terça-feira, 27 de setembro de 2011

XANANA, UMA VISITA EMOCIONADA A LISBOA




TVI24

Portugal e Timor-Leste assinaram esta terça-feira protocolos nas áreas da Defesa e Segurança Interna e um memorando de entendimento sobre infra-estruturas. Xanana Gusmão que está de visita oficial a Lisboa esteve reunido com Cavaco Silva e com Passos Coelho, onde se deixou emocionar ao recordar o apoio de Portugal a Timor.

«Pedimos a continuidade do apoio à formação da polícia e de todas as componentes da segurança interna», disse. Xanana Gusmão congratulou-se por Timor-Leste ter conseguido «quebrar o ciclo de violência de dois em dois anos», assumindo o compromisso de que os erros do passado não serão repetidos.

O primeiro-ministro timorense referiu-se também à actual situação económica de Portugal, adiantando que espera que «o povo português possa dar um exemplo de determinação e de firmeza», na resolução da crise.

Visivelmente emocionado, lembrou o tempo em que «o povo português sentiu nas veias o sangue que se perdia em Timor-Leste» para desejar sucesso a Portugal.

Por seu lado, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse que Portugal acompanha de forma muito próxima o desenvolvimento em Timor-leste, com o qual tem «relações bilaterais excelentes».

Para o chefe do Governo português, o plano de desenvolvimento de Timor-Leste é uma «oportunidade grande» para que Portugal alie a vontade e o sentimento de proximidade à necessidade de envolvimento no desenvolvimento do país.

Para Passos Coelho, a assinatura dos acordos de cooperação hoje em Lisboa são a expressão de como o governo está a «trabalhar arduamente para um nível de cooperação muito elevado», mas representam também «sementes para o futuro» relacionamento com Timor-Leste.

O primeiro-ministro português elogiou ainda os esforços «bem sucedidos de instaurar uma sociedade democraticamente madura», considerando que as eleições presidenciais e legislativas de 2012 são o culminar dessa estratégia bem conhecida.

«Em cada português há também um timorense que anseia por um desenvolvimento, pela paz e pela segurança a que Timor tem mais do que direito», rematou Passos Coelho.


Timor-Leste: DOCUMENTOS DA RESISTÊNCIA ONLINE





O Arquivo & Museu da Resistência Timorense digitalizou e colocou online trinta mil documentos relacionados com as actividades do movimento que combateu a ocupação indonésia.

Segundo Antoninho Batista Alves, director da instituição, na sua intervenção no VI Encontro de Museus de Países e Comunidades de Língua Portuguesa, que decorre em Lisboa, o Arquivo & Museu recolheu no total 50 mil documentos, faltando ainda digitalizar e tornar acessíveis por via electrónica 20 mil.

A par dos documentos da resistência é possível aceder no site desta instituição a fotografias e informações sobre Timor-Leste, desde a época colonial.

Portugal - Madeira: Só há acordo para regularizar finanças se Madeira aceitar, diz Jardim




PÚBLICO - LUSA

O cabeça de lista do PSD às eleições legislativas regionais avisou hoje que o acordo para regular as finanças da Madeira não avança sem a anuência da região, exigindo iguais condições para o tratamento da dívida.

“Vamos endireitar, regular, agora as finanças da Madeira, mas não pensem que Lisboa pode impor à Madeira uma solução sem haver acordo nosso”, afirmou Alberto João Jardim, lembrando que “a regularização das finanças implica a aceitação da Assembleia Legislativa da Madeira”.

Num comício na freguesia do Caniço, concelho de Santa Cruz, o candidato social-democrata alertou: “É isso que está na Constituição e se vierem com manobras para explorar o povo madeirense, a maioria PSD não assina nada com Lisboa”.

O responsável, líder do Executivo madeirense desde 1978, tornou a explicar a situação financeira da região: “O buraco é muito simples, roubaram-nos o dinheiro, eu não parei, foi preciso acertar tudo com empreiteiros e credores, e só se podia dar os números quando estava tudo acertado”.

Depois de reiterar que “não há nada a esconder”, Jardim afirmou que teve “a honestidade de pedir a intervenção da República antes das eleições”, acrescentando: “Não é como os Açores, que deixou [sic] para Novembro”.

O responsável adiantou que o “acerto de contas” será feito “com o Governo da República” e não com a troika.

“Eu nunca assinei nada com a troika. Não assino nada com a troika. Não vou estar aqui para aturar políticas que só pensam no défice”, declarou Alberto João Jardim, notando que os madeirenses, “como os outros portugueses”, vão “fazer sacrifícios por igual”, logo “o tratamento da dívida vai ser também igual para todos”.

“Também somos portugueses e, portanto, se o Estado português vai pagar a dívida a 30 anos, eu exijo que também a dívida da Madeira seja paga a 30 anos; se o Estado português vai pagar a dívida com os juros baixos que foram criados pelo Banco Central Europeu, então são esses mesmos juros baixos que se aplicam à Região Autónoma da Madeira”, considerou.

A este propósito, o candidato acrescentou: “Apareceu há dias aí uma fascista do CDS, que é vice-presidente da Assembleia da República, que disse que íamos pagar a nossa e a dívida deles. Para essa senhora eu faço aquele gesto do Bordalo Pinheiro”.

Às centenas de pessoas presentes no comício, o cabeça de lista do PSD apelou para uma nova maioria absoluta: “Precisamos da maioria absoluta porque temos negociações difíceis a fazer com Lisboa”, sublinhou, referindo estar em jogo “o emprego de muita gente” ou o “dinheiro para continuar a manter a Madeira a funcionar”.

Por fim, lembrou: “Demonstrei-vos sempre que sabia negociar com Lisboa. Melhor ainda que agora é o meu partido, o nosso partido, que está no Governo em Lisboa. Dêem-me força, que eu vou negociar e não quero saber da troika para nada”.

