sábado, 18 de agosto de 2012

A SABUJICE DE LISBOA PERANTE O MPLA




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O jornalista e activista angolano Rafael Marques disse à Lusa que Portugal nunca quis saber do bem-estar dos angolanos e que as próximas eleições gerais servem os “interesses” de Lisboa.

Algo vai mal no protectorado do regime angolano no sul da Europa. Como é que o ministro Miguel Relvas e o presidente da Lusa, Afonso Camões, permitem que a Lusa dê espaço a estas denúncias? O MPLA e o dono de Angola, José Eduardo dos Santos, não gostam que cuspam no prato em que dá comida aos sipaios portugueses.

É verdade, como bem sabem Relvas e Camões, que são poucos os órgão de comunicação social portugueses que divulgarão esta conversa com o Rafael Marques. Mesmo assim, do ponto de vista dos súbditos de sua majestade Eduardo dos Santos, é um risco.

“Estas eleições servem os interesses económicos dos portugueses porque esses interesses estão alicerçados na corrupção. Se o Presidente da República de Angola sai do poder, haverá em Portugal uma série de processos contra empresas portuguesas que têm feito negócios ilícitos em Angola”, diz Rafael Marques.

“No meio disto tudo Portugal é um vendedor de serviços. É um país que está em situação de crise e procura vender os seus serviços a todos aqueles que têm o controlo dos fundos”, considerou o jornalista e activista angolano.

Rafael Marques é responsável pelo portal “Maka Angola”, que denuncia casos de abusos de direitos humanos e alegados casos de corrupção e suborno, que correm na justiça angolana.

“Os investimentos que têm sido feitos em Portugal, sobretudo pela família presidencial, o Manuel Vicente, o general Kopelipa [figuras de topo do regime e próximas do Presidente José Eduardo dos Santos] claramente configuram actos de branqueamento de capitais porque não podem e não têm como explicar os biliões de dólares que ali são investidos”, afirma Rafael Marques, acrescentando que Lisboa nunca quis saber do bem-estar do povo angolano.

“Portugal nunca foi um aliado do bem-estar dos angolanos. Nunca. Portugal colonizou Angola e, durante a guerra [civil], Portugal também tudo fez para prosperar, havendo sectores que apoiavam a UNITA e outros sectores que apoiavam o MPLA e vendiam armas, mesmo durante as sanções das Nações Unidas”, acusou Rafael Marques.

“Portugal nunca teve um papel de respeito na defesa do bem-estar e dignidade dos angolanos. Não se pode esperar que Portugal tenha hoje este papel. Eventualmente, terá de passar uma ou duas gerações até que surja em Portugal uma nova forma de fazer política e que olhe para Angola como uma terra de futuro e que possa desbravar novas relações, mas desta geração não se pode esperar absolutamente nada que seja benéfico para o povo angolano”, afirmou.

“Se a vontade do povo for a mudança, não haverá interesses internacionais que o impedirão, da mesma forma que se a maioria da população genuinamente decidir que este sistema endémico de corrupção é o melhor, porque permite a cada um ganhar a lotaria e ser extremamente rico da noite para o dia, então também assim será”, concluiu.

Angola realiza no dia 31 eleições gerais, que vão definir a composição do futuro Parlamento e determinar os futuros Presidente e vice-Presidente da República, por via fictícia, a partir do número um e número dois da lista do partido mais votado.

De facto, como há já muitos anos diz o Rafael Marques, os portugueses (entre muitos outros, entre quase todos) só estão mal informados em relação a Angola porque querem, ou porque têm interesses eventualmente legítimos mas pouco ortodoxos e muito menos humanitários.

Custa a crer, mas é verdade que os políticos, os empresários e os (supostos) jornalistas portugueses (há, é claro, excepções) fazem um esforço tremendo (se calhar bem remunerado) para procurar legitimar o que se passa de mais errado com as autoridades angolanas, as tais que estão no poder desde 1975.

Alguém, pergunto eu, ouviu Cavaco Silva recordar que 68% da população angolana é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é a terceira mais alta do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças?

Alguém ouviu Passos Coelho recordar que apenas 38% da população angolana tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico?

Alguém ouviu José Sócrates recordar que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade?

Alguém ouviu Pinto Balsemão recordar que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos?

Alguém ouviu Belmiro de Azevedo recordar que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino?

Alguém ouviu António Pires de Lima (Presidente da Comissão Executiva da UNICER e dirigente do CDS/PP) dizer que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Alguém ouviu Jorge Coelho (Mota-Engil) dizer que, em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos?

Alguém ouviu Armando Vara (presidente da Camargo Corrêa para África) dizer que 80% do Produto Interno Bruto angolano é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população; que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda?

Alguém alguma vez ouviu algum dirigente dos três actuais maiores partidos portugueses dizer que, em Angola, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?
* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: “É ASSIM QUE EU QUERO, É ASSIM QUE VAI SER”

AUTORIDADES E PARTIDOS POLÍTICOS CONTINUAM A IGNORAR A QUESTÃO LUNDA TCHOKWE



Ernesto Kadiamoniko Sebastião, Espanha

Quando escrevi meu primeiro texto sobre a questão dos Lundas e os programas dos Partidos políticos sobre aquela região, alguns amigos a partir de Luanda, ligaram-me, outros telefonaram-me para saber qual era o meu interesse sobre a questão dos Lundas, outros chamaram-me de ser político espontâneo ou de ser um intruso em questões de conflitos.

