terça-feira, 8 de maio de 2012

BOICOTE A NOTÍCIAS SOBRE CAVACO SILVA NA VISITA A TIMOR-LESTE E "ARREDORES"



Redação PG

Como o Página Global tem referido em diversas ocasiões muito mais notícias do quotidiano timorense acontecem e são noticiadas, devidamente atualizadas, em tétum, nas publicações diárias timorenses online.

Em português não existe nenhuma publicação dessas e a informação que a Lusa, o Sapo TL e a RTP fornecem ao mundo lusófono é bastante limitada, muitas vezes de cariz oficial ou semi-oficial – o que convém ao regime de Gusmão ou outro do mesmo cariz que detenha o poder. A língua portuguesa, a par do tétum, é a língua oficial daquele país.

Na comemoração dos 10 anos de independência a nódoa sobre a informação para o mundo lusófono mantém-se, junto com a falta de vergonha dos poderes que preferem limitar o conhecimento que é fornecido à lusofonia sobre Timor-Leste. Consideramos que as responsabilidades pela situação cabem a várias entidades.

Por essa razão, em ação de protesto, nesta fase específica das comemorações dos 10 anos de independência de Timor-Leste, o Página Global não publicará conteúdos relacionados com a visita do PR de Portugal, Cavaco Silva, a Timor-Leste, para as cerimónias da independência. Assim como o que seja relacionado com Cavaco Silva e a sua presença naquela parte do mundo. Gostaríamos de ser secundados neste protesto mas compreendemos os motivos por que ninguém mais o faça. Somos diferentes e completamente desalinhados dos atropelos constantes à informação em língua portuguesa da realidade timorense.

COMBATE AO NARCOTRÁFICO TERÁ IMPULSIONADO GOLPE NA GUINÉ-BISSAU




O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, afirmou ontem, em Nova Iorque, que «as intenções expressas» pelo governo legítimo da Guiné-Bissau de organizar um combate consequente ao narcotráfico terá sido um impulso determinante para a perpetração do golpe de estado militar naquele país.

Chikoti intervinha na sessão especial do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação na Guiné-Bissau, na qualidade de Presidente do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo apelado à mobilização da comunidade internacional, em particular do Conselho de Segurança, para apoiar a luta contra o tráfico de drogas, de armas e outros males naquele pais lusófono.

Ressaltou que a CPLP continua «profundamente» preocupada com o evoluir da situação na Guiné-Bissau, reafirmando a condenação ao golpe de estado e a apelando ao rápido restabelecimento da legalidade constitucional. Frisou que as únicas autoridades guineenses reconhecidas pela comunidade lusófona são as que resultam da legitimidade constitucional e democrática.

O ministro saudou a libertação dos dirigentes aprisionados após o golpe de Estado, isto é, o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, mas instou a libertação dos demais detidos na sequência do golpe de Estado Militar, ao regresso ao pleno exercício da actividade política e à garantia dos direitos fundamentais de todos os detidos, consagrados constitucionalmente.

Apelou ao Conselho de Segurança no sentido de envidar todos os esforços conducentes à restauração imediata da ordem constitucional, à reposição do Governo legítimo da Guiné-Bissau e à conclusão do processo eleitoral, bem como a adopção de sanções contra militares e civis implicados no golpe de Estado, tendo, a propósito, manifestado apoio às sanções recentemente decretadas pela União Europeia e as previstas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

A CPLP reiterou, igualmente, o seu apoio ao pedido formulado pelo Governo legítimo da Guiné-Bissau para a constituição e desdobramento de uma força de estabilização abrangente, sob mandato do Conselho de Segurança, integrada por efectivos de Países membros da CEDEAO, da CPLP e da União Africana.

Segundo o ministro angolano, a CPLP está pronta a dar uma contribuição efectiva a tal iniciativa, considerando ser a opção que melhor poderá compatibilizar os esforços que estão a ser desenvolvidos para a regularização da crise, a que oferece melhores garantias de êxito pelo seu carácter abrangente, acolhendo uma solução multilateral, e por ser aquela que melhor acolhimento terá junto das forças políticas e sociais e do Povo da Guiné-Bissau.

«Após a tentativa protagonizada com a Missão de Assistência Técnico-militar de Angola (MISSANG), que consagrava uma solução bilateral para a indispensável reforma do sector de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, e não tendo sido possível concretizar o memorando de entendimento tripartido entre o Governo guineense, a CEDEAO e a CPLP, como estava consagrado no Roteiro para a Reforma, cremos ser chegado o momento para uma abordagem eminentemente multilateral no apoio à estabilização da Guiné-Bissau, sob os auspícios deste Conselho de Segurança» - defendeu.

A CPLP alertou, na ocasião, o Conselho de Segurança e a comunidade internacional para a emergência de uma situação humanitária na Guiné-Bissau, nomeadamente com deslocados, refugiados e o risco de epidemias, o que requer de todos os parceiros daquele país a tomada de medidas apropriadas.

Por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e para as Comunidades, Djaló Pires, exprimiu a preocupação do Governo guineense com a decisão tomada na mini-cimeira da CEDEAO em Dakar, no dia três de Maio, por, segundo ele, se mostrar pouco eficaz na resolução da atual crise político-militar, podendo agravar e adiar a resolução dos graves problemas do país, além de legitimar o golpe de Estado.

ISABEL DOS SANTOS DUPLICA POSIÇÃO NO BPI E JÁ DETÉM 19,3 POR CENTO



Público

A empresária angolana comprou 9,4% do BPI ao La Caixa, ficando com metade do capital que a instituição pública espanhola adquiriu aos brasileiros do Itaú. Assim, fica com 19,3% do banco liderado por Fernando Ulrich.

O La Caixa já comunicou ao regulador espanhol, através do CaixaBank, que o preço acordado foi de 46,7 milhões de euros. Segundo a Lusa, ao montante acresce “os juros relacionados com este valor a uma taxa de juro de 2,5% entre hoje e a data de execução da operação”. O negócio foi feito a 50 cêntimos por acção, o mesmo valor que o La Caixa pagou pela posição do Itaú, tal como tinha avançado esta tarde o site do Jornal de Negócios.