*Foto em Lusa

Timor-Leste: COOPERAÇÃO NA ÁREA DA SEGURANÇA SERÁ REAJUSTADA DEVIDO À CRISE




PÚBLICO - LUSA

Portugal vai continuar a cooperar com Timor-Leste na área da segurança, embora com um reajustamento devido à crise, disse hoje à agência Lusa fonte do Ministério da Administração Interna.

A colaboração entre os dois países prevê o alargamento da cooperação técnico-policial no controlo de fronteiras e a formação e o recrutamento da Polícia Nacional de Timor-Leste por parte de elementos da GNR, precisou a mesma fonte.

O acordo de alargamento da cooperação terá, no entanto, um reajustamento, tendo em conta a actual situação económica de Portugal, adiantou.

O convénio também prevê uma "repartição dos custos dos militares que estiverem deslocados" no território timorense, acrescentou.

De acordo com a mesma fonte do Ministério da Administração Interna, a GNR vai permanecer em Timor-Leste, estando ainda a ser estudado o número de militares e o tipo de cooperação técnico-policial, porque "existem algumas questões a estudar e a aperfeiçoar", sublinhou.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, chegou ao final da tarde de hoje ao Ministério da Administração Interna, em Lisboa, tendo sido recebido pelo ministro português, Miguel Macedo, que o acompanhou para ouvir fados à entrada do Ministério, antes do começo da reunião.

*Foto em Lusa

MAPUTO E DÍLI VÃO REFORÇAR TROCA DE INFORMAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO E LEGISLAÇÃO




MSE - LUSA

O Procurador-Geral da República de Moçambique, Augusto Raul Paulino, disse hoje em Díli, no final de uma visita de uma semana a Timor-Leste, que os dois países vão reforçar a troca de informações no domínio da formação e legislação.

"Vamos centrar a nossa principal ação na troca de informação, na troca de delegações, quadros que venham aqui ou que saíam daqui para Moçambique", disse aos jornalistas, em conferência de imprensa.

Segundo o Procurador-Geral da República de Moçambique, os dois países vão desencadear um "processo de troca mútua das experiências positivas que Timor tem e das positivas que Moçambique tem".

"A partir desta construção, é possível detetarmos pontos de colaboração mais persistentes e eficazes", disse.

Durante a sua estada em Díli, a convite da sua homóloga timorense, Ana Pessoa, que visitou Moçambique no ano passado, Augusto Raul Paulino reuniu-se com os representantes das autoridades judiciárias do país e visitou o Centro de Formação Jurídica e o Ministério Público.

O Procurador-Geral da República moçambicano deu também uma palestra sobre "A Experiência de Moçambique no combate à corrupção".

Investimento português pode ser útil nas áreas do turismo, petróleo e comércio - Gusmão




MP - LUSA

Lisboa, 27 set (Lusa) - O investimento português em Timor-Leste seria útil nas áreas do petróleo, turismo e comércio, disse hoje o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que pondera enviar uma comitiva oficial a Portugal para fazer contactos com o setor privado nacional.

No final de um encontro com o Presidente da República, no Palácio e Belém em Lisboa, Xanana Gusmão explicou que este foi um dos assuntos abordados com Cavaco Silva: "Houve uma troca de opiniões sobre a possibilidade de Timor-Leste vir aqui, numa outra visita, falar com o setor privado português sobre as oportunidades que poderão encontrar para participar no desenvolvimento de Timor, segundo o que prevemos no Plano Estratégico de Desenvolvimento".

As áreas do petróleo, turismo e comércio são algumas das que poderão interessar aos investidores portugueses em Timor-Leste: "Viremos aqui, vamos apresentar o plano e vão ver que na área do petróleo, na área do turismo, na área do comércio podemos ser uma plataforma para o mercado da ASEAN. [Mas] posso dar várias áreas e ninguém estar interessado. Portanto, viremos aqui, vamos conversar, vamos convidar [os empresários]", afirmou Xanana Gusmão, recusando adiantar se já recebeu alguma manifestação de interesse de investidores nacionais.

Antes do encontro com Cavaco Silva, e no final de uma cerimónia de assinatura de vários protocolos entre os dois países no Palácio de São Bento, o primeiro-ministro timorense convidou os empresários portugueses a olharem para as oportunidades de investimento em Timor-Leste, destacando o papel do país como "ponte" entre Portugal e a Ásia.

"Convido empresários a olhar para as oportunidades do Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste e para a as oportunidades que hoje temos", disse Xanana Gusmão.

Quanto à possibilidade de Timor-Leste estar interessado na privatização de empresas como a EDP ou a Galp, o primeiro-ministro timorense afirmou que este é um assunto "em ponderação" que precisa "de tempo".

"Estamos em contacto com o Governo português, estamos a tentar encontrar-nos com as instituições relevantes e vamos considerar, vamos ponderar isto tudo. Não são decisões fáceis, mas estamos todos a tentar ver o que se pode fazer", afirmou, acrescentando depois: "Devem compreender que como Estado temos nove anos de vida. Essas questões não podem ser decididas levianamente. Estamos em contacto, estamos em discussão, estamos a tentar ver o que podemos fazer. De momento, não posso dizer nada. Dêem-nos tempo. Temos nove anos de idade. Quando se fala dessas questões complicadas - e é mais por causa da amizade que temos que falamos mais abertamente, acima dos interesses - dêem-nos tempo, dêem-nos oportunidade de olharmos para esses problemas."

Xanana Gusmão adiantou ainda que Cavaco Silva lhe transmitiu "palavras de conforto e apreço pela mudança que se está a verificar em Timor-Leste", sobretudo a nível da segurança e da estabilidade política.

"O Presidente [Cavaco Silva] desejou que as eleições de 2012 continuem a ser realizadas de forma a mostrar que o processo democrático e político em Timor-Leste está maduro", afirmou.

