sábado, 20 de agosto de 2011

Timor-Leste – Educação: ESTE É UM PAÍS QUE CONTINUA A SER "LEGISLADO" PELO GOVERNO





“Será que vale a pena eu continuar neste pais tentando desenvolver os Recursos Humanos e ver passar uma estratégia dessas?”

Fico muito triste com este tipo de ação, pois faz me pensar em algumas questões do tipo:

- Este é um país que continua a ser “legislado” pelo Governo. Como uma decisão tão importante e estratégica destas com grande impacto no futuro, não passa pelo Parlamento Nacional?

- De quem foi a orientação psico-pedagógica desta decisão?

- Este é mais um decreto-lei que não poderá ser implementado. Ao invés de agregar essa é uma ação desagregadora ...

- Isso seria conclusão de alguém incompetente (psico-pedagogicamente falando) ou uma manobra sórdida para retardar ainda mais o desenvolvimento do país.

- Será que vale a pena eu continuar neste pais tentando desenvolver os Recursos Humanos e ver passar uma estratégia dessas?

- Será que a liderança política endoidou de vez? Que tal contratar PSICOLOGOS/PSIQUIATRAS para esta Nação, sendo que os primeiros pacientes podem ser os do Conselho de Ministros.

- Essa é mais uma prova de um país que não pensa nem educa suas crianças adequadamente. O que será do futuro desta nação?

MENOS POLITICA E MAIS EDUCACÃO!

OBS: Já que vocês são capazes e competentes para tomar decisões idiotas, parem de se fazer de pedintes a todos os países da CPLP para que ajudem sempre... Aliás acho que o correto seria sair da CPLP. Que tal?

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Acordo Ortográfico: ESCLARECIMENTO A JOSÉ EDUARDO AGUALUSA




OPINIÃO DO LEITOR em "VENDERAM O SOFÁ DA LUSOFONIA":

É evidente que este senhor não sabe o que diz. É impossível que um vendedor de livros português lhe diga que os portugueses confundem o três e o seis. Os brasileiros poderão pronunciar "treis", mas os portugueses pronunciam mesmo "três". São sons completamente diferentes, nenhum português os confunde.

Depois o senhor diz que: "se o uso é tão determinante, por que suprimir as consoantes “c” de “direcção” e o “p” de “óptimo” quando elas são pronunciadas em Portugal? E por que remover o “c” de “aspecto” e o “p” de “recepção” quando essas duas letras são pronunciadas em absolutamente todas as variantes da língua portuguesa?"

Eu não faço ideia de que sítio em Portugal é que este senhor visitou para ouvir falar português. Provavelmente só nos restaurantes de Lisboa onde quase todos os empregados de mesa são brasileiros. Posso garantir-lhe que é extremamente raro encontrar um português que não pronuncie essas palavras como "ótimu", "diresaun", "aspetu" e "resesaun".

E em Portugal não falamos de israelenses, mas de israelitas. Mas não é por aí que o gato vai às filhoses. O mesmo tipo de variação lexical existe em línguas como o inglês e ninguém se espanta com isso.

É caso para dizer que quando alguém não sabe o que diz o melhor é ficar calado...

Angola - Ordem dos Médicos: Criação de base de dados a nível do centro de formação




ANGOLA PRESS

Luanda - O bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa, informou hoje, em Luanda, que será criada uma base de dados a nível do centro de formação médica que permitirá aos profissionais de saúde acederem a vaga de especialidades em todos os estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Carlos Pinto de Sousa, que falava à margem do V congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa, disse que tal base vai facilitar a escolha das unidades credenciadas nos vários países.

Segundo o bastonário, se está a avaliar a possibilidade de se criar sinergias dentro da lusofonia, aproveitando o que cada um dos países oferece nos vários domínios, nomeadamente da formação médica e na prestação de serviço.

De acordo com o responsável, o centro de formação médica de Cabo Verde, que é uma experiência piloto, terá de ser replicado com outros países por forma a que a formação seja local, utilizando profissionais vindo de países que tenham médicos diferenciados.

Para Carlos Alberto Pinto, a formação médica deu um grande passo nos últimos anos com a abertura de mais faculdades de medicina, adiantando que apesar disso se deve continuar a trabalhar não só na formação pós-graduada, mas também no domínio da especialização.

“É neste sentido que estamos a criar sinergias com outros países para ver o que temos para dar e o que os outros países têm para oferecer por formas a que os médicos especialistas sejam formados localmente em cada país”, salientou.

Adiantou que o sector da Saúde terá uma rede de formação tanto de especialistas como de docentes para que dentro de alguns anos os países tenham autonomia.

Considerou positivo o balanço dos trabalhos feitos no primeiro dia de congresso, alegando estarem a ser produzidos documentos que vão resultar das conclusões e recomendações.

Manifestou ainda a necessidade de se reforçar a aposta nas áreas de obstetrícia, pediatria e medicina geral para que o país possa contar com especialistas nos vários domínios do conhecimento.

CPLP - Saúde mental: Oficializada Rede de Educação Médica de Língua Portuguesa





Luanda - A Rede de Educação Médica de Língua Portuguesa, uma iniciativa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Portugal, foi oficializada hoje, sexta-feira, em Luanda, durante o V congresso da comunidade médica da CPLP.

 A rede já em funcionamento desde 2005, entre outros objectivos, visa   melhorar os índices de indicadores da educação médica em todos os países da comunidade e vai funcionar do ponto de vista físico de forma virtual.

De acordo com a coordenadora do projecto da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Maria Amélia Ferreira, em declarações à Angop no âmbito da II Reunião de Educação Médica de Língua Portuguesa, para tal já foi criado uma plataforma em que todos os intervenientes   vão organizar e apresentar a sua informação e a transferência do “now how”.“A rede é uma estrutura que foi recentemente criada e tem uma história previa feita entre as Faculdades de Medicina das Universidades do Porto (Portugal) , Agostinho Neto (Angola) e de Moçambique”, disse Amélia Ferreira.

No quadro das actividades desenvolvidas, segundo a responsável, ficou demonstrado que é possível a formação de mais médicos qualificados que prestem serviços adequados às populações dos respectivos países membros.

