domingo, 8 de maio de 2011

IMPRENSA IMBECIL E CRIMINOSA




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA 

A comunicação social portuguesa, salvo publicações supostamente menores, esteve-se nas tintas para a publicação do livro “Cabinda – ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”. Nada de novo, portanto.

Certamente que os donos dos jornalistas, bem como os donos dos donos, não ficariam satisfeitos se fosse dada qualquer notícia sobre um livro que colide com os interesses instalados em Portugal e em Angola. Nada de novo, portanto.

É perfeitamente natural que a comunicação social portuguesa, dita de referência, saiba que o dono de Angola (por sinal no cargo de presidente há 32 anos sem nunca ter sido eleito) não iria gostar de ver notícias sobre algo que o atormenta. Nada de novo, portanto.

Também é lógico que essa imprensa, supostamente livre, nada tenha dito que possa beliscar José Eduardo dos Santos. Se o presidente de Angola é, para além de dono do seu país, quase dono de Portugal, quem se atreveria a divulgar algo que de alguma forma pudesse pôr em causa a publicidade e os apoios financeiros (colectivos e ou individuais) que o regime angolano dá a Portugal? Nada de novo, portanto.

Recordo, por exemplo, que no dia 22 de Novembro do ano passado publiquei no Notícias Lusófonas um texto intituado “Regime de Angola aperta o cerco a todos os que falam de Cabinda”.

Nele dizia que “em vários países, nomeadamente em Portugal, os serviços do MPLA estavam a apertar o cerco aos jornalistas, seja por ameaças físicas ou pelas tentativas de suborno”.

Três dias depois fui contactado por Cristina Magalhães, jornalista(?) da RDP/África. Cristina Magalhães dizia que tinha lido o artigo sobre Cabinda e que queria falar comigo sobre o assunto.

Para além de lhe fornecer, no mesmo dia, todos os meus contactos, falei com ela ao telefone disponibilizando-me para conversar sobre o assunto.

Nesse texto publicado no NL afirmei (o que mantenho) que segundo o regime angolano urgia não só calar os jornalistas que mais atentos estão à questão, como evitar que de Cabinda saiam informações sobre as acções militares e policiais que já estavam agendadas e que poderia ser desencadeadas a todo o momento.

Acrescentava igualmente que vários jornalistas que trabalham fora de Angola foram e estão a ser contactados por mandatários do regime angolano, sendo-lhe transmitidas duas soluções: “Quanto querem para deixar de falar de Cabinda” e “Ou deixam de falar de Cabinda ou a vossa integridade física corre sérios riscos”.

Mandatários esses que acrescentavam que “dinheiro não é problema”, reforçando que “também o resto não é problema”.

Acontece que até agora nunca mais fui contactado. Não é, aliás, de estranhar. Os critérios editoriais dos donos dos jornalistas e dos donos dos donos servem exactamente para isso. Confesso que estranhei o contacto, desde logo porque não estava, nem estou, a ver a RDP/África a fazer algum trabalho que possa desagradar aos donos do poder, estejam eles em Luanda ou em Lisboa.

Mas esta história, triste para o Jornalismo mas lucrativa para quem dele se serve em vez de o servir, não é nova e tem outros protagonistas.

Já no dia 12 de Outubro de 2007, já lá vai um tempito mas o conteúdo é o mesmo, a jornalista Isabel Guerreiro, do semanário português “O Diabo”, resolveu fazer-me, por escrito, três perguntas a propósito da Imprensa angolana.

Na altura perguntei à jornalista se, como é habitual quando se escreve o que não é esperado por quem manda (os tais critérios editoriais), não haveria o risco de as respostas serem enviadas directamente para a reciclagem.

Garantiu-me que não. Também eu quis acreditar que não. Mas a verdade é que as respostas nunca foram publicadas. E assim, cantando e rindo, vão as ocidentais praias lusitanas. Sempre satisfazendo os donos dos jornalistas e os donos dos donos. A bem, é claro, da Nação.

Foto: Apresentação do livro “Cabinda – ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação” em Lisboa, na Casa da Imprensa.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

III BIENAL DAS CULTURAS LUSÓFONAS




ODIVELAS

Desde o passado dia 2 que se realiza, em Odivelas, a III Bienal de Culturas Lusófonas, até 21 de Maio.

Em tempo de dificuldades financeiras sérias o município de Odivelas entendeu, e bem na nossa opinião, manter a organização desta Bienal, reunindo no Concelho movimentos e atitudes culturais dos 7 países de língua oficial portuguesa.

Trata-se de um acontecimento que põe Odivelas no centro da Lusofonia, e se isso pode ser importante para os políticos locais, o certo é que é certamente importante para Portugal, desde que este acontecimento não seja um caso isolado, mas antes, enquadrado numa política de cooperação pela divulgação e desenvolvimento do uso da língua portuguesa no mundo.

A importância que isso pode ter no desenvolvimento cultural e económico dos 7 países só será verdade se, de facto, todos eles aderirem sem subterfúgios a esta causa linguística.

A questão está em que a importância da língua portuguesa, como elo de ligação entre estes povos tão diferentes, vai bem mais longe do que os simples salamaleques e anúncio de intenções a que frequentemente se confinam as relações entre os povos da CPLP.

Tanto nos discursos da inauguração da Bienal, como nas palavras que serviram de homenagem a Malangatana e a Lauro Moreira, como na abordagem dos temas do Fórum que decorreu ontem e hoje, foram muitas, boas e bonitas as intenções e as afirmações de cooperação e de entendimento entre todos os presentes.

O conceito de “Uma Nação com 8 Governos” que foi avançado parece-nos algo exagerado, mas como diz o outro, o que vale são as intenções.

Uma nota apenas para o facto de não termos dado ainda por qualquer referência a Goa.

Não faz parte da CPLP, não é uma Nação, mas é um Estado que, integrando a União Indiana, mantém vivo muito do que é a Lusofonia.

Em caso de dúvida é só lá dar um saltinho.

JP Setúbal


Brasil: REFORMA POLÍTICA DE DILMA ATENDE INTERESSES CONTRARIADOS




CORREIO DO BRASIL

A presidenta Dilma Rousseff está disposta a tirar proveito do conforto político que tem para enfrentar interesses empresariais que considera contrários ao interesse do país. Os adversários do PT encolheram e têm menos condições de fazer uma dobradinha eficaz com empresários descontentes para tentar jogar Dilma contra a opinião pública. Os estrategistas da presidenta apostam que os confrontados reagirão com a arma que lhes resta: dinheiro. O troco viria com maciço financiamento de rivais do PT na eleição de 2014. Para se proteger da revanche, os estrategistas querem proibir patrocínio privado de campanhas.

