terça-feira, 6 de março de 2012

Xavier do Amaral: Cavaco Silva recorda "figura ilustre" da história de Timor-Leste



VAM – JSD - Lusa

Lisboa, 06 mar (Lusa) - O Presidente da República recordou hoje o primeiro chefe de Estado timorense como "uma figura ilustre da história" de Timor-Leste, sublinhando o extraordinário legado de coragem na luta pela liberdade deixado por Francisco Xavier do Amaral.

"Foi com profundo pesar que tomei conhecimento da notícia do falecimento de Francisco Xavier do Amaral, figura ilustre da História do seu país, que nos deixa um extraordinário legado de coragem na luta pela independência, pela liberdade e pela consolidação do Estado de Direito democrático, em Timor Leste", lê-se numa mensagem enviada por Cavaco Silva ao seu homólogo timorense, José Ramos Horta, pela morte do primeiro chefe de Estado de Timor-Leste.

Considerando que "a dedicação à causa e ao povo timorense de Francisco Xavier do Amaral permanecerão como um exemplo e uma fonte de inspiração para o futuro", o Presidente da República apresenta na mensagem a suas "mais sinceras condolências" a Ramos Horta, ao povo timorense e, muito em particular, à família do primeiro chefe de Estado de Timor-Leste.

O primeiro Presidente de Timor-Leste, que declarou a independência em 1975, morreu hoje em Díli vítima de doença prolongada.

Francisco Xavier do Amaral era candidato às presidenciais timorenses de 17 deste mês e fora internado na semana passada, não estando a participar na campanha eleitoral, que começou a 29 de fevereiro e termina dia 14.

Também na semana passada, a doença de Francisco Xavier do Amaral levou o Parlamento timorense a reunir-se de emergência para alterar a lei eleitoral, que previa a marcação de uma nova data para as eleições por incapacidade ou morte de algum candidato.

Timor-Leste: Corpo de Xavier do Amaral fica em casa da família até quarta-feira



RTP - Lusa

O sobrinho de Francisco Xavier do Amaral, Fernando de Araújo, disse hoje à agência Lusa que o corpo do antigo Presidente timorense vai sair do hospital para a residência particular da família, junto ao farol, em Díli.

"Hoje decidimos com o governo que o corpo fica connosco na residência privada até amanhã (quarta-feira) e depois entregamos ao governo para arranjar o funeral", disse.

Questionado pela agência Lusa sobre quando e onde será realizado o funeral, Fernando de Araújo disse ainda não saber a data, mas que Francisco Xavier do Amaral deverá ser sepultado no Jardim dos Heróis, local em Metinaro, a cerca de 30 quilómetros a leste da capital timorense, onde estão sepultados heróis da antiga resistência timorense.

Francisco Xavier do Amaral, que era candidato às presidenciais do próximo dia 17, foi internado no final de fevereiro depois do seu estado de saúde se agravar.

O estado de saúde do candidato obrigou o parlamento timorense a reunir-se a semana passada para aprovar alterações à lei eleitoral para o Presidente da República, que previa, em caso de morte de um candidato, o reinício de todo o processo eleitoral e a marcação de uma nova data para o escrutínio pelo chefe de Estado.

Francisco Xavier do Amaral foi o primeiro chefe de Estado timorense após a declaração da independência de Timor-Leste, a 28 de novembro de 1975, mas só ocupou o cargo durante nove dias, até à ocupação Indonésia, ocorrida a 07 de dezembro do mesmo ano.

Após a ocupação indonésia refugiou-se nas montanhas tendo sido acusado, em 1978, de "traição" pelos seus companheiros e detido pelos militares indonésios.

Fundador da Associação Social Democrática Timorense (ASDT),foi também candidato às eleições presidenciais de 2002, que deram a vitória ao atual primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e de 2007, onde obteve 14,39 por cento dos votos, tornando-se no quarto candidato mais votado.

Criada em 1974, a Associação Social-Democrata Timorense (ASDT) foi o segundo partido fundado em Timor-Leste, tendo, mais tarde, dado origem à Fretilin.

A designação ASDT regressou ao país após a consulta popular de 1999 que conduziu à restauração da independência de Timor-Leste.

Em 2011, para as primeiras eleições legislativas, Francisco Xavier do Amaral, que foi expulso da Fretilin em 1975, para ser posteriormente "reabilitado", fez renascer a ASDT, que conquistou seis mandatos.

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ELEITORES TIMORENSES: PARTICIPEM NA SONDAGEM “VOTO PARA PR DE TIMOR-LESTE”, na barra lateral

França: Sarkozy diz que há demasiados estrangeiros no país



i online

Paris, 06 mar (Lusa) -- O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, candidato à sua sucessão nas eleições presidenciais, afirmou hoje que "há demasiados estrangeiros" na França e prometeu reduzir os emigrantes que entram anualmente no país, noticia a AFP.

"O nosso sistema de integração funciona cada vez pior, porque temos demasiados estrangeiros no nosso território", afirmou Sarkozy, durante um programa televisivo.

Na ocasião prometeu ainda que, se fosse eleito nas eleições presidenciais de abril e maio, dividiria por dois o número de imigrantes acolhidos cada ano, estimado em cem mil.

Relatora da ONU critica política israelense de "judaização" do território


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Arturo Hartmann, São Paulo – Opera Mundi – imagem em Wikipedia

A arquiteta e urbanista brasileira Raquel Rolnik viajou em missão oficial da ONU (Organização das Nações Unidas) a Israel e aos Territórios Palestinos Ocupados (TPO) entre os dias 30 de janeiro e 12 de fevereiro. Era sua oitava missão como relatora pelo direito à moradia da organização, função que exerce desde 1o de maio de 2008.