Se há sabedoria nos nossos mais velhos, analisem comigo os seguintes cenários, depois podereis concluir o que eu continuo achando que se deveria logo os políticos se envolverem e procurarem como se diz na “gíria”, que a primeiro cacete mata a cobra:

1.- Em 35 anos da nossa independência, nunca vi a TPA a falar da história do povo Lunda Tchokwe, a falar da Mussumba do Muatiânvua e de tantas outras coisas sobre o Imperio ou Reino da Lunda; se agora o faz publicamente é porque alguma coisa há no fundo do túnel, algum acontecimento, este acontecimento é o Movimento do Protectorado da Reivindicação da Autonomia ou Independência da Lunda.

2.- Se Cabinda reclama o tratado de Simulambungo, os Lundas reclamam os tratados de Xá-Muteba, Caungula, Muatchissengue, Suana Ambinji e o tratado da corte do Muatiânvua todos dos mesmos anos 1885 á 1887, os textos são iguais sem diferença, todos com enviados do Rei de Portugal, logo se para Cabinda haver Refendo os Lundas seguramente que terão caminho aberto para defender os seus argumentos, quem irá ganhar com isso?..e ainda mais, os Lundas defendem o contencioso de 1891 entre Portugal e Bélgica.

3.- Em 2014 o Reino Unido da Inglaterra e a Escócia vão ao referendo para o povo decidir sobre o futuro deste ultimo, o Reino da Escócia foi um Estado independente até 1 de Maio de 1707, quando os Actos de União formalizaram uma união política com o Reino da Inglaterra, de modo a criar o Reino Unido da Grã-Bretanha. A Escócia continua a ter Estado e jurisdição separados para fins de direito internacional. O direito e o sistema de ensino escoceses, bem como a Igreja, têm permitido a continuação da cultura e da identidade nacional escocesas desde a união. Como é que Angola vai gerir esta situação da EUROPA para os casos Cabinda e dos LUNDAS?..

4.- CASA-CE assinou um acordo com personalidades de Cabinda para falar dos Cabindas na futura Assembleia Nacional, fala mesmo do referendo, será que os Intelectuais Lundas, não estão acompanhar o que se esta a passar?

5.- Ao visitar o Blogspot do Protectorado dos Lunda, avista-se logo com Advogados angolanos e internacionais, parece-me um jogo de brincadeira, mas tive a curiosidade de visitar a página da ITN Solicitors clicando na foto no blog do protectorado foi até o sítio e apercebi que o assunto é sério e os Advogados são sérios, isso não incómoda o poder em Luanda? E os Partidos Políticos estão a margem, se querem governar nos próximos tempos?

6.- Em Cabinda a FLEC faz guerrilha armada nas matas, mas os dirigentes LUNDAS estão nas cidades, vive no seio da sua própria população, estão em contacto permanente com o seu povo, isso não nos diz absolutamente nada?

7.- Os Partidos Políticos incluindo o Presidente José Eduardo dos Santos que esteve ontem em Saurimo, só querem o voto dos Lundas, mas não estão a dizer como é que vai ficar a situação reivindicativa, será que eles vão ao voto e tudo acabou? Ou será que o Partido que ganhar, com ela terminará esta conversa? A FLEC de Cabinda existe desde os anos 50, o regime já gastou milhões de dólares para acabar com a FLEC, matou, assassinou dirigentes militares, aprisionou Activistas Cabindas, até falso acordo fez, mas a FLEC continua ai.

8.- O Movimento do Protectorado reivindica Kuando Kubango, Moxico e o Distrito Militar da antiga LUNDA, hoje norte e sul, região que tem no Parlamento Angolano cerca de 20 Deputados repartidos entre o MPLA, UNITA e o PRS, mas que estes deputados nunca os ouvi a dizer alguma coisa sobre a graça das assimetrias e a pobreza absoluta em que esta votado o povo daquela região, alias o próprio Presidente José Eduardo dos Santos reconheceu isso mesmo em Saurimo e no Moxico anda esta semana.

9.- Falar da Autonomia de CABINDA e esquecer a questão LUNDA TCHOKWE não estamos a ser honestos, no mínimo queremos mais uma guerra para perpectuar as mesmas pessoas e suas famílias no poder em Angola sob justificações infundadas, as de que espoletou mais um conflito armado, e depois irem gastado rios de milhões de dólares sem satisfazer as necessidades das populações.

10.- Parece que, só agora que o Sr Eduardo Kuangana começa a despertar, ontem o ouvi a Voz de América a reconhecer o facto do Movimento do Manifesto Jurídico Sociológico do Protectorado da Lunda que defende Autonomia Administrativa e Económica daquela região, já é um sinal positivo da parte do PRS, não outra saída senão ajuntar-se a causa dos Lundas.

11.- Aos dirigentes do Movimento do Protectorado dos Lunda Tchokwe, ao seu Líder Jovem Eng.º ZECAMUTCHIMA, muita coragem porque vocês não estão no mau caminho, a defesa do interesse colectivo e do desenvolvimento de Angola, não vos será compreendido por aqueles que praticamente já estão ultrapassados pela história, que ainda continuam no ano de 1975, no regime não estão os autóctone e verdadeiros Africanos “bantus”, como é da praxe do nosso mais velho MAKUTA NKONDO.

12.- Não sou analista político, mas tenho gosto de escrever e pensar um pouco aquilo que vai acontecendo na minha terra – ANGOLA, não deram a oportunidade na diáspora de irmos aos voto no dia 31 de Agosto, mas aqueles que lá estão vote na consciência sem emoções, qualquer erro, será mais uma ditadura de cinco anos…

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Comissão do Manifesto Jurídico Sociológico do Protectorado da Lunda Tchokwe


PR do Equador qualifica como "ameaças vulgares" posições de Londres sobre Assange



Lusa

Quito, 18 ago (Lusa) - O Presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou hoje como "ameaças vulgares" as posições do Reino Unido sobre a saída do fundador do "site" WikiLeaks, Julian Assange, da sua embaixada em Londres.