O uso exclusivo de verba pública nas eleições depende de uma reforma política que os estrategistas da presidenta sonham ver votada no fim do ano, mesmo que custe uma penosa negociação com aliados. Só num começo de mandato, sem o acúmulo de desgastes do Palácio do Planalto com apoiadores, e diante de uma oposição fragilizada, é que seria possível votar “a mãe de todas as reformas”.

A relação que o governo tenta estabelecer com o Congresso, até agora, contribui para evitar fissuras com aliados. Na visão do Planalto, o Legislativo deve ser palco de grandes batalhas estruturais, não uma Casa da qual o governo dependa todos os dias, em votações cotidianas. É o caso da reforma tributária, que deve ser começar a ser discutida ainda no primeiro semestre. E da reforma política, no segundo semestre.

O plano de tocar a reforma política e defender a proposta de acabar com financiamento privado de campanhas esbarra, no entanto, num conflito que parece difícil de se resolver e que sugere, de fato, um alto custo. As duas maiores legendas do Brasil e do governo, PT e PMDB, que dividem o Planalto – Dilma pertence à primeira e o vice-presidente, Michel Temer, à segunda – têm visões divergentes sobre o tema.

Para o PT, as mudanças devem fortalecer os partidos e reduzir a influência do poder econômico. Já o PMDB defende valorizar mais candidaturas do que agremiações e acha complicado convencer a sociedade a aceitar dinheiro público em campanhas. Daí que a presidenta, mesmo simpática à reforma, e a despeito dos planos que a cercam, pretende assistir ao debate de longe.

– Ela é a favor da reforma política mas não vai entrar de sola, é um assunto para o Congresso resolver. Há muita divergência na base aliada – diz um ministro.

Reforma política

A intenção de partir com tudo para levar a reforma política adiante este ano foi explicitada pelo PT em reunião do Diretório Nacional dias 29 e 30 de abril. O encontro produziu dois documentos. Uma resolução sobre prioridades para 2011, que coloca a votação da reforma no topo, e um apenas sobre a reforma, com as teses defendidas.

“O financiamento privado superpotencializa a influência do grande capital na política e favorece a corrupção”, afirma o documento sobre a reforma. Nas resoluções, a cúpula petista incentiva dirigentes, bancadas e militantes a ocupar espaço na sociedade e na mídia para pregar a reforma política e buscar aliados, como sindicatos e outros partidos.

– Estamos no momento propício para fazer essa reforma, a sociedade precisa de um sistema político melhor – diz o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP).

O principal cabo eleitoral petista pela reforma política será o ex-presidente Lula. Desde o fim de 2010, ainda no Planalto, Lula pensa em montar uma frente de partidos de esquerda (PT, PSB, PCdoB e PDT) em prol da reforma. Antes, sentia-se engessado. O assunto tem potencial para afetar a relação de um presidente da República com seus apoiadores, já que os partidos têm opiniões variadas e divergentes.

É a dificuldade enfrentada por Dilma Rousseff hoje e que a leva a evitar envolvimento direto. O vice dela é do PMDB. O presidente do Senado, José Sarney, é do PMDB, maior bancada da Casa. Segundo um aliado de Michel Temer, a maior parte da legenda discorda do financiamento público. Acha que é muito difícil convencer a sociedade de que vale à pena gastar dinheiro público assim. Que não impede caixa dois. E que só favorece o PT.

Pesquisas indicam que o PT é o partido predileto dos eleitores que declaram ter alguma preferência. Parece o único capaz de sobreviver à base de voto de legenda, e o financiamento público estimula, de alguma forma, o voto de legenda. Isso porque é uma proposta que tem uma irmã gêmea. O eleitor votaria, para deputado ou vereador, numa lista que os partidos apresentariam na campanha, em vez de votar num candidato específico. O oposto do que o PMDB defende, que é valorizar candidatos.

Guia peemedebista

A posição peemdebista no debate da reforma política tem sido manifestada por Michel Temer desde que o tema começou a ser discutido pelo novo governo e o novo Congresso. Em fevereiro, Temer foi ao Senado, discursar sobre o tema, quando os senadores decidiram instalar comissão especial para tratar da reforma. Em março, publicou artigo na imprensa a respeito. Nas duas ocasiões, defendeu que deputados (federais e estaduais) e vereadores sejam eleitos conforme os votos que receberam individualmente, sem levar em conta alianças que suas siglas tenham feito.

Para Temer, a mudança corrigiria distorção que ele acredita existir no sistema eleitoral brasileiro. Presidente, governadores, prefeitos e senadores são eleitos graças a votações individuais. Deputados e vereadores, não. Na avaliação do vice, a nova regra faria uma espécie de depuração no Congresso, ao diminuir o número de partidos representados lá dentro – hoje, são 22 legendas. E, com tal redução, os partidos sobreviventes também se fortaleceriam.

Essa é uma proposta que, segundo um aliado de Temer, o PMDB faz questão que esteja na reforma política. Mas que mexe em algo que, em seus últimos documentos sobre o tema, o PT chama de “virtude do atual sistema que precisa ser preservada”, que é a eleição proporcional para casas legislativas.

Com visões antagônicas no coração da base de apoio ao governo, há condições de aprovar alguma reforma política e que ela contemple financiamento público de campanhas? Para os estrategistas de Dilma, que enxergam uma reeleição acirrada contra um poder econômico contrariado, sim. Custaria cargos e emendas parlamentares. Mas uma reforma estruturante como essa, defendida pela presidenta, valeria o preço.

Visita de Chávez servirá para reafirmar as relações entre Venezuela e Brasil




Renata Giraldi, repórter da Agência Brasil – Correio do Brasil

Brasília – A visita do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na próxima terça-feira (10) será cercada de formalidades. Ele é o primeiro chefe de Estado latino-americano a vir ao Brasil depois que a presidenta Dilma Rousseff assumiu o governo. O objetivo é reafirmar que as relações bilaterais, intensificadas no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serão mantidas da mesma forma, segundo a assessoria da Presidência da República.