"Foi um encontro como sempre de amigos", disse.

Ministro da Educação de Timor-Leste elogia papel da Universidade de Aveiro na Educação





Professores portugueses formam colegas timorenses

O ministro da Educação de Timor-Leste, João Câncio de Freitas, esteve a 24 de setembro na UA com a equipa multidisciplinar que preparou o plano curricular do secundário para Timor-Leste, pouco tempo depois do Conselho de Ministros ter aprovado o documento.

O ministro João Câncio de Freitas reuniu-se este sábado com a equipa multidisciplinar da Universidade de Aveiro (UA) que tem estado a preparar o plano curricular do Ensino Secundário Geral, a construção dos programas das diversas disciplinas e, ainda, a elaboração dos respetivos manuais escolares para alunos e guias didáticos para professores. «Precisamos do auxílio da UA, com quem temos uma cooperação muito estreita», no âmbito deste e de outros processos, «para formar os colegas timorenses de forma a implementar o currículo com sucesso» referiu o Ministro da Educação.

Com a recente aprovação em Conselho de Ministros do Plano Curricular para o ensino secundário João Câncio de Freitas aproveitou para «em nome do Governo, agradecer a oportunidade desta cooperação, que nos ofereceu um plano excelente, de padrão internacional, que apoia ao desenvolvimento de Timor Leste». Com o regime de implementação aprovado igualmente em Conselho de Ministros, prevê-se que já em 2012 o novo currículo seja implementado no décimo ano, avançando nos anos contínuos para o 11º ano e 12º, estando no final do ano de 2014 completamente operacionalizado.

A Prof. Isabel Martins, docente do Departamento de Educação e antiga Vice-reitora da UA coordena a equipa multidisciplinar de 63 pessoas,  e que reúne maioritariamente professores do ensino secundário e superior e envolve docentes de nove Departamentos da UA que pensa encerrar todo o trabalho em final de 2012. Aprovada «uma peça fulcral, o plano curricular pela importância que dá na unidade das disciplinas» a Prof. Isabel Martins não se esquece de referir que «ainda faltam concluir a construção dos programas das diversas disciplinas e, também, a elaboração dos respetivos manuais escolares para alunos e guias didáticos para professores para os anos seguintes» o que irá requerer mais um ano de trabalho ao «conjunto de pessoas extraordinárias com um objetivo comum ao qual tive a oportunidade e o privilégio de cativar para este projeto». Dois aspetos deste currículo e dos materiais foram também realçados pela professora da UA: «todas as disciplinas têm o mesmo peso e a mesma importância, conjugadas de forma harmoniosa e não foi esquecida a correta adaptação à realidade de Timor-Leste, aos seus usos e costumes, para que os conteúdos didáticos sejam absorvidos de forma mais correta».

Uma formação secundária adequada à realidade timorense mas com qualidade internacional que garanta o acesso a qualquer universidade é a principal preocupação da equipa que está a conduzir toda a reestruturação do Ensino Secundário Geral de Timor-Leste; uma ação financiada pelo Fundo de Apoio à Língua Portuguesa (IPAD) e pela Fundação Gulbenkian.

Militares timorenses vão integrar contingente português que parte para o Líbano em 2012




IMA - LUSA

Lisboa, 27 set (Lusa) - O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou hoje que 12 militares timorenses vão integrar o contingente português que parte para o Líbano em janeiro de 2012.

O anúncio foi feito por Aguiar-Branco na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro com o seu homólogo timorense, Xanana Gusmão, que esta tarde decorreu no Forte de S. Julião da Barra, em Oeiras, no âmbito de uma visita oficial do também primeiro-ministro de Timor-Leste a Portugal.

Embaixador da China destacou "boa tendência" nas relações de cooperação com Timor-Leste




MSE - LUSA

Díli, 27 set (Lusa) -- O embaixador chinês em Timor-Leste, Fu Yuanchong, destacou hoje, por ocasião da celebração do 62º aniversário da fundação da República Popular da China, a "boa tendência" das relações de cooperação entre os dois países.

"É com grande satisfação que assistimos a uma boa tendência de desenvolvimento das relações de cooperação entre a China e Timor-Leste. São também agradáveis as boas notícias que chegam no que diz respeito à cooperação económica e comercial", afirmou.

A China já entregou este ano às autoridades timorenses a escola primária, o bairro militar e até ao final do ano deverá estar concluído o edifício do Ministério da Defesa e Quartel das Forças de Defesa de Timor-Leste.

Ainda no âmbito da cooperação entre os dois países, a China vai iniciar brevemente a construção do Centro de Estudos Judiciários.

"Diversas empresas chinesas com forte capacidade visitaram Timor-Leste para explorar as oportunidades comerciais no mercado, assinando com os empresários locais vários documentos de intenção, que constituem um alicerce sólido para a futura cooperação", salientou o diplomata.

O presidente do parlamento de Timor-Leste, Fernando La Sama de Araújo, afirmou que a China é um dos países que mais contribui para o desenvolvimento do país e de uma forma distinta.

"A ajuda chinesa tem características distintas das dos outros países, e para vos ser sincero a que mais aprecio é a não pretensão de alterar o modo como Timor-Leste e o governo e o seu povo são", afirmou Fernando La Sama de Araújo.

Segundo o presidente do parlamento timorense, há um "profundo respeito pelas tradições locais e a ajuda não é condicionada a determinada ação política ou legislativa".

FHC: LÍNGUA PORTUGUESA É UM CAPITAL POLÍTICO QUE NÃO DEVE SER DESPREZADO




Jornal do Brasil - Rádio ONU - Mônica Villela Grayley

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o Brasil deve estar mais atento ao movimento de internacionalização da língua portuguesa. Ele disse que falar português, hoje em dia, é dispor de um “capital político”, que não deve ser desprezado.

