segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

PR Sanhá "desaparece num momento conturbado" mas povo saberá respeitar "legado" - CPLP



SBR - Lusa

Lisboa, 09 jan (Lusa) -- O Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, "desaparece num momento um bocado conturbado da política na Guiné", lamentou hoje o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acreditando, porém, que o povo saberá respeitar o seu "legado".

Malam Bacai Sanhá, que morreu hoje, num hospital em Paris (França), após doença prolongada, "deixa um legado de sempre ter dado o seu melhor na tentativa de encontrar os consensos internos necessários à preservação da paz e ao desenvolvimento do país", disse, em declarações à agência Lusa, o também guineense Domingos Simões Pereira.

"Quero acreditar que o povo guineense (...) vai querer e saber honrar esta memória e alimentá-la com o respeito pela ordem interna e a aplicação das leis no processo da sua sucessão", acrescentou o responsável da CPLP, que já falou com os embaixadores dos Estados-membros da organização, que vão reunir-se "muito brevemente para definir como acompanhar" a situação na Guiné.

"Perdemos um contribuinte fundamental do processo" de reforma no setor da defesa e da segurança em curso na Guiné-Bissau, reconheceu Domingos Simões Pereira.

"Com certeza" que a reforma do setor de defesa e segurança será para continuar, pois "é uma necessidade que está na mente de todos os guineenses", garante.

"Todos reconhecemos que o papel, a dimensão, a estrutura das Forças Armadas têm de ser equilibradas e ajustadas a outros objetivos e a outros propósitos", frisou, esperando que a morte de Sanhá não desacelere o processo, embora seja "algo que as autoridades guineenses vão avaliar".

"Aquilo que ouvi da parte do senhor primeiro-ministro [guineense, Carlos Gomes Júnior], muito recentemente, é de que já há condições para se avançar e, portanto, espero que não haja grandes recuos nesse processo", adiantou Domingos Simões Pereira.

"Se já há algum tempo que a Guiné-Bissau respirava alguma tranquilidade, Malam Bacai Sanhá teve muito a ver com esse ambiente de tranquilidade, [dada] a sua capacidade de dialogar com todas as parte", destacou.

Porém, o secretário executivo da CPLP acredita que a tentativa de golpe de Estado registada a 26 de dezembro de 2011 e "todos os [acontecimentos semelhantes] (...) precedentes prepararam as partes para o necessário consenso neste momento", embora admita que "será sempre difícil".

Acredita também na "capacidade de resposta" dos guineenses para "ultrapassar as barreiras", apesar de que "perder um Presidente da República no meio do seu mandato é algo que nenhum povo merece, porque traz sempre uma situação não prevista à partida".

Ministra da Justiça timorense participa na cerimónia de abertura do curso...



... para investigadores em Portugal

CSR - Lusa

Lisboa, 09 jan (Lusa) -- As ministras da Justiça de Portugal e Timor-Leste, Paula Teixeira da Cruz e Lúcia Lobato, presidiram hoje à cerimónia de abertura do primeiro curso de investigadores da Polícia de Investigação Criminal de Timor-Leste, em Loures, divulgou o Ministério da Justiça.

Segundo o comunicado do Ministério da Justiça, o evento decorreu na Escola da Polícia Judiciária, em Loures.

"Este primeiro curso integrará 47 formandos timorenses, 36 homens e 11 mulheres, terá a duração de sete meses e seguirá o modo do curso de formação inicial da Polícia Judiciária, sendo posteriormente seguido de um estágio prático, que decorrerá nas unidades da Polícia Judiciária portuguesa", sublinhou a nota.

As ministras tiveram ainda um encontro bilateral, que tinha na agenda "o novo protocolo de enquadramento no âmbito do judiciário", informou ainda o comunicado.

De acordo com a assessoria de Lúcia Lobato, na terça-feira, a ministra timorense participa na cerimónia de assinatura de um protocolo de cooperação entre Portugal e Timor-Leste no Tribunal de Contas, em Lisboa.

A ministra Lúcia Lobato regressa a Timor-Leste na quinta-feira.

A AGÊNCIA LUSA E O JORNALISMO DA TRETA PARA TIMOR-LESTE



António Veríssimo

Há dias de manhã que não se pode sair à tarde porque à noite está escuro e não conseguimos ver bem. Vai daí ficamos em casa, quietinhos, que é para não tropeçar nem fazer disparate. É o melhor. Pena que haja os que não obedeçam a esta regra.

Melhor fariam certos e incertos pseudo jornalistas e dirigentes de órgãos de comunicação social que pelos vistos andam por lá a encher chouriços, a ludibriarem-nos, em vez de exercer  os seus cargos e as suas profissões com garbo e competência. Ser jornalista, mesmo jornalista, é algo muito bom, apaixonante, é profissão-seiva que corre pelas artérias, oxigénio insubstituível, amigo-amiga, amante que dormita connosco mas que nunca adormece totalmente porque estar atento é sinónimo de melhor exercício da profissão. E mais, e muito mais, tanto que é muito difícil encontrar expressões exatas que traduzam com fidelidade gozos, horrores, emoções e sentimentos. Por vezes, vezes demais, ser jornalista é ser o contrário de todos que nos rodeiam: quando tudo está de cabeça quente o jornalista tem de ter a cabeça fria… Deve ser assim. Pelo mundo e em Portugal há muitos bons jornalistas. Desde os condicionados e com consciência disso, até aos desempregados. Pelo meio e nos “entretantos” estão os das prateleiras, dispensas, cabides, armazéns… Como se diz agora, os stand by… Tudo nos oferece entender que o refugo está ativo e que é o que convém porque são invertebrados, obedecem cegamente e pavoneiam a incompetência, rastejam, e quanto mais rastejam mais depressa os classificam e promovem como capacitados. Tudo isto para trazer à letra deste texto um exemplo e tristeza: o jornalismo está cada vez mais moribundo, a passar-se para o mundo da treta.

