sábado, 10 de Março de 2012

Regime do MPLA mostra quem manda no país - Espanca e mata primeiro e pergunta depois!




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Filomeno Vieira Lopes, carismático dirigente do Bloco Democrático, foi hoje brutalmente espancado em Luanda pelos agentes do regime angolano que, por ordem de Eduardo dos Santos, impediram a realização de uma manifestação.

Quando o partido que governa Angola desde 11 de Novembro de 1975, que tem como seu líder carismático e presidente da República alguém que está no poder há 32 anos, sem ter sido eleito, sente necessidade de usar a razão da força é porque teme a força da razão. De facto, apesar da conivência internacional, a ditadura de Eduardo dos Santos está com os dias contados.

Tal como já fizera em Setembro do ano passado, o regime considera que a situação "inspira cuidados especiais". Diz o MPLA (ou seja o regime) que tal como a UNITA, Também o Bloco Democrático tem um plano para "derrubar o MPLA e o seu líder, José Eduardo dos Santos".

E porque o regime só reconhece a existências de um único deus, Eduardo dos Santos, não admite que existam dúvidas, não aceita que a sua liberdade termina onde começa a do Povo. Vai daí, espanca e mata quem tiver a veleidade de contrariar o “querido líder”.

Como dizia o bispo emérito de Cabinda, Paulino Madeca, “quando um político entra em conflito com o seu próprio povo, perde a sua credibilidade, torna-se um eterno ditador”. É o que está a acontecer com Eduardo dos Santos e com todo o séquito que mama na mesma gamela.

Por alguma razão Bento Bento, sipaio de Eduardo dos Santos, continua a pedir aos militantes do seu partido para que controlem "milimetricamente" todas as acções da oposição, para não serem "surpreendidos".

De acordo com o governador de Luanda, a oposição (são todos os que não dizem ámen ao MPLA) decidiu enveredar por "manifestações violentas e hostis, provocando vítimas, inventando vítimas, incentivando a desobediência civil, greves e tumultos, provocando esquadras e agentes e patrulhas da polícia com pedras, garrafas e paus".

Que bandidos são estes tipos da oposição. E então quando Eduardo dos Santos descobrir que Filomeno Vieira Lopes, Luís Araújo, Alcides Sakala, Lukamba Gato, Rafael Marques, Isaías Samakuva, Abílio Camalata Numa, William Tonet, Justino Pinto de Andrade e tantos outros, têm em casa um arsenal de Kalashnikov, mísseis Stinguer e Avenger, órgãos Staline, katyushas, tanques Merkava e muito mais…

O MPLA diz que tem em seu poder “informações secretas que apontam que a UNITA e outros opositores estão prestes a levar a cabo um plano B".

Este plano prevê, segundo os etílicos delírios dos dirigentes da ditadura angolana, "uma insurreição a nível nacional, tipo Líbia, Egipto e Tunísia", sendo as províncias de Luanda, Huambo, Huíla, Benguela e Uíge as visadas.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, a possibilidade de alguma mudança, o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver a UNITA, soe ou em coligação, a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação.

No início de 2008, notícias de Angola diziam que, no Moxico, “indivíduos alegadamente nativos criaram um corpo militar que diz lutar pela independência”.

Disparate? Não, de modo algum. Aliás, um dia destes vamos ver por aí Kundi Paihama, como agora fez Bento Bento, afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de armas são terroristas da UNITA.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada, tão do agrado das potências internacionais que incendeiam muitos países africanos, de que há o perigo de terrorismo, de guerra civil.

Kundi Paihama, um dos maiores especialistas de Eduardo dos Santos nesta matéria, não tardará a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, para além de já ter dito que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou ganha ou será o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados.

Aliás, como também dizem os manuais marxistas, se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “paihamas” para criar a confusão mais útil. E, como também todos sabemos, em caso de dúvida a UNITA e os seus aliados serão culpados até prova em contrário.

Numa entrevista à LAC - Luanda Antena Comercial, no dia 12 de Fevereiro de 2008, o então ministro da Defesa, Kundi Paihama, levantou a suspeita de que a UNITA mantinha armas escondidas e que alguns dos seus dirigentes tinham o objectivo de voltar à guerra.

Kundi Paihama, ao seu melhor estilo, esclareceu, contudo, que os antigos militares do MPLA, "se têm armas", não é para "fazer mal a ninguém" mas sim "para ir à caça". Ora aí está. Tudo bons rapazes.

Quanto aos antigos militares da UNITA, Kundi Paihama disse que a conversa era outra e lembrou que mais cedo ou mais tarde vai ser preciso falar sobre este assunto.

Na entrevista à LAC, Kundi Paihama disse textualmente: "Ainda hoje se está a descobrir esconderijos de armas".