"Nunca, enquanto eu for Presidente, o Equador aceitará ameaças como estas, que são absolutamente vulgares, imprudentes e intoleráveis", disse Correa na sua declaração semanal.

"Não vamos desistir da nossa soberania. Respeitamos todos, e procuramos sempre o diálogo, mas a decisão final é nossa", afirmou Rafael Correa.

O Equador deu asilo político na quinta-feira a Julian Assange, cidadão australiano.

Brasil: ENTIDADES HOMENAGEIAM DESAPARECIDOS NA USINA CAMBAHYBA




O coletivo pela Memória, Verdade e Justiça e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizaram uma homenagem aos pelo menos dez militantes contra a ditadura militar que teriam tido seus corpos cremados nos fornos da usina Cambahyba, localizada em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro. A homenagem também serviu como um ato de protesto do MST pela aceleração do processo de desapropriação da fazenda. A reportagem é de Rodrigo Otávio.

Rodrigo Otávio – Carta Maior

Rio de Janeiro - O coletivo pela Memória, Verdade e Justiça e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizaram na quinta-feira (16) uma emocionante homenagem aos pelo menos dez militantes contra a ditadura militar que teriam tido seus corpos cremados nos fornos da usina Cambahyba, localizada em Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro. O tributo foi realizado nas ruínas dos fornos da usina.

Não fosse uma bonita tarde de sol, o cenário seria tão fantasmagórico quanto os relatos do ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra em seu livro Memórias de Uma Guerra Suja, onde revela mais um abominável capítulo do terrorismo de estado praticado nos anos 60, 70 e 80 pela união do governo militar com setores da sociedade civil. Ali, o assassino confesso de mais de 40 pessoas teria recebido passe livre da família Ribeiro, proprietária da usina, para dar fim a qualquer vestígio dos corpos trazidos de centros de tortura como a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e os DOI-Codi de Rio e São Paulo.

Em um trecho da estrada RJ-224, sentido Espírito Santo, uma longínqua chaminé aparece em meio ao verde da paisagem. Após duas curvas à direita, a estrada de Cambahyba é margeada por árvores altas, que atuam como um túnel verde em relação à luz natural. As fileiras de árvores acabam e o cenário volta a se delinear próximo a uma curva à esquerda.

Ainda à distancia, percebe-se a altura e grandiosidade de três chaminés de tijolos que aparecem atrás de um muro branco. Avançando-se, o muro dá lugar a uma cerca e uma porteira abandonada. Da porteira, avista-se a uma distância de menos de cem metros os escombros de pelo menos duas grandes construções de tijolos e ferros, de mais ou menos quatro andares, que servem de base das chaminés.

Nesta base estão os destroços de uns dez fornos à moda antiga, com pesadas portas de ferro arqueadas e gavetas também de ferro embaixo das portas. Os interiores dos fornos têm cerca de cinco metros quadrados. As portas possivelmente marcam a última travessia dos corpos de Ana Rosa Kucinski, David Capistrano, Eduardo Coleia Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista Rita, João Massena Melo, Joaquim Pires Cerveira, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho e Wilson Silva.

Angústia

Entre as cerca de cem pessoas presentes à homenagem, Amado Sergio, professor de história e militante do partido Comunista Brasileiro (PCB), disse, assim como muitos, estar vivendo uma angustiante experiência. Sergio nasceu nas redondezas da fazenda Cambahyba.

"Saí de Campos aos 18 anos para servir o exército. Sabia que tinha uma ditadura militar, mas não tinha noção do que estava acontecendo no país. Fui soldado em 1972 no batalhão de São Cristóvão. Lá dentro eu percebi o perigo quando ouvi os gritos de soldados como eu, que cometiam alguns delitos e eram torturados. Ora, se soldados como eu eram torturados, imagina quem lutava contra a ditadura militar?”, questionou ele.

“Depois, já saindo do exército, é que eu fui ter a dimensão do que estava acontecendo. Saíam listas de ‘terroristas’ procurados nos jornais, e a gente tinha medo. Descobri que os ‘terroristas’ eram lutadores pela democracia, trabalhadores, e muitos estavam desaparecendo. E fiquei surpreso, esse ano, ao descobrir que aqui em Campos, minha terra, aqui nesses fornos foram cremados vários corpos daqueles que há anos as famílias estão procurando”, disse.

Apesar de tocado pela coincidência de locais entre sua trajetória e a de vítimas da ditadura, ressaltou que a homenagem não se resumia a Campos, “mas a continuidade de uma luta pela verdade histórica desse país e de todos os povos contra as diversas formas de opressão”.

Desapropriação

A homenagem também serviu como um ato de protesto do MST pela aceleração do processo de desapropriação da fazenda de aproximadamente 3500 hectares que era capitaneada por Heli Ribeiro Gomes, patriarca da família Ribeiro e vice-governador do Rio de Janeiro entre 1967 e 1971.

Há duas semanas, o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) recebeu uma decisão favorável da justiça Federal de Campos para prosseguir com a desapropriação do complexo de sete fazendas que continha a usina Cambahyba. O processo arrasta-se há mais de 15 anos e enfrentou diferentes tentativas de anulação patrocinadas pelos advogados da família.

Segundo representantes do MST, a lista de crimes da família Ribeiro, além da ocultação de cadáveres, inclui o não pagamento de dívidas com a União estimadas em R$ 80 milhões, a venda de terras penhoradas, e a manutenção de trabalhadores em situação de quase escravidão.

