domingo, 8 de Janeiro de 2012

NOTÍCIAS DE TIMOR-LESTE? APRENDAM TÉTUM QUE A AGÊNCIA LUSA PAGA OS CURSOS!



Ana Loro Metan

O CNRT de Xanana Gusmão realizou este fim de semana a Conferência Nacional no Centro de Convenções de Díli, nela também participou Francisco Guterres Lu Olo na qualidade de presidente da FRETILIN e não como potencial candidato presidencial a ser apoiado pelo CNRT. Que fiquem desfeitas as dúvidas para quem as tivesse. Por enquanto não é conhecido qual é o candidato que o CNRT vai apoiar nas presidenciais que se realizam dentro de poucos meses.

O texto que juntamos mais em baixo é de uma peça jornalística do CJITL, que em parceria com o SAPO TL possibilita aos que dominam a língua de Timor Leste inteirarem-se minimamente da atualidade sobre o país. Outras publicações quotidianas timorenses existem com vasta informação… em tétum. Em português, como que por favor, poderá ler uma ou outra notícia em Sapo TL em seleção que não é seleção nenhuma porque há dias em que nem uma única notícia é traduzida do tétum para português. Segundo consta porque a tradutora esteve ou ainda está com dengue. Imagine a importância que estes senhores donos da informação dão à mesma - para só terem uma pessoa a traduzir… Quer saber o que se passa em Timor-Leste e não sabe tétum? Vá aprender em curso rápido porque em português raramente terá oportunidade de ler umas letrinhas numas linhinhas. Umas prosazinhas de vez em quando para decorar e nada mais. Não há outra alternativa, aprenda tétum, visto que a Lusa se desgostou de reportar em português o que se passa em Timor-Leste já faz tempo, veio reduzindo a informação, reduzindo, reduzindo, e… parece que sumiu de vez.

Sobre os cursos de tétum deixo aqui uma sugestão: mande a fatura do curso à Agência Lusa porque se é verdade que todos temos direito à informação os que não dominam o tétum (língua rara) também têm, e até julgámos que a Lusa estava em Timor-Leste também por isso, mas não, parece que está no país para gastar dinheiro e pouco mais.

Fique com a notícia em tétum, vá praticando. O tétum até nem é difícil e inclui muito de português. Aliás, sem português era diferente ou... quase nada! Quanto à fatura já sabe… Siga o meu conselho sem complexos de ser parasita porque isso são eles e até já nem sabem viver de outro modo.

Lu-olo Mosu Iha Loron Primeiru Konferensia Nasional CNRT Nian

CJITL – Sapo TL - Sabadu, 7 husi Janeiru 2012

Partidu Conselhu Nasional Rekonstrusaun de Timor – CNRT iha loron primeiru konferensia nasional n'eebe hala'o iha Centru Convensaun Dili – CCD hetan mos partisipasaun husi Prezidente Fretilin, Francisco Guterres Lu – Olo.

Konferencia partidu ne'ebe hala'o durante loron rua hodi deside partidu nia kandidatura ba Prezidente Republika periodu 2012 – 2017 ne'e hetan partisipasaun makas husi membru CNRT husi distritu sanulu resin tolu – 13.

Lu-olo ne'ebe disponivel hodi fo mos nia partisipasaun iha konferencia CNRT nian ne'e simu diretmente husi Prezidente CNRT, Xanana Gusmao.

Prezidente Fretilin ne'e rasik iha loron 15 Dezembru liu ba liu husi Radio Maubere ou Radio Fretilin nian deklara nia kandidatura atu kompete ba pozisaun Prezidente Republika.

CNRT rasik liu husi konferensia nasional loron rua ne'e sei deside se mak sei hetan konfiansa partidu atu nomeia ba kandidatu PR nian ne'e. (Cesaltina da Costa/CJITL)

Relacionado: Timor-Leste: HAJAM DEUSES, PARA VERGONHA DA AGÊNCIA LUSA! Tema que já vem sendo abordado há algum tempo – ver o geral de TIMOR-LESTE.

OBAMA PROCURA SE DISTANCIAR DE UM ATAQUE ISRAELENSE AO IRÃ




Gareth Porter, Washington - Opera Mundi, opinião

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parece manter a esperança de não ficar preso em uma guerra contra o Irã iniciada por Israel, apesar das pressões do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. No ano passado saíram à luz novas evidências de que Netanyahu fala sério sobre desferir um golpe militar contra o programa nuclear iraniano. Para isso explora a forte influência que seu direitista partido Likud exerce nos Estados Unidos sobre o opositor Partido Republicano e, por extensão, sobre o Congresso desse país.

O ex-chefe do Mossad (serviço secreto israelense), Meir Dagan, revelou, no dia 2 de junho de 2011, em sua primeira aparição pública após renunciar a esse cargo em setembro de 2010, que ele, o então comandante-chefe das forças armadas, Gabi Ashkenazi, e o na época chefe dos serviços de segurança (Shin Bet), Yuval Diskin, puderam “bloquear toda aventura perigosa” por parte de Netanyahu e do ministro da Defesa, Ehud Barak.

O jornal israelense Maariv informou que essas três figuras, mais o presidente, Shimon Peres, e o comandante Gadi Eisenkrot, vetaram em 2010 uma proposta de Netanyahu para atacar o Irã. Dagan disse tornar públicas essas revelações “por medo de ninguém parar Bibi (apelido de Netanyahu) e Barak”. Também afirmou que um ataque israelense contra o Irã poderia desatar uma guerra que “colocaria em perigo a existência do Estado” de Israel, destacando que sua revelação não era parte de uma guerra psicológica.

Em geral, há consenso quanto a um ataque israelense poder atrasar apenas temporariamente o programa nuclear iraniano, implicando um risco importante para o Estado judeu. Mas Netanyahu e Barak esperam envolver os Estados Unidos na guerra, a fim de criar uma destruição muito maior e, talvez, derrubar o regime islâmico. O secretário da defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, tentou sem sucesso, em outubro, conseguir um compromisso de Netanyahu e Barak quanto a Israel não lançar um ataque contra o Irã sem primeiro consultar Washington, segundo fontes norte-americanas e israelenses citadas pelo The Telegraph e pelo jornalista especializado em assuntos de inteligência, Richard Sale.