FHC lembrou que o idioma é falado das Américas à Ásia, e que com a globalização, o Brasil tem muito a ganhar caso decida investir mais recursos na afirmação da língua portuguesa no mundo.

“Os brasileiros não prestavam a devida atenção à importância da internacionalização da língua. A presença do português é grande, porque está na Europa, na África, na América do Sul e do Norte, porque tem muito português por lá, na Ásia… Então, isso é uma vantagem, um capital que não pode ser desperdiçado. A divulgação, a valorização, como o Prêmio Camões e outros dessa natureza, são muito importantes para que a gente possa preservar. E o Brasil deveria ser mais ativo nisso”.

A proposta de promover o português no mundo foi confirmada no Plano de Ação de Brasília, compilado pelos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

Mas para o ex-presidente e autor de vários livros, um outro projeto do bloco: a implementação do Acordo Ortográfico também precisa ser reforçada em todos os países que falam português.

“Eu, quando assino contratos para publicar meus livros, é separado: a editora de Portugal é uma coisa e a do Brasil outra, porque a grafia não serve. Eu acho que nós precisamos ter que levar a sério os acordos ortográficos e levar a sério a necessidade de uma internacionalização do português.”

Durante a semana passada, os ministros das Relações Exteriores dos países de língua portuguesa se reuniram à margem dos debates da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para discutir cooperação em organizações internacionais.

Os ministros também comemoraram a abertura de uma representação da CPLP no Timor-Leste.

O governo de Portugal informou que pediu ao bloco apoio para sua candidatura ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para o biênio 2015-2017.

Brasil: COM GREVE, BANCOS INDICAM CAIXAS ELETRÔNICOS E INTERNET





Bancários de todo o país estão em greve após uma negociação frustrada referente ao aumento salarial da classe. 

Para os clientes não serem prejudicados pela paralisação, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que para realizar operações bancárias, há opções como caixas eletrônicos (179 mil em todo o país), Internet Banking, Mobile Banking, operações por telefone e mais de 165 mil correspondentes não bancários - casas lotéricas, agências dos correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.

De acordo com a Febraban, os clientes também têm como opção os serviços de débito automático para pagamento de contas de consumo (água, luz e telefone), além de realizar transações com segurança por meio de internet banking e mobile banking (operações por meio de celulares).

Relacionado:
Bancários param em todo o país a partir de hoje – Leia o desenvolvimento  e as razões da greve.

UM SISTEMA ANTI-SOCIAL




EMIR SADER – CARTA MAIOR, Blog do Emir

“Se os 44 milhões de pessoas que estão desempregadas nos principais países ricos da OCDE fossem agrupados em um único pais, sua população seria similar à da Espanha. Na própria Espanha, que tem a mais alta taxa de desemprego (21%), o número de pessoas sem trabalho soma a população de Madri e de Barcelona juntas. Nos EUA, os 14 milhões de pessoas oficialmente desempregadas formariam a quinta cidade mais populosa do país. Acrescente-se 11 milhões de “subempregados”, que estão trabalhando menos do que queriam, e se chega à população do Texas.”

As afirmações estão em editorial da revista conservadora britânica The Economist, em um dossiê sobre o desemprego. Uma das lúcidas conclusões da revista: “E o custo humano da crise é pago amplamente pelos que não têm trabalho, porque o desemprego incrementa a depressão, os divórcios, o abuso de drogas e tudo o há de ruim na vida.”

Uma proporção grande das vítimas do desemprego são jovens, em um processo de desemprego que vai se tornando crônico. Nos EUA, a média de tempo no desemprego, que era de 17 semanas em 2007, agora subiu para 40 semanas, aproximando-se de um ano. O nível de expansão da economia nos países mais ricos do sistema não é suficiente nem para absorver os que chegam ao mercado de trabalho, quanto mais para absorver os que já estão desempregados. Calcula-se em 220 milhões os desempregados no mundo inteiro, sob a égide da globalização e das políticas neoliberais. Outros 20 milhões devem perder o emprego só no centro do capitalismo no ano que vem, se a crise se prolongar. O desemprego só não é maior porque a China cria 40 milhões de empregos por ano, nos países progressistas da América Latina – incluindo a Argentina e o Brasil -, onde o desemprego tem sistematicamente diminuído, justamente pela substituição de políticas neoliberais por políticas que priorizam o emprego e o mercado interno de consumo popular.

Os empregos têm sido sacrificados em nome da austeridade, especialmente no setor público, o que não só aumenta o desemprego, como piora a qualidade dos serviços públicos, que atendem à maioria pobre da população – que assim sofre duplamente, com a perda do emprego e a deterioração dos serviços sociais que os atendem.

Os maiores empregadores do mundo são serviços e empresas estatais. Entre os 10 maiores estão o Departamento de Defesa dos EUA, o Exército chinês, seguidas por duas empresas privadas: Walmart e McDonald’s, pela empresa chinesa estatal de petróleo, por outra estatal chinesa – State Grid Corporation of China, pela instituição de serviços de saúde da Inglaterra, pelas empresa de estradas de ferro da India, pelos Correios da China e por uma outra empresa chinesa – Hon Hai Precision Industry.

O desemprego entre os jovens chega a 41,7% na Espanha, 50,5% na Africa do Sul, a 27,8% na Itália, a 23,3% na França. A taxa de desemprego na América Latina está entre as menores do mundo, bem menos do que nos EUA e na Europa, refletindo políticas de manutenção do crescimento e da distribuição de renda por aqui, de ajuste e recessão por lá.

Um sistema que não garante sequer a quantidade de empregos para dar uma fonte mínima de renda a milhões de pessoas, que não projeta perspectiva de empregos garantidos para a maioria dos seus jovens, que tem empregos instáveis, vulneráveis e de péssima qualidade para a maioria dos que conseguem trabalhar – é um sistema anti-social. Porque funciona não conforme a necessidade das pessoas, mas conforme os critérios de rentabilidade fornecidos pelo mercado. Um sistema que leva no seu nome o seu sujeito central – capital – e não os que produzem riqueza por meio do seu trabalho.