Nas conversas, um dos temas de destaque será a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que recebeu este nome em homenagem ao brasileiro que lutou ao lado de Simón Bolívar para a libertação da Venezuela.  A Petrobras cobrou da estatal venezuelana PDVSA o repasse de cerca de R$ 400 milhões para a conclusão das obras. De acordo com o governo brasileiro, apenas a Petrobras investiu na refinaria.

Dilma e Chávez farão ainda uma longa reunião de trabalho para analisar a evolução dos acordos firmados anteriormente e as pendências. A ideia é intensificar as parcerias nas áreas comercial e de energia, considerando que a Venezuela vive uma longa fase de racionamento. Apenas no ano passado, o intercâmbio comercial entre Brasil e Venezuela envolveu US$ 4,6 bilhões.

Na sexta-feira (6) empresários dos dois países se reuniram para discutir sobre vários setores, como agronegócios, alimentos, bebidas, construção civil, produtos de higiene pessoal e artigos para o lar, além de ferro, minerais, alumínio e autopeças. Só nos primeiros meses deste ano as negociações já superaram US$ 1 bilhão – sendo que em março as exportações brasileiras somaram US$ 822,7 milhões.
  
Os empresários e representantes dos governos prepararam os termos para  a cooperação no desenvolvimento da indústria venezuelana e as definições referentes às exigências sanitárias para as exportações de carnes à Venezuela. Os venezuelanos compram do Brasil principalmente carne, frango desossado e alimentos.

Chávez e Dilma se encontraram pela última vez em 1º de janeiro deste ano, quando o venezuelano participou da cerimônia de posse da presidenta em Brasília. Antes, no entanto, quando saíram os resultados das eleições presidenciais, o venezuelano foi um dos primeiros líderes políticos a parabenizar Dilma.

Depois do resultado das eleições, confirmando a vitória de Dilma, Chávez postou uma mensagem na rede social do Twitter destacando a competência da presidenta e sua confiança no novo governo. Segundo ele, Dilma era a “sua candidata”.

Edição: Andréa Quintiere

Com ajuda do Brasil grupo busca cura para doenças negligenciadas por farmacêuticas




DEUTSCHE WELLE

Conhecidas como doenças negligenciadas, elas afligem mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. Recorrentes em países subdesenvolvidos, doenças não despertam a atenção da indústria farmacêutica.

 A briga contra os gigantes conglomerados farmacêuticos, desta vez, não será um confronto direto. É essa a estratégia de um grupo de cientistas internacionais, com participação brasileira, que acaba de fundar uma iniciativa que busca soluções alternativas a doenças relegadas pela lucrativa indústria da cura.

A rede é formada por 30 cientistas de seis países – sendo 16 brasileiros. A missão do grupo é driblar a falta de interesse das farmacêuticas e combater as chamadas doenças negligenciadas com ajuda da natureza.

A briga contra os gigantes conglomerados farmacêuticos, desta vez, não será um confronto direto. É essa a estratégia de um grupo de cientistas internacionais, com participação brasileira, que acaba de fundar uma iniciativa que busca soluções alternativas a doenças relegadas pela lucrativa indústria da cura.

 A rede é formada por 30 cientistas de seis países – sendo 16 brasileiros. A missão do grupo é driblar a falta de interesse das farmacêuticas e combater as chamadas doenças negligenciadas com ajuda da natureza.

O foco dos pesquisadores se volta para as 13 enfermidades que atingem cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, mas estão confinadas em áreas rurais e bairros distantes dos centros urbanos. Dentre elas, a leishmaniose, o Mal de Chagas e a tripanossomíase africana são as mais conhecidas.

Luta silenciosa

Longe da mira das indústrias farmacêuticas, os pesquisadores afirmam que o desinteresse se deve ao fato de o tratamento para essas doenças não representar um mercado lucrativo. Mais recorrente em países subdesenvolvidos e tropicais, só a leishmaniose mata, a cada ano, 11 mil pessoas e contabiliza 600 mil novas infecções. E as crianças são as maiores vítimas.

O Brasil é um dos países que mais sofre com esses casos de infecção. A doença de Chagas, por exemplo, é a quarta causa de morte no país, segundo a Fundação Oswaldo Cruz. A instituição também registrou um aumento significativo nos casos de leishmaniose nos subúrbios de grandes cidades.

Natureza como aliada

Na contracorrente, pesquisas lideradas por organizações filantrópicas mergulharam na busca por tratamento às doenças negligenciadas. A suíça DNDi, por exemplo, se dedica a reunir experiências com terapias naturais feitas ao redor do globo a fim de criar novos meios de combater parasitas.

Dos laboratórios e pesquisas de campo são aguardadas as contribuições mais valiosas. A Fundação Oswaldo Cruz, por exemplo, ajudou a padronizar a metodologia das pesquisas com produtos naturais.

A pesquisadora Tânia Alves, da Fiocruz, ressalta em seu trabalho que apenas 18 medicamentos foram desenvolvidos nos últimos 30 anos para combater doenças tropicais – o equivalente a 1% dos lançamentos farmacêuticos no mercado.

Os brasileiros contam com a biodiversidade do território nacional como grande aliado. O grupo de Tânia, por exemplo, tenta identificar os compostos ativos de 10 mil extratos de plantas e fungos que podem atuar contra os parasitas Leishmania amazonensis, Trypanosoma cruzi e Plasmodium falciparum.

Cientistas da Universidade de São Paulo, Unifesp, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal Fluminense e a Universidade Federal da Paraíba também compõem a iniciativa.

O esforço científico quer promover um salto histórico na área dos tratamentos disponíveis, que são praticamente os mesmo desenvolvidos há cem anos. O que também não mudou desde então é a capacidade letal: se não tratadas, todas essas doenças levam à morte, em 100% dos casos.

Autora: Nádia Pontes - Revisão: Roselaine Wandscheer

Brasil: Presidente alemão cancela visita à ThyssenKrupp após anúncio de cortes





Visita de Wulff à siderúrgica da multinacional alemã no Rio fecharia giro presidencial pela América Latina. Presidente alemão se irritou por não ter sido avisado do plano de reestruturação da empresa.

 O presidente da Alemanha, Christian Wulff, decidiu abreviar sua estada no Brasil após a metalúrgica ThyssenKrupp divulgar um plano de reestruturação que prevê o corte de 35 mil funcionários. Ele planejava visitar a nova siderúrgica da empresa alemã no estado do Rio de Janeiro neste sábado (07/05). Com o anúncio, a visita foi cancelada.

