sábado, 4 de junho de 2011

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 19




MARTINHO JÚNIOR

NÍGER – O NEOCOLONIALISMO FRANCÊS MORTAL E A PLENO VAPOR

Desde a chegada de Nicolas Sarkozy que a “genética colonial francesa” identificada com alguns dos sectores mais retrógrados da sociedade francesa, em África assumiu um renovado vigor.

Tirando partido de desequilibradas relações económicas que se arrastam desde o tempo colonial, tirando partido das dívidas nunca resgatadas, tirando partido do sistema de inteligência e de influência que nunca foi desmantelado, tirando partido dos relacionamentos militares que nunca abandonaram África (Senegal, Costa do Marfim, Chade, Gabão…),a França é omnipresente no Níger e é logicamente a “potência tutelar” mais responsável pelo facto do país ter um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano do mundo e sem haver esperança de alterar a curto prazo a situação.

O país estende-se por 1.267.000 km², dois terços dos quais desérticos, é interior e possui fronteiras terrestres com a Argélia, a Líbia, o Chade, a Nigéria, o Burkina Faso, o Benine o Mali.

O vale do Níger, que corre a ocidente e a sul, é responsável pela pouca cobertura vegetal que existe, havendo ainda alguma influência, a sul, da bacia do Congo.

O Níger possui 11.360.538 habitantes, de acordo com censos de 2004 e regista também a maior população de touaregs dos territórios abrangidos pelo Sahara.

Em Arlit, no noroeste, (a sul da fronteira com a Argélia), os franceses instalaram as maiores minas de urânio da AREVA (a França possui a maior rede de centrais nucleares do mundo) e o Níger éo 4º produtor mundial desse minério, o que é um indicador do nível de dependência do Níger em relação à “metrópole”.

O urânio tornou-se numa das principais fontes de rendimento do Níger, mas essa incomensurável riqueza tem resultados que não se fazem sentir, incluindo a nível local.

A miséria em Arlit é visível a olho nu eela começa na permanente poeira que se expande no ar e na ausência de água potável que beneficie a comunidade.

A dependência atinge contudo aspectos terríveis: não há segurança em relação à radioactividade nas regiões de exploração de urânio, o que levou o “GreenPeace” a denunciar a situação:

“Abandonados na poeira.

A herança radioactiva da AREVA nas povoações do deserto nigeriano.

No Níger, um dos países mais pobres do mundo de acordo com a classificação dos relatórios anuais mundiais de desenvolvimento humano do PNUD, 40% sofrem de insuficiências ponderáveis, três quartos da população é analfabeta e é raro o acesso à água potável.

Este é um país muito rico em recursos mineiros.

A AREVA, o gigante do nuclear francês, não o faz por menos e extrai de há 40 anosa esta parte o urânio numa escala de milhares de milhões, não deixando ao Níger senão um desastre ecológico cujas consequências pesarão durante os próximos milhares de anos sobre a saúde dos nigerianos”.

Vem tudo isto a propósito do papel fundamental que duas antigas potências coloniais como a Grã Bretanha e a França estão a desempenhar, agora por via da OTAN, precisamente no outro lado da fronteira norte do Níger, na Líbia.

A situação humana na Líbia nada tem de semelhança com a situação humana no Níger, muito menos com a situação de desespero provocado pela exploração desenfreada dum minério como o urânio, por parte duma multinacional ao nível da AREVA.

Mesmo quando se faz uma passagem sobre-os dois territórios utilizando o “GoogleEarth”, se pode com facilidade dar conta dos diferenciados sinais estruturais e humanos, que colocam o Níger num mundo que nada tem a ver com aquilo que se conseguiu realizar na Líbia com o regime de Kadafi.

As povoações líbias têm por exemplo, acesso à água potável que é recolhida no interior do deserto líbio, onde existem depósitos enormes de água fóssil e levada através de condutas até aos centros de consumo.

No Níger o acesso à água potável abrange uma percentagem mínima da população e isso é espelhado no trabalho do “Green Peace” que acima mencionamos.

A França, salvo nas duas últimas décadas e antes do actual conflito, teve relações hostis para com a Líbia, tendo havido confrontações entre os dois no norte do Chade.

Nos últimos 20 anos, a França, conjuntamente com a AREVA e o governo do Níger, poderiam ter tentado soluções no sentido de ir buscar água para o extenso norte do Níger (e em particular para as comunidades mineiras) e negociado com o regime de Kadafi, mas nem sequer isso foi feito.

As comunidades mineiras da AREVA no Níger estão praticamente à mesma distância sul da origem da água no interior dodeserto líbio, em relação aos centros consumidores a norte junto à costa mediterrânica.

Não encontram soluções sequer a nível local, mas encontram soluções “globais”:a AREVA fez um acordo com a sul coreana KEPCO para aumentar a exploração do minérioem toda a região I mouraren (http://www.world-nuclear-news.org/ENF-Areva_and_Kepco_sign_Imouraren_agreement-0502104.html).

A França assume-se não só com todas as evidências como potência neo colonial no Níger: ela pretende, com o governo de Nicolas Sarkozy, alargar os parâmetros de sua conduta em África e, no caso da Líbia, tornou-se num dos eixos principais dum unilateralismo que antes de mais está na origem da divisão dum país africano próspero, que está desde já a pagar uma factura pesada e imerecida, de acordo com pretextos no mínimo duvidosos.
 
A recente reunião do G8 espelha o “cuidado” que a França está a ter nesse projecto: vários governos africanos foram convidados para estarem presentes como observadores e, evocando o facto de estarem a cumprir com os parâmetros previstos para as “democracias representativas”, presentes com os Presidentes recentemente eleitos.

De acordo com o Jornal de Angola:

“Os presidentes da Costa do Marfim, do Níger e da Guiné-Conacry, eleitos recentemente em circunstâncias conturbadas, são os convidados excepcionais da Cimeira do G8 (Grupo dos oito países mais desenvolvidos do mundo), que terá lugar em Deauville (França), de 26 a 27 do mês em curso.

Segundo a presidência do G8, essas antigas colónias da França que elegeram os actuais presidentes Alassane Ouattara (Costa do Marfim), Alpha Condé(Guiné-Conacry), em Novembro de 2010, e Mahamadou Issoufou (Níger), em Março de2011, têm percursos democráticos exemplares.

