sábado, 26 de Maio de 2012

AUSTRÁLIA OU BURKINA FASO? TANTO FAZ!




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Perante a certeza de que há jovens a procurar emprego na Austrália (ou em qualquer outro país), o Presidente da República disse hoje que gostava que eles ficassem em Portugal.

Cavaco Silva está a ver mal o problema. O melhor é eles partiram do reino. Miguel Relvas e seus muchachos ficaram nas ocidentais praias lusitanas e o resultado está à vista.

Aliás, Cavaco Silva sabe que os jovens (e os outros também) só conseguem alguma coisa se se renderem ao preenchimento obrigatório do requerimento FP e dos anexos MR ou PPC (ficha do partido, Miguel Relvas ou Pedro Passos Coelho).

Cavaco Silva sabe que os portugueses já tentaram dar a volta aos problemas utilizando todo o tipo de receitas, velhas, novas, por inventar, futuristas, lunáticas e similares. Chegam, contudo, sempre à mesma conclusão: qualquer semelhança de Portugal com um Estado de Direito é mera coincidência.

Cavaco Silva poderia dizer, citando Miguel Relvas, que não tem havido uma "relação de transparência" entre o cidadão e o Estado e que isso precisa de mudar. Também, aqui poderia fazer uma auto-citação, sabe que quando o cidadão esbarra com um Estado opaco, apesar de ter à entrada a placa a dizer “transparente”, o melhor que tem a fazer é mesmo zarpar aí para a Austrália ou até para o Burkina Faso.

Cavaco Silva não pode, todavia, esquecer as divinas teses de Miguel Relvas quando dá conta da necessidade de se procurarem "novos mundos", porque "sempre" que Portugal viveu "só da Europa" teve "dificuldades". Daí a opção estratégica de colocar o país sob protectorado do regime de Angola.

Se calhar, digo eu no meu “jornalismo interpretativo”, os portugueses até ficariam gratos a Miguel Relvas se ele, que também relevou a existência de uma nova emigração protagonizada por uma "juventude bem preparada", desse o exemplo e fosse pregar para outras paragens, eventualmente para o Burkina Faso, país onde goza – tal como as restantes autoridades políticas portugueses - de um enorme prestígio.

É que no Burkina Faso (se calhar na Austrália é diferente) existe, tal como em Portugal,“uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”.

Tanto quanto sei (e aqui não há “jornalismo interpretativo” que me valha), Cavaco Silva não abordou a taxa de novas oportunidades em Portugal, designação utilizada pelo primeiro-ministro para o desemprego, que atingiu os 14,9% da população activa no primeiro trimestre de 2012.

Esta taxa equivale a 819,3 mil trabalhadores no desemprego - mais 48,3 mil pessoas do que no trimestre anterior, e mais 130,4 mil pessoas do que no primeiro trimestre de 2011.

Ora aí está. Como disse o primeiro-ministro, também Cavaco Silva poderia falar (que tal uma Presidência Aberta sobre este tema?) da necessidade de valorizar a "cultura de risco", tanto mais que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser "uma oportunidade para mudar de vida".

Então pessoal? O milhão e duzentos mil desempregados apenas têm que seguir os conselhos do sumo pontífice do governo, apostando na “cultura do risco” e percebendo que têm uma soberana "oportunidade para mudar de vida".

E se não aproveitarem a oportunidade ainda serão, um dia destes, acusados de esquizofrenia (doença de que padece, segundo Miguel Relvas, a administração local). Vejam lá se não obrigam o ainda ministro a ter de explicar, provavelmente em artigo a publicar no Público, que os desempregados sofrem de “doença mental complexa, caracterizada, por exemplo, pela incoerência mental, personalidade dissociada e ruptura de contacto com o mundo exterior”.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: TODOS A MONTE E FÉ EM MIGUEL RELVAS

São Tomé: PR defende maior aproximação a países próximos do arquipélago



MYB - Lusa

São Tomé 26 mai (Lusa) - O presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, defendeu hoje uma maior aproximação do arquipélago aos países mais próximos, nomeadamente a África do sul.

"Nós, nos nossos discursos, dizemos sempre que São Tomé e Príncipe deve abrir- se ao mundo para buscar parceiros e investir. Eu creio que muitas vezes esquecemos os amigos mais próximos", disse Pinto da Costa.

Um discurso tem lugar numa altura em que o primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, efetua uma digressão de 20 dias pela Turquia, Rússia, Taiwan, Timor-Leste e Portugal, depois de muito recentemente ter assinado um memorando de entendimento de 800 milhões de dólares com a empresa russa Gunvor para a construção de um porto petrolífero e ter reconhecido o Kosovo como estado soberano e independente.

"Fui, abri caminho, o Governo que execute", acrescentou o presidente são-tomense, que regressou hoje de uma viagem de 48 horas à África do Sul, a convite do seu homologo Jacob Zuma.

"Estou convencido de que esta visita vai abrir perspetivas para permitir uma cooperação muito mais intensa entre os nossos dois países", sublinhou o chefe de Estado são-tomense, que abordou com as autoridades sul-africanas "questões múltiplas nomeadamente no que diz respeito a cooperação atual e futura de São Tomé e Príncipe e a África do sul".

O regresso de Pinto da Costa ao seu país foi antecipado em 24 horas.

Zamora Induta e Fernando Gomes deixaram a Guiné-Bissau e estão na Gâmbia



FP – MB - Lusa

Bissau, 26 mai (Lusa) - O antigo chefe das forças armadas da Guiné-Bissau, Zamora Induta, e o ministro do Interior do governo deposto, Fernando Gomes, abandonaram o país e estão na vizinha Gâmbia, disseram à Lusa fontes familiares.

Fontes familiares e fontes junto de antigos colaboradores de Zamora Induta e Fernando Gomes explicaram que os dois deixaram o país na passada quinta-feira e que passaram pelo Senegal, estando atualmente na Gâmbia.

Os dois estavam refugiados na delegação da União Europeia, em Bissau.

Zamora Induta, ex-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau pediu refúgio na delegação da União Europeia a 21 de março passado. Três dias antes tinha sido morto a tiro Samba Djaló, ex-chefe das informações militares do país, quando Zamora Induta chefiava as Forças Armadas.

Fernando Gomes estava refugiado no mesmo local na sequência do golpe de Estado de 12 de abril, quando os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau.