Nesta terça-feira (06/03), ela faz uma exposição ao Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o início dos trabalhos. Rolnik falou a Opera Mundi sobre a viagem, que fará parte do relatório final que entregará em março de 2013.

Na Cisjordânia, o relato mais impressionante, segundo Rolnik, foi a da vila beduína de al-Jahalin, a cinco quilômetros de Jerusalém. “Ela está encravada no assentamento de Maale Adumin, que foi crescendo sobre esse território, que ficou confinado. Além disso, a vila tem sofrido constantes ordens de demolição. Como um todo, está ameaçada de realocação. O projeto inicial seria levar a população a uma área de aterro de lixo, inadequado do ponto de vista do direito à moradia. Agora, o governo recuou pela enorme pressão da sociedade civil e de organizações internacionais”, diz.

As demolições de casas são levadas adiante por um conjunto de legislações (uma mistura da lei jordaniana anterior à ocupação e a decretos militares israelenses). Em resumo, um peso para os palestinos e outro para os israelenses é usado. Rolnik dá alguns exemplos: “em Jerusalém (a parte israelense mais a leste, ocupada e anexada), os palestinos são responsáveis por 20% das infrações de construção, mas sofrem mais de 70% das demolições de casas”. Na Cisjordânia, “em 2011, um total de 622 estruturas palestinas foi demolido por Israel e cerca de 1.094 pessoas foram deslocadas, o dobro em relação a 2010”, conta.

O empreendimento de deslocar palestinos e levantar assentamentos é o maior esforço urbanístico de Israel nos TPO. Levar a população (no caso, a israelense) a uma terra ocupada (a Palestina) é proibido de acordo com a Convenção de Genebra, da qual Israel é signatário. A relatora tentou apurar os responsáveis. “Levantei essa questão junto às autoridades israelenses para saber exatamente qual era a participação na promoção dos assentamentos. Fala-se muito da participação direta, mas é muito difícil identificar claramente o que o governo faz”, explica.

“Quero obter isso de forma mais precisa para o relatório. Caracterizar a participação direta, com os incentivos e os subsídios na promoção dos assentamentos. Oficialmente, o governo declara que não foram construídos novos desde 2002, apenas que se expandiram alguns deles”, diz a relatora da ONU.

Na Faixa da Gaza, as políticas são limitadas pelo cerco. “Tanto reconstruir e expandir a infraestrutura como as casas que foram demolidas, tudo é limitado pelo bloqueio. O esgoto vai direto para o [Mar] Mediterrâneo. Há o projeto de construção de uma estação de tratamento, mas isso depende da aprovação dos israelenses, que demora muito. Depois, é preciso autorizar a entrada de material de construção, o que demora mais ainda e eleva o custo. Na reconstrução das casas, a mesma coisa.”

Privatização de Israel

A relatora também manteve reuniões com alguns dos manifestantes israelenses de agosto e setembro de 2011, quando cerca de 500 mil pessoas foram às ruas por causa do problema da moradia. Uma mobilização social dessa magnitude não é algo que pode ser ignorado em Israel, onde o balanço político e social pode determinar a capacidade de o governo ter suas ações legitimadas.

Rolnik destacou o desmantelamento da política de bem-estar social israelense nos últimos 20 anos. No final dos anos 1960, o Estado tinha cerca de 500 mil unidades de apartamentos públicos como parte de um sistema para a absorção da migração judaica após o estabelecimento de Israel, em 1948. Hoje, as unidades mal somam 60 mil.

“Elas foram vendidos aos locatários e as ajudas de aluguel foram diminuindo ou seguiram sem reajuste”, afirma. A relatora da ONU conta que as terras foram privatizadas por altos preços, o que gerou aumento dos custos da moradia. Os novos bairros nobres de Israel não estão disponíveis nem mesmo para todos os judeus.

Discriminação

Os palestinos de Israel, os árabe-israelenses, não entravam na conta do bem-estar social e o problema persiste até hoje. O governo, preocupado com a manutenção da maioria judaica, estabelece políticas públicas específicas. “A estratégia tem dois âmbitos muito fortes. Um, o planejamento urbano e de regulação do território. O outro, de apropriação da terra, que acabou limitando e restringindo as possibilidades de expansão de aldeias e bairros árabes, e abriu frentes de expansão de aldeias e bairros judeus. É isso a que eu chamo de judaicização da terra”.

Em termos urbanísticos, a “judaicização” citada por Rolnik levou à supressão do caráter palestino do território, o que atingiu até mesmo judeus árabes que migraram para o país. “É um modelo predominante de construção habitacional que em Israel nunca é sobre habitação em si, mas uma estrutura urbana planejada, que dialoga pouco com as necessidades e especificidades culturais de grupos árabes ou palestinos, que se tornam obrigatoriamente ilegais”.

A conclusão principal é que tanto em Israel quanto nos TPO, há processos comuns e estratégias semelhantes de discriminação, embora sejam politicamente, geograficamente e legalmente diferentes. Em resumo, Israel e Palestina, apesar de resoluções internacionais, formam a terra de um só governo, o de Israel.

O relatório de Rolnik contribuirá para o inventário que departamentos da ONU fazem do conflito, mas que permanecem guardados nos arquivos. “Foi uma missão muito, muito difícil. Ainda mais como relatora. Nem tanto pela questão da miséria, por ter visto uma situação de muita precariedade, mas pela complexidade da
 situação”, concluiu Rolnik.