Wullf reagiu com irritação à notícia por não ter sido comunicado com antecedência pela direção da ThyssenKrupp. Ele ficou sabendo dos planos de reestruturação pela imprensa, nesta sexta-feira, poucas horas antes da visita.

Um dia antes, o chefe para a América da empresa, Hans Fischer, informara Wulff sobre a estratégia para o exterior da metalúrgica, sem mencionar as demissões.

O chefe de Estado alemão e sua esposa voltaram a Berlim neste sábado, num voo de carreira, depois de o Airbus 310 da comitiva apresentar problemas técnicos. o avião ficará retido em São Paulo ao menos até este domingo.

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, decidiu abreviar sua estada no Brasil após a metalúrgica ThyssenKrupp divulgar um plano de reestruturação que prevê o corte de 35 mil funcionários. Ele planejava visitar a nova siderúrgica da empresa alemã no estado do Rio de Janeiro neste sábado (07/05). Com o anúncio, a visita foi cancelada.

Wullf reagiu com irritação à notícia por não ter sido comunicado com antecedência pela direção da ThyssenKrupp. Ele ficou sabendo dos planos de reestruturação pela imprensa, nesta sexta-feira, poucas horas antes da visita.

Um dia antes, o chefe para a América da empresa, Hans Fischer, informara Wulff sobre a estratégia para o exterior da metalúrgica, sem mencionar as demissões.

O chefe de Estado alemão e sua esposa voltaram a Berlim neste sábado, num voo de carreira, depois de o Airbus 310 da comitiva apresentar problemas técnicos. o avião ficará retido em São Paulo ao menos até este domingo.

Motivo para frustração

Bildunterschrift: A visita à nova siderúrgica da empresa, no estado do Rio de Janeiro, concluiria o giro de uma semana do presidente alemão pela América Latina, que o levara antes ao México e a Costa Rica.

Da declaração distribuída pela porta-voz de Wulff, durante recepção no Instituto Goethe, consta a decisão foi tomada devido às "abrangentes reestruturações dentro do conglomerado ThyssenKrupp, anunciadas a curto prazo e com consequências ainda não previsíveis".

O presidente tem motivos para estar frustrado com o inesperado anúncio da empresa, já que a visita à siderúrgica na Baía de Sepetiba também tinha caráter de socorro à multinacional sediada em Essen, Alemanha. Após investir mais de 5 bilhões de euros nas instalações, ela enfrenta a resistência de ambientalistas. Ao longo de sua visita ao Brasil, Wulff diversas vezes elogiou o empreendimento.

Reações compreensivas

Segundo o secretário parlamentar de Estado no Ministério alemão da Economia, Hans-Joachim Otto, não havia alternativa ao cancelamento. De modo geral, a comitiva de Wulff – inclusive os empresários que o acompanhavam – demonstrou compreensão, embora alguns tenham lamentado a estratégia de comunicação infeliz.

A reação da ThyssenKrupp foi igualmente compreensiva. O presidente do conselho de empresa Thomas Schlenz expressou-se "um tanto surpreso" pelo cancelamento, pois "não se trata de cortes de pessoal, mas sim de vendas e reestruturação". Entretanto ele disse achar "bom que a política se preocupe pelas nossas vagas de trabalho".

"Isto deve ser um estímulo para que a ThyssenKrupp feche um pacote de segurança conosco durante as conversas com os representantes dos empregados, atualmente em curso ", comentou Schlenz.

AV/dapd/dpa  - Revisão: Alexandre Schossler

THE U.S. SHOULD AVOID BEING ENTANGLED IN CIVIL WAR IN LIBYA




José Ramos-Horta - President of East Timor – Huffpost – 07 may 2011

While I have welcomed the United Nations Security Council Res. 1973 on the imposition of a no-fly zone in Libya as a means to protect civilians, I have advised our friends to avoid being pulled into a complex political crisis and entangled with one side of a conflict about which very little is known.

At the same time, I must express my dismay at the very liberal interpretation of UNSC Res. 1973. It was not meant to endorse an armed faction in a civil war. The bombing of the regime's compound and killing of family members of Libya's ruler is completely outside the substance of Res. 1973.

I am further puzzled and worried that the UN seems to have sub-contracted a regional military organization -- NATO -- to undertake offensive military actions on its behalf. If NATO has been sub-contracted by the UN to enforce UNSC Res. 1973, I beg to ask, what is the UN role in NATO's operational decision-making?

We all agree on the illegitimacy of Gaddafi's regime. Its appalling human rights record, past involvement in international terrorism and financing of wars in Africa spanning a period of at least three decades have long been documented. Libya has been made to pay a heavy price for Moammar Gaddafi's irresponsible behavior. Yet the West extended an olive branch to the regime and re-engaged it once it abandoned support for international terrorism and its nuclear weapons ambitions. From pariah status Gaddafi moved center stage as he was courted by the powers that be, even naming him Chairman of the African Union in 2009.

On the domestic front, nothing had changed. The regime continued to crack down on dissent, real and imaginary.
   
How should the UN address the situation? Instead of bombing, the UN Security Council could more actively search for a political settlement of the conflict. The regime has offered to negotiate and agreed to a cease-fire. This should be explored instead of being ignored.

At the height of the violence in Timor-Leste following the UN-sponsored "Popular Consultation" of August 30th 1999, a UNSC delegation was dispatched to Timor-Leste; the high profile and pro-active mission proved to be decisive in paving the way for an end to the violence.

Similarly I believe that the UNSC should send a high-level delegation to Libya, comprising representatives of the P5 and non-permanent members with the goal of

- Reviewing the situation on the ground in all its aspects, political, security and social and humanitarian
- Meeting all parties
- Securing an immediate verifiable cease-fire
- Securing the deployment of UN military liaison officers comprising officers from the Arab League and African Union to monitor the cease-fire
- Securing enhanced unhindered humanitarian access by UN Agencies and Non-Governmental Organizations to all conflict parts of Libya
- And exploring a road map for a step-by-step political calendar leading to free and democratic elections.

Only the highest UN body dedicated to guarantee peace in the world has the credibility to compel all parties, the regime and its opponents, to moderate their respective stances, agree to a halt in violence and to engage in protracted negotiations leading to a new political order in Libya.

I am as horrified by cluster bombs being used on one's own citizens as anyone. And I applaud the moral and political leadership shown by Presidents Barack Obama and Nicholas Sarkozy in regards to the situation in Libya. However the US, deeply engaged and bleeding in Iraq and Afghanistan, should resist being entangled in another war.

The humanitarian arguments for intervention are powerful and persuasive. But unfortunately the US cannot and should not directly intervene everywhere there is a man-made humanitarian catastrophe.

There is a limit to how external forces may influence the course of events in any given country and the constraints in the case of Syria are even more acute. Hence greater prudence is necessary.
  
There is no substitute for active dialogue by all sides and again I believe only a high-powered UNSC mission will have the credibility to compel all sides to moderate their stances and come to a round-table for serious dialogue.

Hence the UNSC should consider dispatching a high-level mission to Syria to look into the situation on the ground, engage all sides in active dialogue on a road map towards free and democratic elections.

The failure by the UNSC to pass a mild resolution or an even more moderate "chairman's statement" on the situation in Syria reinforces my conviction that a UNSC mission mandated to prod all parties into patient and constructive dialogue is the best option.

Finally, the crisis in the Middle East, on-going conflicts in the Central Africa and South Asia regions expose the dangers and immorality of uncontrolled weapons exports. That the Libyan regime was able to acquire an extraordinary arsenal of weapons over a period of decades or that small Gulf countries with populations of less than a million possess tanks, attack helicopters and even fighter planes are perplexing to say the least.

While the powers that be are right in passing judgments on the behavior of the regimes that are using weapons to quell unarmed popular uprisings, they should critically ask themselves if it is not time to put an end to the indiscriminate exports of weapons to developing regions of the world for the purpose of profits.

The world would be safer for all if weapons producing countries would explore other less immoral means to accumulate wealth. (This article was initially posted on TheCommunity.com)

MALAYSIA TO TAKE 800 AUSTRALIA ASYLUM SEEKERS





KUALA LUMPUR, Malaysia -- Malaysia will accept 800 asylum seekers who entered Australia illegally by sea in a groundbreaking deal between the two countries to tackle people smuggling.

In return, Australia will resettle 4,000 registered refugees living in Malaysia, according to a joint government statement late Saturday.

Australia has long attracted people from poor, often war-ravaged countries hoping to start a new life, with more than 6,200 asylum seekers arriving in the country by boat last year. Most are from Afghanistan, Sri Lanka, Iran and Iraq, and use Malaysia or Indonesia as a starting point for a dangerous sea journey to Australia.


"This landmark agreement will help take away the product people smugglers are trying to sell - a ticket to Australia," Australian Prime Minister Julia Gillard said in a separate statement.

"The key message this will deliver to people smugglers and those seeking to make the dangerous sea voyage to Australia is: do not get on that boat," she said. "Under this arrangement, if you arrive in Australian waters and are taken to Malaysia, you will go to the back of the queue."

Australia will fully fund the arrangement, the joint statement said, adding that the one-off pilot project aims to "undermine the business model of transnational criminal syndicates, particularly in people smuggling and human trafficking in this region."

The 800 people transferred to Malaysia will have their claims processed by the United Nations, and "those in need of international protection will not be refouled," the statement said.

Both countries will work closely with the U.N. High Commissioner for Refugees and the International Organization for Migration to implement the arrangement, which will be finalized soon, it said.

Gillard said the Australian government was engaged in talks with Papua Guinea to build a regional detention center there to process asylum seekers, and that it would be funded by Australia. An earlier proposal to set up such a center in neighboring East Timor was not favored by that country's government.

Since early 2010, Australia has intercepted more than 140 boats carrying asylum seekers. Malaysia has also caught dozens of people embarking on rickety and overcrowded boats to Australia.

The increasing numbers of boat arrivals has become a divisive issue in Australia, with the opposition demanding stricter laws to deter would-be illegal immigrants.

AUSTRALIA DEFENDS PLAN TO SEND “BOAT PEOPLE” TO MALASIA





SYDNEY - Australia on Sunday defended its plan to send hundreds of asylum seekers to Malaysia as an important signal to people smugglers, as refugee advocates slammed the proposal as cruel and ineffective.

Australia wants to send 800 boat people to Malaysia for processing as part of a one-off deal which the government hopes will be a first step in developing a regional solution.

But the Refugee Action Coalition said the plan would not stop thousands of asylum seekers from risking their lives on perilous boat journeys to Australia each year.

"No-one when they set out from Afghanistan or Iraq knows what the detail is of how they are going to be treated in Malaysia and Indonesia or Australia for that matter," coalition spokesman Ian Rintoul told AFP.

Greens Senator Bob Brown also denounced the proposal, which would see Australia take 4,000 people already deemed to be refugees by the United Nations from Malaysia for resettlement, as "inhumane."

Brown said the government and the conservative opposition both supported "punitive and cruel approaches towards people and their families who are trying to seek refuge in this country and escaping from oppressive situations overseas".

But Deputy Prime Minister and Treasurer Wayne Swan defended the proposal, saying it would act as a deterrent to people-smuggling in Asia.

"This will send a really clear message to the people smugglers and to all of those in the pipeline - if they get on a boat, they could be at the end of a very, very long queue in Malaysia," Swan told the Nine Network.

"There is no certainty any more that they will be here and processed."

Swan said the Malaysia deal was "not the end of our arrangements" as Canberra seeks to stem the tide of boat people - many from Afghanistan and Iran and travelling via Indonesia - arriving in Australian waters.

The opposition, which while in government had turned back asylum seeker boats and processed potential refugees in impoverished Papua New Guinea and Nauru under its so-called "Pacific Solution", also attacked the plan.

"This is trading human beings," Liberal Party spokesman Joe Hockey told ABC TV. "Quite frankly, it illustrates the fact this government has no sense of having a consistent policy on border protection."

Síria: Fabricação de um pretexto para ''intervenção humanitária'' do eixo EUA-OTAN




DIÁRIO LIBERDADE - Global Research - [Michel Chossudovsky, Tradução de Diário Liberdade] 3 de Maio de 2011.

Quem está por trás dos Movimentos de Protesto?

Existem evidencias de manipulação da mídia de massas e da falsificação do início do movimento de protesto do sul da Síria do dia 17 de Março.

A mídia ocidental apresentou eventos ocorridos na Síria como sendo parte dos difundidos movimentos de protestos democráticos árabes, que se alastraram espontaneamente da Tunísia, para o Egito, e para a Líbia e Síria.

A cobertura da mídia focou nas forças armadas e na polícia da Síria que são acusadas de atirar indiscriminadamente e matar manifestantes pró-democráticos desarmados. Embora esses tiroteios da polícia tenham realmente ocorrido, o que a mídia se esqueceu de mencionar é que entre os manifestantes havia pessoas armadas, bem como atiradores que estavam atirando em ambos, tanto nas forças de segurança quanto nos manifestantes.

O número de mortos apresentado nos relatórios é infundado. Muitos dos relatórios foram feitos “de acordo com testemunhas”. As imagens e trechos de vídeos mostrados na al-Jazeera e na CNN nem sempre correspondem aos eventos que estão sendo noticiados no momento.

Eles têm, certamente, motivos para agitações e protestos massivos na Síria: o desemprego cresceu nos últimos anos e as condições sociais se deterioram, particularmente desde a adoção de amplas reformas econômicas sob orientação do FMI. O “remédio econômico” do FMI inclui medidas de austeridade, como, congelamento dos salários, o desregulamento do sistema financeiro, reforma comercial e privatização. (veja FMI República Árabe Síria – FMI artigo IV Declaração de Conclusão da Missão de Consulta, http://www.imf.org/external/np/ms/2006/051406.htm, 2006).

Com um governo dominado por uma minoria Alaíta (uma vertente do Islã Xiita), a Síria não é uma “sociedade modelo” com apreço aos direitos civis e liberdade de expressão. Isso, contudo, constitui o único (restante) Estado secular independente no Mundo Árabe. Sua base secular, populista e anti-imperialista é inerente ao partido dominante Baath, com integrantes muçulmanos, cristãos e drusos.

Além disso, em contraste ao Egito e a Tunísia, na Síria existe um apoio popular considerável ao Presidente Bashar al-Assad. O grande comício em Damasco em 29 de março, “com dez mil pessoas em apoio” (Reuters) ao Presidente al-Assad é raramente mencionado. Em contrapartida, em uma reviravolta incomum, as imagens e vídeos de alguns eventos pró-governistas são utilizados pela mídia ocidental para convencer a opinião internacional de que o Presidente está sofrendo o confronto massivo de pessoas antigovernistas.

O “Epicentro” do Movimento de Protesto. Daraa: Uma pequena cidade fronteiriça no sul da Síria

Qual é a natureza do movimento de protesto? De quais setores da sociedade siríaca ela emana? O que provocou a violência? Qual é a causa das mortes?

A existência de uma insurreição organizada composta por gangues armadas envolvidas em assassinatos e incêndios tem sido negada pela mídia ocidental, apesar das evidencias apontarem o contrário.

A manifestação não teve início em Damasco, a capital nacional. No início, os protestos não estavam integrados com o massivo movimento de cidadãos na capital da Síria.

A manifestação começou em Daraa, uma pequena cidade fronteiriça de 75.000 habitantes, na divisa entre a Síria e a Jordânia, distante de Damasco ou Aleppo, onde os pilares da organização política da oposição e os movimentos sociais estão localizados. (Daraa é uma cidade fronteiriça comparável a Capanema, Paraná, na divisa com a Argentina).

A notícia da Associated Press (citando “testemunhas” e “ativistas” sem nome) descreve os primeiros protestos em Daraa com se segue:

A violência em Daraa, uma cidade com 300.000 habitantes, próxima a fronteira com a Jordânia, se tornou, rapidamente, o maior desafio do Presidente Bashar Assad, ... A polícia siríaca iniciou um implacável assalto quarta-feira em um bairro que abriga manifestantes governistas [Daraa], atingindo mortalmente pelo menos 15 pessoas em uma operação que começou durante a madrugada, disse uma testemunha.

Pelo menos seis foram assassinados no ataque matinal na mesquita al-Omari na cidade rural do sul, de Daraa, onde os manifestantes tomaram as ruas pedindo reformas e a libertação de prisioneiros políticos, disse uma testemunha. Um ativista com contatos na população de Daraa disse que a polícia atirou em mais três pessoas que se manifestavam no centro desta cidade da era romana no início do dia. Mais seis corpos foram encontrados mais tarde durante o dia, disse o ativista.

Enquanto o número de vítimas crescia, as pessoas das cidades próximas de Inkhil, Jasim, Khirbet Ghazaleh e al-Harrah tentaram uma marcha até Daraa quarta-feira a noite, mas, as forças de segurança abriram fogo quando eles se aproximavam, disse um ativista. Ainda não está claro se houve mais mortes e lesões. (AP, 23 de março, 2011, ênfases adicionadas).

A AP inflou os números: Daraa é apresentada como uma cidade de 300.000 quando de fato sua população é de 75.000; “manifestantes aglomeraram-se aos milhares”, “aumentou o número de vítimas”.

A notícia é omissa quanto a morte de policiais, que no ocidente, invariavelmente, é a capa dos tabloides.

As mortes de policiais são importantes para que se estime o que aconteceu. Quando existem mortes de policiais, isso significa que houve troca de tiros entre os diferentes lados, entre policiais e “manifestantes”.

Quem são estes “manifestantes”, incluindo os atiradores dos telhados que estavam atirando na polícia?

Notícias Israelenses e Libanesas ( que informam as mortes policiais) fornecem uma clara imagem do que aconteceu em Daraa entre 17 e 18 de março. O Israel National News Report (que não pode ser acusado de ser tendencioso a favor de Damasco) mostra estes mesmo acontecimentos como a seguir:

Sete oficiais de polícia e ao menos quatro manifestantes foram mortos na Síria na como continuação dos violentos confrontos que explodiram na cidade do sul, Daraa, na última quinta-feira.

... Nesta Sexta, a polícia abriu fogo contra manifestantes armados, matando quatro e ferindo outros cem. De acordo com uma testemunha, que falou com a imprensa com a condição de se manter anônima, “Eles usaram armas letais imediatamente – nada de bombas de gás ou qualquer outra coisa”.

... Em um gesto pouco característico, para tentar diminuir as tensões, o governo ofereceu a libertação de estudantes detidos, mas, sete policiais foram mortos e as Sedes do Partido Baath e o tribunal de justiça foram incendiados, em uma violência renovada no domingo. (Gavriel Queenann, Syria: Seven Police Killed, Buildings Torched in Protests, Israel National News, Arutz Sheva, 21 de Março de 2011, ênfases adicionadas).

As notícias libanesas, analisando várias fontes, também nos informam a morte de sete policiais em Daraa: eles foram mortos “durante os confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes... Eles foram mortos tentando dispersar os manifestantes em Dara’a”.

Uma notícia do libanês Ya Libnan citando a al-Jazeera também confirma que os manifestantes “queimaram as sedes d o Partido Baath e o tribunal em Daraa” (ênfases adicionadas).

As seguintes notícias de eventos ocorridos em Daraa confirmam o seguinte:

1. Estes não são “protestos pacíficos” como a mídia ocidental afirma. Alguns dos “manifestantes” possuem armas de fogo e as utilizam contra a polícia: “a polícia abriu fogo contra protestantes armados, matando quatro”.

2. Analisando os números iniciais de vítimas (Israel News), existem mais policiais do que manifestantes que foram mortos: 7 policiais contra 4 manifestantes. Isso é muito significativo, pois, sugere que inicialmente as forças policiais deveriam estar em menor número do que uma bem organizada gangue armada. De acordo com fontes da mídia Síria lá também existe atiradores nos telhados atirando tanto na policia quanto nos manifestantes.

O que fica claro a partir destas noticias iniciais é que muitos dos manifestantes não são manifestantes e sim terroristas envolvidos em atos premeditados de mortes e incêndios. O titulo da notícia Israelense resume o que está ocorrendo: Síria: Sete policiais mortos, Prédios incendiados nos protestos.

O “movimento de protesto” de Daraa, em 18 de março, tinha todas as aparências de uma encenação que envolve, com grande probabilidade, apoio secreto de terroristas islâmicos por Mossad e/ou da inteligência ocidental. Fontes do governo apontam para a participação de grupos radicais salafitas (apoiados por Israel).

Outras informações apontam para a participação da Arábia Saudita no financiamento do movimento de protesto.

O que tem se desenrolado em Daraa, nas semanas que seguiram os primeiros confrontos violentos em 17-18 de março, é o confronto entre a polícia e as forças armadas de um lado e de unidades terroristas armadas e atiradores do outro, tendo estes se infiltrado no movimento de protesto.

Informações sugerem que estes terroristas foram infiltrados por Islâmicos. Não existe evidencias concretas que comprovem que haja organizações islâmicas por trás dos terroristas e o governo não corrobora a informação de que estes grupos estejam envolvidos.

Tanto a Irmandade Muçulmana Síria (cujo líder esta exilado no Reino Unido) e o banido Hizb ut-Tahir (o Partido da Libertação), entre outros tem pago o serviço de bordo dos movimentos protestantes. O Hizb ut-Tahir (liderado na década de 1980 pelo sírio Omar Bakri Muhammad) tende a “dominar a cena islâmica Britânica” de acordo com as Relações Internacionais. O Hizb ut-Tahir é também considerado de importância estratégica para o Serviço Secreto Britânico MI6. na busca dos interesses Anglo-Estadunidenses no Oriente Médio e na Asia Central (Será o Hizb ut-Tahir outro projeto do Britânico MI6? | Estado do Paquistão).

A Síria é um país árabe secular, uma sociedade de tolerância religiosa, onde islâmicos e cristão tem vivido em paz durantes séculos. O Hizb ut-Tahir (o Partido da Libertação) é um movimento político radical comprometido com a criação de um califado islâmico. Na Síria, seu objetivo declarado é desestabilizar o Estado secular.

Desde a guerra Soviético/Afegã, as agencias de inteligências ocidentais, bem como o Mossad israelense tem consentido na utilização de várias organizações terroristas islâmicas como “trunfo da inteligência”. Tanto Washington quanto seu indefectível aliado Britânico forneceram apoio a “terroristas islâmicos” no Afeganistão, na Bósnia, em Kosovo, na Líbia e etc. como um meio de desencadear conflitos étnicos, violência sectária e instabilidade política.

O movimento de protesto da Síria foi modelado na Líbia. A insurreição ao leste da Líbia é composta pelo Grupo Libanês da Luta Islâmica (GLLI) cujo apoio vem do MI6 e da CIA. O objetivo final dos protestos na Síria, desde as mentiras e fabricações da mídia, é criar divisões dentro da sociedade Síria como meio de justificar uma eventual “intervenção humanitária”.

A insurreição armada na Síria

Uma insurreição armada integrada por islâmicos e apoiada secretamente pela inteligência ocidental é um ponto central para que se possa entender o que está ocorrendo no território.

A existência de uma insurreição armada não é mencionada pela mídia ocidental. Se isto for levado em conta e analisado, nosso entendimento do desenrolar dos eventos seria totalmente diferente.

O que é mencionado profusamente é que as forças armadas e da polícia estão envolvidas na morte indiscriminada de manifestantes.

O envio de forças armadas, incluindo tanques, para Daraa é diretamente contra a insurreição armada, que ocorre na cidade fronteiriça desde 17-18 de Março.

O número de vítimas noticiado também inclui o de policiais e soldados.

Em uma breve ironia, a mídia ocidental reconhece a morte de policiais e soldados, no entanto, nega a existência de uma insurreição armada.

A questão chave é como a mídia explica essas mortes de soldados e policiais?

Sem nenhuma evidencia, as noticias sugerem autoritariamente que a policia esta atirando nos soldados e vice versa, soldados atirando na polícia. Em uma notícia de 29 de abril da al-Jazeera Daraa é descrita como “uma cidade sob cerco”.

“Tanques e tropas controlam todas as estradas, quem entra e quem sai”. Dentro da cidade, as lojas estão fechadas e ninguém ousa andar nas, antes tão movimentadas, ruas do mercado, hoje transformadas em uma zona de atiradores de telhado.

Incapaz de reprimir as primeiras pessoas que ousaram se levantar contra ele – nem com a utilização da polícia secreta, contratando mercenários ou com as forças especiais da divisão militar de seu irmão – O presidente Bashar al-Assad enviou milhares de soldados sírios e seus armamentos pesados para Deraa para uma operação que o regime não quer que ninguém no mundo veja.