PELAS RUAS DA AMARGURA




Manuel Tavares – Jornal de Notícias, opinião

A velocidade de circulação do capital, ou seja, da tomada de decisão sobre negócio, tornou-se supersónica. Sobretudo quando comparada com a tomada de decisão política. Por muito que devamos exigir aos decisores políticos, mesmo os de maior peso internacional, vamos ter de tomar consciência de que o mundo da política, tal qual o conhecemos, mexe-se a passo de caracol. E que este passo torna a oportunidade das decisões políticas por vezes irrelevante. Não é inimaginável que a senhora Merckel e o senhor Holande tomem um determinada decisão sobre eurofinanças e no justo e retemperado sono da noite do mesmo dia algures um, dois, três "players", em "on line", inutilizem, ou utilizem indevidamente, a bondosa solução política, seja ela do mais alto nível.

O problema da inadequação do passo de caracol da política à velocidade supersonica a que viajam os capitais vai ter de ser encarado muito rapidamente, sob pena de se casar em comunhão de bens com o problema do comércio mundial dominado pelas máfias e colocar os regimes democráticos em ponto de crise tamanha que a ideia de ditadura ganhe a força de um mal menor.

Com os regimes democráticos do mundo capitalista nesta encruzilhada, pequenos países como o nosso, pequeno em população e em território, tornam-se palco de todos os piores sinais deste descontrolo. Não porque sejamos piores que os outros, mas porque é mais fácil o contágio. E, é claro, muito mais fácil quando, anos e anos de história, primeiro fascista, depois democrática, criaram um Estado tentacular e asfixiante, do qual se esperam todos os favores e benesses para uns quantos primos mais próximos, à custa dos primos mais afastados. Sim, porque quem é que não é primo de alguém num país tão pequeno quanto o nosso?

A manchete desta edição do JN não podia ser mais significativa da confrangedora fragilidade a que chegaram alguns setores do aparelho de Estado, que, denegando a função de zelarem pelos interesses da Nação, trabalham afincada mente a favor dos interesses de alguns.

Com um Estado frágil, o pior que pode acontecer é que idêntica fragilização ocorra no aparelho mediático. Ou seja que a comunicação social possa ser associada às batalhas que os interesses privados travam no interior do aparelho de Estado.

A rede internacional de lavagem de capitais com fuga ao fisco, identificada na operação Monte Branco, é tipicamente o caso em que as fragilidades do aparelho de Estado se podem tomar de amor à primeira vista pelas fragilidades do aparelho mediático. E já há um enorme sinal desse romance: a velocidade de circulação das notícias tornou-se superior à velocidade das investigações policiais.

O JN tudo fará para preservar os seus leitores desses amores de conveniência.

Cavaco sugere que jovens fiquem em Portugal… desempregados e a passar fome



SMA - Lusa

Sidney, 26 mai (Lusa) - O Presidente da República, Cavaco Silva, admitiu hoje que há jovens portugueses qualificados a procurar oportunidades de emprego na Austrália, mas disse preferir que estes fiquem em Portugal.

Durante uma visita à exposição aborígene da Art Gallery de Nova Gales do Sul, em Sidney, o Presidente da República comentou a quantidade de portugueses que tem encontrado ao longo da sua visita oficial de dois dias à Austrália, que hoje termina, e foi questionado sobre se há muitos portugueses a tentar atualmente emigrar para este país.

"A informação que o embaixador nos dá é que tem sido consultado sobre as oportunidades por parte de alguns jovens qualificados, mas eu prefiro que continuem na nossa terra, que fiquem em Portugal", apelou.

O chefe de Estado salientou que Portugal pode, por outro lado, aproveitar as potencialidades da comunidade portuguesa na Austrália - que estimou em cerca de 50.000 pessoas -, à qual oferece hoje à noite uma receção, na qual são esperadas centenas de pessoas.

"Parece que há pessoas que vão deslocar-se milhares de quilómetros, incluindo da Nova Zelândia para estar aqui hoje", sublinhou.

Cavaco Silva relatou aos jornalistas um dos contactos inesperados que teve com esta comunidade: "Ontem (sexta-feira, em Camberra) desci do meu quarto no hotel e estava um grupo de jovens e outros menos jovens com ascendência todos de Loulé, do meu concelho".

Já em Sidney o chefe da segurança australiana, que transportou o Presidente da República entre o aeroporto e o hotel, também surpreendeu Cavaco Silva com um "Bom dia, senhor Presidente".

Outra surpresa aguardava hoje o Presidente no museu: dois quadros de um pintor português do século XIX, Arthur Loureiro, que nasceu no Porto e morreu em Braga, tendo vivido em vários pontos do mundo, incluindo Merlbourne (Austrália).

Sobre a arte aborígene - parte dela gravada em casca de árvore - que teve oportunidade de conhecer em pormenor, acompanhado da mulher, Maria Cavaco Silva, o Presidente destacou a técnica e a minúcia, bem como o respeito dos australianos por esta comunidade.

A agenda do chefe de Estado começou hoje com um encontro, sem declarações, com o Governador da Nova Gales do Sul, Tom Bathurst, onde Cavaco Silva teve oportunidade de passear nos jardins junto ao rio, seguindo depois para um passeio de barco pela baía de Sidney a convite das autoridades australianas.

Antes da receção à comunidade portuguesa, à noite, o Presidente da República encontra-se com um grupo de empresários lusos. Apesar das relações económicas entre os dois países ainda serem modestas, Cavaco Silva destacou que existe um 'superavit', ou seja, Portugal exporta mais para a Austrália do que importa para este país com cerca de 22 milhões de habitantes.

Nota Página Global: O senhor Cavaco anda mesmo muito longe da realidade do país… Ou então está xexé.

*Título Página Global

Governo não demonstra respeito por quem serve a República - Associação de Sargentos



SSS - Lusa

Lisboa, 26 mai (Lusa) - A Associação Nacional de Sargentos acusou hoje o Governo de "não demonstrar respeito por quem serve a República" e agendou concentrações de "desagrado" para todo o país, a 05 de junho.

"É muito pouco sério, para um Governo que gosta de se passear com a bandeira da República na lapela, não demonstrar respeito por quem serve a República", disse à Lusa Lima Coelho, presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS).

Lima Coelho, depois do VI Encontro Nacional de Sargentos, que terá reunido 400 militares, hoje, em Lisboa, disse à Lusa que uma destas concentrações simbólicas, de "desagrado e preocupação", acontecerá junto à residência oficial do primeiro-ministro.

"Hoje, foi aprovado um caderno de aspirações, documento que pretendemos entregar ao primeiro-ministro. No dia 05 de junho, irão decorrer concentrações por todo o país, com a intenção de demonstrar a preocupação e o desagrado como estão a ser tratados os cidadãos, em geral e os militares, em particular. Aproveitaremos a ocasião para entregar o documento ao primeiro-ministro", explicou.

Neste documento, com oito pontos, que analisa matérias como a formação, o estatuto dos militares, o sistema remuneratório ou o direito ao associativismo, Lima Coelho realçou a preocupação dos militares com a redução das componentes de pensão de reforma e ainda a norma que reduz o subsídio por morte.