Para quem anda longe das redações ou somente nas suas imediações mas que já viu e ainda vê alguns jornalistas de boa cêpa, muitos no fim da linha ou quase, outros a quererem começar, brada aos céus com o panorama atual. Arrepela-se, ao aperceber-se do que vai acontecendo à profissão e à sua regressão aos tempos dos faraós – que dispunham de escribas para reportar o que aos faraós convinha e agradava. Para eles o importante era estar junto aos do topo da pirâmide, ao menos assim podiam colher as sobras faraónicas proporcionadas pelos seus donos.

E mais não é para dizer. O momento é de nojo e luto, como mandam as regras quando alguém fenece, neste caso o jornalismo.

Cumpra-se a divulgação remetendo os interessados sobre o abandono e a treta de jornalismo realizado e por realizar sobre Timor-Leste pela Agência Lusa que a peso de ouro tem delegação em Díli… Através de uma notícia "possivelmente com cinco anos" a Lusa conseguiu trazer para a atualidade que mais militares neozelandeses iam chegar a Timor-Leste. E esta, hem!?

Veja com os seus próprios olhos: NOVA ZELÂNDIA NÃO VAI MANDAR MAIS TROPAS PARA TIMOR, no Timor Hau Nian Doben.

Que tal um pedido de desculpas por isto e pelo modo falho como a Lusa faz informação sobre Timor-Leste em português? Que tal repor o bom-nome e o bom serviço da Agência Lusa?

Como é triste ver o mau estado a que esta profissão chegou.

MAIS TIMOR-LESTE, onde encontra vários textos sobre as falhas da Lusa relativas ao país do sol nascente.

"Informação plural" é requisito para eleições livres em Angola - activista




Panguinho de Oliveira, Luanda - VOA, com foto

“Até que ponto é que eu vou poder aceder a diferentes opiniões para poder fazer uma escolha?”

O acesso à “informação plural” é um requisito essencial para a realização de eleições livres em Angola, disse à Voz da América Sérgio Kalumdungo, director-geral da Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, ADRA.

Falando á Voz da América sobre as perspectivas para o ano de 2012 em Angola, Kalumdungo disse que a atenção de todos tem estado virada para a necessidade de formação de uma comissão eleitoral independente.

Contudo, disse, outros factores têm que ser tomados em conta para se garantir a realização de eleições imparciais.

“Qual é o acesso que vamos ter á informação plural?” interrogou.

“Até que ponto é que eu vou poder aceder a diferentes opiniões para poder fazer uma escolha?” interrogou ainda o activista para quem existe “um controlo excessivo dos orgãos de comunicação social por parte de uma das partes que vai concorrer ao pleito eleitoral”.

Para além de Kalumdungo a Voz da América falou também com o activista Bernardo Castro que considerou a disparidade entre ricos e pobres e a gestão dos bens públicos como os principais desafios da sociedade angolana para este ano.

“Temos um grande problema no país que é a pobreza,” disse o activista para quem existe ainda “ o grande problema de injustiças sociais que são responsáveis pelos índices de pobreza cada vez mais elevados no país”.

Bernardo Castro sublinhou tambem a necessidade de “uma maior diálogo entre o poder estadual e o poder tradicional”.

*Ouça a conversa com os dois activistas no original

Angola: Vice-Ministro do Interior reconhece que causa do Protetorado Lunda não é crime




Vice-Ministro advertiu que se os Lundas não apoiarem o MPLA não há diálogo

 O Comissário Chefe Sr. Eugenio Laborinho, Vice-Ministro do Interior para a Protecção Civil e Bombeiros, disse dia 5 de Janeiro de 2012 no complexo prisional da Kakanda, na Lunda-Norte, território sob protecção de Portugal, diante dos Activistas e Presos Políticos do Manifesto, que reivindicação do Protectorado não é crime, é um direito do Povo Lunda, mas advertiu que embora o “vosso território seja o mais rico no seu subsolo e sendo uma população generosa, isso não vos dá nenhum direito para reclamar absolutamente nada...

Mais adiante, disse que, Angola vai de Cabinda ao Cunene, e tem 18 milhões  de habitantes contra 6 milhões de habitantes do território da Nação Lunda, e que, os 12 milhões de habitantes  de Angola era maioria esmagadora... - com esta politica maquiavélica, incitando desta forma ao uso da força contra o povo que vem violentando desde 1975.

Disse, que o Executivo Angolano, vai resolver os problemas e corrigir as assimetrias do desenvolvimento em todo o país, de acordo com ele.

Em relação ao movimento do Manifesto do Protectorado da Lunda, ele disse que o Executivo Angolano, não vai atender nenhuma reclamação de Federalismo ou de Autonomia Administrativa, Económica e Juridica, salientando que “Se não deixarem de fazer Politica e exigir o que vocès querem, não serão colocados em liberdade, ou seja: não haverá soltura, irão continuar aqui na cadeia até morrer”...

O Senhor Vice-Ministro, disse ainda, “Se não alinharem  com o MPLA, porque é ele que está a governar Angola e a Lunda, não vamos atender ou resolver nenhuma reclamaçao, nem vai haver qualquer iniciativa de diálogo”, contrariando o discurso do Presidente José Eduardo dos Santos no dia 28 de Dezembro de 2011 à nação angolana, que citamos: ”mudanças por via de diálogo garante a estabilidade política e social”.

Acompanhado do Comandante e Delegado Provincial do Interior da Lunda-Norte Comissário Gil Famoso, fez parte também da comitiva do Vice-Ministro ao estabelecimento Prisional da Kakanda o Comandante dos Bombeiros e outros dirigentes do interior naquela região.
A nossa luta não é contra o MPLA, mas sim contra a ocupação ilegal da Nação Lunda por Angola, contra o saque indiscriminado e a concessão das suas riquezas a terceiros sem o consentimento do próprio povo, como de um corpo inerte se tratasse.

- Comissão do Protetorado da Lunda

UNIVERSIDADE DO PSD GARANTE BONS TACHOS




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Pedro Passos Coelho garantiu que com o seu Governo os lugares nas empresas e instituições "seriam preenchidos segundo uma escolha que esteja muito para além da questão da confiança política e que envolva o mérito, independentemente da área partidária" dos candidatos.

É claro que a questão da competência é facilmente mensurável. Basta ter cartão de militante do PSD. É também claro que não ter coluna vertebral nem tomates é um factor de desempate. Não será decisivo porque, afinal, quase todos estão nessa situação.