Através do projecto “A Name for Health”, esta iniciativa, de acordo com Amélia Ferreira, será criada uma biblioteca   virtual em educação médica, além da realização de vídeos conferências e seminários clínicos, pedagógicos e partilha de conhecimentos, pós-graduação o em educação médica.

 A mesma vai abranger as novas faculdades de medicina nos países membros, quer estatais como privadas, tendo em conta o objectivo da formação de profissionais qualificados. Assim, a oficialização da construção da rede de educação médica em língua portuguesa e sua expansão, vai cada vez mais propiciar o intercâmbio de conhecimentos e não só entre diversas faculdades públicas de medicina dos países de expressão portuguesa, com vista a melhoria da saúde das populações.

Guiné-Bissau: Ministra reconhece sacrifícios dos funcionários da Comunicação Social





Instrumento jurídico

Bissau – A Ministra da Comunicação Social guineense, Maria Adiatu Djalo Nandigna, reconheceu os esforços dos homens da Comunicação Social, na busca de informação junto das camadas mais afastadas da sociedade.

A cerimónia de abertura do congresso do Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social, que teve início esta quinta-feira, 18 de Agosto, em Bissau, sob o lema: «Congresso de unidade, reestruturação e da justiça laboral».

A ministra destacou os valores culturais da Guiné-Bissau, salientando os esforços e sacrifícios dos funcionários da comunicação social nacional. A responsável máxima da pasta da Comunicação Social da Guiné-Bissau sublinhou ainda a participação do sector no processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau e no aprofundamento democrático no país, que deve incluir uma abordagem sobre o serviço público, numa programação jornalística reorientada para um serviço informativo num estado de direito no país.

Maria Djalo Nandigna falou também da determinação do Governo em adoptar a Comunicação Social guineense como instrumento jurídico, numa referência a recentes pacotes de leis aprovados pelos deputados da Assembleia Nacional Popular, entre as quais se destacam a liberdade de imprensa.

«A Comunicação Social deve velar-se para uma gestão rigorosa, transparente, planificada e permanente, de forma a pautar-se pelo interesse público e garantir uma informação de qualidade», referiu a ministra.

Maria Djalo Nandigna terminou o seu discurso desejando que este congresso se verifique uma oportunidade de afirmação da classe, como parte indispensável na criação de um clima de paz reconciliação na Guiné-Bissau.

Sumba Nansil

(c) PNN Portuguese News Network

Autoridades brasileiras denunciam trabalho «escravo» por parte de fábricas da ZARA





Funcionários não possuíam condições de trabalho

Brasília - O Ministério do Trabalho e do Emprego do Brasil, denunciou a marca de roupa Zara, por mão-de-obra escrava em algumas fábricas de produção que fornecem as lojas.

As autoridades brasileiras descobriram 16 funcionários bolivianos da empresa Inditex, detentora da marca de roupa, a trabalhar nos arredores de São Paulo, sem o mínimo de condições como ventilação, segurança ou higiene. Os trabalhadores recebiam apenas 2 reais por cada peça fabricada (cerca de 0,80 euros).

Segundo o relatório elaborado pelas autoridades competentes, os trabalhadores bolivianos também não possuíam materiais de trabalho apropriados.

Estes 16 empregados foram contratados através de uma empresa de recrutamento intermediária, a AHA, mas a marca será responsabilizada pelas ilegalidades cometidas, num total de 48 autos aplicados pelos auditores, que se traduzem numa multa de 1 milhão de reais (cerca de 400 mil euros).

O grupo espanhol Inditex comunicou à imprensa que exigiu a regularização da situação, bem como o reforço das operações de fiscalização da produção.

(c) PNN Portuguese News Network

O MUNDO VAI ACABAR!





O fantasma do fim do mundo assombra a humanidade desde tempos imemoriais, paranóia estimulada por profetas, videntes e astrólogos dos quatro cantos do planeta. A história registra com abundância profecias sobre o fim do mundo e o efeito muitas vezes trágico provocado por elas. E mesmo com o fiasco de todas estas profecias, as pessoas continuam a levá-las à sério e a dar crédito aos loucos que se intitulam profetas.

Uma coisa é certa: o mundo vai acabar um dia; pode ser amanhã, na semana que vem, daqui a um ano, uma década, um século ou milênios…

A crença de que o mundo iria acabar no ano 2000, gerada pela interpretação errônea do texto do Apocalipse e pelas profecias estapafúrdias de Nostradamus, tirou o sono de muita gente no século passado. Depois do fracasso delas, seria lógico supor que as pessoas deixassem de acreditar, definitivamente, em profetas e videntes de qualquer tipo. Mas ao invés disso, a crença retorna agora revigorada por supostas profecias baseadas em um dos calendários maias.

Profecias Maias

O estudioso guatemalteca Enrique Alvarado, que reside na Áustria, desmente toda esta enxurrada sensacionalista sobre o fim do mundo. Desde 1992, quando se tornou sacerdote maia (Ajquij), Alvarado estuda os calendários maias, em especial o Calendário Ritual ou Tzolkin. Segundo ele, não há um calendário maia, mas vários que formam um sistema, pois estão interligados; além disso, nenhum destes calendários termina em 2012 ou outra data.

Por definição, um calendário é um instrumento para medir o tempo e não uma contagem regressiva; portanto, não tem um final, a menos que se considere como tal o momento no qual se deixa de usá-lo, o que não aconteceu aos que foram elaborados pelos povos maias, pois ainda são usados diariamente na América Central.

É evidente que a maioria dos livros, artigos e sites que exploram este tema tenta fazer conexões com profecias conhecidas e assuntos sem nenhuma relação com o calendário maia.

Para tentar justificar o injustificável, os esotéricos rechearam essas profecias com argumentos retirados de assuntos completamente estranhos a elas. Vale tudo para vender o peixe: astrologia de almanaque, hexagramas chineses, runas nórdicas, conceitos tirados de filmes de ficção científica (portal dimensional, quarta dimensão, alienígenas), bobagens inventadas pelo pessoal new age (canalizações, mensagens de mestres ascensionados), Nostradamus, Bíblia, física quântica interpretada por gente que mal sabe soletrar o próprio nome… São tantas bobagens que acho estranho não citarem a previsão feita num dos episódios da série Arquivo X, onde 22 de dezembro de 2012 é o dia da invasão dos extraterrestres!