"Assistimos, também, a uma norma vergonhosamente introduzida no Orçamento do Estado que reduz, sem qualquer tipo de reconhecimento por aqueles a quem se exige a vida no exercício de missão, o suplemento por morte. O cônjuge passa a receber, não seis vezes o vencimento base, mas sim seis vezes o IAS (Indexantes de Apoios Sociais), que são 419,22. Na maioria dos casos não chega para custear a despesa do funeral", alertou Lima Coelho.

O dirigente pediu ao Governo para "cumprir aquilo a que se propôs e respeitar os preceitos da Constituição" e exigiu "efetividade" no reconhecimento pela condição militar.

Lima Coelho abordou ainda a situação social destes profissionais e alertou para os "cortes" que põem em causa, "não apenas a própria condição militar", mas também a "sobrevivência de alguns camaradas e das suas famílias".

"Infelizmente, os militares estão como a maioria dos portugueses. Temos níveis salariais que não são iguais aos salários de quem toma estas decisões. E há aqui uma matéria para refletir. Um militar tem um compromisso jurado de cumprimento da lei. E é traumático e dramático para um militar, na sua capacidade de trabalho, quando não consegue cumprir, na sequência destes cortes, os compromissos e obrigações, de vária ordem, a que está obrigado".

Portugal: ISTO ESTÁ MAU, OS NEOFASCISTAS ESTÃO A ALAPAR-SE AOS PODERES!



Está caladinho

José Manuel Pureza – Diário de Notícias, opinião

Primeiro facto: um tribunal deliberou mandar apagar do blogue dos Precários Inflexíveis os comentários a um post que relatavam experiências pessoais de relacionamento laboral com duas empresas que evidenciam grosseiras violações das leis do trabalho por parte desses empregadores. O tribunal não cuidou de diligenciar no sentido de serem apurados os factos relatados que, se se confirmarem, são ilegalidades graves. A verdade ou falsidade dos relatos não importou ao tribunal. Não, a pedido de uma das empresas, o tribunal entendeu que a denúncia das ilegalidades era difamação e que o que realmente importa defender é a honra de uma entidade acusada reiteradamente, por quem nela trabalhou, de desonrar as suas obrigações legais. Daí ao silenciamento foi um passo.

Segundo facto: o reitor de uma universidade pública afirmou, em reação a uma ação de protesto de estudantes contra os cortes no financiamento do ensino superior, que "se estivéssemos seis meses todos calados, não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos". O argumento do referido reitor é que "já chega o problema que temos, que é tão grave e estamos todos os dias a inventar novos números, coisas depressivas, os economistas a fazer previsões catastróficas que depois não se confirmam".

Não falemos, pois, do desemprego, nem da precariedade nem da perda dramática de valor dos salários e das pensões. Não falemos das entregas das casas aos bancos por incapacidade de pagamento dos empréstimos pelas famílias nem das falências em catadupa. Não falemos da subtração de dois meses de ordenado aos funcionários públicos, nem da subida em flecha das taxas moderadoras nem da emigração da geração jovem mais qualificada que o País já teve. Tudo realidades que só se agravaram porque demos crédito às previsões catastrofistas dos economistas, claro. Tivéssemos tido a lucidez de calar a nossa indignação - sempre precipitada e má conselheira - e nada disto teria acontecido. Não falemos, pois, do coiso, porque o coiso é uma invenção depressiva que desaparece se estivermos calados e concentrados no que realmente temos de fazer, que é trabalhar e não fazer política nem discutir o que não é da nossa conta.

E nem pensar em falar de empresários sem escrúpulos que surfam a onda da entronização do trabalho precário e da facilitação dos despedimentos para rasga- rem a lei, viverem da fraude e mandarem os mais elementares direitos de quem para eles trabalha às malvas. Isso não é depressivo, é injurioso. Ainda se falássemos dos pobres que vivem na preguiça ou dos grevistas que só querem privilégios...

Falemos, pois, do país positivo. Falemos do grande esforço que o Governo está a fazer para nos tirar da crise (ups, perdão, escapou-se-me a palavra depressiva...), falemos do acerto das políticas que estão a dar força à economia, falemos da retoma à vista, falemos da disponibilidade tão generosa dos jovens para ajudar em campanhas de angariação de comida e roupa para os pobres. Falemos de inovação, de empreendedorismo, de mobilidade, de gestão estratégica e de competitividade, sobretudo de competitividade.

Façamos isto durante seis meses. Suspendam-se os debates no Parlamento, nos jornais e onde quer que seja. A única exceção é para o futebol, e mesmo essa só a respeito da equipa de todos nós, onde não há clubites nem divisões. Um dia acordaremos e estará tudo ótimo. A chanceler falará ao país e confirmará que assim é.

*Título PG

Secretas - Portugal: PINTO BALSEMÃO VAI AVANÇAR COM PROCESSO JUDICIAL


TSF

O presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, disse hoje à Lusa que vai avançar com um processo judicial contra os autores do documento sobre o caso das secretas.

De acordo com a imprensa de hoje, o espião Jorge Silva Carvalho mandou fazer um relatório sobre a vida privada do patrão da SIC.

Segundo o Jornal de Notícias (JN), «Jorge Silva Carvalho encomendou relatórios às secretas sobre pessoas cuja vida interessava à Ongoing. A investigação sobre Pinto Balsemão foi elaborada por um especialista ex-agente das secretas».

«Tendo tomado conhecimento, através da comunicação social, do conteúdo do relatório sobre mim produzido, no qual são referenciadas dezenas de calúnias e falsidades - algumas das quais de mau gosto e grotescas - decidi proceder às diligências necessárias, junto dos meus advogados, no sentido de responsabilizar criminalmente os autores do documento», disse Francisco Balsemão, numa declaração escrita à agência Lusa.

O patrão da SIC e ex-primeiro-ministro disse estar surpreendido e chocado com os «métodos, os princípios e as práticas adotados por pessoas e empresas que desenvolvem as suas atividades livre e impunemente numa sociedade democrática».

Por isso, «quase 40 anos depois da instalação da democracia em Portugal, é lamentável que se continuem a praticar este tipo de métodos 'pidescos' que julgávamos erradicados e que o sistema judicial devia rapidamente punir, condenar e abolir», concluiu o presidente do grupo Impresa.

De acordo com o diário, que cita um documento que consta do processo do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa de que resultou acusação contra Silva Carvalho, Nuno Vasconcellos (presidente da Ongoing) e João Luís por corrupção, «Paulo Félix, antigo quadro da PJ [Polícia Judiciária], ex-agente de ligação da Europol, ex-membro do SIS e antigo diretor da área da Presidência do Conselho de Ministros, entregou ao superespião» informação sobre Pinto Balsemão.

«Cerca de 30 páginas com uma tabela cronológica da vida do patrão da SIC - os factos relevantes -, os amigos, os aliados e os inimigos», adianta o JN.

Também numa declaração escrita enviada à Lusa, Paulo Félix nega o seu envolvimento e admite avançar judicialmente.

«Repudio totalmente a atribuição que me é feita sobre a autoria do chamado 'relatório sobre Pinto Balsemão' (...) e reservo-me o direito de reagir, a esta e outras notícias que têm surgido na imprensa a meu respeito, através de todos os meios legais ao meu alcance».

Paulo Félix acrescentou que contratou Paulo Saragoça da Matta para seu advogado neste processo.

TODOS A MONTE E FÉ EM MIGUEL RELVAS




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

No putrefacto caso Público/Relvas sabe-se que o ministro ameaçou revelar na internet que a “autora da notícia vive com um homem de um partido da oposição”. Se ao menos fosse com uma mulher…

Em Agosto do ano passado, Miguel Relvas dizia que até ao final de Outubro, o Governo disporia de um novo modelo de serviço público no sector da comunicação social. Não era feita, contudo, nenhuma referência aos casos de jornalistas a viver com gente da Oposição. Se fosse hoje… seria diferente!

Pelos vistos, na óptica do ministro e dos seus assessores, o serviço público não servia para o público. O privado também não, sabe-se agora. Ou, melhor. Serviço para o público que eles querem formatar, apostando em colunas vertebrais amovíveis.

"O país tem de agir com rapidez. Não temos tempo a perder”, disse Miguel Relvas. “O país precisa de reformas, as reformas têm de ser feitas. Estamos a pedir sacrifícios aos portugueses e os sacrifícios têm de valer a pena. E esses exemplos terão que ser dados na eficiência da gestão", acrescentou no final de uma visita à agência Lusa, empresa onde o Estado detém uma participação de 50,1 por cento.

"Temos de lutar contra o tempo em todas as áreas. Mesmo os diagnósticos têm de ser feitos com rapidez", disse Miguel Relvas. Rapidez? Percebo. Tipo uma rapidinha dos ou das jornalistas com os ou as membros da oposição.

Tal como deve ter estado (isto é “jornalismo interpretativo”) com Fernando Lima - o assessor de Cavaco Silva que quer domesticar os jornalistas - Miguel Relvas também aprendeu algumas coisas com Afonso Camões, ex-administrador da Controlinveste e actual presidente da Lusa.

É um pouco à semelhança do que, na Lusa, fizeram à jornalista Sofia Branco, que foi demitida por “quebra de confiança” da então direcção de Informação.

Este caso remonta a 18 de Fevereiro de 2011 quando Sofia Branco recusou escrever, ou editar, uma notícia sobre a reacção do então primeiro-ministro às declarações do presidente do grupo Jerónimo Martins.

E o que é que se passou?

“Um assessor de José Sócrates contactou uma jornalista da agência, atribuindo ao primeiro-ministro a declaração "não basta ser rico para ser bem educado", uma frase que Sócrates só diria no dia seguinte a vários jornalistas…

Recordam-se, por exemplo, que quando foi falar à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento português, a propósito do encerramento das delegações da Lusa, Afonso Camões foi taxativo ao afirmar: "Não fechámos, mas vamos fechar. É assim que eu quero e é assim que vai ser".

É por estas e por outras que, no reino lusitano, a liberdade de imprensa está em vias de extinção (eu sei que sou optimista).

Se os donos dos meios de comunicação, se os donos dos donos, assim querem “é assim que está a ser, é assim que vai continuar a ser”.Nem que pelo meio tenham de contar quem anda a comer quem, quem anda a ser comido por quem.

Para além da minha débil experiência profissional (só ando nisto do jornalismo há trinta e tal anos), faço contas aos jornalistas desempregados, aos que mudaram de profissão, aos que estando no activo estão na prateleira, aos que tendo emprego estão desempregados, aos que adoptaram uma coluna vertebral amovível, aos que se filiaram no partido para garantir o emprego, aos que em vez de erectos andam de cócoras, aos que por um prato de lentilhas dizem ámen a tudo, aos que aceitam ser comidos.

E como em qualquer democracia, em qualquer Estado de Direito, se o presidente de uma empresa pública pode sempre dizer “é assim que eu quero e é assim que vai ser", porque carga de chuva um ministro (que ainda por cima, segundo presidente da ERC, usa uma gravata bonita) não pode também dizer “é assim que eu quero e é assim que vai ser"?

Aliás, não é exactamente isso que dizia o anterior primeiro-ministro do Burkina Faso, perdão, de Portugal? Não é isso que diz o actual líder do Governo? É isso, sem tirar nem pôr. Quando um país tem o raro privilégio de ter super-cidadãos num executivo que é dono da verdade, a única solução é comer (ou ser comido) e calar.

É assim que eles querem, é assim que foi e é assim que será.

Nunca como agora ser imbecil e criminoso é condição sine qua non para ser “jornalista” mas, sobretudo, para ser director e até administrador. Isto já para não falar em ser deputado, assessor, especialista ou membro do Governo.

Por alguma razão, quando em 2004 chegou à liderança do PS, José Sócrates jurou a pés juntos que a liberdade de imprensa era para si sagrada... Por alguma razão Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e companhia juraram a mesma coisa. Chegados lá, a regra passa a ser: “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

E não faltam seguidores. Segundo a organização internacional não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que claramente nada percebe da poda, a liberdade de imprensa em Portugal diminuiu, registando uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Por outras palavras, o poder quer que os jornalistas perguntem não o que o Estado/país/bordel pode fazer por eles, mas sim o que eles podem fazer pelo bordel/país/Estado. E quando o governo os manda deitar…

E o que melhor podem fazer é aceitar que para serem um dia directores ou administradores de um jornal têm de ser criados do poder.

“E não há dúvida nenhuma de que, aconteça o que acontecer, a imprensa, uma imprensa livre, continuará a ser um dos grandes pilares da democracia”, disse em tempos María Teresa Fernández de la Veja.

Se uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, a dita está, no reino lusitano, coxa. Muito coxa. Até porque não basta dizer que existe democracia porque “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

A ser verdade, mesmo não dizendo “é assim que eu quero e é assim que vai ser", que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, que regime é este que Portugal vive?

Em Portugal, é não só legal como nobre o facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar o partido, ministros empresas ou políticos.

Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. E quando alguém contesta, está sujeito a ouvir, com todo o espírito democrático: “É assim que eu quero e é assim que vai ser".

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: Salazar não faria melhor: Analfabetos funcionais ao serviço de sua majestade

Israel: PROTESTO RACISTA E XENÓFOBO PEDE EXPULSÃO DE 60 MIL



Vermelho

Grupos de direita e fundamentalistas judaicos de Israel realizaram um protesto que se transformou em violência contra imigrantes sem documentos. O governo israelense acelerou a construção de um muro de 250 quilômetros que separa Israel do deserto do Sinai, suposta porta de entrada dos imigrantes.

Grupos de direita e fundamentalistas judaicos de Israel realizaram, na última quarta-feira (23), um protesto que se transformou em violência contra imigrantes africanos no país.

Centenas de israelenses foram até o bairro pobre de Hatikva, em Telavive, e realizaram a manifestação, que incluiu saques e apedrejamento de carros dos africanos. A mídia internacional taxou o protesto de racista e xenófobo.

Os imigrantes, a maioria do Sudão e da Eritreia, entram em Israel pela fronteira do deserto do Sinai egípcio. Dados oficiais apontam que cerca de 60 mil africanos vivem de forma clandestina no país. O governo israelense acelerou a construção de um muro de 250 quilômetros que separa Israel do Egito.

A polícia prendeu 20 manifestantes e nenhum imigrante ficou ferido no ataque. Também participou do ato o deputado Miri Regev, do partido de direita Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ele comparou os imigrantes clandestinos com "um câncer que se prolifera".

O líder do partido religioso Shass e ministro do Interior, Elie Yishai, declarou que os africanos clandestinos devem ser presos e deportados para “proteger o caráter judaico do Estado de Israel".

O prefeito de Telavive, Ron Huldai, de um partido de esquerda, defende que sejam criadas condições de trabalho aos imigrantes.

* Com informações da Rádioagência NP

ISRAEL NÃO CUMPRE ACORDO E DOIS PRESOS MANTÊM GREVE DE FOME




A expectativa dos palestinos, de que Israel não cumpriria integralmente o acordo feito com os prisioneiros políticos, infelizmente se realizou. Em comunicado oficial divulgado ontem em Ramala, Palestina, a Associação Addameer de Apoio aos Prisioneiros e aos Direitos Humanos informou que Mahmoud Sarsak, jogador da seleção palestina de futebol, e Akram Rikhawu mantêm-se em greve de fome porque seus direitos não foram respeitados.

Mahmoud está preso há três anos, sob a Lei dos Combatentes Ilegais israelense, que, como a detenção administrativa, permite que cidadãos palestinos sejam encarcerados sem acusação e sem processo – portanto, sem possibilidade de defesa – por um período indefinido. Mas a Lei dos Combatentes Ilegais, segundo a Addameer, oferece aos prisioneiros menos proteção legal do que a detenção administrativa.

Mona Neddaf, advogada da associação, visitou cinco prisioneiros na clínica do presídio de Ramleh e afirmou que a situação de Mahmoud e Akram é crítica. Eles estão proibidos de receber cuidados médicos independentes – isto é, não ligados ao IPS, o serviço prisional de Israel – e correm risco de morte.

Mahmoud mal conseguia falar: a todo momento interrompia-se, incapaz de prosseguir. Ele tem 25 anos e foi preso no checkpoint de Erez, em julho de 2009, quando ia se reunir à seleção palestina de futebol para um jogo no campo de refugiados de Balata, na Cisjordânia. Até hoje Mahmoud não sabe por que está preso.

Seu pai divulgou uma carta, solicitando apoio internacional, que será entregue também ao jogador Ronaldo, padrinho de um programa de recuperação de jovens palestinos traumatizados pela ocupação sionista. O jogador palestino manteve a greve, hoje (25 de maio) em seu 68º. dia, porque as autoridades israelenses ainda não estabeleceram a data de sua libertação.

Akram, há 43 dias sem ingerir alimentos, tem asma, diabetes e osteoporose. Por isso, segundo Mona, é o que mais tem sofrido em consequência da greve. Por causa de seus problemas crônicos de saúde, ele tem sido mantido na clínica de Ramleh desde sua prisão, em 2004.

Outro prisioneiro que enfrenta sérios problemas é Mohammad Tai, que encerrou sua greve de fome no 60º dia em função do acordo da semana passada. O IPS prometeu tratá-lo como prisioneiro de guerra, como ele exigia, mas não cumpriu a promessa. Mohammad então voltou à greve em 15 de maio, um dia depois de tê-la encerrado, para pôr fim nela novamente em 21 de maio. Ele contou a Mona ter sido submetido a maus tratos ao reiniciar a greve: foi retirado de Ramleh e transferido para o centro de interrogatório de Al-Jalameh, onde apanhou muito e teve as roupas arrancadas do corpo. Além disso, os soldados tentaram forçá-lo a engolir leite, jogando o líquido em sua garganta.

A advogada da Addameer também visitou Bilal Diab e Thaer Halahleh, que encerraram a greve de fome em 14 de maio. Bilal, que será libertado em 11 de agosto, data em que expira seu atual período de detenção administrativa, sente dores fortes no estômago e na cabeça. Seu organismo tem rejeitado a maioria dos alimentos que lhe são oferecidos, com exceção de sopa e leite. O médico da clínica de Ramleh avisou-o de que sua recuperação vai se estender por dois anos. E, apesar do acordo com o IPS ter garantido a visita de familiares, a mãe de Bilal foi proibida de vê-lo há dois dias.

Thaer, que deve ser libertado em 5 de junho, ao fim do período de detenção administrativa, tem dores agudas no estômago, no pâncreas e nas costas. Em 20 de maio, apesar da gravidade de seu estado de saúde, foi transferido para o centro de detenção de Ofer, para interrogatório, e depois remetido de novo a Ramleh. Ele e Bilal já anunciaram que, se não forem libertados nas datas aprazadas, retomarão a greve de fome.

A Addameer informou que, além dessas “sérias violações”, já documentou casos em que Israel ignorou o acordo firmado no que diz respeito à prática da detenção administrativa. Embora o documento estabeleça que esse tipo de detenção seria limitado, várias pessoas foram presas recentemente com base nela. Além disso, muitos dos que já estavam detidos e suspenderam a greve de fome tiveram, esta semana, seus períodos de encarceramento renovados.

Por tudo isso, a Addameer exige que Israel seja responsabilizado “por todas as violações de direitos humanos relativas aos grevistas”. Exige também que Mahmoud Sarsak e Akram Rikhawi recebam de imediato a visita de médicos independentes e que sejam transferidos para hospitais civis públicos, “onde poderão receber cuidados médicos adequados e urgentes”. Solicita ainda que a comunidade internacional pressione no sentido de que Israel seja leal ao acordo assinado e ponha fim “ao abuso sistemático dos prisioneiros palestinos”.

Leia, a seguir, a carta escrita pelo pai do jogador de futebol Mahmoud, a ser entregue também ao brasileiro Ronaldo.
“Mahmoud Sarsak, nosso irmão e filho, tem 25 anos, é jogador profissional de futebol e mora no campo de refugiados de Rafah, na Faixa de Gaza. Hoje ele entrou em seu 68º dia de greve de fome. Pedimos que você apoie Mahmoud e sua reivindicação de tratamento justo. Sua voz pode ajudar a salvar a vida de Mahmoud, e será uma pequena vitória contra a injustiça.

Mahmoud está preso há três anos, desde que, em 22 de julho de 2009, foi detido por soldados israelenses no posto de controle militar de Erez, em Gaza, quando se dirigia para a Cisjordânia, onde se reuniria à seleção palestina de futebol para um jogo no campo de refugiados de Balata.

Depois disso Mahmoud foi transferido para a prisão de Ashkelon, em Israel, onde permaneceu para interrogatório durante 30 dias, antes de receber ordem de prisão pela Lei dos Combatentes Ilegais israelense, em 23 de agosto de 2009.

A Associação Addameer de Apoio aos Prisioneiros e aos Direitos Humanos declarou que, "na prática, a Lei dos Combatentes Ilegais contém ainda menos proteção aos detentos do que as poucas que são garantidas aos cidadãos da Cisjordânia sob detenção administrativa", e permite que Israel mantenha os palestinos de Gaza presos por período indefinido, sem acusação e sem processo.

Mahmoud deu início a uma greve de fome em 19 de março de 2012 para protestar contra o fato de estar preso sem acusação e sem processo, solicitando ser informado dos motivos pelos quais vem sendo mantido na prisão há 3 anos, para poder fazer sua defesa, que, de acordo com o direito internacional, é seu direito mais básico. Depois de ter começado a greve de fome, ele foi transferido para a prisão de Naqab, em 8 de abril, e em seguida colocado em confinamento em solitária na prisão de Eshel. Em 18 de abril foi transferido para a clínica do presídio de Ramleh, em consequência da deterioração de seu estado de saúde. Hoje, 25 de maio, ele completa 68 dias em greve de fome, marco extremamente perigoso, que pode levá-lo à morte a qualquer momento.

Mahmoud é um dos 4.400 palestinos mantidos em prisões israelenses, em violação aos artigos 49 e 76 da IV Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de cidadãos de povos ocupados (como é o caso dos palestinos) ao território do país ocupante (Israel). Violações desses artigos são consideradas crimes de guerra, segundo o direito internacional.

Para nós, é insuportável ver Israel receber a honra de ser anfitrião do 21° campeonato de futebol da UEFA em 2013, e preparar-se para participar das Olimpíadas de Londres, enquanto rotineiramente prende, tortura e mata palestinos, incluindo jogadores de futebol, sem ser penalizado. Esse não é um jogo justo. Esportes devem demonstrar solidariedade.

Como familiares de Mahmoud, pedimos às pessoas de consciência que exijam sua libertação imediata, que pressionem governos e organizações internacionais para exigir que Israel cumpra as normas mais básicas do direito internacional. Em particular, pedimos aos companheiros jogadores de futebol e atletas que manifestem apoio a Mahmoud, que não permaneçam em silêncio enquanto a crueldade e a arbitrariedade de Israel destrói as aspirações de um atleta em ascensão e mantém em suas celas milhares de pessoas em condições sub-humanas. Pedimos aos times de futebol e aos fã-clubes antirracistas que organizem apoios para Mahmoud e para todos os presos políticos palestinos. Sua voz pode contribuir para salvar a vida de Mahmoud e, como dissemos, garantir mais essa pequena vitória contra a injustiça.

É hora de pôr fim aos crimes que Israel comete impunemente, e de exigir a libertação de todos os palestinos presos ilegalmente por Israel, incluindo aqueles que, junto com nosso amado Mahmoud, fizeram greve de fome em nome de sua dignidade e de sua liberdade.

Mahmoud Kamel Muhammad Sarsak (pai de Mahmoud)”

A AMPLA CIDADE



Rui Peralta

Da Síria e do desespero

O desespero dos desesperados. Este é um estado de espirito que atravessa esta “nave espacial Terra ” (no dizer de Buckminster Fuller). O desespero que toma forma em indignação, depois em esperança (como se partíssemos á conquista de um Paraíso), em que tudo á nossa volta é uma possibilidade vertiginosa e depois a queda na realidade, (muitas vezes o regresso ao Inferno) e aos poucos, de forma indiferente, apática, transforma-se de novo em desespero. Vou falar, hoje, de um exemplo deste processo que nos conduz do desespero á esperança e daí a uma incógnita. Vou aproveitar a peregrinação de Chris Two, da qual vou relatar a sua passagem pelo Oriente do Paraíso para falar da Síria (pela segunda vez, pois já tinha referido a Síria na coluna Bosque em Flor, Teerão via Damasco, publicado no Pagina Global em 17/05/2012). Mas primeiro o relato de Chris Two.

O Oriente do Paraíso é uma região vasta, caracterizada por uma paisagem variável, algumas vezes transformista, que engloba montanhas altíssimas, prados verdejantes, selvas, lagos, rios e oceanos. Chris e o Anjo começaram a sua Peregrinação aos Paraísos do Oriente entrando pelos Paraísos de Leite e Mel, também conhecidos pelos Paraísos do Profeta de Alá. A luxuosa antecâmara deste Paraíso era uma enorme pérola, oca, com uma bela mulher em cada canto, prontas a serem possuídas pelos crentes bem-aventurados. Daqui as almas seguem por vias diferentes. Umas, as almas mais puras, vão para o Celestial Paraíso das Mil e Uma Noites, cujo caminho é por uma montanha de grande altitude que no cume tem uma ponte sobre um profundo abismo. Passando a ponte, as almas entregam-se aos prazeres sexuais e aos jogos eróticos. As almas de ambos os géneros estão em igual número. Chris e o Anjo pernoitaram neste Paraíso de delícias eróticas.

No dia seguinte visitaram o Celestial Paraíso dos Paraísos, uma região deslumbrante, onde os tapetes voadores transportam as almas recém-chegadas, levadas para pequenos e frescos bosques, nas proximidades de prados luxuriantes e bebem licores refrescantes. Os rios são de mel e de leite, as virgens usam vestidos com decotes sedutores, os jardins são compostos pelas mais exóticas e belas plantas e flores, vinhos e perfumes estonteantes, incenso dos mais variados odores e aromas, frutos de extrema doçura e sumarentos, aves multicolores, música celestial e muita, muita sensualidade. Mais de 72 virgens, jovens de olhos escuros, aguardam o mais simples dos crentes. Cada momento de prazer dura mais de mil anos e as faculdades masculinas são aumentadas cerca de 200 vezes. Também as almas crentes das mulheres têm lugar aqui, embora o Profeta não especifique as companhias masculinas das eleitas, para não despertar o ciúme dos seus antigos maridos e assim possam manter a eternidade do seu casamento.