“Além desses corpos queimados, desses militantes torturados que representam o pior que a ditadura fez e uma ação fascista dos usineiros, a gente fica se perguntando se na usina de Otero, na Sapucaia, na São João e em outras da região não foram outros trabalhadores incinerados. Se os trabalhadores que continuam sendo escravizados nos canaviais de nossa região, financiados com os royalties do petróleo, como a usina Canabrava, não continuam sendo torturados sem os seus direitos trabalhistas garantidos”, indagou Carolina Abreu, da Comissão Pastoral da Terra.

O MST atua na região desde 1997, quando ocupou a usina São João, e nesse período conquistou 12 assentamentos, quase todos em áreas de usinas que faliram na região. Segundo Fernando Moura, coordenador do movimento no Rio de Janeiro, atualmente quatro acampamentos esperam a finalização de processos de desapropriação de fazendas e usinas.

Fotos: Rodrigo Otávio

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Portugal: UM GOVERNO ENCALHADO




Pedro Bacelar de Vasconcelos – Jornal de Notícias, opinião

O discurso do Primeiro-Ministro no parque aquático do Pontal revela um governo encalhado que não navega nem se afunda.

Foi uma pesada deceção para quem esperasse desafios mobilizadores e novos motivos de esperança, apesar da bonomia estival exibida pelo chefe do Governo. Indiferente às mudanças que entretanto ocorreram pela Europa, não encontrou melhor para desafiar a Oposição do que a relíquia arqueológica da "regra de ouro" da limitação constitucional do défice. Aos sinais de naufrágio da atividade económica e do desemprego galopante, respondeu com o elogio da resignação e condenou o "regabofe" que alegadamente nos teria conduzido às desgraças do presente. Em resumo: nem sombra de estratégia europeia - quadro incontornável do nosso destino coletivo - nem fumo de uma política económica que trace um rumo para contrariar a recessão. Da avassaladora maré das promessas de reforma do estado, emergem, periclitantes, a reforma das autarquias, confiada a um ministro moribundo, e um mapa judiciário também concebido à margem das populações locais. A privatização da RTP reduziu-se ao 2º canal e foi extinta, para já, uma única fundação de entre as larguíssimas centenas que se dizia parasitarem as finanças públicas. Se eram estas as reformas estruturais prometidas, então "a montanha pariu um rato". A denúncia do estado clientelar, assumida no passado com tanto vigor, em nada perturbou a continuidade das nomeações sem concurso público. Anuncia-se o propósito piedoso de acabar com "os privilégios de uma elite financeira", sem mais especificação, mas as dívidas do Estado às pequenas e médias empresas continuam a agravar as dificuldades de financiamento que estrangulam a nossa economia. Por último, o ministro da Defesa, confrontado com o teor de um recente despacho do "Departamento Central de Investigação e Ação Penal", respondeu que ignora o desaparecimento de importantes documentos do seu ministério mas que é à Procuradoria- -Geral da República que compete "investigar o que houver para investigar e tirar conclusões", como se pode ler na edição de terça-feira deste jornal.

É extraordinário que passados mais de oito anos sobre a polémica compra de dois submarinos a um consórcio alemão, o assunto ainda suscite parangonas nos jornais, reações de governantes e iniciativas do responsável máximo pela investigação criminal - o Procurador-Geral da República. Entretanto, houve eleições ganhas e perdidas, mudaram os governos, alternaram os partidos, sucederam-se os ministros e correram processos na justiça. Contudo, o primeiro responsável pela guarda dos documentos de um ministério é o seu titular. E sendo certo que foram muitos os titulares da pasta da Defesa, em governos sucessivos de diferentes partidos, antes e depois de se ter verificado o seu desaparecimento, nenhum deles pode descartar as suas responsabilidades próprias e remete-las impunemente para o foro da justiça criminal. Porque os ministérios têm uma estrutura hierárquica e instrumentos disciplinares para apurar anomalias, corrigir erros e sancionar os infratores, e por tudo isso cabe ao ministro um dever de zelo e de prestação de contas pelo qual só ele é politicamente responsável. Por tudo isso, parecem deslocados e displicentes os trocadilhos do antigo ministro da Defesa e atual ministro dos negócios estrangeiros - "Há oito anos que, de vez em quando, notícias dos submarinos emergem e submergem". Porque, além do mais, se é verdade que os submarinos alemães ficaram piores que os submarinos franceses depois "da redução de capacidades imposta por Paulo Portas", como refere o JN de quarta-feira, então o contrato assinado em 2005 está ferido de invalidade por graves irregularidades cometidas num concurso internacional! Estranha-se, enfim, que perante factos conhecidos há tanto tempo, todos eles admitam que ainda possam ter algum esclarecimento útil a prestar...

Não surpreende, portanto, que até hoje, só os alemães tenham conseguido apurar subornos, identificar os culpados e ordenar condenações. Mas fica a pergunta: quem os subornou?

PASSOS COELHO ESTÁ FERIDO DE MORTE (graças ao Sôr Álvaro!)




João Lemos Esteves – Expresso, opinião, em Blogues

No meu último texto, escrevi que Passos Coelho fez um discurso para esquecer no Pontal, tendo cometido um erro político grave: anunciar que em 2013 Portugal não registará uma recessão económica. Julgava eu que Passos estava a dar o argumento decisivo para o PS encostar o Governo à parede no próximo ano, caso o cenário macroeconómico não seja tão abonatório quanto o Governo espera. Bom, sabia que o PS não iria perder a oportunidade de criticar o Governo, mas iria guardar este trunfo para momento posterior. Ora, afinal, Passos Coelho já percebeu a dimensão do seu erro: ontem, na SIC Notícias, foi corrigido por um economista que fez deixou implícito que efectuar qualquer previsão económica para o próximo ano é irresponsável, pois ninguém conhece todas as variáveis - e a nossa situação é particularmente difícil. Bastaram dois dias para Passos Coelho ser desmentido. E por quem? Por um economista do PS? Do Bloco de Esquerda? Ou um independente desalinhado? Não: Passos Coelho foi desmentido pelo seu...Ministro da Economia! Ou seja, um ministro, que deve solidariedade e responde politicamente perante o Primeiro-ministro, desmente o Chefe do Governo que integra...Conclusão: Passos Coelho (como eu escrevi) mentiu aos portugueses, porque hoje temos a certeza (obrigado sôr Álvaro!) de que o Governo não dispõe de nenhuma informação ou dados que permitam afirmar que o próximo ano não será um ano de recessão. Esta é a conclusão eu importa reter e que mais releva para os portugueses.