Conforme noticiou o PÚBLICO no dia 23 de Abril, Isabel dos Santos, que é também uma accionista de referência, via Unitel, do banco que o BPI detém em Angola, o BFA, já manifestara junto do Itaú no final do ano passado a vontade de adquirir, na totalidade ou parcialmente, a posição de 18,87% detida pelos brasileiros no BPI.

Isabel dos Santos é também dona de 25% do BIC, que comprou o BPN. Neste quadro, Isabel dos Santos não estava sozinha a defender o negócio com o Itaú, pois Américo Amorim preferia também este investimento à aquisição do BPN. Em entrevista ao PÚBLICO, Fernando Teles, presidente do BIC, admitiu que a compra do BPN gerou controvérsia entre os accionistas e lembrou, sem se referir a nenhuma operação em concreto, que tendo “uma accionista (Isabel dos Santos) que já tem 10%, se comprássemos mais 20%, ficávamos com 30% e éramos capazes de ter alguma influência” no BPI.

Quando foi conhecido o reforço do La Caixa, a 20 de Abril, ficando os espanhóis com 48,97% do banco português, no BPI a ideia que prevaleceu foi a de que teria sido melhor que o Itaú não tivesse saído da instituição, mantendo os equilíbrios nas relações de força internas e na estrutura de capital.

Agora, o que se verifica é um novo reequilíbrio de poderes, com o La Caixa a descer a sua posição para 39,5% e Isabel dos Santos a subir para perto de 20%. No lugar de terceiro maior accionista fica a alemã Allianz, que detém 10% do banco liderado por Fernando Ulrich.

O último reforço de Isabel dos Santos (filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e que é também accionista da Zon, e, de forma indirecta, da Galp Energia), no BPI tinha ocorrido em Dezembro de 2010, via Santoro, altura em que subiu a sua posição para 9,99%. Para passar a barreira dos 10%, é preciso a devida autorização do Banco de Portugal.

Redução de feriados é “regresso ao feudalismo” para “reduzir rendimentos...



... dos trabalhadores”

Público

O secretário-geral da CGTP considerou que a redução dos feriados representa “um regresso ao feudalismo”, que visa apenas “reduzir os rendimentos dos trabalhadores” e não vai trazer “desenvolvimento da economia, nem a competitividade das empresas”.

A República Portuguesa e a Santa Sé chegaram a acordo sobre a redução do número de feriados religiosos.

A partir de 2013, ficam suspensos durante cinco anos os feriados do Corpo de Deus, que se celebra a uma quinta-feira, 60 dias depois da Páscoa, e cuja solenidade é transferida para o domingo seguinte, e o Dia de Todos os Santos, celebrado a 1 de Novembro.

“A nossa posição é contrária ao que acabou de ser anunciado, porque esta é mais uma peça de um ‘puzzle’ mais extenso. Nós estamos a falar da suspensão de quatro feriados [dois religiosos e dois civis] e temos de acrescentar mais três dias de férias que o Governo quer tirar aos trabalhadores”, afirmou o líder da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses aos jornalistas na Assembleia da República.

Segundo o dirigente sindical, esta medida vai “colocar os trabalhadores a trabalhar sete dias gratuitamente por ano, regressando ao tempo do feudalismo, em que os servos na altura eram obrigados a trabalhar gratuitamente para os seus senhores”.

“Tudo aquilo que é negativo para os trabalhadores está a andar com uma velocidade acelerada como nunca tivemos oportunidade de ver em situações anteriores”, advertiu.

Arménio Carlos apelou aos trabalhadores para que “contestem esta revisão da legislação laboral” e sublinhou que estes “vão ver reduzidos os seus rendimentos, porque trabalhar num feriado tem uma compensação que deixará de ter”.

“O que vamos ter é dinheiro que não entra no bolso dos trabalhadores e vai entrar noutro bolso”, referiu, reforçando que o país “não se vai desenvolver por esta via”.

O líder da CGTP concluiu com a afirmação de que “esta é uma medida que não tem nada a ver com o desenvolvimento da economia, nem com a competitividade das empresas, pelo contrário, é uma medida que vai aprofundar as desigualdades entre os trabalhadores e as entidades patronais”.

Portugal: Agentes que passaram informações a Silva Carvalho continuam nas secretas



Mariana Oliveira, Maria José Oliveira - Público

Acusação de Ministério Público

O ex-director do SIED, acusado de seis crimes pelo Ministério Público, manteve, quando já estava na Ongoing, "canais activos" com dirigentes daquele serviço. E tentou regressar às secretas como responsável máximo.
Agentes que passaram informações para o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, quando este já estava na Ongoing, continuam a trabalhar nos serviços secretos.

A teia de influência de Silva Carvalho permitiu, segundo a acusação do Ministério Público (MP), que este mantivesse, mesmo durante a realização dos inquéritos internos ordenados pelo primeiro-ministro e das acções do Conselho de Fiscalização dos serviços, em finais do ano passado, “canais activos com dirigentes internos daquele serviço [SIED], com vista a acompanhar e controlar o desenvolvimento dos procedimentos referidos”.

No despacho de acusação, a que o PÚBLICO teve acesso, a procuradora Teresa Almeida refere que os funcionários do SIED foram permeáveis às “pretensões” do ex-responsável: “Esta proximidade permanente com os serviços, num quadro de ausência de linha evidente de demarcação, gerava, nos dirigentes e técnicos de si próximos que neles trabalhavam, permeabilidade às pretensões e pedidos do arguido.”

Quanto à base de dados que os investigadores encontraram em dois telemóveis de Silva Carvalho, contendo informações do foro privado de figuras públicas, nomeadamente da política, o MP determinou a eliminação destes ficheiros.

Esta foi a solução encontrada para debelar as dúvidas sobre se a conduta do ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) poderia ou não ser enquadrada no crime de devassa por meio de informática.

Para a procuradora Teresa Almeida, que coordenou a investigação, este caso revela que a fronteira entre a utilização pessoal e profissional é ténue. Porém, as dúvidas quanto à ilicitude não foram suficientes para se proceder a uma acusação.