Chris e o Anjo pernoitaram várias noites neste Paraíso, a convite do Arcanjo Gabriel, antes de partirem para o Paraíso do Grande Oriente. Este é um Paraíso formado por 4 pisos. O primeiro piso é para as almas virtuosas. O segundo é reservado para os que morreram em serviço da causa pública. O terceiro é para as almas apaixonadas, que morreram de amor. O quarto piso é para os teólogos. Este foi o último Paraíso visitado por Chris e o Anjo. Existem mais de 800 Paraísos nesta região celestial a Oriente do Paraíso, só que todos eles estão vedados, pelo que o Anjo não levou Chris a visitá-los.

Na área dos paraísos vedados estão os Paraísos da Núbia. Alguns destes paraísos estão localizados nas mais díspares regiões como, por exemplo, o dos antigos egípcios que está no Sol, para o caso das almas mais virtuosas, ou nas diferentes constelações zodiacais conforme o grau de virtude. Sobre os Paraísos da Núbia o Anjo explicou: “Os Paraísos da Núbia são exclusivos e identitários o que os leva a vedar a entrada a quem não pertença á identidade a qual esse Paraíso é destinado. São conjuntos de pequenos Paraísos, em muitos casos de pequenas ilhotas, havendo alguns que os designam por Paraísos Arquipelágicos ou o Arquipélago dos Paraísos. Outra das características é a sua baixa densidade populacional. Muitas das almas africanas entram diretamente no Paraíso Cristão, a Ocidente, ou nos Paraísos do Leite e do Mel ou mesmo no Paraíso das Mil e Uma Noites, a Oriente.”

A viagem ao Paraíso havia chegado ao fim. Chris e o Anjo voltaram para casa.

O relato da peregrinação de Chris Two não termina aqui, (a um Paraíso corresponde um Inferno e falta a visita aos Infernos) mas por hoje já chega. Vou então falar sobre alguns casos de desespero e respectivas esperanças e incógnitas dos desesperados. Começo pela Síria.

Uma das palavras de ordem da elite dominante na Síria era: “Nosso presidente para a eternidade”. Havia, como há sempre, os bajuladores mais extremistas que alteravam o slogan, terminando-o com um “mais além da eternidade” (faz-me lembrar aqueles bonecos em que havia um, tipo astronauta, que dizia: “Para o infinito e mais além!”). É claro que este slogan foi nos tempos em que reinava a tranquilidade típica dos regimes burocráticos, policiais, que nascem dos compromissos internos de vária ordem, mas que cumprido o seu papel histórico de integração e consolidação da soberania nacional tornam-se estorvos á soberania popular. Quando as perturbações do descontentamento começaram (e não estou a falar em que classes sociais esse descontentamento começou), o slogan anti-situacionista roubava a eternidade ao slogan do regime e contrapunha: “Liberdade para a eternidade, queiras ou não, Assad!”. Quando a situação deteriorou-se o slogan dos partidários de Assad mudou perigosamente para: “Al-Assad ou nada!” o que deixava o país num vazio, entregue á espiral de violência e quebrava as alianças estabelecidas entre as diversas forças, que de uma forma ou outra, permitiam a existência do status quo sírio. É que quando um regime institucional coloca as coisas nestes termos, em que nada ficará se existir uma mudança, mesmo que requerida pela soberania popular, está a criar um vazio politico, não deixando outra solução que não seja a confrontação directa.

Mas o que contribui mais para o desespero do povo sírio é o facto das suas aspirações legitimas estarem a ser aproveitadas pelos que não querem outra coisa senão o contrário do amplo movimento de protesto. É assim que surgem os abutres do costume a tentar aproveitar a ocasião, estabelecendo organizações fantoches e transportando a Síria para uma situação de conflito armado, destruidor das infraestruturas e causador do enfraquecimento e empobrecimento geral da grande nação Síria, abrindo as portas á ingerência imperialista, naquilo que é uma fotocópia da forma como se destruiu a Líbia. Este é o maior desespero do povo sírio. Das classes medias (até aqui beneficiadas pelo regime, mas que precisam de uma abertura para ascender directamente ao poder e aumentar os seus rendimentos, avançando na liberalização económica) e dos trabalhadores e classes desfavorecidas (que desejam uma mudança no sentido de uma sociedade de maior justiça social, condição que o actual regime já não tem condições para satisfazer).

Pelo comportamento típico, pequeno-burguês da oposição síria, que não se consegue entender, nem mesmo em questões tão elementares como a questão do referendo constitucional, que foi uma excelente oportunidade perdida e que deixou os trabalhadores e os mais desfavorecidos na expectativa de manter a sua aliança com o regime, podemos ver que este movimento é conduzido pelos interesses das classes que até aqui beneficiaram do regime, em termos económicos, mas que chegaram a um ponto em que sentem necessidade de mudança. Só que nunca o conseguirão enquanto não reforçarem as bases populares deste movimento.

Salama Kayleh, um intelectual árabe de esquerda, de origem palestiniana, com 57 anos de idade, descreve o regime de Assad como a maior máfia da região. Responsável por uma publicação de esquerda, produzida em Damasco, Kayleh foi detido pela polícia politica Síria porque a publicação da qual ele é responsável ter publicado um artigo intitulado: “Para libertar a Palestina…queremos que caia o regime!” Preso, torturado e deportado para a Jordânia, Salama Kayleh é um exemplo da grande centrifugação social que se vive na Síria e que passa as fronteiras deste país, levando a tomadas de posição directas, no Líbano (onde existem escaramuças constantes entre facções libanesas pró e contra Assad, para além de confrontos entre os refugiados sírios centrados no território libanês) e na Palestina, onde a questão da queda de Assad é vista como a perda de uma aliado, por uns e de remoção de um obstáculo que impede um confronto directo com Israel, por outros.

Este é um momento de indefinição politica para os trabalhadores sírios. Parte dos seus dirigentes políticos e sindicais preferem manter uma aliança com o Partido Baas de Assad, para tirar proveito do seu enfraquecimento e impor políticas populares. Esta posição é tão válida como a contrária, defendida por outros líderes sindicais e políticos, como Salema Kayleh, que incorporam o movimento de protesto. Só que ambas as posições comportam riscos. Ë que o movimento de protesto está minado pelas incorporações reacionárias árabes e fundamentalistas islâmicas, que pretendem, no quadro das novas alianças imperialistas, um estabelecimento de um estado teocrático, que dominará numa Síria dividida, permitindo um assalto imperialista ao Irão. Por outro lado, as forças populares não são suficientemente fortes para impor a sua vontade á elite burocrática e á burguesia nacional dominante, representadas por Assad. Enquanto esta indecisão prosseguir, o desespero das indefinições prevalecerá, levando á destruição por putrefacçäo da sociedade síria.