Em uma reunião com Obama poucas semanas depois, o novo chefe do Estado Maior conjunto, general Martin Dempsey, e o novo chefe do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), general James N. Mattis, se mostraram desiludidos porque o presidente não fora suficientemente firme em sua oposição a um ataque israelense, segundo Sale. Obama respondeu não ter influência sobre Israel, porque este “é um país soberano”. Seu comentário pareceu indicar um desejo de distanciar seu governo de um ataque israelense contra o Irã, mas também deixou claro que não diria a Netanyahu que não toleraria tal ação.

O governo Obama considera que as sanções contra o Irã, que nos últimos tempos buscam reduzir as importações mundiais de petróleo desse país, são uma alternativa a um ataque israelense. Contudo, o que Netanyahu tinha em mente ao propor a iniciativa era muito mais radical do que Washington ou a União Europeia (UE) poderiam aceitar. Quando Mark Dubowitz, diretor-executivo da Fundação para a Defesa das Democracias, estreitamente alinhada com o partido Likud de Netanyahu, incentivou a ideia das sanções contra toda instituição financeira que fizesse negócios com o Banco Central do Irã, o objetivo foi tornar impossível os países importarem petróleo do Irã.

Funcionários norte-americanos disseram, no dia 8 de novembro, à agência Reuters que as sanções contra o Banco Central iraniano não estavam sobre a mesa. Washington alertou que tais sanções implicavam o risco de uma grave alta dos preços do petróleo em todo o mundo e um agravamento da recessão mundial, além de, na realidade, aumentar os ganhos do Irã com seu petróleo. Porém, Netanyahu usou o poder do Aipac (American Israel Public Affairs Committee) sobre o Congresso norte-americano em relação a Israel para destacar a oposição a Obama.

O Senado aprovou por unanimidade uma emenda que representava a posição de Netanyahu sobre as sanções centradas no setor petroleiro e no Banco Central do Irã. E isto, apesar de carta do secretário do Tesouro, Tim Geithner, na qual se manifestava contra. Uma emenda semelhante foi aprovada dia 15 de dezembro na Câmara de Representantes. O governo Obama sentou-se para negociar com seus aliados europeus, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos sobre a redução das importações de petróleo iraniano, tentando preencher os vazios com outras fontes. Mas vários países, entre eles Japão e Coreia, se desculpam, e a UE insiste em proteger a Grécia e outras economias vulneráveis.

É provável que o resultado seja um regime de sanções que reduza as exportações iranianas apenas marginalmente, em lugar de impor as drásticas reclamadas por Netanyahu e Barack. Toda alta de preço do petróleo gerada por sanções contra o setor petroleiro iraniano somente prejudicarão as possibilidades de reeleição de Obama. Em uma entrevista concedida em novembro à rede de televisão por cabo norte-americana CNN, Barack alertou a comunidade internacional de que Israel poderia ter de tomar uma decisão sobre a guerra no prazo de apenas seis meses, porque os esforços do Irã de “dispersar e fortificar” suas instalações logo tornariam ineficiente um ataque contra as centrais.

Netanyahu, que não esconde sua desconfiança com relação a Obama, pode esperar pressioná-lo ao máximo para que apoie militarmente Israel em uma guerra com o Irã, atacando durante uma campanha na qual o candidato republicano o acuse de ser suave em relação à ameaça nuclear iraniana. Por outro lado, se o candidato republicano estiver em uma posição forte para vencer as eleições, Netanyahu vai querer esperar a instauração de um novo governo alinhado com sua postura beligerante em relação ao Irã.

Por outro lado, o fato de Washington se retirar do Iraque também implicou o fim do controle da força aérea norte-americana sobre o espaço aéreo iraquiano, que por muito tempo foi considerado uma importante dissuasão de um eventual ataque israelense contra o Irã.

* Artigo publicado originalmente no IPS e reproduzido pelo Envolverde

* Gareth Porter é historiador e jornalista investigativo especializado em segurança nacional dos Estados Unidos. Seu último livro Perils of Dominance: Imbalance of Power and the Road to War in Veitnam (Perigos do Domínio: Desequilíbrio de Poder e o Caminho para a Guerra do Vietnã) foi editado em 2006.

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CUBA SUPERA OBSTÁCULOS E SEGUE ADIANTE EM SEUS 53 ANOS DE REVOLUÇÃO




Correio do Brasil, com Prensalatina - de Havana

Ao comemorar 53 anos da Revolução, com o ingresso triunfal do exército guerrilheiro comandado por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Raúl Castro, hoje presidente de Cuba, e Camilo Cienfuegos, em Havana, em 8 de janeiro de 1959, data comemorada neste domingo, o país encontra-se imerso na atualização de seu modelo econômico. O processo foi desenhado para garantir a continuidade e o fortalecimento do sistema socialista adotado pela ilha.

No Ano Novo de Janeiro daquele mesmo ano, a luta armada que tivera início quatro anos antes deslocou a velha filosofia que promovia a qualidade de vida de um reduzido grupo com o poder econômico e político e mudou o status das grandes massas despossuídas. O sistema capitalista se viu confrontado com a real possibilidade do comunismo triunfar no continente americano.

Essas transformações se conformam num palco hostil, considerando que sete em cada 10 cubanos nasceram sob os efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra a ilha, medida unilateral que tem limitado profundamente o desenvolvimento do país. No entanto, o governo estabelecido propôs-se superar a pobreza herdada durante mais de 400 anos de colonialismo, apesar da hostilidade dos vizinhos norte-americanos.

Uma das primeiras medidas de benefício social foi a Lei da Reforma Agrária, que proscreveu o latifúndio com a nacionalização das propriedades de mais de 402 hectares e entregou a terra a dezenas de milhares de camponeses. A ação acentuou a hostilidade de Washington, pois companhias norte-americanas possuíam importantes propriedades e interesses tanto no campo como em outros setores do país caribenho.

Seguiram-lhe outras de corte progressista, entre elas uma campanha que em pouco mais de um ano converteu Cuba no primeiro território livre de analfabetismo da América Latina. Cifras oficiais indicam que em 1959 só existiam 25 mil titulados, faltavam escolas para mais de meio milhão de crianças, 10 mil professores estavam sem trabalho; era quase inexistente o ensino médio e cerca de 30 por cento dos cubanos não sabiam ler nem escrever. Em contraposição, com o início do curso escolar 2011-2012, no dia 5 de setembro, abriram suas portas mais de 60 universidades da ilha, com uma matrícula de cerca de 500 mil alunos, segundo publicou o site Cubadebate.

