sábado, 9 de julho de 2011

SOLIDARIEDADE DOS PAÍSES LUSÓFONOS COM PORTUGAL NÃO DEVE SER CEGA!





José Ramos Horta, presidente de Timor Leste, esteve em Portugal por pouco mais de três dias, depois de ter visitado Angola e ter acordado vários tópicos de cooperação com aquele país lusófono de África. Neste momento já se encontra em Cabo Verde, para onde viajou ontem em voo a partir de Lisboa, a fim de assistir como convidado de honra da lusofonia às comemorações da independência da nação cabo-verdiana.

Em Portugal Ramos Horta anunciou a disponibilidade de Timor Leste ajudar os lusos adquirindo uma quota-parte da dívida que tem trazido muita miséria à pátria de Afonso Henriques e de Camões. Disse o PR timorense que “uma forma de verdadeiramente ajudar Portugal é Timor-Leste começar a assumir maiores responsabilidades nas áreas da educação e segurança para que não seja Portugal a assumir essa responsabilidade”. Nada mais acertado poderia dizer.

A atitude de Ramos Horta e do estado timorense, relativamente ao apoio que se dispõem dar a Portugal é de enaltecer e fazer reparar que existem países da lusofonia com muito mais capacidades de auxiliar que continuam naquilo a que podemos denominar “retranca”. Tomemos por exemplo o Brasil e Angola, que continuam à espera de ver onde vão parar “as modas” e se escapam a efetivar uma ajuda significativa ao Portugal descapitalizado por políticos, banqueiros e grandes empresários nacionais e estrangeiros que roubaram o sustento e a estabilidade àquele país e àquele povo.

A miséria que cresce entre os portugueses que antes eram a classe média-baixa, ou mesmo a classe média, é visível no aumento das carências. A pobreza envergonhada, que era apanágio dos tempos de Salazar e Caetano, reapareceu já há alguns anos e aumenta de forma assustadora. Há fome em Portugal por via do desemprego e monstruosas injustiças sociais. Há um sem número de carências entre os portugueses empobrecidos que deve ser urgentemente colmatada e que devemos pôr em dúvida que essa seja a prioridade do governo de direita preferido por Cavaco Silva e aparentemente chefiado por Passos Coelho e Paulo Portas – da coligação PSD-CDS.

É neste aspeto que os países lusófonos com capacidade devem intervir, auxiliando por todos os modos possíveis e em exclusivo esses portugueses mais carenciados. Para isso basta impor aos dirigentes portugueses, Passos Coelho e Portas, uma condição de prestação de ajuda que inequivocamente deve ser canalizada em exclusivo para contribuir para a melhoria das condições de vida dos portugueses mais necessitados – criando mais empregos e combatendo as injustiças sociais que já existiam anteriormente mas que estão a ser ainda mais disseminadas pelo novo governo Cavaco-Passos-Portas.

Ajudar os portugueses em Portugal é fazer exatamente algo com este espírito e não permitir que mais e maiores injustiças sejam cometidas por um novo governo que já desenha nas suas acções e intenções governar-se, governar as suas clientelas, o grande capital, e empurrar para mais miséria e exploração desmedida muitos mais portugueses do que aqueles que já convivem e sofrem com ela. Não é tempo de pretender ajudar os portugueses sem que seja tornado claro que tal ajuda não se destina a que os pobres fiquem mais pobres e os ricos ainda mais ricos. Essas condições, que devem ser impostas e fiscalizadas, é que são efetivas manifestações de solidariedade. Demonstre-se que não existem dúvidas das capacidades e sabedorias criminosas dos Cavalos de Tróia introduzidos pelo grande capital nos governos e demais aparelho das instâncias legislativas e decisórias. Refiro especificamente este governo e apensos recém-formado em Portugal.

É provável que a Ramos Horta não tenha passado por sua ideia ser possível estabelecer condições para o préstimo de ajuda que anunciou, mas ainda está a tempo. Ele, melhor que ninguém, sabe muitíssimo bem que raramente o povo mais desprotegido vê a cor das “ajudas”, e que muito menos experimente o sabor e a vivência disso. O que acontece quase sempre é vermos uns quantos enriquecerem num ápice sem que tenham pudor em demonstrá-lo. A isso deve ser chamado roubos. Ora, Timor Leste, como Angola, o Brasil, ou outros países lusófonos, se dispostos a ajudar, são mais que experientes neste tipo de situações e devem de facto acautelar para onde vão as suas ajudas, porque indubitavelmente elas não se destinam a que os ricos fiquem mais ricos e os pobres mais uma vez roubados e continuadamente carenciados, até famintos.

Ajudar sim. Mas com condições que não permitam roubos. Mais ainda porque todos os outros países lusófonos já têm ladrões quanto baste dentro das suas próprias fronteiras (e muita miséria) não fazendo sentido que estejam a alimentar mais ladrões no retângulo da pátria lusa. A solidariedade deve ser destinada aos portugueses carenciados. Só. Nada mais. Cuidado, ser solidário com Portugal é propósito muito vago. Ser solidário com os portugueses carentes de justiça social é o objetivo correto. Não devemos aceitar uma solidariedade cega e injusta porque então não é solidariedade nem ajuda mas sim possibilitar mais roubos e injustiças do que aqueles que já vitimaram os portugueses de menores recursos.

*Ana Loro Metan é timorense e portuguesa, professora do Magistério Primário de Portugal, reformada. Lecionou em Timor Leste até 1975, seguidamente em Portugal e por último em Angola. Coordena e colabora ainda com diversos blogues destinados às comunidades lusófonas, como o Página Global, onde o texto acima foi, originalmente, publicado

Outros títulos:

SUDÃO DO SUL É DECLARADO INDEPENDENTE COM PRESENÇA DA ONU





A República do Sudão do Sul nasceu oficialmente neste sábado após o hasteamento da bandeira do novo Estado durante cerimônia em Juba, da qual participaram 80 delegações estrangeiras e 30 chefes de Estado, inclusive o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O presidente do Parlamento do Sudão do Sul, James Wani Igga, leu a declaração de independência do novo Estado, a de número 193 da ONU, após o qual a insígnia do novo país foi içada ao mesmo tempo em que descia a bandeira do Sudão, estado ao qual até agora pertencia o Sudão do Sul.

"Declaro o Sudão do Sul um estado independente e com plena personalidade legal internacional, que será conhecido a partir de agora como a República do Sudão do Sul", assinalou. A declaração de independência lida por Wani Igga destaca que o país será "um estado multiétnico e multicultural".

As dezenas de milhares de pessoas reunidas na praça do mausoléu de John Garang, o herói nacional dos sudaneses do sul morto em um acidente de helicóptero em julho de 2005, explodiram em gritos de alegria e muitos começaram a chorar. Milhares de cidadãos assistem ao ato, realizado em meio a fortes medidas de segurança com a presença de 2 mil policiais.

O líder do Movimento Popular de Libertação do Sudão, Salva Kiir Mayardit, jurou como presidente da nova República do Sul do Sudão. "Eu, general Salva Kiir Mayardit, juro por Deus todo-poderoso que como presidente serei fiel à República do Sudão do Sul", disse. Kiir apontou que entre suas tarefas estarão "fortalecer o desenvolvimento, preservar a Constituição, cumprir a lei, proteger e fortalecer a unidade do povo, consolidar o sistema democrático descentrado e a honestidade e a dignidade do povo".

Antes de prestar juramento, Kiir assinou o decreto de promulgação da nova Constituição provisória do Sul do Sudão, que substituirá a carta magna provisória que até este sábado estava vigente neste território e no Sudão.

Durante a cerimônia, o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e do chefe de Estado do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, permaneceram sentados juntos na tribuna onde estavam os demais líderes. A cerimônia, com a participação de milhares de cidadãos, começou com discursos de um bispo cristão e de um clérigo muçulmano que recitou um versículo do Corão.

Antes do início do ato, Kiir descobriu no local uma estátua de John Garang, o herói nacional dos sudaneses do sul morto em um acidente de helicóptero em julho de 2005. Após as falas dos religiosos ocorre um desfile militar com a participação de representantes civis.

Portugueses: O “HÁBITO DE SÓ TEREM DIREITOS”


Alexandre Soares dos Santos diz que solução para a crise depende de nós

VC – AGÊNCIA FINANCEIRA

Para o presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, a superação da crise em Portugal depende dos cidadãos e criticou «o hábito dos portugueses só terem direitos».

«Portugal tem ou não futuro? Depende de nós», disse Alexandre Soares dos Santos, citado pela Lusa, frisando que o País tem oito séculos de história e já passou por muitas crises.

Numa palestra proferida num encontro do núcleo de Faro da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), Soares dos Santos defendeu que os portugueses têm que definir, em primeiro lugar, em que sistema querem viver.

«Temos um sistema em que a iniciativa privada existe, é aceite e bem aceite ou um sistema em que preferimos que o Estado mande em tudo? Não podemos é continuar a pretender investimento estrangeiro e português e tratá-lo mal, porque há milhentos países que tratam bem e sou melhor tratado na Polónia do que aqui».

Quanto ao «hábito dos portugueses só terem direitos», como «o direito a um Serviço Nacional de Saúde», há que questionar, defende, se faz sentido uma pessoa «ter um pacemaker que custou sete mil euros e não ter pago um tostão».

«Não há hipótese de sustentar isto», porque «temos de se pagar de qualquer maneira», se não se pagar o acto médico, paga-se com impostos.

Onde está e onde vai ser gasto o dinheiro de Bruxelas?

Para este responsável, ignora-se onde o dinheiro dos impostos é gasto e criticou o facto de «ninguém ter dito para onde foram as ajudas que vieram de Bruxelas, onde esse dinheiro está, como foi gasto e qual foi o seu retorno».

Daí que «somos nós, sociedade civil, quem tem que assumir essa responsabilidade».

Alexandre Soares dos Santos disse que muitas das empresas têm dificuldades «porque não dispõem de fundo de maneio» e, com a falta de crédito bancário, não conseguem fazer frente à situação económica difícil.

«Desde o início do ano já perdemos 19 fornecedores e estamos a pagar as vinhas».

O empresário disse ainda que «tem que haver Justiça a horas» e defendeu que «as leis fiscais não podem estar sempre a mudar», porque «as empresas não gostam disso, têm planos e não podem estar ao sabor de um partido que decide mudá-las quando quer».

Soares dos Santos defendeu ainda a aposta no capital humano, na formação e no «respeito pelas pessoas», que «têm que ser motivadas», e criticou ainda os políticos por não dizerem a verdade ao País, considerando que Portugal «está na situação que está porque andaram a mentir».

Em conclusão, «o país é o resultado da nossa vontade».