Hoje, tal como ontem e infelizmente amanhã, o sumo pontífice do Governo veio mais uma vez mostrar que – como ele pensava mas não dizia – os portugueses são uma cambada de matumbos.

Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são alguns dos nomes que vão integrar o Conselho de Supervisão da EDP.

Todos sabem que a Universidade do PSD é das mais cotadas quanto a garantir que todos os seus alunos terão bons tachos. Daí, creio, ser normal num país que quando emergir, se emergir, do pântano estará perto do Burkina Faso, toda a inversão de valores.

Não sei, por isso, porque razão os escravos estranham o que faz o dono do país. Já deveriam estar habituados. Aliás, certamente que se recordam que Passos Coelho disse que através do Orçamento de Estado para 2012, "o governo pede sacrifícios aos portugueses, a todos os portugueses".

E ele pediu. Os que têm força para não dar, não deram. Os outros, a grande maioria, como nem força têm para manter a barriga com qualquer coisa dentro…

Segundo Passos Coelho, o governo "teve a preocupação de proteger os mais vulneráveis", pedindo, por isso, "um esforço acrescido a quem mais pode" e, por outro lado, "ataca transversalmente a despesa supérflua das estruturas do próprio Estado, com a reestruturação dos seus organismo e dos seus procedimentos".

E quem são os mais vulneráveis? Não são com certeza os 800 mil desempregados, os 20 por cento de pobres e outros 20% que não dão uso aos pratos. Esses nem existem para o Governo.

Quando Passos Coelho se refere aos que mais podem, estará a pensar em quem? Não é certamente em Joaquim Pina Moura, Jorge Coelho, Armando Vara, Manuel Dias Loureiro, Fernando Faria de Oliveira, Fernando Gomes, António Vitorino, Luís Parreirão, José Penedos, Luís Mira Amaral, António Mexia, António Castro Guerra, Joaquim Ferreira do Amaral, Filipe Baptista, Ascenso Simões ou Duarte Lima.

Além disso, sustenta o “africanista de Massamá”, "as opções contidas no OE obedecem a critérios amplos e profundos de equidade na repartição dos sacrifícios".

Ou seja, todos vão ficar sem uma refeição por dia. Até nem está mal. Os que têm três ficam com duas, os que têm duas ficam com uma, os que tem uma ficam sem ela e os que já não têm nenhuma… não fazem falta.

E o que diz Passos Coelho ainda candidato a primeiro-ministro? Dizia que “estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução. Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa. Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias”.

“Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou. Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas. O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa. Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos”, afirmava Passos Coelho do alto da cátedra do partido, bramindo o seu diploma de brilhante aluno da Universidade do PSD.

Tendo a seu lado outros ilustríssimos alunos da mesma Universidade, caso de Miguel Relvas, Passos Coelho também disse que “vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos. Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos. Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado».

Aplaudido pelos velhos mestres da Universidade do PSD, Passos Coelho também disse “já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal. O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando. Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa”.

Sempre debaixo de estrondosos aplausos de colegas e professores, Passos Coelho também disse que “se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas. Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português. A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. Pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos”.

Continuando a deleitar novos e velhos colegas da Universidade, Passos Coelho também disse que “não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota. O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento”.

Para rematar a sua brilhante dissertação, certamente digna de figurar no pedestal que homenageia os mais mentirosos do mundo, Passos Coelho disse: “Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate. Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?”

Se não sabem como é possível, basta ver o exemplo das ocidentais praias lusitanas a norte, embora cada vez mais a sul, de Marrocos.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: CALCINHAS NO REINO DOS MATUMBOS

Wikileaks: Dinamarca acobertou tortura em prisões iraquianas de 2003 a 2005




Charles Nisz, São Paulo – Opera Mundi

Segundo documentos, o então ministro da Defesa teria sonegado informações sobre tortura em prisioneiros

Um escândalo militar na Dinamarca, cujos desdobramentos podem afetar o ex-primeiro-ministro dinamarquês e atual secretário-geral da OTAN (Organização do Atlântico Norte) Andreas Rasmussen, eclodiu após a divulgação de documentos secretos da diplomacia norte-americana pelo Wikileaks. Segundo os despachos, forças do país nórdico no Iraque consentiram com a transferência de presos para autoridades do país mesmo sabendo que eles seriam torturados.

O ministro da Defesa do governo do então premiê Rasmussen, Soren Gade, é acusado de sonegar informações sobre tortura em prisões iraquianas ao governo dinamarquês. Em 2004, o ministro enviou um relatório ao Parlamento, mas não mencionou as torturas, temendo abalos na cooperação Dinamarca-Iraque.

Em maio de 2004, três meses antes da inspeção na prisão de Al Makil, o primeiro-ministro Rasmussen disse em debate no Parlamento: se o governo tiver informações sobre tortura, irá revelar. Mas isso não ocorreu: as passagens sobre tortura foram deletadas do arquivo enviado aos deputados.

De acordo com o jornal Copenhagen Post, a investigação de julho de 2004, liderada pelo conselheiro jurídico do Exército dinamarquês, Major Kurt Borgkvist, revelou “queimaduras com cigarros, molares apertados e agressões nos genitais” e outras violências sofridas pelos prisioneiros iraquianos. Alguns deles perderam seus dedos, reportou Borkvist. O relatório continha imagens fotográficas, descritas por Soren Gade como “tortura ao estilo Abu-Ghraib”, em referência à prisão iraquiana, onde iraquianos foram torturados por soldados dos EUA.

Rasmussen, líder da coalizão de direita que governou a Dinamarca entre 2001 e 2009, deixou o governo em agosto daquele ano para assumir o posto de secretário-geral da OTAN. Ele apoiou a ação militar da OTAN para destituir o ex-líder líbio Muamar Kadafi, assim como a intervenção no Iraque. Ironicamente, ele citava a resolução de 2003 da ONU contra torturas como um dos motivos para a guerra contra Saddam Hussein.

Para piorar a situação do ex-ministro da Defesa dinamarquês, Soren Gade, um relatório feito em 2010 pelo atual titular da pasta mostra que os dinamarqueses entregaram 500 rebeldes ao governo iraquiano. Gade e seu partido Venstre alegaram serem apenas 200 homens. Gade se defendeu dizendo que “a disparidade aconteceu porque muitos desses rebeldes foram detidos por forças britânicas”.