Na atualidade, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconhece que 99,8% dos cubanos maiores de 15 anos sabem ler e escrever. O direito ao trabalho, à saúde, à cultura e ao esporte também se converteram em premissas da sociedade cubana; pela primeira vez, um governo preocupou-se em eliminar os obstáculos herdados da pseudo-república tais como a drogadicção, o crime organizado, a prostituição e o abuso infantil. A este respeito, a Assembléia Nacional do Poder Popular aprovou no final do ano que para 2012, mais de 17 bilhões de pesos serão destinados a educação, saúde, cultura e outras esferas sociais, montante que supera a metade das despesas previstas na atividade orçada da ilha.

Cifras oficiais indicam, ademais, que a taxa de mortalidade infantil no país se encontra abaixo de cinco para cada mil nascidos vivos e a esperança de vida é de 78 anos. As políticas empreendidas desde o próprio ano de 1959 fazem possível que Cuba mostre hoje logros face aos objetivos das Nações Unidas para 2015.

– Em Cuba, as metas previstas na Declaração do Milênio têm sido cumpridas praticamente em sua totalidade e em alguns casos superadas com sobras – afirmou o chanceler Bruno Rodríguez no ano passado ante a plenária de Alto Nível da ONU.

Rodríguez assinalou também que o compromisso do país caribenho ultrapassa suas fronteiras, ao contribuir com o desenvolvimento social de outras nações do Terceiro Mundo. Na ordem interna, Cuba, atualmente com 11,2 milhões de habitantes, também conseguiu sucessos culturais e esportivos que a situam ao nível dos países desenvolvidos. Obteve o segundo lugar nos Jogos Pan-americanos Guadalajara-2011, com 58 medalhas de ouro, e defende o acesso pleno à cultura e ao esporte no meio de importantes desafios econômicos, políticos e sociais.

Anos de crises econômicas nos 90, dificuldades de liquidez e dívida com provedores internacionais, obrigaram Havana a ajustar seus planos econômicos e a potencializar a eficiência empresarial. Estas iniciativas vieram acompanhadas de medidas, tais como a entrega em usufruto de terras e a ampliação do trabalho por conta própria, que já emprega quase 360 mil pessoas. Enquanto em 2010 o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,9% em relação ao anterior, para o fechamento deste se vislumbra um aumento de 2,7%. De qualquer forma melhor, mas ainda abaixo do valor projetado de 3%. O descumprimento do plano de construção e montagem para investimentos foi apontado pelas autoridades como a causa do não cumprimento integral da meta privista.

No final de ano os cubanos receberam a boa nova de que o turismo, a locomotora da economia, marcou recorde de visitantes ao superar os 2.531.745 visitantes do período anterior. Para 2012, o país prevê um incremento de seu PIB de 3,4%, projeção aprovada pelo Parlamento. Assim mesmo, a luta contra a corrupção e a ineficiência converteu-se em eixo essencial do governo do presidente Raúl Castro. Hoje, quando muitos países sofrem as conseqüências da crise financeira internacional e continua a hostilidade contra a ilha, Cuba está disposta a fazer o esforço para seguir adiante e conservar os benefícios de mais de meio século de socialismo.

PORTUGUESES SORRIEM CADA VEZ MENOS




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Ao contrário dos seus donos, os escravos portugueses estão – segundo um estudo da Universidade Fernando Pessoa – a sorrir cada vez menos.

O estudo, dito científico, realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção da (UFP), após análise a 15.243 fotografias publicadas nos principais jornais do reino lusitano, demonstra também que os portugueses estão "a sorrir cada vez menos desde 2003", ano em que o estudo teve início.

Os resultados apontam que as mulheres, independentemente da idade, continuaram a sorrir mais do que os homens no ano passado, apesar do registo descendente acentuado em relação a 2010.

Segundo a análise, os homens apresentaram um sorriso mais fechado a partir dos 60 anos, enquanto as crianças são as que continuam a apresentar mais e frequentemente um sorriso largo, padrão que se mantém desde 2003.

Os resultados apontam também para uma diminuição "significativa" na exibição de qualquer tipo de sorriso e o aumento da expressão neutra em mulheres e homens.

No universo das fotografias analisadas verificou-se igualmente que a expressão facial de emoções negativas é mais frequente e intensa do que a de emoções positivas, padrão que se "acentuou expressivamente" no ano passado.

Ao longo dos primeiros oito anos de estudo, ficou comprovado que um dos moderadores da frequência e intensidade da exibição do sorriso é o contexto social, o que se verificou no caso português, pois a situação económico-social potenciou a inibição da expressão, sendo que o género e a idade são os outros dois moderadores, consideram os autores.

Segundo o Laboratório de Expressão Facial da Emoção, o sorriso é uma reacção que se desenvolve em situações que envolvam o bem-estar e a felicidade e quando tal não se verifica, por motivos externos, o sorriso é "inibido e recalcado".

O estudo, que termina em 2013, faz parte de um projecto pioneiro a nível mundial e pretende analisar durante uma década o sorriso dos portugueses através dos jornais diários… mesmo quando as fotos são de arquivo.

Consta que o próximo estudo científico, que visava a análise das barrigas vazias dos portugueses, vai ser reestruturado porque pelo andamento do país os cidadãos tendem a deixar de ter barriga.

Também a hipótese de um trabalho sobre como é possível viver, em Portugal, sem comer foi anulado. Os primeiros voluntários que estavam quase, quase a saber viver sem comer… morreram.

Legenda: Os figurões da foto (de arquivo) não são, obviamente, portugueses…

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: JORNALISTA BOM É JORNALISTA MORTO - E ainda: MARI ALKATIRI DESMASCARA RAMOS HORTA

Portugal: DONOS DA EDP ESCOLHEM NOMES LIGADOS AO GOVERNO



Dinheiro Vivo

Catroga, Celeste Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são dos novos membros do Conselho de Supervisão

Os acionistas de referência da EDP (Estado, BCP, BES, José de Mello Energia, Cajastur e Three Gorges) já escolheram os nomes que vão comandar a empresa nos próximos três anos e os dos 11 novos membros propostos para o Conselho de Supervisão, os seis que são portugueses têm ligações ao Governo.