**Postado por Emir Sader hoje às 09:35

Cabo Verde: POPULAÇÃO DA PRAIA EM DESESPERO COM A PENÚRIA DE ÁGUA




A SEMANA

Os garrafões, baldes e latas que as mulheres e meninas e meninos carregam na cabeça, em carrinhos de mãos, porta-malas ou carroçarias das viaturas fazem o dia-a-dia da cidade da Praia, fustigada pela falta de água. Em alguns bairros periféricos, como Lém Cachorro, os moradores afirmam que há mais de um mês que as suas residências não recebem uma gota de água da rede. A penúria é de tal modo desesperante que já há quem aproveite a chuva que bafeja a capital do país nas últimas horas para encher baldes, latas e tudo que venha a mão... qualquer coisa serve nem que seja para utilizar na casa de banho.

A “peregrinação” em busca de água não é barata. Cada vasilhame, dizem, custa 50 escudos nas sentinas. Mas o frete, por exemplo, chega aos 200 escudos. De todo o modo, é preferível pagar caro a ficar sem água em casa, afirmam em desespero os moradores de Lém Cachorro.

A falta de água na cidade da Praia, de acordo com o presidente da Comissão Executiva da Electra, resulta de uma avaria no arrancador de um dessalinizador de cinco toneladas da Central do Palmarejo. Segundo Antão Fortes, a avaria é consequência do “blackout” que se registou na semana passada na capital, depois de uma tentativa de roubo de energia nas proximidades do Quartel Escola, o que levou à paragem brusca de todos os equipamentos.

“Estamos com muitas dificuldades no arrancador do dessalinizador do Palmarejo porque alguns equipamentos queimaram”, assegurou o presidente executivo da Electra, acrescentando que estão a ser desenvolvidos esforços para a vinda urgente de um técnico espanhol para substituir as peças queimadas ou para ver se consegue arrancar a máquina.

Enquanto isso, na Central está a funcionar apenas com um dos dessalinizadores de 1200 toneladas. É que, para agravar a situação, o segundo dessalinizador com a mesma tonelagem também está avariado, e aguarda a chegada à capital de um técnico para tentar reparar o problema. Mas a solução para o abastecimento da Praia, perspectiva o PCA da Electra, terá de passar por um terceiro dessalinizador de água de cinco mil metros cúbicos, que está a ser instalado mas que só deverá começar a funcionar em 2012.

Entretanto, no final do dia de ontem, a Electra informou que a avaria registada no dessalinizador de maior capacidade, na Central do Palmarejo, estava resolvida e que a distribuição de água ficará normalizada brevemente.

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Cabo Verde: “Irmãos” de Angola e da Guiné-Bissau na despedida de Aristides Pereira




A SEMANA

Angola e Guiné-Bissau fazem-se representar ao mais alto nível nas exéquias fúnebres de Aristides Pereira, num gesto de reconhecimento pelo contributo que o sucessor de Amílcar Cabral deu às lutas e conquistas destes dois países, de modo particular, e de África, em geral.

O presidente Malam Bacai Sanhá chegou na manhã desta terça-feira à cidade da Praia, para reforçar um abraço de conforto do povo bissau-guineense aos “irmãos” cabo-verdianos nesta hora de render esta última homenagem “a um amigo", a "um dos obreiros da independência” da Guiné. De Angola vem o vice-presidente Fernando da Piedade manifestar, em nome do seu povo e do governo, a consternação pela morte deste “insigne combatente da liberdade” e “figura carismática” de todo o continente.

Malam Bacai Sanhá vem juntar-se ao seu antecessor Henrique Rosa, que está em Cabo Verde desde a noite de domingo para "render uma última homenagem a um amigo, a um africano e ao co-fundador da independência do meu país, Guiné-Bissau”.

Manifestando o sentimento de perda que também tomou conta do seu país, Henrique Rosa não se esqueceu do Aristides que conheceu ainda menino, em Bafatá, "muito amigo" dos seus pais. "Depois segui o percurso dele na luta. Tenho o hábito de dizer aos meus amigos, quando falamos dos homens que fizeram a epopeia da luta, que ele era o rosto tranquilo da luta de libertação e como tal guardo essa recordação”, conta o ex-Presidente guineense.

E em nome daquilo que Aristides fez pela independência da Guiné-Bissau, Henrique Rosa não poderia deixar de vir a Cabo Verde expressar à família e aos cabo-verdianos o seu pesar pela morte deste "homem sempre muito discreto, sábio, sempre com palavras muito bondosas e de um ensinamento muito profundo". "Ele também era um dos pais da independência de África e é uma homenagem muito sentida que lhe presto”, expressa, emocionado.

Emoção na Assembleia

Henrique Rosa foi umas das personalidades que estiveram na tarde na Assembleia Nacional, onde o corpo de Aristides Pereira está em câmara ardente, para curvar-se num adeus sentido ao filho maior deste arquipélago.

Por diversos momentos, a emoção tomou conta da sala, sobretudo quando um grupo de crianças chega e dirige-se à família e às demais entidades presentes. Com elas vem a presidente do ICCA (Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente), Marilene Baessa que, à saída e ainda com voz embargada de emoção, realça que a presença dos mais novos faz todo o sentido nesta hora de recordar o homem e a sua obra.

“O Presidente Aristides Pereira defendeu a célebre frase de que as crianças são as flores da revolução e a razão da nossa existência. O ICCA, instituição criada enquanto ele era Presidente da República, em 1982, jamais poderia deixar de prestar esta última homenagem com algumas crianças acolhidas nos centros da cidade da Praia, em representação de todo o país, e para fazer um agradecimento especial por tudo o que fez pelas crianças cabo-verdianas”, pontua a presidente do ICCA.