Apesar de quase todos os meios de comunicação com Deraa terem sido cortados, incluindo o serviço móvel da Jordânia que para alcançar o local basta cruzar a fronteira, a al-Jazeera reuniu relatos em primeira da vida dentro da cidade através de residentes que deixaram a área ou através de testemunhas oculares do local que conseguiram sair da área de isolamento.

A imagem que vem a cabeça é a de uma arena mortal e escura de segurança, dirigida pelas ações da polícia secreta e de seus atiradores de elite, onde soldados e manifestantes sem distinção são mortos ou feridos, onde acontecem fissuras dentro do próprio corpo militar onde se cria o grade caos de que o regime se aproveita para justificar a crescente repressão. (Daraa, a City under Siege, IPS/al-Jazeera, 29 de abril de 2011).

O que a al-Jazeera noticia beira o absurdo. Leia com atenção.

“Tanques e tropas controlam todas as estradas de entrada e saída”, “milhares de soldados sírios e seus armamentos pesados para Daraa”.

Essa situação se manteve por algumas semanas. Isso significa que de boa fé, as manifestantes que não estão em Daraa não podem entrar.

As pessoas que moram na cidade estão em suas casas: “ninguém ousa andar .. nas ruas”. Se ninguém ousa andar pelas ruas quem são os manifestantes?

Quem está nas ruas? De acordo com a al-Jazeera, os manifestantes estão nas ruas junto com os soldados, e que ambos, manifestantes e soldados são alvejados pela “polícia secreta a paisana”, por “mercenários” e por atiradores pagos pelo governo.

A impressão que a notícia transmite é que as vítimas são atribuídas a confrontos entre a polícia e os militares.

Mas a noticia também diz que os soldados (em seus “milhares”) controlam todas as estradas de entrada e saída da cidade, mas eles estão sendo alvejados pela polícia secreta a paisana.

O propósito desta teia de falácias, ou seja, de mentiras deslavadas – onde soldados são alvejados pela polícia e por “atiradores do governo” – é negar a existência de grupos terroristas armados. Terroristas que são compostos por atiradores e “terroristas a paisana” que estão alvejando a polícia, as forças armadas da Síria e os moradores locais.

Esses não são atos espontâneos de terror; eles foram ataques cuidadosamente planejados e coordenados. Em revelações recentes, de acordo com uma noticia da Xinhua (30 de abril de 2011) “grupos terroristas” “alvejaram as casas de moradia dos militares” na província de Daraa “matando um sargento e ferindo dois homens”.

Enquanto o governo possui grande responsabilidade pela desorganizada operação policial-militar, inclusive pela morte de civis, os relatórios confirmam que grupos terroristas armados também abriam fogo contra residentes locais. A responsabilidade pelas mortes tem caído exclusivamente sobre as forças armadas e sobre a polícia e o governo de Bashar al-Assad descrito pela “comunidade internacional” com tendo ordenado incontáveis atrocidades.

Com efeito, os jornalistas estrangeiros foram banidos de noticiar de dentro da Síria, na medida em que grande parte das informações, incluindo o número de vítimas, é obtido através de dados inverificáveis de “testemunhas”.

Isso é do interesse do eixo EUA-OTAN que pode retratar os eventos na Síria como um movimento pacífico que se tornou em uma brutalidade repressiva por parte de um “regime ditatorial”.

O governo na Síria pode ser autocrático. Ele certamente não é um modelo de democracia, no entanto, a administração dos EUA também não o é, com sua característica corrupção crescente, a abolição da liberdade civil sob a legislação patriótica, a legalização da tortura, para não mencionar as “sanguinárias” “guerras humanitárias”:

“Os EUA e seus aliados da OTAN têm, além da Sexta Frota dos EUA e da Active Endeavor da OTAN que são assentamentos militares permanentemente implantados no Oriente Médio, aviões de guerra, navios de guerra e submarinos atualmente utilizados na guerra contra a Líbia e que podem ser usado contra a Síria a qualquer momento.

No dia 27 de abril, a Rússia e a China impediu que os EUA e os aliados da OTAN, empurrassem, através de um equivalente da Resolução 1973 contra a Síria, no Conselho de Segurança, com o vice-embaixador Russo para a ONU, Alexander Pankin, alegando que a atual situação da Síria “ não representam uma ameaça à segurança e a paz mundiais”. A Síria é o último país aliado à Rússia no mediterrâneo e no mundo Árabe e hospeda uma das duas bases navais russas, situada em Tartus, sendo a outra na Crimeia, Ucrânia. (Rick Rozoff, Libyan Scenario For Syrua: Towars A US-NATO “Humanitarian Intervention” directed against Syria? Global Research, 30 de abril de 2011).

O objetivo final é desencadear a violência sectária e o caos político na Síria, utilizando o apoio secreto de organizações terroristas islâmicas.

O que está por vir?

A perspectiva, a longo prazo, da política internacional dos EUA é a “mudança de regime” e a desestabilização da Síria como um Estado/Nação independente, através de um processo de “democratização” ou por vias militares.

A Síria está na lista dos “Estados do mau” que são alvos de intervenção militar dos EUA. Como confirmado pelo ex Comandante Geral da OTAN, Wesley Clark “A campanha planejada para cinco anos [inclui]... um total de sete países, começando pelo Iraque, depois a Síria, o Líbano, a Líbia, o Irã, A Somália e o Sudão’ (Funcionário do Pentágono citado pelo General Wesley Clark).

O objetivo é enfraquecer as estruturas do Estado secular enquanto se justifica uma eventual ação patrocinada pela ONU de “intervenção humanitária”. A última, em primeira instância , poderia tomar forma como um reforçado embargo econômico ao país (incluindo sanções) bem como o congelamento das contas bancárias da Síria em instituições financeiras estrangeiras.

Enquanto uma intervenção militar da OTAN-EUA em um futuro imediato parece altamente improvável, a Síria está, no entanto, na rota militar do Pentágono, ou seja, uma eventual guerra contra a Síria contemplaria tanto Washington como Tel Aviv.

Se isso ocorrer, em alguma data futura, isso poderá levar a consequências crescentes. Israel inevitavelmente estará envolvida. Todo a região entre o Leste Mediterrâneo, o Oriente Médio e a Ásia Central até a fronteira China-Afeganistão irá incendiar-se.

*Michel Chossudovsky é Professor de Economia na Universidade de Ottawa, Canadá

**Traduzido para Diário Liberdade por E. R. Saracino