Eduardo Catroga, que era vogal e agora assume a presidência, foi ministro das Finanças no terceiro Governo de Cavaco Silva e um dos nomes apontado para a mesma pasta no Governo de Passos Coelho.

A ele juntam-se os cinco independentes, membros que não representam nenhum acionista e que acumulam outros cargos fora da EDP. É o caso do próprio Catroga, presidente da SAPEC e administrador do banco Finantia.

Celeste Cardona foi ministra da Justiça do Governo de coligação de Durão Barroso; Braga de Macedo foi ministro das Finanças do segundo Governo de Cavaco Silva; Paulo Teixeira Pinto foi secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros nos dois governos de Cavaco e Vasco Rocha Vieira, o último governador de Macau, foi ministro da República nos Açores no I Governo de Cavaco Silva.

Só a ligação de Ilídio Pinho é menos definida, até porque não ocupou cargos em nenhum Governo PSD. Amigo de Mário Soares, o empresário do Norte apoiou a ascensão de Santana Lopes quando substituiu Durão Barroso, em 2004, como primeiro-ministro.

Além disso, é membro da administração da Fomentinvest, empresa de Ângelo Correia, ex-ministro da Administração Interna do Governo de Pinto Balsemão e onde Passos Coelho foi gestor. Contudo, segundo fontes do mercado, Ilídio Pinho terá sido escolhido pela ligação que tem a Macau e aos mercados asiáticos.

Para António de Almeida, que se prepara para abandonar o cargo de presidente da EDP após seis anos no cargo, a situação não é nova. “Nos dois mandatos em que estive na empresa, todos os independentes foram nomeados pelo Estado. Não nos conseguimos desligar do poder político”, disse ao DN/Dinheiro Vivo, à margem da assinatura do contrato da EDP e do Estado com a Three Gorges, que venceu a privatização da EDP.

Chineses já mexem na EDP

O Conselho de Supervisão e a administração da EDP terminaram o mandato no final de 2011, mas com a entrada dos novos acionistas chineses antecipou-se a eleição dos novos membros de Abril para 20 de Fevereiro, data para a qual foi marcada a Assembleia Geral extraordinária.
Uma das razões da antecipação era exactamente para que a Three Gorges pudesse ter já assento na empresa, como aliás foi exigido na proposta de compra dos 21,35% da EDP, mas apenas no Conselho de Supervisão, onde estão agora quatro chineses (ver infografia).

No conselho executivo não há chineses. António Mexia fica e Ana Maria Fernandes, CEO da Renováveis, sai da administração e vai para o Brasil. Uma opção que terá surgido como forma de tranquilizar os brasileiros, mostrando que a sua CEO não tem assento numa empresa detida por chineses, dizem fontes do mercado, ressalvando que é apenas uma leitura possível para a decisão.

Seguro: "Nomeações mostram apropriação pelas clientelas do Governo", na EDP




O líder do PS, António José Seguro declarou-se hoje "muito surpreendido" com os nomes adiantados para o Conselho de Supervisão da EDP considerando que são uma "demonstração" da "apropriação por parte das clientelas dos partidos do Governo " de cargos públicos, avança à Lusa.

"Considero que isto é mais uma demonstração daquilo que é a apropriação por parte das clientelas dos partidos do governo em relação a áreas importantes da nossa economia, onde o Estado ainda tem participação mas também do próprio aparelho do Estado", afirmou o líder socialista.

Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são alguns dos nomes propostos à Assembleia Geral de Accionistas para integrar o Conselho de Supervisão da EDP, e todos eles têm ligações ao Governo PSD/PP, tal como foi avançado hoje pelo Dinheiro Vivo e pelo Diário de Notícias.

Para Seguro, que falava à margem de uma visita ao presépio vivo de Priscos, em Braga, as nomeações propostas para a EDP demonstram "mais uma promessa" de Pedro Passos Coelho que "não está a ser cumprida", referindo-se à promessa feita durante a campanha eleitoral de "por um travão" a este tipo de nomeações.

O líder do PS afirmou ter ficado "muito surpreendido" com as escolhas para ocupar o conselho de Supervisão da EDP e disse que é "evidente" a "identificação" dos nomes vindos a público com os "dois partidos do Governo".

Para o secretário-geral do PS "houve um processo de privatização da EDP que aparentemente está associado a um processo de contrapartidas que passa pela governamentalização e partidarização deste conselho da EDP" e isto é "é um mau sinal".

O secretário-geral socialista afirmou ainda que "é necessário pôr um travão" neste tipo de "situação" e "sobretudo olhar para o sinal que se dá aos portugueses com indicações e nomeações desta natureza".

Greve nos portos arranca à meia-noite, agentes de navegação falam em prejuízo de milhões



Público – Lusa

Os trabalhadores de vários portos portugueses iniciam à meia-noite uma greve de cinco dias, que causará prejuízos de “dezenas de milhões de euros”, segundo os agentes de navegação.

O pré-aviso de greve foi apresentado pela Confederação dos Sindicatos Marítimos e Portuários (Fesmarpor) e abrange os trabalhadores dos portos de Viana do Castelo, de Aveiro, da Figueira da Foz, de Lisboa, de Setúbal, de Sines e do Caniçal (Madeira).

A greve terá início à meia-noite de dia 9 e terminará às 8h de sábado, dia 14 de Janeiro.

O vice-presidente da Fesmarpor, Vítor Dias, disse à Lusa que prevê uma adesão total em todos os portos, à excepção de Sines, onde há apenas um sindicato que integra a confederação que convocou a greve.

O director-executivo da Associação dos Agentes de Navegação, Belmar da Costa, por seu turno, afirmou recentemente que a greve deverá ter como consequência um prejuízo “na ordem das dezenas de milhões de euros”, afirmando ser “complicado” indicar um valor específico.

O responsável afirmou, na altura, que a paralisação dos trabalhadores portuários “impossibilitará as exportações ou vai acrescentar-lhes tempos de trânsito e custos”.

Segundo Belmar da Costa, também as importações serão afectadas: “Não vão fazer o caminho tradicional e isso terá reflexo nos custos dos produtos”.