- Leia mais na edição impressa do PÚBLICO de quarta-feira

QUEM DEFENDA OS QUE TÊM FOME É INCENDIÁRIO




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O vice-presidente da bancada do PSD, António Rodrigues, considerou hoje que a proposta de ruptura do acordo com a 'troika', defendida pelo fundador do PS, Mário Soares, é "um exagero" e só serve para "incendiar a estabilidade" do país.

Ainda bem que a reacção do PSD não ficou a cargo de um outro vice, o experiente e catedrático (por parte do pai) Luís Menezes, que certamente denominaria a posição de Mário Soares como "chafurdice política".

"Os mercados precisam de calma, precisam de estabilidade, não precisam de quem agora apareça, por nenhuma razão justificável, a sustentar que se renuncie ao memorando com a 'troika'", disse à Lusa António Rodrigues.

Para o vice-presidente do PSD, a posição apontada por Mário Soares é "imprudente" e "manifestamente um exagero" e só vai servir para "incendiar ao nível político aquilo que é a instabilidade que existe em termos económicos".

O antigo presidente da República Mário Soares defendeu, recorde-se, em entrevista ao jornal i, que o caminho certo para o PS e para o socialismo europeu é cortar com o programa da 'troika' constituída pelo Banco Central Europeu, o FMI e a Comissão Europeia.

"Acho que é esse o caminho. A austeridade, tal como a definem, não tem sentido", afirma Mário Soares, considerando que a obrigação já foi assumida há um ano, mas que "chegou ao fim".

A proposta do antigo presidente não é, no entender de António Rodrigues, séria e constitui um excesso relativamente aquilo que se passa no país.

"Não há, em termos políticos, instabilidade que possa conduzir a uma afirmação dessas", concluiu o deputado social-democrata.

De facto, apesar de ter chovido no reino nos últimos dias, essa de querer incendiar o país não tem piada. Aliás, só teria cabimento se fosse ordenada pela troika. Aí sim!

Seja como for, a pobreza, essa coisa que escapa ao entendimento dos super-especialistas do governo português, continua a aumentar. Mas a solução é simples, segundo os chefe do António Rodrigues: vivam sem comer, morram sem ficar doentes.

O número de novos pedidos de ajuda que chegam às Instituições Particulares de Solidariedade Social, Misericórdias ou Cáritas continua a aumentar e a pobreza deixou de ser só entre os mais idosos: afecta também mais novos e empregados.

É claro que, como diz o PSD, a culpa é sempre dos outros. Crê-se até que a culpa – segunda a troika – é mesmo de D. Afonso Henriques.

Como diz o presidente da Câmara de Gaia, conselheiro de Estado, ex-presidente do PSD e putativo candidato à Câmara do Porto, o seu partido deve deixar-se de "pruridos" e lembrar aos portugueses que o esforço pedido é a "factura a pagar" pela "incompetência dos governos socialistas".

Houve tempo em que Luís Menezes (o pai) dizia que a culpa era dos “sulistas e elitistas”.Agora parece que o odioso é todo dos socialistas, mesmo que sejam nortistas e popularuchos.

Certo é que a culpa nunca é, nunca foi nem nunca será da malta do PSD. Só falta dizer que Portugal se revê (e penso que Luís Menezes – filho – já pensou nisso) em Deus no céu e em Passos Coelho na terra. É, aliás, muito mais fácil não assumir as responsabilidades, catapultando toda a culpa para uma qualquer pesada herança, socialista, salazarista ou comunista.

Mas voltemos ao mundo daqueles, que não é o mesmo dos Menezes ou de Passos Coelho, que olham para os pratos vazios.

Os responsáveis da Cáritas, Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS) e União das Misericórdias concordam que não é possível quantificar os novos pedidos de ajuda que continuam a chegar, mas têm a certeza que são cada vez mais.

"O que sabemos é que continuam a aumentar os novos pedidos e há Cáritas que já estão com impossibilidade de atender em tempo útil a todos os casos que vão sendo registados", garantia – note-se – em Setembro do ano passado o presidente da instituição pertencente à Conferência Episcopal para a dinamização da acção social da igreja, Eugénio Fonseca.

Já o presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos, garantia na mesma altura que os números quadruplicaram nos últimos dois anos: "À União das Misericórdias chegam por dia quatro a cinco pedidos de pessoas empregadas: ou estão com salários em atraso ou há um membro da família desempregado e não conseguem fazer face às despesas do agregado familiar".

"A razão de fundo é o desemprego, mas estão a aparecer pessoas que já estiveram nos atendimentos da Cáritas, passaram a beneficiar de algum subsídio do Estado, nomeadamente Rendimento Social de Inserção [RSI], e agora face aos cortes resultantes das medidas de austeridade, e nomeadamente à reformulação das regras do RSI, deixaram de ter direito a essa medida ou viram reduzidos os montantes", explicou o presidente da Cáritas.

Manuel Lemos acrescentou que a novidade está no facto de haver cada vez mais pedidos que vêm de pessoas empregadas: “Estamos a falar de pobreza com emprego, o que em termos absolutos não é uma novidade, mas é uma novidade em termos de expressão".

"O retrato da pobreza alterou-se porque agora temos bastante gente em idade activa, que se viu no desemprego ou com familiares no desemprego, com dívidas acumuladas e sem capacidade para as pagar. Vemos muita gente assim a ser atirada para a pobreza, que estava um bocado localizada nos mais idosos", apontou Lino Maia.

Se o desemprego é uma causa directa, Manuel Lemos também responsabiliza "algumas políticas públicas cegas", enquanto Eugénio Fonseca lembra que "está provado que se não fossem as transferências sociais, os abonos de família, o RSI, o complemento solidário para idosos, haveria cerca de 43% da população em risco de pobreza".

“Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos. Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado. Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa”, dizia em Março de 2010 alguém que, nessa altura, se chamava Pedro Passos Coelho.

E esse mesmo alguém, acrescentava que, "se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português”, não se inibindo de afirmar: "Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: O PODER ODEIA OS HOMENS LIVRES

Brasil: CORONEL QUE COMANDOU MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS É PRESO




Najla Passos – Carta Maior

O coronel da Polícia Militar Mário Colares Pantoja, que comandou o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, deu início nesta segunda (7) ao cumprimento da sua pena de 228 anos de prisão. A notícia é um alento no quadro de impunidade que impera no campo brasileiro. Entre 1985 e 2011, 1.666 camponeses foram assassinados em conflitos de terra no país. Porém, somente 92 casos foram julgados. Apenas 21 mandantes, condenados. Destes, Pantoja é o segundo a ir para a cadeira.

Brasília - O coronel da Polícia Militar (PM), Mário Colares Pantoja, que comandou o massacre de Eldorado dos Carajás, há 16 anos, foi preso nesta segunda (7), no município de Santa Izabel, no nordeste paraense, por determinação do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA). O massacre resultou na morte de 21 sem-terra e deixou mais de 60 feridos. Pantoja já havia sido condenado a cumprir 228 anos de prisão pelos crimes, mas, por força de liminar expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aguardava os julgamentos de uma sucessão de recursos em liberdade.

O TJ-PA determinou também a prisão do major José Maria Pereira de Oliveira, condenado a 158 de prisão pela sua participou nos crimes. Porém, ele ainda não foi localizado. Apesar da ação policial contra 1,5 mil sem-terra ter mobilizado mais de 150 policiais, no dia 17 de abril de 1996, os oficiais foram os únicos responsabilizados. O governador à época, Almir Gabriel (PSDB), também não sofreu qualquer tipo de punição.

Dados divulgados hoje pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que, entre 1985 e 2011, 1.666 camponeses foram assassinados em conflitos de terra no país. Porém, somente 92 casos foram julgados. Apenas 21 mandantes, condenados. E, até a prisão de Pantoja, só um estava preso: o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, mandante do assassinato da irmã Dorothy Stang, ocorrido em fevereiro de 2005.

“A impunidade é enorme. Os mandantes, quando chegam a ser julgados, conseguem continuar em liberdade”, afirma Ivolete Wichinieski, da coordenação nacional da CPT. De acordo com ela, a inoperância do judiciário em julgar casos envolvendo assassinatos de camponeses só comprova seu caráter de classe. “É impressionante como as liminares relativas às ações de despejo são concedidas com agilidade, agravando ainda mais os conflitos no campo, enquanto os julgamentos dos crimes praticados contra camponeses são esquecidos”, compara.

Para o deputado Valmir Assunção (PT-BA), oriundo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), esta é uma grande vitória dos movimentos sociais que clamam por justiça e denunciam a impunidade no campo. “Ver que os condenados pelo crime de Eldorado dos Carajás, finalmente, vão cumprir sua pena é um alento e uma esperança para que a justiça seja feita contra todos aqueles que ceifaram a vida de trabalhadores neste País”, disse ele, por meio de sua assessoria de imprensa.

O deputado, entretanto, relaciona o verdadeiro fim da impunidade à efetivação da reforma agrária no país. “O momento é de comemoração, mas isso não significa descanso. A reforma agrária é uma dívida que nosso Estado tem para com os trabalhadores do campo”, complementou, alertando para a necessidade da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438, batizada de PEC do Trabalho Escravo, na pauta de votação da Câmara dos Deputados, esta semana.

A PEC 438 prevê a expropriação das terras nas quais sejam encontrados trabalhadores vivendo em condições análogas a de escravos, para fins de reforma agrária. E, exatamente por modificar a correlação de forças que impera no campo brasileiro, deve enfrentar muita resistência da bancada ruralista que, apesar dos protestos de ambientalistas e movimentos sociais, já saiu vitoriosa da votação do novo Código Florestal, na semana passada.

“Além da campanha pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo, a CPT está trabalhando para que a presidenta Dilma Rousseff vete a lei que cria o novo Código Florestal em sua integralidade. Da forma como passou, essa lei só vai acirrar ainda mais os conflitos no campo brasileiro, pois os camponeses, quilombolas e índios já demonstraram sua disposição de resistir ao avanço do capital”, informa a coordenadora da CPT.

Conforme Wichinieski, de 2010 para 2011, os conflitos no campo brasileiro aumentaram 15%. Passaram de 1.186, em 2010, para 1.363, no ano passado. Um número bem acima da média registrada de 2002 até agora, que era de 1.034 conflitos por ano. O número de assassinados recuou de 34 para 29. Mas o de ameaçados por pistoleiros disparou: cresceu 177,6%, passando de 125, em 2010, para 347, em 2011.

“As comunidades tradicionais, principalmente da Amazônia Legal, estão sofrendo o impacto do avanço do capital no campo: agronegócio, projetos de mineração etc. Tanto que a maioria dos conflitos se dá com o setor privado, que responde por 50,2% das ocorrências”, esclarece ela.

Massacre

O Massacre de Eldorado dos Carajás aconteceu em 17 de abril de 1996, durante uma operação da PM para reprimir o tráfego da rodovia PA 150, no município de Eldorado do Carajás, sudeste do Pará, onde 1,5 mil trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizavam um protesto.

Durante a ação, 19 foram assassinados. Na maioria dos corpos, restaram os sinais evidentes de execuções. Outros dois morreram a caminho do hospital. Mais de 60 pessoas ficaram feridas, muitas delas com sequelas que levarão para o resto da vida.

Desde o massacre, o MST protagoniza uma série de ações para cobrar o fim da impunidade contra os responsáveis. O mês de abril entrou para o calendário do movimento como temporada anual de jornada de lutas. É o “Abril Vermelho”, responsável pelas marchas, ocupações, atos e protestos que, tradicionalmente, envolvem todas as regiões do país.

MENTIRAS EM NOME DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO




Mário Augusto Jakobskind – Direto da Redação

Mais uma vez o colunista de O Globo, Merval Pereira (na foto de fardão ao lado de tucanos de alta linhagem), se supera, claro que para baixo. Agora, em comentário sob o título “Pela Liberdade de Expressão”, o jornalista imortal aborda o tema de forma simplória e tendenciosa.

