domingo, 5 de agosto de 2012

PORTUGAL ENGOLE O PRIMEIRO SAPO GUINEENSE




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O Governo de transição da Guiné-Bissau, o tal que – segundo a CPLP a mando de Angola e de Portugal – é culpado de todos os males que existem no país está a provocar algumas complicadas indigestões.

Pois não é que nomeou três novos encarregados de negócios, substituindo os responsáveis das embaixadas de Portugal, França e União Europeia?

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal explicou à Lusa que essa decisão de mudança de titulares das embaixadas da Guiné-Bissau resultou de uma concertação entre a Presidência da República guineense e o Governo de transição.

Os novos responsáveis vão para estes países mas na qualidade de encarregados de negócios já que os países da União Europeia ainda não reconhecem as novas autoridades guineenses saídas do golpe de Estado de 12 de Abril passado.

O poeta Carlos Edmilson Vieira (Noni) é quem deve ir liderar a Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal, substituindo Fali Embaló. Carlos Vieira era até aqui representante do país na Unesco.

Para Bruxelas, onde irá assumir as representações junto da União Europeia e da Bélgica, deve seguir Albino Arafam, cônsul da Guiné-Bissau no Senegal, substituindo Alfredo Cabral (Fefé).

O até aqui chefe do protocolo da Presidência da Republica, Dino Seidi, é destacado para a Embaixada de Paris, em substituição de Ília Barber, embaixadora que deverá sair do posto.

A nomeação de novos responsáveis está afixada no quadro de informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.

"Estão em curso os procedimentos burocráticos para a ida dos novos responsáveis das nossas embaixadas, naturalmente, que os que lá se encontravam devem regressar ao país", disse fonte do MNE guineense.

No caso português, as autoridades guineenses respondem assim à decisão do Governo de Lisboa de não nomear um embaixador para o país.

E enquanto a CPLP (com Portugal à cabeça) aguarda instruções de quem nela manda – nesta caso, Angola -, Durão Barroso e Paulo Portas esboçam uma manifestação de solidariedade com Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira. Depois disso, com a sua habitual coerência, vão dar o dito por não dito.

Importa, entretanto, lembrar que o porta-voz do Comando Militar responsável pelo golpe de Estado de Abril na Guiné-Bissau acusou no passado dia 22 de Maio o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, de fazer acusações levianas e de Portugal ter "uma interferência nociva" no país.

Disse e tem razão. É que, mais uma vez, Portugal (que não os portugueses) demonstrou que tem memória curta ou – em alternativa – cataloga os guineenses como matumbos de uma subespécie quase humana.

"Que fique bem claro, Paulo Portas está a servir o café da manhã e o jantar à noite a quem é o maior responsável pelo tráfico de droga", disse Daba Na Walna, em conferência de imprensa, respondendo ao ministro português dos Negócios Estrangeiros que, dias antes, disse em Lisboa que a questão do narcotráfico também era a chave do golpe de Estado de 12 de Abril.

É que, justificou Daba Na Walna, "a empresa responsável pela segurança das bagagens no aeroporto de Bissau não é do general António Indjai, não é do tenente-coronel Daba Na Walna, não é de ninguém que pertença ao Comando. O dono da empresa tem um nome e é quem está lá" (em Portugal).

Daba Na Walna nunca acusou directamente o primeiro-ministro deposto, mas quando questionado pelos jornalistas sobre se o dono da empresa era Carlos Gomes Júnior ou Raimundo, disse: "Raimundo Pereira surge como parente pobre nesta história toda".

"O Comando Militar não é um bando de traficantes de droga, isso é falso. Aliás, essa tem sido a política portuguesa relativamente à Guiné. Qualquer acontecimento que tem lugar aqui na Guiné é tráfico de droga. Mas porque é que Portugal tem esta posição de hostilidade, tanto, contra a Guiné? Isso é terrível", disse, acrescentando que "acusações levianas não são próprias de um senhor como Paulo Portas", que se devia "coibir".

E acrescentou: "é chegada a altura de Portugal deixar de fazer política de costas viradas para com a Guiné-Bissau. Encarar a Guiné-Bissau de frente e convivermos como irmãos".

Daba Na Walna questionou depois quantos quilos de droga foram apreendidos durante o tempo em que Carlos Gomes Júnior foi primeiro-ministro e falou de um desembarque de droga que terá ocorrido em finais do ano passado na estrada que liga Bissau a Bafatá, quando uma avioneta aterrou na estrada, que foi encerrada para o efeito.

"Aquilo que foi feito na estrada de Bissau a Bafatá não é obra de um militar isolado, é obra de quem tem poderes no governo, que manda isolar norte-sul-leste sem que nada aconteça, sem que a polícia investigue", disse.

Além de Daba Na Walna, também o general António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, tinha criticado a posição de Portugal sobre o golpe de Estado, acusando o Governo de Lisboa de querer que a crise no país dure indefinidamente porque tem interesses que quer salvaguardar a qualquer custo.

Carlos Gomes Júnior, disse também, está "a soldo" do Governo português, que quer "colonizar a Guiné-Bissau".

Indjai deve ter "as suas razões", disse Daba na Walna, que não partilha da ideia de um novo colonialismo, ainda que admita que há "interferência nociva da parte do Governo português relativamente à Guiné-Bissau" e que há em Portugal, pelo menos ao nível político, uma "certa hostilidade relativamente à Guiné-Bissau".

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: 70% DOS ANGOLANOS QUEREM SER KOPELIPAS

Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau "disponível para continuar a trabalhar"



PAL - Lusa

Lisboa, 05 ago (Lusa) - O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau reafirmou hoje estar "disponível para continuar a trabalhar" pelo país, adiantando lamentar que o trabalho já feito para o seu desenvolvimento possa ser inutilizado pela situação decorrente do golpe de Estado de 12 de abril.

"Eu estou disponível para continuar a trabalhar pelo meu país, parado é que ... A vida está parada, o governo em exercício não tem poderes legais para fazer a governação (...) eu teria muita pena que se fossem degradando todos os passos que nós já demos para o desenvolvimento do nosso país", declarou Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à margem de um encontro da comunidade guineense em Lisboa.

O também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais indicou que regressará à Guiné-Bissau se existirem condições de segurança.