Programa das Cerimónias de Estado

A partir das 15h30 desta terça começam a chegar as entidades nacionais e estrangeiras à Assembleia Nacional para às 16 horas o Estado prestar a última homenagem a Aristides.

A cerimónia começa com o Hino Nacional, tocado pela Banda Militar. Segue-se a leitura da biografia de Aristides Pereira, pelo Major António Jorge Rocha. Depois haverá uma oração fúnebre pronunciada pelo comandante de Brigada, ex-Presidente da República e o mais "próximo companheiro" de Aristides Pereira, Pedro Pires.

Por último, o actual Chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, profere uma mensagem de luto em nome de toda a nação e a Banda militar volta a tocar o Hino Nacional para encerrar o acto fúnebre de Estado.

As portas encerram às 22 horas e o corpo segue na manhã de quarta-feira para a ilha da Boa Vista, onde se realiza o funeral, a título privado, na sua terra Natal, Fundo das Figueiras.

Malam Bacai Sanhá: “PERDEMOS UM PAI”





O Presidente da Guiné-Bissau não escondeu a tristeza ao chegar à Assembleia Nacional, na hora em que abraçou Pedro Pires. Visivelmente emocionado, ainda no aeroporto, Malam Bacai Sanhá lamentou a perda de um pai para a Guiné e lembrou o homem “simples que não mostrava que era capaz de fazer tanta coisa que fez”.

“É uma grande perda, perdemos um grande homem. Para a Guiné, uma coisa é certa: perdemos um pai, porque ele de facto foi um pai. Nas dezenas de anos que viveu na Guiné, durante a luta, e depois da luta continuou connosco, mesmo estando aqui como Presidente da República e como secretário-geral”, disse aos jornalistas o Presidente da Guiné-Bissau, ainda no aeroporto da Praia.

Malam Bacai Sanhá lembra ainda que, “mesmo depois do 14 de Novembro, quando rompeu com o processo da unidade, continuou sempre com os guineenses”. “Portanto, para nós é um pai, que perdemos e depois era uma grande, grande biblioteca, tudo quanto sabia da luta, espero que tenha deixado tudo escrito”, diz esperançado.

Com a emoção a tomar conta da voz, o chefe de Estado recordou ainda quem que foi Aristides Pereira. “Era um homem simples que não mostrava que era capaz de fazer tanta coisa que fez. Quando o Amílcar foi assassinado ninguém esperava que o Aristides estivesse em condições de tomar conta, mas tomou e cumpriu a agenda do Amílcar. Era um homem extraordinário que ficou nas minhas memórias”, concluiu.

Na Assembleia Nacional, Malam Bacai Sanhá prestou as honras em frente aos restos mortais de Aristides Pereira, distribuiu abraços sentidos aos familiares e quando aproxima-se de Pedro Pires solta a emoção até ali contida: “Perdemos um pai”, repete.

O Presidente da Guiné-Bissau chegou a Cabo Verde acompanhado pela esposa e vários ministros guineenses e foi recebido pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, esposa e membros do governo.

No átrio do Parlamento, estiveram durante a manhã vários familiares, membros do governo e, à chegada do chefe de Estado da Guiné-Bissau, estavam também o comandante Pedro Pires e esposa, assim como o Primeiro-ministro, José Maria Neves, ladeado, igualmente, pela esposa.

IMN

Moçambique: ACIDENTES RODOVIÁRIOS MATAM TANTO COMO A SIDA OU A MALÁRIA




EMYP - LUSA

Maputo, 27 set (lusa) -- O número anual de vítimas mortais de acidentes rodoviários em Moçambique equipara-se aos níveis de mortalidade provocados por epidemias e doenças como o HIV/SIDA, revelou o vice-comandante da polícia moçambicana, Basílio Monteiro.

Desde o início do ano, pelo menos 1179 pessoas perderam a vida nas estradas moçambicanas e mais de 1820 vão ficar com sequelas para o resto das suas vidas, números que espelham as consequências dos 2350 acidentes rodoviários registados durante este período.

Apesar de considerar que os dados de sinistralidade rodoviária atuais apontam para uma redução do número de casos, o vice-comandante da Polícia Republicana de Moçambique (PRM) considerou, recentemente, que o impacto do fenómeno equipara-se ao de epidemias e doenças como o HIV/SIDA ou a malária.

Hoje, o porta-voz do Comando-geral da PRM, Pedro Cossa, avançou com novos números de sinistros rodoviários ocorridos durante a semana passada.

Só na província de Maputo, pelo menos 30 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas, como consequência dos 56 acidentes registados nos últimos sete dias.

O elevado índice de mortalidade nas estradas de Moçambique tem gerado preocupações no seio do governo moçambicano.

No passado dia 24 de setembro, entrou em vigor um novo código da estrada em Moçambique que prevê coimas mais elevadas e penas de prisão para os transgressores dos limites de velocidade e níveis legais de consumo de álcool, entre outros.

“NOSSO TRABALHO É GANHAR DINHEIRO COM CRISE”, diz operador de mercado


O operador de mercado independente Alessio Rastani, que em entrevista à BBC nesta segunda-feira alegou que "a crise é como um câncer"

CORREIO DO BRASIL

O mercado financeiro não liga para o novo plano de resgate preparado para tentar salvar a economia da zona do euro e se interessa apenas em faturar com uma eventual nova recessão, revelou um operador de mercado independente entrevistado pela BBC.

- Sonho com esse momento (de declínio econômico) há três anos. Vou confessar: sonho diariamente com uma nova recessão. Se você tem o plano certo, pode fazer muito dinheiro com isso, declarou Alessio Rastani, em entrevista na última segunda-feira.