Na verdade não há nenhuma profecia “detalhada” na cultura maia sobre o que acontecerá em 2012. Os poucos textos desta civilização que foram traduzidos são criptográficos e imprecisos. Afirma-se que os seus calendários terminam em 2012, mas embora sua mitologia fale em mudanças de eras (como quase todos os povos da antiguidade), não há nada que permita deduzir-se que tenham profetizado o fim do mundo nesta data. Para dar respaldo a essa fantasia, os autores que escreveram livros a respeito misturaram outras profecias (que fracassaram), como as de Nostradamus, de Edgard Cayce, de Jeanne Dixon e do Apocalipse entre outras. A maioria de seus argumentos nada têm a ver com o calendário maia, mas impressionam os incautos que não percebem a inconsistência deles. Da mesma forma, os argumentos pseudo-científicos que utilizam são arbitrários e tentam fazer conexões que não resistem a uma análise mais acurada.

É evidente que o mundo está sofrendo transformações climáticas que tendem a aumentar, com consequências catastróficas no futuro. Estamos colhendo o resultado de décadas de depredação do meio ambiente, desmatamento, poluição, efeito estufa, explosão demográfica, etc. Que estamos caminhando para o caos, que mudanças radicais e catastróficas podem acontecer é uma previsão fácil de acertar, de tão óbvia; mas apontar datas para futuros desastres é um mero jogo de adivinhação que serve apenas para vender livros e semear inquietação nas mentes mais sugestionáveis.

Balaio de gatos

Profecias catastróficas sempre fizeram parte do repertório de videntes, astrólogos e profetas; mas que eu saiba, nenhum deles previu as duas maiores conflagrações mundias ocorridas no século vinte: a primeira e a segunda guerra.

Terremotos, inundações, cataclismas que destruíram civilizações no passado estão no inconsciente coletivo da humanidade. Na própria Bíblia, na mitologia grega e sumeriana estes eventos são sempre registrados como supostos castigos divinos.

Os esotéricos tentam dourar a pílula, dizendo que segundo o calendário maia haverá em 2012 um alinhamento do Sol em relação ao centro da Via Láctea, que provocará a emissão de uma energia radiante, que alcançará a a Terra através do Sol, iniciando um “ciclo de evolução para a humanidade”.

Tudo isso é uma bela peça de ficção; mas teriam os maias uma astronomia tão sofisticada a ponto de saber o que é galáxia, energia radiante ou buraco negro? O próprio conceito de “evolução” é coisa moderna, que surgiu na cultura ocidental a partir de Darwin; portanto, o que os maias têm a ver com isso?

De fato, eles elaboraram um calendário muito preciso, mas isso não significa necessariamente que tivessem meios de prever o que acontecerá no futuro. Diga-se de passagem que os maias mostraram mais discernimento em relação aos conquistadores espanhóis do que os astecas; enquanto estes acolheram seus futuros algozes como deuses, os maias os rechaçaram de início e não entregaram o ouro sem uma feroz resistência…

Talvez já tivessem sido prevenidos sobre a cordialidade espanhola; da centena de homens do início da expedição comandada por Francisco Hernandez de Córdoba, no primeiro contato com os maias cinqüenta foram mortos e os que não tiveram suas gargantas cortadas com espadas de madeira encravadas de sílex foram capturados para servirem a futuros sacrifícios. Apesar da sua civilização notável, da sua arquitetura, da astronomia sofisticada, da escrita, esse povo tinha costumes cruéis, como sacrifícios humanos, que horrorizaram os próprios espanhóis. Por isso, não deixa de ser risível que os esotéricos atribuam a noção de “evolução cíclica da humanidade” a um povo que acreditava em deuses cruéis e impiedosos, e praticava sacrifícios rituais até de crianças… Suas crenças só poderiam inspirar visões futuras de destruição e morte.

Aliás, a religião quase sempre é um reflexo da cultura e da realidade de um povo; o Apocalipse bíblico foi escrito por um profeta sedento de sangue, mergulhado no ressentimento, alimentado pelo ódio à vida, ao mundo e aos romanos. No fundo, suas visões eram a expressão do seu desejo de aniquilação coletiva imediata.

Os adeptos destas supostas profecias tentam colocá-las em concordância com outras teorias relativas ao Fim dos Tempos e com a crença de que a humanidade deve passar por um processo de regeneração coletiva, de separação do joio do trigo.

No fundo, é a mesma idéia compartilhada pelos espíritas adeptos da teoria dos exilados do planeta Capela, dos crentes da passagem do “planeta X” ou Hercólobus e, também, dos teosofistas que acreditam nos mitos das civilizações arcaicas da Lemúria e Atlântida. Mas nas supostas profecias maias não há referência a este planeta intruso e, portanto, essa conexão fica por conta da imaginação dos seus intérpretes.

Os cientistas também previram uma intensa atividade solar entre 2011 e 2012, embora neguem que isso possa acarretar catástrofes. Tempestades solares intensas acontecem periodicamente e há quem acredite que a atividade solar em 2012 possa provocar uma mudança significativa na inclinação do eixo da Terra e produzir, em conseqüência, atividades geológicas de proporções catastróficas. Não é a primeira vez que cientistas se metem a prever catástrofes e fracassam, da mesma forma que videntes e profetas do passado.

A única conclusão a tirar disso tudo é que, caso 2012 passe em branco, podem estar certos de uma coisa: novas profecias serão anunciadas e o povão, esquecido de todas as que fracassaram, também acreditará nelas…

Predições astrológicas e psicose coletiva

À guisa de ilustração, citaremos algumas situações anedóticas provocadas por predições de astrólogos, referentes ao fim do mundo:

Em 1179 o célebre astrólogo João de Toledo previu que a conjunção de sete planetas no signo de Libra em setembro de 1186 desencadearia um cataclisma universal. A divulgação de sua profecia aterrorizou o Oriente e o Ocidente civilizados com a ameaça de tempestades terríveis e tremores de terra. Toledo conclamou a todos a se esconder em cavernas e montanhas, pois o mundo seria destruído e apenas alguns seriam poupados.
Nada ocorreu e depois Toledo justificou-se alegando que a conjunção, na verdade, relacionava-se à invasão dos hunos, um “pequeno erro interpretativo” que provocou pânico, desespero, suicídios e saques.