2. Isto dito, que consequências políticas este episódio provocou? Na minha óptica, avultam três consequências políticas: duas quanto à posição do Primeiro-ministro; uma quanto ao Ministro da Economia. A saber:

a) Passos Coelho fica ferido de morte (politicamente) com este episódio. Porquê? A partir de agora, sempre que ouvirmos Passos Coelho com anúncios bombásticos, com anúncios optimistas, já sabemos antecipadamente que é mentira. Que a motivação de Passos Coelho não é contar a verdade aos portugueses, não é criar esperança fundada - é apenas criar um soundbyte mediático! Com a agravante de este episódio surgir na sequência dos casos que envolvem Miguel Relvas (não só a licenciatura, não se esqueçam da ligação aos espiões e à Ongoing!) e da falta de uma atitude corajosa do Primeiro-ministro, o qual teve medo de tocar em Miguel Relvas! Onde fica a credibilidade de Passos Coelho no meio disto tudo? Fica completamente perdida: temos um Primeiro-ministro que, objectivamente, ficou sem uma réstia de credibilidade! Poder-se-ia dizer que tudo isto não passou de uma combinação entre o Primeiro-ministro e o Ministro da Economia: Passos Coelho anunciava o fim da recessão no próximo ano, em clima de festa; depois, Santos Pereira (sôr Álvaro) aparecia para afirmar que é preciso ter calma, não dar o fim da recessão pela alma. Mas se assim for (e não acredito que assim seja), ainda é mais grave: significa que o Governo sacrificou o interesse nacional, o interesse da nossa Pátria, pelo interesse partidário. Em que termos? É que - os leitores estarão recordados - a política portuguesa tem sido dominada pelos mercados. Não se pode remodelar o Governo porque os mercados (coitadinhos) reagem mal. Não se pode criticar Miguel Relvas porque os mercados atacam Portugal. A oposição cala-se porque não pode mostrar desentendimento com o Governo aos mercados, senão estes irritam-se e o rating da República desce aos infernos, blá, blá, blá....Ora, haverá algo pior para a reputação internacional do Estado português do que o Primeiro-ministro ser publicamente desmentido pelo Ministro da Economia, dois dias depois? Brincamos? É que esta não é uma divergência qualquer: é um ministro de uma pasta fundamental que chama indirectamente irresponsável ao Chefe do Governo! Esta é uma divergência hardcore - não é softcore, é muito hardcore! Os mercados internacionais - agora sim - poderiam encarar o governo português com pânico: então, não há o mínimo de coordenação política? Cada um fala por si? Isto leva-nos à segunda consequência política.

b) Passos Coelho não tem pulso no seu Governo. Passos Coelho não é ouvido, não é seguido e tenho dúvidas que ainda seja respeitado. Será que ainda poderá remediar a situação? Poderá atenuar, demitindo Álvaro do Governo. Se Passos Coelho mantiver Álvaro Santos Pereira, é o seu fim e o fim do seu Governo. Porque o executivo entrará numa fase crescente de descalabro: cada ministro terá a sua agenda própria. Cada um falará por si. Está na hora de Passos - finalmente! - mostrar um bocadinho de liderança no Governo. Se não o fizer, a sua autoridade estará irremediavelmente perdida;

c) Por último, podemos equacionar o seguinte cenário: por que razão o Ministro da Economia - que é um Ministro apagado - teve o topete de desmentir Passos Coelho publicamente? Porventura, ele sabe mais do que aquilo que nós sabemos, nomeadamente, já conhecerá por esta altura que sairá do Governo, mais tarde ou mais cedo. Como não tem nada a perder, o Ministro portou-se ontem, na SIC NOTÍCIAS, mais como um comentador do que como membro do Governo. Estou certo que Álvaro Santos Pereira sabe que não poderá continuar no executivo liderado por Passos Coelho. Veremos...

3. Em suma, esta foi uma semana negra para o Governo: um discurso desastroso de Passos Coelho, um ministro a desautorizar o Primeiro-ministro e o caso dos submarinos que - iremos seguir com atenção! - poderá fragilizar Paulo Portas e, consequentemente, o Governo.

“É ASSIM QUE EU QUERO, É ASSIM QUE VAI SER”




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama* - reposição em PG

Ao que parece a Lusa tem como principais accionistas o Estado Português (50.14%), a Controlinveste Media SGP, S.A. (23.36%) e a Impresa (22.35%).

Ao que parece, os estatutos da Lusa dizem que a Lusa “assegurará condições para uma efectiva cobertura informativa nacional e regional do País, dos acontecimentos relacionados com a União Europeia, com os países de língua oficial portuguesa, com as comunidades de cidadãos portugueses residentes em outros países ou com outros espaços de relevante interesse para Portugal”.

Ao que parece, a Lusa tem como objectivos, entre outros, “afirmar a importância nacional e internacional da Lusa, ajustando qualitativamente os seus serviços e a sua presença no território nacional e no espaço lusófono, no âmbito da circulação democrática e plural da informação noticiosa e no da defesa dos interesses estratégicos externos do Estado Português.”