Essas personalidades deverão encontrar-se em Deauville, com outros dirigentes de países africanos que estão na origem da criação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), que são a Argélia, Egipto, Etiópia, Nigéria,Senegal e África do Sul.

Os parceiros G8/ países árabes de um lado e os G8/África, por outro lado, estarão no centro das discussões, no segundo dia da cimeira, que traz uma dupla assinatura de homenagem aos países G8 e às democracias emergentes no mundo árabe e em África, segundo a presidência francesa”.

O alegado (por Nicolas Sarkozy) “percurso democrático exemplar” do Níger é uma autêntica fraude-caricatura: desde a independência que a evolução da situação interna é ilustrada por instabilidade política que em alguns casos levou até à ocorrência de golpes militares, ou seja, reflecte-se no poder o peso duma elite nacional dividida, desconexa e manipulada pelas ingerências variadas ao dispor dos interesses e conveniências da França.

A ilustrar isso basta consultar o resumo da Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%ADger.

Em relação a essa constante crise, de que o Níger nunca se conseguiu recompor, é evidente que a França sempre desejou a fragilização do país e as divisões que a consagraram: um país pobre, frágil, doente e desunido, é bom para os negócios duma multinacional como a AREVA…

Sai de certeza muito mais barato a exploração de urânio num Níger pobre, fragilizado, dividido e manipulado, que num Canadá, numa Austrália, ou numa Rússia, para mencionar outros três dos maiores produtores mundiais desse minério.

O domínio francês que Nicolas Sarkozy pretende alastrar por África e também na Líbia, onde é visível que a OTAN está em estreita consonância com os rebeldes de Benghazi, é uma manobra neocolonialista pura e dura e como tal deve ser denunciada por todos os africanos não agenciados pelo seu poder.

Na mesma altura em que se reunia o G8,os países africanos estiveram reunidos em Adis Abeba e manifestaram o seu completo desacordo em relação às ingerências por via da OTAN na Líbia nos termos unilaterais que caracterizam a ingerência.

As elites africanas são por seu turno demasiado tímidas nas suas manifestações, o que é reflexo de sua identidade como capitalismo que sustenta a lógica de sua própria sobrevivência.

O caso do neo colonialismo francês no Níger e noutros países africanos, não deve ser colocado à parte da evolução da situação na Líbia, pois por parte de África, a cumplicidade de silêncio que tem havido em relação a situações de neocolonialismo e crise prolongada como a do Níger, facilita a arrogância e o desprezo para com o Continente por parte de Nicolas Sarkozy, de Cameron, de Obama, bem como por parte dos falcões da AFRICOM e OTAN.

Os crimes de guerra da França na Líbia, agora integrando a OTAN, reflectem-se também no Níger.

O Níger recebeu já, segundo se calcula,1.500 refugiados nacionais provenientes da Líbia através de sua fronteira norte; com um país subdesenvolvido ao seu nível, a chegada de refugiados nacionais vai ainda agravar mais a situação.

O Níger tem na Líbia largos milhares de migrantes que ali trabalhavam e eram responsáveis pelo envio de remessas financeiras para as suas famílias; com a Líbia envolvida na guerra e com uma economia quase paralisada, esses milhares de migrantes não irão corresponder financeiramente, o que se reflectirá em alguns substratos sociais nigerianos, incrementando os gráficos negativos da pobreza.

A opção de ingerência militar utilizando a OTAN trará consequências graves a 2.500.000 trabalhadores estrangeiros que se encontravam na Líbia imediatamente antes do início das hostilidades (http://sahelblog.wordpress.com/2011/03/07/libya-raw-numbers-on-foreign-sub-saharan-african-nationals/), o que é, só por si, motivo para que aqueles que puseram em prática as opções militares se sentassem no banco dos réus!

Martinho Júnior.- 29 de Maio de 2011

Sem candidato ao FMI, Brasil espera maior controle sobre países mais ricos




DEUTSCHE WELLE

Guido Mantega, ministro brasileiro da Fazenda, defende que FMI fiscalize mais os países desenvolvidos e alivie o cerco aos emergentes. Brasil não deve apresentar candidato a cargo de diretor-gerente.

No fim de junho, o Fundo Monetário Internacional deverá ter um novo diretor-gerente, sucessor de Dominique Strauss-Kahn, que renunciou ao cargo depois de ser acusado de abuso sexual. O prazo para os candidatos manifestarem interesse vence em 10 de junho, mas Guido Mantega, ministro brasileiro da Fazenda, já avisou: "O Brasil não está apresentando nenhum candidato para o posto de diretor-gerente do FMI", em resposta à Deutsche Welle, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (03/06).

Na última semana, Mantega recebeu em Brasília a francesa Christine Lagarde, ministra de Finanças que concorre ao cargo, e o candidato mexicano, Agustin Carstens, presidente do Banco Central do México. "Também teremos prazer de conversar com o candidato sul-africano, se ele vier até o Brasil", respondeu sobre a provável candidatura de Trevor Manuel, ex-ministro de Finanças daquele país.

Campanha sutil

Uma oposição não tão declarada se forma na disputa pela liderança do Fundo Monetário Internacional: de um lado estão os europeus, do outro, os emergentes críticos e ansiosos por mais espaço. "Essa regra de que tem que ser um europeu está superada pelo tempo. O Brasil irá analisar se os candidatos estão sintonizados com um FMI mais moderno, mais representativo dos problemas e dos interesses de todos os países, inclusive dos emergentes", adianta Mantega.

Por enquanto, a exigência dos "novos ricos" ainda não ecoou no território dos afortunados tradicionais. Angela Merkel, líder do governo alemão, já declarou apoio a Christine Lagarde – que teria o que ela chamou de "experiência ideal" – e pediu que os países em desenvolvimento tomem uma decisão imparcial.

NAS PRAÇAS, UM PROGRAMA




Boaventura Santos destaca dois aspectos centrais nas lutas da juventude europeia: a reivindicação da democracia radical, como forma de subverter domínio das elites; e sinais de um projeto — que inclui bens comuns, diversidade, respeito à natureza e novo sistema político

BOAVENTURA SOUSA SANTOS – OUTRAS PALAVRAS

Nos próximos tempos, as elites conservadoras europeias, tanto políticas como culturais, vão ter um choque: os europeus são gente comum e, quando sujeitos às mesmas provações ou às mesmas frustrações por que têm passado outros povos noutras regiões do mundo, em vez de reagir à europeia, reagem como eles. Para essas elites, reagir à europeia é acreditar nas instituições e agir sempre nos limites que elas impõem. Um bom cidadão é um cidadão bem comportado, e este é o que vive entre as comportas das instituições.