Outro astrólogo cristão, chamado Corumfiza, predisse que os árabes seriam totalmente destruídos por tempestades, ventos fortes e um grande fedor. Milhões de pessoas prepararam-se para o pior e em todos os países da Europa construíram-se abrigos subterrâneos. Na Pérsia e na Mesopotâmia as cavernas foram preparadas para abrigar refugiados; em Bizâncio o imperador mandou retirar as janelas do seu palácio e cobri-las com vigas. Na Inglaterra – em Winchester –, uma freira caiu em transe, recitou versos latinos assustadores profetizando eventos terríveis por causa da conjunção e morreu logo em seguida; neste clima de histeria, o arcebispo de Canterbury ordenou um jejum de três dias. Mas na data determinada, o dia amanheceu com um tempo esplêndido e nem a mais leve brisa incomodou os mortais. Um dos monges da cidade, ao qual não faltava senso de humor, deixou registrado: “Sofremos só o temporal que Sua Eminência desencadeou do púlpito”. Digno de registro, houve apenas um pequeno terremoto na Inglaterra em 1185 e algumas inundações em 1187, ano que também marcou a queda de Jerusalém.

O episódio caiu no esquecimento e logo outras catástrofes foram anunciadas, com intervalos de algumas décadas, nos anos de 1229, 1236, 1339, 1371,1395, 1422,1432, 1451, 1460, 1487.

Em janeiro de 1523, um grupo de astrólogos londrinos chegou à conclusão que o fim do mundo aconteceria por um dilúvio no ano seguinte, em primeiro de fevereiro de 1524, devido a uma conjunção planetária no signo de Peixes. Por causa disso, um mês antes, duas mil pessoas abandonaram Londres, buscando terras mais altas e um clérigo armazenou comida e água numa fortaleza construída por ele. Como nem uma gota de chuva caiu, um dia depois os astrólogos se justificaram alegando um “pequeno erro de cálculo” e disseram que o fim do mundo seria em 1624, e não em 1524. Mas esta retratação não serviu de consolo para os londrinos, cuja cidade foi toda saqueada por ladrões durante o “dia da evacuação”.

O astrólogo alemão Joahnnes Stöffler também conseguiu semear pânico e terror no seu país ao predizer um dilúvio de proporções universais que engoliria a humanidade em 20 de fevereiro de 1524. Astrônomos espanhóis confirmaram a previsão e uma enxurrada de panfletos anunciando o fim do mundo espalhou o medo pela Europa. Em todos os lugares não se falava em outra coisa, senão do iminente dilúvio universal. Também profetizou-se contratempos para a Igreja e flagelos cruéis aos judeus. Como a conjunção ocorreria em Peixes, signo do cristianismo, era certo que toda a cristandade, principalmente nas regiões do norte e do sudoeste, seria vítima de trombas d’água, chuvas de pedras, estrelas cadentes, dragões chamejantes e um cometa pavoroso. Em Tolosa, os moradores construíram uma arca gigantesca. Na orla marítima, as pessoas aguardaram o pior distribuídos em barcos e houve quem vendesse todos os bens ou corresse a ultimar o testamento. Na Alemanha, na data prevista para o cataclisma, todas as famílias da corte refugiram-se numa ridícula colina perto de Berlim, rodeados pelos súditos chorosos. Mas não caiu uma única gota d’água naquele dia, a não ser as lágrimas das pessoas apavoradas. O ano foi frio e chuvoso, mas em nenhum lugar houve enchentes.

Após o fracasso de sua predição, Stöffler transferiu o dia do juízo final para 1528…

O curioso de tudo isso é que, algumas décadas depois, as pessoas comentaram este evento como se tivesse ocorrido de fato uma inundação catastrófica e que a humanidade havia escapado dela sem maiores prejuízos! Melanchton, amigo de Lutero, chegou a dizer que a previsão de 1524 havia se cumprido durante a sua vida, atestando assim o poder dos astros…

Já em 1528, por ocasião da passagem de um cometa, o médico Ambroise Paré registrou que algumas pessoas morreram de medo e outras caíram doentes só de contemplá-lo.
Acreditou-se que o fim do mundo estava próximo e muita gente legou seus bens aos mosteiros. Os padres revelaram mais bom senso e aguardaram a vontade dos céus aceitando de bom grado os bens terrenos.

Diante de tantos disparates, só nos resta rir de todas estas bobagens e lamentar que os homens continuem, obstinadamente, a alimentar a pretensão de adivinhar o futuro. De uma coisa temos certeza: o mundo vai acabar um dia e talvez algum maluco consiga acertar os números da loteria do fim do mundo. Mas que glória existirá nisso?

*Bira Câmara é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).

Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: “Planeta” (1975/83), “Visão” (1976), Folha de S. Paulo (suplemento “Folhetim”/1977); revistas “Saúde” (1986/88), “Vogue” (1987), “Playboy” (1988), “Corpo a Corpo” (1988), “Veja SP” (1996).

Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.

Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum O Paulistano da Glória, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.

Em 2006 editou o “Jornal do Bibliófilo”, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.

Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro “Histórias da Astrologia”, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era (1998, reeditado em 2001) e A Nova Era – Os Deuses estão de Volta? (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).

ECOS DA HISTÓRIA DE TIMOR-LESTE - III




ENTREVISTA A XANANA GUSMÃO

“PÁTRIA NOSSA, TERRA NOSSA”

Beatriz Wagner (*), de Sidnei, Austrália (1999)

José Alexandre Gusmão deverá ser o primeiro presidente de Timor Lorosae. Nascido em Manatuto, Timor Leste, em junho de 1946, ele adotou o nome de guerrilha, Kai Rala Xanana Gusmão, aos 32 anos, quando assumiu o Comando Supremo das Falintil (Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor Leste), após o assassinato do comandante Nicolau Lobato, em 1978. Agora, aos 53 anos, o ex-seminarista e ainda poeta, escritor, jornalista, professor, guerrilheiro, comandante das Falintil e presidente do CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) vai liderar a nação mais jovem e também a mais pobre do planeta.

