta, contra o candidato Taur Matan Ruak, elas contradizem o que ele disse sobre o general Ruak aquando da apresentação da sua candidatura. Colo em baixo parte do discurso do atual Presidente da República.

" Quando ouvi que o nosso irmão Taur Matan Ruak, veterano, herói nacional, ia participar nas eleições presidenciais em 2012, pensei que era melhor afastar-me da recandidatura para dar lugar ao irmão Taur.

Nos últimos dez anos, o irmão TMR dirigiu as FALINTIL – FDTL. Durante cinco anos, o irmão Lu’Olo liderou o nosso Parlamento Nacional. O irmão Lu’Olo Guterres vem de uma família pobre, simples, humilde. Ele fez muitos sacrifícios, voltou à escola, entrou na UNTL e tirou o curso de Direito com notas altas. Ele é uma inspiração para todos nós.

Estes dois nossos irmãos vêm de famílias pobres mas têm dignidade e auto-confiança. Estes dois heróis, que abdicaram dos seus anos de juventude, viveram no mato, em grutas, estiveram de pé no topo da montanha, carregando a bandeira da liberdade, enfrentaram grandes perigos, diariamente, com coragem; eles tiveram fome e, muitas vezes, e comiam só sagu, mandioca, kumbili, inhame, muitas vezes não comiam nada, adoeceram e derramaram sangue." - Ramos Horta.

Taur Matan Ruak a meu entender não mudou nada desde do dia da apresentação da candidatura de Horta, mas a opinião do Sr. Presidente relativamente ao ex-comandante das FALINTIL mudou radicalmente. Ramos Horta tem mau perder, está com o orgulho ferido, e aparenta sintomas de um cão com raiva e, não pode, nem deve de ser levado a sério.

O jornal Timor Post noticia hoje que Ramos Horta declarou que, "um presidente com um passado militar não é bom para nação". Mas...Sr. Presidente, o senhor é um civil e NÃO FOI UM BOM PRESIDENTE DA REPÚBLICA PARA A NAÇÃO, por isso...CALE-SE!

Ramos Horta, Taur Matan Ruak já tinha o passado militar quando Vossa Excelência teceu todos os elogios (merecidos) ao general, e ele continua exatamente a mesma pessoa. Sr. Presidente, a política é PORCA, mas o senhor consegue ser um PORCO maior!

As declarações de Ramos Horta além de injustas são um verdadeiro atentado à já tão frágil democracia timorense. Deixem o povo votar de acordo com a sua vontade e parem de influenciar antidemocraticamente os eleitores, seus sacanas!

O povo é extremamente inteligente e a prova foram os resultados destas eleições, eles livraram-se da MERDA (Ramos Horta incluído) e escolheram os dois bons filhos de Timor, para competiram na segunda volta das eleições, e um deles será o próximo Presidente da República de Timor Leste!

Atacar injustamente Taur Matan Ruak por causa do seu passado militar, é negar a um homem que durante tantos anos da sua vida lutou heroicamente para a libertação de Timor Leste, de gozar o direito de cidadão conferido pela Constituição da República de se candidatar ao cargo de Presidente da República, e Horta é a última pessoa com legitimidade para o fazer, uma vez que durante o seu mandato tudo o que ele fez, e bem, diga-se, foi dar valentes pontapés na nossa Constituição.

Não saber perder é altamente vergonhoso numa sociedade democrática, e fazer declarações absurdas contra um dos candidatos para influenciar o voto é pôr em perigo o Estado de Direito Democrático, e os timorenses não merecem esta sacanagem, não merecem mesmo!

Aconselho seriamente Ramos Horta a visitar um veterinário urgentemente, porque a raiva é uma doença perigosa e altamente contagiosa, dos CÃES!

VIVA TAUR MATAN RUAK!!!

APRENDA TÉTUM E PORTUGUÊS NO KARI MATENEK




Kari Matenek (Espalhar o Conhecimento em português) é o primeiro programa do género destinado a um público infanto-juvenil. Numa parceria entre o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL), a produtora Crockfaek e a Rádio Televisão Portuguesa (RTP), o objectivo passa por reforçar as duas linguas oficiais do país, o Tétum e o Português. E atenção que as aulas continuam até antes do telejornal das 20h.

Estamos no ano de 2010 e com o início de uma nova década, urge dar um grande passo em termos de inovação da própria RTTL. A ideia passa por recrutar jovens para formação nas áreas de jornalismo (TV e Rádio) assim como na produção de conteúdos e componente técnica, tudo a cargo da RTP. E no meio disto tudo surge o programa infantil.

“O Kari Matenek resultou de uma parceria entre o IPAD, a RTP (parceiro técnico), a RTTL e a produtora Crockfaek. A ideia original veio mesmo da produtora. O público infanto-juvenil é o nosso alvo principal e isto vai de encontro com o projecto de reforço das línguas oficiais, seja em conteúdos informativos ou de programação,” explica a Coordenadora do Projecto de Apoio à Comunicação Social, Sofia Martins.

Caderno, Lápis, Acção! Anita e Atino no ar

No ar desde o passado dia 19 de Março, o “Kari Matenek” tem tido excelentes reacções por parte dos telespectadores. E o director de programação da RTTL, Rosário Martins Maia confirma-o.
Recebi alguns telefonemas em que me diziam que as crianças ficavam à espera do programa todas as noites, antes do telejornal. Muitas delas, estão à frente da televisão com cadernos, lapiseiras e vão anotando tudo o que o Atino e a Anita [os dois bonecos animados] vão dizendo.”