Na sequência da greve, salientou ainda, os agentes “deverão estabelecer novas rotas e cadeias logísticas, de modo a evitar os portos portugueses”.

A Fesmarpor decidiu avançar para a greve para reivindicar a suspensão ou a retirada do processo de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário (ETP) do porto de Aveiro, explicou à Lusa Vítor Dias.

A Fesmarpor representa 600 dos 800 trabalhadores portuários portugueses.

EMIGRAÇÃO E OS DIREITOS BLÁ-BLÁ




Fernando Santos – Jornal de Notícias, opinião

Portugal está a retomar o caminho da emigração - movimento de algum modo estancado perto dos anos 80, muito por via da injecção de expectativas altas aliadas às vantagens, até financeiras, decorrentes da adesão à então Comunidade Económica Europeia. Há, porém, diferenças entre o antes e o agora.

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, primeiro com Salazar e depois com Marcelo Caetano, a recusa de participar na guerra colonial e/ou a pobreza quase generalizada foram responsáveis pela partida de milhares e milhares de portugueses para os quatro cantos do Mundo em busca de uma vida melhor. Ficaram então famosos os chamados "bidonvilles" dos arredores de Paris, constituídos por uma comunidade de pouca escolaridade mas muitíssimo trabalhadora; capaz de se adaptar e nunca renegar as origens. Os laços familiares e a casinha na aldeia contribuíram para a diáspora conquistar o respeito de todos.

Houve, depois, o tal hiato - mesmo a reversão para país de acolhimento. A modernização por via da Europa e dos fundos comunitários permitiu alguns saltos qualitativos no chamado Portugal de Abril, a começar pelo Ensino para todos. Simplesmente, o foco do dinheiro fácil associado à especulação financeira e à falta de uma estratégia nacional deu no que deu: desmantelamento do sistema produtivo, endividamento do Estado, das empresas e das famílias.

O erro sai caro. Impõe políticas restritivas. E o redimensionamento da Economia traz associado o paradoxo: a sociedade do Portugal do século XXI está mais bem preparada, é mais culta, mas esbarra no desemprego galopante. Os últimos números divulgados pelo Eurostat são eloquentes: Portugal passou a ter, em Novembro, a quarta maior taxa de desemprego da Europa - 13,2%, correspondente a 731 mil pessoas. Tão ou mais grave: 30,7% dos jovens abaixo dos 25 anos de idade estão sem perspectivas de arranjar trabalho. Se se tiver presente o número de cidadãos já riscados das contas dos centros de emprego, é fácil concluir estar o país a atravessar dificuldades enormes.

Aqui chegados, qual a saída?

No último ano, mais de 100 mil portugueses fizeram as malas e partiram em busca de um melhor futuro - primeira linha para o regresso a África e ao Brasil. Uma parte da guerra das convicções políticas dos anos 60 e 70 foi substituída por outra: a da sobrevivência num patamar de dignidade.

Na actual conjuntura, só por mera fantasia é possível ao país acomodar bem todos os seus cidadãos. É um direito legítimo. Mas, infelizmente, um direito blá-blá, igualzinho a tantos outros consagrados na Constituição - habitação, educação, saúde. Pois.

A frieza dos números - os da crise e os da dificuldade de retoma de uma rota de progresso - aconselha a adopção da "real politik". Isto é: lamentar a "exportação" de portugueses nos quais o país investiu, mas para quem não tem nada de bom a oferecer no tempo próximo. Eram escusadas algumas afirmações de certos governantes, como Passos Coelho ou Miguel Relvas - reincidente, ontem -, mas tiveram a virtude de pôr a nu a hipocrisia dos que, paralisados na hipótese de encontrar saídas conjunturais, bramam contra tudo o que mexe.

Hoje por hoje já é bom o país respeitar os novos emigrantes, na expectativa de, no futuro, não renegarem as suas origens.


AGÊNCIA LUSA ESTÁ A LESTE DE TIMOR-LESTE?



Redação

Ainda sobre a inexistência de notícias sobre Timor-Leste veiculadas pela Agência Lusa, apesar de ter em Díli uma delegação em instalações de partilha com a RTP, trazemos à primeira página do Página Global alguns comentários no título Timor-Leste: HAJAM DEUSES, PARA VERGONHA DA AGÊNCIA LUSA! deste blogue.

Caricato é uma espécie de anúncio de jornalista que se oferece para substituir a RTP e a Agência Lusa com equipa por si dirigida, alegando garantias de cobertura dos acontecimentos do país e respetiva divulgação, em português, por dois terços do valor do orçamento anual da RTP e da Lusa. Ou seja: o desafio comporta poupança para a RTP e para a Lusa com a vantagem de disponibilizar cobertura vasta dos acontecimentos em todo o país por menores custos. Atualmente e desde sempre a cobertura de um e outro órgão de informação naquele país resumiu-se a Díli e pouco mais. Hilariante, porque expõe ao ridiculo a ineficiencia da Lusa e da RTP naquele país. Seja notado que efetivamente o profissional de comunicação em causa se identificou a Página Global “para o caso de haver interessados na sua proposta”, diz.

Lisa, uma leitora habitual, comenta a gravidade da falta de informação sobre Timor-Leste em português por via de responsabilidades da RTP e da Lusa. Salienta a Conferência do partido de Xanana Gusmão, CNRT, que está a ocorer este fim de semana e de onde sairá a decisão sobre o candidato presidencial apoiado por aquele partido político. Refere ainda que Lu Olo, previsto candidato da Fretilin, está entre os convidados à Conferência.

Realmente é grave que nada disto saibamos. Como se a Lusa e a RTP não existissem em Timor-Leste (julgamos que na RTP este facto não foi notícia). Perguntamos agora se o significado de Lu Olo ter sido convidado significa que o CNRT vai apoiar Lu Olo nas eleições presidenciais a ocorrerem daqui por uns meses? Isso seria uma volta de 180 graus da política do CNRT, mas com Xanana Gusmão isso acontece nas mais variadas ocasiões. De qualquer modo tudo isto se desconhece em noticiário português. Estamos completamente a zeros. A incompetência cabe à Lusa, aos seus responsáveis, certamente. Acrescente-se que ao tentarmos saber sobre a presença ou não de jornalista da Lusa em Díli hoje e nos últimos tempos recolhemos informações contraditórias. Para uns “o homem está lá em Díli”, para outros já vai para três semanas ou mais que não está em Timor-Leste”. Numa terceira versão informam que “estão de férias em Bali ou em Portugal para regressarem antes das eleições e fazerem a devida cobertura”. Por nós, Página Global, queremos acreditar que o que for soará mais cedo que tarde e que o que não podemos aceitar é a ausência de noticias em português por dois órgãos de comunicação social que têm obrigações para com o mundo da lusofonia, sendo, para nós, muito maior a responsabilidade da Agência Lusa que a da RTP. A competência da Lusa noutros países arrasta ainda mais para a lama a sua monstruosa falha em Timor-Leste.