Gade poderá ser intimado a testemunhar em tribunal internacional, segundo a matéria do Copenhagen Post. Pela Convenção da ONU contra tortura, soldados não podem entregar prisioneiros se eles suspeitam que a outra autoridade irá torturá-los. Em editorial de 5 de janeiro de 2012, o Copenhagen Post intima o governo a cooperar com as investigações mesmo que altas autoridades sejam implicadas no processo.

O escândalo veio à tona em 2010, com a divulgação dos Iraq War Logs, pelo site Wikileaks. Reportagem de 5 de novembro daquele ano no jornal islandês IceNews dizia que o governo dinamarquês continuou entregando rebeldes iraquianos ao governo local até 2005, mas o governo de Copenhague sabia da tortura nas prisões do país desde 2003.

Matéria de 23 de outubro de 2010, no jornal dinamarquês Information, dá conta do conhecimento do governo dinamarquês sobre as torturas nas prisões do Iraque: a coalizão militar ocidental compartilhava documentos sobre essa situação. Tudo isso confirmava os alertas feitos por organizações como a Cruz Vermelha e os Direitos Humanos.

Acusações similares de transferência de prisioneiros também ocorreram durante a intervenção norte-americana no Afeganistão. Em setembro de 2011, a OTAN anunciou a suspensão da maioria das transferências de rebeldes após relatos de tortura por membros do governo afegão e da própria OTAN.

Leia mais

Alemanha: Caso Wulff se agrava com novas revelações e pressão da oposição



Deutsche Welle

Além do editor-chefe do "Bild", presidente alemão também ameaçou por telefone o diretor da editora do jornal. Oposição exige um posicionamento de Angela Merkel. Fala-se em renúncia do presidente e nova eleição.

No que depender das manchetes da imprensa alemã deste domingo (08/01), as chances de Christian Wulff se manter no cargo de presidente são bem parcas. Segundo o Frankfurter Allgemeine, a chanceler federal Angela Merkel e o líder do Partido Liberal Democrático (FDP), Philipp Rösler, da coalizão de governo, estariam mantendo contato por telefone para acertar sucessão do presidente. O jornal se apoia em fontes da liderança partidária do FDP.

A União Social Cristã (CSU), também integrante da coalizão em Berlim, rebate oficialmente as especulações. Segundo o líder do partido, Horst Seehofer, as informações não procedem, e, definitivamente, não existe um "plano B" para o caso de Wulff vir a renunciar.

Novas eleições?

O tema também movimenta a oposição. Falando ao Tagesspiegel, o chefe da bancada parlamentar do Partido Social Democrático (SPD), Frank-Walter Steinmeier, exigiu que a premiê alemã assuma uma posição com relação ao escândalo.

Já que Merkel impôs como chefe de Estado o político de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), ela agora não pode fazer de conta que nada tem a ver com o assunto, censurou Steinmeier. Até o momento, Merkel se limitou a emitir comunicados sobre o tema por meio de seu porta-voz.

A secretária-geral do SPD, Andrea Nahles, vai mais longe: caso a renúncia ocorra, o governo do país teria que ser reavaliado. "Se, depois de Horst Köhler [que entregou o cargo em maio de 2010, por desacordo com a política de Berlim], mais um presidente se retirar, então deve haver novas eleições", declarou Nahles ao jornal Bild – o mesmo que desencadeou os escândalos envolvendo Wulff com uma matéria publicada do dia 13 de dezembro último.

Candidato de consenso

A presidente do Partido Verde, Claudia Roth, instou a chanceler federal a procurar um candidato que agrade governo e oposição. Caso se faça necessária a procura de um novo presidente federal, ela espera que Merkel "aproxime as forças políticas deste país com um verdadeiro interesse num candidato convincente e confiável para [o palácio presidencial de] Bellevue", comentou ao diário Welt.

Roth acrescentou que Joachim Gauck, indicado em 2010 por social-democratas e verdes para concorrer com Wulff, teria sido "um presidente ideal". "Mas infelizmente a chanceler federal agiu em termos da estratégia de poder. Só posso desaconselhá-la a fazer isso novamente".

Neste sábado, 400 pessoas protestaram em frente ao palácio Bellevue, em Berlim, exigindo que Christian Wulff entregue o cargo. Sob o slogan "Shoe for you, Mr.President!" elas mostraram seus sapatos diante da sede presidencial. Na cultura muçulmana, esse gesto expressa escárnio, ira e desprezo.

Novas ameaças

No mesmo dia, a editora Axel Springer (grupo ao qual pertence o Bild) confirmou informações divulgadas pela revista Der Spiegel de que Wulff teria não só tentado a intervenção do diretor-geral da empresa, Mathias Döpfner, para barrar a publicação de reportagem sobre os créditos imobiliários comprometedores, como também teria feito ameaças.

Segundo o Spiegel, Wulff teria deixado um recado na secretária eletrônica do celular do chefe da editora, no qual se referia a uma "campanha" do Bild e à criação de um escândalo despropositado. Ao retornar o telefonema, prossegue o Spiegel, Döpfner encontrou o presidente "exaltado", o qual teria feito ameaças expressas: caso o artigo sobre o crédito imobiliário privado fosse publicado, isso significaria guerra entre a presidência e a Springer até o fim do mandato de Wulff.

O Bild já havia confirmado há alguns dias que Wulff também deixou um recado de voz na caixa de mensagens do editor-chefe do jornal, Kai Diekmann, ameaçando cortar relações com o periódico, sobre o qual cairiam "ações legais" caso decidisse publicar detalhes do tal empréstimo.

Mesmo sob forte pressão, o presidente garante que está decidido a manter-se no cargo. "Dentro de um ano, tudo vai estar esquecido", declarou numa recepção de Ano Novo para seus colaboradores, na última sexta-feira. De acordo com o noticiário do Bild, Wulff vai dando seguimento aos planejamentos para o ano em curso, juntamente com seu secretário de Estado.

AV/dpa/afp/rtr/dapd - Revisão: Mariana Santos

Novo Tratado Europeu impondo orçamentos em equilíbrio será assinado a 1 de Março




Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas - Público

O novo Tratado europeu destinado a impor a "regra de ouro" de orçamentos em equilíbrio na zona euro será assinado pelos países participantes a 1 de Março, garantiram Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, presidente francês, no final de uma cimeira bilateral em Berlim.

O princípio deste Tratado, que deverá incluir vinte e seis países da União Europeia - o Reino Unido é por agora o único país que decidiu ficar de fora - foi acordado pelos líderes dos Vinte e Sete na cimeira europeia de 8 e 9 de Dezembro. A ideia é consagrar o princípio da regra de ouro tanto ao nível europeu como nas constituições nacionais, de modo a que os países membros limitem os défices orçamentais a um valor máximo de 0,5% do PIB em termos estruturais (ou seja, sem medidas extraordinárias e sem incluir os efeitos da conjuntura económica).

Os dois líderes confirmaram igualmente que querem antecipar para Julho, um ano antes do previsto, a entrada em vigor do novo fundo de socorro do euro - o Mecanismo Europeu de Estabilidade - que vai substituir o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) de natureza provisória.

MORREU O PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU




João Manuel Rocha - Público

Malam Bacai Sanhá estava fora do país desde Novembro

Morreu o Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que estava em tratamento em Paris desde o final de Novembro.
O Presidente guineense tinha 64 anos e estava internado no hospital militar de Val-de-Grâce, em Paris. A sua morte foi confirmada nesta segunda-feira, ao início da tarde, por fontes governamentais francesas citadas pela AFP. A notícia tinha sido avançada pouco antes pelo blogue Ditadura do Consenso, do jornalista guineense António Aly Silva.

O chefe de Estado guineense tinha voltado a ser hospitalizado pouco antes do Natal e esteve em coma durante muito tempo. Não foi divulgada a doença de que padecia, mas há indicações de que sofria de diabetes e de problemas cardíacos

O desaparecimento de Sanhá levanta preocupações de natureza política devido à frágil estabilidade do país. Eleito em 2009 para um mandato de cinco anos, Malam Bacai Sanhá, quarto Presidente da República, teve um mandato condicionado por problemas de saúde e frequentes internamentos, quer em Dacar, quer em Paris.

“A acontecer o pior, aproximam-se tempos muito difíceis”, tinha dito à rádio France Internacional Fernando Vaz, porta-voz do colectivo da oposição, pouco depois de o Presidente ter sido internado no final de Novembro no Hospital Val-de-Grâce, em Paris.

Já com Sanhá ausente, a 26 de Dezembro, ocorreu em Bissau uma acção militar contra a sede do Estado Maior e duas outras unidades, que culminou com a detenção do chefe da Armada, Bubo Na Tchuto. Um membro das forças de segurança foi morto e outros três ficaram feridos. O Governo qualificou o sucedido de “ tentativa de golpe de Estado”.

O presidência interina deve, segundo a Constituição, ser assumida por Raimundo Pereira, presidente da Assembleia Nacional. As eleições presidenciais devem realizar-se no prazo de 90 dias.


Moçambique: Cahora Bassa pressionada "por todos os lados" a distribuir mais energia



LAS - Lusa

Maputo, 09 jan (Lusa) - A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) está a ser fortemente pressionada para distribuir mais energia, o que não consegue, admitiu o presidente da empresa que opera na barragem com o mesmo nome, em Tete, centro de Moçambique.

Numa reunião, na última semana, com o primeiro ministro de Moçambique, Aires Ali, o presidente da HCB, Paulo Muxanga, revelou que a sua empresa está ser contactada "continuamente" por empresas do país e por países vizinhos para lhe ser cedida mais energia.

Citado na edição de hoje do Diário de Moçambique, da Beira, Muxanga referiu que Zâmbia, Malaui e Suazilândia expressaram a intenção de comprarem energia à HCB e que África do Sul e Zimbabué querem aumentar as suas compras.

Também os grandes projetos mineiros explorados por multinacionais em Tete e noutras províncias do país reclamam maior capacidade elétrica, o que foi seguido pela empresa pública de eletricidade, EDM, que pretende aumentar a sua quota de 400 para 500 megawatts.

Paulo Muxanga referiu que essa pretensão obrigaria a HCB a negociar com as empresas sul-africana Eskom e zimbabueana Zesa a redução dos seus fornecimentos, quando estas querem o contrário.

A capacidade da barragem é de 2,075 megawatts, através da produção de cinco geradores gigantescos, cada um com capacidade para produzir 415 megawatts.

Moçambique – Sofala: Falta de água potável afecta 594.436 pessoas





Carvalho Muária diz que há esforços para minimizar a situação

Um total de 594.436 cidadãos não têm acesso à água potável na província de Sofala, porque o número de fontes, calculadas em 1.776 unidades, não cobre os 1.857.611 habitantes desta parcela do país, que tem uma taxa de cobertura de 68 por cento. O abastecimento aquém das necessidades empurra os que não têm acesso para as fontes de água imprópria para o consumo. Neste caso, os rios e lagoas constituem alternativa, sendo que as mulheres são as que mais sofrem desta situação.

Estima-se que em Sofala existam 954.633 mulheres, grande parte das quais vive nas zonas rurais, onde, tradicionalmente, esta camada é que deve garantir o abastecimento de água à família. Os homens são em número de 902.978, de acordo com dados na posse da nossa Reportagem.

Ao fazer o balanço de 2011 findo, o governador de Sofala, Carvalho Muária, revelou que nesse período foram abertas 196 fontes de água. A sua instalação nos 12 distritos, excluindo a cidade da Beira, insere-se nos esforços do Executivo para a minimização da crise deste precioso líquido, conforme anotou.

“Reconhecemos que ainda não abastecemos a todos os habitantes, mas cada ano temos um lote de fontes que abrimos para redução do nível de procura nas comunidades. Por isso, temos a fé de que, gradualmente, vamos minimizando a crise de água na nossa província, tanto mais que a taxa de cobertura tem vindo a subir e estamos actualmente nos 68 por cento” – assegurou o governador de Sofala.

“NYUMBA YADIDI OU YAUSHONI”

Sofala está cada vez mais a avançar com o seu projecto de construção de casas melhoradas, usando material misto, denominado por “Nyumba Yadidi”, na língua Sena, e “Nyumba Yaushoni”, em Ndau.

Com efeito, foram construídas já 1.051 habitações consideradas condignas, se comparadas com as anteriores ocupadas por cidadãos nas zonas rurais. Para Muária, é gratificante ver as pessoas a viverem em condições habitacionais razoáveis, porque ficam menos expostas a várias intempéries e, logo, menos doenças, o que lhes possibilita trabalhar mais para mudar o seu estado de vida.

O balanço do governador Carvalho Muária aponta ainda terem sido demarcados 4.471 talhões não infra-estruturados, em diferentes distritos. “São locais que serão ocupados por cidadãos interessados em erguer as suas infra-estruturas” – disse.

Cabo Verde: O CIRCO JURÍDICO



António Alte Pinho – Liberal, colunistas

A semana que findou ficou marcada pelo início do julgamento de Isaura Gomes, no Mindelo. E este acontecimento jurídico que, por princípio, deveria estar confinado às paredes da sala de audiências, galgou o tribunal e envolveu a sociedade em acesa polémica e acusações cruzadas. Foi até, por incrível que pareça, o tema mais comentado nos online e, de uma forma geral, na internet crioula.

Como não podia deixar de ser, a partidarização tomou conta do acontecimento. E, desde logo, teve palco na própria sala de audiências. As circunstâncias de detenção de Zau são, para o observador à distância que sou, algo suspeitas. Ou seja, apesar do atestado médico que indicava enfermidade da arguida, o juiz, por sugestão da acusação, mandou a polícia a casa da ex-autarca, destapando – como seria previsível – um coro de indignados protestos.

Ao que parece, a decisão do juiz decorreu da credibilidade dada ao argumento da acusação de que a enfermidade da arguida seria suspeita, porquanto – e foi isto que li na imprensa – ela teria participado em “actividades políticas”… Pelos vistos, o magistrado acreditou – mesmo sem o confirmar numa base factual, ao que suponho -, decidiu como se sabe e provocou o terramoto de acusações que se seguiu.

Só vejo três possibilidades para a bizarra decisão: 1. O juiz é tonto; 2. O juiz é inexperiente e “emprenha pelos ouvidos"; 3. O juiz fez um frete – vá-se lá saber qual seja. E, como é bom de se ver, qualquer uma das três possibilidades é preocupante na medida em que dá do juiz e da magistratura uma imagem inqualificável. Mais, ao decidir como decidiu, o magistrado quis dizer – mesmo sem o ter dito – que o atestado era fraudulento. Ou seja, na decisão está implícito que o médico de Isaura Gomes terá praticado um crime. E, perante isto, o juiz não manda ditar para a acta da audiência a correspondente certidão para o Ministério Público formular eventual acusação contra o clínico?

Por outro lado, independentemente do dever de defender o interesse dos seus clientes até à exaustão, não se percebe a actuação do advogado Amadeu Oliveira que, com a tenda de especulação montada em torno do processo, decide ainda levar à cena o espectáculo de circo que foi a conferência de imprensa. Fará sentido que um processo cujos trâmites decorrem em juízo seja transformado em espectáculo circense, ainda para mais pela mão de uma das partes?

Mais, ainda, fará sentido que o Bastonário da Ordem dos Advogados venha verter palpites sobre um processo que não está encerrado, emitindo opiniões jurídicas – independentemente da sua razoabilidade – sem que ninguém lhas tenha pedido? E, não contente com isso, tenha vindo a público acusar Oliveira de estar a exercer ilegalmente a profissão de advogado, declarando ir a OA accioná-lo criminalmente, mais ao juiz e ao procurador que teriam sido cúmplices do crime? Mesmo sem que a Ordem dos Advogados tenha comunicado ao tribunal a situação ilegal do advogado? Mesmo sem o bastonário ter adoptado o mesmo procedimento com outros causídicos suspensos por não pagamento de quotas?

Ao Bastonário da Ordem dos Advogados – não ao cidadão Arnaldo Silva, que esse pode vir a público dizer os disparates que quiser – está reservado o dever de agir em conformidade com a dignidade que o cargo deveria merecer e não funcionar como incendiário de processos em juízo ou produtor de pareceres jurídicos que ninguém lhe pediu. Mas, infelizmente, o cavalheiro que ocupa o cargo é um bocado dado ao disparate. Ainda recentemente veio a público defender que a “esposa do Presidente da República” – como se isso fosse algum estatuto de natureza pública, como tal, pago e regulamentado legalmente – não poderia exercer a advocacia por delirantes razões de “incompatibilidade”… O mesmo bastonário que está sempre mudo e quedo no que respeita aos atropelos aos direitos e garantias dos cidadãos, à violação dos direitos humanos e que não tuge nem muge quando se trata de levantar a voz – como lhe competia, porque é essa a postura de um bastonário em qualquer país democrático – contra vários casos conhecidos de práticas ilegítimas dos poderes públicos.

O processo que corre trâmites no Mindelo, independentemente das razões, ou não, que assistem aos litigantes, deve decorrer com a serenidade que as circunstâncias exigem. Ora, por razão dos fenómenos marginais a esse acto jurídico – e para que o processo não adquira as características definitivas de uma farsa -, o bom senso aconselharia que o caso fosse entregue a outros magistrados, garantindo às partes as condições objectivas para que o julgamento possa ser justo e livre de interferências políticas.

*ANTÓNIO ALTE PINHO - jornalista - privado.apinho@gmail.com

Cabo Verde - Porto Novo: Habitantes de Ponto Sul ameaçam “boicotar” pagamento de energia



PN - A Semana (cv)

Os habitantes de Ponto Sul, zona que fica a sete quilómetros da cidade do Porto Novo, ameaçam interromper o pagamento das facturas de energia devidas à Câmara Municipal do Porto Novo, para chamar a atenção do governo no sentido de interligar a localidade na rede pública da Electra.

Os moradores alegam que “o cabo que transporta energia para o interior do concelho passa a 50 metros de Ponto Sul, no entanto a localidade recebe algumas horas de energia através de uma pequena central a cargo da autarquia portonovense”.

Neste sentido, os habitantes convocaram um encontro com o presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, Amadeu Cruz, e o responsável da Electra no concelho, Osvaldino Silva, para manifestarem essa preocupação, pois “estão cansados de promessas não cumpridas de nterligação de energia. E ameaçam, caso uma solução não seja encontrada, a autarquia corre o risco de ver boicotada a cobrança das facturas,” anuncia um dos participantes no encontro.

O responsável da Electra em Porto Novo Osvaldino Silva, diz que o problema está em vias de ser resolvido. Embora não avance com qualquer data, Silva assegura que a Electra já lançou um concurso externo e já está identificada a empresa que vao electrificar as localidade de Ponto Sul /Chã de Mato, Ribeira Fria, Ribeira dos Bodes e Manuel Lopes, todas no interior de Porto Novo.

Desumanidade em Marcha Destruição Massiva por Predadores e Especuladores (Parte I)




Arsénio Fermino de Pina – A Semana (cv), opinião

Nós, cabo-verdianos, temos tristes experiências e recordações sombrias de séculos de fome vivida na pele, nos ossos e nas entranhas que eliminaram milhares e milhares de pessoas no curso da nossa história, e mesmo em pleno século XX, quando já havia meios para ser evitada e combatida, e nada se fez. É por isso que sempre que se fala de fome, o cabo-verdiano reage, por a sentir e ter algo a dizer. É a minha reacção ao ler Destruction Massive – Géopolitique de la Faim (Destruição Massiva – Geopolítica da Fome) -, o último livro de Jean Ziegler, praticamente o seu relatório como primeiro relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, cargo que desempenhou com alma e coração durante oito anos, percorrendo meio mundo e entrevistando um avultado número de individualidades de todos os credos, sentimentos, manhas e vícios. Livro essencial que recomendo a todos quantos, mormente no Terceiro Mundo, se interessam pela humanidade sofredora e buscam estratégias para combater a fome e a miséria.

As minhas recordações da fome vêm de tenra infância, da ilha do Fogo, 1941/ 1942, dessa fome devastadora que matou 20 % da população foguense – a população de Cabo Verde era, em 1940, de cerca de 186.000 habitantes, mas em 1950, de 147.000, o que nos dá uma ideia da mortandade na década de quarenta - relatada no livro do meu pai, O Processo de Hermano de Pina – Subsídios para a História da Fome em Cabo Verde, que pouca gente conhece, valorizado com um prefácio do colega Dr. Teixeira de Sousa e um posfácio dos filhos, este a ser publicado proximamente nas páginas da excelente revista lusófona publicada em Paris, Latitudes, com uma introdução do combativo conterrâneo pelos direitos dos nossos emigrantes, Luiz Silva, posfácio que nos dá conta de alguns aspectos que escaparam ao colega Teixeira de Sousa no seu prefácio ou ele desconhecia. Relembra-nos Osvaldo Lopes da Silva, no seu recente livro, Nos Tempos Da Minha Infância, vários aspectos esquecidos da história de Cabo Verde, mais em pormenor de Santiago, do tempo colonial no Estado Novo, apresentados com sentido de humor saudável e desmistificante, bastas vezes estórias jocosas de hábitos, usos e costumes, e outras factos reais, horrorosos, arrepiantes, que marcaram a sua infância.

Um artigo que publiquei no FORCV on line mereceu um comentário pertinente da parte de um conterrâneo (José Venâncio da Cruz, nome que não sei se real, por não ter obtido resposta ao tentar contactá-lo para agradecer), por eu citar vários bodonas em apoio do que escrevi, que me deu um exemplo de como, com um “pequeno extracto, com simplicidade mas com rasgo, sem suportes de ilustres cérebros, se pode ´ferir´, despertando e consciencializando espíritos, muitas vezes tão obscuros como o meu” : A letalidade atingiu as crianças de tenra idade para as quais não foram procurados socorros clínicos. Oriundos de mães pobres que, em regra, desconhecem o abc da higiene maternal e que têm de procurar o pão nosso de cada dia em trabalhos agrícolas em pontos distantes da ilha, descuram, por completo, os cuidados que têm obrigação de tributar às criancinhas. Impõe-se a criação de uma ´creche´, mas infelizmente a iniciativa particular reduz-se a zero. O espírito do bem-fazer está sendo substituído pelo de maledicência que sobe ao infinito. “Extracto de relatório burocrático e obrigatório do Delegado de Saúde da ilha Brava, de Janeiro de 1928, Dr. Hermano Fermino de Pina. Uma bofetada com luvas de seda dadas por um homem que sabia fazer as coisas. Simples. Chão. Forte. Que vive eternamente!”. Não sei onde o amigo Venâncio da Cruz, que burila com elegância e propriedade de linguagem a língua de Camões, foi desencantar esse relatório de uma época em que estava ainda longe de nascer e de vir a ser, também delegado de saúde nessa ilha, em condições não muito diferentes das do tempo do meu pai.

Talvez tenham sido essas experiências vividas que me fizeram dar prioridade à valência Nutrição no Projecto-Programa de Saúde Materno-Infantil e Planeamento Familiar de Cabo Verde, financiado pela Suécia, em1977, de que fui Director Nacional, por me ter apercebido de que era a mal-nutrição calórico-proteica, isto é, a ausência ou carência em nutrientes essenciais à vida e a consequente fome, a base da maior parte da patologia e mortalidade infantis em Cabo Verde, numa altura da nossa existência como Nação e Estado independente em que éramos bem poucos em número e qualificados na Saúde, e nem dispúnhamos de nutricionistas no país, o que me obrigou a armar-me em nutricionista aperfeiçoando os conhecimentos colhidos na disciplina do Mestre Prof. Guilherme Janz, no curso de Medicina Tropical e especialidades de Pediatria e Saúde Pública.

Outrossim, já conhecia as obras do grande mestre, o médico Josué de Castro – A Geografia da Fome e a Geopolítica da Fome -, de Malthus, René Dumond e outros estudiosos e nutricionistas que conheciam os problemas do Terceiro Mundo.