Toda a parte de manipulação e voz dos bonecos, filmagens, guiões e tradução está a cargo de três jovens timorenses da RTTL. Almério dos Santos, Betty Carvalho e Nina Gomes não dão a cara, mas sim a voz e as mãos que entram diariamente dentro dos lares timorenses.

“Tem sido uma boa experiência e tudo isto é muito giro porque se transmite conhecimento às nossas crianças,” diz Nina Gomes. Mas se pensa que este programa é destinado única e exclusivamente para as crianças, desengane-se.

“Tenho alguns colegas não timorenses que estão, através do “Kari Matenek”, a aprender tetum,” diz Sofia Martins. “É um programas simples e é sem dúvida uma forma divertida e fácil de aprender,” continua. Timor-Leste faz parte da CPLP mas para Nuno Murinello da produtora Crockfaek a realidade é outra.

“A população, regra geral, não fala português,” diz sem hesitar. Perante isto, surgiu logo a ideia de criar um programa de ensino das duas línguas oficiais.

Rosário Martins Maia diz este tipo de programas tem um enorme potencial e apesar de só terem sido gravados dez episódios, garantiu a sua continuação no próximo ano.

Opinião Página Global

Dez anos volvidos sobre a independência de Timor-Leste e quase mais dois de total ausência do domínio preponderante dos invasores militares indonésios, assassinos que impunemente são ignorados pela justiça timorense e mundial, regista-se com agrado que algo comece a ser feito visando maior abrangência no ensino do português e do tétum para os que não o sabem, principalmente entre as camadas infantis e jovens timorenses. Registe-se ainda a vantagem para os adultos preguiçosos, portugueses e outros que estão em Timor-Leste. Bom trabalho. Já tardava.

O processo pedagógico poderá ser ou não o recomendado mas fica certo que a aposta de esforços deve ir neste sentido e que apesar de tardia fica abrangida pelo velho dito luso que tudo desculpa: “Mais vale tarde que nunca”. Não se deve contudo deixar impunes os que têm andado a fazer de conta que se aplicam no retomar de que os timorenses falem de facto português como antes o faziam. E tanto o faziam que quem viajava pelas montanhas de Timor-Leste, antes da ocupação indonésia, facilmente era entendido em português pelos moradores locais tendo a reciprocidade de que também eles se sabiam expressar em português. Melhor ou pior mas faziam-no. Se bem que isso não invalidasse o enorme erro do regime Salazar-colonialista de só possibilitar a uns quantos o acesso ao ensino, às escolas. Algo que melhorou com a colaboração dos militares que se dispuseram a chamar a si a tarefa nas mais recônditas montanhas do interior timorense, para além da Igreja de então.

Um maior impulso foi registado a partir da presença de um militar miliciano (1969 e seguintes) que ainda hoje será uma das pessoas mais entendidas sobre Timor-Leste: Luís Filipe Thomaz, um catedrático português com um valor que infelizmente está subaproveitado e que tanto podia contribuir pelo interesse que urge aplicar em prol do português em Timor-Leste e da defesa do tétum. Ambas línguas oficiais do país. De notar que se existiu quem tivesse defendido o tétum no regime colonialista, quer no seu aperfeiçoamento, quer na sua divulgação – criando publicações em português-tétum - foi exatamente Luís Filipe Thomaz, saído capitão miliciano do exército colonial e ainda hoje um valoroso e internacionalmente reconhecido catedrático da Pátria lusa. Se quiserem saber mais e melhor, perguntem ao Thomaz. (Redação – AV)

AS "ÚLTIMAS" CONSEQUÊNCIAS




Manuel António Pina – Jornal de Notícias, opinião

O CDS e o PSD reclamaram ontem na AR o apuramento de "responsabilidades" relacionadas com os contratos do TGV.

O CDS exige "que se vá até às últimas consequências" nesse apuramento, pois "é preciso saber quem, onde e como não protegeu o interesse público, não protegeu as contas públicas".

E, se o CDS disse "mata!", logo o PSD acrescentou "esfola!", num monólogo a dois tipo Dupond & Dupont: nós diríamos mesmo mais, é preciso "começar a responsabilizar quem tão conscientemente lesou o Estado português".

Vê-se enfim uma luz laranja azulada ao fundo do túnel da irresponsabilidade. Talvez, quem sabe?, CDS e PSD vão seguidamente apurar "quem, onde e como não protegeu o interesse público, não protegeu as contas públicas" no caso da venda do BPN ao engº Mira Amaral por 40 milhões, doando-lhe ao mesmo tempo 600 milhões como brinde (mais 303 milhões para o feliz contemplado pagar umas dívidas); ou no negócio dos submarinos do dr. Portas, que custou aos contribuintes algo como 941 milhões; ou ainda no dos sobreiros, que trouxe fama & proveito ao misterioso militante centrista Jacinto Leite Capelo Rego; ou...

E a crónica ficaria aqui até segunda-feira a enumerar negócios não fora, para tanto negócio que "lesou o Estado português", tão curta a vida. Aposta contudo que ir "até às últimas consequências" significa ir até às consequências do último apuramento de responsabilidades, isto é, até consequências nenhumas.