O leitor Manuel Almeida também deixou comentário neste título. Ele quis “lembrar que por vezes se "crucificam" quem não tem culpas no cartório.” E é verdade. Consideramos estar atentos a esse facto. Não queremos ser injustos. Até porque a Lusa já teve por Timor-Leste muito bons jornalistas. É evidente que a situação já se arrasta há tempo demais com esta ausência de notícias, sendo evidente que as chefias, os dirigentes, já têm mais que 80 por cento das responsabilidades sobre o que está a acontecer. Só perguntamos aos jornalistas se através do sindicato, por exemplo, não poderiam ser esclarecidas as razões da inexistência de trabalhos jornalísticos da atualidade sobre Timor-Leste. Uma vez que a Lusa nada informa sobre o que está a acontecer que o façam os profissionais através do seu órgão profissional e legal. Simples. O que não pode, não deve, acontecer é fazer de todos os portugueses e cidadãos da lusofonia uns basbaques a quem não se tem de dar explicações. Pela nossa parte não aceitamos tal procedimento.

O coletivo do Página Global é unânime em repudiar o que está a acontecer sobre a ausência de notícias, em português, relativas a Timor-Leste, por isso manterá vivas críticas à direção e chefias da Lusa, assim como aos jornalistas, que supostamente estão no país, até que sejam apresentadas explicações para este “apagão” da atualidade timorense.

Convidamos os leitores interessados a lerem os comentários no referido título, ontem publicado: Timor-Leste: HAJAM DEUSES, PARA VERGONHA DA AGÊNCIA LUSA!  Tema que já vem sendo abordado há algum tempo – ver o geral de TIMOR-LESTE.

Timor-Leste: A GUERRA DE MANUFAHI (1911-1912)


Dom Boaventura
Ximenes Belo – Tempo Semanal

Neste mês de Dezembro de 2011, completam-se os cem anos do início do conflito de Manufahi. O começo da guerra de Manfahi teve a sua origem na morte do comandante de Same tenente Luiz Álvares da Silva e de europeus (três militares e um civil) dentro da tranqueira de Same e do comandante e Faturberliu.
                 
Como é que tudo começou?

Em Dezembro de 1911, era comandante militar de Same o tenente Luiz Álvares da Silva; e era régulo (Liurai) de Manufai Dom Boaventura da Costa.

Conta-se que havia vários dias que Dom Boaventura não aparecia no Comando apesar de várias vezes ter sido convocado pelo tenente Silva. Dias antes, o comandante até mandara à casa do liurai (na localidade de Bandeira,) um soldado português, velho no Comando, amigo pessoal e compadre de Dom Boaventura. Esse soldado foi retido e depois assassinado.
        
Na manhã do dia 24 de Dezembro de 1911, véspera de Natal, o tenente Luís estava na sua residência e acabava de tomar banho. Apareceram no comando uns homens mandados por Dom Boaventura da Costa. Um ia amarrado e outros seguiam-no. Davam a entender que iam apresentar uma queixa ao comandante. O Tenente ao ver aquilo saiu para ouvir a queixa do que ia amarrado. Mas, de repente caíram golpes de catanadas sobre o comandante. Este tentou reagir correndo para dentro em busca da uma arma. Mas, tudo foi inútil. Os homens perseguem-no e cortam-lhe cabeça. A esposa do tente Silva estava dentro da casa com o filho ainda bebe. Os homens arrastam-na para fora e colocam no regaço a cabeça do marido. No interior da residência os timorenses reúnem os móveis sobre os quais colocam o cadáver do tenente Luís Silva. Entretanto mais três portugueses são mortos: dois soldados e um civil.

O irmão do régulo telefona ao Comandante de Fatuberliu Ferreira: “Diz o senhor comandante que, sendo amanhã Natal, o convida vir a Same, passar as festas como seu hóspede”. O comandante parte para Same no dia 25, mas foi morto perto da ribeira Sui.

Entretanto, Dom Boaventrua manda um guarda-fio acompanhar a mulher do malogrado tenente para Maubisse.

A notícia do assalto ao Comando de Same e a morte dos seis portugueses espalha-se pelas aldeias de Same. E de Maubisse, os ecos dos trágicos acontecimentos chegam a Dili.

Em resposta aos actos de rebelião, o governador Filomeno da Câmara mobilizou soldados, moradores e auxiliares que atacaram os redutos dos “revoltosos” desde Janeiro de 1912 até Outubro do mesmo ano. O resultado dessa campanha foi a prisão de Dom Boaventura e a sua consequente destituição no dia 26 de Outubro de 1912.
Os motivos remotos desta acção:

a) - Motivos nacionalistas: expulsar os portugueses de Timor. “Timor era para os Timorenses”. Rebeliões de 1895. Desde os tempos de Dom Duarte, pai de Dom Boaventura que os povos de Manufahi estavam rebelados contra os Portugueses. A forçada pacificação foi levada a cabo pelo governador José Celestino da Silva.

Desde tempos recuados que alguns reinos não aceitavam o domínio dos “malae muitin.” Basta recordar o pacto de 1719, cujo actor principal era o régulo de Camanasa, e a consequente guerra de Cailaco (1725-1726).

b) - Motivos políticos: A 5 de Outubro de 1910, deu-se a implantação do regime republicano em Lisboa. Os régulos timorenses que sempre juraram fidelidade ao rei de Portugal, não aceitaram a mudança do regime e a troca de bandeira. A bandeira real (azul e branca) pela nova bandeira (verde-rubra). Alguns liurais temiam que com o nome regime eles fossem destituídos e perdessem as regalias.