Ao que parece, as obrigações do serviço público obrigam a Lusa a “manter delegações, delegados, ou correspondentes em todos os distritos e regiões autónomas de Portugal, em todos os países de língua portuguesa, nos países onde residam comunidades numerosas de cidadãos portugueses e também nos países com os quais se verifiquem mais intensas relações históricas, culturais, diplomáticas ou comerciais com Portugal”.

Ou seja: “Delegações ou delegados no Porto, Coimbra, Évora, Faro e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira; correspondentes em todos os distritos do país; delegados ou correspondentes em todos os países de língua portuguesa e nos territórios de Macau, na República Popular da China, e de Goa, na Índia; Delegação em Bruxelas; Delegados ou correspondentes nos países com os quais Portugal mantém mais intensas relações políticas, diplomáticas ou comerciais, nomeadamente em Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Rússia, China, EUA, Marrocos e Argélia”,

E ainda, “correspondentes nos países onde residam comunidades portuguesas de maior dimensão, nomeadamente em Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, EUA, Canadá, Venezuela, África do Sul e Austrália.”

Ao que parece, o Código Deontológico dos Jornalistas da Lusa diz:

“1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3. O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4. O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5. O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar atos que violentem a sua consciência.

6. O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7. O jornalista deve salvaguardar a presunção de inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indiretamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8. O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.

9. O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10. O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesse.”

O meu amigo António Veríssimo, no seu (e nosso) Página Global, revolta-se com o facto de a Lusa não ter dado uma linha sobre o ataque que, em Timor-Leste, feriu gravemente um repórter da Rádio Rakambia, durante um serviço.

Além disso, diz que “a Agência Lusa terá de explicar a razão da nefasta ausência de notícias em português quando dispõe de uma delegação em Timor-Leste, em Díli”, acrescentando que a Lusa “deverá uma vez mais experimentar vergonha é pela sua falta de solidariedade neste caso do ataque a um colega de profissão.”

“Se a vergonha não assola os responsáveis da Agência Lusa pelo seu tão mau desempenho – agravado ultimamente – e não repõe o exercício do seu dever naquele país, para com as centenas de milhões da comunidade da lusofonia então o melhor será de uma vez por todas sair de Timor-Leste, anunciando-o em vez de cobardemente se alapar na indiferença e no silêncio”, escreve – e bem – António Veríssimo.

Mas para tudo há uma explicação. Recordemos, por exemplo, que quando foi falar à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento português, a propósito do encerramento das delegações da Lusa, Afonso Camões (presidente do Conselho de Administração) foi taxativo ao afirmar: "Não fechámos, mas vamos fechar. É assim que eu quero e é assim que vai ser".

É por estas e por outras que, no reino lusitano, a liberdade de imprensa está em vias de extinção (eu sei que sou optimista). Aliás, Afonso Camões continua a ser coerente com a sua filosofia profissional: “É assim que eu quero e é assim que vai ser". Antes da Lusa foi assim que desempenhou a sua função no Jornal de Notícias, tendo dado um decisivo contributo para que esse diário solidificasse a sua posição de primeiro… entre os últimos.

Se os donos dos meios de comunicação, se os donos dos donos, assim querem “é assim que está a ser, é assim que vai continuar a ser”. Nem que pelo meio tenham de contar quem anda a comer quem, quem anda a ser comido por quem.

Para além da minha débil experiência profissional (só ando nisto do jornalismo há quase 40 anos), faço contas aos jornalistas desempregados, aos que mudaram de profissão, aos que estando no activo estão na prateleira, aos que tendo emprego estão desempregados, aos que adoptaram uma coluna vertebral amovível, aos que se filiaram no partido para garantir o emprego, aos que em vez de erectos andam de cócoras, aos que por um prato de lentilhas dizem ámen a tudo, aos que aceitam ser comidos.

E como em qualquer democracia, em qualquer Estado de Direito, se o presidente de uma empresa pública pode sempre dizer “é assim que eu quero e é assim que vai ser", porque carga de chuva, meu caro António Veríssimo, deveria ser diferente o que se passa em Timor-Leste ou em Angola?

É assim que eles querem, é assim que foi e é assim que será.

Nunca como agora ser imbecil e criminoso é condição sine qua non para ser “jornalista” mas, sobretudo, para ser director e até administrador. Isto já para não falar em ser deputado, assessor, especialista ou membro do Governo.

Por alguma razão, quando em 2004 chegou à liderança do PS, José Sócrates jurou a pés juntos que a liberdade de imprensa era para si sagrada... Por alguma razão Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e companhia juraram a mesma coisa. Chegados lá, a regra passou a ser: “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

Por outras palavras, o poder quer que os jornalistas perguntem não o que o Estado/país/bordel pode fazer por eles, mas sim o que eles podem fazer pelo bordel/país/Estado. E quando o governo os manda deitar…

E o que melhor podem fazer é aceitar que para serem um dia directores ou administradores de um jornal têm de ser criados do poder.

Também penso que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. Mas se assim é, a dita está, no reino lusitano, coxa. Muito coxa. Até porque não basta dizer que existe democracia porque “é assim que eu quero e é assim que vai ser".

Em Portugal é não só legal como nobre o facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar o partido, ministros empresas ou políticos.

Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. E quando alguém contesta, está sujeito a ouvir, com todo o espírito democrático: “É assim que eu quero e é assim que vai ser".

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.



AGÊNCIA LUSA É SÉRIA CANDIDATA AO PRÉMIO CAGALHÃO DE OURO




A Fábrica dos Blogues, que produz o Timor Lorosae Nação e o Página Global (blogues que mantém no ativo), tomou a iniciativa de instituir o prémio Cagalhão de Ouro para as entidades e outros que se destacam por maus desempenhos em várias áreas. Também a área da informação-não-informação será incluída e contemplada nesta nossa iniciativa. O evento, a cerimónia, realiza-se em data a anunciar.