Ao atacar governos latinoamericanos que julga estarem criando restrições à liberdade de imprensa e de expressão, Pereira abre as baterias, para variar, contra a Presidenta argentina Cristina Kirchner.

Aí o colunista de O Globo menciona o que considera “expropriação” da fábrica de papel que estava sob controle do grupo Clarin. Encerra o parágrafo afirmando que a medida faz parte de “uma já longa disputa pelo controle da informação pelo governo de Cristina Kirchner, prosseguindo o projeto que foi iniciado no governo de seu falecido marido Nestor Kirchner”.

Nesta visível demonstração de desacreditar a Presidenta, como se ela não tivesse iniciativa própria, o jornalista imortal omitiu um fato relevante que ajuda a entender melhor o acontecimento.

A fábrica de papel na época da ditadura era de propriedade de empresários que foram reprimidos com extrema violência, um deles assassinado, pelo general Rafael Videla, hoje cumprindo pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos neste período, inclusive sumiço de bebês entregues a famílias vinculadas à repressão. A fábrica de papel mudou de proprietário a força e caiu nas mãos do grupo Clarin.

Merval Pereira não mencionou o fato, limitando-se a protestar repetindo os argumentos apresentados pela Sociedade Interamericana de Imprensa e, claro, pelo grupo Clarin. E quem tiver curiosidade deve consultar a Biblioteca Nacional para verificar qual foi a posição de O Globo sobre a ditadura argentina.

Em relação ao Equador, o perdão de Rafael Correa de uma multa alta decretada pela Justiça contra o jornal El Universal e um ex-editorialista por difamação ao presidente foi considerado por Pereira, não como um ato de grandeza, mas de fraqueza, para atender à pressão internacional. Pereira culpa Correa por tudo, como se decisão da Justiça dependesse dele, dando a entender que o Poder Judiciário no Equador não é autônomo.

Em outro trecho, o colunista não faz por menos e sai em defesa incondicional da revista Veja e do chefe de sucursal de Brasília, Policarpo Junior, envolvido com Carlos Cachoeira de lama.

E, pasmem, Merval Pereira considera ameaça à liberdade de expressão a tentativa de levar a grande imprensa, representada pela revista Veja, à investigaçao na CPI do Cachoeira.

Quer dizer que convocar um jornalista da cúpula de uma revista para esclarecer fatos, inclusive mais de 200 telefonemas trocados com Cachoeira de lama, atenta contra liberdade de expressão?

E parece que o Deputado Miro Teixeira pensa blindar Policarpo Jr, sob a alegação de preservaçao do sigilo da fonte. Se fizer isso, Teixeira estará se equivocando feio. Fica alinhado com Merval Perera,

Policarpo é chefe da sucursal e não repórter que teria Cachoeira como fonte. Como bem lembrou recentemente o atual Ministro do Trabalho, Brizola Neto, em sua coluna “Tijolaço”, Policarpo “é alguem, que pelo seu cargo, tem relações diretas com a administração empresarial da revista”.

Tem trechos de papos telefônicos em que Cachoeira de lama falando com Claudio Abreu, um mafioso do time do meliante, fica feliz com matérias da revista Veja, inclusive a que resultou na queda de Luiz Antonio Pagot chefe da diretoria geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), que estava atrapalhando os negócios da construtora Delta. Coincidência?

A Polícia Federal localizou o vínculo ao fazer o grampo, permitido pela Justiça, de Cachoeira de lama. Seria absolutamente normal a convocação de Policarpo, da mesma forma que o dono da publicação, Roberto Civita, em função da gravidade do caso. Nada a ver com algo atentatório à liberdade de expressão.

Como o poder de manipulação da mídia de mercado é forte, amanhã, se acontecer a convocação de Policarpo pela CPI, protestos vão surgir vindos de diversos lados, não só de Merval Pereira como da Sociedadde Interamericana de Imprensa, por exemplo. Se a CPI for séria mesmo terá de convocar Policarpo e muito mais gente considerada acima de qualquer suspeita, como o governador Sergio Cabral.

No artigo, Merval destila ódio contra a “democratização da comunicação” atribuindo a ideia ao Partido dos Trabalhadores.

Merval desconhece que a democratização dos meios de comunicação é algo em debate há vários anos por inúmeras entidades representativas dos movimentos sociais.

O PT tem todo o direito de apoiar, como outros partidos e parlamentares, como, por exemplo, Brizola Neto, que já se posicionou nesse sentido em sua coluna na internet em várias ocasiões.

Mas se o leitor imagina que as observações do jornalista imortal pararam por aí em matéria de manilpuação, engana-se O colunista reviveu, por exemplo, a proposta do Conselho Nacional de Jornalismo, atribuindo a ideia, mais uma vez erradamente, ao governo Lula. A proposta, repudiada antes mesmo de ser debatida, foi uma iniciativa da diretoria da Federação Nacional de Jornalistas e não do governo Lula, como “informou” (só pode ser entre aspas mesmo) Merval Pereria.

Não por acaso, na mesma edição de sexta-feira, 4 de maio, o jornal O Globo publicava na página internacional um artiguete, estilo tijolaço, com o título “Cerco”, apresentando o resultado de uma reunião em Santiago do Chile de associações patronais midiáticas de seis países, entre eles o Brasil, representado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). Foi divulgado então um documento sobre “o agravamento do cerco à liberdade de imprensa” e assim sucessivamente.

E também, não por acaso, logo abaixo do comentário aparece matéria procedente de Caracas mostrando que “Chávez tem fratura no fêmur, diz jornalista”. A tônica da “notícia” repete a de outros dias com base nas elocubrações do blogueiro venezuelano Nelson Bocaranda, um jornalista vinculado aos movimentos anticastristas de Miami.

Por sinal, Bocaranda de vez em quando “informa”com base no que escreveu Merval Pereira sobre a doença de Chávez e vice-versa. Os dois se entendem muito bem, só falta agora Bocaranda aparecer no Brasil convidado pelo Instituto Millenium e, quem sabe, proferir uma palestra no Clube Militar, como faz de vez em quando Merval Pereira e é aplaudisíssimo pelos militares da reserva que tinham postos de comando durante a ditadura, alguns deles executores do esquema da repressão.