Diz-se que quando em Outubro 1910, os régulos foram a Díli para assistir à cerimónia da implantação da República, já havia um pacto para uma possível revolta. E que esses régulos eram incitados por timorenses assimilados ou civilizados, entre os quais se contava um mestiço chamado Domingos de Sena Barreto que era filho de um goês e de uma chinesa; e incitados por europeus ligados à loja maçónica de Díli e que estavam descontentes com o Governador.

Da parte das autoridades portugueses, forjou-se outro motivo: a implicação dos holandeses que eram monárquicos e que queriam também expulsar os portugueses de Timor, para poderem dominar toda a ilha.

c) - Motivos económicos: As rebeliões que ocorreram em Timor, nos reinos das Províncias do Bellos e de Servião, tiveram a sua origem principal na cobrança de impostos.

Parecia que em 1911 o governo ia aumentar os impostos. A capitação deveria passar de uma pataca para duas patacas. O corte de uma árvore de sândalo seria taxado de duas patacas. Os coqueiros e os gados seriam recenseados. Seria estabelecido um imposto de 5 patacas aplicado sobre os animais abatidos por ocasião das cerimónias (enterros, construção de uma lulic e realização de estilos).

Foram estes os principais motivos de descontentamento por parte dos régulos que depois se uniram em guerra contra as autoridades.

Para o governo português e para muitos timorenses, o Natal de 1911 foi um Natal triste!

Porto, 22 de Dezembro de 2011.

Dom Carlos Filipe Ximenes Belo

*Acompanhe as outras partes da continuação em TEMPO SEMANAL

RAMOS HORTA: AUTORITÁRIO E DITADOR, O DESONESTO DO(S) COBERTOR(ES)




MARI ALKATIRI DESMASCARA RAMOS HORTA

Orlando Castro* – Folha 8 online – 24 de Abril de 2007

O ex-primeiro-ministro timorense e secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, acusou hoje José Ramos Horta de ser um "ditador" e de "não ter capacidade" para gerir os problemas do país. Creio que Alkatiri tem toda a razão. Horta é um político de hotel de cinco estrelas e não de um país onde o povo não tem comida.

Em declarações à agência Lusa, Mari Alkatiri afirmou que Ramos Horta - seu antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e sucessor no cargo de chefe do Governo após a crise de 2006 - tem "comportamentos autoritários de ditador" e de "usar e abusar do poder de primeiro-ministro para fazer campanha".

Embora seja, na minha opinião, verdade é um mal geral de todos os países (mais ou menos) democráticos. Quando dá jeito Horta é o candidato, quando não dá é o primeiro-ministro. E em campanha as funções misturam-se consoante a conveniência.

"Pouco tempo depois de assumir o cargo de primeiro-ministro, Ramos Horta efectuou uma visita oficial ao Kuwait e recebeu ajuda humanitária em cobertores e outros bens que guardou e começou a distribuir agora em tempo de campanha eleitoral", disse Mari Alkatiri.

É uma acusação grave mas tão velha quanto a própria democracia. Em anos de eleições os impostos baixam sempre.

Alkatiri acrescentou também que Ramos Horta "não conseguiu resolver problemas que pensava serem fáceis como os deslocados, os peticionários e o caso de Alfredo Reinado e agora não é capaz de assumir a sua falta de capacidade e atribui a culpa à Fretilin quando ele é que é o chefe do Governo".

Mais umas tantas verdades. Então no caso Reinado, Ramos-Horta (e também Xanana Gusmão) deveria ter vergonha. Mas a vergonha é algo que os políticos não conhecem.

Mari Alkatiri diz também "não entender" a razão dos órgãos do Estado assumirem que Alfredo Reinado tem de ser capturado e de José Ramos Horta "afirmar que as operações deviam ser suspensas". "Isto demonstra a atitude de um ditador que pensa que pode suspender uma operação deste género", afirmou.

Pois. O problema é que, segundo a estratégia australiana, Reinado é um aliado de Horta e companhia para todo o serviço. Por isso não deve ser detido. Aliás, a forma como escapou (?) ao cerco dos militares australianos, em Same, tem muito que se lhe diga.

Falta, contudo, saber se de facto não vamos ter Ramos-Horta na presidência e Xanana Gusmão a liderar o Governo, como querem os australianos. Se assim for, por muita razão que Alkatiri tenha (e tem) tudo vai continuar na mesma ou, talvez, de mal para pior a caminho de Camberra.

Por: Orlando Castro *altohama@clix.pt - 24.04.2007 - http://altohama.blogspot.com

O EXEMPLO DE WILLIAM TONET – HERÓI DO JORNALISMO ANGOLANO




Sommer Quissala – Folha 8 online, em 30 de Abril de 2007

Perguntei hoje à minha sombra (velha companheira dos dias sem pão e dos pães sem dias) se concordava em que eu escrevesse algo a dizer que o Jornalista angolano William Tonet é um herói do verdadeiro Jornalismo em Angola. A resposta foi lapidar: “Sem dúvida” (mal fora se ela dissesse o contrário). E se estamos de acordo, é mesmo sobre isso que vou escrever.

Uma rápida consulta ao dicionário permite-me dizer que herói é "um homem extraordinário pelas suas qualidade guerreiras, triunfos, valor ou magnanimidade".

Enquadra-se, digo eu. O Tonet (que, vejam só, não conheço pessoalmente) há muito que mostrou ter qualidades guerreiras. Se assim não fosse não teria sobrevivido à “selva” onde exerce a sua profissão. Triunfos? Sim, teve muitos, destacando-se desde logo o facto manter um jornal independente e uma coluna vertebral erecta.

Magnanimidade? Também. Mas esta é uma explicação que, no meu caso pessoal, reservo para mais tarde. Isto significa boas novidades (espero) muito em breve.

Herói também é “o protagonista ou personagem principal de uma obra literária”. Não é, por enquanto, o caso. Sê-lo-á certamente um dias destes. Hoje é apenas o protagonista deste meu humilde texto.

Acredita, meu caro Tonet, que essa tua tenaz luta para dar voz aos que a não têm é um acto de heroicidade, por muito que isso custe a alguns supostos heróis... de pés de barro.

Como também és daqueles que nunca serão dorrotados porque nunca deixarás de lutar, mereces este reconhecimento (se bem que pouco útil te seja!).