Preso em 1992, Xanana foi condenado à prisão perpétua pela Indonésia, que ocupou sua terra em 1975, logo após a retirada dos portugueses, e matou 200 mil timorenses – pelo que se pôde contar. Cumpriu sete anos da pena na penitenciária de segurança máxima de Cipinang, em Jacarta. Sob pressão da comunidade internacional, que pedia sua libertação, foi posto em prisão domiciliar numa casa escolhida pelas autoridades indonésias até que, em 7 de setembro – três dias após a explosão máxima da ferocidade pro-integracionista em Timor Leste –, foi finalmente libertado.

O momento oficial da libertação aconteceu dentro da embaixada britânica em Jacarta. Na pratica, nada mudou – só a prisão, que ficou mais confortável. Onze dias depois, Xanana deixou o território indonésio pela primeira vez na vida, direto para Darwin. De lá foi a Washington, Nova York – onde discursou perante a 54ª Assembléia Geral das Nações Unidas –, depois a Lisboa e Londres. De volta à Austrália, esteve em Melbourne, Sidnei e Darwin, outra vez.

Na semana passada [17-23/10], ele regressou a sua terra, numa uma operação secreta, e em seu uniforme militar fez um discurso emocionado em Díli, a capital, para milhares de pessoas em frente ao palácio do governo – uma das raras construções ainda de pé na capital destruída pela violência das milícias pró-integração e das forças indonésias. Uma destruição a que a comunidade internacional assistiu de camarote por alguns dias, até que a mídia também abandonasse a área de alto risco. A portas quase cerradas, o reino do terror deixou pouca pedra sobre pedra.

Em Sidnei, conversei com Xanana Gusmão. Ele falou do novo genocídio em Timor – mais um. E embora em Díli seu primeiro discurso tenha sido em tétum, a língua local, Xanana afirma que Timor Lorosae será o oitavo pais de língua portuguesa no mundo. Ou pelo menos estes são os planos das lideranças. José Ramos-Horta, vice-presidente do CNRT, co-laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 1996, diz que a adoção do português será uma forma de reafirmar as raízes históricas de Timor e também de homenagear todos os povos lusófonos: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Os desafios à frente de Xanana Gusmão são muito grandes. E ao lado também. Na pontinha do maior país muçulmano do mundo, o quarto maior em população e uma bomba-relógio nesta parte do mundo, Timor terá que conviver com sua poderosa vizinha, a Indonésia, mais de 200 milhões de habitantes, dos quais meio milhão pertencem às Forcas Armadas, incluindo a polícia. Timor Leste, no dia da consulta popular da independência, 30 de agosto, deveria ter em torno dos 800 mil habitantes. Quantos terá agora? Ninguém sabe. O tempo dirá.

Qual é a situação dos refugiados em Timor Ocidental?

Xanana Gusmão – Esta é uma enorme preocupação, porque estamos falando aqui de quase um terço da população de Timor. Temos vindo a insistir com a comunidade internacional para uma operação em grande escala, a fim de retirar imediatamente aqueles a quem nós chamamos de reféns. O problema lá é que eles não necessitam muito de comer. O que necessitam é de regressar à casa para ver, procurar seus maridos, seus pais. Como sabe, há mais mulheres e crianças naqueles campos. Esta é que é a necessidade premente deles, e não realmente o comer ou os medicamentos. Tem havido um retorno em aviões, aos poucos. Isso levará anos. Com navios, com dois, três mil de uma vez, talvez em um mês eles regressem. É mais barato de alugar do que aviões e é nisso que temos insistido com a comunidade internacional.

Continuamos a insistir no regresso de todos os reféns, numa operação que possa levar de volta os timorenses vivendo na Indonésia e também no aumento das forças multinacionais para que a segurança possa vir a condicionar o rápido retorno da população deslocada no mato e nas montanhas. Estamos a fazer face a enormes dificuldades não só na questão de assistir à população, como na questão de proceder a uma administração provisória em nível local e regional. As dificuldades são tantas que temos de andar de país a país a pedir a organizações, sindicatos, grupos de solidariedade, como podem concretamente apoiar o CNRT na execução das atividades que são muito, muito urgentes.

Por que reféns?

X. G. – Reféns dentro da percepção de uma estratégia que os generais fizeram. A destruição, a violência, tudo isto estava dentro de uma estratégia em que forçaram aquele número de pessoas a ir para Timor Ocidental para dizer que a Unamet não foi justa, que toda a população que passou para o outro lado eram aqueles que deveriam votar pela autonomia. Uma estratégia muito suja dos generais indonésios. Às vezes podemos pensar "que raios de estratégia foi esta?" Eles não têm estratégias muito claras, as tem é muito escuras. Esta é uma delas. O problema do lado indonésio é que eles subestimaram totalmente a reação internacional. Porque eles fizeram o que queriam por 23 anos, pensaram, de maneira muito simplista, que se levassem 300 mil timorenses para Timor Ocidental poderiam impor uma partilha do território, ou invalidar a votação. Treinaram as milícias só para continuar esta estratégia. Já se ouviu de novo falar em "divisão de Timor". Quer dizer, uma grande, imensa Indonésia ainda conseguiu elaborar a estratégia de dividir Timor, para colocar tantos milhares que querem a integração. São mantidos lá contra a sua vontade. São reféns.

Quantas pessoas morreram em Timor Leste desde a votação?

X. G. – Não será por nós que se terá este resultado. Deixaremos a grupos independentes de investigação a avaliação sobre o novo genocídio em Timor.

O ministro indonésio Haryono Suryono, do Bem-Estar Social, disse há alguns dias que os timorenses em Timor Ocidental estão com muito medo de voltar a Timor Leste por causa dos confrontos na fronteira entre a Interfet e as milicias pró-integração. O senhor acha que a guerra da contra-informação da Indonésia ainda tem chances de ser bem-sucedida?