Dado o desigual desenvolvimento do mundo, não é de prever que os europeus venham a ser sujeitos, nos tempos mais próximos, às mesmas provações a que têm sido sujeitos os africanos, os latino-americanos ou os asiáticos. Mas tudo indica que possam vir a ser sujeitos às mesmas frustrações. Formulado de modos muito diversos, o desejo de uma sociedade mais democrática e mais justa é hoje um bem comum da humanidade. O papel das instituições é regular as expectativas dos cidadãos de modo a evitar que o abismo entre esse desejo e a sua realização não seja tão grande que a frustração atinja níveis perturbadores.

Ora é observável um pouco por toda a parte que as instituições existentes estão a desempenhar pior o seu papel, sendo-lhes cada vez mais difícil conter a frustração dos cidadãos. Se as instituições existentes não servem, é necessário reformá-las ou criar outras. Enquanto tal não ocorre, é legítimo e democrático atuar à margem delas, pacificamente, nas ruas e nas praças. Estamos a entrar num período pós-institucional.

Os jovens acampados no Rossio e nas praças de Espanha são os primeiros sinais da emergência de um novo espaço público – a rua e a praça – onde se discute o sequestro das atuais democracias pelos interesses de minorias poderosas e se apontam os caminhos da construção de democracias mais robustas, mais capazes de salvaguardar os interesses das maiorias. A importância da sua luta mede-se pela ira com que investem contra eles as forças conservadoras. Os acampados não têm de ser impecáveis nas suas análises, exaustivos nas suas denúncias ou rigorosos nas suas propostas. Basta-lhes ser clarividentes na urgência em ampliar a agenda política e o horizonte de possibilidades democráticas, e genuínos na aspiração a uma vida digna e social e ecologicamente mais justa.

Para contextualizar a luta das acampadas e dos acampados, são oportunas duas observações. A primeira é que, ao contrário dos jovens (anarquistas e outros) das ruas de Londres, Paris e Moscou no início do século XX, os acampados não lançam bombas nem atentam contra a vida dos dirigentes políticos. Manifestam-se pacificamente e a favor de mais democracia. É um avanço histórico notável que só a miopia das ideologias e a estreiteza dos interesses não permite ver. Apesar de todas as armadilhas do liberalismo, a democracia entrou no imaginário das grandes maiorias como um ideal libertador, o ideal da democracia verdadeira ou real. É um ideal que, se levado a sério, constitui uma ameaça fatal para aqueles cujo dinheiro ou posição social lhes tem permitido manipular impunemente o jogo democrático.

A segunda observação é que os momentos mais criativos da democracia raramente ocorreram nas salas dos parlamentos. Ocorreram nas ruas, onde os cidadãos revoltados forçaram as mudanças de regime ou a ampliação das agendas políticas. Entre muitas outras demandas, os acampados exigem a resistência às imposições da troika [Comissão Europeia, FMI, Banco Central Europeu] para que a vida dos cidadãos tenha prioridade sobre os lucros dos banqueiros e especuladores; a recusa ou a renegociação da dívida; um modelo de desenvolvimento social e ecologicamente justo; o fim da discriminação sexual e racial e da xenofobia contra os imigrantes; a não privatização de bens comuns da humanidade, como a água, ou de bens públicos, como os correios; a reforma do sistema político para o tornar mais participativo, mais transparente e imune à corrupção.

A pensar nas eleições acabei por não falar das eleições. Não falei?

Brasil: A REPRESSÃO AOS BOMBEIROS NO RIO DE JANEIRO




DIOGO J. F. ARAÚJO – LUÍS NASSIF ONLINE

Ahhhh se fosse aqui em SP... O PHA ia ter um orgasmo e escrever 100 posts...
Saudades de quando dava pra ler o Conversa Afiada todo dia...

Deputada que estava dentro do quartel dos bombeiros diz que Bope disparou balas de fuzil**

Integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) passou a madrugada acompanhando o protesto dos bombeiros dentro do Quartel General do Corpo de Bombeiros, no centro da cidade, e disse que só não houve uma tragédia porque o movimento é pacífico e porque os manifestantes tinham treinamento militar.
"Foi terrível o que aconteceu lá dentro. O Bope [Batalhão de Operações Especiais] invadiu por trás, jogando bombas de gás e disparando balas de verdade. Tem carros dos bombeiros lá dentro arrebentados a bala. Se os bombeiros não estivessem em movimento pacífico e ordeiro poderia ter ocorrido uma tragédia", afirmou a deputada, exibindo cápsulas deflagradas de fuzil e pedaços de bomba de efeito moral.

"Essas pessoas que estão sendo penalizadas são as mesmas que salvam vidas em incêndios e nas praias do Rio. Ganham o pior salário da categoria no Brasil. Quero saber se o governador (Sérgio) Cabral, responsável por essa operação, consegue se alimentar em Paris com os R$ 950 que são pagos a esses homens e mulheres."

Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também estão na porta do quartel do Batalhão de Choque, acompanhando a autuação dos bombeiros.

Crianças feridas

Manifestantes também afirmam que outras pessoas foram feridas, inclusive outras crianças, e a mulher de um cabo passou mal e teria perdido o bebê durante a confusão. A deputada estadual contou que a grávida sofreu um aborto espontâneo.O coronel Íbis Silva Pereira, porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, confirmou na manhã deste sábado (4) que uma criança deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar após a invasão do Bope. Segundo ele, a criança teve um problema por inalação da fumaça, que provalvemente foi provocada pela granada usada pelo Bope para arrombar o portão do quartel, que havia sido trancado pelos manifestantes com uma barreira de carros de bombeiros.

Segundo funcionários do Hospital Municipal Souza Aguiar, pelo menos cinco crianças deram entrada atordoadas e com ferimentos leves. Elas foram acalmadas, medicadas e liberadas em seguida.

"Pior salário da categoria"

Não houve resistência dos manifestantes, mas durante a ação policial houve confusão e correria. A polícia convocou homens da tropa de elite da corporação, da cavalaria e helicópteros.