Continuemos, por isso, a fomentar a criação de pulgas...

Ministério da Comunicação Social queixa-se de abusos à liberdade de imprensa do 'Folha 8'



Angola Press - ontem

Luanda - O Ministério da Comunicação Social apela ao Conselho Nacional da Comunicação que se debruce sobre o facto de o bissemanário “Folha 8” ter publicado imagens do Presidente da República, do vice-presidente da República e do Chefe da Casa Militar da Presidência da República numa situação de detidos por “roubo qualificado de valores”, pondo em causa à imagem e à reputação do Estado, indica uma nota chegada hoje, sábado, à Angop.

Segundo o documento, o “Folha 8”, na sua edição nº 1075, de 30 de Dezembro de 2011, na página 33, publicou imagens em que acusa o Presidente da República, o vice-presidente e o Chefe da Casa Militar de terem cometido crime de roubo, numa imagem degradante atentatória ao bom nome, reputação e à imagem, tal como dispõe o artigo 32º da Constituição da República.

“E este atentado ao bom nome, à reputação e à imagem não se confina ao estatuto de meros cidadãos dos visados, mais do que isso pretende atingir o seu estatuto, enquanto dignatário do Estado”, lê-se na nota.

Segundo ainda a reclamação do Ministério da Comunicação Social, “o “Folha 8” põe em causa à imagem e à reputação da Instituição do Estado “Presidente da República”. A imagem pretende manifestamente manchar e descredibilizar o Presidente da República e dois dos seus mais directos auxiliares perante os cidadãos, um facto que não pode dissociar-se do momento alto que Angola irá viver em 2012, com as eleições gerais”.

Este comportamento do “Folha 8” configura, entre outros crimes, o de abuso da liberdade de imprensa, previsto na alínea b do nº 2 de artigo 74 da Lei de Imprensa e viola os limites à liberdade de imprensa, estatuídos no nº 3 do artigo 40 da Constituição, bem como às normas de ética e deontologia profissionais.

Nesta conformidade, o Ministério da Comunicação Social solicita ao Conselho Nacional da Comunicação Social que se debruce sobre a matéria e se pronuncie à respeito nos termos da legislação aplicável em vigor em Angola.

A nota lembra que no âmbito dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos consagrados na Constituição da República, no seu capítulo II, aos cidadãos assiste o “direito à integridade pessoal” (artigo 31º), o “direito à identidades, à privacidade e à intimidade” (artigo 32º) e bem assim, entre outros, o”direito à liberdade de expressão e de informação” (artigo 40º) e o “direito à liberdade de imprensa (artigo 44º).

Acrescenta que o Estado tem assegurado a existência do pluralismo de expressão, a diferença de propriedade e a diversidade editorial dos meios de comunicação social, tal como em qualquer país que tenha abraçado à democracia.

JORNALISTA BOM É JORNALISTA MORTO




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O Bureau Político do MPLA considerou existirem em Angola (por enquanto não fala dos portugueses) órgãos de Comunicação Social de primeira e de segunda.

De primeira, como se compreende, são aqueles que cumprem “com zelo e dedicação o seu papel, primando pela objectividade, ética e deontologia profissional, que deve ser apanágio da comunicação social, tendo em conta a sua importância primordial na sociedade”. Tradução: os que são a favor do regime, sendo ou não do Estado.

Segundo a Angop, que cita um comunicado do Bureau Político do MPLA, este órgão “enaltece o esforço de órgãos, quer públicos quer privados, que, com elevado espírito patriótico e alto sentido de responsabilidade, fazem, no dia-a-dia, um jornalismo com base na verdade, contribuindo para a democratização do país, o desenvolvimento e a reconciliação da família angolana”.

Creio, aliás, que é chegada a altura de – por exemplo – o general Egídio Sousa Santos que, como Chefe do Estado Maior General Adjunto, juntar ao pelouro da Educação Patriótica das Forças Armadas Angolanas, o da Educação Patriótica dos jornalistas.

Na mesma linha de Fernando Lima, consultor político do Presidente da República de Portugal, e seu ex-assessor de imprensa, para quem "uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar", o MPLA quer pôr em ordem, na ordem e sob as suas ordens todos aqueles que não se deixam domesticar.

Assim, o Bureau Político do MPLA manifesta a sua “indignação e total repulsa em relação à postura do semanário Folha 8 que, reiteradas vezes, expõe, de forma abusiva, a imagem de altos dirigentes do Estado, dando-lhes um tratamento que extravasa os limites do tolerável, procurando a reacção dos visados, de modo a colocar-se cobardemente numa posição de vítima”.

Certamente baseado nos conceitos democráticos, de pluralismo e de liberdade de Kim Jong-il (ou será dos Khmer Vermelhos de Pol Pot?), o MPLA considera “que o facto de tentar fazer futurologia com ilustração de imagens reais não configura, apenas, uma violação ao direito ao bom nome dos visados, enquanto cidadãos e enquanto dirigentes do país, mas de crime passível de responsabilização, nos termos da lei”.
 
O Bureau Político do MPLA deplora o facto de o semanário Folha 8, “na sua vã tentativa de protagonismo doentio, esquecer, deliberadamente, que o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa tem como limite o respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, direitos estes de igual forma protegidos constitucionalmente”.

Ou seja, o Folha 8 entende que a liberdade dos outros termina onde começa a sua e que a sua termina onde começa a dos outros. Mas isso está errado. Segundo o MPLA, o Folha 8 só tem liberdade para dizer o que o regime quer que diga. Quando o fizer – na óptica dos donos do país - passará a ser exemplo de bom jornalismo.

O Bureau Político do MPLA reitera (embora com a mão na pistola) o seu comprometimento com a liberdade de imprensa, um principio pelo qual um Estado democrático assegura a liberdade de expressão aos seus cidadãos, quer individualmente quer associados, através dos órgãos de Comunicação Social, ao mesmo tempo que condena a falta de ética e deontologia profissional, bem como o exercício irresponsável do Jornalismo que, em nada, dignifica a classe.

E é assim. Uns querem os jornalistas domesticados à moda europeia, outros à moda africana. Se o conseguirem o resultado final será sempre o mesmo: jornalista bom é jornalista morto.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: VALE TUDO PARA O MPLA ESMAGAR A OPOSIÇÃO