X. G. – Eu creio que os governantes indonésios são das pessoas que mais sabem mentir e nunca tomaram consciência de que o mundo já está farto de suas mentiras, de sua propaganda. Isto é apenas um meio de salvar a face, um meio de o governo indonésio dizer que não tem nada a ver com a ida forçada deles e um meio de justificar aquela forma de inquérito que fizeram, o de perguntarem se os refugiados, os reféns, querem ou não voltar. Eles tentam, sempre tentaram. E ainda não conseguiram mudar de comportamento.

No momento, na guerra da contra-informação, todas as baterias estão voltadas contra a Interfet. A própria agência de notícias Antara acusa o exército australiano, que lidera as tropas de paz, de estar matando, torturando e queimando pessoas. Quem se convence com isso? O povo indonésio?

X. G. – É mais o povo indonésio, mas também as forcas pró-status quo. Os militares indonésios são a força dominante lá no país, e os políticos, os da componente civil, têm, de uma outra forma, tentar agradá-los. Então têm que fazer declarações que não são do seu agrado mesmo. É tudo um jogo complicado. Todo mundo tem que dizer qualquer coisa para agradar aos militares.

O senhor já ofereceu que as Falintil cooperem intimamente com a Interfet. Isso pode acontecer?

X. G. – O problema é do mandato da ONU à Interfet [Força Multinacional de Paz das Nações Unidas para Timor Leste], que ordena, para nós erradamente, mas aceitamos, o desarmamento de, digamos assim, todos os timorenses. Temos vindo a defender o não-desarmamento das Falintil e o seu reconhecimento como o exército de libertação. Com esta legitimidade, ela não pode ser desarmada da mesma maneira que um grupo de bandidos como as milícias ou um bando de criminosos como os Kopassus [tropa de elite indonésia criada por Suharto para torturar e matar]. O mandato não permite que as Falintil, como era sua intenção desde o início, participem da pacificação, estando na linha de frente de combate. Pensamos que a pátria é nossa, a terra é nossa, e para permitir vítimas baixas deveríamos ser os primeiros a aceitar estas baixas, e não as forças internacionais, embora apreciemos imenso a presença das forças multinacionais.

Mas o mandato já mostrou ser flexível, a partir do momento em que a Interfet aceitou não desarmar as Falintil.

X. G. – É, mas até ao ponto de participarmos ativamente na operação de pacificação já é, eu creio, um bocado complicado.

E não há negociações no momento?

X. G. – Em princípio não há, na medida em que isto vai dar mais motivos à Indonésia em lançar acusações à Interfet.

O senhor veio à Austrália agora pela primeira vez: Darwin, Melbourne e Sidnei. Qual é sua opinião sobre a Austrália?

X. G. – A Austrália teve dois comportamentos. Em nível do governo foi o único país talvez que reconheceu a integração, mas em nível do povo foi de uma extraordinária solidariedade em momentos difíceis, desde o começo da nossa luta. Já que agora estamos num presente muito positivo e o governo também atuou de uma forma completamente diferente das políticas anteriores, a opinião é de que é hora de a Austrália apoiar a reconstrução em todos os aspectos, e é por isso que nós viemos aqui.

O que o senhor espera da comunidade timorense no exílio?

X. G. – O que eu percebi de encontros que tive com a comunidade é que há uma vontade total de voltar a Timor, de oferecer a disponibibilidade em capacidades, a disponibilidade em outras áreas. Eu espero um plano muito mais bem-feito para o regresso dos timorenses – seja para participar ativamente na reconstrução, seja para morrer na sua terra natal.

Há muitas forças decidindo muita coisa para Timor: ONU, Interfet, Portugal, Austrália. O senhor está satisfeito com a participação das lideranças timorenses na tomada de decisões?

X. G. – (em tom de brincadeira) Não é bem toda a gente mexendo. Não se preocupe, nós vamos ao Brasil também pedir ajuda.

(*) Jornalista, diretora do Programa de Língua Portuguesa da Rádio SBS em Sidnei, Austrália, onde mora desde 1993

 - Entrevista extraída de Observatório da Imprensa

EAST TIMOR DISBANDS PRO-INDEPENDENCE ARMED UNIT


East Timor Prime Minister Xanana Gusmao holding the uniform he was wearing when captured by Indonesian soldiers in 1992. The jacket and other items were taken from his possession when he was commanding Falintil, the Armed Forces for the National Liberation of East Timor. The items were returned by Indonesia Defense Minister Purnomo Yusgiantoro, right, during a celebration in Dili. East Timor on Saturday officially disbanded pro-independence armed unit Falintil who had fought against Indonesian occupation of the country for more than two decades. (EPA Photo)

JAKARTA GLOBE

Dili, East Timor. East Timor on Saturday officially disbanded pro-independence armed unit Falintil who had fought against Indonesian occupation of the country for more than two decades.

“Today in a military ceremony and parade, the Timor Leste government has symbolically disbanded armed wing Falintil which for 24 years was ... in the forests to fight for Timor Leste’s independence,” President Jose Ramos-Horta said, using to the country’s formal name.

“They are admirable and brave warriors, have strong faith, and did not think a lot about ... risks. They [survived] from one year to another to sing the dream of independence,” Ramos-Horta said.

The government honored 236 men and women from the armed wing at the ceremony, which was also attended by several officials from Indonesia.

East Timor, a former Portuguese colony, was occupied by Indonesia for 24 years from 1975, a period marked by widespread human rights abuses leading to the deaths of up to 200,000 people.

The tiny nation gained formal independence in 2002 after winning its freedom in a 1999 UN-backed referendum marred by violence.

A reconciliation commission established jointly by East Timor and Indonesia found in 2008 that while gross human rights were committed by Indonesian forces, there should be no more trials and no further arrests.

East Timor has a wealth of energy resources but remains one of the poorest countries in Asia, with most people dependent on foreign aid.

*Agence France-Presse

Cabo Verde: JOVENS PERCORREM CAPITAL EM CAMPANHA CONTRA A ABSTENÇÃO




LUSA

Ganham mil escudos por cada dia que passam nas principais artérias, praças e rotundas da Cidade da Praia empunhando cartazes a apelar ao voto. À noite, se houver comícios, ganham mais 500.
São vários grupos de 12 jovens cada que querem ajudar a combater a abstenção na segunda volta das eleições presidenciais cabo-verdianas de domingo, tendo em conta que, na primeira, quase metade dos eleitores inscritos não votou (46,8 por cento).

"Estamos aqui como incentivo às pessoas para irem votar no dia 21 (domingo), para ver se combatermos um bocadinho a abstenção, que foi muito alta na primeira volta. É isso que estamos a tentar fazer", refere à Agência Lusa o jovem Gerson, 20 anos, estudante universitário.

O combate à abstenção não cabe só aos candidatos e aos políticos. Passa também por estes jovens que a Direção Geral de Apoio Técnico Eleitoral (DGAPE) cabo-verdiana foi contratar às escolas e estabelecimentos superiores, envolvendo-os em iniciativas ligadas à cidadania.

Ao mesmo tempo, relembram aos que circulam de carro nas muitas rotundas e avenidas, bem como nalgumas praças, o direito e o dever cívico de votar.

"Pelo meu país, eu voto!", é o que está escrito nos cartazes que empunham, o mesmo que, em grandes painéis publicitários, se espalham um pouco por toda a capital cabo-verdiana.

"Diz não à abstenção, participa na eleição" do quarto presidente em 36 anos de independência -- Aristides Pereira (1975/1991), António Mascarenhas Monteiro (1991/2001) e Pedro Pires (desde 2001) -, é o "slogan" constante nos cartazes, em que se lembra ainda ao eleitor para não se esquecer de levar um "documento" válido quando for votar.

Se, durante o dia, estão nas rotundas, avenidas e praças, à noite, se há comícios, um dos grupos é "destacado" para os "cobrir".

"Também temos a parte cívica nos comícios. Temos um grupo de 12, que se divide em dois de seis. Um deles fica na parte de baixo do palco e o outro sobe para cima dele, para tentar incentivar as pessoas" ao voto, explica Gerson, no segundo ano de Gestão.

Inscritos para as presidenciais cabo-verdianas de domingo estão 305.038 eleitores, que vão optar entre Jorge Carlos Fonseca, advogado e jurisconsulto fora da política partidária há 13 anos, e Manuel Inocêncio Sousa, várias vezes ministro nos sucessivos governos que José Maria Neves tem liderado desde 2001.

*Foto em Lusa

Detenções nos motins: PRISÕES INGLESAS EM “ESTADO DE ALERTA” CONTRA DISTÚRBIOS





As prisões inglesas estão em "estado de alerta" perante a possibilidade de distúrbios devido ao elevado número de detidos na sequência da onda de violência que afectou várias cidades do país, publica hoje o jornal "The Guardian".

A população reclusa de Inglaterra e País de Gales chegou esta semana ao número recorde de 86.654 pessoas e o Ministério da Justiça já advertiu os directores das prisões para que "vigiem os ânimos e a atmosfera" depois de se ter registado um incidente num centro para menores do condado de Kent, no sul de Inglaterra.

Numa mensagem por correio electrónico do departamento da Justiça é pedido, além disso, aos responsáveis pelos centros penitenciários que "garantam a segurança" daqueles que foram presos pela primeira vez na vida, depois de participarem nos distúrbios.

As autoridades estão especialmente preocupadas com a possibilidade dos presos mais antigos, que podem pertencer a gangues rivais, atacarem os recém-encarcerados que não têm experiência em defender-se, diz o "The Guardian".

Os dados publicados sexta-feira pelas autoridades britânicas mostram que o número total de presos é agora de 86.654, com 723 mais reclusos do que na semana passada, devido ao número de pessoas sentenciadas a penas de prisão pela sua implicação nos distúrbios que afectaram Londres e outras cidades inglesas.

Um porta-voz dos Serviços Prisionais afirmou que actualmente enfrentam uma "situação sem precedentes" e elogiou a "dedicação" do seu pessoal pelo trabalho "duro em momentos difíceis".

A mesma fonte precisou que a população prisional não supera de momento a capacidade operacional utilizável, já que o número de presos que as prisões de Inglaterra e País de Gales podem receber é de 88.093.

O aumento de mais de cem presos por dia durante a semana passada deve-se às 1.300 pessoas que compareceram em tribunal acusadas formalmente de crimes durante os distúrbios.

Normalmente, a população reclusa diminui ou permanece estável durante o mês de Agosto, já que durante esse mês é normal haver menos casos judiciais.

A semana passada, o Ministério da Justiça do Reino Unido falou de um aumento de 440 pessoas na população reclusa desde o início dos confrontos e garantiu que o Executivo tinha planos de contingência preparados.

Entre esses planos estava incluída a colocação de uma cama extra nas celas para duas pessoas.

As duras penas de prisão impostas a alguns dos condenados nos distúrbios, por comentários na rede social Facebook ou por roubar umas calças, têm causado polémica no Reino Unido.

Entres elas figuram os quatro anos de prisão a que foram condenados dois jovens por enviarem mensagens no Facebook em que incentivavam a provocar distúrbios ou os cinco meses sentenciados a uma mulher que aceitou umas calças roubadas, e que já foram alvo de criticas por parte de políticos e activistas de direitos civis.

FATOS EM FOCO




Hamilton Octavio de Souza, de SãoPaulo – Correio do Brasil

Perspectivas

Oito entre dez economistas sérios acreditam agora que os Estados Unidos devem entrar em recessão no prazo de um ano. Uma boa pista disso saiu no estudo da agência Bloomberg, na última semana, segundo o qual os 50 maiores bancos do mundo – inclusive os estadunidenses – planejam demitir 110 mil trabalhadores até o final deste ano. Aqui no Brasil o discurso dominante é de que o País será pouco afetado pela crise do capitalismo.

Lucro máximo

Com crise ou sem crise, os bancos privados que operam no Brasil continuam a obter lucros muito acima de quaisquer outras atividades econômicas. O atual modelo favorece acintosamente o capital financeiro. No primeiro semestre deste ano, até o Banco do Brasil, que é estatal e deveria servir de referência para uma sociedade mais equilibrada, teve aumento de lucro de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. Novo recorde!

Assalto legal

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) tem denunciado, há anos, os abusivos preços da energia elétrica no Brasil, que está entre os mais caros do mundo. Agora a poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resolveu botar a boca no trombone e lançar a campanha “Energia a preço justo”. Quem sabe o governo e a Aneel decidem defender a sociedade contra o assalto praticado pelas concessionárias de energia!

Incomodados

Os poderosos, no Brasil, duradouros ou eventuais, reproduzem sempre a mesma postura diante da ação policial: quando as polícias militares torturam e matam os pobres, aos montes pelo país afora, não esboçam a menor reação; mas quando a polícia federal algema algum meliante dos quadros da estrutura dominante, reclamam do abuso e ameaçam com a apuração da responsabilidade. O tratamento discriminador é muito acintoso!

Luta Federal

Acontece dia 24 de agosto, em Brasília, o ato unificado dos servidores federais em defesa de reajustes de salários e contra projetos de lei – em tramitação no Congresso Nacional – que retiram direitos e conquistas das diversas categorias profissionais. A pauta de reivindicações de sindicatos e federações foi entregue ao Ministério do Planejamento, em abril, mas até agora o governo não deu nenhuma resposta. O ato vai agitar a Esplanada dos Ministérios!

Desmatamento

De acordo com o Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da ONG Repórter Brasil, “o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, esclareceu que doze das treze frentes de desmatamento fiscalizadas pelo órgão no Mato Grosso, no primeiro semestre de 2011, seriam destinadas à produção de grãos, e apenas uma à pecuária”. Ou seja, os reis da soja continuam desmatando a todo vapor!

Impunidade

No dia 12 de agosto completou 28 anos o brutal assassinato de Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, praticado por um pistoleiro a mando dos usineiros da região. Dos cinco acusados pelo crime, dois foram julgados e absolvidos, um já faleceu, e dois continuam foragidos até hoje. Ninguém foi punido. Afinal, o que mudou no Brasil?

Exemplo chileno

Iniciadas e lideradas pelos estudantes, as manifestações de protesto no Chile questionam principalmente o processo de privatização da Educação, que seguiu a cartilha neoliberal e é muito parecido com o que aconteceu no Brasil. Lá, os estudantes do ensino médio ocuparam 700 colégios no país, sendo 200 em Santiago. A reivindicação número um: investimento na Educação e ensino público e gratuito para todos. As marchas continuam!

Repressão Inglesa

O escritor Tariq Ali, em artigo veiculado pelo site esquerda.net, afirma que o governo inglês quer que os juízes punam severamente os jovens que participaram dos protestos em Londres e outras cidades britânicas, recentemente. Mas, diz ele, “nunca questionaram seriamente o fato de não haver acusações às mais de mil mortes de cidadão sob a custódia policial, desde 1990”. Os pobres da Inglaterra também perderam a paciência!

Relações com África ainda são "vulneráveis e não autossutentáveis" - historiador brasileiro




FO - LUSA

Rio de Janeiro, 21 ago (Lusa) -- As relações entre Brasil e África ainda são "vulneráveis e não autossutentáveis", disse à Lusa o historiador Jerry Dávila, que analisa o esforço brasileiro ainda "germinal" de aproximação com o continente desde o período da descolonização.

As iniciativas de aproximação do Brasil ao continente africano no governo Lula (2003-2010) não são inéditas na história brasileira, destacou Dávila, e remontam à política do governo Geisel, na década de 1970 durante a ditadura militar.

O especialista nas relações Brasil-África da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dedica-se aos estudos brasileiros há quase 10 anos e foi ao Brasil lançar o livro "Hotel Trópico: Brasil e o desafio da descolonização na África" (Ed. Paz e Terra).

"A grande pergunta hoje é se essas relações estão orientadas de forma autossustentável. Mais cedo ou mais tarde, o enfoque do Governo pode não ser mais os países africanos. Será que o intercâmbio comercial, a troca de tecnologia, a colaboração mútua vão continuar sem o impulso do governo?"

Para Dávila, os diplomatas brasileiros, na década de 1970, apostavam nas relações com novos países africanos imaginando que a África independente seria "uma nova fronteira" e que o Brasil se expressaria como uma potência mundial.

A iniciativa de aproximação do governo Lula da Silva, "no seu conteúdo e na sua retórica", são semelhantes às iniciativas do governo Geisel, referiu o historiador.

Segundo o Dávila, o Brasil via a África no período da descolonização como um retorno ao passado brasileiro, "o verdadeiro Brasil no litoral ocidental africano, gerando uma sensação de unidade cultural entre as duas margens do Atlântico".

O reconhecimento da independência de Angola, em 1975, foi para o Brasil a última oportunidade para estabelecer um novo passo da política externa brasileira que, "na altura se baseava numa posição romântica de vínculo cultural".

A guerra civil logo após a independência de Angola, porém, "fechou a possibilidade imediata" de intercâmbio comercial, argumentou.

A "renascença" veio com Lula da Silva, após um período de vácuo nas relações entre Brasil e África nos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, com uma redução do investimento na política externa nos países africanos.

Um dos objetivos fundamentais da política externa brasileira é conseguir uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, destacou Dávila, e "a melhor estratégia" é construir coligações procurando o apoio nas relações sul-sul. "Foi nessa área que o governo Lula realmente se destacou", argumentou.

Contudo, a China é uma grande concorrente: "A presença chinesa já é maior que a brasileira. Esse é um dos fatores que estão em jogo e a concorrência é brutal por parte de empresas chinesas nas licitações para construir edifícios, projetos de engenharia básica e de mineração", analisa.

Para o historiador, a onda dos chineses nos países africanos pode expulsar a presença brasileira, mas, por outro lado, há certas áreas como petróleo, agricultura e saúde, em que o Brasil está bem estabelecido.

"Há espaços de oportunidade que aos poucos estão a ser desenvolvidos e que o Brasil concorreria muito bem com os chineses", disse.

Dávila define hoje o cenário do Brasil referente aos países africanos como "um momento germinal e vulnerável".

O principal desafio, para o historiador, é que essa relação se torne autossustentável e que não dependa apenas da iniciativa do Itamaraty, sede da diplomacia brasileira.

"A diplomacia impulsiona, dá auxílio às empresas e ao intercâmbio educacional. Mas se o Itamaraty se ausenta será que a coisa fica em pé?", questiona.