Por estas e muitas outras, a democratizaçao dos meios de comunicação é uma necessidade, exatamente para que os brasileiros possam ter mais e mais veículos para se informar e formar opinião. Até porque, como o acesso à informação é um direito humano, tudo deve ser feito para o seu aperfeiçoamento, quer queira ou não Merval Pereira e o patronato midiático manipulador.

Na verdade, Pereira mistura propositalmente as bolas. O que ele defende mesmo é a liberdade de empresa e não a de imprensa. Desta forma vai tentando enganar incautos, seguindo a linha de seu jornal e das Organizações com o mesmo nome.

* É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Reservas de hidrocarbonetos tornam Angola referência mundial -- ministro dos Petróleos



Lusa

Luanda, 08 mai (Lusa) - Angola é atualmente uma referência internacional no setor dos hidrocarbonetos, defendeu hoje em Luanda o ministro dos Petróleos angolano.

"A implementação de mudanças no setor, aliadas à estratégia de exploração de hidrocarbonetos concebida pelo executivo angolano, as descobertas daí resultantes e a utilização de um conjunto de altas tecnologias, fizeram de Angola uma província petrolífera de classe mundial", disse Botelho de Vasconcelos.

O governante, que intervinha na abertura dos trabalhos da conferência internacional sobre petróleo e gás, promovida pelo executivo angolano em parceria com a Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPA), salientou que a nova estratégia das autoridades angolanas assenta na criação de condições para o investimento estrangeiro e no desenvolvimento da intervenção de empresas nacionais no setor.

A conferência, que termina quarta-feira, vai passar em revista o "crescimento consolidado na última década" do setor angolano de hidrocarbonetos, como se lhe referiu Babafemi Oyewole, diretor executivo da APPA, e que representa 95 por cento das exportações e mais de 75 por cento das receitas do Estado.

Na sua intervenção, Botelho de Vasconcelos apresentou os três projetos em que assenta o desenvolvimento do setor e que classificou como sendo de "vital importância" e "excelentes oportunidades" para investimento, e que são os projetos Angola LNG, Sonaref - com a construção da nova refinaria no Lobito (centro litoral) -, e construção da refinaria do Soyo (norte).

Quanto ao projeto Angola LNG, que terá uma capacidade inicial de 5,2 milhões de toneladas métricas anuais, o primeiro carregamento de gás natural como teste do empreendimento está previsto para o final deste mês e decorrerá até ao final de junho.

O projeto Sonaref continua a ser desenvolvido, e enquanto na primeira fase se prevê a refinação diária de 120 mil barris de petróleo, na segunda fase, a capacidade subirá para os 200 mil barris diários.

Quanto à construção da refinaria no Soyo, um empreendimento privado, também este projeto se desenvolverá em duas fases, com metas idênticas às da refinaria do Lobito.

"Perante o quadro de desenvolvimento e de crescimento, o executivo angolano tem empreendido uma série de ações para estimular o aumento da participação das empresas nacionais nas atividades no setor petrolífero", acentuou, e de que são exemplo os incentivos fiscais já aprovados.

Quanto à estratégia de Angola para o setor, Botelho de Vasconcelos destacou como "premissa básica" o aumento das reservas de petróleo e gás natural, através de estudos geofísicos e geológicos que levem à identificação e avaliação do potencial petrolífero de novas áreas exploratórias.

Assim, estão a ser desenvolvidos esforços na exploração na parte terrestre da bacia do rio Kwuanza, os blocos das águas profundas das bacias dos rios Kwuanza e Namibe, os blocos das águas ultra-profundas das bacias do Baixo Congo e do Kwuanza, tendo o governo dado prioridade a esta última.

Esta opção deve-se à complementaridade com a contraparte brasileira, a bacia de Campos, onde foram efetuadas descobertas assinaláveis de reservatórios de pré-sal.

O desenvolvimento do setor passa ainda por estudos adicionais, em curso, para avaliação da validade comercial de bacias interiores.

"Para aumentar o retorno das reservas petrolíferas já produzidas, foram recentemente adjudicados, no âmbito de um processo de licitação realizado pela (empresa petrolífera estatal angolana) Sonangol um total de 11 blocos, com objetivos exploratórios no pré-sal, localizados em águas profundas e ultra-profundas na bacia do Kwuanza", acrescentou.

Angola é atualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, atrás da Nigéria, e a sua produção representa entre 2 e 4 por cento da produção mundial de petróleo, segundo dados de 2011.

A meta de produção para este ano é de 1,8 milhões diários de petróleo, enquanto a previsão para 2014 é de 2 milhões de barris, ultrapassando então a Nigéria.

EL.

Detidos suspeitos da morte de dois cidadãos chineses

Luanda, 08 mai (Lusa) - A Polícia Nacional de Angola deteve na segunda-feira oito suspeitos de terem morto dois cidadãos chineses, que foram queimados, no domingo, no distrito da Samba, município de Luanda.

Segundo o porta-voz do comando provincial da Polícia, Nestor Goubel, citado pela agência Angop, os oito elementos detidos integram uma rede de dez pessoas, suspeitas de cometerem assaltos e homicídios.

"Alegadamente, os supostos criminosos receberam uma falsa informação de que no interior de um estabelecimento comercial pertencente às vítimas, existia a quantia de três milhões de dólares", disse Nestor Goubel, acrescentando que a polícia continua a perseguir os restantes membros do grupo.

Nestor Goubel disse que as vítimas morreram em consequência do fogo posto no estabelecimento.

NME.

Presidente angolano felicita François Hollande pela vitória

Luanda, 08 mai (Lusa) - O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, felicitou hoje François Hollande pela vitória nas eleições presidenciais de domingo, em França.

Na mensagem que enviou a François Hollande, divulgada pela agência noticiosa angolana Angop, José Eduardo dos Santos expressou a vontade e disponibilidade do Governo angolano em manter as relações e cooperação existentes entre os dois países.

"Espero trabalhar consigo para desenvolvermos as relações que existem entre os nossos dois países e termos frutos na amizade e cooperação que nos une", sublinhou José Eduardo dos Santos.

O chefe de Estado angolano desejou a François Hollande êxitos na aplicação do programa eleitoral, que vai contribuir "para a construção de uma França mais próspera e de um mundo melhor e mais justo".

François Hollande conquistou 51,67 por cento dos votos na segunda volta das presidenciais de domingo contra 48,33 por cento do presidente cessante, Nicolas Sarkozy.

NME.

NOTÍCIAS DE MOÇAMBIQUE EM COMPACTO




Dez pessoas detidas por roubo e venda de fármacos em Manica

Chimoio, Moçambique, 08 mai (Lusa) - A policia moçambicana deteve pelo menos 10 pessoas, incluindo funcionários da saúde, afetos ao depósito de medicamentos, por roubo e venda ilegal de fármacos em Manica (centro), disse hoje à Lusa fonte policial.

Belmiro Mutadiua, porta-voz da polícia em Manica, disse que nos últimos cinco meses, as operações policiais, para desmantelar redes de venda de medicamentos, desviados do circuito oficial para mercados paralelos, incluíram a apreensão de toneladas de fármacos, entre antimaláricos, antibióticos, anestésicos e analgésicos, de uso exclusivo dos serviços de saúde públicos.

"Na ultima operação, a 04 de maio, detivemos três indivíduos, incluindo um funcionário do depósito de medicamentos provincial, que desviaram 50 ampolas de canimicina e 50 de penicilina-bezentinica, que seriam introduzidos no mercado informal", disse à Lusa Belmiro Mutadiua, admitindo a necessidade de operações de rotina.

A ação policial incidiu nos distritos de Gondola, Manica, Sussundenga e na cidade de Chimoio, onde se concentram os focos de venda ilegal de medicamentos, algumas vezes administrados em pacientes em barracas improvisadas, pelos comerciantes, sem qualquer prescrição médica.

"Ainda estamos a investigar para ver se há mais funcionários de saúde envolvidos no esquema de roubo de medicamentos, no âmbito da desmoralização de venda ilegal e a proliferação de fármacos no (mercado) informal e desmantelar a rede de roubo de medicamentos que lesa o circuito oficial", disse Mutadiua.

Em paralelo às operações policiais, as autoridades de saúde em Manica estão empenhadas em campanhas para desencorajar a população a aderir aos medicamentos à venda no mercado informal, pois a sua administração "pode prejudicar a saúde".

AYAC.

Nova Presidente do Malaui em Maputo entre 12 e 14 de maio

Maputo, 08 mai (Lusa) - A nova Presidente do Malaui, Joyce Banda, vai visitar Moçambique entre 12 e 14 de maio, para conversações com as autoridades moçambicanas sobre temas da cooperação bilateral, informou hoje a presidência moçambicana.

Joyce Banda, que ascendeu à presidência do Malaui em abril, na sequência da morte do anterior chefe de Estado Bingu wa Mutharika, vai manter um encontro com o homólogo moçambicano, Armando Guebuza, além de liderar as conversações oficiais bilaterais.

Depois de morte de Bingu wa Mutharika, o Governo moçambicano empreendeu simbolicamente um gesto de normalização das relações bilaterais com o Malaui, oferecendo combustível e alimentos para as cerimónias fúnebres de Mutharika.

Com Bingu wa Mutharika, Maputo manteve uma relação crispada, devido a alguns incidentes ocorridos entre os dois países, como a tentativa do Malaui de testar unilateralmente a navegabilidade do rio Zambeze, a partir do Porto de Nsage, no Malaui, como forma de encurtar e embaratecer os custos das importações através dos portos moçambicanos de Nacala e Beira.

O falecido chefe de Estado malauiano interrompeu abruptamente uma visita a Moçambique, depois de o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, ter exigido explicações sobre uma incursão da polícia malauiana num posto da guarda de fronteira moçambicana, na província de Niassa, norte de Moçambique, provocando ferimentos em alguns polícias moçambicanos.

PMA.

Ajuda externa para luta contra SIDA baixa de 2,5 ME para 825 mil euros

Maputo, 08 mai (Lusa) - O apoio dos parceiros internacionais ao Conselho de Combate à SIDA de Moçambique baixou de 2,5 milhões de euros para 825 mil, disse hoje o ministro da Saúde moçambicano, Alexandre Manguele.

Apesar de o índice de seroprevalência ter diminuído de 16 para 11 por cento na faixa etária dos 15 aos 45 anos, o VIH/SIDA continua a ser um dos problemas de saúde pública mais sérios em Moçambique.
Num encontro com os parceiros externos nos programas de combate à SIDA, o ministro da Saúde moçambicano afirmou que o país deve procurar alternativas à redução drástica da ajuda internacional ao Conselho de Combate à SIDA, entidade governamental que coordena as ações de combate à doença no país.

"Apesar do corte no financiamento, é possível encontrar alternativas de financiamento aos programas de combate à SIDA", afirmou Alexandre Manguele, sem especificar as opções disponíveis para manter os apoios.

Presentes na reunião, organizações não governamentais vocacionadas para o combate ao VIH/SIDA defenderam a criação de um banco de solidariedade, para a angariação de fundos para o combate à doença.

PMA.

Porta-voz dos Desmobilizados detido desde fevereiro "para ser julgado outra vez pelo mesmo crime"

Maputo, 08 mai (Lusa) - O porta-voz do Fórum dos Desmobilizados de Moçambique, Jossias Matsena, "está detido ilegalmente desde fevereiro" na cadeia de máxima segurança de Inhambane, aguardando um "segundo julgamento pelo mesmo crime", denunciou hoje o seu advogado.

Salvador Camate disse à agência Lusa que o seu cliente está "detido ilegalmente", na medida em que é acusado de ter cometido um crime pelo qual já foi julgado e absolvido em Maputo.

Jossias Matsena é acusado pelo Ministério Público da província de Inhambane (sul) de, juntamente com outros desmobilizados, possuir esconderijos de armas e de incitar à violência, acusações desmentidas pelo seu advogado.

"Isso é tudo forjado. Não há nenhum elemento que consubstancie essas acusações", disse à Lusa Salvador Camate, para quem o objetivo do governo moçambicano "é tirar de cena" o porta-voz do Fórum dos Desmobilizados de Moçambique.

A Lusa tentou obter uma reação da procuradoria provincial de Inhambane, mas uma fonte ligada ao inquérito escusou-se a responder, alegando que os jornalistas não são partes interessadas no processo.

Em novembro de 2011, o porta-voz do Fórum dos Desmobilizados foi preso, presente ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e absolvido dois dias após ser detido, num processo sumário que a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique considerou "obscuro".

Em contacto telefónico hoje com a Lusa, Jossias Matsena acusou as autoridades moçambicanas de "perseguição", violando a Constituição ao pretender julgá-lo pela segunda vez pelo mesmo crime.

"Estou a ser perseguido", disse Jossias Matsena, ex-militar das tropas governamentais durante a guerra civil que, de 1976 a 1992, opôs o governo da Frelimo à guerrilha da Renamo.

Há mais de um ano que o Fórum dos Desmobilizados de Moçambique reivindica o pagamento de uma pensão mensal de 12.000 meticais (cerca de 300 euros) e um encontro com o Presidente da República, que constitucionalmente é o comandante em chefe das Forças Armadas de Moçambique, que responde também pelos desmobilizados.

Jossias Matsena foi um dos rostos da concentração de 1.500 pessoas, na maioria desmobilizados de guerra, que, em novembro, denunciaram ao Presidente moçambicano, Armando Guebuza, a suposta criação de brigadas pelos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) para amedrontar os "veteranos", que ameaçavam manifestar-se à escala nacional.

Jossias Matsena contou à Lusa que era perseguido pelos serviços secretos "mesmo nos chapas" (transportes semi-coletivos de passageiros) e que a ação era extensiva a "todos os membros" do Fórum dos Desmobilizados.

MMT

Bissau: Deputados da Comissão Permanente convocados para discutir crise no país



Lusa

Bissau, 08 mai (Lusa) - Serifo Nhamadjo, atual presidente interino do Parlamento da Guiné-Bissau, convocou para quarta-feira os deputados da Comissão Permanente para uma reunião na qual vai ser analisada a crise que se vive no país e propor soluções.

Em nota de imprensa lida na rádio nacional, o presidente interino do Parlamento guineense convoca os deputados da Comissão Permanente para, entre outros assuntos, analisarem "a situação político-militar vigente no país", debruçarem-se sobre a marcação da terceira sessão ordinária do ano legislativo 2011-2012 e ainda aprovarem o projeto de ordem dos trabalhos.

Fazem parte da Comissão Permanente do Parlamento guineense os membros da mesa da instituição e ainda os líderes das bancadas parlamentares.

A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) propôs que o Parlamento guineense eleja novos membros da mesa da instituição e, a partir dessa eleição, o presidente da mesa eleito seria designado chefe de Estado interino e o seu vice passava a ser presidente do Parlamento.

O PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), que estava no poder até ao golpe de Estado militar de 12 de abril, não concorda com esta modalidade de saída da crise proposta pela CEDEAO argumentando que tal significaria legitimar o golpe de Estado.

Fonte próxima ao Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado disse à Agência Lusa que "é bem provável" que nessa reunião de quarta-feira no Parlamento sejam adotado mecanismos que vão permitir a indigitação "de pelo menos o Presidente interino da República".

MB

Deputados do PAIGC recebem indicação para faltar a reuniões parlamentares

Lusa

Bissau, 08 mai (Lusa) - O PAIGC, partido maioritário na Guiné-Bissau, instruiu hoje os deputados do partido para não participarem em qualquer reunião parlamentar "enquanto decorrem os esforços da comunidade internacional na busca de uma solução" para a crise.

Os deputados "não devem tomar parte, nem participar, em nenhuma reunião da Mesa, Conferência de Líderes, Comissão Permanente ou Plenária" da Assembleia Nacional Popular, até que haja uma solução para a crise político-militar decorrente do golpe de Estado de 12 abril "com uma agenda bem definida".

O comunicado do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no poder até dia 12) surge no mesmo dia em que o presidente interino do parlamento, Serifo Nhamadjo, convocou, para quarta-feira, os deputados da Comissão Permanente para uma reunião destinada a analisar a crise e propor soluções.

Dois responsáveis da polícia em missão da ONU na Guiné-Bissau partem na quinta-feira

Lusa

Cidade da Praia, 08 mai (Lusa) - Dois responsáveis da polícia de Cabo Verde partem na quinta-feira para Bissau no quadro de uma missão das Nações Unidas ligada à reforma dos setores da Defesa e Segurança, disse hoje à agência Lusa fonte oficial.

O comandante da Polícia Nacional, Carlos Graça, adiantou tratar-se da ex-coordenadora do Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência baseada no Género e também chefe da esquadra da Achada de Santo António, na Cidade da Praia, e de Roberto Fernandes, que desempenhava as funções de comandante da Brigada Anti-Crime (BAC) na ilha de São Vicente.

Carlos Graça disse à Lusa que vai também integrar a missão da ONU na Guiné-Bissau e aguarda a desvinculação oficial do cargo, ainda esta semana, e pela "ordem de embarque", também oficial, das Nações Unidas para viajar para a Guiné-Bissau.

João Domingos de Pina, atual diretor-adjunto da PN, será, em princípio, o sucessor de Carlos Graça à frente da força policial cabo-verdiana.

Questionado pela Lusa sobre se, face ao golpe de Estado de 12 de abril na Guiné-Bissau, é este o momento certo para seguir para a capital guineense, Carlos Graça lembrou tratar-se de uma missão das Nações Unidas e que foi dada ordem para os dois oficiais da PN viajarem.

No início deste ano, Carlos Graça foi escolhido para integrar uma missão da ONU na Guiné-Bissau, função que exige disponibilidade imediata para o cargo, uma vez que se enquadra no processo de reforma dos setores da defesa e segurança guineenses.

JSD