quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

GUINÉ EQUATORIAL TEM POVO NA POBREZA E UM DITADOR MILIONÁRIO




Eduardo Febbro - Direto de Paris – Carta Maior

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é um dirigente chave e um homem excepcional. Com uma fortuna pessoal de 468 milhões de dólares, mais do que a rainha da Inglaterra ou o emir do Kuwait, o presidente da Guiné Equaotiral é o chefe de Estado africano mais rico do continente. Prova de sua opulência, a polícia francesa confiscou há alguns dias uma pitada da fabulosa fortuna de sua família, neste caso de seu filho Teodorín, na luxuosíssima Avenida Foch, de Paris.

Paris - Há homens que merecem seu lugar na história. As democracias ocidentais – e não são as únicas - reconhecem a eles esse direito especial e, por isso, entre petróleo, gás, florestas e exploração de minerais, concederam privilégios e honras exorbitantes a um punhado de ditadores corruptos e homicidas que tem, nos bancos internacionais, mais dinheiro que o orçamento nacional do país que dirigem. O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é um deles. Este ditador está há 31 anos no poder e hoje é o presidente da União Africana (UA), o organismo panafricano fundado graças à abnegação de Muammar Khadafi.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo é um dirigente chave e um homem excepcional. Com uma fortuna pessoal de 468 milhões de dólares, mais do que a rainha da Inglaterra ou o emir do Kuwait, o presidente da Guiné Equaotiral é o chefe de Estado africano mais rico do continente. Prova de sua opulência, a polícia francesa confiscou há alguns dias uma pitada da fabulosa fortuna de sua família, neste caso de seu filho Teodorín : na luxuosíssima Avenida Foch, de Paris, o milionário Teodorín, também ministro de Agricultura e Florestas desta ex-colônia espanhola, tem um prédio de 5 mil metros quadrados, com seis pisos, 101 quartos, uma sala com colunas de coral, uma coleção de 500 pratos, uma mesa de cristal de 200 metros de comprimento, um dormitório de 200 metros quadrados, um salão de beleza, uma discoteca, um cassino ao melhor estilo de Las Vegas e um monte de roupas, joias e vinhos de vários milhões de euros. Este é apenas um segmento da cleptocracia sem freios : os Obiang tem propriedades dos sonhos até no Rio de Janeiro ou Malibú.

No ano passado, respondendo a uma ação apresentada pela ONG Transparência Internacional contra os dirigentes africanos que acumularam fortunas monumentais na França, a Justiça confiscou 11 automóveis de luxo dos Obiang. Entre eles havia um Aston Martin vermleho V8 V600 Le Mans (há apenas 40 exemplares no mundo), um Rolls Royce Phantom conversível, Ferraris, Porsches e um Maserati MC12, do qual só existem 50 no mundo. O ilustre Teodorín ganha oficialmente 3.300 euros mensais. De onde vem o dinheiro com o qual comprou esses automóveis e os demais objetos encontrados em sua residência em Paris.

O filho do ditador cobra gordas comissões das multinacionais madeireiras que operam nas florestas tropicais da Guiné Equatorial. Fontes da Transparência Internacional adiantaram que se trata de uma espécie de « imposto revolucionário » aplicado às multinacionais. O resultado da cobrança desse «imposto » pode ser encontrado na casa parisiense dos Obiang : um relógio Piaget Polo decorado com 498 diamantes (598 mil euros), duas jarras de porcelana (220 mil euros), três jarros do século XVIII com elefantes e rinocerontes (500 mil euros), uma cômoda da época da Realeza (2,8 milhões), um lote de 300 garrafas de vinho Chateu Petrus (2,1 milhões), mais outro lote de Romanée-Conti (250 mil euros).

Uma grande parte da população da Guiné Equatorial vive em situação de extrema pobreza e reprimida, mas as capitais que fazem negócios com o poder e recebem seus fundos não estão preocupadas com isso. Esse país da África Ocidental tem apenas um milhão de habitantes. Hoje é o terceiro produtor subsaariano de petróleo e gás graças à presença dos grupos petroleiros estrangeiros que se instalaram nos anos 90.

Além de estar a fente de seu país e de uma organização de 53 nações como a União Africana, Tedoro Obiang Nguema Mbasogo tem sido um ditador persistente : em suas três décadas de poder perdeu apenas um punhado de votos. Chegou à presidência em 1979 mediante um golpe de Estado e, em 1989, organizou um simulacro de eleições que ganhou com 99,96% dos votos. O grande Teodoro se reelegeu em 1996 com 99%, em 2002 obteve 97% e, em 2009, 95,4%. Foi uma façanha que o fez figurar no terceiro posto da lista dos dez presidentes melhores eleitos do mundo, atrás apenas de Ismail Omar Guelleh, de Djibuti, com 100% dos votos, e do presidente sírio Bachar el-Assad, com 97,6%. O décimo posto era ocupado pelo ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak (88,6%).

Os seus vínculos com a máfia e a corrupção são tão notórios que os analistas regionais adotaram uma curiosa denominação : narco-petro-ditador. Teodoro Nguema Mbasogo é um produto da história colonial e da posição que o Ocidente adotou com essas encarnações do mal cujos tronos estão apoiados sobre solos transbordantes de gás e petróleo. Com isso compraram as medalhas e o silêncio ocidental. E não só da Europa ou dos Estados Unidos. O presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo possui no Rio de Janeiro um apartamento de cerca de 3 mil metros quadrados no bairro de Ipanema pelo qual pagou 34 milhões de euros (cerca de 80 milhões de reais).

Esses dirigentes assistem a cúpulas internacionais, realizam visitas de Estado com toddas as honras, vestem-se com a alta costura de Paris, enquanto suas sociedades sucumbem. São, além disso, muito zelosos a respeito de seu estatuto. Quando o presidente da Guiné Equatorial visitou a Argentina em 2008 para firmar uma série de acordos bilaterais, Cristina Fernández de Kirchner lembrou ao mandatário algumas de suas obrigações básicas. No ato protocolar realizado no salão branco da Casa Rosada, a presidenta argentina disse a Obiang que não podia deixar passar a ocasião para manifestar sua « profunda preocupação com a situação dos direitos humanos denunciadas pelas Nações Unidas em seu país ». O mandatário se enfureceu e quase saiu da sala batendo a porta.

O filho do proto-ditador leva uma existência dourada de playboy : vive entre Estados Unidos, Brasil, Canárias e Paris. Os juízes franceses estão convencidos de que o ministro Teodorín Obiang comprou todas essas riquezas graças a fundos públicos subtraídos ilegalmente. A empresa madeireira guineana Somagui Florestal, que pertence ao ministro, realizou uma série de giros e transações suspeitas no exterior, acabando por dar origem a um processo. Talvez não seja o último. A Transparência Internacional interpôs outras demandas similares por « bens mal adquriridos » contra outros dois chefes de Estado africanos : Omar Bongo, do Gabão, e Denis Sassou-Nguesso, do Congo. Françoise Desset, a juíza encarregada de delitos financeiros, os acusa de « desvio e recepção de fundos públicos », « lavagem de dinheiro », « abuso de bens sociais » e « abuso de confiança ».

Tradução: Katarina Peixoto

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Protestos contra candidatura de Putin despertaram sociedade civil russa




A provável troca de cadeiras entre o atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente Dimitri Medvedev, teria indignado a população do país, que foi em protesto às ruas por mais democracia.

O que os russos até pouco tempo não poderiam imaginar se tornou agora realidade. Nos últimos três meses, milhares de manifestantes foram às ruas da capital, Moscou, e de outras grandes cidades a fim de exigir eleições justas e mais democracia no país. Para políticos e especialistas, a sociedade civil russa – adormecida há mais de uma década – parece ter finalmente despertado.

O responsável pela sacudida da sociedade se chama Vladimir Putin. O primeiro-ministro russo, que entre os anos 2000 e 2008 ocupou a presidência do país, será novamente candidato nas eleições deste próximo sábado (04/03).

A maneira como Putin anunciou que deixaria o Kremlin para concorrer mais uma vez deixou os russos indignados, segundo Natalia Taubina, diretora da ONG "Julgamento Social" e integrante de fórum civil de discussões UE-Rússia. Em setembro de 2011, Putin e o atual presidente, Dimitri Medvedev, tornaram público um acordo há muito tempo já acertado para a troca de cadeiras em Moscou: Putin sairia candidato a presidente enquanto Medvedev, a primeiro-ministro.

"A gota d'água foi a fraude nas eleições parlamentares de dezembro. Cidadãos que participaram como observadores voluntários na eleição viram as adulterações com seus próprios olhos", afirma Taubina. Para ela, o fato foi determinante para a onda de protestos que hoje toma conta do país.

"A sociedade exige, antes de mais nada, respeito", diz a ativista. E isso quer dizer, concretamente, eleições livres e justas, regras simplificadas de registro para os partidos e a libertação de presos políticos. Liberais russos criticam a evolução pouco democrática do país e falam de um "sistema Putin", o qual eles querem mudar pacificamente.

Classe média

Na linha de frente dos protestos estão integrantes da classe média. "Há na Rússia atualmente um grande protesto da classe média, pessoas abastadas que querem ter seus direitos constitucionais respeitados, entre eles o direito a eleições livres e justas", ressalta o ex-primeiro-ministro russo Mikhail Kasyanov, um dos líderes da oposição.

"Está claro que, pelo menos nas grandes cidades, existe uma maior compreensão da nova situação política entre as pessoas mais jovens, mais bem qualificadas e com maior escolaridade", avalia Petra Stykov, especialista em Leste Europeu da Universidade Ludwig Maximilian em Munique.

O antigo contrato social pelo qual a população ganha em troca estabilidade política e bem-estar econômico não é mais aceito por parte dos russos. Para Stykov, porém, ainda não se pode dizer que isto significa o surgimento de uma nova sociedade, pois no interior do país os protestos ainda não são tão fortes.

Branco simbólico

Três grandes protestos e vários outros de menor porte ocorreram no início de dezembro em Moscou. Nem o frio congelante nem o medo de uma possível represália impediram que os manifestantes fossem às ruas. Um dos símbolos dos protestos é a cor branca, numa referência à pureza.

O analista político Nikolai Petrov, da Fundação Carnegie em Moscou, faz um balanço: "Houve dois progressos importantes: mostrou-se unidade e êxito; por outro lado, obteve-se sucesso em aproximar grupos de ideologias variadas".

Petra Stykov ressalta que sem o apoio da internet protestos desta dimensão não aconteceriam. "Com ela é possível resolver o antigo problema dos manifestantes: o que fazer, quando e onde". Os protestos em Moscou foram desde o início organizados pelo Facebook e por outras redes sociais. "Os novos meios de comunicação mostram às pessoas que elas não estão sozinhas", diz Stykov.

Votar em quem

Com as eleições presidenciais, a tensão política na Rússia alcança um novo ponto alto. Aparentemente, Putin não precisa se preocupar com uma vitória nas urnas já que pesquisas de opinião mostram que mais da metade dos russos está disposta a lhe confiar o voto para a presidência. Mas a oposição acusa Putin de ter eliminado politicamente adversários potencialmente perigosos antes mesmo da realização da votação.

Os manifestantes avaliam, então, como reagir à atual situação no país, se devem ir às urnas e, se sim, em quem votar. Até agora, não conseguiram dar uma indicação de voto. "O movimento da oposição ainda não está suficientemente amadurecido para ações solidárias", diz o escritor Boris Akunin em seu blog.

Os manifestantes já estão preparados, porém, para fiscalizar atentamente as eleições presidenciais e registrar eventuais adulterações. Segundo Akunin, se os problemas forem graves, a chamada "Liga dos eleitores" – uma nova união de ativistas da sociedade civil – poderá questionar a legitimidade de Putin.

O atual presidente quer evitar tal cenário. No início, ele ria dos manifestantes. De lá para cá, porém, passou a enviar sinais de aproximação e tem até mesmo elogiado a sociedade russa. Em um artigo no jornal de Moscou Kommersant, Putin afirmou que a sociedade teria ficado mais madura, ativa e responsável. E que os mecanismos democráticos precisam ser renovados, para que a classe média possa participar mais.

Autor: Roman Goncharenko (msb) - Revisão: Carlos Albuquerque

FRANCESES VÊEM EM BERLIM DESEJO DE DOMÍNIO DA EUROPA



Paulo Alexandre Amaral, RTP

Uma sondagem realizada pela televisão alemã ARD indica que seis em cada dez franceses acreditam que a Alemanha volta a ter o desejo de ser a potência dominante na Europa. Por outro lado é irónico verificar que a chanceler Angela Merkel é mais popular em França do que o próprio Presidente gaulês, Nicolas Sarkozy.

De acordo com estudo realizado pela ARD, 61 por cento dos franceses responderam afirmativamente à questão "Tem a impressão que a Alemanha procura atualmente tornar-se a potência dominante na Europa?".

Com um convicto "totalmente" responderam 26 por cento dos inquiridos, enquanto outros 35 por cento foram mais comedidos com "um pouco". Negativas, apenas 31 por cento das respostas: não, a Alemanha não tem a ambição de dominar.

Escrutinando mais fundo esses desígnios germânicos, os franceses dividiram-se na altura de esclarecer das razões por que Berlim está empenhada em salvar o euro: 41 por cento dizem que a Alemanha utiliza a crise do euro para reforçar a economia à conta dos outros países da União Europeia; outros 42 por cento acreditam no entanto que há um empenho genuíno da Alemanha no apoio aos países em crise da Zona Euro, no sentido de salvar a União.

Merkel colhe simpatias dos franceses

Estranho nesta inquirição é a preferência dos franceses pela chanceler alemã quando emparelhada com o seu próprio Presidente.

São 60 por cento dos franceses a manifestar uma opinião positiva acerca de Angela Merkel (7 por cento "muito boa" e 53 por cento "boa"), enquanto Nicolas Sarkozy conta com 36 por cento de opiniões favoráveis.

Principais partidos da oposição de Angola abandonam debate sobre leis eleitorais



RTP - Lusa

Os três maiores partidos da oposição angolana boicotaram hoje em Luanda a discussão e votação de legislação eleitoral, abandonando o parlamento no momento de abertura do debate.

A saída dos deputados da UNITA, PRS e FNLA ocorreu imediatamente depois de o presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma, anunciar o início do debate para a votação de quatro diplomas do pacote eleitoral.

São eles a lei de revisão da lei do Financiamento dos Partidos Políticos, lei de Observação Eleitoral, lei resolução sobre o Código de Conduta Eleitoral e a resolução que aprova a eleição dos membros das comissões provinciais e municipais eleitorais.

Já fora da sala de sessões, em declarações à imprensa, a deputada Clarisse Caputo, em nome da direção da bancada da UNITA, sublinhou que a saída dos parlamentares dos três maiores partidos da oposição se deveu "à falta de condições" para prosseguir o debate.

Em causa está a contestação à manutenção de Suzana Inglês na presidência da CNE, que a UNITA, PRS e FNLA consideram uma "ilegalidade", e que o Tribunal Supremo considerou legal, rejeitando o recurso interposto por aqueles partidos.

"Os três partidos vão fazer ainda hoje uma declaração conjunta", sublinhou Clarisse Caputo.

Sapalo António, líder parlamentar do PRS, por seu lado, acusou o Presidente da República, e líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, e o presidente do Tribunal Supremo de estarem a potenciar o conflito no país.

"Essas pessoas não merecem estar à frente do país. Nós, com os meios democráticos temos que dizer a essas pessoas que Angola não é uma propriedade para que cada um no exercício das funções crie conflitos que põem em causa a vida e a estabilidade do país", frisou Sapalo António.

No final dos trabalhos, o líder parlamentar do MPLA, Virgílio Fontes Pereira, classificou a atitude da oposição como uma "birra".

No passado dia 02, em conferência de imprensa os três maiores partidos da oposição em Angola, UNITA, PRS e FNLA ameaçaram boicotar as eleições gerais caso persistam as ilegalidades na preparação do escrutínio, ainda sem data marcada.

Entretanto, os quatro diplomas que motivaram o boicote da UNITA, PRS e FNLA, foram aprovados pelos deputados do MPLA, tendo os dois parlamentares da coligação Nova Democracia optado pela abstenção.

À mesma hora que decorria a sessão parlamentar, noutro ponto da capital angolana, o secretário-geral da UNITA, Vitorino Nhany, em conferência de imprensa garantiu que o seu partido vai protestar nas ruas contra a decisão do Tribunal Supremo, que considerou legal a designação de Suzana Inglês na presidência da CNE.

Cabo Verde: Governo põe em discussão proposta de Lei de Armas



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 29 fev (Lusa) - A primeira versão da futura Lei de Armas de Cabo Verde vai restringir o acesso à licença de porte e tornar obrigatório um curso de formação anunciou hoje a ministra da Administração Interna cabo-verdiana.

Marisa Morais disse que a proposta de nova Lei, que pretende combater ao aumento da criminalidade organizada no arquipélago, acrescentou, é "complexa" e está já a ser analisada com as forças de segurança, entidades militares e ainda com a sociedade civil, classificando "exaustivamente" as armas com um "alto grau" de especificidades técnica.

"Restringe as possibilidades de obter armas através de licença. Estamos a regulamentar numa perspetiva restritiva. É necessário ter mais de 21 anos de idade e fazer um curso de formação para obter a licença de porte de arma, a par de alguns outros requisitos também importantes", explicou a ministra, citada pela agência Inforpress.

O porte de armas terá também a sua categorização, acrescentou Marisa Morais, especificando com a obtenção da licença apenas para residência e com a marcação e o registo de armas, possibilitando um melhor controlo na circulação de armas e o agravamento de penas.
A proposta,
 que já está na sua fase final, prevê também a possibilidade de impedir que pessoas com historial de violência doméstica possam ter uma licença de porte de armas.

Souto Moura é a vergonha da Arquitectura portuguesa




Ao fazer um novo projecto para a Barragem do Tua, que em quase nada altera o projecto original, Souto Moura passa à História como um dos agentes da destruição do Vale do Tua e do Douro Património Mundial.

«De enorme qualidade», proclama, fremente de excitação, o presidente da EDP António Mexia. De «qualidade superior», carcareja o edil Artur Cascarejo de Alijó.

Afinal, onde está a pretensa genialidade de Moura? O enorme e disforme paredão continua por lá. A linha de alta tensão Tua – Armamar vai atravessar, com postes de mais de 60 metros de altura, dezenas de quilómetros do Douro Património Mundial. A linha férrea vai desaparecer. A paisagem única do Tua vai desaparecer. Genialidade aonde? Só se for na ponta do paredão.

O Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos refere logo no Preâmbulo que o Arquitecto é «intérprete e servidor da cultura e da sociedade de que faz parte, devendo ter sempre presente que a arquitectura é uma profissão de interesse público.» Ora, Moura será intérprete e servidor, sim, mas da Cultura do dinheiro – aquele que a EDP lhe paga.

Passando ao lado da dignidade que todos os Arquitectos devem demonstrar na sua profissão, dignidade essa de que Souto faz tábua rasa, o artigo 3.º deste Regulamento é bem claro: «Orientar o exercício da sua profissão pelo respeito pela natureza, bem como pela atenção pelo edificado pré-existente, de modo a contribuir para melhorar ta qualidade do ambiente e do património edificado».

Parece-me que está tudo dito. Não é por ter ganho o Prémio Pritzer, por ter feito um estádio de futebol e por ter projectado apartamentos para ricos que Souto Moura vai ficar na história. Depois de deixar o seu nome indelevelmente ligado à destruição do Tua e do Douro Património Mundial, ficará na história, sim, como a vergonha da arquitectura portuguesa.

CAVACO SILVA REGRESSA MANSO E DE “PANTUFAS” MAS EM NADA MUDOU




António Veríssimo

MALDITO “KARMA”, O DOS PORTUGUESES

Cavaco regressa de pantufas novamente, depois das “gafes” e de mostrar quem é na realidade. Usa a mesma técnica que usava quando era primeiro-ministro – um período caladinho, um período de nojo -  depois de se descair e de mostrar como é e quem é. Sem deixar lugar a dúvidas de que se lhe fosse possível fazia todo o povo português passar as passas do Algarve com a teoria salazarista do “pobrezinho mas honrado”, enquanto ele e os de sua pandilha enchem os alforges.

Antes, os portugueses iam deitando para trás as afrontas, os absolutismos, as prepotências possíveis – até no desprezo com que brindava os jornalistas nas respostas que dava. Então era primeiro-ministro – também ele com responsabilidades no depauperamento deste país. Agora PR, assobiando para o lado e fazendo de conta que nada tem que ver com os erros que também cometeu, é o mesmo mas muito mais manhoso.

É título de hoje que “Cavaco Silva considera "impossível impor mais austeridade" aos "novos pobres” . E que o Governo tem de "olhar às pessoas", diz Cavaco Silva. Pretenderá este sujeito que esqueçamos que foi ele mesmo, na qualidade de presidente da República, que se constituiu cúmplice dos causadores da miséria em que tantos portugueses mal sobrevivem? Que esqueçamos que nem pestanejou, nem teve dúvidas sobre a constitucionalidade destas medidas de austeridade que nos sufocam, que não são justas, provavelmente inconstitucionais, que não são equitativas, que permitem aos muito ricos ficarem ainda muito mais ricos e aos pobres passarem a ser mais pobres – aumentando a cada dia o empobrecimento de muitos, a que ele agora chama “novos pobres" fazendo que se preocupa? Dito o que disse e revelada a sua hipocrisia do costume só não sabe quem não quer que o que Cavaco merece de todos nós, os espoliados e empobrecidos, é um grande manguito. Basta de hipocrisia!

Dá para futurar que uma vez mais os portugueses vão deixar branquear os comportamentos inadmissíveis deste sujeito que sustentamos opiparamente em Belém enquanto em nossas casas quase não temos comer ou não temos mesmo. Ou já nem temos casa. A técnica está em marcha e assim, hoje, como antes, vai resultar. Não mais se falará da ganância revelada por Cavaco e do desprezo pelos tais “novos pobres” e antigos quando afirmou descaradamente que com as suas reformas não ganhava para as suas despesas. Nem da sua cobardia ao temer uns miúdos que o esperavam na esperança de lhe lançar (não o fariam) uns ovos em visita presidencial à escola António Arroio. Vai-se passar para outra página fechada atitudes de arrogância do sujeito, o Sabe Tudo em números – e que por isso não vê as pessoas a não ser quando lhe convém, para se “lavajar” das bodegas anteriores onde suja a sua imagem com aquilo que na realidade representa: o pior presidente da República de Portugal na era pós 25 de Abril de 1974, em suposta democracia. Aliás, Cavaco não se mostra nada à vontade em democracia. É aquilo que demonstra com determinadas posturas que assume.

QUE ACONTECEU À PETIÇÃO?

Cerca de 40 mil cidadãos portugueses subscreveram em curtíssimo prazo uma petição para que Cavaco se demitisse, mas disso não mais se falou. Porquê? Saberá o promotor da petição que as dezenas de milhares que a subscreveram foram enganadas se acaso a mesma não teve seguimento? O que se passou? O que se passa? Até parece que foi uma brincadeira de crianças. Mas não. Ou foram os homens do presidente ou de outra área congénere que demoveram o promotor da petição de cumprir o que estava estabelecido? De certeza que há dezenas de milhar a querer saber o que se passou. É que certamente que as pessoas não participaram por brincadeira. Saberemos algum dia se a petição chegou ao seu destino? Terá também sido enviada a Cavaco para seu conhecimento?

Cavaco, o pior. Vamos ter de o gramar até ao final do mandato? Pois vamos. Cavaco, o pior PR. Maldito “karma”, o dos portugueses.

UM LIVRO PARA PASSOS COELHO LER




Baptista-Bastos – Diário de Notícias, opinião

Estamos enfraquecidos e aterrorizados. O pior ainda não chegou, avisa-nos o Governo, que já desempregou não só milhares de portugueses, como a própria generosidade. A banalidade das advertências quase deixou de nos comover. Aceitamos as coisas com a resignação de quem entende que valores mais poderosos se levantam. Como há tempos me disse o meu amigo João Lopes, deixámos de alimentar a compaixão, sem a qual nem sequer sobrevivemos: vegetamos. Mas vale a pena insistir na notícia desta desgraça? Creio que sim; de contrário estaríamos a ressuscitar a fantasia de que, se tudo não está bem, vai melhorar. Não vai. Pedro Passos Coelho pressagiou o nosso empobrecimento; agora, pede-nos energia. Anda, notoriamente, desorientado. E não sabe a quem se dirige, por desconhecimento de quem somos. Mas não somos matéria vaga.

Leio em Montesquieu: "Não há desgosto que uma hora de leitura não desvaneça." Faço-o, há muitos anos. Claro que o desgosto não se desvanece. Mas a leitura reconforta-nos. E permite-nos estabelecer comparações. É o que devia fazer o Governo: ler. Há, nele, uma encantadora ausência de livros, sobretudo de História. Os discursos chãos, vazios de sentido, escassos de virtude quanto cheios de ignorância, fornecem-nos a dimensão cultural e moral destes senhores. Não se pode governar estranhando a natureza de quem é governado.

Um volume recente, o terceiro da História de Portugal, de António Borges Coelho, ergue-nos o ânimo e alivia-nos dos pesares. Recomendo a Passos, que parece tão desviado de nós, a leitura de Largada das Naus, que nos sacode a sonolência de espírito e nos convoca a inteligência e a coragem. É um texto extraordinário pela beleza da prosa, pelo rigor da pesquisa, pela grandeza da proposta. Como nos dois tomos anteriores, Donde Viemos e Portugal Medievo, o grande historiador não oculta a paixão pelo povo, a contribuição inapagável e sem preço de uma gente fervorosa, amante e entusiasta, violenta e terna, que troca "gestos, cerimónias, roupas, vocábulos" e que experimenta "as armas e os corpos". Nós.

Como poucos, António Borges Coelho fornece-nos a dimensão de um tempo e a espessura de uma população que construiu o país com a rudeza de uma vontade quase inexplicável. Como é possível desconhecer esta gente?, que criou um leito de nações, enquanto consolidava a sua própria, com o génio e o montante, a poesia e o sangue.

Não se deve falar connosco na linguagem da displicência. É imoral. Afinal pertencemos a uma estirpe que, para citar o etnólogo brasileiro Luís da Câmara Cascudo, outro maior, "levou nas naus o coração batente e a pedra de Pêro Pinheiro, mas, também, a língua e a força da aprendizagem". Essa força transformadora que, na repressão, no opróbrio e na desdita não foi nunca dominada.

Timor-Leste: Xavier do Amaral não vai participar nas atividades de campanha



MSE - Lusa

Díli, 29 fev (Lusa) - O representante da candidatura de Francisco Xavier do Amaral às presidenciais de 17 de março em Timor-Leste, Arlindo Marçal, disse hoje que o candidato, internado desde terça-feira, "está a melhorar", mas que não vai participar nas atividades de campanha.

"Está em tratamento, no hospital de Díli, e está a melhorar", afirmou Arlindo Marçal.

Francisco Xavier do Amaral foi internado na terça-feira no hospital de Díli, onde já tinha estado em janeiro.

Segundo aquele responsável, Francisco Xavier do Amaral "não vai participar nas atividade de campanha".

"Há candidatos que só vão fazer campanhas de seis dias. Toda a gente sabe quem é Francisco Xavier do Amaral e a sua candidatura vai ter sucesso", disse Arlindo Marçal.

Francisco Xavier do Amaral foi empossado como Presidente de Timor-Leste em 28 de novembro de 1975, quando a Fretilin proclamou a independência do país, uma semana antes da invasão das forças indonésias.

Xavier do Amaral é um dos fundadores da Associação Social-democrata Timorense (ASDT) de 1974 que depois se transformou em Fretilin e que declarou unilateralmente a independência de Timor-Leste em 1975.

A designação ASDT regressou ao país após a consulta popular de 1999 que conduziu à restauração da independência de Timor-Leste.

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais timorenses de 17 março começou hoje e acaba no dia 14.

Destaques em Página Global

Parlamento realiza sessão especial em plena campanha para discutir lei eleitora



MSE - Lusa

Díli, 29 fev (Lusa) - O parlamento nacional de Timor-Leste vai reunir-se quinta-feira em sessão especial para discutir a lei eleitoral para o Presidente da República, disse hoje à agência Lusa a deputada Fernanda Borges, presidente da comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais.

"Os deputados querem assegurar que a eleição do Presidente da República corre dentro do tempo necessário e antes do final do mandato no dia 20 de maio", afirmou a deputado do Partido de Unidade Nacional contactada por telefone pela Lusa.

A deputada negou que esta sessão especial esteja relacionada com o estado de saúde do candidato às presidenciais de 17 de março, Francisco Xavier do Amaral.

Segundo Fernanda Borges, os deputados apenas querem "assegurar que não há nenhum risco" e que as eleições se realizem e os resultados sejam conhecidos antes do dia 20 de maio.

O candidato às eleições presidenciais Francisco Xavier do Amaral está internado no hospital de Díli desde quarta-feira e segundo o representante da sua candidatura, Arlindo Marçal, não vai participar nas atividades da campanha, que começou hoje e termina no dia 14.

A lei eleitoral para o Presidente da República, lei nº7/2006 de 28 de dezembro, determina, nos artigos 25.º e 26.º, que em caso de incapacidade do candidato ou óbito é "reaberto o processo eleitoral" e marcada nova data para a votação.

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ELEITORES TIMORENSES: PARTICIPEM NA SONDAGEM “VOTO PARA PR DE TIMOR-LESTE”, na barra lateral

Timor-Leste: Secretário-geral da ASEAN inicia visita oficial na quinta-feira



MSE - Lusa

Díli, 29 fev (Lusa) - O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Surin Pitswan, realiza entre quinta-feira e sábado uma visita oficial a Timor-Leste para obter informações sobre os progressos realizados no país com vista à entrada naquela organização.

"O intuito da visita do secretário-geral da ASEAN é para obter informações sobre o progresso de Timor-Leste com vista à entrada na ASEAN", refere o diretor-geral da Integração Regional de Timor-Leste, Marciano da Silva, citado num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense hoje divulgado à imprensa.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense, durante a sua estada no país, Surin Pitswan vai reunir-se com o chefe de Estado de Timor-Leste, José Ramos-Horta, com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, e com o chefe da diplomacia, Zacarias Albano da Costa.

"Fazem também parte da agenda encontros com outros membros do Governo, académicos e intelectuais timorenses", refere o documento.

O pedido formal de adesão de Timor-Leste à ASEAN foi entregue em março de 2011.

Moçambique: JOVENS INTERDITOS DE SE RECENSEAR



Carlos - Savana (mz)

(Maputo) Cinco dias depois do arranque do processo da actualização e recenseamento de novos eleitores na cidade de Inhambane, para as intercalares de 18 de Abril, o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) local é acusado de estar a interditar os jovens não naturais da cidade de Inhambane de recensear.

Para impedir o recenseamento de jovens, as brigadas de recenseamento exigem cartão de estudante, como condição única para os jovens terem acesso ao cartão de eleitor que os habilita a exercer o seu direito cívico e constitucional a 18 de Abril deste ano.

Esta informação é considerada pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na voz do respectivo Secretário-Geral, Luís Boavida, como uma estratégia política montada pelo partido Frelimo para inviabilizar o processo eleitoral em Inhambane.

Entende o MDM que o seu opositor na votação de 18 de Abril, tem em mente a má memória de Quelimane, em que a população jovem ditou a vitória de Manuel de Araújo e a derrota do candidato da Frelimo.

Na verdade, falando à Rádio Moçambique, na manhã de ontem, o Director do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, José Pedro, justificou a exigência de apresentação de cartão de estudante pela necessidade de se aferir a residência habitual dos jovens.

Entretanto, soubemos, os jovens apresentaram Bilhetes de Identidade e outros documentos que atestam a residência habitual na cidade de Inhambane, mas debalde porque as autoridades eleitorais não aceitam recensear os jovens que em massa acorrem aos postos de recenseamento.

Entretanto, contactado na tarde de ontem pelo mediaFAX, o Director do STAE na cidade de Inhambane não aceitou abordar o assunto. Telefonicamente, aquele responsável eleitoral da cidade de Inhambane, ao invés de procurar esclarecer as circunstancias que ditaram a invenção de uma nova lei eleitoral para o recenseamento eleitoral, limitou-se apenas a dizer que não queria falar do assunto.

“Não sei do que está a falar. Não tenho nada a declarar em relação a este assunto. Não tenho qualquer informação em relação a isso. Não sei onde foram buscar isso. Eu trabalho na base da lei” – com este discurso repetitivo e estéril, nada mais fez o digno representante do STAE, senão desligar o seu telemóvel na cara do repórter.

Greve na mina de platina na RAS: Há dois moçambicanos entre as vítimas mortais




DOIS trabalhadores moçambicanos da mina de platina, em Rustenburg, na África do Sul, contam-se entre os mortos registados na passada sexta-feira quando se dirigiam aos seus postos de trabalho, tendo caído nas mãos de colegas que não só impediram que retornassem ao trabalho como acabaram agredindo-os até à morte.

Dados colhidos no terreno por elementos da Delegação do Ministério do Trabalho, na África do Sul, indicam que perderam a vida os moçambicanos Aurélio Zaqueu Cuamba, natural de Inharrime, e Augusto Cassimo Malela, de Homoíne, ambos da província de Inhambane. Durante os tumultos de sexta-feira protagonizados pelo grupo de grevistas que continua irredutível na sua reivindicação foi igualmente reportada a ocorrência de actos de violência que resultaram em pouco mais de 60 feridos.

Augusto Malela trabalhava para a empresa Triple M Mining, Ltd, que presta serviços à companhia mineira Impala Platinum Mine, enquanto que em relação a Aurélio Cuamba ainda não se conseguiu apurar o sector em que trabalhava, sabendo-se apenas que prestava serviços à mina Impala. Para além desta insuficiência de dados, o malogrado Aurélio Cuamba não apresentava em vida um documento moçambicano, identificando-se apenas com documentação sul-africana.

Trata-se das primeiras mortes de moçambicanos desde que a greve eclodiu a 19 de Janeiro do ano corrente e que tem sido caracterizada por manifestações de violência protagonizadas por um certo sector de trabalhadores, que reivindicam um aumento salarial de 5 para 9 mil randes.

A revolta de sexta-feira, para além da morte dos dois compatriotas, causou também a morte de um mineiro de nacionalidade sul-africana, e ferimentos, entre ligeiros e graves, de 60 outros trabalhadores, segundo apurou a Delegação moçambicana do Ministério do Trabalho junto do subcomandante do posto policial de Phokeng, responsável pela segurança da companhia mineira.

Até segunda-feira passada 400 pessoas haviam sido detidas em conexão com a greve.

Da lista dos feridos constam três moçambicanos que agora totalizam um número de seis, dos quais apenas foi possível identificar Moisés Saimone Bila e Rodrigues Zacarias Licoze, estando em curso o apuramento da identificação do terceiro. A recolha de dados torna-se difícil, uma vez que mesmo o acesso ao hospital onde se encontram internados os feridos é feito sob o risco de vida, devido a velados actos de intimidação por parte dos grevistas que, na primeira fase, mobilizaram mais de 17 mil mineiros para a sua causa, logrando a paralisação total da mina, que empregava até à eclosão da greve um total de 26 mil trabalhadores, dos quais 1860 moçambicanos.

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Angola: A OUTRA FACE DE JONAS SAVIMBI



Carta para Paulo Lukamba 'Gato' (em 2003)

Carta enviada a Paulo Lukamba 'Gato' por Bela Malaquias, esposa de Eugénio Manuvakola.

Fê-lo em resposta a um convite efectuado pelo mesmo, Lucamba Gato, para que estivesse presente no evento referente ao 1º aniversário da morte de Savimbi. Bela Malaquias vive em Luanda desde 1998, data da sua fuga do Bailundo, onde Savimbi a havia encarcerado assim como toda a família Manuvakola.

Jornalista de profissão (foi durante anos responsável pela “Vorgan”, a rádio da Unita), Bela Malaquias frequenta (2003) o 3º ano de Direito na Universidade de Luanda..

...
Se é um problema de amnésia, eu terei muito gosto em lhe refrescar a memória: Savimbi perseguiu-me durante 20 longos anos, através do exílio, a prisão e assédio sexual, e todas as formas de tortura psicológica!

Savimbi encarcerou o meu pai, já bastante idoso, numa cela subterrânea, ao longo de meses, pelo único crime de ter transmitido aos nossos companheiros a notícia do atentado contra a vida de Reagan, então presidente dos Estados Unidos. Lembra-se?

Savimbi espancou até à morte os meus familiares, Eduardo Jonatão Chingunji e a sua esposa Violeta Jamba. Nem os seus filhos e restante família conseguiram escapar à fúria de Savimbi.

Apesar da dor que eu sinto cada vez que penso neles, não resisto a colocar aqui os seus nomes, para avivar a sua memória: Tito Chingunji, sua esposa Raquel e os seus três lindos filhos (os dois mais pequeninos eram gémeos). Eu tenho a certeza de que você ainda se lembra. Lena Chingunji, a irmã gémea do Tito, e o seu marido, Wilson dos Santos.

Koly, o filho mais velho da Lena, que tinha então doze aninhos; Rady, que tinha oito anos, e o “Paizinho”, o terceiro, além dos dois encantadores gémeos, ainda bebés.…

Dino Chingunji e sua esposa Aida Henda, sua irmã Vande e seu filho mais novo que se chamava, creio eu, Eduardo como o seu avô. E o último dos Chingunjis, Alice, carinhosamente conhecida como Lulu. Apenas uma filha dela, que vive em Luanda e cujo pai é o Sr. Isaías Chitombi, um membro da liderança do seu partido, sobreviveu como que por milagre.

A lista é longa, mas a minha intenção é ajudá-lo a lembrar as pessoas cuja memória deve ser honrada pela simples razão de que a Unita deve a sua existência a alguns deles (no período colonial o casal Chingunji foi um pilar da Unita no Moxico, resultando no envio do marido para o Tarrafal e da esposa para São Nicolau), embora uma Unita muito diferente da de ultimamente…

E o que se pode dizer sobre o grande número de pessoas, mulheres e crianças, que foram queimadas vivas? Lembro-me como se fosse ontem, mas foi há vinte anos. Aconteceu precisamente no dia 7 de Setembro de 1983...

Prefiro virar esta página sangrenta, para construir uma estátua à memória dos homens, mulheres e crianças que foram vítimas da fúria sanguinolenta de Savimbi. Nenhum deles teve sepulturas ou enterros: não os tiveram Kambanjela, Ana Isabel, Vinona ou Eunice Sapassa, a ex-presidente da Lima (Organização das Mulheres da Unita), para mencionar apenas alguns.

Obrigada pelo convite, mas eu recuso-o, e peço-lhe também que, de futuro, se abstenha de perturbar a minha paz e tranquilidade.

Bela Malaquias

União Europeia quer desenvolver novas áreas de cooperação com Angola




Angola e Uniao Europeia verão, em breve, as suas relações mais fortalecidas com a aprovação do documento denominado “Caminhos conjuntos” que será assinado em Abril durante a visita à Angola do presidente da Comissao da União Europeia, Durao Barroso.

O documento vai definir a plataforma que irá conformar essa cooperação nos mais diferentes domínios, facilitando assim, a relaçao histórica que une Angola e aquela organização dos estados europeus.

A informação foi prestada por Koen Vervacke, Representante da União Europeia para o Corno de Àfrica, Oriental, Austrália e Oceania, à saída de um encontro com o secretário de estado angolano das Relações, Manuel Augusto. politicas.

Yoani Sánchez frauda Twitter com ajuda secreta dos EUA, revela investigação independente




Correio do Brasil, com agências internacionais - de Paris

A blogueira cubana Yoani Sánchez, personagem peculiar no universo da dissidência cubana, é seguida no Twitter por milhares de fantasmas, pessoas e perfis inexistentes, em uma manobra típica das agências norte-americanas de inteligência, segundo levantamento do jornalista francês Salim Lamrani. Ele também é professor graduado na Universidade de Sorbonne, em Paris, e especialista nas relacões entre Cuba e Estados Unidos.

O estudo independente mostra que nenhum opositor do regime comunista cubano foi beneficiado com uma exposição midiática tão massiva, nem com um reconhecimento internacional semelhante, em tão pouco tempo. Após emigrar para a Suíça em 2002, Sánchez decidiu retornar a Cuba dois anos depois, em 2004. Em 2007, integrou o universo de opositores a Cuba ao criar seu blog Generación Y, se tornando uma crítica feroz do governo de Havana, com apoio logístico e financeiro dos EUA.

Leia, na íntegra, o artigo do professor Lamrani:

#YoaniFraude: “Langley, temos un problema”

Nunca um dissidente cubano – e de nenhum outro lugar no mundo – conseguiu tantos prêmios internacionais em tão pouco tempo e com uma característica particular: deram a Yoani Sánchez dinheiro suficiente para viver tranquilamente em Cuba até o resto de sua vida. Na realidade, a blogueira tem retribuído à altura os 250 mil euros que recebeu, o que equivale a mais de 20 anos do salário mínimo em um país como a França, a quinta potência mundial. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos, o equivalente a US$ 18 ou 14 euros. Isto é, Yoani Sánchez recebeu 1.488 anos de salários mínimos cubanos por sua atividade opositora.

Yoani Sánchez tem estreita relação com a diplomacia estadunidense em Cuba, como demonstra um documento “secreto”, por seu conteúdo sensível, emitido pela Seção de Interesses Norte-americanos (Sina). Michael Parmly, ex-chefe da Sina em Havana, que se reunia regularmente com Yoani Sánchez em sua residência diplomática pessoal como indicam os documentos confidenciais da Sina, manifestou a sua preocupação em relação à publicação dos documentos diplomáticos dos EUA pelo WikiLeaks: “Ficaria muito incomodado se as numerosas conversações que tive com Yoani Sánchez fossem publicadas. Ela poderia pagar as consequências por toda a sua vida”. A pergunta que vem imediatamente à mente é a seguinte: por quais razões Yoani Sánchez estaria em perigo se a sua atuação, como afirma, respeita o marco da legalidade?

Em 2009, a imprensa ocidental divulgou massivamente a entrevista que o presidente Barack Obama havia concedido à Yoani Sánchez, e que foi considerado um fato excepcional. Yoani também afirmou que enviou um questionário similar ao presidente cubano Raúl Castro e que o mesmo não se dignou a respondê-lo. No entanto, os documentos confidenciais da Sina, publicados pela WikiLeaks, contradizem essas declarações. Foi descoberto que foi um funcionário da representação diplomática estadunidense, em Havana, quem, de fato, redigiu as respostas à dissidente e não o presidente Obama.

Mais grave ainda, o Wikileaks revelou que Yoani, diferente de suas afirmações, jamais enviou um questionário a Raúl Castro. O chefe da Sina, Jonathan D. Farrar, confirmou a informação através de um e-mail enviado ao Departamento de Estado: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou que nunca enviou (as perguntas) ao presidente cubano”.

A conta de Yoani Sánchez no Twitter

Além do sítio Generación Y, Yoani Sánchez tem uma conta no Twitter com mais de 214 mil seguidores (registrados até 12 de fevereiro de 2012). Somente 32 deles moram em Cuba. Por outro lado, a dissidente cubana segue a mais de 80 mil pessoas. Em seu perfil, Yoani se apresenta da seguinte maneira: “Blogger, moro em Havana e conto a minha realidade através de 140 caracteres. Tuito, via sms sem acesso à web”. No entanto, a versão de Yoani Sánchez merece pouco crédito. Na realidade é absolutamente impossível seguir mais de 80 mil pessoas apenas por sms, a partir de uma conexão semanal em um hotel. É indispensável um acesso diário para isso na rede.

A popularidade na rede social Twitter depende do número de seguidores. Quanto mais numerosos, maior a exposição da conta. Da mesma maneira, existe uma correlação entre o número de pessoas seguidas e a visibilidade da própria conta. A técnica que consiste em seguir diversas contas é utilizada para fins comerciais, assim como para a política durante as campanhas eleitorais.

O sítio www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da comunidade do Twitter. O estudo do caso Yoani Sánchez é revelador em vários aspectos. Uma análise dos dados da conta do Twitter da blogueira cubana, realizada através de seu sítio, revela que a partir de 2010 houve uma atividade impressionante de sua conta. A partir de junho de 2010, ela se inscreveu em mais de 200 contas por dia, em uma velocidade que poderia alcançar até 700 contas em 24 horas. Isto é, passar 24 horas diretas fazendo isto – o que parece improvável. O resultado é que é impossível ter acesso a tantas contas em tão pouco tempo. Então, parece que isto só é possível através de um robô.

Da mesma maneira, descobrimos que cerca de 50 mil seguidores de Yoani são, na realidade, contas fantasmas ou inativas, que criam a ilusão de que a blogueira cubana goza de uma grande popularidade nas redes sociais. Na realidade, dos 214.062 perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são novos (e sem fotos) e 20.600 são de características de contas fantasmas com atividades inexistentes na rede (de 0 a 3 mensagens enviadas desde a criação da conta). Entre estes fantasmas que seguem Yoani no Twitter, 3.363 não têm nenhum seguidor e somente 2.897 seguem a blogueira, assim como a uma ou duas contas. Algumas apresentam características bastante estranhas: não têm nenhum seguidor, seguem apenas Yoani e emitiram mais de duas mil mensagens.

Esta operação destinada a criar uma popularidade fictícia, via Twitter, é impossível de ser realizada sem acesso à internet. Necessita de um apoio tecnológico e um orçamento consequente. Segundo uma investigação realizada pelo diário La Jornada, com o título El ciberacarreo, la nueva estrategia de los políticos en Twitter, sobre operações que envolviam os presidenciáveis mexicanos, diversas empresas dos Estados Unidos, Ásia e América Latina oferecem este serviço de popularidade fictícia (“ciberacarreo” ou em português ciber transporte) por elevados preços. “Por um exército de 25 mil seguidores inventados no Twitter , escreveu o jornal, pagam até US$ 2 mil, e por 500 perfis manejados para 50 pessoas é possível gastar entre US$ 12 mil a US$ 15 mil”.

Yoani Sánchez emite, em média, 9,3 mensagens por dia. Em 2011, a blogueira publicou uma média de 400 mensagens por mês, O preço de uma mensagem em Cuba é de um peso convertido (CUC), o que representa um total de 400 CUC mensais. O salário mínimo em Cuba é de 420 pesos cubanos, ao redor de 16 CUC. Yoani Sánchez gasta, por mês, o equivalente a dois anos de salários mínimos em Cuba. Assim, a blogueira gasta em Cuba com o Twitter, um valor correspondente, caso fosse francesa, a 25 mil euros mensais ou 300 mil euros por ano. Qual a procedência desses recursos para estas atividades?

Outras perguntas surgem de maneiras inevitáveis. Como Yoani Sánchez pode seguir a mais de 80 mil contas sem acesso permanente a internet? Como conseguiu se inscrever em 200 contas diferentes por dia, desde junho de 2010, com índices que superam até 700 contas/dia? Quantas pessoas seguem realmente as atividades da opositora cubana na rede social? Quem financia a criação das contas fictícias? Qual o objetivo? Quais os interesses escusos detrás na figura de Yoani Sánchez?

Salim Lamrani é graduado na Universidade de Sorbone, professor encarregado dos cursos da Universidade Paris-Descartes e da Universidade Paris-Est Marne-la-Vallée e jornalista francês, especialista nas relacões entre Cuba e Estados Unidos. Autor de Fidel Castro, Cuba y Estados Unidos (2007) e Doble Moral. Cuba, la Unión Europea y los derechos humanos (2008), entre outros livros.

Fonte: La Jornada

Tradução de Sandra Luiz Alves

Brasil: Serra insiste em adiar prévias tucanas para tentar fortalecer candidatur




Correio do Brasil, com Vermelho.org.br

Confirmada na segunda-feira pelo Twitter do próprio José Serra, a pré-candidatura do ex-governador para a Prefeitura da capital paulista estava na pauta da direção municipal do PSDB para esta terça-feira. Serra vai disputar as prévias do partido, que ainda podem ser adiadas para contemplar seu desejo de realizar mais articulações em torno do seu nome.

Pelo Twitter, Serra anunciou que entregaria um texto à direção do PSDB formalizando sua entrada na disputa na segunda-feira, mas a iniciativa deve ser tomada apenas nesta terça. “Sempre fui favorável às prévias para a escolha do candidato a prefeito do PSDB. E delas pretendo agora participar”, twittou.

Se confirmadas as prévias, Serra enfrentará outros dois pré-candidatos, José Aníbal e Ricardo Trípoli, já que Andrea Matarazzo e Bruno Covas renunciaram em favor do ex-governador. Os dois primeiros não aceitaram a retirada de seus nomes, apesar da tentativa feita pelo governador Geraldo Alckimim.

Rejeição

A entrada de Serra é visto como a salvação da lavoura para os tucanos, que temem a perda de território no seu principal centro de poder, São Paulo. Apesar de ser o nome mais forte que têm, o tucano enfrenta a maior taxa de rejeição entre os pré-candidatos, com uma média de 35%, segundo levantamento do Instituto Datafolha de janeiro.

Grande parte dessa rejeição vem do fato e ter renunciado ao cargo de prefeito em 2006 um ano de três meses depois da posse, para concorrer ao governo estadual. Apesar de ter esse calcanhar de Aquiles, nesta segunda-feira Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin não foram claros em afirmar que desta vez ele terminaria o mandato caso eleito.

Além da possibilidade de abandonar o barco, Serra terá também que enfrentar as acusações reveladas no livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Junior, que demonstra através de documentos o esquema comandado por Serra de desvios de dinheiro público durante as privatizações do governo Fernando Henrique.

Haddad

A mudança no cenário com a confirmação da entrada de Serra fez também mudar o discurso do pré-candidato do PT, Fernando Haddad, que afirmou não se surpreender com a decisão do tucano.

– Estamos na sexta eleição do século XXI e é a quinta que ele (Serra) participará. Não vejo qual a surpresa disso – afirmou.

Com a confirmação do prefeito Gilberto Kassab (PSD) em apoiar José Serra, o discurso de Haddad em relação à administração municipal sofreu alterações. Antes mais comedido, na expectativa da receber o apoio de Kassab, nesta segunda-feira ele disse acreditar que o eleitorado paulistano pede mudanças reais na gestão.

– Sempre me coloquei como candidato com uma plataforma de mudança, nunca abdiquei deste discurso. Vejo que há muito sub-investimento na cidade – afirmou.

Outro pré-candidato que disse não ter se surpreendido com a entrada de Serra na disputa foi o vereador Netinho de Paula (PCdoB). Ele disse que São Paulo tem optado ultimamente por caminhos conservadores e sem renovação de quadros políticos e a pré-candiatura de Serra mostra esse conservadorismo.

– Para a nossa pré-candidatura, Serra na disputa até nos fortalece, pois sempre disse representamos a renovação e o investimento em novas lideranças – disse.

Netinho afirmou também que Serra representa um projeto esgotado que governa São Paulo há quase 20 anos.

– Agora, o que vejo nas ruas é um sentimento de mudança e um apoio popular muito grande em torno do meu nome – completou.

Ministério possível

Na manhã desta terça-feira, o prefeito Kassab afirmou que o apoio de seu partido à pré-candidatura de José Serra (PSDB) na disputa pela sucessão paulistana não altera a “independência” da sigla em relação ao governo Dilma Rousseff, e que, por isso, não impede um filiado de aceitar um possível convite para o ministério da petista.

– São coisas distintas, o projeto e as eleições municipais. Vamos continuar tendo a posição de independência em relação ao governo Dilma. Isso não impede algum filiado de, se for convidado (para o ministério), aceitar – afirmou a jornalistas.

Ele se referia ao caso de o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, entrar na disputa por um cargo de confiança da presidenta Dilma. Mas fez a ressalva que seu comentário não passava de um mero exemplo.

– Não tenho nenhum indicativo (de que o convite possa acontecer) – completou.

Kassab disse que, mesmo que um nome do PSD fosse para o ministério, o partido não se comprometeria a integrar a base aliada. O prefeito também minimizou as declarações do pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, de que se sentia mais “tranquilo” sem o apoio do atual prefeito.

– É próprio do jogo. Entendo o processo político eleitoral. Vamos olhar para frente – concluiu.