A força politica mais importante da oposição é o Conselho Nacional Sírio (CNS), força reconhecida pela Liga Árabe e pela OTAN. O CNS não é uma identidade coesa. Os seus dirigentes passam o tempo em discussão interna ou com o perigoso Exercito Livre Sírio (ELS), uma organização armada onde se encontram, maioritariamente, as forças reacionárias islâmicas e militares dissidentes do regime. O CNS é composto pelo Irmandade Muçulmana, pelo Partido do Povo (uma dissidência importante do Bureau Politico do Partido Comunista Sírio), as duas principais organizações e depois por uma miríade de pequenos partidos políticos laicos, religiosos, social-democratas, trotskistas, maoistas, liberais, etc.

Alheio ao CNS, o movimento estudantil ocupou a Universidade de Alepo, denominando-a Universidade da Revolução e recebendo o comité de observadores da ONU, que visitou o campus universitário. Mas se o movimento estudantil aparece como força motora da oposição a Assad, em contrapartida as forças sindicais limitam-se a observar as movimentações do CNS onde têm alguns dos seus dirigentes, membros do Partido do Povo e das tentativas de assumir a transição levadas a cabo pelo Baas (que tem uma importante componente sindical) e do que resta do Partido Comunista Sírio, que formam, com outros partidos (como o Partido Nacional Social e o Partido Nacional Democrático Nasser) a Frente Nacional Progressista (FNP), suporte político de Assad.

Numa tentativa de reconciliação a FNP apostou o trunfo do referendo á nova Constituição e ganhou pontos, pois a participação popular ao referendo foi elevada e maioritária, o que legitimou o governo de Assad e que constituiu uma cedência importante, mal aproveitada pelo CNS e que o isolou em grandes sectores da sociedade síria. De qualquer das formas um facto há a salientar: os sírios não querem ver o seu país destruído e opõem-se fortemente á agressão imperialista. Se a luta imperialista vai prosseguir com ou sem a clique de Assad, isso é outra questão, mas que só ao Povo Sírio cabe determinar e não aos USA, UE, OTAN ou Liga Árabe. E esse é também um acto de oposição e que está para além da vontade de Assad ou dos imperialistas. Chama-se Soberania Popular. Fora dela reina o desespero.

Guiné-Bissau: PAIGC DENUNCIA “REGIME TOPACRÁTICO”



MB - Lusa

Bissau, 25 mai (Lusa) - O porta-voz do PAIGC, partido no poder na Guiné-Bissau até ao golpe de Estado militar de 12 de abril, denunciou hoje o "regime tropacrático" que controla todas as instituições do Estado guineense.

"O PAIGC não reconhece este regime 'tropacrático', da tropa, que manda no Presidente, no governo e em todas as instituições da República", disse Fernando Mendonça.

"Hoje estamos no dia 25 de maio, dia da liberdade para África, mas infelizmente estamos num dia de opressão na Guiné-Bissau. Vivemos momentos difíceis mas que não nos fazem baixar os braços", declarou o porta-voz do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Para Fernando Mendonça, os autores do golpe de Estado "tarde ou cedo vão acabar por sair", porque, afirmou, "vão acabar por ceder à pressão do povo".

"Ninguém é mais resistente do que o povo. Esta gente acabará por dar razão ao povo", sublinhou Mendonça, antigo ministro da Comunicação Social.

Iancuba Indjai, líder da Frenagolpe (coligação de partidos e associações que contestam o golpe de Estado) admitiu que o golpe militar se consumou mas avisou que começa agora a desobediência civil do povo guineense aos dirigentes "impostos pela CEDEAO" (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).

"Não temos nada a ver com estes dirigentes impostos pela CEDEAO, por isso não lhes vamos obedecer", frisou Iancuba Indjai, que acredita que o povo guineense "vai vencer esta batalha".

Iancuba Indjai disse ser um alívio o facto de os militares terem anunciado que vão regressar às casernas deixando a gestão do país para os políticos.

Embaixadores e organizações internacionais reunidos três horas em Bissau



FP - Lusa

Bissau, 25 mai (Lusa) - Embaixadores acreditados na Guiné-Bissau e representantes de organizações internacionais reuniram-se hoje em Bissau durante cerca de três horas mas do encontro apenas se disse que "foi frutuoso".

A reunião foi convocada pelo representante especial do secretário-geral da ONU em Bissau, Joseph Mutaboba, e no final foi o porta-voz das Nações Unidas, Vladimir Monteiro, quem leu uma curta declaração, sem que os jornalistas tivessem acesso a qualquer dos presentes.

O encontro, disse Vladimir Monteiro, serviu "para analisar a situação no país" à luz da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovada a 18 de maio.

A resolução, lembrou o porta-voz, pede ao secretário-geral das Nações Unidas para que se mantenha ativamente envolvido no processo de mediação e que harmonize posições dos parceiros bilaterais e multilaterais, em particular a União Africana, a CEDEAO (países da África ocidental), CPLP (países de língua portuguesa) e União Europeia.

O objetivo é "desenvolver uma estratégia integrada e abrangente, com medidas claras, destinada a implementar a reforma do setor da Defesa e Segurança, reformas políticas e económicas e o combate ao narcotráfico e à impunidade", disse Vladimir Monteiro, acrescentando que os participantes "tiveram discussões frutuosas e concordaram e manter-se envolvidos com vista à normalização da situação política e socioeconómica na Guiné-Bissau, no quadro dessa resolução".

No âmbito do encontro (no qual participou também o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira) um grupo de elementos da FRENAGOLPE (partidos e organizações contra o golpe de Estado) esteve no local para entregar a Joseph Mutaboba uma carta de protesto pela atual situação que a Guiné-Bissau vive.

No local compareceram também elementos da Guarda Nacional que procuraram dispersar o pequeno grupo. A situação manteve-se tranquila mas viveram-se momentos de grande tensão depois, com a chegada de militares.

Pelo menos um dos elementos da FRENAGOLPE foi espancado pelos militares, à porta do edifício das Nações Unidas, onde procurou refúgio e onde foi impedido de entrar.

Depois de alguns gritos e discussão entre militares e Guarda Nacional os primeiros acabaram por se retirar. Pouco depois também a Guarda deixou o local, e de seguida os elementos da FRENAGOLP (incluindo o agredido, que saiu pelo seu próprio pé).

Na terça-feira, em conferência de imprensa, o Comando Militar, autor do golpe de Estado de dia 12 de abril, garantiu que a partir dessa altura os militares voltavam para as casernas.