Para a introdução dos métodos modernos de planeamento familiar e controlo da natalidade inspirou-me o provérbio nordestino, citado por Josué de Castro, a mesa do pobre é magra, mas o leito da miséria é fecundo, que pode ser encontrado em vários artigos meus sobre o controlo da natalidade. Essa fecundidade, não por irresponsabilidade dos pobres, como se costuma classificar, é o meio natural para garantir a continuidade da espécie e a ajuda em braços na lavoura e outros ofícios que exigem esforço físico no trabalho, por a mortalidade infantil ser muitíssimo elevada entre gente pobre e sem apoios sociais. Tanto assim é que, logo que melhoram as condições de existência das populações com investimentos sociais (saúde, educação e algumas estruturas laborais) e económicos, começa a diminuir o número de filhos por casal, visto morrerem menos crianças em tenra idade e haver outros interesses e regalias a defender, usufruir e gozar e não exclusivamente a luta pela subsistência na miséria e o gozo da única liberdade consentida aos pobres, na obscuridade da noite, a fornicação, utilizando uma expressão bíblica. Pudemos constatar isso em Cabo Verde após a independência, a qual reabilitou e empolgou o país dotando-o de estruturas e meios com melhoria social e económica das populações a ponto de o índice de fecundidade ter passado de seis filhos por mulher, para, actualmente, menos de metade, mesmo mantendo-se ainda elevada a taxa de desemprego. A taxa de mortalidade infantil é a mais baixa da África, bem como a materna; o nosso índice de desenvolvimento humano dos mais elevados em África e de corrupção ao lado do de Botsuana e Seicheles, portanto, baixa.

Tinha razão nessa preocupação e empenhamento de privilegiar a nutrição, porque a nossa actuação permitiu modificar radicalmente a paisagem sanitária e nutricional das nossas crianças, a ponto de, actualmente, a mal-nutrição ter deixado de ser um problema de Saúde Pública e causa de mortalidade, haver recursos humanos qualificados, conhecimentos, instrumentos e meios para a sua prevenção e tratamento, embora nem todos os meios utilizados por nós próprios, incluindo produtos da nossa investigação, tenham sido, posteriormente, valorizados, como cheguei a demonstrar em documento dirigido ao Ministério da Saúde, ao regressar ao país após dez anos na Organização Mundial de Saúde (OMS). Infelizmente, a minha crítica não mereceu nenhuma reacção positiva por parte de quem tinha o dever e poder para mudar as coisas. Há, como costumo dizer, muito mais mãos de Judas de alguns no poder céleres a apagar velas no altar do desenvolvimento que não acenderam do que as que ajudam a acender ou reacender outras.

As mortandades escandalosas e criminosas deixaram de existir em Cabo Verde a partir da década de sessenta, precisamente a partir do início da luta de libertação das colónias portuguesas. A ordem do Ministério do Ultramar, portanto, do Governo Português, foi de não deixar morrer de fome nem uma cabra, dado que os movimentos de libertação (terroristas, na definição colonial) estavam activos nas Nações Unidas a “quererem comprometer o bom nome, a missão de expandir a fé e a acção civilizadora de Portugal nas suas províncias ultramarinas”.

Fui testemunha disso por ter chegado a Cabo Verde, já licenciado, em 1967. Trabalhei na Brava, São Vicente, Fogo e Santiago, já bem contaminado pelo vírus dos ideais de luta pela independência e em sintonia com as directrizes do PAIGC, que eu tinha trazido de Paris, aquando da passagem, em 1965, na tradicional viagem de fim de curso, em que contactei Olívio Pires, Jack Monteio, António St. Aubyn e Pedro Pires. O Partido aconselhava o regresso a Cabo Verde de todos os licenciados empenhados e progressistas, prevendo-se intensificação de actividades nacionalistas.

No Fogo, em 1971/72, fazia-se o controlo nutricional quase a olho dos trabalhadores nas estradas, nas chamadas “frentes de trabalho”, por nós próprios, e o Dr. Teixeira de Sousa periodicamente; estudo mais detalhado era realizado por missões do Instituto de Medina Tropical sob o controlo do Prof. Janz. Havia um “Programa de Apoio às Populações” com distribuição de alimentos (milho, feijão, óleo vegetal e leite magro em pó) em substituição de salário, e aos mais carenciados, a estes em quantidade suficiente para manter o metabolismo de base (em repouso), o que motivava, obviamente, por as pessoas estarem a trabalhar, magreza e manifestações de carência variada – pelagra, cegueira nocturna, loucura e doenças infecciosas dada a diminuição das resistências orgânicas – que tínhamos de combater, as mais visíveis da pele camufladas com vitaminas sob a forma injectável e em comprimidos. Mantinha-se a população ao nível limite de desnutrição, para evitar, como faz actualmente o governo israelita – hoje nas mãos de uma direita inútil (o Likud de Netanyahu) e de uma extrema-direita perigosa (liderada por Avigdor Lieberman, à base de imigrantes russos) - aos palestinianos da Banda de Gaza, deixando passar, através do rigoroso bloqueio feito, tão-somente o que evita uma fome generalizada escandalosa e visível pelas suas consequências que pudessem impressionar as organizações internacionais.

Quando morria alguém por fome, este diagnóstico, como causa de morte, era proibido; tinha-se de inventar uma outra causa: senilidade, diarreia, broncopneumonia, inanição, atrepsia e hidropsia (que muito pouca gente sabia o que era, na realidade manifestações de malnutrição grave, mormente em crianças), etc.

Gostaria de vos fazer um resumo do livro de Jean Ziegler, mas é tão denso de informações pertinentes, de denúncias corajosas de situações e instituições “respeitadas e respeitáveis” e de hipocrisias de outras, que o melhor é o lerem; considero-o um documento importante a conhecer e consultar por todos aqueles que se interessam pelos problemas do Terceiro Mundo, e não só, dado que os predadores e especuladores financeiros já estão por todo o lado. Irei limitar-me a apresentar-vos algumas das patifarias e crimes das multinacionais agro-alimentares, empresas, instituições e pessoas com elas bem e frutuosamente relacionadas e conluiadas que, de resto, tenho vindo dando conta aos meus leitores noutros escritos.

(continua proximamente)