Questionado a respeito de o que faria o mercado confiar nos planos orquestrados para salvar economias em perigo, como a da Grécia, Rastani disse que, como operador, não se importa. ”Não ligamos muito para como vão consertar a economia. Nosso trabalho é ganhar dinheiro com isso”, afirmou.

- Os governos não controlam o mundo. O (banco) Goldman Sachs controla o mundo. O Goldman Sachs não liga para esse resgate, nem os grandes fundos, afirmou.

A entrevista, ainda que revele apenas a opinião individual de um operador, mostra que nem sempre o funcionamento dos mercados financeiros está em sintonia com o crescimento econômico.

Segundo Rastani, os grandes fundos e investidores não acreditam nas novas propostas – as quais, segundo informações preliminares, preveem a injeção de recursos em um fundo europeu de resgate e um possível calote parcial da Grécia – e estão tirando seu dinheiro da economia do euro e investindo-o em ativos mais seguros, como dólar e títulos de Tesouro.

Governados pelo medo

- Estou confiante que esse plano não vai funcionar, independentemente de quanto dinheiro (os governos) puserem. O euro vai desabar, afirmou ele. “Os mercados estão sendo governados pelo medo.”

A âncora da BBC Martine Croxall disse que todos no estúdio estavam surpresos com as declarações. “Agradecemos sua sinceridade, mas (a atitude dos mercados) não nos ajuda muito, não?”

Rastani respondeu: “Essa crise é como um câncer. Se esperarmos, vai ser tarde demais. O que digo para as pessoas é: preparem-se. Não pensem que o governo vai consertar. Quero ajudar as pessoas, elas precisam aprender a fazer dinheiro com isso. Primeiro, protegendo seus ativos. Em menos de 12 meses, ativos de milhões de pessoas vão desaparecer”.

Comandante da PM foi detido e exonerado do cargo por suspeita de mandar assassinar juíza




CSR - LUSA

Rio de Janeiro, 27 set (Lusa) -- O comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no bairro da Maré, na zona norte da cidade, foi hoje exonerado do cargo e detido por ser suspeito de ter mandado matar a juíza Patrícia Acioli, divulgou a imprensa brasileira.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o tenente-coronel Cláudio Luiz Oliveira foi detido hoje e encontra-se nas instalações do Batalhão de Choque.

Luiz Oliveira é suspeito de ter mandado assassinar a juíza Patrícia Acioli, que foi morta a tiro à porta da sua casa, em Niterói (cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro), no mês passado.

Na altura do assassinato, o oficial era comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar (PM), em São Gonçalo, município onde a magistrada trabalhava.

Outros três polícias militares, suspeitos de envolvimento no crime, já foram presos.

O Ministério Público conseguiu que os três polícias fossem transferidos, na semana passada, da Unidade Prisional da PM, em Benfica, para outras unidades separadas, com o objetivo de evitar que combinem o que irão dizer nos seus depoimentos.

A suspeita sobre o tenente-coronel surgiu após o depoimento de um dos polícias presos. O polícia militar acusou o ex-comandante de ser o mandante do crime.

Segundo a investigação feita até agora, o motivo do assassínio de Patrícia Acioli está relacionado com a morte do jovem Diego Belini, durante uma operação policial.

Os envolvidos neste crime, que pertenciam ao Batalhão de São Gonçalo, já estavam a ser investigados por suspeitas de terem forjado a morte de Belini.

A juíza Patrícia Acioli foi assassinada com 21 tiros e, segundo a polícia, o crime foi planeado um mês antes.

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas fazem Eduardo dos Santos esquecer José Sócrates




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Ao contrário do que aqui (onde mais poderia ser?) escrevi, o  regime angolano está satisfeito com o governo português dirigido pelo “africanista de Massamá”,  Passos Coelho.

“Está a sair melhor do que a encomenda”, dizem fontes do partido que dirige Angola desde 1974 (o MPLA) e do presidente que está há 32 anos no poder sem ter sido eleito. Acrescentam que, afinal, para os objectivos de Luanda a estratégia de Passos Coelho é bem mais agradável do que a de José Sócrates.

José Eduardo dos Santos perdeu um velho amigo, José Sócrates, mas encontrou na dupla Passos Coelho/Paulo Portas novos amigos que continuam não só a considerá-lo um “líder carismático” como ainda abriram mais as portas que existem e as que não existem à entrada triunfal do seu clã.

De facto, tal como José Sócrates, também o actual governo português não está interessado em que o MPLA alguma vez deixe de ser dono de Angola. O processo de bajulação continua a bem, dizem, de uma diplomacia económica que – neste caso – se está nas tintas para os angolanos.

Embora já não tendo, como no tempo de Sócrates, tantos ditadores para idolatrar, o governo português continua a querer dar-se bem com os que existem, sobretudo com aqueles que têm dinheiro para ajudar a flutuar as ocidentais praias lusitanas.

É disso paradigma o actual líder do país (Angola) que preside à Comunidade de Países de Língua Portuguesa e que, como prova da democraticidade do seu regime, está no poder – repita-se - há 32 anos sem ter sido eleito.

Paulo Portas, que até foi excepcionalmente recebido pelo dono de Angola, acredita que o importante para Portugal são os poucos que têm milhões e não, claro, os milhões que têm pouco… ou nada. E tem razão.

A Portugal interessam apenas aqueles angolanos que já representam 30% do mercado de luxo português, que vestem Hugo Boss ou Ermenegildo Zegna, que compram relógios de ouro Patek Phillipe e Rolex.

Quanto aos outros, os 70% da população que vive na miséria, que é pé descalço, que tem a barriga vazia, que vive nos bairros de lata, que é gerado com fome, nasce com fome e morre pouco depois com... fome, esses que se lixem.

E se Portas diz que as relações com Angola são excelentes, é porque são mesmo. Eu diria bem mais do que excelentes... na óptica da Oferta Pública de Aquisição lançada por Angola (que não pelos angolanos) sobre Portugal.

Tão excelentes como o facto de 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. Tão excelentes como Angola ser um dos países mais corruptos do mundo.

Tão excelentes como a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens ser o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos. Tão excelentes como o facto de 80% do Produto Interno Bruto ser produzido por estrangeiros; mais de 90% da riqueza nacional privada ser subtraída do erário público e estar concentrada em menos de 0,5% de uma população.

Tão excelentes como a certeza de que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, estar limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

Como se já não bastasse a recente bajulação socialista de Lisboa ao regime angolano, os portugueses continuam agora a assistir a novos episódios da mesma bajulação, embora com diferentes protagonistas.

Parafraseando José Sócrates, não basta ser primeiro-ministro ou ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros para saber contar até doze sem ter de se descalçar... Mas, é claro, ser do governo é suficiente para, por ajuste directo, entregar ao dono de Angola tudo o que ele quiser. Espera-se, aliás,  que queira tudo e mais alguma coisa.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

ECONOMIA DE ANGOLA CRESCERÁ DUAS VEZES E MEIA DA MÉDIA MUNDIAL EM 2012





Luanda, Angola, 27 Set – A economia de Angola crescerá 10,8% em 2012, muito acima da economia mundial (4%) e mesmo da média de crescimento estimada para o conjunto das economias emergentes e em desenvolvimento (6,1%), de acordo com as mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional.

Citado pelo jornal angolano O País, o relatório “World Economic Outlook” do FMI, divulgado esta semana, indica que a África a sul do Saara crescerá 5,8% em 2012, sendo Angola um dos países que mais crescerá na região no próximo ano, muito acima da África do Sul (3,6%) e da Nigéria (6,6%).

O forte crescimento da economia angolana num contexto que se prevê seja marcado pela incerteza, pela desaceleração global e, em consequência, pelo recuo significativo no preço das matérias-primas, designadamente do petróleo, ficará a dever-se essencialmente, refere o documento do Fundo, a “uma forte recuperação na produção petrolífera, após uma interrupção em 2011”.

Para este ano, o FMI antecipa um crescimento de 3,7% da economia de Angola, revendo assim em baixa a sua previsão anterior e alinhando-a pela prudência da estimativa oficial (3,6%), fixada pelo governo angolano em Junho, na “Fundamentação do Pedido de Autorização de Créditos Adicionais ao Orçamento Geral de Estado (OGE) de 2011”.

No seu relatório, o FMI aponta para uma rota claramente descendente dos preços internos com a taxa de inflação a situar-se este ano em 15% e a cair para 13,9% em 2012.

No que respeita às contas externas de Angola, o relatório estima que o saldo da Balança Corrente terá uma evolução claramente positiva este ano (12% do produto interno contra os 8,9% do PIB verificados em 2010), projectando-se que, em 2012, corresponderá a 7,3% do PIB.

Refira-se ainda que Angola é classificada no relatório, no que respeita à sua posição face ao exterior, como um credor líquido. (macauhub)

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GOVERNO DE ANGOLA ANUNCIA EXPULSÃO DE MAIS DE 140 CIDADÃOS ILEGAIS




NME - LUSA

Luanda, 27 set (Lusa) -- O Governo angolano anunciou hoje a maior expulsão em massa de pessoas que se encontravam em situação migratória irregular, um total de 141 cidadãos estrangeiros, na sua maioria de nacionalidade libanesa.

A medida, de acordo com o diretor do Serviço de Migração e Estrangeiros de Angola, Freitas Neto, tem como objetivo salvaguardar os interesses nacionais, bem como a segurança interna do Estado angolano.

Segundo aquele responsável, contra alguns destes cidadãos já havia registo de processos relativos a crimes de financiamento ao terrorismo e de branqueamento de capitais.

"Associada à imigração ilegal estão outros crimes transversais, nomeadamente o terrorismo e o branqueamento de capitais", disse Feitas Neto, salientando que "há algum tempo houve uma denúncia internacional que mencionava algumas pessoas, como estando envolvidas no crime de terrorismo internacional".

"Recebemos essa informação, que foi trabalhada, e era preciso encontrarem-se elementos de prova e fazer, assim, a execução daquilo que o Executivo estimasse mais pertinente e por isso a ordem de expulsão foi feita neste momento", completou.

A lista divulgada por Freitas Neto é liderada por cidadãos libaneses, com 71 expulsos, seguindo-se a Síria e a Tunísia, com 20 ilegais cada um e a Índia com 14.

Da lista consta também um cidadão português, Mário de Freitas Martins, que neste momento ainda se encontra no país, mas que já recebeu a ordem de expulsão.

Entre cidadãos expulsos há também um brasileiro, um britânico, um chileno, uma pessoa da República Democrática do Congo, três egípcios, três palestinianos, um senegalês e quatro cidadãos da Serra Leoa.

De acordo com Freitas Neto, todos os cidadãos com ordem de expulsão já foram localizados, sete dos quais já se encontram fora do país por razões pessoais, tendo sido logo acionados os mecanismos para a detenção dos indivíduos.

A interdição de entrada em Angola do referido grupo estará em vigor por um período de vinte anos, disse Freitas Neto, acrescentando que enquanto permanecerem no país serão encaminhados para o Centro de Detenção de Estrangeiros Ilegais.

Freitas Neto sublinhou ainda que as empresas a que estiveram vinculados estas pessoas serão responsabilizadas pela infração decorrente do tempo de estadia ilegal no território angolano.

"Vamos primeiro conversar, de acordo com o estipulado na lei, com as entidades patronais, e se a medida não resultar então iremos partir para a medida administrativa", referiu Freitas Neto.

O diretor do SME disse que a medida terá sequência, contando com o auxílio de um programa informático de gestão da permanência de estrangeiros no solo angolano, que permitiu, desta vez, constatar a existência de um grande número de cidadãos a trabalharem em situação irregular.