"Estamos a aguardar a reunião de alto nível a ser organizada pelas Nações Unidas (a 14 de setembro). Se for decidido e entendido que deve ir uma força multinacional para a Guiné naturalmente que estão criadas condições de segurança necessárias para isso (regressar ao país)", disse.

Carlos Gomes Júnior repetiu que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) "não tem condições, nem financeiras, nem tem capacidade" para conduzir sozinha o processo de transição e criticou a possibilidade de se realizarem "eleições presidenciais de raiz".

"Quem é que vai financiar uma eleição de raiz? (...) existe uma crise financeira que toda a gente conhece. (...) O financiamento de eleições de raiz vai ser muito complicado, o que quer dizer que vai prolongar esse período de transição, o que não serve ao povo da Guiné-Bissau, não serve à nossa economia", disse, considerando que se "impõe que sejam mobilizados recursos e meios para a conclusão do processo eleitoral".

A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as atuais autoridades de transição na Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior interveio no encontro promovido pelo FDDD - Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau e quando subiu ao palco foi recebido aos gritos de "Cadongo amigo o povo está contigo".

As cerca de duas centenas de pessoas presentes ouviram o primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau declarar-se "muito sensibilizado com as manifestações de solidariedade" que tem tido desde o golpe de Estado e também recordar o trabalho que desenvolveu à frente do governo.

Segundo Carlos Gomes Júnior, fez-se uma "governação de rigor", apostou-se nos cuidados básicos de saúde e conseguiu-se "uma taxa de crescimento de cinco por cento".

Não faltaram as críticas à CEDEAO, que "não tem nenhuma exclusividade" para resolver os problemas na Guiné-Bissau.

"Vai haver eleição e vou ser presidente guineense", declarou sob aplausos, num discurso que acabou com vivas à Guiné-Bissau e ao povo guineense.

Além do primeiro-ministro, esteve também no encontro o presidente interino afastado, Raimundo Pereira, um dos signatários como Carlos Gomes Júnior de uma carta aberta dirigida à CEDEAO e preparada pelo FDDD.

O texto, resumido para os participantes no encontro, critica a mudança de posição da CEDEAO, que no início criticou o golpe de Estado, e apela aos cidadãos da África Ocidental para "denunciarem os atropelos" na Guiné-Bissau.

Presente esteve também o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló, que recebeu instruções das autoridades de transição em Bissau para abandonar o cargo.

Aquelas autoridades comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e na União Europeia por três novos encarregados de negócios.

"É um 'bluff'", considerou hoje Carlos Gomes Júnior, referindo que as autoridades de transição não têm poder para destituir ou nomear embaixadores.

"O governo legítimo neste momento, eu sou o chefe do governo legítimo da Guiné-Bissau e qualquer embaixador para ser nomeado tem de ser por um decreto presidencial. Portanto, esse presidente de transição não tem poderes constitucionais para isso, é o chamado limite constitucional, ele não tem esses poderes, nem para nomear, nem para exonerar", disse.

QUANDO A ALEMANHA FOI O PAÍS “RESGATADO”



Luís Manuel Cabral – Diário de Notícias

No dia em que o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, alertou a Alemanha para o risco de um "confronto entre Norte e Sul" na Europa, é bom lembrar que no século XX a Alemanha também precisou de ajuda económica.

Hoje todos os focos da crise económica estão voltados para os países do Sul da Europa, mas o jornal espanhol "ABC" lembra que, durante o século XX, a Alemanha também precisou de ajuda financeira em momentos chave da sua história, que nunca lhe foi negada.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a fome dominava uma Europa devastada pelo conflito. Por isso, os Estados Unidos da América decidiram aprovar, em 1947, o "European Recovery Program", popularmente conhecido como "Plano Marashall, em memória do secretário de Estado norte-americano que o anunciou, George Marshall. O plano consistia num pacote de ajudas económicas com o duplo objetivo de evitar a ruina da Europa Ocidental e travar o avanço do comunismo da União Soviética.

Dessas ajudas, a recentemente constituída República Federal Alemã (RFA) obteve, segundo estima Martin Schain no seu livro "O Plano Marshall 50 anos depois", cerca de 1.448 milhões de dólares (1.178 milhões de euros). Desse modo, a metade não comunista da Alemanha foi o terceiro país europeu que mais dinheiro recebeu dos norte-americanos, atrás da França e do Reino Unido. Graças a essa ajuda e à audácia política do chanceler Ludwig Edhard, a Alemanha Ocidental iniciou uma impressionante recuperação económica que ficou conhecida como "o milagre alemão".

A Alemanha voltou a receber ajuda, embora numa escala menor, com o objetivo de ajudar à reunificação alemã após a queda do "Muro de Berlim", a 9 de Novembro de 1989, que pôs fim à "Guerra Fria".

A queda do muro não se deu apenas por razões políticas, como explica o economista Joachim Ragnitz, do Centro de Estudos Económicos IFO, no livro "Alemanha Oriental hoje: êxitos e fracassos": "No outono de 1989, a República Democrática da Alemanha não estava apenas arruinada politicamente, mas também a nível económico", já que, a título de exemplo, o Produto Interno Bruto da zona comunista representava apenas "43% da média do da Alemanha Ocidental".

A reunificação alemã teve como consequência a entrada imediata das regiões que formavam a República Democrática alemã na União europeia. Um feito sem precedentes, já que normalmente para que um país possa ingressar na UE tem de dar início a um processo de vários anos que exige que o candidato cumpra, segundo os tratados europeus, "com critérios políticos e económicos e assuma integralmente o conjunto de normas e tratados comunitários".

Por outro lado, para reduzir as diferenças estruturais existentes, a Europa teve de aprovar de forma urgente um pacote de crédito para melhorar a situação crítica de algumas regiões alemãs que tinham estado sobre o controlo comunista. De acordo com informações do parlamento Europeu, embora sem a certeza de saber se os dados fornecidos pela ex-RDA eram fiáveis, a União Europeia aprovou "ajudas no valor de três mil milhões de euros por ano à Alemanha no período compreendido entre 1991 e 1993.

Assim, entre 1993 e 2013, a Alemanha terá sido e será um dos países mais beneficiados pelos fundos europeus, pelo que, segundo um estudo elaborado pelo Departamento de Política Regional da União Europeia, quando terminar o ano de 2013, a Alemanha terá recebido mais de 80 mil milhões de euros.