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Cabo Verde - DESEMPREGO: UM PROBLEMA PARA A MINISTRA




João Silvestre Alvarenga – Liberal (cv), opinião, em Colunistas

Os jovens são fustigados pelo desemprego (71%), menos de 1/3 daqueles que se encontram com idade 18 a 30 anos têm acesso ao ensino superior e o rendimento dos jovens é dos mais baixos dentre todos os grupos de idade

Cabo Verde é uma sociedade com uma população jovem muito expressiva. Tal população demanda uma série de políticas públicas específicas para um adequado e equilibrado desenvolvimento dessa camada sócio demográfica.

Com efeito, realizamos um estudo inquirindo cerca de 1.200 indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos, na cidade da Praia, sobre suas condições de vida e a seguir apresentamos, parcialmente, os resultados:

Da amostra seleccionada, 48% era do sexo masculino e 52% do sexo feminino; 9% declararam ser analfabetos, 28% com ensino primário ou cursando, 40% com ensino secundário ou cursando e 23% com ensino superior ou cursando; 49% diz estar empregado e 51%, desempregado (essa taxa elevada de desemprego destoa daquela apresentada pelo INE ou outros organismos públicos porque as metodologias usadas são diferentes. No caso em pauta, perguntamos se a pessoa está empregada ou não, desconsiderando o facto de estar ou não à procura de emprego).

O desemprego é um problema grave que afecta mais da metade da população inquerida (51%) e de forma desigual, em termos de idade, sexo e escolaridade.

Os jovens (de 18 a 24 anos) e os mais velhos (com 61 anos ou mais) são os grupos mais fortemente atingidos pelo desemprego. As mulheres apresentam uma taxa de desemprego superior à dos homens em todas as faixas de idade, em média, mais 10%, com excepção no grupo de idade “31 a 36 anos”. Quanto à escolaridade, os que sofrem mais com o desemprego são os analfabetos.

Os jovens são fustigados pelo desemprego (71%), menos de 1/3 daqueles que se encontram com idade 18 a 30 anos têm acesso ao ensino superior e o rendimento dos jovens é dos mais baixos dentre todos os grupos de idade.

Não obstante a existência de um Ministério com competência para a área da juventude emprego e promoção social, em tese, a situação nessas áreas é lastimável, pelo menos, na cidade da Praia, isso sem contar o problema crítico da delinquência e criminalidade juvenil que tem aterrorizado a população dos centros urbanos e matando jovens dia sim, dia não.

Seria desejável que a Sra. titular da pasta dessas áreas pudesse apresentar resultados concretos de projectos bem concebidos e não se limitasse as suas intervenções a meras propagandas televisivas aquando de suas aparições.

*Com gráficos no original

Cabo Verde: RICOS CADA VEZ MAIS RICOS, POBRES CADA VEZ MAIS POBRES - sindicatos



Liberal (cv)

É o momento decisivo. A soberana vontade de quem trabalha terá de optar, segundo a proposta dos sindicatos, por um de dois caminhos possíveis: greve geral ou manifestação

Praia, 6 de Março 2012 – A denúncia partiu, ontem, da Central Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), “os ricos, sobretudo os da esfera do governo, estão a tornar-se cada vez mais ricos e os trabalhadores e seus familiares tornam-se cada vez mais pobres, devido às políticas de empobrecimento e de exclusão social, levadas a cabo” pelo executivo de José Maria Neves.

A frieza das palavras da central sindical, indicia os contornos de uma crispação em crescendo contra o governo e as suas políticas e, particularmente, contra a figura do Primeiro-ministro, a que o líder da CCSL, recentemente, já chamou mentiroso.

A central sindical recorda que, em 2002, José Maria Neves havia dito, numa audiência então concedida, que “os cabo-verdianos viviam nessa altura acima das possibilidades do país e que era preciso a tomada de algumas medidas”, sendo que “decorridos dez anos, temos hoje cerca de 30 por cento dos trabalhadores e das respetivas famílias a viverem na pobreza, e desses, cerca de 20 por cento vivem abaixo do limiar da pobreza, em barracas de bidões e de papelão, nas lixeiras e sem perspectivas de uma vida melhor”, refere ainda a CCSL.

Mas a vida dos cabo-verdianos, segundo a central sindical, “tende a piorar ainda mais, se tivermos em linha de conta que, em Janeiro deste ano, o governo aumentou os preços dos principais bens de primeira necessidade”, acrescido ainda dos recente aumentos dos combustíveis, da água, da electricidade e dos transportes marítimos que, por arrasto, trarão novos e previsíveis aumentos.

GOVERNO MUDO E SURDO

Para a CCSL, o executivo de JMN “mantém-se mudo e surdo sobre a necessidade imperiosa da reposição do poder de compra dos trabalhadores e das famílias caboverdianas”, recusando-se a aumentar os salários E, ao mesmo tempo, aumentam as desigualdades sociais, com os trabalhadores a levaram ínfima fatia na distribuição da riqueza, contrastando com a situação de altos funcionários do Estado “com dois ou três salários mensais de 150 e 180 mil escudos e, por outro lado, muitos trabalhadores com vencimentos inferiores a 15 mil e 10 dez mil mensais, que não chega para satisfação das suas necessidades” básicas, queixa-se a CCSL. Para já não falar de gente “sobretudo na esfera do governo, com duas pensões de reforma, de 140 ou 170 mil escudos mensais”, em contraposição a “outros com a mísera pensão” de pouco mais de cinco mil escudos.

Mas, “além dos gordos salários que recebem do Estado, essas mesmas pessoas têm direito ainda aos subsídios de renda de casa, mesmo tendo casas próprias, subsídio de telefone e internet, combustíveis gratuitos, ajudas de custos em missões improdutivas para fora do país, o direito de compra de viaturas próprias subsidiadas pelo Estado, direitos de transporte gratuitos dos filhos de e para casa, escolas e jardins etc., etc”, num role de mordomias a que a central sindical não se inibe em fazer referência.

APELO À LUTA DOS TRABALHADORES

Anunciando que todos os trabalhadores, particularmente os da Administração Pública, são “chamados através dos respectivos sindicatos, para a luta que irá ter lugar muito brevemente”, visando “a reposição do poder de compra”, a CCSL, coloca duas possibilidades: “greve geral ou manifestação?”, uma decisão que compete aos trabalhadores assumir no imediato.

Moçambique: PORTA-VOZ DA RENAMO AO ATAQUE



TIM (mz)

Renamo acusa Frelimo de querer provocar banho de sangue ao mandar FIR e SISE para Nampula.

A Renamo acusa o governo de estar a criar pânico aos residentes da cidade de Nampula.

Esta constatação foi feita pelo porta-voz desta formação política, Fernando Mazanga, que justifica esta acusação pelo facto da polícia ter feito cerco o local onde os mais de uma centena dos Ex-guerilheiros da perdiz estão acampados.

Para a Renamo para além dos ex-guerilheiros ser assunto interno do partido , as intenções da Força de Intervençao Rápida são pouco claras e não há razões para que a força esteja no local uma vez a sua delegação possuir existencia legal.

Mazanga, vai mais longe e assegura que, os ex-guerilheiros da Renamo já estão fartos da presença da PRM e caso algo de grave aconteça, as responsabilidades serão imputadas ao partido Frelimo.

Por outro lado o porta-voz da Renamo assegurou que o homem que se encontra encarcerado só serà libertado quando os ex-guerrinheiros abandonarem a delegação do partido, facto que ainda não tem data.

Moçambique: Deputado da Renamo baleado na Beira, polícia sem pistas


AYAC - Lusa

A Policia na Beira, no centro de Moçambique, continua sem pistas dos três homens que alvejaram na segunda-feira o deputado Pedro Chicone, da Renamo, oposição, na sua residência, disse hoje à Lusa fonte policial.

"A polícia ainda está sem pistas e continua o trabalho investigativo, mas a última novidade é que a arma encontrada no interior da residência (pertencente ao deputado) terá disparado. O que não sabemos é como, pois o deputado não a usou", disse à Lusa Mateus Mazibe, porta-voz da polícia na província de Sofala, de que a Beira é a capital.

Pedro Chichone, deputado da Assembleia da República, pela bancada da Renamo, foi alvejado com três tiros, quando foi surpreendido por três homens, no corredor da sua residência, no bairro de Macuti, a escassos metros de uma esquadra policial.

Os tiros atingiram o braço direito e a perna, mas o homem está fora de perigo de vida, segundo informação médica.

"Ele saía do banho quando no corredor se deparou com os três homens que começaram a atirar contra ele. O deputado conseguiu voltar para quarto de banho e através duma janela conseguiu fugir pedindo ajuda na esquadra policial", contou à Lusa Mateus Mazibe.

Depois dos tiros, a sentinela da esquadra dirigiu-se à residência para prestar socorro, mas não encontrou ninguém.

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PR e PM de Cabo Verde lamentam morte de figura "relevante" de Timor-Leste



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 06 mar (Lusa) - O Presidente e o primeiro-ministro de Cabo Verde lamentaram hoje, em declarações à Agência Lusa, a morte do primeiro chefe de Estado timorense, Francisco Xavier do Amaral, considerando-o uma das figuras proeminentes do país.

"É o desaparecimento de uma figura muito relevante ligada à história da luta pela independência timorense. Simboliza a resistência maubere ao colonialismo e era uma figura que deixa marcas em Timor-Leste. A sua morte deve ser lamentada por todos", disse à Lusa Jorge Carlos Fonseca, chefe de Estado cabo-verdiano.

"Foi o presidente da autoproclamada República Democrática de Timor-Leste nos anos 70, apesar do percurso posterior de luta pela restauração da independência, para usar a expressão utilizada pelas autoridades timorenses", acrescentou, indicando ter enviado já uma mensagem de condolências à família e às autoridades locais.

Por seu lado, José Maria Neves, chefe do Governo cabo-verdiano, lamentando a perda de Xavier do Amaral, prestou "homenagem sentida" ao primeiro Presidente de Timor-Leste.

"Espero que o país, agora que Timor-Leste encontrou o caminho da paz e da estabilidade, continue o seu processo de crescimento, de desenvolvimento, para a dignificação do povo timorense", salientou, indicando que, se houver condições, Cabo Verde estará representado no funeral.

O primeiro Presidente de Timor-Leste, que declarou a independência em 1975, morreu hoje em Díli vítima de doença prolongada.

Francisco Xavier do Amaral era candidato às presidenciais timorenses de 17 deste mês e fora internado na semana passada, não estando a participar na campanha eleitoral, que começou a 29 de fevereiro e termina dia 14.

Também na semana passada, a doença de Francisco Xavier do Amaral levou o Parlamento timorense a reunir-se de emergência para alterar a lei eleitoral, que previa a marcação de uma nova data para as eleições por incapacidade ou morte de algum candidato.

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Portugal: OS PERIGOS DA POLÍTICA DO MINISTRO VÍTOR GASPAR




Pedro Tadeu – Diário de Notícias, opinião

Vítor Gaspar nunca disse, suponho que não dirá e aparenta um perfil democrático que me dá esperança de que nunca quererá dizê-lo... Refiro-me à frase "sei muito bem o que quero e para onde vou", ditada pelo ministro das Finanças de 1928, António de Oliveira Salazar. Arrisca-se, no entanto, a ser colocado no patamar dos homens providenciais que os pequenos poderes deste país, sempre à espera de milagreiros predestinados, acabarão por lhe destinar, caso persista este desatino governativo que o episódio da disputa da gestão dos fundos do QREN com o ministro da Economia evidencia.

A exigência de controlo de um dos poucos instrumentos de investimento público que restam tem familiaridade com a imposição, pelo então futuro líder do Estado Novo, de policiamento absoluto de todas as despesas e receitas de todos os ministérios, nos Governos ilusoriamente liderados pelos esquecidos José Vicente de Freitas, Artur Ivens Ferraz e Domingos da Costa Oliveira.

Na questão de agora, segundo a imprensa, estão em jogo cinco mil milhões de euros de investimento. Metade já terão sido destinados pelo ministro Álvaro Santos Pereira, não se sabe se bem ou mal.

Sabe-se é que a restante metade (pelo menos), se nada se intrometer, passará a ser controlada pelo ministério das Finanças. Razão? Usar esses dinheiros de forma a que contribuam como ferramentas indiretas de ajuda à política orçamental e não para o que estavam destinados - estimular o desenvolvimento.

É sempre mais fácil apresentar resultados contabilísticos (basta saber somar, diminuir e fazer cumprir, cegamente, essas contas) do que demonstrar o êxito de um qualquer investimento público, cujos efeitos muitas vezes só se fazem sentir ao fim de vários anos. Salazar, na primeira fase da sua intervenção governativa, percebeu--o e, ao fim de apenas um ano, através de cortes brutais, conseguiu que as contas do Estado tivessem saldo positivo. Esse suposto "milagre económico" deu-lhe a veneração de quem viu ali alguma coisa que, no meio de um clássico caos governativo, corrupto, tinha sentido lógico. Que o País estivesse na miséria já era coisa secundária.

Olhamos para o caos deste tempo e Gaspar aparece como aquele que não cede, que aplica as contas sem vacilar, que mantém o sentido lógico de uma política simplória, é verdade, mas que se percebe. Se lhe passar pela cabeça decidir conquistar o poder total, está a construir o caminho. Que essa política coloque, mesmo contra as suas boas intenções, o País na miséria, arrisca-se, para muitos, a ser coisa irrelevante. Isso é perigoso.

O SUCESSO DA MANADA ESTÁ NA PRIMEIRA FILA




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Se os portugueses não morrem em maior quantidade, a culpa não será com certeza de um Governo que está a fornecer-lhes todos os instrumentos para terem sucesso…

Segundo o jornal i, Álvaro Santos Pereira ameaçou demitir-se no Conselho de Ministros da última quinta-feira, onde esteve a ser discutido o esvaziamento dos seus poderes na gestão do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Cá para mim é apenas treta. Isto porque só pede ou ameaça sair que, afinal, quer ficar. Quem quer de facto sair… sai.

Essa minha convicção e modo de vida (que, reconheço, poucos resultados positivos me deram), reforça a ideia de que na primeira fila do teatro da vida portuguesa, mas não só, está a subserviência, colectiva ou individual.

E está na primeira fila, na ribalta, porque quer ser vista. A competência, essa está lá atrás porque – modesta como sempre – apenas quer ver.

Um amigo, dos que está cá atrás, diz-me que um dos que está lá na primeira fila pediu para sair, ameaçou demitir-se. Dito de outra forma, pôs o lugar à disposição. Ao justificar que essa atitude é bem nobre, o meu amigo teve de mudar de lugar e ir bem mais lá para a frente.

No entanto, ao questionar a alusão à mudança de lugar, o meu amigo mostrou que é dos que pode e deve ficar cá atrás. Se entre a ignorância e a sabedoria só vai o tempo de chegar a resposta, só alguém inteligente é capaz de esperar pela chegada da resposta.

Os que sabem tudo, esses estão na primeira fila…

Cá atrás estão igualmente os que entendem que se um jornalista não procura saber o que se passa no cerne dos problemas é, com certeza, um imbecil. Ainda mais atrás estão os que consideram que se o jornalista consegue saber o que se passa mas, eventualmente, se cala é um criminoso.

É por isto que os membros do Governo português estão sempre na primeira fila. Se, como diz Passos Coelho, "uma nação com amor próprio não anda de mão estendida", creio que qualquer português com amor próprio também não.

E para que um cidadão não ande, apesar da barriga cada vez mais vazia, de mão estendida, o melhor que tem a fazer é – segundo as teses oficiais - aprender a viver em silêncio sem comer ou, em alternativa, estender a mão mas tendo entre os dedos uma pistola.

O primeiro-ministro, na versão Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, defende que ao executar o programa de assistência está a fazer o que se pede ao governo "de um país honrado" e que se os compromissos forem cumpridos, Portugal "volta-se a erguer".

Se os portugueses cumprirem o que quer o governo não voltarão a erguer-se, mas permitirão que os donos do país continuem bem direitos e a viver à grande, seja nas ocidentais praias lusitanas ou em qualquer outro paraíso, fiscal ou não.

Passos Coelho diz que à oposição “começa a faltar imaginação para pôr questões e mostrar pontos de vista". Disse-o depois de ter sido confrontado num debate quinzenal no Parlamento pelo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, com o "calvário para as populações" que representam as medidas de austeridade.

Qual calvário, qual austeridade. Alguém acredita que a vida dos desempregados, dos 20 por cento de pobres e dos outros 20 por cento cuja grande ambição é terem comida no prato, é um calvário?

Só o ano passado foram encontrados mortos em casa 2.872 cidadãos. Alguém acredita que foi por causa da austeridade?

Pedro Miguel Passos Relvas Coelho acusa os comunistas de aproveitarem "casos que são dolorosos e o custo que tem para os portugueses a situação em que o país mergulhou" e defendeu que "a verdade" é que o Governo está "a apresentar resultados e a defender os portugueses da crise que se está a abater".

É assim mesmo. Um “querido líder” é isso aí. Retira os amigalhaços da confusão, trata a plebe como ela deve ser tratada e assim garante a apresentação de resultados.

O primeiro-ministro pediu ainda "honestidade" ao secretário-geral comunista: "A situação a que o país chegou não se deve, com certeza, a vários anos da minha governação". É claro que não. Aliás, o PSD só ontem (ou terá sido só hoje?) é que chegou ao governo de Portugal.

Por alguma razão Cavaco Silva (julgo que pertence ao PSD) só foi primeiro-ministro de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995.

Na verdade os portugueses estão com Passos Coelho. E, para isso não vão andar de mão estendida (têm orgulho próprio) e vão conseguir atingir o desiderato requerido pelo Governo, correndo todos a apoiar os que estão na primeira fila.

Como? Morrendo, por exemplo. Se o não fizerem, a culpa não será com certeza do Governo porque este está a fornecer-lhes todos os instrumentos para terem sucesso…

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: E O MPLA VENCERÁ COM MAIS DE… 110%

Jerónimo: mais vale perder “um dia de salário” do que “o salário dos meses seguintes”



Público – Lusa

O secretário-geral do PCP apelou nesta terça-feira em S. João da Madeira à greve geral do dia 22, defendendo perante trabalhadores em risco que mais vale perderem um dia de ordenado do que arriscarem “o salário dos meses seguintes”.

“Quando se faz greve perde-se um dia de salário, mas mais vale isso do que pôr em causa o salário dos meses seguintes”, afirmou o secretário-geral do PCP junto à empresa Siaco, de componentes para calçado, e à Artlabel Industry, que detém as marcas de camisaria Califa, Victor Emmanuel e Formula 1 - onde, apontou, estão em perspectiva suspensão de contratos e onde existem “salários e subsídios em atraso”.

Para o líder comunista, esses casos demonstram que, “no distrito de Aveiro, desde que este Governo tomou posse a situação tem vindo a piorar, o desemprego é uma mancha que alastra e o pagamento de salários com atraso verifica-se em muitas empresas”.

Jerónimo de Sousa garante, contudo, que “os tempos que aí vêm são ser mais duros” porque o Parlamento se prepara para votar um conjunto de propostas que “visam fundamentalmente o ataque aos salários, aos horários [laborais] e aos subsídios”.

A adesão à greve é, por isso, a forma de os trabalhadores “afirmarem dignidade e demonstrarem coragem”, para que os governantes “não pensem que fazem o crime sem serem punidos e denunciados”.

“Quando se faz greve perde-se um dia de salário, mas mais vale isso do que pôr em causa o salário dos meses seguintes”, admite o secretário-geral do PCP.

“A nossa luta contra este pacto de agressão que as troikas aprovaram é fundamental”, conclui.

Portugal - Médicos: FNAM adere à greve geral marcada para 22 de março



Diário de Notícias

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) emitiu um pré-aviso de greve para o próximo dia 22. "A ofensiva governamental está a conduzir à deterioração de todos os indicadores de saúde, numa situação sem paralelo há cerca de 40 anos", justifica a FNAM em comunicado.

Para a Federação, esta greve geral, convocada pela CGTP, é "uma iniciativa indispensável na conjugação de esforços reivindicativos com o objetivo de impor uma inversão das políticas em curso".

"Assistimos à desarticulação de todas as políticas sociais, visando a destruição do estado social e de um dos seus pilares fundamentais: o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", diz a FNAM.

A Federação apela também à participação de todos os médicos.

A UNIÃO EUROPEIA NÃO SAI DA CEPA TORTA




Mário Soares – Diário de Notícias, opinião

1. O Tratado que resultou da cimeira de Bruxelas da semana passada, intitulado pomposamente Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação da União Económica e Financeira, apesar de subscrito por 25 chefes de Governo dos Estados membros (com a exceção do Reino Unido e da República Checa) não parece ter trazido à crescente inquietação da opinião europeia e mundial nenhum benefício que possa dar à União alguma esperança quanto ao futuro próximo. Primeiro porque o Tratado só entrará em vigor - se lá chegar - depois de ratificado pelos Parlamentos nacionais, pelos Tribunais Constitucionais e pelo referendo da Irlanda.

É talvez possível que os mercados especulativos não rejubilem com o Tratado. A promessa vaga e futura de uma governação financeira e económica talvez lhes suscite alguns engulhos. Mas como o que continua a contar é a redução dos deficits - e o não crescimento das economias reais - os desempregados, cada vez mais, como as desigualdades e a pobreza crescem avassaladoramente, os mercados especulativos, que comandam os Estados, continuam satisfeitos. Têm amplas razões para isso...

A verdade é que sem os mercados - e as agências de avaliação - serem postas na ordem, a crise global que afeta a União Europeia não terá solução. Não se trata só dos Estados da Zona Euro mas também dos que não lhe pertencem, como o Reino Unido, que não estará, seguramente, numa situação melhor do que a Itália ou a Espanha.

Não se espere que os Estados vítimas das medidas de austeridade - como a Grécia, a Irlanda ou Portugal - estejam pior do que os outros Estados membros, mesmo os considerados mais ricos, como França e a Alemanha. Enquanto não for mudado o paradigma de desenvolvimento da União e os líderes europeus não quiserem perceber que com austeridade sem crescimento económico e sem um combate sério contra o desemprego a situação da Europa irá sempre de mal a pior. Não há troikas que lhes valham. Bem pelo contrário. Principalmente os governantes que consideram as troikas beneficiárias (em vez de usurárias) e não ficam chocados no seu patriotismo, quando as veem a tutelar os Estados e os Governos, democraticamente eleitos. Que aberração! Quanto às desgraças que criam as políticas de austeridade, contribuindo para aumentar a recessão, o desemprego e as desigualdades sociais, leiam-se dois artigos muito lúcidos de Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, no Público e no Expresso, do fim de semana passado.

2. A surpresa Rajoy.

Mariano Rajoy, chefe do Governo espanhol, eleito por grande maioria, tomou uma atitude que espantou a União Europeia. E que, a meu ver, foi lúcida e corajosa. Sem prevenir os lideres europeus - e após a última Cimeira, precisamente no dia seguinte - anunciou ao Banco Central Europeu, à Comissão Europeia e ao Conselho, a sua decisão de deixar subir o deficit público de 4,4% para 5,8% em 2012 ou seja, não fazer tantos cortes como a União exigia.

Note-se que quando começaram os cortes assassinos, os espanhóis desceram à rua para manifestar o seu descontentamento em Madrid, Barcelona e noutras cidades de Espanha. Quem conhece a história e a sensibilidade dos espanhóis, não se admira nada com essas manifestações hostis à política restritiva do Governo... Por outro lado as Autonomias, começaram igualmente a protestar, principalmente a Catalunha, o País Basco e a própria Andaluzia, onde o PP, aliás, acabou de conseguir uma vitória histórica.

O Presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, censurou a Espanha por não ter apresentado o Orçamento para 2012. A questão, ao que parece, é que vai haver eleições na Andaluzia e nas Astúrias, salvo erro, em abril e Mariano Rajoy para não ter dissabores não quer dar conhecimento dos grandes cortes exigidos - e tão impopulares - antes delas. Depois, certamente, dará conhecimento do Orçamento. Mas daí a que cumpra os cortes exigidos, a que Bruxelas submeteu a Espanha, vai uma certa diferença.

Curiosamente, quando a Comissão Europeia criticava a posição do presidente Rajoy dizendo que "Espanha estava a perder credibilidade", o líder do PSOE, rival de Rajoy, Alfredo Pérez Rubalcava, afirmou, em sentido inverso, que Espanha "vai na direção correta" (vide El País de sábado).

Espanha não é um Estado qualquer. O descontentamento profundo da população - e das Autonomias - perante as chamadas medidas de austeridade e os cortes sociais que implicam, especialmente a contra-reforma laboral, criaram já um desgaste significativo no Governo, mas não no PP. É o que mostra o último barómetro.

Contudo, não haja dúvida de que o aumento do desemprego (um quarto da população ativa) e os cortes que tanto vão atingir a classe média tornam muito difícil a aplicação das medidas impostas por Bruxelas. O que vai ter consequências sérias, nos diferentes Estados membros da União, de Espanha à Itália e até à própria França, sem excluir os Estados mais pequenos. Como veremos...

3. Um prémio Nobel em Lisboa.

Devo ter sido dos primeiros portugueses - excetuando, obviamente, os economistas de formação - a ler os artigos e algumas das conferências de Paul Krugman, prémio Nobel da economia. Antes dele, aliás, li dois ou três livros de Joseph Stiglitz, que me ensinaram a compreender a origem da crise global que vivemos e como a podemos - se quisermos - vencer. Como a austeridade, por si só, não leva a lugar nenhum, é urgente e necessário meter os mercados especulativos na ordem, acabar com os paraísos fiscais, a economia virtual e voltar aos tempos em que a meta era o pleno emprego e uma democracia social que funcionasse, ao serviço também dos mais desfavorecidos.

Entretanto, os Estados Unidos entraram em crise - uma crise financeira e económica séria - que se tem prolongado e tornado também política, social e ética ou de respeito pelos grandes valores. Comunicou-se à União Europeia e tem vindo a aprofundar-se, pondo em causa a relação de forças em termos mundiais. É o Ocidente que está em crise no seu conjunto. Crise, alimentada pela ideologia neoliberal dos teóricos americanos e depois aplicada, em termos de governação, pelo presidente Reagan e pela primeira-ministra inglesa, Thatcher, sem esquecer a infeliz "terceira via" do Senhor Blair.

Foi depois dessas experiências, para mim desagradáveis, que comecei a ler os artigos críticos de Paul Krugman com grande aprazimento e concordância. Citei-o, aliás, em muitas das minhas crónicas.

Quando soube que o prémio Nobel vinha a Lisboa para receber um doutoramento honoris causa, fiquei satisfeito e naturalmente interessado. Foi recebido, aliás, com a maior cordialidade e simpatia. No entanto, embora não renegasse as suas ideias, segundo li nos jornais portugueses, foi elogioso para a troika, talvez por estar em Lisboa e para ser agradável aos nossos atuais lideres, que o homenagearam com um almoço. Reconheceu a necessidade das "medidas de austeridade" e esqueceu-se da recessão crescente e de o desemprego ter subido a 14,8%...

Espero não estar enganado. Mas, para mim, Paul Krugman foi uma deceção... Quando o oportunismo dos académicos os leva a contradições, a sua honorabilidade desce... É dos livros!

4. A tragédia da Síria.

A carnificina que tem continuado na Síria é inaceitável e impensável no século XXI. É preciso acabar com esse ditador sanguinário que nos tempos que correm só tem paralelo com Kadhafi.

O secretário-geral da ONU, o coreano Ban Ki-moon, veio às televisões mundiais condenar o ditador e os seus fiéis. Mas não basta falar. É preciso agir. E agora que a China e a Rússia parecem ter-se arrependido do veto vergonhoso com que paralisaram o Conselho de Segurança, é a boa altura para que a ONU tome rapidamente uma iniciativa condenatória do Governo sírio e obrigue todos os Estados membros a pronunciar-se contra uma situação tão injusta e trágica que nos envergonha a todos.

5. Stefan Zweig 70 anos depois.

A imprensa internacional - e a brasileira - destacaram os setenta anos que já passaram depois que o grande escritor, humanista e pacifista Stefan Zweig e a sua segunda Mulher puseram fim às suas vidas, em Petrópolis, perto do Rio de Janeiro.

Fui desde jovem um leitor apaixonado de Stefan Zweig, não do poeta ou do dramaturgo - que também foi - mas sim do novelista e, sobretudo, do biógrafo e autobiógrafo. Quase todos os livros escritos por Zweig estão traduzidos em português, por uma escritora e tradutora, excelente, que conheci pessoalmente, Alice Ogando, aparentada com um meu companheiro do MUD, no imediato pós- -guerra, o médico comunista Luciano Serrão de Moura. Entre as biografias que li, apaixonadamente, nunca esqueci a de Maria Antonieta, por onde começou o meu conhecimento, mais aprofundado, da Revolução Francesa, de Maria Stuart e de Fouché, o político que soube sobreviver na época de Bonaparte a todas as mudanças. Além de grandes génios, entre outros, que também biografou, como: Erasmo de Roterdão, Casanova, Stendhal, Tolstoi, Nietzsche, Freud, Balzac, Rilke e Dostoievski, sem esquecer o seu grande amigo e meu tão admirado, desde sempre, Romain Rolland. Cito também a biografia do corajoso navegador português Fernão de Magalhães - que devia ser lida pelos patriotas portugueses -, que encontrou a passagem gelada, no extremo sul, entre o Atlântico e o Pacífico, cujos lugares tão inóspitos tive a honra de observar e conhecer.

Zweig nasceu em Viena de Áustria em 1881 e suicidou-se (com a sua Mulher) no Brasil em janeiro de 1942. Foi, toda a vida, um humanista e um pacifista, ou não fosse grande amigo e quase discípulo de Romain Rolland. Era um homem extremamente afetivo e de grandes amizades, que conservou até à sua morte, como o descreveu a sua biógrafa Dominique Bona, no seu livro Stefan Zweig, l'ami blessé. Não suportou o peso do nazismo nem das perseguições e ameaças que lhe foram feitas. Antes de morrer, publicou uma autobiografia, que ainda não tive oportunidade de ler e que julgo ser póstuma, intitulada O Mundo de ontem, que foi o seu, inexoravelmente. E antes publicou um clássico, em forma de ensaio "Brasil, País de Futuro", que foi profético. Porque hoje o Brasil não é uma ideia de futuro: é o futuro, com um passado e um presente absolutamente excecionais.

Espero que os jovens de hoje não deixem de ler Zweig. Ficariam com uma bagagem cultural de extrema atualidade. Recomendo-lhes, para começar a conhecer o personagem, que leiam uma biografia que sobre ele escreve o grande jornalista e escritor, brasileiro, Alberto Dines.

MERKEL E ROUSSEFF CONCORDAM EM REFORÇO BRASILEIRO DO FMI



Económico - Lusa

A chanceler alemã e a Presidente brasileira concordaram hoje com a participação do Brasil no reforço dos fundos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a zona euro, apesar das divergências existentes relativamente à política monetária.

"Desde a cimeira do G20 em Cannes (em Novembro de 2011) dizemos que estamos de acordo em participar no aumento dos meios do FMI", disse Dilma Rousseff em conferência de imprensa, após a visita à CeBIT, feira de tecnologia em Hanover (noroeste da Alemanha), na qual o Brasil é o convidado de honra deste ano.

Rousseff acrescentou que o aumento (dos fundos) deve vir acompanhado de um "reforço da participação dos países emergentes" na direcção do FMI.

Angela Merkel considerou "muito natural" o reforço da influência dos países emergentes no FMI, sublinhando que, nesse ponto, Brasil e Alemanha estão de acordo, o que não acontece quando se fala de política monetária.

A presidente brasileira repetiu os "receios face à expansão monetária nos Estados Unidos e na Europa" como um meio para lutar contra a crise da dívida, acreditando que os europeus obtêm assim uma "desvalorização artificial da moeda", que é uma desvantagem para as exportações brasileiras.

A chanceler alemã disse "compreender essas preocupações", afirmando que se trata de uma "medida temporária".

Desde o início da crise da dívida, o Banco Central Europeu (BCE) inundou os bancos da zona euro com liquidez e mantém uma taxa de crédito muito baixa, o que torna a moeda europeia menos atraente.

A chanceler alemã, por seu lado, denunciou as tentativas de resposta a esta política com o proteccionismo, uma alusão velada ao recente aumento das taxas sobre os automóveis importados no Brasil.