O regime reedita agora, obviamente numa versão acrescentada e melhorada, as linhas estratégicas de um documento datado de 20 de Março de 2008, então elaborado pelos Serviços Internos de Informação, SINFO.

Na cruzada actual, como nas anteriores, estão os turcos do regime: Kundi Pahiama, Dino Matross, Bento Bento e Kwata Kanawa, com os meios de comunicação do Estado.

“A situação interna não transparece em bons augúrios para o MPLA, devido a várias manobras propagandísticas por parte dos partidos da oposição e de cidadãos independentes apostados em incriminar o Partido no Poder para fazer vingar as suas posições mercenárias junto da população civil e das chancelarias e comunidade internacional”, lia-se na versão de 2008 do documento do SINFO que, como reedita hoje, propunha o seguinte plano operacional:

“1- Iniciar de imediato uma onda propagandística sobre a UNITA e os seus dirigentes nos órgãos de comunicação social, relacionados com a descoberta de novos paióis de armamento nas províncias e denegrir a imagem de dirigentes como Abel Chivukuvuku, Carlos Morgado, Alcides Sakala e Isaías Samakuva, com notícias com carácter escandaloso como contas bancárias no exterior, contactos com serviços secretos estrangeiros e também de espancamento de mulheres e crianças junto do núcleo familiar destes mercenários oposicionistas.

2- Avançar com processos criminais sob denúncia de elementos da população que podem compreender acusações de violações de menores, tráfico de influências em negócios ilegais e transacção ilegal de diamantes e indivíduos como William Tonet, Filomeno Vieira Lopes, Rafael Marques, Alberto Neto e Carlos Leitão.

3- Aumentar a vigilância pessoal sobre os dirigentes da cúpula da UNITA e as escutas telefónicas em curso desde o nosso Departamento de Comunicações e reactivar as células-mortas de informadores no interior do Galo Negro sendo para isso necessário um plafond financeiro urgente.

4- Expulsar do território nacional, pelo menos seis ONG já identificadas em relatórios anteriores por operância de contactos em Luanda e nas capitais provinciais com elementos conotados com a cúpula da UNITA.

5- Reactivar as Brigadas Populares de Vigilância nos bairros de Luanda e nas capitais provinciais em acto paralelo com a distribuição de armamento ligeiro aos seus efectivos para defesa da população civil.”

Afinal, na História recente (desde 1975) do regime angolano, nada se perde e tudo se transforma para que os mesmos continuem a ser donos do poder e, é claro, de Angola.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

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OUTRA CAVADELA, OUTRA MINHOCA



Nuno Castelo-Branco - Aventar

Muito bem fez o Parlamento quando aprovou o diploma que pune o enriquecimento ilícito. Com os votos do PSD, CDS, PC e BE, a unanimidade apenas foi quebrada pelo PS, alegadamente receoso da possibilidade da “inversão do ónus da prova”.

Neste momento, esta posição poderá parecer inusitada, tais são os perigos que o bastante desacreditado regime terá de enfrentar nos tempos mais próximos. Decerto surgirão insinuações, boatos, meias verdades e outros tantos ditos – alguns bem verídicos -, apontando uma tentativa de ocultação. Melhor teria feito o PS em dedicar-se ao aperfeiçoamento do diploma, não o chumbando liminarmente. Em qualquer fila no supermercado, decerto ouvir-se-ão vozes em amenas cavaqueiras, perguntando …“quem querem eles proteger”?

Não é crime ser-se rico ou alguém milagrosamente ainda conseguir bons negócios, sejam estes decorrentes da venda de produtos ou da alienação de propriedades privadas. O que não é aceitável, é a rotineira presença das suspeitas acerca de fortunas que brotaram como folhas de trevo em verdes pastos, sem que se vislumbrem as origens das mesmas. Não provindo quintas, prédios, colecções de arte, jóias e outros benefícios de heranças, então a propriedade deverá encontrar-se limpidamente explicável. Para cúmulo, neste país existe um irresistível apelo ao recurso da colocação de “dinheiros fora de portas”. Será isto a que o PS se quis referir? Quem legitimamente fez fortuna e presta as suas contribuições, nada deverá temer, pois está no seu direito e conforme a lei. O que se torna inverosímil e absolutamente insuportável, é a legitimidade de posses que são escondidas um pouco por todo o mundo, cabendo precisamente este tipo de atitudes, nos pressupostos que o Partido Socialista alega temer, ou seja, a “inversão do ónus de prova”. Não existe qualquer “inversão” se os casos forem transparentes.

Uma vez mais Cavaco Silva actuou de acordo com os desejos do PS. Poderá estar dentro da razão em termos jurídicos, mas politicamente, este envio do diploma ao Tribunal Constitucional vai certamente ser interpretado da pior forma possível. Na situação apertada em que se encontra, o Presidente bem podia ter sido melhor aconselhado, recorrendo aos bons ofícios das dúzias de assessores que flanam em Belém. Politicamente, aqui está outra cavadela onde surge mais uma minhoca.


Portugal: PASSOS COELHO MANDA CALAR MINISTROS



David Dinis e Helena Pereira* - Sol

Passos Coelho não gostou das fugas de informação do Conselho de Ministros da semana passada em que o QREN esteve em cima da mesa. E na reunião desta quarta-feira deu um murro na mesa. O primeiro-ministro fez questão de deixar bem claro a todos os seus colegas de Governo que tudo o que se passa naquelas reuniões semanais do Conselho de Ministros é para morrer ali – uma obrigação decorrente da lei orgânica do Governo. Contactados depois disso pelo SOL, vários ministros repetiram, de forma coincidente, que «o que se passa no Conselho de ministros é sagrado».

A irritação de Passos Coelho começou logo na noite de quinta-feira da semana passada, quando soube que o ex-líder do PSD, Marques Mendes, relatou na TVI24 a discussão em Conselho de Ministros que obrigou ao adiamento da decisão sobre o novo modelo de gestão do QREN.

O primeiro-ministro faltou a essa reunião por estar em Bruxelas e, no regresso, quando discursa já na madrugada de domingo, após serem conhecidos os resultados das eleições directas do PSD, trata de esvaziar a polémica. E diz, de uma clara, que é o ministro das Finanças quem terá uma «palavra muito relevante, para não dizer decisiva» sobre a reafectação dos fundos comunitários. Dessa forma, desmente Mendes, que garantia que Gaspar não venceria a guerra.

Conversa ao telefone

Nesse domingo, Passos fala ainda ao telefone com Álvaro Santos Pereira e, no dia seguinte, após o jornal i ter noticiado que o ministro queria demitir-se, fala com ele em S. Bento durante três horas. Álvaro sai fazer aos jornalistas qualquer declaração sobre a polémica.

O ministro, sabe o SOL, estava incomodado, entre outras coisas, com as notícias que o envolviam. As desconfianças recaíam no CDS, que nos últimos meses disparou várias vezes na direcção de Santos Pereira. Passos haveria de reunir com Portas, precisamente depois do ministro da Economia sair de S. Bento.

Nessa segunda-feira, aliás, o Público noticiava que o Governo estava empenhado em tentar saber como é que tinha passado para a comunicação social as notícias do diferendo em Conselho de Ministros e, sobretudo, os dois documentos que estiveram em cima da mesa na reunião de quinta-feira, dia 1, e que tinham sido publicados pelo DN no próprio dia.

Passos Coelho não quis faltar de novo a uma reunião do Conselho de Ministros. Antecipou a desta semana para quarta-feira devido à deslocação prevista para quinta e hoje à Finlândia e Suécia. Deu o puxão de orelhas a todos os ministros sobre as fugas de informação e fez aprovar os dois diplomas que tinham ficado na gaveta e que, na prática, dão poderes reforçados a Vítor Gaspar.

Passos decide que, ao contrário do que é habitual, desta vez nem sequer há conferência de imprensa. Quer ser ele próprio a falar sobre o QREN mais logo no debate quinzenal no_Parlamento e não deixar os ministros enredarem-se em explicações.

Na Assembleia, garante que «não há guerras de capelinhas» no seu Governo e explica que Gaspar vai coordenar a reprogramação de todos os fundos com o objectivo de se «atingir as metas orçamentais a curto e médio prazo».

Gaspar alastra poderes

Se na versão inicial, Gaspar ia só controlar o QREN, na versão final aprovada esta semana, passa a ter direito de veto também sobre todos os fundos comunitários da Agricultura (Proder, Feder, Promar) ou do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dois ministérios do CDS.

«Quando estamos a falar de dinheiros comunitários, estamos a falar de comparticipação nacional. E a comparticipação nacional tem de aparecer no Orçamento do Estado e temos de saber onde vai aparecer e para quê. É fundamental haver esta coordenação», explica a ministra da Agricultura, Assunção Cristas (ver entrevista no Confidencial).

Para agravar ainda mais a polémica, Passos viu as principais confederações patronais unirem-se para apoiar o ministro da Economia. Enviam uma carta ao primeiro-ministro, criticando o Governo por alimentar «ruído mediático» em torno do QREN e pedem que o Ministério da Economia mantenha «todas as competências» na gestão. Uma iniciativa inédita que avoluma o mal-estar em S. Bento.

Álvaro sai fragilizado de toda esta polémica, mas uma eventual demissão não interessa a ninguém. Tem uma missão difícil pela frente, para não dizer quase impossível. Tem vários dossiês para resolver até final do ano, tudo compromissos assumidos com a troika e que são decisivos para a boa avaliação do cumprimento do Memorando de Entendimento. É o caso da reestruturação do sector dos transportes públicos, do corte nas rendas nas energias, das Parcerias Público-Privadas e das novas regras laborais. Vai continuar a ser o alvo da contestação social nas ruas.

Equipa em ruptura

O clima de trabalho no Ministério da Horta Seca, contudo, é longe de ser fácil. A relação com o primeiro dos seus secretários de Estado, Almeida Henriques, é distante. Àlvaro privilegia a opinião dos secretários de Estado do Emprego (Pedro Martins) e do Empreendedorismo (Carlos Oliveira). O responsável pela Energia, Henrique Gomes, já ameaçou demitir-se por causa do recuo do Governo na criação de um imposto sobre as renováveis. Agora, viu-se de novo ultrapassado. O fim das rendas na energia está a ser tratado directamente entre o secretário de Estado-adjunto Carlos Moedas e o ministro das Finanças.

*com Sofia Rainho e Tânia Ferreira

Brasil: Comissão de Anistia indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura


Maria Auxiliadora, Dodora - Torturada pela ditadura brasileira, suicidou-se em Berlim, no ano 1976, segue como um símbolo de resistência

Correio do Brasil, com ABr - de São Paulo

Sete mulheres perseguidas durante a ditadura militar foram indenizadas na sexta-feira, em sessão especial na Cinamateca Brasileira, em São Paulo, que comemorou o Dia Internacional da Mulher. Segundo o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, essas mulheres tiveram posição de destaque no combate ao regime de exceção. “As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que arregimentaram as massas em torno da reconquista da cidadania e dos direitos políticos”, lembrou no início da cerimônia.

O processo de Maria Angélica Barcelar foi o primeiro a ser apreciado. Emocionada, ela admitiu, ao falar ao microfone, que ainda não superou os dias de tortura. “Apesar dos anos, é muito dolorido falar disso”, disse, ao comentar a prisão ocorrida em 1974, quando a repressão tentou fazê-la contar sobre as organizações de resistência com que seus pais tinham envolvimento. Angélica receberá a indenização em parcela única de R$ 100 mil, valor máximo estipulado por lei.

A ex-militante Hilda Alencar Gil conseguiu, além da pensão mensal pelas dificuldades enfrentadas na época da perseguição, o direito de retomar o curso de ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP). A graduação teve de ser interrompida e Hilda se exilou para fugir da repressão. Na volta, teve dificuldade para se readaptar. “Era um país com ideias e um jeito de viver que eu não reconhecia mais”, lembrou.

Também emocionada, a antiga militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Darci Toshiko Miyaki protestou sobre a forma como foi estabelecida a Lei de Anistia, que igualou os agentes da repressão aos participantes da resistência contra a ditadura. “Nós [militantes] não cometemos crime nenhum. Nós tínhamos o dever, o direito de lutar contra uma ditadura que cerceou todas as liberdades”, ressaltou a militante que relembrou detalhes dos métodos de tortura que sofreu.

Desde 2001, a Comissão de Anistia já recebeu mais de 70 mil requerimentos solicitando reparação. Segundo Paulo Abrão, desse total, pouco mais de 60 mil foram apreciados. “Desses 60 mil, um terço dos casos foi indeferido por ausência de comprovação; em outro terço, a reparação foi deferida apenas em âmbito moral, com pedido de desculpas do Estado, mas sem qualquer tipo de reparação econômica; e no outro terço, além da reparação moral, houve também a reparação econômica”, informou. A média das indenizações, segundo ele, é R$ 2,2 mil mensais.

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Cabo Verde: Tempestade de poeira oriunda do Saara cobre todo o arquipélago



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 10 mar (Lusa) - Todas as ilhas de Cabo Verde estão hoje cobertas por uma tempestade de poeira proveniente do deserto do Saara, que está a afetar a navegação aérea, ao diminuir a visibilidade para valores próximos dos 1.500 metros.

Segundo Raquel Gonçalves, do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) cabo-verdiano, citada pela edição "online" do jornal A Semana, a tempestade de poeira chegou ao país hoje de madrugada, após vários dias a "rondar" o arquipélago.

Ao fim da manhã, a visibilidade na ilha do Sal era de apenas 1.000 metros e em São Vicente oscila entre os 1.000 e os 2.500, acrescentou.

Segundo Raquel Gonçalves, por causa da poeira, conhecida localmente por "bruma seca", a visibilidade em todas as ilhas está "muito má" - termo usado quando a visibilidade está abaixo dos 1.500 metros -, pelo que se recomenda algumas precauções também à população, pois afeta a respiração e provoca ardor nos olhos e na garganta.

A falta de visibilidade também afeta a navegação aérea e marítima, mas, até ao fim da manhã, não há indicações de quaisquer problemas.

Embora não tenha previsão de quando é que a poeira se afastará, Raquel Gonçalves indicou acreditar que, nas próximas horas, a visibilidade poderá evoluir para "má", isto é, quando se torna possível ter um campo de visão abaixo dos 3.000 metros.

Há cerca de um mês, a bruma seca em Cabo Verde obrigou ao cancelamento de vários voos inter-ilhas e alguns internacionais, como o da TAP Portugal, tendo as autoridades locais proibido também toda a actividade marítima durante três dias.

Os voos são obrigatoriamente cancelados quando há visibilidade inferior a 1.500 metros, de acordo com as normas internacionais.

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MOVIMENTO DE PORRADA LIVRE EM ANGOLA




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

A primeira tentativa de concentração para a manifestação antigovernamental marcada para hoje em Luanda foi, de acordo com as regras da democracia do regime do MPLA, corrida à bastonada pela polícia.

Nada de novo, portanto. O regime de Eduardo dos Santos, presidente (não eleito e há 32 anos no poder) de um país que preside à CPLP, não está com meias medidas e mostra – sem preocupações – que a democracia e a liberdade são coisas de somenos importância.

“Tivemos que dispersar, porque logo que nos começámos a concentrar, a polícia, e civis que consideramos serem agentes à paisana, começaram a bater e a prender”, disse Adolfo Campos, um dos organizadores.

A carga policial provocou pelo menos um ferido – Luaty Beirão, o conhecido rapper Ikonoclasta, que sofreu ferimentos na cabeça – e número indeterminado de detidos, acrescentou Adolfo Campos, indignado por julgar que a liberdade dos donos do país terminava onde começava a do Povo.

Convocada pelo auto-denominado Movimento Revolucionário Estudantil, para exigir o afastamento da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos, o primeiro acto da manifestação era a concentração no Cazenga, bairro popular situado a norte de Luanda, com os manifestantes a tentarem progredir em direcção à Praça da Independência, no coração da capital.

A manifestação deveria realizar-se 24 horas depois do mais recente ataque perpetrado por desconhecidos (alguns encapuzados) contra alguns dos organizadores do protesto.

A iniciativa visa protestar contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da CNE, que desencadeou uma série de iniciativas dos três maiores partidos da oposição com representação parlamentar, UNITA, PRS e FNLA, junto do Conselho Superior da Magistratura Judicial e do Tribunal Supremo, onde interpuseram uma providência cautelar, e que foram liminarmente rejeitadas por estes dois órgãos judiciais.

Falar, no caso de Angola, de democracia é uma forma de branquear a situação, compreensível no contexto de que os angolanos sabem que o regime – perante a atávica e petrolífera apatia internacional - mata primeiro e pergunta depois.

O regime de Eduardo dos Santos sabe bem que a melhor forma de exercer a sua “democracia” é ter 70% da população na miséria, é ter tirado a coluna vertebral à esmagadora maioria dos seus opositores políticos, a começar pela UNITA, é dizer ao povo que tem de escolher entre a liberdade um saco de fuba.

Com a cobertura internacional, nomeadamente da CPLP, o regime não brinca em serviço e, por isso, nada como preventivamente mostrar aos manifestantes (bem como aos jornalistas presentes) que quem manda é o MPLA, que Angola é o MPLA.

José Eduardo dos Santos que tem, que ainda tem, a cobertura internacional (comprada, mas tem), sabe que pôr o povo a pensar com a barriga é a melhor forma de o manter calado e quieto.

Aliás, se assim não for o que lhe restará? Provavelmente, “peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares”.

Defender a liberdade de expressão não é nada do outro mundo, mas é algo que o regime não quer. Tudo quanto envolva a liberdade (com excepção da liberdade para estar de acordo com o regime) é algo que causa alergias graves a Eduardo dos Santos.

Recorde-se que o dirigente Bento Bento, governador de Luanda, foi claro quando disse: "Quem tentar manifestar-se será neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e o bom cidadão cumpre as leis, respeita o país e é patriota."

Apesar de corridas à bastonada, ou a tiro, a verdade é que estas acções de protesto fazem tremer o regime. Recorde-se, por exemplo, que perante o anúncio da primeira manifestação em Luanda, o Governo apressou-se a pagar salários em atraso nas Forças Armadas e na Polícia, a fazer promoções em série e a, inclusive, a mandar carradas de alimentos para a casa de milhares de militares.

Basta também ver que, perante as manifestação, o regime põe nas rua e por todo o lado – mesmo em locais onde os angolanos nem sabem que ia haver manifestação – os militares e a polícia a avisar que qualquer apoio popular aos insurrectos significava o regresso da guerra.

No entanto, por muita força que tenha a máquina repressora do regime angolano (e tem-na), por muito apoio que tenha de alguns órgãos de comunicação estrangeiros, como a RTP, nunca conseguirá fazer esquecer que 70% dos angolanos vive na miséria.

Nunca fará esquecer que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Nunca fará esquecer que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Nunca fará esquecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.

Nunca fará esquecer que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Por tudo isto, a luta continua e a vitória é certa! Pode demorar, mas vai chegar.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: SE NÃO… AO MENOS SAIA DE CIMA!

Frustradas as tentativas de manifestação em Angola, há relatos de feridos



RTP - Lusa

Os organizadores das manifestações em Angola dizem que há feridos e pessoas detidas após as as tentativas de manifestação. Os relatos que nos cheguem dão conta de protestos, tanto em Luanda como em Benguela. Adão Ramos, um dos organizadores da manifestação diz que há 5 feridos graves.

A agência Lusa diz que vários civis têm armas brancas e cabos elétricos para controlarem os acessos à Praça da Independência e a baterem nalguns jovens, enquadrados por um grande dispositivo de polícias a pé.

Em Benguela, segundo contacto telefónico da Lusa com Hugo Kalombo, um dos organizadores da manifestação naquela cidade do centro litoral de Angola, quem atendeu, um jovem que se identificou como Gando, informou que Hugo Kalombo e mais duas pessoas tinham sido detidos por agentes da Polícia de Intervenção Rápida.

A Lusa contactou também telefonicamente Vienas, dirigente do Bloco Democrático, partido da oposição, em Benguela, que confirmou a detenção de Hugo Kalombo, de Samalata, jornalista da Rádio Despertar, afeta à UNITA, e de GC Lufendo, da organização não-governamental OMUNGA.

Em Luanda, depois da tentativa de concentração no local conhecido por Tanque do Cazenga, para organizar a manifestação antigovernamental marcada para a Praça da Independência, dispersada à bastonada pela polícia, os manifestantes optaram por dispersar e tentar chegar à zona da manifestação em pequenos grupos. Aqui, a reportagem da Lusa testemunhou a atuação musculada de civis armados com armas brancas e cabos elétricos, a espancar alguns jovens, que eram levados, enquadrados pela polícia, para zonas vizinhas de difícil acesso. Outros jovens, com mochilas, foram interpelados pela polícia e pelos civis empunhando armas brancas, e obrigados a revelar o que transportavam.

A Lusa contactou o comandante Nestor Goubel, porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional, que disse não ter informações sobre o que se estava a passar na Praça da Independência e tentativas de contactos posteriores revelaram-se impossíveis de concretizar. Nesta iniciativa, convocada pelo autodenominado Movimento Revolucionário Estudantil, os organizadores exigem o afastamento da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.

A manifestação de Luanda visa protestar contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da CNE, que desencadeou uma série de iniciativas dos três maiores partidos da oposição com representação parlamentar, UNITA, PRS e FNLA, junto do Conselho Superior da Magistratura Judicial e do Tribunal Supremo, onde interpuseram uma providência cautelar, e que foram liminarmente rejeitadas por estes dois órgãos judiciais.

Angola: CARRASCOS DE JES-MPLA MASSACRAM, PRENDEM E RAPTAM MANIFESTANTES




Em recente contacto com Luanda, Página Global recolheu informações sobre a repressão aos manifestantes que hoje se dispuseram a contestar a nomeação e entrega de cargo de presidente da Comissão Nacional de Eleições de Angola a Susana Inglês, por não reunir os requisitos legais exigidos, por isso contestada por toda a oposição ao regime do ditador José Eduardo dos Santos-MPLA.

Para além dos espancamentos brutais com que a polícia recebeu os manifestantes também fez detenções e existem famílias que denunciam o desaparecimento de angolanos que integravam a manifestação e que ao procurarem nos postos de polícia lhes dizem que não sabem seu paradeiro porque não os detiveram, configurando o clássico rapto tão ao jeito dos algozes de JES. Os familiares exigem uma explicação que não lhes está a ser dada.

Do ocorrido hoje recorremos ao noticiado em baixo pelo Club K para complementar o mais possível a informação existente sobre este atentado à democracia e liberdade em Angola. (Redação PG)

Polícia recorre a violência e faz 5 feridos graves na manifestação de sábado

Luanda - Os organizadores das manifestações em Angola dizem que há feridos e pessoas detidas após as as tentativas de manifestação. Os relatos que nos cheguem dão conta de protestos, tanto em Luanda como em Benguela. Adão Ramos, um dos organizadores da manifestação diz que há 5 feridos graves.

A agência Lusa diz que vários civis têm armas brancas e cabos elétricos para controlarem os acessos à Praça da Independência e a baterem nalguns jovens, enquadrados por um grande dispositivo de polícias a pé.

Em Benguela, segundo contacto telefónico da Lusa com Hugo Kalombo, um dos organizadores da manifestação naquela cidade do centro litoral de Angola, quem atendeu, um jovem que se identificou como Gando, informou que Hugo Kalombo e mais duas pessoas tinham sido detidos por agentes da Polícia de Intervenção Rápida.

A Lusa contactou também telefonicamente Vienas, dirigente do Bloco Democrático, partido da oposição, em Benguela, que confirmou a detenção de Hugo Kalombo, de Samalata, jornalista da Rádio Despertar, afeta à UNITA, e de GC Lufendo, da organização não-governamental OMUNGA.

Em Luanda, depois da tentativa de concentração no local conhecido por Tanque do Cazenga, para organizar a manifestação antigovernamental marcada para a Praça da Independência, dispersada à bastonada pela polícia, os manifestantes optaram por dispersar e tentar chegar à zona da manifestação em pequenos grupos. Aqui, a reportagem da Lusa testemunhou a atuação musculada de civis armados com armas brancas e cabos elétricos, a espancar alguns jovens, que eram levados, enquadrados pela polícia, para zonas vizinhas de difícil acesso. Outros jovens, com mochilas, foram interpelados pela polícia e pelos civis empunhando armas brancas, e obrigados a revelar o que transportavam.

A Lusa contactou o comandante Nestor Goubel, porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional, que disse não ter informações sobre o que se estava a passar na Praça da Independência e tentativas de contactos posteriores revelaram-se impossíveis de concretizar. Nesta iniciativa, convocada pelo autodenominado Movimento Revolucionário Estudantil, os organizadores exigem o afastamento da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e a demissão do Presidente José Eduardo dos Santos.

A manifestação de Luanda visa protestar contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da CNE, que desencadeou uma série de iniciativas dos três maiores partidos da oposição com representação parlamentar, UNITA, PRS e FNLA, junto do Conselho Superior da Magistratura Judicial e do Tribunal Supremo, onde interpuseram uma providência cautelar, e que foram liminarmente rejeitadas por estes dois órgãos judiciais.

Filomeno Vieira Lopes espancado e hospitalizado

Luanda - Fontes seguras confirmaram ao Club-k.net que o Secretário do partido Bloco Democrático, o carismático Filomeno Vieira Lopes, foi brutalmente agredido por agentes da DPIC a civis nas imediações do local aonde se pretendia realizar a marcha de protesto contra a designação de Suzana Inglês para a presidência da CNE

As nossas fontes, que continuam a recolher os detalhes específicos sobre este "infausto" contra Filomeno Vieira Lopes, confirmaram por outro lado que o mesmo foi inicialmente socorrido no hospital militar e posteriormente transferido para a clínica privada da Girasol.

Polícia detém líder da OMUNGA na manifestação em Benguela

Jornalistas entre os detidos

Luanda - Três pessoas, incluindo um dos líder da organização não governamental OMUNGA "em serviço na qualidade de observador dos direitos humanos de Africa", Jessy Lufendo, foram detidas pela policia nacional em Benguela neste sábado, 10, quando se concentravam no largo da PEÇA, no sentido de protestarem contra a nomeação de Susana Inglês a presidente da Comissão Nacional Eleitoral, consequentemente exigir a sua exoneração.

A manifestação era organizada por um grupo de jovens da cidade capital da província de Benguela e estava marcada para acontecer no principio da tarde deste sábado, e tinha o seu ponto de partida marcado para o jardim defronte a Escola 10 de Fevereiro, com culmino no jardim defronte ao mercado municipal " mais conhecido como jardim milionário"; mas o executivo de Benguela proibiu o evento a pretexto de não obedecer a lei. Segundo alegava na nota entregue quinta-feira aos organizadores o percurso escolhido encontravam-se duas sedes de partidos políticos, "no caso o MPLA" .

Em conferência de imprensa o comandante provincial da ordem publica, superintendente-chefe Carlos Mota (na foto), a detenção deveu-se ao facto dos manifestantes terem sido proibidos pelo executivo a realizarem a marcha. nós como o garante da lei e ao serviço do Estado angolano e da segurança publica, tivemos de agir para evitar situações que podia por em perigo a segurança dos cidadãos benguelenses, sublinhou o oficial superior da policia nacional.

o comandante provincial da ordem publica, superintendente-chefe Carlos Mota, fez ainda saber que os detidos serão apresentados na próxima segunda-feira, 12, ao Ministério Publico e consequentemente apresentados ao tribunal para um julgamento sumario, sob acusação de crime de "arruaça", segunda palavras do Carlos Mota.

A conferência de imprensa presidida pelo comandante provincial da ordem publica, superintendente-chefe Carlo, foi antecedida da apresentação formal dos três manifestantes. Na ocasião Jessy Lufendo contou que foi detido por um agente da policia nacional que estava a paisana, que quase o violentou tendo ficado com os seus equipamento nomeadamente: Uma maquina de filmagem e de fotografia. O activista dos direitos humanos ao serviço da OMUNGA denunciou ainda que após a detenção foram conduzido a uma esquadra da policia nacional que fica no bairro 11 de Novembro e colocado numa cela " onde havia urina e cheira fezes" onde foram submetido a tortura psicológica.

Outra o detido que falou aos jornalistas foi o jovem Hugo Calumbo um dos rostos da organização que afirmou que agiram dentro da legalidade. Jovem aproveitou a ocasião para desmentir a informação postas a circular, segundo a qual estariam a agir a mando de partidos políticos. Nós estamos agir por vontade própria porque estamos cansados deste governo que não respeita os cidadão e muito menos a lei, sentenciou.

Antes da manifestação assistiu-se um ambiente pouco habitual na cidade capital da província de Benguela caracterizada pela presença em massa de agentes da policia, ou seja, das unidades caninas e anti-choque, o que gerou algum pânico, tendo mesmo alguns munícipes não saído a rua com medo de confrontações.

Entretanto o jornalista do Semanário do Folha-8, Israel Samalata havia sido também detido, mas livrou-se da cadeia após ter-se posto em fuga" valeu-lhe a corrida e jornalista Nelson Sul colaboradores da voz da Alemanha teria sido detido nas instalações da policia de investigação criminal sob acusação de fazer parte do grupo de jovens que organizou a manifestação. O jornalista livrou-se da cadeia graças a intervenção do porta-voz da policia nacional em Benguela, conhecido por Nogueira que confirmou a identidade do jornalista.

Rapper Luaty agredido brutalmente

Luanda - A manifestação convocada para hoje com o propósito de exigir a destituição de Suzana Inglês na presidência da CNE, terminou com massacres, tiros, agressões e sequestro de vários jovens.

Informações de última hora relatam que o regime angolano de José Eduardo dos Santos disponibilizou um forte aparato militar não só para dispersar os manifestantes mas prender os organizadores.

"A situação é gravíssima em lunada", fez saber os dos informantes para acrescentar que "a "o cantor Luaty está com cabeça partida e em parte incerta, Mário Domingos e Lupamba encontram-se desaparecidos. Muitos presos e raptados desconhecidos"

O Club-k apela que poderão submeter vídeos ou fotografias sobre este bárbaro incidente para o e-mail info@club-k.net

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PORTUGUESES DESENHAM NOVA CAPITAL DA GUINÉ EQUATORIAL




Mafalda Ganhão - Expresso

Djiblolo, a nova capital política e administrativa da Guiné Equatorial, vai ocupar 8150 hectares e terá mais de 160 mil habitantes.

Djiblolo, a nova capital política e administrativa da Guiné Equatorial, vai ser concebida por um ateliê português. O projeto desenvolvido pela empresa "Arquitetura e Urbanismo IDF - Ideias do Futuro" prevê uma intervenção numa área de 8150 hectares e será executado em conjunto com a construtora Zagope, tendo algumas particularidades, como o facto de a capital estar pensada para ser a primeira cidade inteiramente dependente de energias renováveis e sustentáveis.

"A intenção é tirar partido do grande potencial do país, onde abundam dois recursos naturais: a água e o sol", explica André Correia, do ateliê "IDF".

No que à parte habitacional diz respeito - e sendo uma capital administrativa - o projeto engloba "toda a vertente presidencial, ministérios, embaixadas, Governo, mas está também dimensionado para incluir todas as classes sociais, estando a cidade projetada para um total entre 160 e 200 mil habitantes".

O Presidente Teodoro Obiang "pediu-nos para construir uma cidade africana, não uma cidade europeia em África", razão porque outro dos aspectos importantes do conceito é a "inclusão de espaços para agricultura de subsistência nas proximidades da capital".

Para o desenvolvimento deste trabalho,várias foram as viagens ao país. "Sentimo-nos num país organizado e tranquilo", afirma André Correia, preferindo não entrar em detalhes de apreciação política: "Creio que terá o regime possível no momento".

À revista "África21", o arquitcto Miguel Correia, director da "IDF", realçou as características geográficas: "O local no meio da floresta é magnífico, porque atravessado pelo rio Wele, com uma beleza natural esmagadora".

O ateliê português tem projetos deste tipo de urbanismo na Líbia, para a remodelação de toda a área urbana de Trípoli, entre o aeroporto e o centro da cidade; na Argélia; no Iraque e no Brasil, onde têm em mãos a remodelação de um centro histórico.

A Guiné Equatorial, país onde a exploração do petróleo tem permitido o desenvolvimento recente de vários projetos de grande dimensão, aspira a tornar-se membro da CPLP, mas as acusações de violações dos direitos humanos atribuídas ao seu regime têm feito levantar muitas vozes contra.