Hoje cedo, o Bope invadiu o local pelos fundos, usando uma escada. Eles também jogaram bombas de efeito moral contra os cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, que ocuparam o local na noite de sexta-feira (3), alguns acompanhados por familiares e até por crianças. Eles reivindicam um aumento de R$ 950 para R$ 2.000, além de melhorias em suas condições de trabalho.

"Nós temos o pior salário da categoria no país. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta," disse o porta voz do movimento, o cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo. "Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade e precisamos de uma solução".

600 bombeiros presos

De acordo com o coronel, a situação "está voltando a normalidade" e grande parte dos manifestantes já deixou o local. A PM informou que cerca de 600 manifestantes foram levados ao Batalhão de Choque, onde passarão por uma inspeção.

Em entrevista em frente ao quartel, na manhã de hoje, o coronel Mário Sérgio Duarte, comandante geral da Polícia Militar, afirmou que a negociação entre a PM e os bombeiros não saiu como ele gostaria, ou seja, sem a necessidade de uma ação efetiva da PM, mas que a operação de invasão foi feita com todo cuidado e não há informações sobre pessoas feridas com gravidade nem perfurações à bala.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), já determinou a prisão de todos os bombeiros manifestantes. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, a quem os bombeiros são subordinados, os manifestantes seriam presos por invasão de órgão público, agressão a oficial e desobediência à conduta militar. No entanto, o comandante da PM, coronel Mario Sergio Duarte, informou que as prisões seriam analisadas caso a caso.

Cabral está reunido desde às 8h, no Palácio da Guanabara, com parte da cúpula do governo do Estado para avaliar o movimento de protesto dos bombeiros. O governador conversa com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame; com o vice-governador Luiz Fernando Pezão; com o secretário da Casa Civil, Regis Velasco Fichtner Pereira, e com o coronel Mário Sérgio Duarte.

* Com agências de notícias.


Portugal: POLÍCIA REPRIME MOVIMENTO "DEMOCRACIA VERDADEIRA JÁ!", NO ROSSIO




Activistas surpreendidos com acção policial no Rossio, polícia diz que "cumpriu dever"

DESTAK - LUSA

A acção policial de hoje em Lisboa, que levou à detenção de três jovens para identificação, surgiu de forma inesperada para os activistas presentes no Rossio, com a Polícia Municipal a referir que actuou no "cumprimento do seu dever".

"Estamos aqui acampados há mais de uma semana e sempre houve uma grande interação com todos os polícias municipais que aqui estiveram. Hoje não sei o que aconteceu", disse Raquel Bravo, integrante do Movimento Democracia Verdadeira Já, que promoveu a concentração na Praça do Rossio, no centro da cidade.

De acordo com a manifestante, um dos membros do grupo "estava a enrolar um cigarro pacificamente" quando um agente pediu a sua identificação, gerando-se posteriormente uma grande confusão com insultos e violência física.

"Tenho várias marcas de bastões. Levaram três pessoas sem sabermos como e tiraram-nos tudo. Isto é uma vergonha", contou a jovem à reportagem da agência Lusa.

A polícia recolheu tendas, cartazes e outros materiais de ativistas que estavam concentrados há vários dias na praça do Rossio, em Lisboa, e deteve três pessoas.

A intervenção policial começou cerca das 15:30, quando as forças de segurança carregaram sobre alguns dos cerca de 100 manifestantes que permaneciam na histórica praça lisboeta há cerca de duas semanas.

Inicialmente foram detidos dois jovens e depois, por entre muita agitação, e no decorrer das agressões policiais, foi detida uma terceira pessoa.

No decorrer da operação os responsáveis policiais escusaram-se a prestar declarações aos jornalistas, mas posteriormente fonte do comando da Polícia Municipal de Lisboa disse à Lusa que a abordagem visou questionar os manifestantes sobre se tinham licença de ocupação da via pública, nomeadamente devido à colocação de cartazes e de um toldo na Estátua de D. Pedro IV, no centro da praça.

Com a abordagem dos agentes, os manifestantes injuriaram a autoridade, relatou a mesma fonte policial.

Durante a intervenção um grupo de contestatários tentou agredir os agentes municipais no "cumprimento do seu dever", indicou a fonte da Polícia, precisando que até ao final do dia de hoje a Praça do Rossio terá de ficar "livre e desocupada".

Rui Borges, outro dos manifestantes que presenciou a investida policial, diz desconhecer o que se passou hoje de "diferente dos outros dias" em que o grupo esteve reunido no local.

"Foram três pessoas detidas sem justificação. Não conseguimos perceber a intervenção", acusou o ativista.

A intervenção policial foi acompanhada com espanto por dezenas de turistas e curiosos, inclusive por um grupo de dezenas de noruegueses, que aproveitavam a soalheira tarde de Lisboa para confraternizar antes do jogo de futebol de hoje entre a selecção do seu país e a equipa portuguesa.

Para as 19:00 está prevista no local uma assembleia popular, que já estava prevista antes da intervenção policial, e que poderá agora ganhar novos contornos, advertem os manifestantes.

* Título PG

Protestos - Portugal: Polícia detém três pessoas e acaba com acampamento no Rossio




PPF - LUSA

Lisboa, 04 jun (Lusa) - A polícia recolheu hoje tendas, cartazes e outros materiais de ativistas que estavam concentrados há vários dias na praça do Rossio, em Lisboa, e deteve três pessoas.

A intervenção policial começou cerca das 15:30, quando as forças de segurança carregaram sobre alguns dos cerca de 100 manifestantes que permaneciam na histórica praça lisboeta há cerca de duas semanas.

Inicialmente foram detidos dois jovens e depois, por entre muita agitação, e no decorrer das agressões policiais, foi detida uma terceira pessoa.

Cerca das 16:00, as autoridades abandonaram o local e os jovens voltaram a sentar-se no meio da praça e prometem decidir convocar novas ações de protesto.

Para as 19:00 está prevista no local uma assembleia popular, que já estava prevista antes da intervenção policial, e que deverá agora ganhar novos contornos, advertem os manifestantes.

O Movimento Democracia Verdadeira Já, que promoveu a concentração, protesta contra a qualidade da democracia, as condições de vida e a precariedade, pedindo novas políticas e mais reflexão aos portugueses.

Eleições: BORRIFEM-SE PARA O QUE CAVACO DIZ COM “ARES” DE “ANTIGAMENTE”




ANTÓNIO VERÍSSIMO

TENHA DÓ, SENHOR CAVACO!

Apesar de querer não fazer pronunciamentos políticos no dia de hoje, por ser período de reflexão para os que ainda não refletiram, violo este propósito porque as declarações de Cavaco Silva no Facebook não me deixam calar o susto que considero que aquele sujeito nos pode causar. Cavaco encarna vezes demais declarações que nos transportam ao “antigamente”. Que ele seja um homem do “antigamente” é uma coisa, mas que usando-se dos seus cargos graças à democracia nos assuste com declarações com “ares” dos “velhos tempos” salazaristas é que é de repudiar.

Segundo a notícia, transcrita já aqui em baixo, Cavaco vai fazer uma comunicação ao país alusiva ao dia de amanhã, dia de eleições. Será “uma comunicação onde vai apelar ao voto nas eleições legislativas de amanhã, domingo, referindo que quem se abstiver perde a legitimidade para criticar o próximo Governo.”

A seguir, noutro parágrafo afirma que “é um dever de todos os cidadãos manifestarem a sua vontade” atendendo à situação do país. Claramente está escrito que “O Presidente da República considera que “quem não votar perde a legitimidade para depois criticar as políticas do Governo" que será eleito nas legislativas de domingo.” Ora se primeiro é um dever dos cidadãos manifestarem a sua vontade a abstenão é legíma e não nos coarta direitos constitucionais. Ou não é assim?

Não quis acreditar que Cavaco tivesse afirmado isto. Mas afirmou. E pelos vistos é aquilo que vai afirmar na sua comunicação ao país a ser veiculado nas televisões e nas rádios.

Os tiques salazaristas deste sujeito impressionam-me. E, pelo menos, assustam os que já penaram desde que nasceram, por décadas, os “velhos tempos” salazaristas.

Mas quem é Cavaco Silva para afirmar que quem não votar “perde a legitimidade para criticar o próximo Governo”? Desde quando? Qual é a lei que retira essa legitimidade aos cidadãos portugueses? Das três uma: ou Cavaco não sabe falar, ou não sabe pensar, ou pensa e diz o que quer e arraça-se de salazarista chapado neste tipo de declarações!

Não votar é uma opção e um direito constitucional igual à opção de votar. Temos todo o direito de nos abstermos e temos todo o direito de criticar os governos e políticos que sob suas ações mereçam ser criticados. Não existem portugueses assim e outros assado como nos tempos do Salazar, ou pelo menos não deviam existir. Tudo indica que na cabeça de Cavaco eles existem mesmo.

Imagine-se que entre vários pratos de sopa um individuo se abstém de comer sopa. Não toca em nenhuma das cinco ou seis sopas diferentes que lhe oferecem para escolher porque as conhece e sabe que não quer, que não gosta de nenhuma. E então esse individuo não tem o direito de se pronunciar e de criticar as sopas que não quis, porque não gostava ou porque em sua opinião não prestavam?

Uma era sopa de mijo, outra de diarreia, outra de peles de rato, outra couro de chulos, outra de parasitas, outra de corruptos, outra de grandes fugas de impostos (SISA), etc. O individuo sabe perfeitamente os sabores das sopas, não gosta, não quer aquelas e não tem mais para escolher… Abstém-se e é livre de as criticar. De dizer que a de mijo é um nojo, que a de diarreia é asquerosa, que a de fugas de impostos é vergonhosa… E assim sucessivamente. Mas para Cavaco não. Há que votar. Provavelmente se pudesse ia-nos buscar a casa e votaríamos à força. Ou se calhar até o melhor era serem só uns quantos dótores a votarem, que ele escolheria. Ou colégio eleitoral… Qualquer coisa assim. O senhor Cavaco é um susto e é também aqui nestas aparentes pequenas coisas que o vai demonstrando.

Este sujeito, eleito PR à rasquinha, para quem sabe um pouco daquilo que foi o “antigamente” e que experimentou penar, assusta. Os seus tiques de ditador, ou pelo menos antidemocráticos, parecem multiplicar-se com a idade… Ou então sente-se mais autorizado e revelar-se. O que seja é preocupante. Ainda mais se tivermos um governo na mesma linha. Resta-nos ficar atentos e não nos calarmos, criticarmos quando considerarmos que o devemos fazer e assim nos garante a Constituição. Não nos calarmos. Borrifarmo-nos para o que Cavaco quer e diz. No mínimo poderá ser impensado mas é sempre desonesto. Como em política não existem acasos…

Parece evidente que os atuais políticos estão com um medo enorme de que os portugueses abram de vez os olhos e usem a arma da abstenção para os destituir. E Cavaco é um dos que está com imenso medo disso. A abstenção nas eleições presidenciais foi retumbante, cerca de 60 por cento.

Ora se nos põem trampa à frente, que até já conhecemos há imensos anos e nos tem feito infelizes e miseráveis, devemos continuara a escolher essa trampa? Podemos fazê-lo ou não. Mas essa é opção nossa, sem mais consequências. Até porque quem vai governar Portugal nos próximos anos vai fazê-lo às ordens do exterior, mais do mesmo mas a falar outras línguas, o que parece agradar a Cavaco. Tenha dó, senhor Cavaco!

Portugal: Presidente apela ao voto e diz que quem se abstém perde legitimidade para criticar




OBSERVATÓRIO DO ALGARVE

O Presidente da República, Cavaco Silva, faz hoje uma comunicação ao país onde vai apelar ao voto nas eleições legislativas de domingo, referindo que quem se abstiver perde a legitimidade para criticar o próximo Governo.

“Na grave situação económica e social em que o País se encontra é um dever de todos os cidadãos manifestarem a sua vontade e dizerem quem deve assumir a responsabilidade de governar Portugal nos próximos 4 anos”, escreve Cavaco Silva na sua página na rede social Facebook.

O Presidente da República considera que “quem não votar perde a legitimidade para depois criticar as políticas do Governo" que será eleito nas legislativas de domingo.

“Abster-se de votar é demitir-se do seu próprio futuro”, insiste.

Brasil: PALOCCI NEGA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA; FUTURO DEPENDE DA REAÇÃO POLÍTICA




ANDRÉ BARROCAL – CARTA MAIOR

Suspeito de enriquecer à base de tráfico de influência, ministro Antonio Palocci escolhe Jornal Nacional para se explicar, diz que não defendeu interesses privados junto a órgãos públicos, nem arrecadou para campanhas políticas. Afirma ter clientes "renomados", mas evita dar nomes e fala de forma genérica sobre "bancos, indústrias e serviços". Futuro do ministro depende agora da reação da classe política aliada de Dilma Rousseff e da decisão da Procuradoria Geral da República de abrir inquérito contra ele.

BRASÍLIA – Quase três semanas depois da publicação de uma reportagem noticiando que havia ficado rico como deputado a ponto de conseguir comprar um apartamento de mais de R$ 6 mihões, o ministro Antonio Palocci deu a primeira entrevista para se defender. Escolheu o produto jornalístico de maior penetração no país, o Jornal Nacional, da TV Globo, para negar a suspeita de que a consultoria empresarial que ele diz ter sido a fonte do seu enriquecimento seria, na verdade, uma fachada para defender interesses privados perante órgãos públicos. “Não fiz tráfico de influência, não fiz atuação junto a empresas públicas representando empresas privadas”, disse.

Palocci falou de forma genérica sobre os clientes da sua consultoria, a Projeto. Não quis dar nomes porque, argumentou, seria expor as empresas à possibilidade de exploração política por parte dos adversários do governo Dilma Rousseff. Citou um caso concreto em que isso ocorreu, envolvendo a incorporadora WTorre, que o PSDB afirmou ter sido beneficiada numa restituição de imposto de renda que, na verdade, fora determinada pela Justiça.

Palocci disse ter tido clientes “renomados” entre bancos, fundos de investimento, indústrias de áreas diversas e serviços em geral. “É um conjunto de empresas que pouco tem a ver, por exemplo, com obras públicas, com investimentos públicos. São empresas que vivem da iniciativa privada e que consideraram útil o fato de eu ter sido ministro da Fazenda, de ter acumulado uma experiência na área econômica”, declarou, de novo tentando afastar a hipótese de tráfico de influência.

O ministro procurou também desfazer o vínculo que adversários do governo tentam estabelecer entre o alto faturamento da consultoria dele durante a eleição do ano passado e a campanha de Dilma Rousseff, que ele coordenou. De acordo com Palocci, a Projeto faturou muito no fim de 2010 (cerca de R$ 20 milhões) porque contratos de pagamento a prazo tiveram de ser liquidados de uma vez só. Motivo: ele tinha de encerrar as atividades de consultor para entrar no governo. “Não existe nenhum centavo [da Projeto] que se refira à política ou à campanha eleitoral, nenhum centavo.”

Na entrevista, Palocci afirmou que o caso “tem forte conteúdo político”, dirigido especificamente contra ele, mas sem mencionar quem seriam os interessados em atacá-lo. Declarou-se “seguro” e “tranquilo”, disse que não conversou com a presidenta Dilma Roussef para colocar o cargo à disposição porque o cargo de todos os ministros já é dela e arrematou. “Não há crise no governo, crise no país (…). O governo toca sua vida, trabalha intensamente.”

Segundo Carta Maior apurou, Palocci deu entrevista depois de muita resistência e de Dilma ter mandado recados de que seria melhor o ministro se explicar diretamente. Ela mesma já havia se comentado o assunto. Ele queria evitar o que considerava uma amplificação do caso. Mas teve de ceder depois que, nos últimos dias, ficou claro que a classe política aliada do governo estava à espera de explicações públicas.

Em reunião da Executiva Nacional do PT na véspera da entrevista, por exemplo, o partido do ministro recusou-se a produzir qualquer documento em defesa dele.

Na defesa que fizera de Palocci, a presidenta, segundo um auxiliar próximo, escolheu cuidadosamente as palavras para ter uma porta de saída que permita justificar a demissão do ministro, caso as circunstâncias políticas empurrem-na para essa decisão. Na ocasião, ela dissera que o chefe da Casa Civil “iria explicar tudo”, mas sem falar que confiava nele, por exemplo.

A presidenta, de acordo com o mesmo auxiliar, está convencida de que o tiro disparado contra Palocci partiu de adversários do PSDB encrustados dentro da prefeitura de São Paulo. Nos bastidores, Palocci acredita que o tiro foi dado por algum aliado do governo interessado em enfraquecê-lo, o chamado fogo amigo.

Daqui para frente, o futuro de Palocci dependerá da reação da classe política à entrevista e, também, da decisão da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre um pedido de adversários do governo para que seja aberta uma investigação da vida empresarial do ministro.

A PGR recebeu dois conjuntos de representações contra Palocci, já obteve resposta do ministro para um primeiro lote e agora aguarda o complemento até a próxima quarta-feira, 8 de junho. Daí decidirá por abrir um inquérito ou engavetar o assunto.

Um dia antes de vencer o prazo de envio de explicações de Palocci à PGR, a Câmara dos Deputados deverá decidir se convoca mesmo o ministro ou não para depor. Nos últimos dias, os adversários do governo conseguiram aprovar a convocação dele para falar na Comissão de Agricultura, reduto de inimigos de Palocci por causa da atuação dele contra os ruralistas na votação do Código Florestal.

Mas o governo conta com a boa-vontade do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), para reverter a decisão no plenário da Casa.

Brasil: AÉCIO NEVES É DENUNCIADO POR OCULTAR PATRIMÔNIO E SONEGAR IMPOSTO




ANDRÉ BARROCAL – CARTA MAIOR

Recém alçado a líder máximo da oposição ao governo Dilma Rousseff, senador tucano é acusado por deputados estaduais de Minas Gerais de esconder bens para não pagar Imposto de Renda. Segundo denúncia, salário de R$ 10 mil e patrimônio declarado de R$ 600 mil não explicam viagens ao exterior, festas com celebridades, jantares em restaurantes caros e uso de carrões. Procuradoria Geral da República examina representação para decidir se abre investigação.

BRASÍLIA – A Procuradoria Geral da República (PGR) vai anunciar em breve se abrirá inquérito para investigar o enriquecimento do chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci. Os adversários do governo petista acionaram-na depois da notícia de que Palocci comprou apartamento de mais de R$ 6 milhões em São Paulo, no que seria um sinal de “ostentação”. Pois a PGR também examina se é necessário apurar melhor a vida patrimonial de um outro figurão da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), líder máximo da oposição atualmente. O tucano entrou na mira do Ministério Público pelo motivo oposto ao de Palocci, a ocultação de bens, o que revelaria sonegação fiscal.

A denúncia de que o senador esconde patrimônio e, com isso, deixa de pagar impostos foi feita ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no dia 30 de maio, pela bancada inimiga do PSDB na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

O fundamento da representação é o “estilo de vida” do senador. Com o salário de R$ 10,5 mil mensais que recebeu por sete anos e quatro meses como governador mineiro, diz a representação, Aécio não teria condições de viajar onze vezes para o exterior com a família, andar de jatinho, dar festas com celebridades, frequentar restaurantes caros e comprar os carrões com que desfila em Minas e no Rio, cidades onde tem apartamentos.

Na declaração de renda apresentada à Justiça eleitoral no ano passado, quando disputou e ganhou um cadeira no Senado, Aécio Neves informou ter patrimônio de R$ 617 mil, que os acusadores dele consideram uma ficção.

“Há claramente um abismo entre o Aécio oficial e o Aécio do jet set internacional. Ele está ocultando patrimônio, e isso leva ao cometimento de sonegação fiscal”, afirma o deputado Luiz Sávio de Souza Cruz (PMDB), líder da oposição ao PSDB na Assembléia mineira e um dos signatários da representação.

Linhas de investigação
O documento sugere duas linhas de investigação à PGR na tentativa de provar que o senador estaria escondendo patrimônio para sonegar impostos, num desfiar de novelo que levaria – e isso a representação não diz - à descoberta de desvio de recursos públicos mineiros para a família Neves.

A primeira linha defende botar uma lupa na Radio Arco Íris, da qual o senador virou sócio em dezembro. Até então, a emissora era controlada apenas pela irmã de Aécio, Andrea Neves. Os denunciantes do senador estranham que a emissora tenha uma frota de doze veículos, sendo sete de luxo, e mantenha parte no Rio de Janeiro. Se a radio não produz conteúdo noticioso nem tem uma equipe de jornalistas, para que precisaria de doze veículos, ainda mais num estado em que não atua?

A hipótese levantada pela denúncia é de que se trata de um artifício para fugir de tributos – a despesa com a frota e a própria existência dela permitem pagar menos imposto de renda. Além, é claro, de garantir boa vida ao senador.

Mas há uma desconfiança maior por parte dos adversários de Aécio, não mencionada na representação. “Queremos saber se tem recurso público nessa rádio. Quanto foi que ela recebeu do governo desde 2003?”, diz o líder do PT na Assembléia, Rogério Correia, também autor da representação. “Há muito tempo que a Presidência da Assembléia impede que se vote essa proposta de abrir os repasses oficiais para a radio Arcio Iris.”

Sócia da rádio, Andrea Neves coordenou, durante todo o mandato do irmão, a área do governo de Minas responsável pela verba publicitária.

A outra linha de investigação aponta o dedo para uma das empresas da qual Aécio declarou ao fisco ser sócio, a IM Participações. A sede da empresa em Belo Horizente fica no mesmo endereço do falido banco que os pais do senador administraram no passado, o Bandeirantes. Do grupo Bandeirantes, fazia parte a Banjet Taxi Aéreo. Que vem a ser a proprietária de um jatinho avaliado em R$ 24 milhões que o senador usa com frequencia, e de graça, para viajar.

O problema, dizem os acusadores do senador, é que a Banjet tem como sócio gestor Oswaldo Borges da Costa Filho, cunhado de Aécio e presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais durante o governo do tucano.

A hipótese levantada na representação é de que teria havido uma “triangulação de patrimônio”. Aécio controlaria a Banjet por meio da IM Participação de Administração. “São essas empresas de participação quem administram inteiras fortunas, para acobertar patrimônio de particulares, que não tem como justificar contabilmente a aquisição de ativos”, afirma o texto.

Neste caso, a representação de novo não diz, mas é outra desconfiança dos denunciantes do senador, também teria havido desvio de recursos públicos mineiros, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico, para a família Neves.

Minas: 'estado de exceção'
Os adversários do senador tentam emplacar uma investigação federal contra Aécio – e por isso se apegam a questões fiscais – para contornar supostos silêncio e omissão de instituições mineiras, que estariam sob controle total do ex-governador.

“Aqui no estado nós vivemos num regime de exceção. A imprensa, o tribunal de contas, a Assembléia Legislativa são todos controlados pelo Aécio”, diz Rogério Correia. “Esse Aécio que aparece sorrindo em Brasília é o 'Aécio ternura'. Mas aqui em Minas tem um 'Aécio malvadeza'”, afirma Savio Cruz, usando expressões que no passado referiam-se ao falecido senador Antonio Carlos Magalhães.

Aécio Neves foi procurado, por meio da assessoria de imprensa, para comentar a denúncia, mas não havia respondido até o fechamento da reportagem. A Procuradoria informou, também por meio da assessoria, que não há prazo para o procurador Roberto Gurgel decidir se abre ou não a investigação contra o senador.