Primeiro-ministro italiano alerta Alemanha para risco de "dissolução da Europa"



PGR - Lusa, com foto

Berlim, 05 ago (Lusa) - O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, alertou a Alemanha para o risco de um "confronto entre Norte e Sul" na Europa, numa entrevista hoje publicada pela revista alemã Der Spiegel.

Monti manifestou-se preocupado com as "tensões que acompanham a zona euro nos últimos anos", que contêm "a semente da dissolução psicológica da Europa".

O chefe do Governo italiano considera "muito preocupante" o aumento das tendências nacionalistas na Europa, que "levantaram uma frente de confronto entre Norte e Sul".

Monti sugere que, mais do que financiamento, o sul da Europa precisa de solidariedade: "Se a Alemanha e outros países estão interessados em que a atual política em Itália tenha futuro, [devem dar] apoio moral, não financeiro", disse o estadista italiano, segundo traduções da entrevista feitas pelas agências EFE e Bloomberg.

O chefe do Governo italiano considera que alemães e outros europeus "devem dar mais alguma margem de manobra a alguns países da zona euro que estão a cumprir os requisitos da forma mais estrita".

A "margem de manobra" também deve ser concedida pelos parlamentos nacionais aos respetivos governos, disse Monti, numa referência velada à situação política alemã. Monti sugeriu que uma política de inflexibilidade tornará "a dissolução da Europa mais provável que o reforço da integração".

Monti tem sido um dos grandes defensores de uma política mais interventiva das instituições europeias para resolver a crise da zona euro. Nesse sentido, saudou as medidas anunciadas recentemente pelo seu compatriota Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu.

Esta semana, Draghi afirmou que o "conselho de governadores [do BCE] poderá aplicar mais medidas não convencionais para restaurar a transmissão de política monetária", uma referência à possibilidade de o BCE voltar a comprar títulos de dívida europeia - e assim reduzir as taxas de juro pagas por países como a Espanha e a Itália.

Draghi disse que qualquer nova compra de obrigações pelo BCE terá de ser precedida por um pedido de ajuda a um dos fundos de estabilidade financeira. Mas, mesmo nesta versão condicional, a ideia de o BCE financiar diretamente os Estados da zona euro não agrada a todos os membros do banco - particularmente à Alemanha.

"Essas preocupações são infundadas", disse Monti ao Spiegel. "É exatamente essa desconfiança que nos impediu de encontrar uma solução clara para esta crise. Temos que a superar e voltar a confiar uns nos outros."

Rebeldes criam Estado dentro do Estado na República Democrática do Congo



Deutsche Welle

Os rebeldes do Movimento 23 de Março (M23) no leste da RDC conquistam cada vez mais território. Substituíram funcionários públicos e passaram a cobrar impostos. ONU, presidente e países vizinhos discutirão crise.

Há cerca de quatro semanas, os rebeldes do movimento M23 ocuparam a cidade fronteiriça de Bunagana, de grande importância estratégica no leste da República Democrática do Congo (RDC). Dali avançaram sobre a de Goma. Neste momento encontram-se a 30 quilômetros da capital da província, que ameaçam conquistar.

Rutshuru é a capital de distrito no leste da RDC, no coração do território conquistado pela milícia M23. Para os habitantes da cidade, muito mudou desde a chegada dos rebeldes.

O tenente coronel Vienney Kazarama é um dos fundadores do M23, que constituído em abril deste ano por desertores do exército nacional. O homem em uniforme juntou as pessoas no centro de Rutshuru. Durante um discurso, Kazarama explica as novas regras aos habitantes do "território libertado", como ele próprio diz. Promete emprego na função pública, nos hospitais e nas escolas a quem for leal ao governo rebelde.

Impostos e portagens para os rebeldes

Os rebeldes ergueram uma barreira na estrada no centro da cidade. Os camiões têm que pagar uma portagem de 500 dólares se quiserem seguir para Goma. O M23 está a criar sistematicamente o seu próprio Estado no leste da RDC. Já nomearam um presidente e ministros do governo que se ocupam da política externa, da saúde e das questões sociais.

Os rebeldes também já enviaram embaixadores para os países vizinhos e a Europa. O líder do M23, Sultani Makenga, desafia agora o presidente Joseph Kabila e ameaça ocupar da cidade de Goma. "O nosso procedimento futuro depende do governo", afirma Makenga. "Se ele quiser uma solução violenta para o nosso conflito, continuaremos a lutar. Se quiser uma solução pacífica, estamos dispostos a negociar. Se for preciso, avançamos sobre Goma. O final depende do governo", reitera o líder da milícia.

Até agora, o governo recusou todas as ofertas de negociação. Oficialmente os líderes dos rebeldes dizem que querem renegociar o acordo de 2009. Na altura, a milícia que precedeu o M23, a CNDP, assinou um acordo de paz e integrou os seus cinco mil combatentes no exército nacional.

O então dirigente do CNDP era Bosco Ntaganda, procurado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia. Quando o presidente Kabila anunciou no início deste ano a sua extradição para Haia, Ntaganda e os seus oficiais desertaram e fundaram o M23.

O papel atual de Ntaganda no movimento é pouco claro. O dirigente oficial é Sultani Makenga, com quem Ntaganda tem relações tensas.

Marcha contra Goma

Agora os rebeldes marcham contra Goma, e já se encontram a 30 quilômetros da cidade. O exército do Congo e os capacetes azuis das Nações Unidas estacionaram carros de combate e lança-mísseis nos arredores da cidade. Mas a moral das tropas congolesas é muito baixa. Os soldados também acabaram por fugir nos combates em torno de Rutshuru.

Entretanto, diariamente fogem mais pessoas das zonas ocupadas para a cidade de Goma. Dez mil refugiados assentaram praça nos arredores, em condições de vida terríveis. Entre eles Gasagi Mumi. "Fugi com os meus cinco filhos dos combates em Kibumba. Mas aqui não temos nada para comer e dormimos ao relento. À noite somos atacados por bandidos", relata.

Na próxima segunda-feira (06.08) realiza-se no Uganda uma conferência sobre a crise. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, os chefes de Estado dos países vizinhos e o presidente Kabila vão tentar encontrar uma solução para a crise no leste da República Democrática do Congo.

Autoras: Simone Schlindwein/Cristina Krippahl Edição: Renate Krieger/António Rocha

FORÇAS SÍRIAS APERTAM CERCO CONTRA REBELDES EM ALEPPO



Deutsche Welle

Aumentam conflitos entre tropas do regime Assad e rebeldes na metrópole síria e também na capital, Damasco. Rebeldes anunciam sequestro de 48 iranianos em represália a apoio de Teerã ao presidente sírio.

Tanques do Exército sírio bombardearam Aleppo neste domingo (05/08), e um helicóptero de guerra metralhou com armas pesadas postos ocupados por rebeldes. Os embates são pelo controle da maior cidade do país e atual campo chave da batalha que já dura 17 meses, deixando até agora um saldo aproximado de 18 mil mortes.

A falta de ações mais efetivas do Conselho de Segurança da ONU contra a Síria acabou levando à renúncia o enviado especial Kofi Annan na semana passada. Isso também levou à intensificação das batalhas entre rebeldes e tropas do governo tanto em Aleppo como também em Damasco. Na capital, jatos lançaram bombas durante todo o domingo. Tropas levantaram ofensiva contra o último bastião rebelde, segundo um morador de Aleppo.

O canal de televisão estatal da Síria vem divulgando que as forças de Assad estão "limpando a sujeira terrorista" do país. As duas cidades, relativamente livres de violência até há meses, começaram a ser alvo dos ataques por ambas as partes duas semanas atrás, pouco antes de uma bomba ter matado quatro colaboradores próximos do presidente Bashar al Assad. Agora, as duas metrópoles são consideradas peças fundamentais na batalha pelo domínio da guerra instalada no país.

Os rebeldes já esperavam há alguns dias o acirramento dos ataques por parte do regime. "Sabemos que eles estão planejando atacar a cidade usando tanques e bombardeio aéreo, atirando contra a gente durante três ou quatro dias, e que planejam tomar a cidade", afirmara neste sábado o coronel Abdel-Iabbar al Oqaidi, comandante rebelde.

Neste sábado, a oposição armada contra Assad tentou estender sua região de controle em Aleppo do distrito de Salaheddin para a área em volta das estações de rádio e televisão, mas precisou recuar, segundo um ativista. O regime montou artilharia pesada na área, a fim de reprimir os rebeldes e retomar o controle da região.

Sequestro de iranianos

Neste domingo, um grupo rebelde sequestrou 48 iranianos em Damasco, sob a acusação de serem membros da Guarda da Revolução. Os insurgentes ainda advertiram o Irã sobre possíveis novos sequestros, em conseqüência do apoio de Mahmud Ahmadinejad ao presidente sírio.

Os rebeldes ainda estão "checando documentos para provar a identidade dos detidos e vamos tornar públicas nossas descobertas", afirmou um dos comandantes do Exército Síria Livre, Abdel Nasser al Shumair. Segundo a agência estatal de notícias do Irã IRNA, Teerã já pediu ajuda à Turquia e ao Qatar para a libertação dos sequestrados.

Os sequestrados foram mostrados em um vídeo divulgado neste domingo pelo canal de televisão saudita Al Arabiya. A Arábia Saudita vem apoiando os grupos rebeldes na Síria, sobretudo os radicais islâmicos, com armas e dinheiro. Os sauditas são um dos principais inimigos do governo sírio no controle do golfo.

Nos últimos meses, 32 iranianos – incluindo 22 peregrinos, sete engenheiros e três motoristas de caminhões – foram raptados por grupos armados na Síria, mas 27 foram libertados devido à intervenção da Turquia.

Diante da contínua escalada da violência na Síria, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, irá a Istambul no próximo sábado para tentar encontrar, juntamente com o governo turco, uma saída diplomática para os conflitos entre rebeldes e tropas pró-Assad. A Turquia é um dos principais críticos do regime sírio.

MSB/rtr,afp,dpa,lusa - Revisão: Augusto Valente

Ucrânia segue passos do autoritarismo russo, afirmam especialistas




Um ano após controversa prisão da primeira-ministra Yulia Timoshenko, analistas avaliam que regime Yanukovitch, na Ucrânia, tem muitas semelhanças com autoritarismo de Putin. Porém as diferenças também são grandes.

Neste domingo (05/08) completa-se um ano desde que Yulia Timochenko, então primeira-ministra da Ucrânia, foi colocada atrás das grades. Em seguida, ela enfrentou um processo controverso, sendo condenada a sete anos de prisão. A Justiça ucraniana a acusou de abuso de autoridade, no contexto dos contratos de fornecimento de gás fechados com a Rússia.

As críticas vindas do exterior sobre o julgamento parecem não impressionar o governo em Kiev. Enquanto cumpre pena, Timochenko também responde a outro processo, por sonegação de impostos. Outro integrante de seu governo, o ex-ministro do Exterior Yuri Lutsenko, também está preso.

No caminho do Kremlin

À primeira vista, o caso lembra a Rússia. Lá, o ex-magnata russo do petróleo Mikhail Khodorkovsky, crítico do presidente Vladimir Putin, já cumpre pena de prisão há cerca de nove anos, acusado de corrupção. Sobretudo os países ocidentais atribuem motivação política às acusações contra Khodorkovsky – coisa que o governo em Moscou refuta.

O caso Timochenko é considerado, sobretudo pela mídia ocidental, um exemplo de como a Ucrânia vem ficando parecida com a Rússia, desde a posse do atual presidente, Victor Yanukovitch.

"A intenção do atual regime é cuidar para que nunca precise entregar o poder", avalia o Gerhard Simon, professor de Ciência Política com foco no Leste Europeu, pela Universidade de Colônia. Segundo ele, existe na Ucrânia, assim como na Rússia, um "partido do poder", no caso, o Partido das Regiões de Yanukovitch, que tenta dominar o sistema político em todos os níveis.

"Prata da casa"

Outro paralelo entre a política russa e a ucraniana é o desejo de Kiev de "enfraquecer a oposição e torná-la controlável", afirma Simon. "Isso vem sendo feito na Rússia há muitos anos, e agora o sistema político da Ucrânia encontra-se no mesmo caminho", acredita especialista.

Há ainda outros paralelos. Quando Putin, ex-agente da KGB, assumiu a presidência da Rússia pela primeira vez no ano 2000, ele ocupou os principais cargos do país com antigos ou ainda ativos funcionários do serviço de inteligência, e com gente de confiança de sua cidade natal, São Petersburgo.

Yanukovitch faz algo parecido. Muitos cargos de primeiro escalão na Ucrânia foram preenchidos por pessoas de sua província natal, Donetsk. Metade do quadro de servidores do governo já trabalhou por lá. O regime ucraniano tem se inspirado até mesmo na legislação russa. Há poucas semanas, o Parlamento em Moscou endureceu a punição contra "difamação", colhendo com isso muita crítica de ativistas dos direitos humanos. Uma proposta de lei parecida tramita agora também na Ucrânia.

As diferenças

Em contrapartida cientista político Andreas Umland, da universidade Academia Mohyla de Kiev, acredita que, apesar das muitas semelhanças, entre Ucrânia e Rússia ainda imperam as diferenças. "Há na Rússia uma tentativa de se obter um poder vertical, para controlar os atos do Parlamento, fortalecer o poder do presidente, intimidar ou neutralizar a oposição." Já na Ucrânia, segundo ele, não há condições viáveis para tal sistema.

"Não há dinheiro, nem amplo apoio popular, nem uma elite unida e nem um aparato político para amparar o presidente, como na Rússia", acredita Umland. Por isso, classifica "o regime semiautoritário ucraniano" como "instável" e mais efêmero do que o modelo russo.

O jornalista ucraniano Vitaly Portnikov também acredita que o modelo político atualmente em vigor na Ucrânia é bastante diferente do russo, cujo modelo oligárquico de governança se impôs após o desmoronamento da União Soviética.

"Diferentes grupos de oligarcas e servidores públicos se uniram", conta o redator-chefe do canal de televisão TVi, de Kiev. Na Ucrânia houve um sistema parecido, mas o presidente Yanukovitch o mudou, diz Portnikov. "Yanukovitch toma sozinho suas decisões", com Putin não acontece isso, ressalta o jornalista que trabalhou em Moscou.

Risco de ameaça à democracia

Por isso, Portnikov enxerga grandes semelhanças também entre a Ucrânia e Belarus, regida com mão de ferro pelo presidente Alexander Lukachenko há mais de 15 anos – opinião partilhada por outros observadores. Em Belarus, havia uma oposição forte, e os protestos contra o regime não foram reprimidos com violência.

Porém com a proximidade das eleições parlamentares, no fim de outubro, a Ucrânia poderá ficar ainda mais próxima da Belarus. Desde a "Revolução Laranja" de 2004, todas as eleições ucranianas foram avaliadas como democráticas pelos observadores ocidentais. Agora, no entanto, a ameaça de recuo no processo democrático assusta Portnikov. "Eu aguardo uma fraude eleitoral total", declara Portnikov.

Já no que diz respeito à liberdade de imprensa, a Ucrânia se aproxima cada vez mais da Rússia, acusa o jornalista. Desde a posse de Yanukovitch, há dois anos, o canal de televisão em que trabalha sofre frequentemente pressão das autoridades. Até bem pouco tempo, o diretor geral da TV vinha sendo investigado por sonegação fiscal, porém o processo foi suspenso.

Autor: Roman Goncharenko (msb) - Revisão: Augusto Valente

MÁRIO DRAGHI: SALVADOR OU CARRASCO DA ZONA EURO?




ABC, El País, Corriere della Sera & 4 outros - Presseurop - foto AFP

O BCE vai provavelmente intervir, mas os Estados têm primeiro de pedir ajuda. A mensagem enunciada pelo presidente do Banco Central Europeu provoca reações acaloradas na imprensa europeia, que se questiona sobre o poder real de Draghi.

“Draghi verga-se” à vontade alemã, protesta o ABC. O presidente do Banco Central Europeu condicionou qualquer intervenção do BCE nos mercados financeiros da dívida a um pedido de ajuda de Espanha e Itália ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. E em consonância com a vontade do governo e do banco central alemães, esse apoio deve incluir uma política de rigor sob supervisão europeia. Para o diário conservador, Mario Draghi é "o reflexo de uma UE impotente".

O jogo de cartas que o BCE parece estar a fazer, sob a orientação de parceiros comunitários do Norte da Europa, é completamente inaceitável, num momento crítico como o atual. […] Para que o euro seja realmente “irreversível”, deve apoiar-se em instituições sólidas e credíveis, com uma direção clara e inequívoca, qualidades que o BCE não tem demonstrado durante a presente crise.

Por sua vez, o diário El País acha que "o BCE está a empurrar a Espanha para outro pedido de apoio". O jornal de centro-esquerda considera que Mario Draghi tem agora "todos os poderes":

Draghi utilizou a expectativa gerada [pelas suas declarações da semana passada] para operar por controlo remoto todos os movimentos importantes da política europeia nas próximas semanas. Um: a Espanha é obrigada a completar todas as reformas impostas pela Europa e a solicitar um humilhante segundo apoio [depois do dos bancos espanhóis]. Dois: a Itália beneficiará, indiretamente, do auxílio espanhol, mas é mesmo muito provável que também se veja a recorrer a ele, antes que a situação política no país se esclareça. Três: os parceiros europeus devem pôr os seus vistos nesses dois salva-vidas, sem novas condições excessivamente onersas em termos políticos. E quatro: se tudo correr como se espera, a Alemanha e o Bundesbank devem deixar-se de ultraortodoxia e libertar as mãos do BCE. Finalmente, o poder total para Draghi, uma espécie de novo Richelieu da política continental. [...] A jogada só tem um problema: continua a basear-se na fantasiosa falácia de que o Sul deve continuar a cortar gastos para a confiança voltar.

Em Itália, o Corriere della Sera constata que a "terapia de Draghi dececiona os mercados". Mas, para o diário, "esta manobra mal compreendida será, contudo, útil" e os mercados não têm razão:

Draghi deu tudo o que podia, salvaguardando a autonomia do BCE, tendo em conta as limitações políticas e institucionais da Europa, hoje. [...] Em primeiro lugar, sem se comprometer com ações específicas, o presidente do BCE não fecha a porta a futuras intervenções. Por outro lado, recorda aos políticos uma verdade crucial: a possibilidade e um pedido de apoio financeiro, com as suas consequências agradáveis e desagradáveis, não são imputáveis ao BCE, mas aos governos e seus eleitores.

“Draghi prudente, os mercados caem”, resume La Stampa. Mas o diário de Turim considera que não é por culpa do presidente do BCE:

Há um grande desfasamento entre a impaciência dos mercados e o tempo requerido pelas decisões políticas e económicas: os mercados deviam ser menos nervosos e os políticos mais expeditos. Mas a tentativa, muitas vezes sugerida ou esperada, de abafar simultaneamente a propagação dos “spreads” [a diferença entre as taxas de juro sobre as dívidas italiana e espanhola e a dívida alemã] e os complicados problemas da Zona Euro por meio da bazuca do BCE, teria garantido o regozijo por alguns dias, talvez semanas, seguido de sérios desapontamentos mais tarde. Até porque, se o BCE negligenciasse os papéis dos outros organismos comunitários, isso diminuiria a credibilidade deles, sem beneficiar a sua.

Do lado alemão, o Handelsblatt teme que o presidente do BCE não tenha "mão nos mercados" e seja levado a intervir para comprar a dívida, enquanto o Financial Times Deutschland aprova um "compromisso muito claro".

O Süddeutsche Zeitung saúda a dupla estratégia de Draghi, "que age como o presidente do euro de que a união monetária ainda não dispõe", abandonando o papel de simples "guardião da inflação" para se tornar um "ator audacioso", à imagem de Alan Greenspan, o ex-chefe da Reserva Federal dos EUA.

O grande desafio está em explicar aos cidadãos do Sul da Europa que só os vai ajudar se reformarem radicalmente as suas economias. Na quinta-feira, escolheu a estratégia inteligente das contrapartidas. Falou de compras de títulos, mas apenas se os governos preencherem as condições. Ou seja: o dinheiro não é de graça, o que seria fatal para o contribuinte alemão.

O ceticismo é partilhado pelo De Volkskrant. O jornal holandês considera que Draghi tem "prejudicado a sua credibilidade", porque não correspondeu às expectativas criadas pelo seu discurso anterior. Mas entende a sua posição:

Ele não dispõe de meios efetivos para resolver a crise da Zona Euro. Mesmo com todos os tipos de paliativos, como a compra de títulos ou a transferência de dinheiro barato para os bancos, apenas pode lutar contra os sintomas da crise [...] Em última instância, são os políticos europeus que têm a chave do problema. A crise não pode ser resolvida enquanto os países fortes não estiverem dispostos a servir de fiadores integrais dos países problemáticos, desde que estes estejam dispostos a renunciar à sua soberania.

Em Viena, Die Presse observa que "o BCE está paralisado pelas lutas de poder em matéria de auxílio financeiro". Para o diário de centro-direita, quem perde é Berlim, que desenvolve uma "luta quase desesperada para impor ‘a união da estabilidade’'". Pensando na decisão que o Tribunal Constitucional alemão deve tomar em 12 de setembro [sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade, MES] e nos 59% de alemães que aprovam a política de Angela Merkel para a crise, o Bundesbank e a chanceler mantêm-se firmes no seu "não" à aquisição maciça de obrigações dos Estados e à atribuição de liberdade bancária ao MES.

Mas a Alemanha está cada vez mais isolada. [Para além do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, e do, aliás muito germanófilo, finlandês Jyrki Katainen], o novo Presidente francês e os primeiros-ministros de Itália e Espanha estão atualmente a criar um novo eixo para a construção de um pólo de oposição à política de austeridade prescrita pela Alemanha.

70% DOS ANGOLANOS QUEREM SER KOPELIPAS




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República de Angola, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, continua – tal como o regime - a mostrar o que vale.

Contra o que é estabelecido na Constituição, participa em manifestações de apoio ao MPLA e, agora, comandou a compra de 13 helicópteros do tipo Bell-112 e um Bell 222, de fabrico norte-americano, provenientes da África do Sul e do Canadá, bem como das respectivas tripulações… obviamente estrangeiras, e que se destinam a apoiar as eleições do dia 31.

Para provar a transparência das regras democráticas do país nada melhor do que, ao mesmo tempo, o MPLA ser jogador, árbitro e dono do recinto.

Apesar das más línguas, creio que o general “Kopelipa” é um paradigma do regime onde, de facto, não há novidades, seja em relação aos generais do MPLA, ou aos que se venderam ao MPLA, seja quanto aos angolanos, 70 por cento dos quais continuam na miséria.

“Kopelipa”, recorde-se, foi um dos primeiros generais do regime angolano a chegar, juntamente com o ex-general da UNITA e actual Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, Geraldo Sachipengo Nunda, ao local onde Jonas Savimbi foi morto.

Recorde-se também que no dia 29 de Abril de 2010 era apresentado, em Luanda, com pompa e circunstância um plano de emergência para pagamento das dívidas do governo angolano às empresas nacionais e estrangeiras.

A apresentação foi feita por Carlos Feijó, ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência – para além de amigo do primeiro-ministro português, ladeado por outros dois ministros de Estado, Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Chefe da Casa Militar, e Manuel Numes Júnior, Coordenador da Área Económica.

De acordo com a Global Witness, s registos da Sociedade de Hidrocarbonetos de Angola (SHA), publicados no Diário da República, nomeavam Manuel Domingos Vicente, então presidente da Sonangol, como um dos accionistas da SHA em Agosto de 2008, bem como Manuel Vieira Hélder Dias Júnior "Kopelipa", chefe da Casa Militar do Presidente José Eduardo dos Santos.

O general “Kopelipa”, como bom investidor e cidadão preocupado com o futuro dos angolanos, até pagou um milhão de euros por duas quintas no Douro português para produzir e exportar vinho.

Tirando o facto, irrelevante, de a maioria dos angolanos passar fome, tudo o resto é normal. Quintas, vivendas, bancos, empresas etc. fazem parte do cada vez maior leque de interesses dos poucos angolanos que têm milhões.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, é normal que os donos do poder (o MPLA) estendam as suas garras a outros países e ainda bem que consideram Portugal uma boa escolha. O reino luso a norte de Marrocos só tem a ganhar com estes investimentos. Depois de 500 anos de colonização já era tempo de ser o colonizador a ser colonizado.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, louvo a atitude do general “Kopelipa” que, para além de mostrar que ganha bem, não fez como outros que compram mas não dão a cara.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, acresce que a economia portuguesa está a ficar nas mãos de meia dúzia de donos do MPLA e, pelo andar do que é conhecido, um dia destes ainda vamos ter outras grandes surpresas.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, Portugal vai assistir ao nascimento de novas estruturas empresariais, em quase todos os sectores – incluindo os da comunicação social – de modo a que seja mais fácil aos donos do poder em Angola dizer aos escravos portugueses como devem fazer as coisas para agradar ao colono angolano. Não é assim senhor Pedro Passos Coelho?

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, fico à espera de ver mais alguns (sim, que já há muitos) sipaios portugueses fazerem a vénia ao chefe do posto angolano porque se o não fizerem sujeitam-se a “fuba podre, peixe podre e porrada se refilarem”.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, até me parece normal que a ementa do almoço entre José Sócrates e Eduardo dos Santo, na altura da cimeira UE/África, se venha a repetir com mais assiduidade, sabendo-se que os protagonistas portugueses mudam, mas que os angolanos são e serão sempre os mesmos.

E digam lá que não vale a pena: ovos mexidos com alheira de caça, tamboril com amêijoas, legumes estufados e arroz selvagem e uma sobremesa com doce de chocolate e laranja tostada. Os vinhos servidos foram todos do Douro (ainda não das quintas de Kopelipa): Esteva branco 2005, Quinta de Lagoalva tinto 2007 e Porto.

Tirando o facto de a maioria dos angolanos passar fome, até me atrevo a sugerir uma outra ementa famosa para os encontros de Eduardo dos Santos e os seus servis sipaios portugueses: trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas, com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


Acidente de viação com autocarro de adeptos de futebol provocou 29 mortos e 25 feridos



Lusa

Luanda, 05 ago (Lusa) - Vinte e nove pessoas morreram e 25 ficaram feridas sábado em consequência de um acidente com um autocarro com adeptos do clube de futebol Kabuscorp, do Girabola de Angola, noticiou hoje a agência Angop.

O acidente ocorreu quando o autocarro se despistou na estrada que liga as províncias do Kwanza Sul e Luanda, capotando numa ribanceira após fazer uma curva.

Os adeptos do Kabuscorp regressavam a Luanda, após o jogo em que a sua equipa averbou uma derrota no terreno do Recreativo do Libolo, campeão em título e líder isolado do campeonato angolano.

Independentistas cabindas querem negociar futuro com Governo que sair das eleições



EL - Lusa

Luanda, 05 ago (Lusa) - Os independentistas de Cabinda desejam negociar o futuro do território com o Governo que sair das eleições gerais do próximo dia 31, segundo um comunicado enviado hoje à Lusa.

Assinado pelo presidente da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), Nzita Henriques Tiago, o comunicado salienta que a organização, que mantém há 38 anos uma luta de libertação do enclave, "tomará as medidas necessárias sobre as possibilidades de explorar contactos oficiais e diretos com o Executivo angolano que sairá das urnas nas eleições de 31 de agosto".

A FLEC acrescenta desejar que essas negociações sejam do domínio público em prol de, destacam, "um diálogo franco, honesto e inclusivo para o fim da guerra e a resolução final do conflito em Cabinda".

A organização cabinda reforçou ainda o seu empenho em pôr fim ao conflito "através de uma solução negociada e direta com o Governo angolano".

"O novo Executivo angolano deverá assumir as suas responsabilidades de criar condições favoráveis e mostrar a sua vontade política para finalmente encontrar uma solução política, junto com a direção política da FLEC-Forças Armadas de Cabinda, ao mais alto nível do Estado angolano, isto é, a Assembleia Nacional, o executivo e a Presidência da República", lê-se ainda no comunicado.

Os independentistas adiantam que vão assumir "todas as suas responsabilidades junto do povo de Cabinda".

Relativamente à campanha eleitoral em curso no território, a FLEC reafirma que as eleições angolanas "continuam a ser uma questão de interesse exclusivo e principal dos angolanos".

Todavia, face ao desejo de participação da sociedade civil cabinda no processo eleitoral, considera que aquela deve "assumir as consequências políticas" da opção.

Cabinda é um enclave responsável por cerca de 70 por cento da produção petrolífera angolana e a FLEC luta pela independência do território, que consideram um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, em 1885.

Moçambique: INSEGURANÇA SOCIAL É MINISTÉRIO, MAS HÁ UMA “FLORESTA DE ARTE”




Crianças procuram alternativa à pobreza na África do Sul

04 de Agosto de 2012, 09:22

André Catueira, da Agência Lusa

Chimoio, 04 ago (Lusa) - Descalço e sorridente, aprumado nas vestes, Norberto Ntane, 14 anos, deixa a escola e a família para, junto do seu tio, viajar para a África do Sul e "garantir o noivado", como fazem milhares de uma localidade no centro de Moçambique.

"Não consegui ir para África do Sul no ano passado e vou aproveitar agora o convite do meu tio e conseguir comprar capulanas, bicicletas, aparelhos (de som) e outras coisas para eu casar", disse à Lusa Norberto Ntane, enquanto acena para outros miúdos que assistem à partida, ansiosos de um dia chegar a sua vez.

Muitas crianças do distrito de Machaze, interior de Manica, emigram voluntariamente, com algum familiar e ou vizinho, para a África do Sul, motivadas pelo acentuado índice de pobreza, uma situação que se tem tornado preocupante para as autoridades governamentais, pela sua frequência.

Em Machaze, uma das principais origens de mineiros para a África do sul, as crianças perdem a sua infância atrás de água potável, para dar de beber às suas famílias, e noutras vezes para dar de comer, o que incentiva muitas a emigrar à procura de oportunidades.

"Muitas crianças, várias delas indocumentadas, emigram com seus familiares (que já trabalham na África do Sul) e outras ainda sem companhia de pessoas conhecidas. Estas vão com o propósito de encontrar um familiar e ou à procura de emprego", disse à Lusa, Teixeira Machate, administrador de Machaze.

No ano passado, um grupo de 30 pessoas de Machaze, entre as quais oito crianças, escapou de uma suposta rede de tráfico de seres humanos. A polícia interpelou-as quando seguiam, para África do Sul, num camião frigorífico, sob promessa de emprego. Em 2011, perto de 90 pessoas, na mesma situação, foram recambiadas para Moçambique.

"A emigração em massa é um problema cultural que carece de um estudo cauteloso neste distrito. É muito fácil (em Machaze) convencer alguém para ir para a África do Sul, porque acredita que vai para uma espécie de paraíso, onde a vida é facilitada. Isso tem consequência nas emigrações e propício à prática do tráfico humano", afirmou Machate.

O tráfico humano em Machaze, disse, ocorre com o recrutamento clandestino de pessoas na maioria das vezes sob promessa de emprego na África do Sul. Entre os recrutados incluem-se crianças que têm sido "objeto de mão-de-obra barata".

"Há uma motivação descontrolada de emigração para a África do Sul. Tem havido casos de recrutamento clandestino. Essa atividade chegou a envolver líderes comunitários (representantes do governo nas comunidades)", reconheceu Machate, embora a tendência esteja a diminuir devido a um intenso trabalho governamental.

O governo distrital tem continuamente realizado reuniões populares com líderes comunitários, para desencorajar o seu envolvimento, como instrumentos de contratação clandestina, e incentivar uma fiscalização para punir os eventuais "traficantes de pessoas".

Atualmente os líderes comunitários são responsabilizados, pelo governo local, pela saída à revelia de qualquer morador, sobretudo crianças, uma iniciativa que pretende travar a emigração clandestina, mas a situação no local sugere o contrário.

Em média 200 pessoas emigram, através de terminais oficiais, para África do Sul mensalmente em Machaze. Mas estima-se que muitos residentes de Machaze emigram clandestinamente para o país vizinho.

Em 2011, através do relatório sobre a emigração infantil em Moçambique, as organizações não-governamentais Save The Children e a SANTAC (Rede de África Austral contra o Tráfico e Abuso de Menores) lançaram um veemente apelo para se dar uma resposta de dimensão regional ao problema de emigração clandestina de crianças a nível dos países da região Austral de África.

AYAC

Exonerada diretora do Instituto de Segurança Social por alegada má gestão

04 de Agosto de 2012, 14:43

Maputo, 04 ago (Lusa) - A ministra moçambicana do Trabalho, Helena Taipo, exonerou a diretora-geral do Instituto Nacional de Segurança Social, Rogéria Muianga, por alegada má gestão de fundos de pensão de trabalhadores.

Recentemente, a imprensa moçambicana revelou que a instituição, a única em Moçambique que gere as pensões dos trabalhadores, gastou 217 mil euros para reabilitar um imóvel destinado a Rogéria Muianga.

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique reagiu às denúncias, considerando, na ocasião, a situação "deveras preocupante para os contribuintes e beneficiários do sistema, dados os prejuízos que dela resultam".

Em comunicado hoje enviado, o Ministério do Trabalho de Moçambique indica que Helena Taipo "determinou a cessação de funções, na sexta-feira, de diretora-geral do INSS, Rogéria da Conceição Muianga" e sublinha que "a decisão, que tem efeitos imediatos, surge no quadro dos últimos acontecimentos na instituição, relacionados com a sua gestão".

A decisão de Helena Taipo surge dias depois do anúncio do envio à Procuradoria-Geral da República dos resultados do inquérito levado a cabo pela Inspeção das Finanças ao INSS, que pretendia apurar o grau de envolvimento de Rogéria Muianga e do presidente daquela instituição, Inocêncio Matavele, em casos de suposta gestão danosa do património do INSS.

Falando aos jornalistas sobre os procedimento, o ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, afirmou há dias que a inspeção levada a cabo pela sua instituição produziu resultados que indiciam os visados de ações passíveis de procedimentos disciplinar e criminal, assinalando, no entanto, que para cada caso será solicitada a intervenção das autoridades competentes.

Os problemas de gestão de fundos de pensão do INSS foram divulgados após o Conselho de Administração da instituição ter adquirido um imóvel para o respetivo presidente no valor de um milhão de dólares.

Outra fonte de suspeição de eventual má gestão das verbas foi a adjudicação de uma empreitada avaliada em 217 mil euros para a reabilitação duma moradia, algures na cidade da Matola, destinada à diretora-geral da instituição, agora destituída.

MMT.

Trio artístico luso-alemão cria "floresta" com obras de arte

05 de Agosto de 2012, 09:11

Maputo, 05 ago (Lusa) -- Uma "floresta" construída com obras esculpidas, pintadas e sonorizadas é a proposta de um coletivo artístico luso-alemão, que apresenta, até ao final do mês, a instalação ´Um Passo Com Unha`, no Instituto Camões , em Maputo.

Há dois anos, Ídasse Tembe, pintor moçambicano, Volker Schnuttgen, escultor alemão, e Victor Gama, músico angolano, plantaram a ideia de um trabalho conjunto, tendo como ponto de partida as valências artísticas de cada um dos autores.

"O projeto começa com a escultura, que é o primeiro ´Passo Com Unha`. O segundo, foi a resposta do Ídasse sobre a escultura, trabalhando uma linguagem própria, e transformando-a numa obra totalmente diferente", diz à Agência Lusa Volker Schnuttgen.

Ao trabalho dos dois artistas juntou-se o toque musical de Victor Gama, que, "via documentação fotográfica", compôs uma banda sonora para a instalação.

O resultado é uma "floresta" com mais de 10 peças esculpidas em madeira de chanfuta (espécie local), que foram cobertas de "cores realmente muito fortes", e que têm sistema de som incorporado.

"À partida, foi concebido que o som seria parte integrante desta floresta. É como se estivéssemos a andar na floresta, e, a cada passo que se dá, produz-se som. O som é parte integrante e faz parte da vida das esculturas", explica à Lusa Ídasse Tembe.

"Ele (Victor Gama) disse que tentou esculpir o som. Acho que isso se percebe quando se ouve o som dentro da instalação", acrescenta Schnuttgen.

O processo artístico de criar a seis mãos "surpreendeu" positivamente os mentores do projeto, até porque, desde o início, existia um "ideal comungado por três pensamentos".

"É sempre uma aventura, porque, no fundo, não sabemos como vai o outro reagir. Estou muito surpreendido com os resultados", diz Schnuttgen.

"Considero a peça como uma ação consequente de todo um ideal comungado por três pensamentos. Na altura que começou a escultura, também começou a pintura, da mesma forma que a banda sonora", observa Tembe.

Depois de apresentada ao público a primeira fase do projeto, o coletivo artístico pretende realizar "uma exposição itinerante", na qual irão constar novas peças.

Por enquanto, a mostra "Um Passo Com Unha", que integra a 5.ª bienal de Arte Contemporânea de Moçambique, está em exposição no Instituto Camões até ao dia 31 de agosto.

ENYP

*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG