sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O SIPAIO ESTÁ QUASE A SER CHEFE DE POSTO





ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Angola “não tem uma ditadura”, diz um dos sipaios de José Eduardo dos Santos, na circunstância, o embaixador do reino de Angola em Lisboa, José Marcos Barrica.

"Numa sociedade democrática as pessoas manifestam-se, o direito à manifestação está consagrado na lei angolana. Naturalmente, toda a manifestação tem os seus limites, e a liberdade também tem as suas limitações", disse Barrica aos jornalistas.

Questionado sobre se as manifestações em Angola podem ser comparadas com as contestações sociais e políticas no norte de África, José Marcos Barrica referiu que, "contrariamente ao que se diz de Angola", no norte do continente há manifestações "que decorrem de regimes ditatoriais".

"Angola não tem uma ditadura", frisou. "Angola saiu de um contexto de guerra que provocou traumas que precisam ser sarados e naturalmente temos situações que criam alguma impaciência, as pessoas querem que as coisas corram rápido, para satisfazer as suas necessidades materiais e espirituais. As pessoas ficam impacientes e isso dá origem a estes desacatos", justificou  o sipaio, embora com legítimas esperanças de chegar a chefe de posto.

Importa, contudo, recordar que foi este mesmo sipaio, José Marcos Barrica, que chefiou em Março de 2008 os observadores eleitorais da África Austral nas “eleições” presidenciais do Zimbabué.

Na altura, certamente com toda a legitimidade e correspondendo ao seu conceito de ditadura e de democracia, mas contra todas as informações independentes que chegavam do Zimbabué, José Marcos Barrica afirmou que as “eleições foram uma expressão pacífica e credível da vontade do povo”.

Também à revelia das informações que chegavam do reino de Robert Mugabe, José Marcos Barrica disse que as eleições foram “caracterizadas por altos níveis de paz, tolerância e vigor político dos líderes partidários, dos candidatos e dos seus apoiantes.”

Barrica não perdeu, aliás, a oportunidade para salientar que “as eleições foram realizadas contra um pano de fundo caracterizado por um clima internacional muito tenso e bi-polarizado onde alguns sectores da comunidade internacional permanecem negativos e pessimistas quanto ao Zimbabué e às possibilidades de as eleições serem credíveis”.

Como se viu, vê e verá, José Marcos Barrica teve, tem e terá razão quanto à democraticidade, legalidade e pacificação do regime de Mugabe. Tal como se viu, vê e verá em relação à democraticidade de Angola, cujo presidente está no poder há 32 anos sem ter sido eleito.

Recordo igualmente que José Marcos Barrica considerou que “as eleições foram conduzidas numa forma aberta e transparente”, congratulando-se com o facto de a Comissão Eleitoral do Zimbabué “satisfazer os desafios administrativos de levar a cabo as eleições harmonizadas e demonstrar altos níveis de profissionalismo”.

“O grande vencedor é o povo do Zimbabué”, concluiu na altura o chefe dos observadores eleitorais da África austral nas presidenciais do Zimbabué.

E, já agora, recorde-se que sobre o mesmo tema, o primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou que "é preciso que as eleições em todos os países africanos sejam livres e transparentes”, acrescentando que “não considero que estas eleições no Zimbabué tenham sido livres e transparentes. Espero que haja bom senso e que a democracia possa vingar no Zimbabué".

"É preciso liberdade de expressão e de criação de partidos políticos. É isso que tem que acontecer e portanto as eleições não podem ser nenhuma farsa, têm que ser livres e transparentes", afirmou também José Maria Neves.

Questionado sobre a posição de Cabo Verde face ao novo governo do Zimbabué, o chefe do governo declarou-se "solidário com a oposição zimbabueana", afirmando que apesar do executivo "não precisar do reconhecimento de Cabo Verde", a comunidade internacional "não pode pactuar com atitudes desta natureza".

Pelos vistos, José Marcos Barrica  consegue ver em Angola, tal como no Zimbabué, tudo o que os outros não encontra. No caso de Robert Mugabe, grande amigo de Eduardo dos Santos, também a UNITA acusou a União Africana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral de pactuarem com a "ilegitimidade e o desrespeito das normas internacionais" ao aceitarem Robert Mugabe no seu seio como Presidente do Zimbabué.

Por outro lado, o presidente da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, disse que o Governo moçambicano deveria encerrar a embaixada do Zimbabué em Maputo, em "sinal de reprovação pela postura ditatorial de Robert Mugabe".

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Angola: Primeira testemunha começou a ser ouvida, 5 polícias já o foram




SIC NOTÍCIAS

Luanda, 09 set (Lusa) - O julgamento dos 21 manifestantes detidos desde sábado continua a decorrer, tendo entrado recentemente a primeira testemunha para ser ouvida, depois de cinco polícias terem prestado as respetivas declarações.

O julgamento sumário que decorre desde quinta-feira reiniciou-se hoje a meio da manhã e só agora começaram a ser ouvidas as testemunhas.

No exterior do edifício onde está localizado o tribunal de polícia a situação é calma, sem manifestações como na quinta-feira e com uma forte segurança em todo o perímetro do tribunal.

*Foto em Lusa

Brasil: Sobe para três número de mortes por causa das chuvas no estado de Santa Catarina




GL - LUSA

São Paulo, 09 set (Lusa) - Os temporais sobre a região sul do Brasil já causaram pelos menos três mortes no Estado de Santa Catarina, onde duas cidades decretaram estado de calamidade pública.

Das três mortes, a Defesa Civil do Estado contabiliza oficialmente apenas a de um homem de 66 anos, ocorrida no município de Guabiruba.

No entanto, a assessoria da prefeitura de Rio do Sul relatou à Agência Lusa que dois adolescentes que usavam um barco para cruzar uma rua alagada morreram eletrocutados hoje quando o remo tocou nos fios elétricos.

A Prefeitura de Rio do Sul estima que um terço dos 60 mil habitantes do município viram-se forçados a deixar as suas casas devido aos temporais. Pelo menos 3.000 estão em abrigos.

Hoje não choveu sobre a cidade, mas o nível do rio continua a subir. Cerca de 60 por cento da rede viária da área central de Rio do Sul está sob as águas. Muitos moradores continuam isolados.

Além de Rio do Sul, a cidade de Brusque decretou estado de calamidade pública, segundo o último balanço da Defesa Civil do Estado. Outras 15 cidades declararam situação de emergência.

As chuvas, que começaram na terça-feira, afetaram um total de 680.343 pessoas no Estado, de acordo com os dados oficiais.

Entre elas, há 35.955 desalojados (pessoas que estão em casas de amigos e parentes) e 13.013 desabrigados (em abrigos públicos).

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o secretário da Defesa Civil nacional, Humberto Viana, visitam hoje o Estado para verificar a situação dos municípios atingidos pelas chuvas.

As chuvas também afetam 695 pessoas no Estado do Paraná, vizinho de Santa Catarina, de acordo com a Defesa Civil local.

*Foto em Lusa

Uma década depois e o 11/9 desperta cada vez mais desconfiança na opinião pública mundial




Gilberto de Souza e Marcello Perongini>/b>, com agências internacionais - do Rio de Janeiro, Roma e Nova York, EUA – Correio do Brasil

Prefeito de Nova York, o milionário Michael Bloomberg reafirmou, nesta sexta-feira, a existência de informações, ainda não confirmadas, de que um novo atentado terrorista estaria planejado para este domingo, quando se completam dez anos dos atentados do 11 de Setembro.

– Sabemos que terroristas consideram aniversários uma oportunidade de atacar de novo. Vivemos em um mundo em que temos de levar essas ameaças a sério – disse o prefeito, em tom grave.

A cidade de Nova York vive há semanas em estado de alerta para as homenagens ao 11 de Setembro, com equipes antibomba, cães farejadores, vigilância reforçada em túneis e pontes e bloqueios em ruas. Segundo o Departamento de Segurança Nacional, há uma ameaça “crível e específica”, mas ainda não confirmada, de ataque terrorista. O departamento não deu mais detalhes.

Na quarta-feira surgiram informações sobre uma bomba atrelada a um veículo, que poderia ser detonado em Nova York ou Washington; o presidente norte-americano, Barack Obama, e os serviços de inteligência norte-americanos receberam essa informação nesta quinta, à noite. Segundo a diretora-assistente do FBI (a polícia federal dos EUA), Janice Fedarcyk, durante a operação em Abbottabad (Paquistão) – que resultou na morte do líder da al Qaeda, Osama Bin Laden -, foram apreendidos documentos que mostram que a rede terrorista tinha um interesse considerável em datas e aniversários específicos, como o 11 de Setembro.

O pesadelo do 11/9 é uma constante na vida dos nova-iorquinos. O chefe de polícia de NY, Ray Kelly, determinou um aumento nas revistas de bagagens nas estações do metrô ao menos até a próxima segunda-feira, além de um aumento de 30% nas equipes de patrulha das ruas e nas equipes de resposta rápida a ameaças e de vigilância reforçada em prédios do governo e em locais religiosos. As agências de segurança vão realizar exercícios de segurança nas principais estações ferroviárias e de metrô e na Times Square, nas próximas horas.

O prefeito disse que a polícia está bem preparada, já que conseguiu combater ao menos 12 possíveis ataques terroristas desde 11 de setembro de 2001.

– O melhor que podemos fazer para combater o terror é nos recusarmos a nos deixarmos intimidar. Nos últimos dez anos, não permitimos que os trerroristas nos intimidassem, vivemos nossas vidas e vamos continuar a fazê-lo – sentencia Bloomberg.

Estudo do terror

Até agora, mesmo depois de uma década do maior atentado já sofrido por norte-americanos no país deles, todos os fatos corroboram o projeto intitulado Um Novo Século para os EUA (The Project for the New American Century), lançado um ano antes da série de acontecimentos que deram origem ao 11 de Setembro. Segundo o relatório, após a queda do Muro de Berlim os EUA precisariam de um novo inimigo a combater, uma vez que ‘o fantasma do comunismo’ teria sido exorcizado com o fim da União Soviética.

“Além disso, o processo de transformação (social), mesmo que provoque mudanças revolucionárias (para a implantação global do capitalismo e da Pax norte-americana), tem a probabilidade de de ser longo, isse se não houver alguns eventos catastróficos e catalisadores – como um novo Pearl Harbor”, diz o documento, um ano antes da queda do World Trade Center (WTC).

“(O que exigimos é) um aparato militar forte e pronto a atender ambos os desafios, presentes e futuros; uma política externa que com ousadia e propositadamente promove os princípios norte-americanos no exterior e, em nível nacional, eleve uma liderança que aceita os Estados Unidos com todas as suas responsabilidades globais”, acrescenta o relatório assinado por William Kristol, Robert Kagan e Devon Gaffney Cross, três republicanos de alta patente, todos eles ligados às facções mais à direita do partido, conhecida como Tea Party, e íntimos colaboradores do ex-presidente George W. Bush.

O Projeto para o Novo Século Norte-Americano se travestiu de organização educacional sem fins lucrativos, dedicada a incutir “algumas proposições fundamentais: que a liderança norte-americana é boa tanto para a América do Norte e para o mundo, e que tal liderança exige força militar, diplomática de energia e compromisso com o princípio moral. O Projeto pretende, através de boletins temáticos, trabalhos de pesquisa, o jornalismo dirigido aos interesses da instituição, conferências e seminários, explicar o que implica a liderança mundial norte-americana. Ele também se esforçará para conseguir apoio para uma política vigorosa e de princípios de participação internacional norte-americana e para estimular o debate público sobre política externa e de defesa e papel da América do Norte no mundo”, diz o prólogo do estudo.

O republicano William Kristol, de 59 anos, é um ferrenho adepto do Tea Party e atua como analista político e comentarista da rede norte-americana de Fox News, maior ponto de apoio da Era Bush para as guerras no Iraque e no Afeganistão. Ele também é o fundador e editor da revista política The Weekly Standard, que defende as ideias mais radicais da direita norte-americana. Seu colega e co-patrocinador do relatório, Robert Kagan se formou na Universidade de Yale e foi integrante da ordem ocultista Skull and Bones, berço dos Illuminati, uma ordem de líderes da extrema-direita com objetivos difusos, mas todos voltados à supremacia da raça branca e dos princípios republicanos. Ele foi o consultor político para assuntos internacionais na campanha derrotada de John McCain.

O terceiro signatário do documento é Devon Gaffney Cross, integrante da diretoria do Linconln Group, organização formalmente conhecida como Iraqex, voltada para os assuntos referentes à ‘reconstrução’ daquele país, devastado pela guerra iniciada logo após os eventos do WTC. Ele atua, em Washington, D.C., com as operações militares dos EUA no Iraque, principalmente na área de Relações Públicas. Em 2005, uma reportagem do Los Angeles Times revelou que a Iraqex detinha um número não inferior a US$ 100 bilhões em contratos de propaganda, desenvolvimento de produtos e de estratégias comerciais, distribuição e logística entre outros.

Denúncias de fraude

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não é o que se pode considerar um hóspede bem-vindo nos EUA, mas no ano passado ele fez por onde merecer o ódio dos republicanos. Em plena sessão plenária das Nações Unidas, disse com todas as letras o que cineastas, jornalistas e parlamentares às centenas já apregoam nas redes sociais há uma década e acusou a direita norte-americana de promover a maior fraude de todos os tempos com os supostos atentados às Torres Gêmeas.

Já em 2004, o cineasta Michael Moore produziu um especial sobre o 11 de Setembro. O filme tem cerca de duas horas e lotou as salas de exibição nos Estados Unidos e nos demais países onde foi exibido. Originalmente ele foi produzido por uma empresa filiada à Disney Produções, contudo, a empresa se recusou a exibi-lo, quando viu o resultado final. A recusa é fácil de entender porque a Disney tem sua sede na Flórida, Estado lhe confere várias isenções fiscais e o irmão do presidente Bush, Jeb, era o governador do Estado.

Michael Moore venceu a batalha. A Disney manteve sua posição de não exibir o filme, mas concordou em vendê-lo para outra produtora. O documentário trazia denúncias gravíssimas sobre como o presidente Bush levou o Congresso e as pessoas a pensarem que Saddam Hussein teria alguma coisa a ver com os atentados em Nova Iorque. Mas o enfoque principal do filme é uma bomba para George W. Bush. Ele diz claramente que a família Bush teria negócios com a família Bin Laden.

É exibida uma relação de vôos que saíram dos EUA com destino à Arábia Saudita levando 24 pessoas da família de Osama Bin Laden, no dia 13 de setembro, mesmo com a proibição de todos os vôos nos dias seguintes ao atentado. A Halliburton, empresa que o vice-presidente, Dick Cheney, presidiu por cinco anos também é citada. Várias pessoas dão depoimento sobre os enormes lucros que a empresa obteve desde que os EUA invadiram o Iraque.

Cenas de iraquianos mortos e feridos dão o toque chocante do filme. Há uma passagem que mostra o terror de uma família que tem sua casa invadida no meio da noite por marines. O presidente é mostrado vezes como um idiota completo, vezes como incompetente e outras vezes como alienado. Os soldados norte-americanos também dão declarações. Eles mostram o CD de música que é colocado nos tanques de guerra e a música é transmitida para o capacete. Ao melhor som do heavy metal eles dizem que isso os excita a atacar o inimigo. O documentário faz sérias denúncias e faz com que quem o assiste pense várias vezes sobre os motivos e as conseqüências da guerra.

Outras tantas produções se esmeram em mostrar como as Torres Gêmeas foram implodidas, junto com o edifício ao lado, o WT7, logo após o lançamento dos aviões nos edifícios. Da mesma forma, tentam provar que o Pentágono, em Washington DC, foi atingido por um míssil e não por um avião. Um dos documentários chega a mostrar o repórter da rede norte-americana de TV CNN dizendo que “não há asas” nos restos em chamas do petardo que acertou uma área em construção do complexo militar norte-americano.

*Nota PG: Veja em Página Global mais matéria sobre o 11 de setembro, que encontrará na barra lateral.

Brasil: Santa Catarina tem 4 cidades em calamidade pública por causa da chuva




CORREIO DO BRASIL, com ABr - de Florianópolis

Subiu para 14 o número de municípios em estado de emergência devido à chuva que atinge Santa Catarina. Segundo a Defesa Civil, 551.772 pessoas foram afetadas até agora, em 62 municípios. Um homem de 66 anos, de Guabiruba, morreu quando o telhado que consertava desabou.  Quatro municípios catarinenses – Brusque, Taió, Lontras e Rio do Sul – decretaram estado de calamidade pública por causa das inundações e dos deslizamentos de terra.

A situação é mais crítica nas cidades do Alto Vale do Itajaí, onde o nível do Rio Itajaí-Açu atingiu 12,40 metros na manhã desta sexta-feira. A previsão da Defesa Civil é que chegue a 12,80 metros.

O coordenador da Defesa Civil de Itajaí, Everlei Pereira, disse à Agência Brasil que, diante da gravidade da situação, acredita que a chuva deve atingir 80% das regiões de Brusque, Blumenau e do Alto Vale do Itajaí, a mesma porcentagem afetada na enchente de 2008. Em Itajaí, cerca de 2 mil pessoas já deixaram suas casas e estão abrigadas em igrejas, escolas e clubes.

– Apesar da trégua que a chuva deu agora pela manhã, o volume de água acumulado nas últimas horas é muito grande. Em Itajaí, o acumulado chega a 150 milímetros e por estar localizado no final da bacia hidrográfica deve receber toda a água do vale nas próximas horas. Estamos com vários pontos ribeirinhos em estado de emergência.

A Defesa Civil lembra aos moradores da região que, durante as enchentes de 2008, os imóveis ficaram submersos a 2 metros. Portanto, mantém alerta, desde a noite desta quinta-feira, orientando os moradores que retirem tudo o que puderem de suas casas.
– Quem foi atingido em 2008, com a água chegando a 1 metro, deve levantar os móveis e sair de casa na manhã desta sexta-feira –, avisou o coordenador.

O Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura (Semasa) informa que vai interromper o fornecimento de água a partir das 10 horas. A qualidade da água que está chegando é imprópria para o consumo. A orientação é que a população racione a água e a armazene em garrafas e baldes.

Além disso, o governo de Santa Catarina suspendeu as aulas em todas as escolas estaduais devido às cheias de rios e ribeirões. A maioria das escolas do Vale do Itajaí está servindo de abrigo para as pessoas que tiveram que deixar as casas nas últimas horas.

A Polícia Rodoviária Federal recomenda cautela aos motoristas que vão trafegar pelas BRs 470, 282, 280, 116 e 101, pois devido ao volume de chuva, existem quedas de barreira em vários pontos e risco iminente de obstrução de pistas.

Segundo o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri), a chuva diminuiu, mas o Estado deve permanecer em alerta. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê pancadas de chuva no leste e norte. Nas demais regiões catarinenses, há possibilidade de chuva em áreas isoladas.

O acumulado de chuva nas últimas 92 horas em Santa Catarina já ultrapassa 200 milímetros (mm) em alguns municípios. A Defesa Civil emite boletim com dados atualizados a cada 30 minutos. Os valores observados representam, na maioria das cidades, o volume esperado para o mês inteiro. No município de Campos Novos já choveu 221,6 mm.

Rio de Janeiro: PMs FAZEM OPERAÇÃO NA FAVELA DE MANGUINHOS




CORREIO DO BRASIL, com agências - do Rio de Janeiro

Policiais militares do 22º BPM (Maré) fizeram na manhã desta sexta-feira uma operação na Favela de Manguinhos, no subúrbio do Rio. Um suspeito de participar do tiroteio que deixou dois PMs feridos na noite de terça-feira foi preso.

Além de Manguinhos, a PM também está nas favelas Mandela 1 e 2, Varginha e Jacarezinho, todas próximas à  Manguinhos. Cerca de 100 policiais participaram da operação.

Moradores contaram que houve um novo tiroteio na região. Um criminoso que trocava tiros com policiais militares durante operação na Favela de Manguinhos invadiu uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e assustou pacientes e profissionais que trabalhavam no local.

O bandido foi preso pelos PMs, que não localizaram, contudo, a arma do suspeito. A clínica da família que funciona dentro da UPA encerrou as atividades nesta sexta por medida de segurança.

O confronto entre criminosos e a PM aconteceu por volta das 18h na Rua Leopoldo Bulhões e, segundo a PM, durou cerca de uma hora e meia.

Traficantes atiraram contra um blindado do 22º BPM (Maré), que enguiçou na Rua Leopoldo Bulhões. O veículo apresentou problemas após deixar a Favela do Mandela, onde acontecia uma operação. Ainda segundo a PM, os dois policiais feridos estavam num reboque que tinha ido resgatar o veículo.

Por causa do confronto, a Rua Leopoldo Bulhões chegou a ser interditada, no entroncamento com a Avenida Dom Hélder Câmara. O clima na região ficou tenso e alguns moradores que voltavam para as suas casas preferiram aguardar nas ruas até o fim do confronto.

Brasil: PRODUÇÃO AGRÍCOLA DEVE FICAR 6.3 POR CENTO ACIMA DO RECORDE DE 2010




GL - LUSA

São Paulo, 09 set (Lusa) -- O Brasil deverá produzir 159 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas este ano, 6,3 por cento mais do que em 2010, segundo nova estimativa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado, o país já tinha registado recorde, com a produção de 149,6 milhões de toneladas.

A estimativa de hoje é a oitava do ano. O valor previsto agora pelo IBGE está 0,1 por cento acima da estimativa de julho.

A expectativa para a produção de arroz é de um aumento de 18,9 por cento. Já para a soja espera-se um acréscimo de 9,3 por cento, enquanto o milho deverá ter uma redução de 0,7 por cento no volume colhido.

Somadas, essas três culturas representam 90,6 por cento da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do Brasil.

De acordo com o IBGE, a área total a ser colhida em 2011, de 48,8 milhões de hectares, teve um acréscimo de 4,9 por cento comparativamente a 2010.

Brasil: SECA PROVOCA 2.056 FOCOS DE INCÊNDIO




GL - LUSA

São Paulo, 09 set (Lusa) -- Enquanto o sul do Brasil sofre com as fortes chuvas dos últimos dias, na região central do país, o problema são os incêndios causados pela seca.

No momento, 2.056 focos de incêndio estão ativos no país, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O maior número de ocorrências registou-se no Estado do Mato Grosso: 300.

Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), nenhum voo foi cancelado.

Os bombeiros também estão a trabalhar em mais dois incêndios nas proximidades da capital do Brasil desde a manhã de quinta-feira, um na Floresta Nacional de Brasília, no município de Taguatinga, e outro no Jardim Botânico.

Devido ao fumo, quatro escolas suspenderam as aulas hoje. Também foram canceladas as provas de um campeonato de balões, por causa da falta de visibilidade.

A baixa humidade do ar e o calor favorecem as queimadas. Na quinta-feira, o índice de humidade do ar em Brasília chegou a 13 por cento a meio da tarde, e os termómetros marcavam 31,5ºC.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a humidade deverá manter-se em torno dos 15 por cento hoje, e a temperatura máxima poderá alcançar os 32ºC.

*Foto em Lusa

Moçambique: Sete empresas indiciadas de "contrabando e descaminho aduaneiro" de madeira




LYR - LUSA

Nampula, 09 set (Lusa) - Um relatório da Autoridade Tributária de Moçambique sobre a apreensão, em julho, de 561 contentores de madeira no porto de Nacala concluiu haver fortes indícios de "tentativa de contrabando e descaminho aduaneiro", por sete empresas, na maioria chinesas.

Segundo o relatório divulgado hoje, as empresas suspeitas são: Casa Bonita International, SenhYu Lda, Yizou e Chanate Lda, Vendura Lda, Mozambique Trading Lda, Tong Fa Lda e Zhen Long International.

Quatro destas empresas estão tem sede na cidade de Nacala, enquanto as restantes estão sediadas em Nampula, capital da província com o mesmo nome.

Segundo o relatório, uma equipa multi-setorial, constatou várias irregularidades, nomeadamente na omissão das declarações de madeira de primeira classe, espécies cuja exportação é condicionada ao processamento.

Também terão sido declaradas madeiras de terceira classe, como pau rosa, pau ferro e namuno, supostamente para permitir a sua exportação em toros.

Em Moçambique só é permitida a exportação da madeira de primeira classe após o seu processamento, e muitos operadores, com o envolvimento de alguns funcionários públicos, optam pelo contrabando e falsas declarações.

O relatório da AT refere, ainda que "houve sonegação" da declaração das quantidades e subfacturação da mercadoria que foi depois apreendida.

Apesar da insistência dos jornalistas, Rosário Fernandes, presidente da Autoridade Tributária de Moçambique escusou-se a revelar os nomes e o número dos funcionários envolvidos nos esquemas fraudulentos de madeira.

Para aquele dirigente, trata-se de uma situação que vai do processo de abate até ao seu empacotamento, o que pressupõe que muita gente esteja envolvida, correndo riscos de serem penalizados pelos órgãos competentes.

O responsável acrescentou ainda que algumas medidas já estão a ser tomadas administrativamente, com a demissão de alguns quadros que ocupavam cargos de chefia, sobretudo em Nacala.

Entre os que cessaram funções encontram-se o delegado da Autoridade Tributária de Nampula e diretores dos Serviços das Alfândegas de Nampula e Nacala, bem como os chefes da Divisão de Terminais da Direcção Regional e das Operações das Alfândegas.

Um terço dos funcionários daquela instituição em Nacala serão deslocados, ainda este ano, como forma de imprimir uma nova dinâmica, disse Rosário Fernandes.

*Foto em Lusa

Cabo Verde: PR Jorge Carlos Fonseca promete "lealdade" à Constituição e ao Governo




JSD - LUSA

Cidade da Praia, 09 set (Lusa) -- Jorge Carlos Fonseca, empossado hoje presidente de Cabo Verde, prometeu "lealdade" à Constituição e ao Governo e garantiu que as suas duas principais bandeiras passarão pelo acelerar do crescimento económico e do combate à pobreza.

Num discurso de quase 45 minutos, proferido logo após prestar juramento e tornar-se o quarto chefe de Estado cabo-verdiano em 36 anos de História do país, Fonseca sustentou que esses dois "desígnios nacionais" necessitam da ajuda de todos os atores políticos, empresariais, sociais e culturais.

Para o novo presidente, que sucede a Pedro Pires, Cabo Verde viveu dois momentos especiais, a independência (em 1975) e a abertura ao pluralismo político (em 1990), em que o povo cabo-verdiano pode orgulhar-se da rutura, sem traumatismos excessivos e com a dignidade e perseverança".

"Mas Cabo Verde pode vencer as dificuldades (associadas à pobreza e ao desemprego) e acredito que Cabo Verde, na primeira metade deste século, poderá ultrapassar o subdesenvolvimento, para que possamos cumprir a nossa missão junto das novas gerações. Esse será o terceiro momento", afirmou.

Ao longo das 15 páginas do discurso, Fonseca reiterou o compromisso assinado com o povo cabo-verdiano, contido no Manifesto Eleitoral e no Pacto com Cabo Verde, realçando que a educação, saúde, economia, cultura, diplomacia, juventude e justiça são áreas às quais dará "grande atenção".

Na parte política da intervenção, Fonseca "aliou-se" ao Programa de Governo, tendo balizado as metas da sua atuação enquanto chefe de Estado, desdramatizando eventuais problemas de coabitação (Calos Fonseca foi o candidato apoiado pelo MpD, oposição) e assegurando estabilidade, "tão necessária nesta altura de crise internacional".

"É em momentos de crise que devemos ser criativos e inovadores. Não devemos ter medo dela. Devemos sim enfrentá-la e de frente", frisou.

A Justiça -- Fonseca é advogado e jurisconsulto -- foi a "pedra de toque" do novo presidente cabo-verdiano, que defendeu a instalação do Tribunal Constitucional (TC) e da Provedoria de Justiça (PJ), já previstas na Constituição desde a revisão de 1998.

Na política externa, Fonseca dá prioridade à necessidade de aprofundamento das relações com os países emergentes -- China e Brasil -, e relançou a ideia de que a Comunidade de países de Língua Portuguesa (CPLP) deve caminhar mais para uma comunidade de povos do que de países.

Ausente do discurso do novo chefe de Estado cabo-verdiano, que, por inerência de funções, é o Comandante Supremo das Forças Armadas, esteve o setor da Defesa.

Nos agradecimentos, Fonseca lembrou os seus três antecessores, elogiando Pedro Pires (2001/11) e António Mascarenhas Monteiro (1991/2001) pelo contributo na afirmação de Cabo Verde no mundo, e desejou "melhoras" a Aristides Pereira (1975/91), que se encontra internado em Coimbra (Portugal).

Exemplo da democracia cabo-verdiana realçado quase todos os presentes na posse de PR...




... exceto Senegal

JSD - LUSA

Cidade da Praia, 09 set (Lusa) -- O exemplo da democracia cabo-verdiana foi hoje realçado pela quase totalidade dos convidados para a tomada de posse de Jorge Carlos Fonseca como presidente de Cabo Verde, com a única nota dissonante a vir do Senegal.

O novo ciclo político iniciado hoje tem como pano de fundo o facto de, pela primeira vez em 20 anos de pluralismo político, um presidente de Cabo Verde não pertencer ao partido governamental e maioritário no Parlamento.

"Não creio que nenhum país africano possa dar lições de democracia ao Senegal, que é um país democrático há muito tempo, desde 1960. A democracia cabo-verdiana é mais recente. Mas a democracia está em curso no país, como o está no Senegal e noutros países africanos", disse à Agência Lusa o primeiro-ministro senegalês.

Suleymane Ndiaye, porém, considerou que Cabo Verde está no bom caminho, como ficou demonstrado no discurso de posse de Fonseca, que, disse, "manifestou grande bom senso e empenho" pela causa do desenvolvimento do país.

Num tom mais descomplexado, o ministro do Comércio de Moçambique, António Fernando, considerou, em declarações à Lusa, que Cabo Verde é um "exemplo de democracia para o continente africano", salientando, porém, os progressos e melhorias registados nos últimos anos na África Subsaariana.

"Acredito que isso poderá constituir a razão para que todo o continente possa abraçar a democracia, paz e tranquilidade. Moçambique sempre teve grandes relações de irmandade e quando pode testemunhar um processo com eleições democráticas e transparentes, num ambiente de grande tranquilidade, sente isso também como parte de si próprio", disse.

Manuel Pinto da Costa, recentemente empossado presidente de São Tomé e Príncipe, alinhou pelo mesmo diapasão e lembrou que "boa parte" da população são-tomense é de origem cabo-verdiana, razão pela qual os dois países devem aprofundar as relações de cooperação, garantindo, ao mesmo tempo, que tudo fará para o concretizar.

Também no mesmo tom, Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné-Bissau, disse à Lusa que o resultado da democracia em Cabo Verde é fruto do esforço do povo e dos governantes, recusando, porém, entrar em comparações.

"Em democracia estamos sempre a aprender. O resultado da democracia em Cabo Verde é fruto do esforço do povo e dos governantes cabo-verdianos. Nós, na Guiné-Bissau, estamos a fazer a democracia à nossa maneira, envolvendo o nosso povo e a classe política", salientou, considerando que o discurso do novo presidente foi "muito forte e envolvente".

"Jorge Carlos Fonseca deixou mensagens muito fortes no sentido da unidade nacional, do desenvolvimento, do apoio à diáspora, da reforma da Justiça. Foi um discurso muito forte e muito envolvente", acrescentou.

Menos efusivo mostrou-se o ministro da Indústria e Geologia e Minas angolano, Joaquim David, salientando que não se podem fazer comparações com a democracia em Angola, uma vez que são realidades diferentes.

"Cabo Verde tem soluções próprias. Sentimo-nos regozijados por estar no bom caminho. Não há situações iguais. As realidades são diferentes. Não quero fazer um paralelismo, porque corria o risco de não ser realista", referiu Joaquim David, que acabou por reconhecer que as grandes linhas apresentadas pelo novo presidente cabo-verdiana foram "magistralmente apresentadas" por Jorge Carlos Fonseca.

*Foto em Lusa

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 40




MARTINHO JÚNIOR

SÓ FALTA CHAMAR A NATO!

Numa das recentes notícias publicadas aqui no Página Global deu-se a conhecer, em função duma recente intervenção do antigo Presidente de Moçambique Joaquim Chissano JOAQUIM CHISSANO APELA À FORTIFICAÇÃO DA UNIDADE NACIONAL - uma das maiores aspirações dos povos africanos que sustiveram a saga do movimento de libertação: a unidade nacional.

A unidade nacional foi um tesouro ideológico, prático e energético que permitiu resistir ao colonialismo, ao “apartheid” e às suas sequelas, bem como consolidar a identidade nacional.

Decidi elaborar e anexar um curto comentário a esse artigo, que abaixo transcrevo.

“ABANDONARAM OS LIVROS

1 ) Os dirigentes africanos devem perceber duma vez por todas do seguinte: não é com ideologias e políticas que fomentam as desigualdades que se torna possível garantir a longo prazo a unidade nacional!

2 ) Ao fazerem seus países absorver a lógica capitalista de acordo com o império e o neo liberalismo, esses dirigentes estão a provocar também em relação a si próprios, que as minas e armadilhas que contribuíram para semear rebentem debaixo dos seus próprios pés!

3 ) A unidade nacional só se poderá construir com políticas alternativas e abrangentes, visando integração e estabelecendo equilíbrios com sentido amplo de vida, com justiça social, solidariedade, respeito para com os povos e para com África!

4 ) Ao abandonar o sentido de vida que advém do movimento de libertação, os dirigentes africanos são os primeiros a lançar a demagogia e as políticas da mentira continuada, em contradição com o que vem do berço e era cultivado no âmbito de sua heróica geração!

5 ) Os dirigentes africanos que procedem desse modo, deixaram de estudar, abandonaram os livros, deixaram de ser criativos e abdicaram da imensa luta que é necessário fazer para arrancar África do crónico subdesenvolvimento e do neo colonialismo, heranças históricas seculares que se manterão enquanto se mantiver a lógica capitalista que é tão artificiosamente imposta ao continente!”

De facto é esse o sentimento que não posso deixar de sublinhar como antigo combatente perante a afirmação preocupada e responsável de Joaquim Chissano, não só em função do caso da Líbia que aqui no Página Global tenho vindo a dissecar, mas sobretudo por que aqui e agora, em Moçambique, em Angola, na África do Sul, na África Austral, os expedientes elitistas estão em curso e, por via deles, está-se precisamente a trilhar a mesma pista que Kadafi, propiciando a divisão, a fragmentação e a tentativa de implosão do poder!

O Presidente António Agostinho Neto, que é lembrado em Setembro aqui em Angola, evocava sempre durante essa saga de libertação: “um só povo, uma só nação, a luta continua, a vitória é certa”!

A personalidade de Agostinho Neto aglutinava todos os tipos de coragem: a intelectual, a física, a ideológica e a política, por que Neto foi uma entidade cuja experiência lhe permitiu abrir caminhos por entre as tempestades, caminhos pejados de sacrifícios, mas capazes de ter sempre presente a “luz no fundo do túnel”.

Neto, “aquele por quem se espera”, soube ser nesse aspecto também uma entidade cativante e reconhecida para além de sua imensa sensibilidade poética: dava o exemplo e por isso nada se lhe pode apontar em termos de riqueza pessoal, nem de avidez egoísta para com os bens do estado que ele dirigiu.

Agostinho Neto soube sempre ter a dignidade de se colocar perante todos os angolanos, sob o ponto de vista cívico, como um igual e daí a sua personalidade exemplar, um homem que não se perdeu no tempo e hoje é um dos expoentes, ao nível de Amílcar Cabral, de Thomas Sankara, de Samora Machel, de Kuame N’Krumah como um dos heróis de referência de África!

Para o movimento de libertação essa “luz no fundo do túnel” era uma paz duradoura, fortalecida com unidade nacional, em prol dos grandes objectivos de libertação em benefício de todo o povo angolano e dos povos de África, era socialismo e não alinhamento, era a possibilidade de aprofundar a democracia de forma a garantir mais cidadania, mais participação, mais justiça social, mais solidariedade humana, mais identidade, mais respeito também para com a Mãe Terra… era resgatar para benefício dos povos as riquezas que os abutres vinham depenicar ao corpo inerte de África!

Era possível estabelecer a ponte entre o que se fazia em Angola logo a seguir à independência, durante a Iª República e um socialismo que garantisse dignidade em pleno século XXI, sem pôr em causa multipartidarismo, nem mesmo os acordos que foram sendo estabelecidos desde Bicesse e para esse efeito bastava canalizar a mesma energia do movimento de libertação para um equilíbrio que integrasse, um equilíbrio que fosse alavanca de solidariedade, de justiça e começasse por se dimensionar claramente no respeito que merecem desde logo os antigos combatentes!

Em Angola está-se verdadeiramente a forjar uma contradição, por que o socialismo ao ser colocado “na prateleira”, deu-se espaço à lógica do capitalismo da forma menos avisada: quando precisamente essa lógica se começou a esvair, por via do império, da hegemonia e do neo liberalismo, de essência que foi a possibilidade de concorrência, mesmo que se esquecesse que “a propriedade é um roubo”.

O império, por via da “globalização” envenenada que está a digerir as capacidades do planeta tornou-se um beco sem saída no seu projecto, mas naquela mesma Angola que lutou pelo resgate do colonialismo, do “apartheid” e das suas sequelas, as portas abriram-se ao neo liberalismo ao ponto de hoje em editorial o Director do Jornal de Angola, o jornal considerado “oficial”, ter conseguido a ousadia de forjar a peça que também foi publicada no Página Global SER RICO TAMBÉM É UM DIREITO.

Logo que tive oportunidade de constatar essa peça, não me contive e produzi o comentário que junto.

“A LÓGICA CAPITALISTA PARA ANGOLA É ABSOLUTAMENTE DISPENSÁVEL!

1 ) Este artigo, num momento em que o capitalismo pela via do império dá sinais de acabar com qualquer hipótese a uma questão que lhe é essencial, a concorrência, é duma pobreza intelectual confrangedora: não reconhece o beco sem saída em que o capitalismo está a cair, quando África continua a ser a primeira grande vítima do desespero a que ele está a conduzir toda a humanidade.

2 ) Por outro lado, não respeita o esforço vital daquelas gerações de angolanos que no âmbito do movimento de libertação, lutando contra o colonialismo, contra o "apartheid" e contra suas sequelas, tinham e têm no socialismo a melhor visão de felicidade, equilíbrio e justiça social para o presente e o futuro.

3 ) Em Angola só há ricos por que foi privilegiada a lógica capitalista desde 1985, com todo um cortejo de injustiças sociais gritantes: é imenso o fosso que separa um punhado do resto da população e isso é sobretudo visível na geografia humana da cidade capital, Luanda!

4 ) É por causa deste tipo de argumentos que em praticamente todos os projectos não se vislumbra pinta do tal socialismo democrático, pelo contrário: mantém-se a tendência para o elitismo, por vezes com projectos megalómanos e mal equacionados, não sendo por acaso que Luanda é considerada a cidade mais cara do mundo!

5 ) Quantos ricos angolanos não se estão a tornar agentes desse capitalismo, desrespeitando o esforço de várias gerações que perseguiam o sentido da vida para o povo angolano e para toda a humanidade?

6 ) Falta coragem à classe dirigente para seguir a trilha heróica do movimento de libertação e isso está a fazer com que muitos angolanos capitulem e façam com que também Angola escorregue para a situação típica duma neo colónia!

7 ) A SADC é das poucas esperanças que há em África e isso ficou visível com a tomada de posição em relação ao caso da Líbia, todavia a energia que advém do movimento de libertação está a perder-se e a responsabilidade, mais que individualizá-la, cabe por inteiro à lógica capitalista que está a ser absorvida sem qualquer resistência por parte daqueles que deveriam dar o exemplo de inteligência alternativa, de amor, patriotismo e respeito para com todo o povo angolano e para com África!”

Vejo essa peça de José Ribeiro (um jornalista que andou lá pelas europas e agora chegou repescado com uma equipe que multiplicou por 10 os administradores do Jornal de Angola), vejo várias coisas, todas elas também dispensáveis para todos nós angolanos.

Entre o que vejo evidencio:

- Um retorno ao passado de má memória, pois se antes sob o fascismo, o colonialismo e o “apartheid” diluíamo-nos na ditadura, agora com o neo liberalismo diluímo-nos também na pior das ditaduras, a do capital sem hipótese de concorrência por que os lucros são depositados em cada vez menos mãos de “ricos” que merecem a “defesa” dum agente como José Ribeiro.

- Uma prova de neo colonialismo pois os “ricos angolanos”, ávidos de poder, de riqueza, de capacidades quantas vezes à custa do próprio estado angolano (o Jornal de Angola neste caso é um flagrante exemplo por via desta peça), não se revêem em seu povo, não se identificam plenamente nele e com ele, conforme a vida e os ensinamentos de Agostinho Neto e de tantos heróicos combatentes africanos, emparceirando-se com outros ricos que chegam de fora, ávidos de lucro, sabendo que estão a pisar as terras das minas de Salomão e a aventurarem-se em plenos “Jogos Africanos” conforme Jaime Nogueira Pinto!

- Que essa ideologia que se propõem os seguidores da lógica capitalista como José Ribeiro e quem o protege, provoca a erosão da unidade nacional com os desequilíbrios sociais evidentes e quantas vezes insuportáveis, com as injustiças sociais, com as rupturas de paz e de democracia pela via de cada vez mais tensões e conflitos e, por fim, com as minas e armadilhas que esses “ricos angolanos” estão a semear para si próprios e para a causa da independência e da soberania nacional, conforme semeou, por via do engodo criado pelas grandes potências, o regime de Kadafi na Líbia!

Há milhares de antigos combatentes angolanos que não tendo sido reconhecidos como tal esperam ainda um sinal de dignidade em relação ao seu passado, pois nem sequer um documento emitido pelo estado possuem, um documento que ateste com veracidade os seus anos de serviço, quando se lutava contra o colonialismo e sobretudo contra o “apartheid” e as suas sequelas.

Se alguns desses antigos combatentes “conseguem-se virar”, mesmo sem acesso às Caixas Sociais, aos Fundos de Pensões e às Pensões dos Antigos Combatentes, uma parte substancial deles é por que trabalham, apesar da idade.

Muitos deles são guardas das empresas de protecção e segurança abertas pelos “ricos”, ou membros das brigadas de fiscalização, ou até humildes trabalhadores de limpeza…

Pela via do trabalho muitos conseguem apenas esvair-se na luta diária, em função dos encargos inerentes às suas responsabilidades sociais num país cuja capital é “a mais cara do mundo”, mas há outros que pela sua avançada idade já nem sequer essa capacidade têm…

Muitos antigos combatentes têm apenas uma Pensão, que agora recebeu um aumento de cerca de 50%: passaram a obter um pouco mais de 16.000,00 Kwz, ou seja, cerca de 160 USD, ou 115 Euros!...

O Ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundipahiama, está a cumprir com o que prometeu, mas isso só ilustra e sublinha, o fosso das desigualdades e a injustiça “que estamos com ela”!

A “defesa” (é uma palavra que está “na moda”, agora só se “defende” e o José Ribeiro, como se estivesse a “tchilar” em pleno canal 2 da TPA, “defende os ricos angolanos”)… a “defesa” dos ricos impede que agentes como o José Ribeiro percebam o que é matematicamente óbvio: quantos desses antigos combatentes, que recebem só a quantia de 16.000,00 kwz, poderão ser sócios, por exemplo, da Cooperativa que dá acesso ao Condomínio Caju, em Talatona, um dos condomínios da SONANGOL?!...

Essa é uma matemática terrível: não passa pelo filtro daqueles que manipulam a juventude nas ondas de provocação e manifestação que estão na rua, nem se junta a essa “onda”, por que avaliam quem está por detrás da manipulação, bem como os interesses e conveniências que espreitam “contra natura”…

… E no entanto, se há vítimas dos desequilíbrios que se têm vindo a avolumar, são muitos desses antigos combatentes as primeiras delas…

Estamos perante o seguinte dilema, que começa a ser um dilema para a unidade nacional: desde quando um estado que paga Pensões a tantos antigos combatentes, que são para muitos deles a única fonte de rendimento, ao nível dos 16.000,00 kwz, é um garante de solidariedade, de respeito humano e histórico, é um garante de dignidade, quando essa quantia impede, por exemplo, que alguma vez ele tenha sequer acesso ao valor dum anexo dos palácios que se ergueram no Condomínio Caju da SONANGOL, que a publicidade diz que é uma das formas de “Saber Viver” (a revista da Cooperativa Cajueiro)…

Os pobres dispensam a caridade dos ricos, por que essa forma “travesti” de solidariedade não está sequer prevista na Constituição e, se os antigos combatentes têm ao menos direitos iguais, os direitos iguais pelos quais eles combateram, os direitos que estão nos fundamentos da liberdade dos povos, então têm o direito de que nunca se minta a eles, nem se lhes atire areia para os olhos com qualquer “socialismo democrático” que só existe na fórmula das miragens!

Quando um estado trata assim os seus antigos combatentes, como é que fica em relação a todos os outros cidadãos?!...

É legítimo instalar-se em Angola, naquela Angola que sustentou a luta contra o “apartheid” e suas sequelas, a “apartheid social” que os condomínios dos “ricos angolanos” provocam?

… E como é que se fica em relação à unidade nacional?!!!...

Por este andar e em socorro dos “ricos angolanos” que estão em oposição ao poder, estão arredios do bolo que “defende” José Ribeiro e não deixam de perseguir ideologias e práticas elitistas, só falta acontecer conforme a alguns comentários rápidos que vão proliferando aqui pelo Página Global numa grotesca caricatura elegia da rapina: SÓ FALTA CHAMAR A NATO, por que petróleo e diamantes, para muito poucos e muito pouco para todo o povo angolano, é o que aqui se pratica demais!!!...

Martinho Júnior – Luanda - 8 de Setembro de 2011

Notas:
Foto extraída de um dos números “Saber Viver” (Capa do número 7).

Padre Casimiro Congo está de novo na mira do regime (autoritário e colonial) angolano


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ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Como mostra a imagem, o regime angolano continua a usar a razão da força para calar a força da razão na sua colónia de Cabinda. O mundo cala-se. Portugal põe o rabinho entre as pernas e olha para o lado.

Há alguns anos, no limiar do novo milénio, o governo belga apresentou ao Povo da República Democrática do Congo desculpas formais e oficiais pelo seu envolvimento no assassinato de Patrice Lumumba, herói da independência daquele país africano e chefe do seu primeiro governo.

Para Cabinda, não é necessário que Portugal chegue a tanto, embora fosse da mais elementar justiça... caso Portugal fosse um Estado de Direito. Os cabindas apenas querem a verdade. Não só não exigem desculpas, como nem as esperam.

Os cabindas são o único povo do planeta a quem é negado, sistemática e terminantemente, a compreensão, a amizade e a solidariedade. O único povo cujos mais elementares direitos são espezinhados. O único que, contra o direito e a sua própria vontade, é empurrado para soluções extremas, como se o objectivo fosse arranjar um pretexto para eliminar os cabindas da face da terra.

Porque razão os supostos jornalistas portugueses não falaram, não falam, não recordam o que o padre Jorge Casimiro Congo foi dizer ao Parlamento Europeu (Bruxelas), no dia 26 de Janeiro de 2010, a convite da eurodeputada socialista portuguesa Ana Gomes?

O padre Casimiro Congo disse algo que define sublimemente os cabindas e que os angolanos nunca deverão esquecer: “Diante de Deus, de joelhos; diante dos homens, de pé”.

Jorge Casimiro Congo lamentou também a posição do governo português, de condenar apenas o que classificou como um ataque terrorista durante a Taça das Nações Africanas (CAN), afirmando que “Portugal é o ultimo a falar, não deve ser o primeiro a falar”. E porquê? Porque “Portugal é que é o culpado do que acontece em Cabinda. Não nos aceitou, traiu-nos”.

Se as verdades ajudassem a reduzir o défice português, as que foram ditas pelo padre Congo, não só por serem históricas mas sobretudo por serem actuais, o governo do reino lusitano estaria bem da vida.

Mas não ajudam. Desde logo porque, da Presidência de República portuguesa ao Governo, passando pelo Parlamento e pelos partidos, ninguém sabe o que é, da facto e de jure, Cabinda. Para quase todos, a história de Portugal só começou a ser escrita em Abril de 1974, ou até mais tarde.

Optimista quanto ao futuro, sobretudo por saber que o seu povo nunca será derrotado porque nunca deixará de lutar, o padre Congo disse ainda ter esperança de que no futuro haja “governos portugueses com mais calma para ver este problema”, porque acredita “que há partidos que começam a levantar a cabeça” e surgirão figuras que fiquem “acima de quaisquer negociatas, de petróleo, ou de mão-de-obra que tem de ir para Angola”.

É claro que não houve nenhuma reacção oficial de Portugal às acusações do padre Congo. Uns porque entendem (e talvez bem) que quem manda em Portugal é cada vez mais o clã Eduardo dos Santos; outros porque entendem que se o MPLA virar a rota e passar a investir noutro lado lá vão ao charco alguns grandes negócios; outros ainda porque se estão nas tintas para a honorabilidade de um Estado de Direito.

Estado de Direito que Angola não é e que Portugal é cada vez menos.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.