Brasil: NOEL ROSA E A CLASSE POLÍTICA




MAIR PENA NETO* – DIRETO DA REDAÇÃO
Nossa brasilidade se demonstra de diversas formas, como em uma platéia cantando em uníssono uma canção de Noel Rosa tocada por Jards Macalé ao violão. Uma platéia de diferentes faixas etárias e classes sociais, diga-se de passagem, que pagou um real para assisti-lo, junto a Jorge Mautner, numa fria noite de início de semana, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.
Noel Rosa morreu há mais de 70 anos, mas suas canções permanecem vivas e fazem parte de nossa identidade, pois falam justamente de nossos hábitos e maneira de viver. Há poucas coisas tão brasileiras como uma boa média que não seja requentada e perguntar qual foi o resultado do futebol. E se acuse quem não puxa lá do fundo da alma os primeiros versos de Feitio de Oração: Quem acha, vive se perdendo/ por isso agora eu vou me defendendo/ da dor tão cruel desta saudade/que por infelicidade/meu pobre peito invade.
A identidade brasileira é simples em sua complexidade. Parafraseando Macalé, com liberdade, o brasileiro não precisa de muito dinheiro, graças a Deus. Prezamos as coisas simples e a alegria de viver. O povo quer tranquilidade para se divertir e manter seu espírito alegre. Isso se traduz em trabalho, educação, saúde, moradia e lazer. A cobiça não faz parte do nosso dicionário. E essa simplicidade não significa limitação e, sim, sabedoria.
A brasilidade está longe do mau sentido do “jeitinho” e do desrespeito pelas nossas coisas ou coisas nossas, mais uma vez me valendo de Noel. Por isso, soa tão repugnante saber que um vice-presidente da República se referiu à Agricultura como um “ministério de merda”. Estar à frente de um ministério ou ter um integrante de seu partido no comando de uma pasta deveria ser motivo de orgulho. Afinal, ministérios existem, ao menos em tese, para tratar dos assuntos mais relevantes ao país. E que o diga a pasta em questão, em um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo.
A classe política de maneira geral se dissocia cada vez mais do país e já nem disfarça um suposto interesse em servi-lo. O que está em jogo para ela não é o Brasil e o bem estar de seu povo, e sim o prestígio e a grana que um determinado cargo possa representar. Michel Temer foi tão explícito como o ex-deputado Severino Cavalcanti, que se bateu por “aquela diretoria que fura poço”, quando defendia a nomeação de um aliado seu a alto posto na Petrobras. Severino não aceitava outra diretoria, pois sabia que era aquela que movimentava a bufunfa e renderia mais frutos.
A realpolitik exige o atendimento de interesses políticos e partidários, mas a coisa aqui ganhou um caráter tão explícito de toma lá dá cá, que afronta os cidadãos. Políticos não são vestais. São homens, com todas as suas fraquezas, mas se candidataram a nos representar e precisam fazê-lo com a maior dignidade. Que existam desvios, é natural, mas a situação tem se tornado regra.
A impressão que se tem é que o país caminha para um lado – melhoria na distribuição de renda, ascensão de novas classes sociais e desafios para manter o crescimento – e os políticos para outro, apegados a cargos, permanência no poder e lutas intestinas.
A representação parlamentar é um pilar da democracia e a classe política precisa se imbuir desse significado e deixar de agir como um bando de interesseiros, cada um cuidando do seu quintal – partidário e pessoal – e se lixando para o resto da nação. Isso envolve perigoso nível de descrédito e ameaças à própria democracia.
Macalé tem uma antiga idéia de incluir na bandeira brasileira a palavra amor, parte do lema positivista “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” que deu origem à expressão ordem e progresso no pavilhão nacional. O compositor carioca diz que gostaria de ver o amor sendo discutido por lá. Quem sabe não despertaria sentimentos mais nobres na nossa classe política?
* Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.


Brasil: Mais de 2.000 bombeiros invadiram quartel-general para pedir aumento salarial




PNE - LUSA

Rio de Janeiro, 04 jun (Lusa) -- Mais de 2.000 bombeiros invadiram na sexta-feira o quartel-general da sua corporação no centro do Rio de Janeiro para exigir melhores condições de trabalho e um aumento salarial.

Segundo uma fonte policial citada pelo portal Globonews, os bombeiros forçaram a entrada no edifício do seu quartel-general e concentraram-se no pátio principal, impedindo a saída dos veículos que pretendiam responder a chamadas de emergência.

O comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, deslocou-se ao quartel para mediar o conflito.

Algumas das principais artérias do centro do Rio de Janeiro foram cortadas em sequência do protesto dos bombeiros.

Grécia: Centenas de pessoas na rua para manifestação contra novas medidas de austeridade




EL - LUSA

Atenas, 04 jun (Lusa) -- Centenas de pessoas responderam em Atenas às convocatórias sindicais para protestar contra as novas medidas de austeridade, face ao mais recente acordo alcançado pelo Governo grego com os seus credores da zona euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os dois principais sindicatos gregos, a GSEE, que representa o setor privado, e a ADEDY, ligada à função pública, apelaram à realização da manifestação para "resistir à barbárie social", após o anúncio de novos sacrifícios que a população terá de fazer para melhorar as finanças públicas e revitalizar a economia.

"Opomo-nos ao Governo e ao memorando[acordo com a União Europeia e o FMI] devido a estas medidas bárbaras e antissociais", disse à AFP Gregoris Kalominis, dirigente da ADEDY, enquanto um sindicalista da GSEE, Nektarios Darzakis, defendeu o "aumento da pressão" para "obter a queda do Governo e o fim do memorando".

O primeiro-ministro grego, Yorgos Papandréu, reuniu-se na sexta-feira no Luxemburgo com o presidente do Eurogrupo, Jean-claude Juncker, para discutir o apoio financeiro da Europa à Grécia, tendo as reuniões sido concluídas de forma "positiva", abrindo a porta à libertação da quinta tranche do empréstimo acordado em 2010.

A Grécia deverá, assim, receber em breve, a quinta tranche do empréstimo, no valor de 12 mil milhões de euros.

Em contrapartida, a Grécia deverá comprometer-se a aplicar novas medidas de austeridade para cumprir as metas do défice, que poderão incluir um limite inferior aos impostos sobre o rendimento e o aumento dos impostos sobre o tabaco, o combustível e os refrigerantes.

*Foto em Lusa

DISSIDENTE CUBANO GUILLERMO FARINAS COMEÇA NOVA GREVE DE FOME




PÚBLICO - AFP

24ª  GREVE EM 15 ANOS

O dissidente cubano Guillermo Farinas anunciou que começou ontem uma greve de fome, a 24ª em 15 anos, para pedir ao Governo de Raul Castro que sejam julgados os “responsáveis” pela morte do opositor Juan Soto, no início de Maio.

“Comecei uma greve de fome às 12h00 (16h00, hora em Portugal) para pedir ao Governo que sejam julgados os autores do assassinato de Juan e que pare de prender os seus opositores”, explicou Farinas, de 49 anos, por telefone a partir da cidade de Santa Clara, onde vive, a 280 quilómetros de Havana. Garantiu que pretende levar a sua greve até ao fim.

No ano passado, Farinas fez uma greve de fome durante 135 dias e conseguiu a libertação de 52 prisioneiros políticos. Recebeu o Prémio Sakharov 2010 do Parlamento Europeu pela liberdade de pensamento.

Juan Soto, 46 anos, morreu a 8 de Maio passado num hospital de Santa Clara, três dias depois de ter sido detido pela polícia. Os opositores cubanos denunciam maus tratos durante a sua detenção.