É com esse propósito, de divulgação desta iniciativa, que destacamos aqui hoje a muitíssimo provável vencedora do prémio Cagalhão de Ouro: a Agência Lusa. Contudo será o coletivo do júri que deverá decidir e pronunciar-se em data próxima. Só então saberemos o resultado final.

Na realidade acreditamos que a forte candidata Agência Lusa deverá ser a favorita e vencedora do prémio maior, sobretudo pelo esforço que tem feito em trazer todos os cidadãos da lusofonia, interessados na atualidade timorense, em vasta ignorância. Por isso o nosso vaticínio favorável a tão ilustre e empenhada entidade dedicada à notícia-não-notícia (sobre Timor-Leste, principalmente). – TLN

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BAN KI-MOON EM TIMOR-LESTE COM AS HABITUAIS DECLARAÇÕES DA TRETA




ONU APOIA A UNTL PARA A SUA INTERNACIONALIZAÇÃO

O Reitor Universidade Nasional Timor Lorosa’e (UNTL) Aurelio Guterres disse durante o encontro do Secretario-Geral da ONU, Ban Ki-moon com estudantes da UNTL, que a universidade estatal tem como próximo objectivo a sua internacionalização, nomeadamente ao nivel do continente asiático.

“A nossa intenção é internacionalizar a nossa universidade e convidamos todos os diplomatas a seguirem o exemplo do Secretário Geral da ONU, a virem dar uma palestra à nossa instituição.

” Apesar da sua retirada, a ONU irá continuar a apoiar Timor-Leste na área da educação “O Secretário-geral da ONU referiu ontem que está disponivel para continuar a apoiar-nos, ao nível da formação de professores” informa Aurelio.

SAPO TL com CJITL

ESCOLA TIMORENSE É EXEMPLO PARA O MUNDO

PDF - Lusa

Díli, 15 ago (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou hoje a escola de Cassait, em Timor-Leste, como um exemplo da "filosofia" de Educação que pretende partilhar a com uma nova iniciativa global.

O Ensino foi o tema central do segundo e último dia de visita de Ban Ki-moon à capital timorense, acompanhado pelo recém-nomeado enviado especial para a Educação Global, o ex-primeiro ministro britânico Gordon Brown, com incentivos à continuação dos esforços que as autoridades timorenses tem vindo a fazer no campo.

"Reconheço a vossa dedicação à Educação de qualidade. Quero amplificar os vossos esforços mobilizando todos os parceiros numa nova iniciativa global, chamada `Educação em Primeiro Lugar´", disse Ban.

O objetivo desta iniciativa é aumentar o número de crianças matriculadas nos países em desenvolvimento, melhorar a qualidade do ensino e "criar cidadãos globais".

A escola de Cassait, afirmou, "prova que a Educação não é para os privilegiados - é um Direito Humano para todos".

Ban citou mesmo o diretor da escola, Soares Ribeiro, afirmando que está "contribuir para a paz e estabilidade ajudando a educar cidadãos responsáveis, educados e participativos".

"Esta é a filosofia que quero partilhar com o mundo", adiantou.

"Quando vejo Timor-Leste a investir na Educação, sei que as sementes de um futuro melhor vão frutificar em breve", disse o secretário geral da ONU.

Também hoje, antes de concluir a sua segunda visita ao país, Ban Ki-moon esteve na Universidade de Timor Leste.

Na quarta-feira esteve no Parlamento Nacional timorense, na presença das principais figuras do Estado, tendo enaltecido o progresso socioeconómico e segurança no país, lembrando os parlamentares que "o trabalho difícil começa agora".

Os "desafios comuns" em Timor-Leste, disse, incluem dar "esperança e oportunidade aos jovens", fazer "o melhor uso dos recursos naturais disponíveis", além de continuar as reformas nos setores da Justiça e Segurança e avançar na adesão à ASEAN.

*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG

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Moçambique: OS INCOMPETENTES DA PÁTRIA AMADA



Verdade (mz), opinião, editorial

À semelhança das distinções que são atribuídas aos profissionais nas diversas áreas a nível mundial, o Governo moçambicano devia ser distinguido pela sua tamanha incapacidade e incompetência de corar de vergonha a todos nós. Olhando para a situação actual em que o nosso país está mergulhado, chega-se a uma conclusão incontestável: O Presidente da República “empregou” quase todos os incompetentes que existiam no mercado nacional para conduzir o povo à desgraça.

Se antes havia alguma réstia de incerteza, presentemente parece que ninguém tem dúvidas de que somos um país governado por um grupo de indivíduos que continua a apostar apaixonadamente no atraso do seu povo.

Apesar de 37 anos de independência, Moçambique nunca teve um dos melhores índices de qualidade de vida e uma Economia próspera e controlada, nem conseguiu ser auto-sustentável na produção de alimentos e dispor de um sistema de Saúde e de Educação funcional e tão-pouco foi capaz de criar uma rede muito bem estruturada de transportes públicos.

Falando em transporte público (se é que se pode falar nisso em Moçambique), todos os dias centenas de milhares de moçambicanos são obrigados a fazer um malabarismo hercúleo para chegar até ao posto de trabalho. Como se não bastasse a dor de cabeça que é o alto custo de vida e o deficitário acesso à Saúde e à Educação, a população moçambicana tem de viver com mais esse insuportável problema na cabeça: escassez de transporte.

É preocupante num país como o nosso, rico em recursos minerais e naturais e, ainda por cima, um dos maiores produtores mundiais desse combustível, perto de 30 autocarros da Empresa Municipal de Transportes Públicos de Maputo encontrarem-se parqueados devido à ruptura de stock de gás natural, resultante do péssimo serviço que a única empresa autorizada a vender aquele combustível em Moçambique tem vindo a prestar à nação.

Assistimos aos “Incompetentes da Pátria” a fazerem grosseiras asneiras, adquirindo 150 autocarros sem acessórios e de péssima qualidade, para convencer o povo de que estão preocupados com o seu bem-estar. Assistimos à criação de gabinetes disto e daquilo, à implementação de projectos de natureza diversa e de importância obscura, em detrimento de políticas sociais e públicas.

Há aproximadamente quatro décadas que o povo vive na menoridade e como súbdito da política pervertida limitando-se apenas a dizer “viva” às decisões duvidosas e a obedecer cegamente. Os “Incompetentes da Pátria”, mentirosamente, prometeram aos moçambicanos que se os elegessem seriam fiéis servidores, e o povo na ingénua convicção elegeu. Mas a primeira coisa que eles fizeram foi armarem-se até aos dentes para acomodar a corrupção e o nepotismo, em detrimento dos legítimos interesses da maioria oprimida.

Os improdutivos de que é feito o nosso Governo nunca souberam trazer contribuições salutares para a nação, pelo contrário, limitam-se a empurrar para o abismo o povo que, com o suor do seu trabalho em troca de salários de fome, alimenta os carros de luxo, as viagens para o exterior em classe executiva, e outros caprichos.

Acreditamos que o povo moçambicano irá despertar do coma e abandonará a domesticação e a menoridade a que tem sido submetido. Os moçambicanos terão a consciência de que existe neles um poder revolucionário capaz de os tornar senhores dos seus destinos. Quando esse dia chegar, a mudança será profundamente revolucionária.

Moçambique: GUEBUZA PRESIDE À SADC, PRODUÇÃO DE ENERGIA AUMENTA




Guebuza elege desenvolvimento de infraestruturas na presidência da SADC que hoje assumiu

17 de Agosto de 2012, 12:53

Maputo, 17 ago (Lusa) - O Presidente moçambicano, Armando Guebuza assumiu hoje a presidência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) elegendo como prioridade o desenvolvimento de infraestruturas por "reconhecidamente, desempenharem um papel de grande relevo no processo de integração regional".

Armando Guebuza assumiu hoje a presidência anual rotativa da SADC em substituição do chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, cuja presidência esteve também assente no desenvolvimento de infraestruturas rumo à integração económica regional.

"Tendo em vista dar continuidade aos trabalhos e reflexões em curso, a presidência moçambicana da SADC elege para o período 2012-2013 o lema que dá enfoque aos Corredores de Desenvolvimento como veículos para a Integração Regional. Esta escolha deriva também do papel que os corredores assumem na cristalização da dimensão social do desenvolvimento e do processo de integração que prosseguimos e almejamos", disse o novo presidente do bloco da região austral de África, Armando Guebuza.

O chefe de Estado moçambicano sublinhou que a aposta em infraestruturas prende-se igualmente com o facto de "os corredores induzirem o surgimento de pequenas e médias empresas, gerando assim, mais oportunidades de emprego para os nossos cidadãos".

"Facilitando a circulação de pessoas e bens estamos a contribuir para um melhor conhecimento dos cidadãos dos nossos países, dos espaços geográficos que configuram a SADC e das potencialidades e oportunidades que se abrem em cada um dos nossos países", acrescentou.

"É com muita honra que aceitamos a responsabilidade que nos acabam de confiar, de dirigir os destinos da SADC, dando continuidade à implementação da agenda de integração regional que prosseguimos há trinta e dois anos", disse o Presidente moçambicano.

O vice-Presidente de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, lembrou que a presidência angolana consolidou as bases para integração regional na área de desenvolvimento das infraestruturas visando a facilitação de trocas comerciais e a liberação económica.

"Em reunião realizada no passado mês de junho, em Luanda, foi aprovado o Plano Diretor de Desenvolvimento das Infraestruturas, que constitui um pilar importante do processo de integração regional", disse Fernando Piedade Dias dos Santos.

Na cimeira da SADC em Maputo, os chefes de Estado e de governo vão criar um fundo de desenvolvimento de infraestruturas.

MMT.

Produção de energia aumentou 6,4% no primeiro semestre - ministro

17 de Agosto de 2012, 16:00

Maputo, 17 ago (Lusa) - A produção total de energia em Moçambique aumentou 6,4 % no primeiro semestre deste ano, influenciada pela produção hídrica de Cahora Bassa e da Eletricidade de Moçambique, disse hoje o ministro da Planificação e Desenvolvimento.

Intervindo numa mesa redonda, em Maputo, sobre os desafios do país na área da energia, Aiuba Cuereneia acrescentou que, no mesmo período, foram feitas 64.396 novas ligações, o que representa um incremento de 10,5% em relação aos primeiros seis meses de 2011.

O número total de consumidores de energia da rede nacional moçambicana "passou de 916.336 no primeiro semestre de 2011 para 1.075.024", disse o membro do governo de Moçambique, país que tem cerca de 22 milhões de habitantes.

Na ocasião, Aiuba Cuereneia reafirmou a participação do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no financiamento da linha de transmissão de energia do centro para sul do país, um projeto, conhecido como "espinha dorsal" a que a empresa portuguesa REN se quer associar.

Falando aos jornalistas no final do encontro, o representante do BAD em Moçambique, o caboverdiano Joseph Ribeiro, estimou em entre 300 e 400 milhões de dólares o investimento da instituição nesse processo, que deverá arrancar em 2013.

LAS

*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG